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Questões de Concurso Comentadas sobre uso da vírgula em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 5.059 questões

Q4167454 Português

Ética profissional na arquitetura e urbanismo: compromisso com o espaço, a sociedade e o futuro


A arquitetura e o urbanismo, mais que práticas técnicas ou artísticas, configuram-se como atividades de profundo impacto social. O espaço construído influencia a forma como vivemos, nos relacionamos e exercemos nossos direitos de cidadania. Diante dessa relevância, a ética profissional torna-se eixo central da atuação do arquiteto e urbanista, orientando decisões que ultrapassam o campo estético e alcançam dimensões sociais, ambientais, econômicas e culturais. Ser ético, na arquitetura, é compreender que cada projeto representa também uma intervenção na vida coletiva.

A ética profissional reúne princípios que orientam o comportamento do indivíduo em relação à sociedade e à sua profissão. No campo da arquitetura e do urbanismo, ela se concretiza em normas, condutas e compromissos definidos no Código de Ética e Disciplina do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).

Entre os deveres fundamentais do código estão o respeito ao interesse público, o zelo pela segurança, acessibilidade e bem- -estar dos usuários, a responsabilidade ambiental e a defesa da dignidade da profissão. O exercício profissional deve ser pautado pela honestidade intelectual, pela transparência nas relações e pela valorização do trabalho técnico, artístico e científico.

Assim, a ética na arquitetura não se limita ao cumprimento de leis ou normas técnicas: envolve a capacidade crítica de avaliar as consequências das próprias decisões e de agir com integridade, mesmo sob pressões econômicas, políticas ou mercadológicas. 

O arquiteto e urbanista é agente de transformação do espaço e, consequentemente, da sociedade. Suas decisões projetuais podem promover inclusão ou exclusão, sustentabilidade ou degradação, valorização cultural ou apagamento da memória coletiva. 

A ética profissional exige que cada projeto considere seu impacto ambiental, respeite o território e promova o uso racional dos recursos naturais. Projetar de forma ética implica consciência ecológica e compromisso com soluções sustentáveis, acessíveis e socialmente justas.

A dimensão social da ética envolve o compromisso com o direito à cidade, conceito amplamente defendido por Henri Lefebvre e incorporado às políticas urbanas contemporâneas. O arquiteto ético compreende que seu trabalho deve contribuir para cidades mais democráticas, inclusivas e equitativas.

O exercício profissional apresenta inúmeros desafios éticos. Entre eles, destacam-se conflitos entre o interesse privado e o público; plágio e apropriação indevida de autoria em projetos e concursos; concorrência desleal, com práticas que desvalorizam o trabalho técnico; relações com o poder público que exigem transparência e integridade; e a responsabilidade técnica diante de irregularidades que possam comprometer a segurança das pessoas ou o patrimônio ambiental e cultural.

Essas situações exigem do profissional não apenas conhecimento técnico, mas sensibilidade ética, discernimento e coragem moral para tomar decisões orientadas pelo bem coletivo. 

A ética profissional é também um compromisso com as gerações futuras. Em meio à crise climática, à urbanização desigual e à pressão crescente sobre os recursos naturais, arquitetos e urbanistas precisam adotar uma postura ética voltada à sustentabilidade e à justiça socioambiental.

A formação ética, iniciada na universidade e aprofundada ao longo da carreira, deve acompanhar a evolução da sociedade e das tecnologias. A ética não é estática: renova-se conforme emergem novos dilemas e demandas. Ser ético, portanto, é aprender continuamente, repensar práticas e agir com responsabilidade diante das transformações do mundo contemporâneo.

A ética profissional na arquitetura e no urbanismo constitui o alicerce da credibilidade e da relevância social da profissão. Ela orienta o arquiteto e urbanista a compreender seu papel como mediador de valores humanos, ambientais e culturais.

Atuar de forma ética é reconhecer que cada decisão projetual interfere na vida de pessoas e comunidades. É defender a dignidade da profissão, valorizar o conhecimento técnico e agir com compromisso social.  

Somente com base na ética é possível construir cidades mais justas, sustentáveis e belas – espaços que expressem não o poder de poucos, mas o direito de todos à vida urbana com qualidade.


(Por Teresinha, Melo. Disponível em: https://caubr.gov.br/etica-profissional/. Adaptado. Acesso em: abril de 2026.)

Considerando que no 1º§ do texto a autora utiliza diferentes sinais de pontuação para organizar o fluxo de ideias, sobre o emprego da pontuação, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4163804 Português
Durante uma fiscalização promovida pelo Coren, os servidores precisaram verificar diversos documentos referentes ao funcionamento da unidade de saúde. O relatório final deveria apresentar as informações de maneira clara e objetiva. Assinale a alternativa em que a pontuação está empregada corretamente.
Alternativas
Q4163354 Português

Álcool aumenta risco de demência mesmo em pequenas doses, revela pesquisa

Um estudo publicado recentemente no periódico BMJ desafia a ideia de que doses moderadas de álcool poderiam proteger o cérebro. Ao combinar dados observacionais com análise genética de mais de 559 mil pessoas, os pesquisadores encontraram uma relação linear entre maior propensão ao alcoolismo e maior risco da doença — sem evidência de um nível seguro de consumo.

