Questões de Concurso Sobre uso da vírgula em português

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Q4443472 Português
    A importância da aquisição, desenvolvimento e ampliação dos conhecimentos lexicais na aprendizagem de línguas é consensual entre os pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. Esse consenso deve-se ao fato de o léxico ser compreendido, nos estudos acadêmicos contemporâneos — sobretudo naqueles de base cognitivista —, como o elemento linguístico mais dinâmico que propicia ao usuário de uma dada língua formalizar, por processos de textualização, os conhecimentos construídos cognitivamente, no e pelo discurso. 

    Pretende-se afirmar, com isso, que, sem o domínio do léxico, a compreensão e a produção textual-discursiva, nas modalidades oral e escrita dos usos linguísticos, se torna fragilizada, o que impede ou dificulta a ascensão do aprendiz aos diferentes níveis de proficiência pleiteados no processo de aprendizagem de uma língua ou para a formação do "poliglota na própria língua", no caso do ensino de línguas para nativos. 

    Desse modo, o léxico não é tratado pura e simplesmente como um conjunto de unidades vocabulares isoladas da língua, mas passa a ser tratado como uma peça-chave para orientar o leitor na ordenação das representações conceituais necessárias para a compreensão de um texto que lhe é fornecido, numa dinâmica recursiva em que da palavra se chega ao texto e, ao mesmo tempo, do texto se ampliam os conhecimentos sobre as palavras. 

Cassiano Butti. Educação linguística na formação do professor de
língua portuguesa: reflexões para a pedagogia léxico-gramatical. Verbum.
Cadernos de Pós-Graduação, São Paulo, v. 9, n.º 3, p. 103-121, 2020 (com adaptações). 



Julgue o item que se segue, a respeito de vocábulos e da pontuação empregados no texto precedente.
No segmento "Pretende-se afirmar, com isso, que" (segundo parágrafo), as vírgulas que isolam o elemento "com isso" poderiam ser suprimidas simultaneamente, sem prejuízo para a correção gramatical do texto. 
Alternativas
Q4443469 Português
    O sol funciona esplêndido em cima da praia. Abre-se o espaço largamente. Custa admitir que a vida se cava em escritórios tristonhos, nas jaulas dos guichês, repartições, filas, cemitérios do homem. 

    Amo esta distância verde, este cheiro de sal, esta paz. Seria um absurdo mitológico se um submarino atômico surgisse à tona e nos destruísse, a nós que apenas pedimos um pouco mais de intimidade com a vida. 

    Dispomos aqui dos instrumentos essenciais a um momento de equilíbrio: a persistência do coração, o trabalho do fígado e dos rins, eliminando os venenos, a persistência do ar iodado, a água salgada, elementos suficientes ao mistério linear de viver e sentir. Não fosse uma gaivota faminta, nem perceberíamos este espinho interior a denunciar as vastas solidões que dominamos, sofrimento, pressentimento, aniquilamento. 

    Há pequenos vermes ocultos na areia para que a nossa tranquilidade não seja alarmante. Obrigações a cumprir, amores a sonhar, coisas a fazer formam figuras abstratas que se misturam, se deformam e se quebram. Baste o sol, baste o céu azul, baste a escura arraia da vida dormindo maldormida em nossas profundezas submarinas. 

Paulo Mendes Campos. Dois pensamentos na praia. 30 de maio de 1959 (com adaptações).


Julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos do texto precedente.  
No trecho "Não fosse uma gaivota faminta, nem perceberíamos este espinho interior a denunciar as vastas solidões" (terceiro parágrafo), o emprego de vírgula após o vocábulo "faminta" justifica-se por separar orações coordenadas. 
Alternativas
Q4442889 Não definido
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta:
Alternativas
Q4442809 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta: 
Alternativas
Q4442795 Português
A respeito do emprego da vírgula, associe a segunda coluna de acordo com a primeira, relacionando os exemplos destacados a suas respectivas justificativas:

Primeira coluna: exemplos

1.Velhos processos sociais e econômicos perduram com novos significados e novas práticas , e valores no nível macro e micro reconfiguram relações entre nações e entre indivíduos.
2.Só beberam água, que faz tanto bem à saúde , e, ao final da festa, um cafezinho.
3.Estava tão envolvida com o que acontecia no palco , e eu não menos, que apenas nos demos as mãos por duas horas. Não trocamos um único olhar. Estávamos hipnotizadas.

