Questões de Concurso Sobre uso da vírgula em português

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Q4360884 Português
TEXTO I

Pés juntos

Assim como é evidente a burrice dos que fizeram o texto da propaganda do chinelo, é evidente, por si próprio, sem necessidade de adjetivos, o significado gigantesco do contrato de Vorcaro com a família Moraes


Alexandre Garcia


    Na semana do fiasco científico que foi o segundo fracasso consecutivo de lançamento em Alcântara, caminhamos também no nível do chinelo no debate político. Explodiu como o foguete espacial a fala publicitária de Fernanda Torres, de que não devemos entrar em 2026 com o pé direito. “O que eu desejo é que você comece o ano com os dois pés”. Antes de ser uma proclamação ideológica, a frase é uma tremenda burrice. Ora, quem entra com os dois pés ou está numa maca, ou numa cadeira de rodas ou num caixão. As pessoas que não estão nesses casos avançam, alternando as pernas, para caminhar ou usar escadas. Ninguém consegue fazer isso com os dois pés à frente a menos que esteja sobre patins. E chinelos não têm rodas.

    O texto dado a Fernanda ressalva: “Não é nada contra a sorte”. Pois tampouco é uma questão de superstição. É cultural. Na nossa língua de origem, esquerda é sinistra. No Credo, Cristo está à direita de Deus-Pai. Está em Eclesiastes, 10-2: “O coração do sábio se inclina para a direita, mas o coração do tolo, para a esquerda”. “Senta-te à minha direita” está na literatura. Usa-se a mão direita para cumprimentar. E o pé direito para entrar. Ou, no ano eleitoral, estando em campanha, aconselha-se evitar o uso da direita. Como reação, o boicote contra as Havaianas não deu certo, pelo menos no shopping que eu frequentei: a loja estava lotada.

    Não deu certo? Deu sim. As notícias sobre o caso MoraesMaster ficaram em segundo plano, enquanto corre solto com os dois pés o debate altamente grego no nível chinelar. Assim como é evidente a burrice dos que fizeram o texto da propaganda do chinelo, é evidente, por si próprio, sem necessidade de adjetivos, o significado gigantesco do contrato de Vorcaro com a família Moraes. Mas poucos vão além do chinelo. Quanto mais Moraes emite notas para explicar o que já se explicou sozinho, mais Moraes mete os dois pés na jaca, como aconselha Fernanda Torres.

    O senador Alessandro Vieira (MDB Sergipe), delegado de polícia, quer comissão parlamentar para investigar. Mas já começaram as férias legislativas, e só 2026 pode descobrir, por exemplo, quem Toffoli acha que deve ser protegido pelo sigilo no caso Master – e por quê? Não sei com que pé devemos entrar no ano novo para ter garantia de transparência no que parece ser advocacia administrativa pressionando o Banco Central ou o Governador de Brasília, que defendeu a compra do falido Master pelo banco estatal do Distrito Federal. O governador Ibaneis, destituído provisoriamente por Moraes, retornou ao posto e depois defendeu o negócio com o Master, conseguindo aprovação da operação no legislativo local. E ninguém mais incomodou o governador pelo 8 de janeiro.

    Uma CPI esclarece essas coisas, assim como a atuação de ministros do Supremo através de suas esposas, advogados de sucesso. Advocacias anexas podem ser soluções, mas logo serão sérios problemas, se o país for além dos chinelos. É a sina das mulheres dos césares; se advogassem na comarca de Boa Vista ou Rio Branco, estariam acima de suspeitas. Mas em Brasília, e tendo clientes como J&F Master, as tentações são grandes e as suspeitas do mesmo tamanho – a menos que houvesse uma decisão ética dos parentes e afins de, por razões éticas, manterem distância sanitária entre as bancas de advocacia e o tribunal. Evitaria contaminação e seria moralmente saudável.

    Com os dois pés na jaca, o Ministro Moraes emitiu uma segunda nota no mesmo dia, o que, por si, é revelador. O meio é a mensagem – descobriu McLuhan. A segunda explicação veio depois que o distinto público entendeu a resposta do Banco Central apenas confirmando que em reuniões com Moraes tratou-se, sim, de efeitos da Magnitsky – sem negar que tivessem tratado do Master. O Ministro, então, fez uma nova nota, afirmando que o escritório de Viviane e filhos jamais tratou de interesses do Master no Banco Central. Daí se deduz que ele já fala pelo escritório, e que lhe é literalmente familiar e, não menos revelador, que Vorcaro pagou R$ 3,6 milhões por mês, mas o escritório não o defendeu da liquidação pelo Banco Central. Pagou por que serviço?

    Parafraseando o Barão de Itararé: Ou restaure-se a moralidade, ou nos afundamos como civilização. Fachin quer código de conduta porque os supremos estão acima do Conselho Nacional de Justiça e da Lei Orgânica da Magistratura. Gilmar tem boas razões para alegar que não precisa. Também acho, mas tenho razões diferentes: código de conduta é forjado na medula desde criança, em casa. Tem que ser da natureza das pessoas. A civilização brasileira voltará à selvageria se a ética entrar em 2026 com os dois pés – pés juntos, como num caixão.


Fonte: GARCIA, Alexandre. Pés juntos. https://revistaoeste.com/revista/edicao-302/pesjuntos/ (adaptado)
Leia as afirmações abaixo sobre as regras de pontuação segundo a norma culta antes de analisar o que se pede.