Após avaliar dados de dois grandes bancos de dados — o Million Veteran Program, dos Estados Unidos, e o Biobanco do Reino Unido —, os autores reuniram informações dos participantes com idades entre 56 e 72 anos. Diferentemente de estudos anteriores, baseados apenas em observação, o trabalho incorporou uma análise genética para investigar a predisposição tanto ao alcoolismo quanto à demência.

Os resultados indicam uma associação linear: quanto maior for a propensão ao consumo problemático de álcool, maior o risco de demência. Na prática, um aumento de duas vezes no risco de alcoolismo esteve ligado a uma elevação de 16% na probabilidade da doença neurodegenerativa. Esse achado contrasta com pesquisas anteriores que apontavam uma curva em “U”, na qual tanto abstêmios quanto grandes consumidores apresentariam maior risco, enquanto níveis moderados estariam associados a um possível efeito protetor.

“Sabe-se que o álcool é tóxico ao sistema nervoso central”, pontua o neurologista Augusto Penalva de Oliveira, do Einstein Hospital Israelita. E o estudo reforça o papel da vulnerabilidade individual. “Quem tinha tendência à bebida e à demência teve esse risco amplificado ao beber”, observa. No entanto, há ressalvas quanto à metodologia, como a falta de diversidade genética da amostra.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), não existe nível de ingestão alcoólica completamente seguro. A substância está associada a mais de 200 doenças, e o risco varia conforme fatores como quantidade ingerida, frequência, idade, sexo, condições de saúde e contexto de consumo.


Fonte: CNN Brasil. Adaptado.

Unindo-se as orações seguintes em um único período, assinalar a alternativa que contém a sentença obtida.
I. Paulo trouxe muitas comidas para a ceia. II. A confecção das comidas foi feita pela mãe de Paulo. III. A ceia será realizada na casa de Maria.
Alternativas
Q4161942 Português
Para responder à questão, Ieia o texto abaixo.

Promoção da Saúde em Planejamento Reprodutivo

    Historicamente, obstáculos e lutas em prol do reconhecimento das reais necessidades de saúde da mulher em sua integralidade foram prementes ao longo das décadas, ao passo que discorrer acerca deste contexto da saúde da mulher e suas especificidades, sob a perspectiva da reprodução, não tem sido uma tarefa fácil na contemporaneidade.
    Uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é de até 2030 "garantir o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva", incluindo ações de assistência para o planejamento reprodutivo (PR). Este componente denota que todos têm o direito de definir o curso de suas próprias vidas, ou seja, se e quando ter filhos, quantos e com quem desejam partilhar sua jornada reprodutiva, são partes importantes desse direito, sem segregação, constrangimento ou repressão e hostilidade, ao desvincular a maternidade da vida sexual.
    O PR traz a magnitude da educação sexual e conhecimentos sobre a saúde sexual e reprodutiva. Os profissionais de saúde envolvidos neste cuidado têm o privilégio e a responsabilidade para garantia de uma tomada de decisão consciente pelos usuários. Destaca-se que os serviços de PR de alta qualidade e os seus provedores devem respeitar, proteger e cumprir os direitos humanos de todos os clientes, contribuindo para resultados positivos na saúde sexual, assim como oportunízando a qualificação da relação interpessoal com os usuários, promovendo o cuidado centrado no paciente e sua satisfação com o serviço de saúde.
    No contexto brasileiro, o PR também se caracteriza como medida prioritária para os orgãos ministeriais e expresso nas políticas públicas de saúde vigentes, ao assegurar os componentes de concepção e contracepção de modo integral e ofertar aconselhamento contraceptivo. É fundamental que estes serviços estejam organizados para garantia da qualidade e quantidade adequada de contraceptivos que atendam à demanda populacional. Entretanto, no cotidiano dos serviços de saúde a realidade é distinta, de modo que se denota a carência de métodos contraceptivos ou a dificuldade de acesso a estes, bem como necessidade de acréscimo nas opções disponíveis, haja vista que a maior parte das mulheres que passam por uma gravidez não planejada relaciona-se ao não uso, descontinuidade ou utilização incorreta dos métodos contraceptivos. 
    O Fundo de População das Nações Unidas detalha que em virtude das suspensôes de atendimento oriundas da pandemia por COVID-19, aproximadamente 12 milhões de mulheres, nos 115 países de media e baixa renda estudados, incluindo o Brasil, perderam acesso aos serviços de PR, ocasionando em 1,4 milhão de gestações não planejadas. Deste modo, no âmbito nacional a apreensão deste panorama negativo em saúde sexual e reprodutiva reside nas zonas mais distantes dos grandes centros, a exemplo das regiões Norte e Nordeste do Brasil.
    As falhas em PR ainda se fazem presentes no Brasil e no mundo, posto que estes serviços não alcançam todas as mulheres e estas lacunas precisam ser incorporadas às políticas públicas, mediante ampliação do acesso e conhecimento para as mulheres que mais necessitam.

