Historicamente, obstáculos e lutas em prol do
reconhecimento das reais necessidades de saúde da
mulher em sua integralidade foram prementes ao longo
das décadas, ao passo que discorrer acerca deste contexto
da saúde da mulher e suas especificidades, sob a
perspectiva da reprodução, não tem sido uma tarefa fácil
na contemporaneidade.
Uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) é de até 2030 "garantir o acesso
universal à saúde sexual e reprodutiva", incluindo ações de
assistência para o planejamento reprodutivo (PR). Este
componente denota que todos têm o direito de definir o
curso de suas próprias vidas, ou seja, se e quando ter
filhos, quantos e com quem desejam partilhar sua jornada
reprodutiva, são partes importantes desse direito, sem
segregação, constrangimento ou repressão e hostilidade,
ao desvincular a maternidade da vida sexual.
O PR traz a magnitude da educação sexual e
conhecimentos sobre a saúde sexual e reprodutiva. Os
profissionais de saúde envolvidos neste cuidado têm o
privilégio e a responsabilidade para garantia de uma
tomada de decisão consciente pelos usuários. Destaca-se
que os serviços de PR de alta qualidade e os seus
provedores devem respeitar, proteger e cumprir os
direitos humanos de todos os clientes, contribuindo para
resultados positivos na saúde sexual, assim como
oportunízando a qualificação da relação interpessoal com
os usuários, promovendo o cuidado centrado no paciente
e sua satisfação com o serviço de saúde.
No contexto brasileiro, o PR também se caracteriza
como medida prioritária para os orgãos ministeriais e
expresso nas políticas públicas de saúde vigentes, ao
assegurar os componentes de concepção e contracepção
de modo integral e ofertar aconselhamento contraceptivo.
É fundamental que estes serviços estejam organizados
para garantia da qualidade e quantidade adequada de
contraceptivos que atendam à demanda populacional.
Entretanto, no cotidiano dos serviços de saúde a realidade
é distinta, de modo que se denota a carência de métodos
contraceptivos ou a dificuldade de acesso a estes, bem
como necessidade de acréscimo nas opções disponíveis,
haja vista que a maior parte das mulheres que passam por
uma gravidez não planejada relaciona-se ao não uso,
descontinuidade ou utilização incorreta dos métodos
contraceptivos.
O Fundo de População das Nações Unidas detalha
que em virtude das suspensôes de atendimento oriundas
da pandemia por COVID-19, aproximadamente 12 milhões
de mulheres, nos 115 países de media e baixa renda
estudados, incluindo o Brasil, perderam acesso aos serviços de PR, ocasionando em 1,4 milhão de gestações
não planejadas. Deste modo, no âmbito nacional a
apreensão deste panorama negativo em saúde sexual e
reprodutiva reside nas zonas mais distantes dos grandes
centros, a exemplo das regiões Norte e Nordeste do Brasil.
As falhas em PR ainda se fazem presentes no Brasil e
no mundo, posto que estes serviços não alcançam todas
as mulheres e estas lacunas precisam ser incorporadas às
políticas públicas, mediante ampliação do acesso e
conhecimento para as mulheres que mais necessitam.
Fonte: LIMA, E. R. de, et al. Construção de tecnologia MHealth para
Promoção da Saúde em Planejamento Reprodutivo: inovações na atenção
primária. Ciência & Saúde Coletiva, v. 30, n. 8, 2025 (com adaptações).
No primeiro parágrafo, os autores iniciam o
texto com a seguinte construção: Historicamente,
obstáculos e lutas em prol do reconhecimento... Caso a
primeira vírgula do período fosse suprimida, haveria a
seguinte consequência para o texto:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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