I. Explodiu como o foguete espacial a fala publicitária de Fernanda Torres, de que não devemos entrar em 2026 com o pé direito. “O que eu desejo é que você comece o ano com os dois pés”. – as aspas isolam uma fala de outrem – que não o autor – por discurso direto.
II. “Com os dois pés na jaca, o Ministro Moraes emitiu uma segunda nota no mesmo dia...” – a vírgula que isola o termo destacado se justifica pelo deslocamento de termo sintático.
III. “O senador Alessandro Vieira (MDB Sergipe), delegado de polícia, quer comissão parlamentar para investigar.” – as duas vírgulas enumeram termos de mesma função sintática.
IV. “...mas o escritório não o defendeu da liquidação pelo Banco Central. Pagou por que serviço?” – a interrogação encerra uma pergunta indireta.

Pode-se dizer que se encontra correto o que foi afirmado apenas em:
Alternativas
Q4260941 Português

Extremos do planeta caminham para o perigoso ponto de não retorno

Carlos Nobre e Durwood Zaelke 


    O atual cenário de guerra e o clima de tensão entre países importantes na geopolítica mundial têm afastado a crise climática global do noticiário diário. A proximidade da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), no entanto, traz o tema para a ordem do dia, diante da alarmante situação de dois importantes extremos ambientais da Terra: a floresta amazônica e a tundra do Ártico — um bioma localizado no extremo norte do planeta, coberto quase que exclusivamente por gelo. Ambos enfrentam riscos reais de ultrapassar o chamado ponto de não retorno climático, situação em que os danos ambientais se tornam irreversíveis.

    Ainda que separados por milhares de quilômetros, esses dois biomas compartilham uma ligação fundamental: estão profundamente ameaçados pelo aumento acelerado da temperatura global e pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE), especialmente o metano. Embora similar ao dióxido de carbono (CO2), ele permanece na atmosfera por cerca de uma década, em comparação a centenas de milhares de anos do CO2, mas absorve 86 vezes mais energia solar, contribuindo para o efeito estufa e impactando severamente o meio ambiente. Os prejuízos causados rompem limites geográficos e socioambientais, afetando o agronegócio e a economia de forma geral.

    Como sabemos, a Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e tem um papel fundamental na regulação do clima terrestre. Além de manter o ciclo das chuvas e abrigar uma biodiversidade única, ela funciona como "sumidouro de carbono". É um processo natural que absorve e armazena CO2 da atmosfera. O desmatamento ilegal, juntamente com os incêndios florestais, está reduzindo a capacidade da Amazônia de absorver CO2 e nos aproxima de um colapso ecológico que pode ser irreversível.

    Do outro lado do hemisfério, no Norte, o Ártico está aquecendo quatro vezes mais rápido do que a média global e, com isso, o gelo do Ártico e a tundra terrestre estão derretendo a um ritmo preocupante. Essa camada marinha de água congelada é altamente reflexiva, e a substituição desse grande escudo branco por um oceano mais escuro acarreta mais aquecimento por conta da absorção do calor, em um efeito de retroalimentação autoamplificadora. A neve e o gelo terrestres no Ártico também são reflexivos e, quando derretem e são substituídos por terra mais escura, desencadeiam outro ciclo de retroalimentação autoamplificadora. Além disso, neste bioma, conhecido como "permafrost", o aquecimento do solo congelado há milênios corre o risco de liberar vastas reservas de metano e CO2.

    A conexão entre esses dois biomas revela que a crise climática não é localizada, é global. A ciência nos mostra o que está acontecendo e o futuro do planeta depende das escolhas que fazemos hoje. Se chegarmos a esse ponto de não retorno — e estamos caminhando céleres para isso —, a Amazônia e o Ártico não conseguirão mais se regenerar. Nesse grave cenário que se avizinha, mesmo se reduzíssemos drasticamente as emissões, o sistema climático seguiria aquecendo por conta própria. Se esse limite for ultrapassado, cerca de 70% da Amazônia pode se degradar nas próximas décadas, tornando a floresta inviável.

    Evitar esse ponto crítico requer ação imediata para mitigar o metano e outros poluentes climáticos de curta duração, desacelerando o aquecimento mais próximo. Nesse sentido, estudos do Instituto de Governança e Desenvolvimento Sustentável (IGSD) indicam que mitigar o metano e outros superpoluentes climáticos pode evitar quatro vezes mais aquecimento em 2050 do que cortar apenas o CO2.

    No ano em que o Brasil sedia a COP30, em Belém, há um apelo crescente para que o país lidere uma nova abordagem para mitigar os superpoluentes climáticos de curto prazo. Isso inclui a exigência para que as empresas de óleo e gás limitem imediatamente suas emissões de metano e desencorajem fortemente a exploração de novos combustíveis fósseis, reconhecendo que as reservas existentes hoje são muito maiores do que podem ser queimadas mantendo o planeta relativamente seguro.

    A impossibilidade de atingir a meta firmada em 2015 no Acordo de Paris — de frear o aumento da temperatura média global em até 1,5°C — é um estímulo para que sigamos em busca de uma transição justa e inclusiva para as próximas gerações. Cada dia é importante para não recebermos uma conta impagável e sem retorno, em um futuro que está mais próximo do que se imagina.


    Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em: 05 set. 2025

Leia o trecho a seguir.


Essa camada marinha de água congelada é altamente reflexiva, e a substituição desse grande escudo branco por um oceano mais escuro acarreta [...]


O uso da vírgula, nesse trecho, justifica-se, pois

Alternativas
Q4260155 Português
A questão refere-se ao texto a seguir. Os parágrafos estão numerados e algumas palavras ou segmentos textuais estão sublinhados para facilitar sua identificação pelos candidatos.