Fonte: LIMA, E. R. de, et al. Construção de tecnologia MHealth para Promoção da Saúde em Planejamento Reprodutivo: inovações na atenção primária. Ciência & Saúde Coletiva, v. 30, n. 8, 2025 (com adaptações).
No primeiro parágrafo, os autores iniciam o texto com a seguinte construção: Historicamente, obstáculos e lutas em prol do reconhecimento... Caso a primeira vírgula do período fosse suprimida, haveria a seguinte consequência para o texto:
Alternativas
Q4161806 Português
Considerando as regras de emprego da vírgula, identifique o trecho em que essa pontuação foi utilizada de forma incorreta.
Alternativas
Q4160941 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

ONU prevê que temperaturas globais permaneçam 'em níveis recordes ou quase recordes' entre 2026 e 2030

-

As temperaturas médias globais devem permanecer "em níveis recordes ou quase recordes" entre 2026 e 2030, segundo alerta divulgado nesta quinta-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU). O novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima em 75% a probabilidade de que a média desses cinco anos ultrapasse em mais de 1,5°C os níveis pré-industriais.

A previsão reforça a tendência observada na última década. De acordo com a OMM, os anos entre 2015 e 2025 foram os 11 mais quentes já registrados, cenário que deve continuar nos próximos anos.

O boletim anual e decenal sobre o clima global, elaborado pelo Serviço Meteorológico do Reino Unido com dados de 13 institutos internacionais, também considera "provável" — em 86% — que ao menos um ano entre 2026 e 2030 supere o recorde atual de calor, registrado em 2024.

— Há previsão de um episódio de El Niño até o fim de 2026, o que aumentou as chances de que o ano seguinte, 2027, seja o próximo ano recorde — declarou Leon Hermanson, principal autor do relatório.

Segundo a OMM, as previsões de temperatura no centro do Pacífico tropical indicam "uma tendência preocupante de condições de El Niño", sobretudo em 2027 e 2028.

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento da superfície do oceano Pacífico equatorial e costuma alterar padrões climáticos em diversas regiões do planeta. O último episódio, entre 2023 e 2024, esteve associado a um dos períodos mais quentes desde o início dos registros meteorológicos.

[...]
Analise as assertivas sobre a pontuação empregada no texto.

I. Os travessões em "— declarou Leon Hermanson, principal autor do relatório." são utilizados para introduzir uma fala ou declaração.
II. A vírgula em "2027, seja o próximo ano recorde" separa elementos de mesma função sintática em uma enumeração.
III. As vírgulas em "O último episódio, entre 2023 e 2024, esteve associado..." isolam uma expressão explicativa.

Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4160308 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Áreas de parque de MG que tiveram pichação em pinturas rupestres serão isoladas para limpeza



A administração do Parque Nacional da Serra do Cipó, na região central de Minas, vai manter áreas da unidade isoladas até que as pichações sobre pinturas rupestres feitas no local sejam removidas pelo IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Com o isolamento, uma cachoeira do parque está com acesso proibido.


Desde a notificação das pichações, no começo de maio, a região de acesso às pinturas rupestres está com o acesso bloqueado para preservar o local que será periciado, como explica o chefe da gestão do parque, Gabriel Resende.


Segundo a administração do parque, na próxima semana, o Iphan, integrantes do Laboratório de Ciência da Conservação e do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais da UFMG farão uma perícia no local do parque violado para realizar a remoção da tinta e restaurar o local.


O caso foi denunciado às Polícia Federal, Polícia Civil de Minas Gerais e Polícia Militar de Meio Ambiente em Lagoa Santa. O padrão das pichações é investigado para tentar identificar os autores do crime. Até agora, ninguém foi localizado e também não se sabe a data em que o crime foi cometido. O parque estuda instalar câmeras de segurança para evitar novos episódios.


As pinturas rupestres mais antigas encontradas no Parque são datadas de 8.500 a 12.000 anos, marcando a região como um importante sítio arqueológico. As primeiras populações que ocuparam a região eram pré-colombianas, coletores e caçadores. Entre os registros estão desenhos de animais e cenas de caça, principalmente nas regiões da Lapa da Sucupira e no Parque Arqueológico Pedra do Sol, que são patrimônios tombados.


O Parque Nacional da Serra do Cipó fica em um território de quatro municípios e ocupa uma área de 31 mil e 600 hectares. É um dos principais destinos de ecoturismo de Minas Gerais, com mais de 60 cachoeiras.



https://cbn.globo.com/belo-horizonte/noticia/2026/05/09/areas-de-parqu e-de-mg-que-teve-pichacao-em-pinturas-rupestres-serao-isoladas-para -limpeza.ghtml-adaptado 



"A administração do Parque Nacional da Serra do Cipó, na região central de Minas, vai manter áreas da unidade isoladas até que as pichações sobre pinturas rupestres feitas no local sejam removidas pelo IPHAN."

