Questões de Concurso
Sobre sintaxe em português
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Estação de águas
Esta poética designação – estação de águas – nada tem a ver, como eu imaginava quando menino, com alguma estação de trem onde chovesse muito e tudo se inundasse. Em criança a gente tende a entender tudo meio que literalmente. “Estação de águas”, soube depois, indica aqui a época, a temporada ou mesmo a estância em que as pessoas se dispõem a um lazer imperturbado ou a algum tratamento de saúde baseado nas específicas qualidades medicinais das águas de uma região. Água para se beber ou para se banhar, conforme o caso. Tais estâncias associam-se, por isso mesmo, a lugares atrativos, ao turismo de quem procura, além de melhor saúde, a tranquilidade e o repouso que via de regra elas oferecem a quem as visita ou nelas se hospeda.
Em meio ao turbilhão da vida moderna ainda se encontra nessas paragens um oásis de sossego e descompromisso com o tempo. O desafio pode estar, justamente, em saber o que fazer com um longo dia de ócio, em despovoar a cabeça das imagens tumultuosas trazidas da cidade grande. Nessas pequenas estâncias, o relógio da matriz opera num ritmo lerdo e preguiçoso, em apoio à calmaria daquele mundo instituído para que nada de grave ou agitado aconteça. Os visitantes velhinhos dormitam no banco da praça, as velhinhas vão atrás de algum artesanato, os jovens se entediam, os turistas adultos se dividem entre absorver a paz reinante e planejar as tarefas da volta.
Não se sabe quanto tempo ainda durará essa rara oportunidade de paz. As informações do mundo de hoje circulam o tempo todo pelos nervosos celulares, a velocidade da vida digital é implacável e não tolera espaços de vazio ou tempos vazios. Mas enquanto não morrer de todo o interesse de se cultuar a vida interior, experiência possível nessas estâncias sossegadas, não convém desprezar a sensação acolhedora de pertencer a um mundo sem pressa.
(Péricles Moura e Silva, inédito)
TEXTO 1
O "cidadão de bem", os Direitos Humanos e a opinião pública
É comum que a opinião pública adote, conforme o quadro social, determinados posicionamentos que predominam nos populares. Trata-se de uma uniformização de discursos, um consenso entre a maioria dos cidadãos sobre certo assunto. É evidente que o discurso não é sempre correto. O número de pessoas que fala a mesma coisa não é capaz de alterar o mundo dos fatos. Em outras palavras, quantidade não é qualidade.
No entanto, desde os primórdios, a intelectualidade gosta de nadar contra a maré. Dizer o contrário do que a maioria da população diz e acredita já deu causa a diversas descobertas, hoje consensos: antes de Galileu Galilei, a opinião pública acreditava que a Terra era plana; antes de Copérnico, era a Terra o centro do Universo. Isso não significa,todavia, que adotar posições antagônicas à opinião pública o tornará um descobridor, um visionário. Há muitas coisas em que a opinião pública está correta. [...]
Cada dia mais há publicações irônicas acerca do chamado "cidadão de bem", questionando a diferenciação desse com relação ao marginal. Há muito tempo o conceito de criminoso nato foi abandonado. Não há traços físicos de pessoas tendentes ao cometimento de delitos. Ademais, qualquer indivíduo está sujeito ao cometimento de práticas delituosas, uma vez que os dispositivos penais nem sempre refletem o sentimento coletivo ou mesmo individual do que é, de fato, uma grave transgressão.
Não se pode desconsiderar, todavia, que a prática criminosa reiterada deriva de desvios de conduta decorrentes de uma formação moral frágil, ou da simples ausência dela. Em uma sociedade, há quem não tenha coragem de subtrair um alfinete, enquanto outros estão dispostos a matar se for preciso ("necessidade" essa não tão latente quanto possa parecer).