A inclusão da terceira idade no mercado de trabalho: uma análise jurídica e social


Gilda Figueiredo Ferraz de Andrade


[...]

[1] Este artigo explora os aspectos jurídicos e sociais da inclusão da terceira idade no mercado de trabalho, destacando os desafios e as perspectivas de avanço.

[2] A Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu art. 7º, inciso XXXI, a proibição de discriminação por idade para efeitos de admissão ao trabalho. Além disso, o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), em seu art. 27, veio garantir a proteção contra a discriminação no mercado de trabalho e tem promovido o acesso da pessoa idosa a programas de capacitação e reinserção profissional.

[3] Essas normas refletem a necessidade de garantir igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, reconhecendo a experiência e a contribuição da população idosa para a sociedade, entretanto a efetividade dessas disposições depende de sua implementação prática e da conscientização social sobre a importância da inclusão.

[4] A inserção da terceira idade no mercado de trabalho não é apenas uma questão de direitos, mas também de desenvolvimento social e econômico. A experiência acumulada por esses trabalhadores pode ser um diferencial competitivo, realidade que contribuirá para a inovação e a transmissão de conhecimento no ambiente profissional, entretanto desafios significativos permanecem, como o preconceito etário e a falta de adaptação das empresas às necessidades dos idosos. A ausência de políticas voltadas para a capacitação e a reinserção profissional também limita, e muito, as oportunidades para essa faixa etária.

[5] A promoção da inclusão da terceira idade no mercado de trabalho requer esforços coordenados entre o setor público e o privado. Políticas públicas, como incentivos fiscais para empresas que contratem idosos, e programas de capacitação específicos são fundamentais para garantir a empregabilidade desse importante nicho populacional.

[6] Demais disso, iniciativas privadas podem desempenhar um papel importante, como a criação de ambientes de trabalho inclusivos e flexíveis, que atendam às necessidades de saúde e bem-estar dos trabalhadores idosos.

[7] Com o envelhecimento populacional, urge repensar o papel da terceira idade no mercado de trabalho. A transição para uma economia mais inclusiva exige não apenas mudanças legais, mas também transformações culturais que valorizem a diversidade etária. A Agenda 2030 da ONU, por meio do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8, reforça a necessidade de promover o trabalho decente para todos, independentemente da idade. Essa diretriz pode orientar a criação de políticas mais abrangentes e eficazes no Brasil e no mundo.

[8] A inclusão da terceira idade no mercado de trabalho é uma questão central para a promoção da igualdade e do desenvolvimento sustentável. Embora o Brasil possua um arcabouço jurídico que garante o direito ao trabalho sem discriminação etária, a implementação de políticas públicas e iniciativas privadas ainda é um desafio. Somente por meio de esforços conjuntos será possível construir um mercado de trabalho verdadeiramente inclusivo para a população idosa.


(Disponível em: https://www.migalhas.com.br/depeso/422388/ terceira-idade-no-mercado-de-trabalho-analise-juridica-e-social. Acesso em: 9 jan. 2025. Com supressões, adaptações e grifos nossos)
Esta questão avalia conhecimentos sobre pontuação e suas implicações na construção de sentidos no texto (compreensão e interpretação). Assinale a alternativa que traz o comentário correto.
Alternativas
Q4253844 Português
    Daí a sanha de registrar, em fotografias e vídeos, momentos supostamente maravilhosos e divulgá-los rapidamente nas redes sociais, ou enviá-los para incontáveis grupos de WhatsApp. Debord não poderia prever o que viria a ser o poder dos telefones celulares nas novas configurações da sociedade do espetáculo. Com um singelo aparelho de comunicação em mãos, as pessoas criam autoficções que lhes conferem prestígio diante dos outros.
Sobre a pontuação do trecho, é correto afirmar:
Alternativas
Q4238191 Português
Analise a oração a seguir e responda a questão:

“Até a manhã desta sexta-feira (8), o número de votos no Colégio Eleitoral alcançado por Trump chegava a 301 delegados” 
Assinale a alternativa que explica o uso da vírgula neste contexto
Alternativas
Q4233620 Português

Leia o texto a seguir de “Música ao longe”, escrito por Érico Veríssimo:

 

HORA DA SESTA.

Um grande silêncio no casarão.

Faz sol, depois de uma semana de dias sombrios e úmidos.

Clarissa abre um livro para ler. Mas o silêncio é tão grande que, inquieta, ela torna a pôr o volume na prateleira, ergue-se e vai até a janela, para ver um pouco de vida.

Na frente da farmácia está um homem metido num grosso sobretudo cor de chumbo. Um cachorro magro atravessa a rua. A mulher do coletor aparece à janela.

Um rapaz de pés descalços entra na Panificadora.

Clarissa olha para o céu, que é dum azul tímido e desbotado, olha para as sombras fracas sobre a rua e depois se volta para dentro do quarto.

Aqui faz frio. Lá no fundo do espelho está uma Clarissa indecisa, parada, braços caídos, esperando. Mas esperando quê?

Clarissa recorda. Foi no verão. Todos no casarão dormiam. As moscas dançavam no ar, zumbindo. Fazia um solão terrível, amarelo e quente. No seu quarto, Clarissa não sabia que fazer. De repente pensou numa travessura. Mamãe guardava no sótão as suas latas de doce, os seus bolinhos e os seus pães que deviam durar toda a semana. Era proibido entrar lá. Quem entrava, dos pequenos, corria o risco de levar palmadas no lugar de costume.