Analise as reescritas a seguir e assinale aquela que apresenta a pontuação adequada.
Alternativas
Q4159374 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Texto 1


A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um acha que fechará a discussão; o outro quer fomentá-la


Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes


    A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado que abordo uma miríade de temas. Seria eu um tudólogo?

    Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como pretenso especialista, independentemente da matéria em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois ninguém consegue ser especialista em tudo.

    No meio online, vemos a mesma pessoa opinando de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto geopolítica e virologia. Boa parte se guia por manchetes, por resultado de buscas no Google ou por respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.

     Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas, pelo contrário, considero louvável ter interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta não é expressar uma opinião, é apenas propagar conteúdo de terceiros de forma acrítica.

    Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes.

    O tempo é fundamental para consumir o conteúdo completo, pensar e formular a opinião – mas a busca do engajamento em redes sociais estimula a pressa em postar. A forma mais cômoda e rápida é simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial. Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é: pensar profundamente exige tempo. Infelizmente, virou comum usar a IA como perna e não como a muleta que deveria ser.

    Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes. Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de uma fonte online não garante sua validade. O provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada por outros autores ou organismos de reputação, como o Our World in Data, que se vale de dados compilados pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais, mesmo de especialistas, não são condição suficiente para autoridade; é preciso checar se há validação por pares.

    E finalmente chegamos à minha maneira de apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo. Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros: os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero entender o mundo que me cerca com seus grandes problemas e desafios. E gosto de trazer esta inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento quantitativo e a fonte das minhas análises – o que automaticamente abre a possibilidade de outros também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias conclusões.

    Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer fomentá-la. E longe da soberba intelectual.


Disponível em: https://www.estadao.com.br/ciencia/frankito-ocurioso/a-diferenca-entre-o-tudologo-e-o-curioso-um-acha-que-fechara-a-discussao-o-outro-quer-fomenta-la/. Acesso em: 05 jan. 2026.
Assinale a alternativa na qual a reescrita do excerto esteja correta quanto à pontuação e o sentido do excerto original seja mantido.
Alternativas
Q4156091 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O amor é uma rocha sedimentar



Sobre as camadas invisíveis do coração


-



Outro dia, peguei uma pedra nas mãos. Era uma dessas comuns. Bem ordinária, para falar a verdade. Passei o dedo pelas faixas de cores, notei espessuras variadas. As listrinhas imediatamente lembraram à pequena Cíntia que amava Ciências na quinta série que aquela devia ser uma rocha sedimentar.


Desde cedo, amei descobrir que as rochas sedimentares são como grandes livros de histórias. Por serem feitas de deposições lentas de poeira, areia, matéria orgânica e restos de outras rochas, armazenam e preservam vestígios de vidas que passaram por ali. É como se o tempo tivesse decidido botar nelas sua própria caligrafia.


Já reparou que algumas emoções pedem da gente esse tempo rabiscado com intenção? Um tipo de assentamento, uma acomodação lenta e gradativa, sabe? O amor, por exemplo. Fiquei pensando no amor como uma rocha sedimentar.


Não falo apenas do amor romântico das propagandas de margarina que cristalizaram padrões inatingíveis e limitados do que aprendemos sobre o amor. Também não me refiro àquele sentimento inflamado de urgências que confundimos com amor e mais parece fogo de palha. Falo menos ainda daquele conformismo morno batizado de amor, mas que tem como sobrenome a desesperança de encontrar algo melhor a esta altura da vida... (Que vida?)


Penso no amor como algo que se forma devagar, pela acumulação de pequenos gestos intencionais, atravessando o tempo e as intempéries. Aquela emoção que às vezes leva eras para se transformar em algo sólido. Que _______ de camadas e mais camadas de escolhas que _______ sua singularidade.


Não amei meus filhos a primeira vez que os vi. Aqueles bebês com cheirinho inesquecível me _______ um misto de medo e ternura. Impotência e encantamento. Desespero e coragem em estado bruto. Mas o amor... ah, o amor foi se desenhando nas madrugadas.


Nos pequenos sorrisos que já não eram mais reflexos inatos, e sim manifestações de excitação pela descoberta do mundo. Nos choros – os deles e principalmente os meus. No acelerar do coração ao vê-los se lambuzar com uma manga docinha pela primeira vez, como fazia meu pai, até as últimas vezes... No alívio daquele cocô que chega como um prêmio depois de uma semana de constipação. O amor é movimento e participar dele ativamente é um pré-requisito.


A escritora Bell Hooks ensina que o amor não é apenas um sentimento, mas uma ação, escolha e compromisso de nutrir o crescimento espiritual próprio e do outro. Isso cabe no amor entre mãe e filhos, cabe na paternidade, no amor romântico, no amor entre irmãos, entre amigos, entre quaisquer pessoas... Amar alguém é integrar um processo de formação. Lembrando que os vestígios de todos os envolvidos estarão presentes. 

Com base em frases formuladas a partir do texto ou de sua livre interpretação, assinale a alternativa em que a função do uso das vírgulas é isolar um aposto. 
Alternativas
Q4156030 Português

Leia o texto IV e responda à questão.