João trabalha há 30 anos em uma empresa de vigilância. Exerce uma carga horária de 8 horas, de segunda a sexta-feira, com uma remuneração um pouco superior a 1 salário mínimo e meio. Já foi assaltado 12 vezes e teve um filho morto em um assalto a mão armada. Pedro, por sua vez, não exerce função remunerada regular. Tem extensa ficha criminal, sobrevive com pequenos bicos e roubos a mão armada. Um deles sai à noite do trabalho temendo os altos índices de violência na cidade em que mora; o outro, é grande colaborador para os índices apontados. É fácil perceber que a arma nas mãos de um deles seria um exclusivo meio de defesa, para o outro, um objeto para práticas delituosas.
O disposto a cometer crimes, provavelmente, não se importará de transgredir outra lei penal: adquirirá ilegalmente uma arma também. Mas quem gostaria de tê-la como meio de defesa respeita as normas impostas pelo Estado e fica à mercê da criminalidade e da ineficaz segurança pública. Entre João e Pedro não é difícil visualizar qual é considerado "cidadão de bem" e qual não é.
Se a opinião pública encabeça, atualmente, um movimento cada vez mais punitivista, é porque se cansou de ficar à deriva, entre um Estado que não o protege (e não o deixa se defender) e uma criminalidade que cresce de forma exponencial. Ainda assim, toda vez que João liga a televisão, ouve ONGs de Direitos Humanos afirmando que os presídios estão superlotados; que é preciso desencarcerar; que os apenados sofrem com a opressão do Estado; que prisão não resolve, porque não cumpre sua finalidade ressocializadora.
É evidente que o indivíduo vê-se exausto de "ver prosperar a desonra, de ver crescer a injustiça" e demoniza os Direitos Humanos. Não que os Direitos Humanos em si sejam algo negativo, mas as instituições que os representam atualmente têm deturpado as suas finalidades. Há que se reconhecer o benefício histórico do movimento, sobretudo quando, em tempos sombrios, o Estado se excedia em face do indivíduo. Mas é preciso ponderação.
Os indivíduos devem deixar de transgredir por princípios morais, mas também por temer as consequências de seus atos. Se a educação não resolveu, o desvio precisa ser coibido. É preciso prevenção, mas também repressão. Por isso,a teoria não pode, jamais, desconsiderar a prática. Atacar a opinião pública sem analisar a sua perspectiva é injusto com quem é compelido a seguir os padrões morais e legais impostos pela vida em sociedade. E talvez o "cidadão debem" não esteja tão errado assim...
Hyago de Souza Otto. Disponível em: https://hyagootto.jusbrasil.com.br/artigos/421032742/o-cidadao-de-bem-os-direitos-humanos-e-a-opiniao-publica?ref=topic_feed. Acesso em: 29/01/2019. Adaptado.
Releia o seguinte trecho do Texto 1: “O número de pessoas que fala a mesma coisa não é capaz de alterar o mundo dos fatos.”.
O segmento em destaque desempenha no enunciado uma função:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

I- Marilia vendia roupas II-Juliana gosta de livros. III-Gosto de flores. IV- Paulo mora perto de um grande supermercado.
FAMÍLIA É TUDO QUE TEMOS
Afinal, é o grupo do qual participamos a vida toda
(...)
E, por falar em família, hoje quase todo mundo acredita que entende desse núcleo e que pode analisá-lo. (...)Há quem acredite que a família está ameaçada de ser destruída ou que já se encontra em estado de falência. Os motivos seriam os mais diversos. O aumento do número de divórcios costuma ser muito citado. Ou a presença da mulher no mercado de trabalho, entre tantas outras causas já apontadas.
Ocorre que, ao mesmo tempo em que os divórcios crescem, há também recasamentos, e as mulheres que muito precisam ou querem se dedicar ao trabalho remunerado vivem se martirizando pela culpa de estar longe da família por tanto tempo. Isso significa que pertencer a uma família, com todos os bônus e ônus impostos, é essencial.
(...)
Não há dúvida de que algumas famílias, ou integrantes delas, recusam a convivência com o grupo, afastam-se para sempre, buscam apagar da memória a existência desse laço primordial. Mesmo essas pessoas procuram formar sua família fora dos laços tradicionais, que são os de sangue e os de aliança. Fazem dos amigos próximos sua família, por exemplo. Elas sentem na pele a importância de pertencer a um grupo e buscam criá-lo, já que enfrentaram impedimentos radicais em sua família de origem.