Mas o silêncio da sesta estava cheio de convites traiçoeiros. Clarissa ficou pensando.

Lembrou-se de que a chave da porta da cozinha servia no quartinho do sótão.

Foi buscá-la na ponta dos pés. Encontrou-a no lugar. Subiu as escadas devagarinho. Os degraus rangiam e a cada rangido ela levava um sustinho que a fazia estremecer.

Clarissa subia, com a grande chave na mão.

Ninguém… Silêncio…

Diante da porta do sótão, parou, com o coração aos pulos. Experimentou a chave. A princípio não entrava bem na fechadura. Depois entrou. Com muita cautela, abriu a porta e se viu no meio duma escuridão perfumada, duma escuridão fresca que cheirava a doces, bolinhos e pão.

Comeu muito. Desceu cheia de medo. No outro dia D. Clemência descobriu a violação, e Clarissa levou meia dúzia de palmadas.

Agora ela recorda… E de repente se faz uma grande claridade, ela tem a grande ideia. “A chave da cozinha serve na porta do quarto do sótão.” O quarto de Vasco fica no sótão…

Vasco está no escritório… Todos dormem… Oh!

E se ela fosse buscar a chave da cozinha e subisse, entrasse no quarto de Vasco e descobrisse o grande mistério?

Não. Não sou mais criança. Não. Não fica direito uma moça entrar no quarto dum rapaz.

Mas ele não está lá… que mal faz? Mesmo que estivesse, é teu primo. Sim, não sejas medrosa.

Vamos. Não. Não vou. Podem ver. Que é que vão pensar? Subo a escada, alguém me vê, pergunta: “Aonde vais, Clarissa?” Ora, vou até o quartinho das malas. Pronto. Ninguém pode desconfiar. Vou. Não, não vou. Vou, sim!

(Porto Alegre: Globo, 1981. pp. 132-133)

 

No final do texto acima, lê-se o seguinte trecho: “Subo a escada, alguém me vê, pergunta: “Aonde vais, Clarissa?” Ora, vou até o quartinho das malas. Pronto. Ninguém pode desconfiar. Vou. Não, não vou. Vou, sim!”. Considerando-o, analise as seguintes afirmações e em seguida assinale a alternativa correta:


I - O termo “aonde” pode ser substituído por “onde” sem que haja alteração de sentido.


II - De acordo com a norma padrão da língua portuguesa, a vírgula depois de “vais” pode ser retirada sem que haja alteração de sentido.


III - Todos os verbos do trecho acima estão na primeira pessoa do singular.

Alternativas
Q4232152 Português
Nas sentenças a seguir, verifica-se pontuação incorreta apenas em:
Alternativas
Q4209023 Português

A NATUREZA



    Ao contrário do que muitos pensam, a natureza não se resume apenas aos espaços com animais e plantas. Na verdade, ela engloba tudo o que existe fisicamente no mundo e que não depende da ação humana para se desenvolver.


    Ou seja, vai além das áreas onde há fauna e flora, abrangendo todos os seres vivos, os diferentes ecossistemas, como florestas, desertos, campos e savanas, as diversas paisagens e os fenômenos naturais.


     A natureza é importante por diversos motivos, que vão desde a manutenção do equilíbrio ecológico do planeta Terra até o fornecimento de recursos essenciais para a sobrevivência dos seres vivos.


    Para os seres humanos, ela é fonte de elementos básicos à vida, como água, ar, energia e alimentos. Além disso, também atende a necessidades secundárias, proporcionando lazer, inspiração e benefícios físicos, psicológicos e até espirituais.


     Para a sociedade, a natureza fornece as matérias-primas necessárias para o funcionamento da indústria, do comércio e das demais atividades econômicas.


     Por essas razões, ela é de extrema importância para a sobrevivência de todos os seres vivos na Terra. Além disso, a natureza contribui para a proteção contra desastres naturais, para a regulação do clima, para a preservação do meio ambiente e para a garantia da qualidade de vida das espécies.


Fonte: Terra. Adaptado.

No trecho “Para a sociedade, a natureza também fornece as matérias-primas naturais necessárias para manter a indústria, o comércio e a atividade comercial funcionando.”, as virgulas foram usadas respectivamente para: 
Alternativas
Q4208321 Português
A Grécia é azul!

(Roma, 12/08/2007 — 19h20) Um dos momentos mais difíceis quando escrevo para o blog é a escolha do título. Procuro palavras que sintetizem as minhas emoções e percepções. O título deve ser curto e conter o nome do país (ou da cidade em algumas situações). No caso da Grécia, estava em dúvida entre explorar a riqueza arqueológica ou explicitar a liberalidade nas praias.

Uma última revisão das fotos me chamou a atenção para a predominância da cor azul. Seja no céu, no mar, na decoração das inúmeras igrejas ou nas portas e janelas contrastantes com o branco das casas, o fato é que o azul aparece com destaque em mais de 80% das minhas fotos. A própria bandeira da Grécia, com faixas azuis e brancas, ajuda a comprovar a minha tese.

Comecei a viagem por Atenas, onde reencontrei a Mônica e a Carmen. Embora a cidade tenha milhares de anos de história, ela é moderna e não tem o mesmo charme de Istambul. As principais ruínas ficam no complexo de Acrópoles, incluindo o Partenon, construção imponente que ocupa o alto de uma colina há 2.500 anos. Gostei do bairro de Plaka, cujos bares, restaurantes e lojas ficam cheios de turistas.