Texto IV

Espelho do tempo: envelhecemos microscopicamente e nos perguntamos se perdemos o frescor

Assista a um telejornal, distraída, quando apareceu na tela o depoimento de um coroa que eu não conhecia, mas, por algum motivo, a imagem me atraiu. Ao ler o nome dele nos créditos, pensei: já conheci um cara com este nome... Peral... Não pode ser. Caramba, é ele. Um amigo que sumiu de vez do meu radar. Pertencemos à mesma turma de praia quando tínhamos 20 anos. Lembro que ele surfava, tinha um jipe e era um gozador nato. E agora estava ali, sisudo na tela da tevê, de terno e gravata, com a pele acinzentada, um fiapo de cabelo, um senhor - da minha idade.

No espelho do banheiro, nosso rosto é o mesmo todo dia. Envelhecemos microscopicamente. De terça para quarta, nenhuma diferença. Até que você encontra na rua uma ex-colega de faculdade ou se depara na tevê com alguém que já fez parte da sua juventude e se pergunta: será que eu também perdi o frescor? Eles se perguntam a mesma coisa quando te veem.

O espelho do banheiro não conta a verdade pelo simples fato de que ignoramos o que é visto toda hora. Já fotografias antigas são espelhos retroversos, demarcam com precisão as diferenças entre o antes e o agora. Outro dia, mostrei para minha filha uma foto de nós duas em 1992; eu a segurava em meu colo. Ela ficou impactada: “Era uma criança.” “Claro, você tinha um aninho.” “Estou falando de ti, mãe”.

É uma questão de perspectiva. Para os bebês, os pais são Matusaléns. No entanto, naquela foto, eu tinha menos idade do que ela tem hoje - éramos não uma, mas duas crianças. Um dia, ela me verá com o rosto completamente craquelado, miúda, corcunda pelo peso dos anos transcorridos, e o susto será outro: serei um espelho do seu futuro. Será obrigada a encarar a velhice que, gostemos ou não, está sempre em nossos calcanhares.

O tempo tem rosto, o tempo tem mãos, o tempo tem voz - e nada disso permanece o mesmo. As superfícies espelhadas reproduzem uma imagem de aparente, visto que, de hoje para amanhã, não se nota alteração. Mas quando encontro minhas amigas a intervalos de tempo, sou atravessada pela verdade óbvia de que não somos mais as meninas do pátio do colégio.

O que me consola é que estes espelhos vivos (a feição atual de nossos velhos afetos) trazem tanto, mas como boas notícias. Em vez de sofrer pelo que está arruinado, busco em cada rosto o sorriso moleque de antigamente, o olhar ainda curioso, a eternidade que mora nos detalhes. Aquele amigo que apareceu na tevê, tão concentrado em sua declaração em frente às câmeras, talvez tenha deixado escapar um filete de irreverência em meio aos verbos empolados que usava, e foi isso que me fez reconhecê-lo. Mesmo o mais implacável dos espelhos reflete algo em nós que não muda.

(MEDEIROS, Martha. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/elaimartha-medeiros/coluna/2025/11/espelhodo-tempo-envelhecemos-miscroscopicamente-e-nos-perguntamos-seperdemos-o-frescor.ghtml> - Texto adaptado.)

Considere o trecho:
“Em vez de sofrer pelo que está arruinado, busco em cada rosto o sorriso moleque de antigamente, o olhar ainda curioso, a eternidade que mora nos detalhes. Aquele amigo que apareceu na tevê, tão concentrado em sua declaração em frente às câmeras, talvez tenha deixado escapar um filete de irreverência em meio aos verbos empolados que usava, e foi isso que me fez reconhecê-lo.” (§6°)
Assinale a opção em que a reescritura desse trecho mantém o sentido original e está de acordo com a modalidade padrão.
Alternativas
Q4152910 Português
Leia o texto para responder a questão.