Segunda coluna: justificativas

(__)Aparece necessariamente uma vírgula antes e/ou depois da conjunção e na enumeração quando ali se coloca alguma intercalação. Nesse caso, a vírgula não tem relação direta com o e − ela está lá para fechar ou abrir o encaixe apenas.
(__)Emprega-se a vírgula para assinalar a interrupção de um seguimento natural de ideias e se intercalar um juízo de valor ou uma reflexão subsidiária.
(__)Quando duas orações interligadas por e têm sujeitos diferentes, a vírgula é comumente usada junto com a conjunção no intuito de prevenir o leitor contra ambiguidades; e deve realmente ser usada quando a primeira oração acaba com substantivo e o sujeito a seguir é também um substantivo, pois aí é que a leitura pode ficar truncada.

Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
Alternativas
Q4442786 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A vertigem do mundo: a angústia de Graciliano Ramos


O Estado Novo não havia sido instaurado, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente

Danielle Romani


Angústia, publicado em 1936, é a experiência mais radical de Graciliano Ramos no mergulho no interior de um personagem. Se em Caetés e São Bernardo a primeira pessoa já havia servido à narrativa, desta vez, o leitor não acompanha simplesmente a vida de Luís da Silva: é obrigado a permanecer dentro de sua cabeça, percorrendo lembranças, humilhações, ressentimentos, fantasias, desejos, obsessões.

É justamente a linguagem obsessiva que torna o romance tão singular. Em vez de conduzir o leitor por uma sucessão ordenada de acontecimentos, o escritor constrói uma narrativa em que passado e presente se misturam continuamente. O cotidiano é povoado por decadência: no entorno de Luís, habitam frustração, desconfiança, lixo, cheiros desagradáveis, ratos, pulgas, decadência e ódio. Imagens que o leitor se questiona serem reais, ou se tratar de uma desconstrução da realidade. Uma distorção. A memória não funciona como arquivo, mas como uma força que fragmenta, confunde, atormenta.

Uma imagem do presente pode desencadear uma lembrança da infância; um ruído, um rosto, uma palavra ou um objeto podem fazer surgir acontecimentos remotos. O tempo psicológico passa a dominar o tempo cronológico. A narrativa avança menos pelos acontecimentos externos do que pelas associações da mente do protagonista. A própria estrutura do livro acompanha, assim, o estado de perturbação de Luís.

Angústia não é apenas a história de um homem ciumento que chega ao crime. É a história de uma consciência que se deteriora diante dos próprios pensamentos. O assassinato de Julião Tavares, embora embase o eixo dramático do romance, não é seu verdadeiro centro. O centro está no processo interior que leva Luís da Silva a desejar, imaginar, ensaiar e finalmente realizar o ato extremo. Muito antes de existir como ação, o crime existe como fantasia. Nesse intervalo entre pensar e agir, Graciliano encontra uma das regiões mais perturbadoras da literatura brasileira.

O romance nasceu num momento particularmente tenso da vida nacional. Graciliano o escreveu entre 1935 e 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, quando o país atravessava um período de intensa polarização política, repressão e instabilidade. O Estado Novo ainda não havia sido instaurado, o que aconteceria em novembro de 1937, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente.

Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano. A informação é importante porque ajuda a perceber a atmosfera de sufocamento em que o livro foi concebido. Mas seria um erro transformar Angústia em um manifesto político.

 O mundo de Luís da Silva é socialmente determinado, mas a angústia que o consome ultrapassa a circunstância histórica. Há no personagem uma experiência de inadequação que nasce de sua origem, de sua condição econômica, de sua frustração intelectual, de sua incapacidade de estabelecer vínculos afetivos e de uma percepção negativa de si mesmo.

Luís é funcionário público, jornalista ocasional, escritor que sonha com uma obra literária que nunca consegue realizar. Vive modestamente em Maceió, numa existência sem brilho, marcada pelo ressentimento e pela sensação de fracasso. Não é propriamente um homem pobre no sentido extremo, mas é alguém que experimenta a pobreza como humilhação, como posição social e sobretudo como consciência de inferioridade. Ele observa aqueles que possuem dinheiro, prestígio, mulheres, roupas elegantes e facilidade de circulação e os percebe como representantes de um mundo ao qual não consegue pertencer.