A melhor forma para se conhecer as praias em Mikonos é de carro. A ilha é montanhosa, e as estradas sinuosas são uma diversão à parte para quem dirige. Em alguns pontos, só um carro consegue passar. A paisagem é árida, pedregosa. Pequenas igrejas brancas estão espalhadas pela ilha e contrastam com a paisagem seca. Praticamente todas as casas têm um curioso formato cúbico. Mais uma curva e... Somos presenteados com a visão panorâmica de uma nova praia. Também fizemos um passeio de meio período pelas ruínas e vistas panorâmicas da ilha de Delos.

A última ilha a ser visitada é Santorini. Esculpida por erupções vulcânicas e terremotos, ela tem o formato de uma lua crescente. O lado de dentro da lua fica no alto da cratera, dezenas de metros acima do mar, enquanto o lado de fora tem praias cobertas por pedras pretas de variados tamanhos.

Ficamos frustrados com as praias de Santorini, que não têm a beleza das que encontramos em Mikonos. Por outro lado, caminhar pela borda da cratera permite um panorama único, maravilhoso. E é claro, tomar vinho e ver o pôr do sol bem acompanhado não tem preço...

Fonte: Edu Feijó. Adaptado. 
Assinalar a alternativa que NÃO apresenta desvio quanto às normas gramaticais. 
Alternativas
Q4208319 Português
A Grécia é azul!

(Roma, 12/08/2007 — 19h20) Um dos momentos mais difíceis quando escrevo para o blog é a escolha do título. Procuro palavras que sintetizem as minhas emoções e percepções. O título deve ser curto e conter o nome do país (ou da cidade em algumas situações). No caso da Grécia, estava em dúvida entre explorar a riqueza arqueológica ou explicitar a liberalidade nas praias.

Uma última revisão das fotos me chamou a atenção para a predominância da cor azul. Seja no céu, no mar, na decoração das inúmeras igrejas ou nas portas e janelas contrastantes com o branco das casas, o fato é que o azul aparece com destaque em mais de 80% das minhas fotos. A própria bandeira da Grécia, com faixas azuis e brancas, ajuda a comprovar a minha tese.

Comecei a viagem por Atenas, onde reencontrei a Mônica e a Carmen. Embora a cidade tenha milhares de anos de história, ela é moderna e não tem o mesmo charme de Istambul. As principais ruínas ficam no complexo de Acrópoles, incluindo o Partenon, construção imponente que ocupa o alto de uma colina há 2.500 anos. Gostei do bairro de Plaka, cujos bares, restaurantes e lojas ficam cheios de turistas.

A melhor forma para se conhecer as praias em Mikonos é de carro. A ilha é montanhosa, e as estradas sinuosas são uma diversão à parte para quem dirige. Em alguns pontos, só um carro consegue passar. A paisagem é árida, pedregosa. Pequenas igrejas brancas estão espalhadas pela ilha e contrastam com a paisagem seca. Praticamente todas as casas têm um curioso formato cúbico. Mais uma curva e... Somos presenteados com a visão panorâmica de uma nova praia. Também fizemos um passeio de meio período pelas ruínas e vistas panorâmicas da ilha de Delos.

A última ilha a ser visitada é Santorini. Esculpida por erupções vulcânicas e terremotos, ela tem o formato de uma lua crescente. O lado de dentro da lua fica no alto da cratera, dezenas de metros acima do mar, enquanto o lado de fora tem praias cobertas por pedras pretas de variados tamanhos.

Ficamos frustrados com as praias de Santorini, que não têm a beleza das que encontramos em Mikonos. Por outro lado, caminhar pela borda da cratera permite um panorama único, maravilhoso. E é claro, tomar vinho e ver o pôr do sol bem acompanhado não tem preço...

Fonte: Edu Feijó. Adaptado. 
No trecho “Ficamos frustrados com as praias de Santorini, que não têm a beleza das que encontramos em Mikonos”, a vírgula:
Alternativas
Q4206401 Português
Considerando as regras de pontuação, assinalar a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4200792 Português

Leia a tira a seguir para responder a questão.


  


(Bill Waterson, O Melhor de Calvin, 22.08.2025. Disponível em:

https://cultura.estadao.com.br/quadrinhos. Adaptado)

De acordo com a norma-padrão, a lacuna do 2o quadro deve ser completada com:
Alternativas
Q4180116 Português

Em conformidade com as normas gramaticais vigentes, analise as afirmativas a seguir:


I) Ortograficamente, as palavras displicente, supertição e hélice estão grafadas corretamente.


II) Não se acentuam prefixos paroxítonos terminados em -r ou -i, ainda que substantivados.


III) Os pronomes -lo, -la, -los, -las virão sempre enclíticos aos infinitivos não flexionados, quando antecedidos da preposição a.


IV) O advérbio absolutamente pode ser de intensidade, de afirmação ou de negação, dependendo do contexto.


V) O uso da vírgula na frase “Que vocês estudam Matemática, todos já sabemos” é justificado por        separar oração subordinada substantiva deslocada.


VI) Sujeitos indeterminados sempre apresentam verbos impessoais, os quais, por sua semântica, não possuem sujeito que promova a ação verbal.


VII) Quando o núcleo do sujeito é uma palavra de sentido coletivo, o verbo sempre permanece no singular, conforme as regras de concordância.


VIII) Na frase “Ana agradou à criança que estava triste”, há ocorrência de crase, pois o verbo agradar, no sentido de acariciar ou fazer carinho, é transitivo indireto.


Quantas afirmativas estão corretas?