Brasil tem alta de Síndrome Respiratória Aguda Grave em bebês

Principal causa da doença é infecção pelo vírus sincicial respiratório

Por Tâmara Freire

    Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças menores de dois anos estão em alta em todo o Brasil, principalmente por causa do aumento das infecções pelo vírus sincicial respiratório - VSR. O vírus é o principal causador da bronquiolite, inflamação na ramificação dos pulmões que atinge principalmente bebês menores de dois anos. As outras faixas etárias estão estáveis com relação à SSRAG. Nas quatro últimas semanas, 41,5% dos casos de SRAG com diagnóstico confirmado para algum vírus foram causados por VSR. Em seguida, vem a Influenza A com 27,2% e o rinovírus com 25,5%. Os dados são do Boletim Infogripe, divulgado nesta quinta-feira (14) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
    O boletim também alerta que os casos de Influenza A continuam aumentando nos três estados da Região Sul, e ainda em Roraima e Tocantins, na Região Norte e em São Paulo e Espírito Santo, no Sudeste. Esse tipo do vírus da gripe foi responsável por 51,7% das mortes por SRAG com exame positivo das última quatro semanas, ocorridas principalmente em idosos. Esses dois cenários colocam todos as unidades federativas do Brasil em situação de alerta, sendo que em dez delas a situação é de alto risco: Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraíba.  
Além disso, em 14 Unidades da Federação a tendência é de aumento de casos nas próximas semanas: Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Amapá, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No final do mês passado, a Organização Panamericana de Saúde alertou para o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com destaque para Influenza A H3N2 e VSR.
    Prevenção
  A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz alerta sobre a importância da imunização. A vacina contra a gripe oferecida pelo Sistema Único de Saúde protege contra o tipo A e está sendo aplicada em todo o país, com prioridade para idosos, gestantes, crianças com menos de 6 anos e pessoas com comorbidades ou que fazem partes de grupos vulneráveis, que têm maior propensão a desenvolver quadros graves da doença. Já a vacina contra o VSR é aplicada em gestantes a partir da 28ª semana, com o objetivo de proteger os bebês após o nascimento. Além disso, o SUS disponibiliza um anticorpo monoclonal contra o VSR para bebês prematuros, que têm alto risco de complicações. Ao contrário da vacina, que estimula o corpo a produzir anticorpos contra a doença, esse medicamento é constituído de anticorpos prontos.
     Casos
    Em 2026 foram notificados 57.585 casos de SRAG no Brasil, e 45,7% tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório. O mais prevalente ao longo do ano foi o rinovírus, presente em 36,1% das amostras identificadas, seguido pela Influenza A com 26,3%, VSR com 25,3% e covid-19 com 7,4%. Mas a proporção de cada um desses vírus entre os óbitos é diferente. Foram registradas 2.660 mortes por SRAG, sendo 1.151 com resultado laboratorial positivo. As infecções por Influenza A respondem por 39,6% desses registros, seguidas pelas de covid-19 com 26%, rinovírus com 21,3% e VSR com 6,4%.

Disponível em https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-05/brasiltem-alta-de-sindrome-respiratoria-aguda-grave-em-bebes 
Analise o trecho: “Os dados são do Boletim Infogripe, divulgado nesta quinta-feira (14) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).”, e assinale a alternativa que apresenta o motivo para o uso da vírgula.  
Alternativas
Q4151304 Português
Assinale a alternativa em que a vírgula foi empregada de forma CORRETA:
Alternativas
Q4149410 Português
Assinale a alternativa que apresenta desvio de pontuação.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Placas_de_identifica%C3%A7%C3%A3o_de_ve%C3%ADculos_no_Mercosul (com alterações)
Alternativas
Q4148501 Português
Para responder esta questão, leia o texto abaixo.

Plataformas passam a exigir autorização para remunerar menores

    Crianças e adolescentes agora precisam de autorização judicial em casos de exposição comercial nas redes sociais, tanto em rede própria quanto em canais de adultos. A determinação já está prevista no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente.

    A norma determina que, caso os chamados influenciadores mirins não tenham o alvará, os conteúdos devem ser suspensos imediatamente pelas plataformas digitais, enquanto a situação não for regularizada. Além disso, as redes digitais, como YouTube, Instagram, Facebook, TikTok e Kwai, não podem monetizar (pagar por visualizações/anúncios) ou impulsionar conteúdos que explorem, de forma habitual, a imagem ou a rotina de crianças e adolescentes sem autorização judicial.


    Apesar de o ECA Digital estar em vigor desde março, a legislação deu três meses para estas normas relacionadas às plataformas digitais começarem a valer.


    O ECA digital também proíbe que os serviços de tecnologia da informação veiculem, monetizem ou impulsionem conteúdos que exponham crianças ou adolescentes a situações violadoras, erotizadas, vexatórias, degradantes ou publiquem dados que permitam sua identificação.


    O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) já tinha encaminhado um ofício às principais plataformas digitais com recomendações para adequação à nova legislação, na parte que trata das atividades artísticas online de crianças e adolescentes. Entre as recomendações, está a de que as plataformas notifiquem todos os perfis sobre a obrigatoriedade de autorização judicial para conteúdos remunerados e adotem meios de verificação dos que já possuem alvará para atividade artística de crianças e adolescentes.


    Porém, nos primeiros meses de vigência da norma, admite-se, temporariamente, o comprovante de protocolo do requerimento para justificar a regularização em curso.


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-

06/plataformas-passam-exigir-autorizacao-para-remunerar-menores

(adaptado)

No segundo parágrafo, as redes sociais mencionadas são listadas entre vírgulas: "...as redes digitais, como YouTube, Instagram, Facebook, TikTok, Twitch e Kwai, não podem monetizar." O uso dessas vírgulas justifica-se para isolar uma:
Alternativas
Q4147980 Português
Indique a alternativa que explica corretamente o uso da vírgula na seguinte frase: Antônio, meu irmão mais novo, fez o que pedi.
Alternativas
Q4147333 Português
Assinale a alternativa que apresenta desvio no que tange à pontuação. 
Alternativas
Q4147332 Português
Assinale a alternativa cuja reescrita da frase a seguir NÃO mantém o sentido original:

A participação popular é considerada essencial para a transparência da gestão pública, embora nem sempre seja efetivamente garantida. 
Alternativas
Q4147197 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por que a Torre de Pisa inclina mas não cai?