É nesse ponto que surge Julião Tavares. Rico, bem-vestido, expansivo, dono de uma segurança que Luís não possui, ele parece encarnar tudo aquilo que o protagonista detesta e, ao mesmo tempo, deseja. A rivalidade entre os dois não é apenas amorosa. Julião é o homem que ocupa o espaço que Luís gostaria de ocupar. É aquele que fala sem constrangimento, circula sem pedir licença, conquista mulheres, possui dinheiro e parece não experimentar a mesma dolorosa consciência do protagonista. O ódio, nesse caso, nasce também da comparação.

Marina aparece nesse sistema de tensões como objeto de desejo, mas sua função literária é mais complexa do que a de simples personagem disputada por dois homens. O relacionamento com ela expõe a fragilidade emocional de Luís, sua necessidade de reconhecimento e seu permanente sentimento de desvantagem. Quando Marina se aproxima de Julião Tavares, deixando Luís, a ferida narcísica do protagonista se aprofunda. O ciúme passa a contaminar sua percepção do mundo, e o rival deixa de ser apenas um indivíduo para se transformar na encarnação de tudo aquilo que Luís considera injusto em sua própria existência.

A narrativa, entretanto, permanece presa à perspectiva de Luís, e isso significa que nem mesmo os acontecimentos podem ser recebidos como verdades. O leitor precisa desconfiar do narrador, porque Luís conta não apenas aquilo que viu, mas também aquilo que imagina, supõe e reconstrói.

Luís da Silva é um narrador pouco confiável, não porque pretenda deliberadamente enganar, mas porque ele próprio já não consegue separar com nitidez o que aconteceu daquilo que desejou que acontecesse, o que viu do que imaginou, a realidade da fantasia.

Angústia está na categoria de literatura psicológica, embora Graciliano não abandone jamais a dimensão social. A interioridade de Luís não existe num vazio. Ela é produzida também pelas relações de classe, pelo trabalho burocrático, pela pobreza, pela desigualdade, pela masculinidade ferida, pelo desejo de ascensão e pela sensação de não pertencer. A genialidade do romance está em não separar artificialmente o indivíduo da sociedade. O mundo exterior entra na consciência e passa a fazer parte dela.

Por isso, Angústia ocupa um lugar particular entre os romances da chamada segunda fase do Modernismo brasileiro. A literatura dos anos 1930 voltou-se para as desigualdades sociais, para o mundo do trabalho, para a pobreza, para o Nordeste e para os conflitos históricos do país. Graciliano participa desse movimento, mas, nesse caso, desloca a perspectiva. Em Vidas Secas , a opressão social é percebida sobretudo na luta pela sobrevivência de uma família sertaneja; em São Bernardo , a violência social e econômica aparece filtrada pela consciência de Paulo Honório; em Angústia , a opressão passa pela confusão de uma mente urbana, solitária e ressentida. As três experiências revelam, de maneiras diferentes, a capacidade do escritor de transformar estruturas sociais em conflitos humanos.

A primeira edição de Angústia saiu pela José Olympio em 1936, ano em que o livro recebeu o Prêmio Lima Barreto da Revista Acadêmica.


(Disponível em: https://pernambucorevista.com.br/artigos/a-vertigem-do-mundo-a-angu stia-de-graciliano-ramos. Acesso em: 21 set. 2026. Adaptado.)
Analise atentamente a construção sintática do excerto a seguir:

"Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano."

A respeito desse excerto, analise as afirmativas a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)O trecho "sem processo formal" é aposto explicativo do substantivo "preso".
(__)Na construção, a oração principal tem como coordenada a oração "permaneceu encarcerado por quase um ano".
(__)O trecho "acusado de envolvimento com a militância comunista" é uma oração subordinada causal.
(__)Há, na construção, um adjunto adverbial apenas.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: 
Alternativas
Q4442769 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta:
Alternativas
Q4441068 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta: 
Alternativas
Q4440878 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta: 
Alternativas
Q4440435 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta:
Alternativas
Q4440173 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta:
Alternativas
Q4439767 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta:
Alternativas
Q4439500 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta:
Alternativas
Q4439440 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta: 
Alternativas
Q4439165 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta:
Alternativas
Q4439125 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta:
Alternativas
Q4439070 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a pontuação está totalmente correta: 
Alternativas
Q4438932 Português
Leia o estudo de caso a seguir:
Uma servidora da central de atendimento de um hospital público precisa afixar, na recepção, um aviso para os familiares dos pacientes internados. Ela deseja que o aviso faça uma pergunta ao leitor, chame a atenção dele com ênfase e, por fim, apresente uma orientação, empregando a vírgula, o ponto de interrogação, o ponto de exclamação e o ponto final de acordo com a norma-padrão.
Com base no caso apresentado, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4438889 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Linguagem simples no serviço público