Alternativas
Q4178113 Português
Meu ser piauiense
Por Eriane Dantas


      “Você conhece o Pedro?” — alguém questionou certa vez, ao saber que nasci e morei na capital do Piauí por quase doze anos. Eu respondi que não, mas por dentro minha resposta não foi tão calma assim. Que diabo de pergunta era aquela? Como poderia conhecer um ser humano, identificado apenas como Pedro, em uma cidade com milhares de habitantes?

      Em um momento anterior, outro alguém me perguntou se havia carros nas ruas de Teresina, talvez com uma imagem semelhante àquela que os estrangeiros têm dos brasileiros: a de que vivemos como o Tarzan, em meio à Floresta Amazônica. Mas sobre o Piauí a imagem talvez seja a de ruas atravessadas pelo gado.

      Essas situações não risíveis, mas não porque sejam de fato engraçadas e sim porque denotam a falta de conhecimento que se tem da minha terra natal.

       Em 19 de março de 1969, uma crônica de Nelson Rodrigues, intitulada Nunca houve tamanha solidão na terra e publicada no jornal O Globo, provocou indignação nos piauienses. Nelson Rodrigues, em tom sarcástico, relata seu primeiro encontro com um piauiense, cuja timidez e humildade poderiam ser generalizadas para todo o estado. Porque, ele afirma, quase não se ouvia falar do Piauí, que seria mais abandonado que as outras unidades da federação também esquecidas e menos conhecido que a Lua.

      O que se depreende, porém, da fala do dramaturgo é uma crítica à ausência de referências sobre o Piauí e seu povo em âmbito nacional, a seu esquecimento, ao “silêncio ensurdecedor” que havia sobre o estado e à passividade dos governantes e do próprio povo.

       Sua maior crítica é à humildade, que ele reconhecera no piauiense que haviam lhe apresentado. Já seu conselho é que o Piauí e seus habitantes se comportem com superioridade.

         (...)

       Ainda hoje os piauienses sofrem essa distinção, causada pelo rótulo da seca e da miséria, um rótulo forjado. Em primeiro lugar, com o intuito de aproximar o Piauí dos demais estados da Região Nordeste, que passou a integrar tardiamente, em 1941. Logo em seguida, diante do esquecimento por parte do governo federal, como forma de atrair investimentos. A pobreza piauiense foi então repetida, até mesmo em textos de intelectuais, e acabou se convertendo em estereótipo.

     Ainda nos ressentimos do desconhecimento, do esquecimento, do silêncio que parece sobreviver cinco décadas depois daquelas declarações de Nelson Rodrigues.

      Mas, mesmo a distância, vejo que o Piauí e o piauiense têm se tornado cada vez mais reconhecidos, mais conscientes das riquezas culturais e dos talentos que formam o estado, mais cientes de seu lugar. Ao mesmo tempo, eu resgatei meu eu piauiense e sinto um orgulho danado quando ouço uma menção ao meu estado natal, às suas conquistas na educação, às suas belezas naturais quase inexploradas, à sua (à minha) gente.

       Apesar de também não ter digerido muito bem a fala de Nelson Rodrigues quando a li anos atrás, concordo que os piauienses devem deixar de lado a modéstia e gritar que são tão bons quanto o restante do país e, em tantas coisas, até melhores (votar, por exemplo).


Referências: HISTÓRIAS EM MIM. Meu ser piauiense. Disponível em: https://www.historiasemmim.com.br/2020/10/17/meu-ser-piauiense/. Acesso em: 04 nov. 2025.

Analise o trecho e assinale a alternativa INCORRETA sobre o uso da vírgula.
‘‘Em 19 de março de 1969, uma crônica de Nelson Rodrigues, intitulada Nunca houve tamanha solidão na terra e publicada no jornal O Globo, provocou indignação nos piauienses’’.
Alternativas
Q4176699 Português
Analise as proposições a seguir:

I – Quando sempre exerce função de adjunto adverbial de tempo na oração subordinada adjetiva.
II – Em orações substantivas com função de sujeito iniciadas por quem, a vírgula entre tal oração e o verbo da principal é facultativa.
III – O verbo pode concordar com o núcleo mais próximo do sujeito composto posposto ao verbo.
IV – Não há crase antes da palavra casa, exceto se vier especificada por um adjetivo, uma locução adjetiva ou uma oração adjetiva.
De acordo com a gramática normativa, o número de proposições corretas é:
Alternativas
Q4116546 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


SONHO REAL


— Mãe, eu quero ser rei, amado por todo mundo.

Com muita fama e muito dinheiro.

Quando não estiver reinando, apareço na tevê, nos jornais e nas revistas, dou entrevista, faço comercial, gravo disco e jogo na Seleção.

— Rei administra o seu povo e não fica só no oba-oba, meu filho.

E, depois, nem tem rei mais, quase só presidentes ...

— Xi! Já vi que você ta boiando! ...

Não quero ser rei da pátria, não quero nada disso. 

Quero ser um rei mais importante quero ser rei do futebol!!.

JOSÉ, Elias. Segredinhos de amor. São Paulo: Moderna, 1991, p. 18

Na frase "Mãe, eu quero ser rei, amado por todo mundo.", qual é a função da vírgula colocada logo após a palavra "Mãe"?
Alternativas
Q4113296 Português
TEXTO I


Inteligência artificial vai substituir sua mãe

Marcos Nogueira


Minha mãe tinha um caderninho de receitas, talvez mais de um.

Seu caderno de receitas, como o da maioria das mães daquele tempo, era uma mistureba de anotações e recortes de impressos que vinham de revistas e embalagens de alimentos.