A Torre de Pisa começou a se inclinar ainda nos primeiros anos de sua construção devido à extrema maciez do solo onde foi erguida. O terreno não conseguiu sustentar o peso da estrutura de forma uniforme, fazendo com que a torre afundasse entre três e quatro metros e passasse a inclinar gradualmente para um dos lados.


Especialistas explicam que as condições do solo são a principal causa da inclinação. Como uma parte da fundação encontrou um terreno mais instável e macio, a sustentação da torre ficou desigual desde o início da obra.


Com o passar dos séculos, a inclinação continuou aumentando lentamente. No século vinte, medições mostraram que o problema se agravava de forma contínua, o que passou a gerar preocupação sobre a estabilidade e a segurança da construção.


A situação se tornou ainda mais alarmante após o desabamento de outra torre italiana, ocorrido em 1989. O episódio serviu como alerta para as autoridades, levando ao fechamento da Torre de Pisa no ano seguinte para realização de estudos e obras de estabilização.


Diversas soluções foram analisadas pelos engenheiros até que fosse escolhida a técnica considerada mais segura. O método adotado consistiu na retirada controlada de parte do solo localizado sob um dos lados da fundação. Sem alterar diretamente a estrutura da torre, foram removidos trinta e sete metros cúbicos de terra do lado norte da base, permitindo uma leve correção da inclinação.


Os trabalhos de estabilização duraram onze anos. Após a intervenção, a inclinação da torre foi reduzida em mais de quarenta centímetros, tornando a construção novamente segura para visitantes.


Especialistas destacam que um edifício inclinado não significa necessariamente risco imediato de desabamento. Em muitos casos, a estrutura se adapta ao longo do tempo à própria inclinação. No caso da Torre de Pisa, os engenheiros afirmam que ela deverá permanecer estável e segura por pelo menos mais duzentos anos.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cq6p8ln0gj2o.adaptado.

Com o passar dos séculos, a inclinação continuou aumentando lentamente.


Assinale a alternativa correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase.

Alternativas
Q4146907 Português

Macacos de Gibraltar encontram maneira de "evitar dores de barriga"


No Rochedo de Gibraltar, um local repleto de turistas, uma das cenas mais comuns são macacos pedindo comida - e às vezes roubando guloseimas doces e salgadas de visitantes desavisados. Cientistas agora documentaram um comportamento incomum entre esses macacos que pode ajudá-los a evitar dores de barriga causadas por toda essa comida não saudável.


Os pesquisadores afirmaram que observaram os macacos comendo terra com mais frequência, um comportamento que, segundo eles, pode ajudar os animais a evitar problemas estomacais causados pelo consumo de lanches humanos. Eles descobriram que o consumo de terra era mais comum em grupos de macacos que consumiam mais alimentos oferecidos por turistas, incluindo chocolate, batatas fritas e sorvete, itens ricos em açúcar, gordura e laticínios, e pobres em fibras.


"Propomos a ideia de que a comida humana, por não ser adaptada à sua dieta natural, desencadeia problemas estomacais e, potencialmente, perturbações no microbioma, cujos efeitos negativos são atenuados pelos componentes do solo", disse Sylvain Lemoine, antropólogo biológico da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e principal autor do estudo publicado na quarta-feira na revista Scientific Reports.


Se comparado a algo presente nos seres humanos, o ato de comer solo "provavelmente age como um antiácido", disse Lemoine, acrescentando que mais pesquisas são necessárias para entender seus efeitos sobre as bactérias intestinais.


Os pesquisadores monitoraram macacos-de-gibraltar que vivem em Gibraltar, um território britânico no extremo sul da Espanha, entre agosto de 2022 e abril de 2024. Os macacos − cerca de 230 animais distribuídos em oito grupos − constituem a única população de macacos em vida livre na Europa.


Os macacos vivem em contato próximo com as hordas de turistas que visitam o local. Os turistas frequentemente alimentam os macacos — ou têm seus lanches roubados — apesar de os animais também receberem frutas, verduras e sementes em plataformas de alimentação designadas e administradas pelas autoridades locais.


Acredita-se que os macacos-de-gibraltar, originários do Norte da África, chegaram a Gibraltar durante o domínio mouro medieval. Mais tarde, tornaram-se um símbolo do controle britânico, após a lenda contar que ajudaram a alertar as tropas sobre um ataque surpresa no século XVIII.


Sua população diminuiu durante a Segunda Guerra Mundial, o que levou o líder britânico Winston Churchill a ordenar o envio de reforços símios do Marrocos e da Argélia − animais dos quais se acredita que a maioria dos macacos atuais descendem.


O consumo deliberado de solo, giz ou argila é chamado de geofagia. É observado em muitas espécies animais, incluindo primatas como chimpanzés, lêmures e outros macacos.


https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/macacos-de-gibraltar-encontrammaneira-de-evitar-dores-de-barriga/-adaptado

"Acredita-se que os macacos-de-gibraltar, originários do Norte da África, chegaram a Gibraltar durante o domínio mouro medieval."