Atire a primeira pedra quem nunca teve dificuldade para entender um texto jurídico no Brasil. E um texto de página governamental na internet? Ou um edital de licitação ou de processo seletivo qualquer? Não importa muito se o texto trata de um direito a usufruir ou de uma obrigação a cumprir. Infelizmente, se o texto for do poder público, é bastante provável que nos deparemos com o "juridiquês" amplamente adotado na comunicação de governos de todas as esferas.


Leis, decretos e normas públicas não ficam para trás, muitas vezes com termos técnicos e jurídicos sem a explicação devida. Infelizmente, o nível de escolaridade do leitor nem sempre faz muita diferença: a depender do tema, da estrutura do texto e do suporte de leitura, a linguagem excessivamente artificial do jargão jurídico pode dificultar a vida e roubar o tempo da mais ilustrada e erudita das criaturas.


Felizmente, nas últimas décadas, sobretudo depois da Constituição Federal de 1988, o Brasil tem dado passos importantes na direção de ampliar a transparência e o acesso à informação. Ainda assim, ao lado desses avanços recentes, temos o angustiante cenário educacional brasileiro. [...] De acordo com os resultados divulgados [em maio de 2025], cerca de 29% dos brasileiros [de 15 a 64 anos] são analfabetos funcionais.


Estamos diante, portanto, de um caldo amargo que mistura a baixa qualidade educacional do Brasil com a dificuldade de compreensão de textos da cidadania por boa parte da nossa população. Em um contexto desafiador como esse, surgem, em meados dos anos 2000, debates sobre a urgência de se adotar uma linguagem mais simples, direta, clara e objetiva nos textos governamentais.


SOARES, Luana Bergmann. Linguagem simples no serviço público: Projeto de Lei nº 6.256, de 2019, e as políticas subnacionais. Brasília: Núcleo de Estudos e Pesquisas/CONLEG/Senado, jul. 2025. (Boletim Legislativo, n. 110). Disponível em:

https://www12.senado.leg.br/publicacoes/estudos-legislativos/tipos-de- estudos/boletins-legislativos/bol110. Acesso em: 17 out. 2026. (Adaptado.)

Considere o seguinte período adaptado do terceiro parágrafo do texto:
"Felizmente, nas últimas décadas, sobretudo depois da Constituição Federal de 1988, o Brasil tem dado passos importantes na direção de ampliar a transparência."
Quanto ao emprego da vírgula, a reescrita que preserva a correção gramatical e o sentido original do período é:
Alternativas
Q4438850 Português
Para uma campanha de prevenção, servidores da Defesa Civil de um município prepararam um cartaz com as três frases a seguir:
Frase 1: Atenção, moradores!
Frase 2: Você sabe o que fazer em caso de enchente?
Frase 3: Desligue a energia, feche o gás e procure um lugar alto. Sobre o uso dos sinais de pontuação nas frases do cartaz, julgue as afirmações abaixo como Verdadeiras (V) ou Falsas (F):
(__)Na frase 1, a vírgula separa a palavra "Atenção" do chamamento feito aos moradores, e o ponto de exclamação reforça o tom de alerta.
(__)Na frase 2, o ponto de interrogação poderia ser trocado por ponto final sem mudar o sentido, pois a frase dá uma ordem ao leitor.
(__)Na frase 3, a vírgula separa ações de uma mesma sequência de orientações, e o ponto final indica o fim da frase.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
Alternativas
Respostas
1: C
2: E
3: D
4: D
5: A
6: A
7: D
8: D
9: D
10: D
11: D
12: D
13: D
14: D
15: D
16: D
17: D
18: E
19: C
20: A