Ele sumiu, foi perdido. Talvez esteja no meio das tralhas na casa da velha, talvez tenha sido emprestado e nunca devolvido.

Como a mãe está inacessível, presa em sua cabeça com Alzheimer avançado, disponho apenas de meus próprios recursos quando quero reproduzir uma receita dela.

Deixo‑me guiar pela memória sensorial e por aquilo que observei na cozinha da dona Ana Bertoni. Então preencho as lacunas com minha experiência e meus gostos.

Sou um cara das antigas. Não deve demorar muito até que a inteligência artificial substitua as receitas familiares.

Ninguém mais tem caderno de receitas, nem as mães. Aliado a isso, ninguém anota nada à mão. Quase ninguém recorre à mídia física quando quer cozinhar algo diferente. Eu tenho dezenas de livros de culinária que raramente são tocados. É muito mais prático buscar informação on‑line.

Com o inevitável avanço da IA, essas buscas serão cada vez mais direcionadas a robôs que pretensamente entregam um resultado mais personalizado.

Estive recentemente num congresso em Madri que tinha como uma das principais discussões a aplicação da inteligência artificial na gastronomia.

Numa das palestras, foi apresentado um troço (programa? aplicativo?) destinado a criar cardápios para restaurantes que trabalham com menu fixo no almoço. Você alimenta a coisa com parâmetros como estilo culinário, custo e número de serviços.

Aí a parada sugere, para a segunda‑feira, salada de batatas, frango com legumes, creme de papaia. Para a terça, salada de legumes, papaia com batatas, creme de frango. E assim por diante. A inovação dispensa a necessidade de um chef. Ela prescinde de criatividade.

Inteligência artificial não cria nada, só recicla conhecimento gerado por humanos. Por isso as mães são muito melhores.


FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo, Cozinha

Bruta, 9 maio 2025, p. C 16 (adaptado).

Leia os textos a seguir.



TRECHO DO TEXTO I “


Aí a parada sugere, para a segunda‑feira, salada de batatas, frango com legumes, creme de papaia. Para a terça, salada de legumes, papaia com batatas, creme de frango. E assim por diante.”



TEXTO III

  Imagem associada para resolução da questão

Disponível em: https://www.tumblr.com/tirasarmandinho/159508335599/tirinha-original. Acesso em: 11 ago. 2025.



Com base no uso dos sinais de pontuação empregados nos dois textos, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas
Q4113099 Português

Cuidado, os sabichões querem seu cérebro!


Sabichonismo é uma doença que explora e

agrava nossa insegurança com a língua


Sérgio Rodrigues



O sabichonismo linguístico é uma doença social oportunista que se aproveita da insegurança do falante médio, intimidado com a normatividade da língua, para convencê‑lo de que contraria regras em série — todas imaginárias.


Por exemplo: “É pleonasmo vicioso dizer que um filme é baseado em fatos reais. Todo fato é real; se não for real, não é fato!”, grita o sabichão. (Por alguma razão, sabichões gostam de gritar)


É mentira dele, claro: além de existir algo que se chama ênfase, o mundo sempre foi cheio de fatos falsos, para não mencionar os hipotéticos, os fictícios, os que dependem de fé etc.


Mesmo assim, é comum que o fato sabichão seja acolhido. O mecanismo psíquico que nos leva a encarar quem nos “corrige” como detentor de um saber superior é o mesmo que garante o sucesso internético de vídeos como “você bebeu água errado a vida inteira: aprenda”.


Sim, todo mundo sempre usou a expressão “dois pesos e duas medidas”, de impecáveis credenciais bíblicas. Não há nada nela, sob nenhum aspecto, que esteja errado: refere‑se a dois pesos (para a farinha) e duas medidas (para o tecido), artimanhas de comerciante desonesto. Aí vem o sabichão e, por saber pouco, anuncia na praça: “O certo é um peso e duas medidas!”.


O sabichonismo pode ser do tipo literalista, que eu chamo de podólatra da letra: “Não existe gol de bola parada, bola parada não entra”; “Risco de vida está errado, o certo é risco de morte”.


Também pode ter corte lógico‑matemático, encrencado com a dupla negativa do português: “Se você diz que não viu nada, então viu alguma coisa”. Pode ser purista, amalucado: “O certo é ab‑rupto”.


O único objetivo do sabichonismo é afirmar a posição de poder de quem o exerce. Embora seja muitas vezes diletante, seu caráter falsamente educativo faz com que assuma com frequência a forma de atividade profissional, caso em que provoca estragos maiores.


Como regra, sabichões exercem o sabichonismo por convicção. Estão convencidos da sabedoria de sua bobagem, que gostariam de ver abraçada por todos. No entanto, sobretudo nos casos em que a atividade produz ganho material, não se deve descartar a hipótese da má‑fé.


A fragilidade do organismo social de que o sabichonismo tira partido — a autoconfiança precária que, como povo, sentimos diante de uma língua que é nossa e ao mesmo tempo não é — acaba, sob seus ataques, por se agravar.


Quando nos deixamos convencer de que o certo é “esculpido em Carrara” — em vez de “cuspido e escarrado”, bela versão lusófona de uma ideia presente no inglês “spitting image” e em outras línguas —, podemos ter a sensação inebriante de que nada no mundo é o que parece.


Contentes de descobrir tal joia perdida do conhecimento universal — “O certo é quem tem boca vaia Roma, buuu!” —, saímos espalhando a boa nova.