As vírgulas empregadas no trecho estão corretas porque: 

Alternativas
Q4146645 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Miséria


“Esse quarto já sentiu a energia de muita alma jovem com muita vontade de viver e pouco espaço. O sangue e as lágrimas mancharam as paredes, os gritos e risadas ecoaram pelos vértices e as paixões consumiram tudo o que viram pela frente.”


    Esse é um trecho do texto que eu escrevi quando me mudei da minha primeira casa em São Paulo. Era uma kitnet na Corifeu, com uma janela pequena lá no alto. Não ventilava, não dava pra ver a rua. Era tudo branco, novo, nunca tinha sido usado. Era oco e não tinha história. De certa forma, a única história daquela casa era a minha, eu fui mudando junto com aquele espaço.

    Vendo aquela casa vazia na mudança, um filme passou pela minha cabeça, cheio de sentimentos agridoces. Ali eu ficava sozinha com os meus pensamentos, lidando com o mundo novo que era São Paulo. O meu sonho de estudar jornalismo na USP, os treinos da atlética, as aulas de línguas, a agenda cheia, tudo isso era parte da minha rotina. Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era. É, não existe amor em SP.

    Essa música aparece logo no trailer do filme “A Voz do Silêncio”, um drama de 2018 dirigido por André Ristum. O longa gira em torno da vida de sete pessoas que moram em São Paulo, convivendo com as angústias e a solidão diária de morar em uma das maiores cidades do mundo, onde todo mundo está sempre com pressa e a empatia está sempre em falta.

     Uma das histórias que mais me tocou no filme foi a da personagem Maria Cláudia, interpretada por Marieta Severo. O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo. Na verdade, o filho morava em São Paulo mesmo, e trabalhava como atendente de telemarketing para sobreviver. Morava em um canto qualquer, e nunca nem saía para se divertir. Todo dia era sempre igual. E assim era para os outros personagens: o trabalho doído, com quase nenhuma folga e absolutamente nenhum descanso da dor das próprias angústias, de não fazer nada que dê prazer, de fazer tudo no automático.

    Depois de ver esse filme e sentir todos aqueles sentimentos tão reais junto com os personagens, fiquei pensando que a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro. Miserável. Em português, e até mesmo em francês, língua original da obra “Les Misérables”, essa palavra pode nos fazer lembrar muito mais da miséria física, falta de dinheiro, falta de comida. Mas em inglês, “miserable” se refere muito mais a um estado emocional, quando você se sente péssimo, um lixo. Gosto mais desse sentido.

    O Jean Valjean, personagem dessa célebre obra francesa, foi preso por roubar um pão, e mesmo depois de ganhar dinheiro e tentar fazer o bem, o guarda Javert só pensava em condená-lo por seu passado. Tanta foi a culpa, que Javert cometeu suicídio. Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua. A miséria deles era de dignidade, de liberdade, assim como a miséria da Maria Cláudia e do seu filho, assim como a nossa miséria diária.

     Da minha posição de previlégio, nem imagino como devem ser as misérias de tantas outras pessoas durante a pandemia. Mas eu sinto a minha miséria, quando vejo as mortes na TV, o mau caratismo dos políticos e a dor das pessoas, pensando que não posso fazer nada, ou quase nada. Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá. 

    Mas de uma coisa eu sei, e peço desculpas se fui muito dura lá no início, porque existe sim amor em SP. Eu descobri isso com os amigos da minha república, fazendo fogueira na garagem de casa no meio do Butantã, tomando banho de chuva ao som de Vanessa da Mata e fazendo cinema no quintal, tudo isso em plena pandemia. Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia. A cidade é só uma cidade. Assim como a minha kitnet era só um lugar qualquer, pintado de branco, e que eu colori com a minha história, que era ruim, mas também era boa.

    Existe poesia nessas esquinas duras, como cantou Caetano, mas é preciso procurá-la ativamente, antes que a mesmice, a rotina e a indiferença nos consumam. Se as paredes da cidade podem pintar nossa cabeça de cinza e fazer um baita estrago, talvez nós também possamos colorir as paredes, de alguma forma.


CAIADO, Marina Faleiro. Miséria. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (Org.). Crônicas para ler e ouvir: volume 1. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 13-15. (Série Crônicas para ler e ouvir). DOI: 10.11606/9786588640579. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/730. Acesso em: 5 maio 2026. Adaptado.
Após uma enumeração de elementos positivos da rotina da narradora, o texto afirma: “É, não existe amor em SP.” O emprego da vírgula após “É” e o ponto final ao término do enunciado produzem efeitos de sentido precisos na construção discursiva. Assinale a alternativa que descreve corretamente as funções desses dois sinais de pontuação nesse contexto.
Alternativas
Respostas
61: E
62: A
63: C
64: B
65: B
66: D
67: D
68: D
69: C
70: D
71: B
72: C
73: C
74: B
75: C
76: A
77: D
78: C
79: A
80: D