E assim o sabichão cumpre o seu papel final, reprodutivo, que é o mesmo dos zumbis: comer o cérebro do maior número possível de pessoas para transformá‑las em sabichonas também.


Todo cuidado com ele!



FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo,


Cotidiano, 1 maio 2025, p. A 41 (adaptado).

Leia os textos a seguir.

TRECHO DO TEXTO I
“Sim, todo mundo sempre usou a expressão ‘dois pesos e duas medidas’, de impecáveis credenciais bíblicas. Não há nada nela, sob nenhum aspecto, que esteja errado: refere‑se a dois pesos (para a farinha) e duas medidas (para o tecido), artimanhas de comerciante desonesto.”

TEXTO II 
Imagem associada para resolução da questão
Disponível em: https://www.saposefadas.com.br/tag/tirinhas/page/10/. Acesso em: 11 ago. 2025.

Analise as afirmativas a seguir acerca do emprego e das funções dos sinais de pontuação.
I. No trecho do texto I, o uso da vírgula após a palavra “sim” está incorreto, pois não se deve separar interjeições do restante da frase.
II. No texto II, o ponto de interrogação foi utilizado na frase “Sabia que existe um fungo que transforma formigas em zumbis?” indica surpresa diante de um fato curioso.
III. No trecho do texto I, os parênteses têm a função de acrescentar explicações acessórias que especificam ou esclarecem os termos “dois pesos” e “duas medidas”, sem interromper o fluxo principal da frase.
IV. No texto II, as aspas destacam as palavras “salário” e “sal” como termos da língua, usados para explicação etimológica, e não com seus sentidos usuais no contexto da frase; trata‑se, portanto, de uma função metalinguística.

Estão corretas as afirmativas
Alternativas
Q4112670 Português
A luavezinha


Minha filha tem um adormecer difícil. Sempre imagina algo antes de dormir e me pede histórias. Certa noite, quis saber se o mundo inteiro dormia com ela. Disse-lhe que muitos fazem isso: procuram um sonho e o encontram no sono. A menina decidiu que queria ver a lua; as tradições antigas diziam que ela lamenta a perda da luz solar, e isso a encantou.

Deitada, pediu que eu soprasse um sonho para ela. Encostou a cabeça no meu peito e adormeceu. Sonhou que buscava a lua e que, ao alcançá-la, ambas se olhavam como quem se reconhece. Mas algo a assustou: a lua não tinha nome, apenas um brilho preso a um medo antigo. Ao ouvir o choro da menina, a lua também chorou, revelando que temia ser esquecida.

No sonho, choraram juntas, e uma pequena ave surgiu, feita de ecos da própria lua. A ave pediu que a menina cantasse para espantar o silêncio. A menina cantou, e a lua, aos poucos, recuperou sua luz. Era o canto mais lindo que alguém já ouvira em todo o universo. Então, libertou a ave que saíra dela mesma e que agora voava sobre a noite renovada.

Quando acordou, minha filha me contou que tinha visto a lua mais bonita do mundo. Disse que a canção que sonhara ainda ecoava dentro dela. Sorriu com a certeza simples das crianças: a de que algumas belezas só aparecem para quem as sonha primeiro.



COUTO, Mia. A luavezinha. Texto adaptado a partir de: COUTO, Mia. Contos do nascer da Terra. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
No trecho "Ao ouvir o choro da menina, a lua também chorou, revelando que temia ser esquecida.", o uso das duas vírgulas cumpre diferentes funções na organização do período. Assinale a alternativa que explica corretamente o valor sintático de cada uma delas.
Alternativas
Q4112608 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Relação conturbada



Embarco com muitas dúvidas. Não sei direito quem são essas pessoas que vou ver; sei seus nomes, de onde as conheço, e tenho uma imagem vaga de alguns deles, mas não sei como são nem como vou chegar até eles. Tudo que sei é que tenho oito horas e uma cadeira para pensar sobre isso.


Por oito horas o mundo se torna aquela poltrona. Você tenta se distrair, mas, no fim, é ela quem rouba sua atenção. Mesmo sentado, quase sem se mover, o corpo definha: a postura trava, o pescoço endurece, a espinha se desconcerta, os músculos enrijecem. De tempos em tempos você tenta esticar as pernas, preso num minúsculo cativeiro. Quem diria que ficar sentado cansa?


Desde que comecei a faculdade, tenho me habituado à fadiga da viagem, o estar aqui, ser de lá, pertencer a lugar algum. Três horas de ônibus já bastam para vilanizar a cadeira: vibração constante, nervos amortecidos, a memória chacoalhada. Perguntas se sentam e empedram: Devia voltar mais vezes? Devia ligar? Devia mudar?


Desta vez o ônibus é diferente; a viagem, mais longa; a cadeira, mais abusada. Estou indo para uma terra desconhecida ver gente que não vejo há uns seis, sete anos. Por pouco não falamos mais a mesma língua, mas ainda assim é família. Alguns caminhos são mais tortuosos que outros — e umas cadeiras, mais macias que outras. Mas não essa. Oito horas depois, me sinto carne moída. Não aguento mais ficar sentado.


Texto Adaptado



SALMAR, Ian. Relação conturbada. In: Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 512/1378/5380 . Acesso em: 16 nov. 2025. 

Sobre o uso das vírgulas no período "Você tenta se distrair, mas, no fim, é ela quem rouba sua atenção", é correto afirmar que:
Alternativas
Respostas
581: A
582: A
583: A
584: C
585: B
586: E
587: E
588: D
589: A
590: D
591: A
592: D
593: B
594: C
595: B
596: C
597: D
598: D
599: C
600: C