A família precisa ser cuidada porque sobrevive dos vínculos afetivos entre todos os seus integrantes, e isso dá trabalho. Mas enfrentar os conflitos que surgem no grupo com amorosidade, compaixão, respeito, generosidade e delicadeza, por exemplo, promove uma vida pessoal e familiar de qualidade.
(...)
(VEJA de 12 de dezembro de 2018, edição nº 2612, p.89 – Por Rosely Sayão)
Para responder à questão leia as sequências I, II e III.
I - Há quem acredite que a família está ameaçada de ser destruída ou que já se encontra em estado de falência.
II - Não há dúvida de que algumas famílias, ou integrantes delas, recusam a convivência com o grupo, afastam-se para sempre, buscam apagar da memória a existência desse laço primordial.
III - ... há também recasamentos, e as mulheres que muito precisam ou querem se dedicar ao trabalho remunerado vivem se martirizando pela culpa de estar longe da família por tanto tempo.
Do ponto de vista da estrutura sintática, está
CORRETO o que se afirma em:
FAMÍLIA É TUDO QUE TEMOS
Afinal, é o grupo do qual participamos a vida toda
(...)
E, por falar em família, hoje quase todo mundo acredita que entende desse núcleo e que pode analisá-lo. (...)Há quem acredite que a família está ameaçada de ser destruída ou que já se encontra em estado de falência. Os motivos seriam os mais diversos. O aumento do número de divórcios costuma ser muito citado. Ou a presença da mulher no mercado de trabalho, entre tantas outras causas já apontadas.
Ocorre que, ao mesmo tempo em que os divórcios crescem, há também recasamentos, e as mulheres que muito precisam ou querem se dedicar ao trabalho remunerado vivem se martirizando pela culpa de estar longe da família por tanto tempo. Isso significa que pertencer a uma família, com todos os bônus e ônus impostos, é essencial.
(...)
Não há dúvida de que algumas famílias, ou integrantes delas, recusam a convivência com o grupo, afastam-se para sempre, buscam apagar da memória a existência desse laço primordial. Mesmo essas pessoas procuram formar sua família fora dos laços tradicionais, que são os de sangue e os de aliança. Fazem dos amigos próximos sua família, por exemplo. Elas sentem na pele a importância de pertencer a um grupo e buscam criá-lo, já que enfrentaram impedimentos radicais em sua família de origem.
A família precisa ser cuidada porque sobrevive dos vínculos afetivos entre todos os seus integrantes, e isso dá trabalho. Mas enfrentar os conflitos que surgem no grupo com amorosidade, compaixão, respeito, generosidade e delicadeza, por exemplo, promove uma vida pessoal e familiar de qualidade.
(...)
(VEJA de 12 de dezembro de 2018, edição nº 2612, p.89 – Por Rosely Sayão)
Para responder à questão leia as sequências I, II e III.
I - Há quem acredite que a família está ameaçada de ser destruída ou que já se encontra em estado de falência.
II - Não há dúvida de que algumas famílias, ou integrantes delas, recusam a convivência com o grupo, afastam-se para sempre, buscam apagar da memória a existência desse laço primordial.
III - ... há também recasamentos, e as mulheres que muito precisam ou querem se dedicar ao trabalho remunerado vivem se martirizando pela culpa de estar longe da família por tanto tempo.
Do ponto de vista da estrutura morfossemântica,
sobre os trechos em I, II e III, está CORRETO o
que se afirma em:
Leia o trecho a seguir:
Por conseguinte (1), cabe à escola articular, com a comunidade e as famílias, laços de integração com a sociedade. A gestão dá-se em interação com o outro, destarte (2) implica sempre em muito diálogo, respeitando as peculiaridades e as finalidades da proposta pedagógica que considera, outrossim (3), a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a da comunidade escolar e local nos Conselhos Escolares. Indica, concomitantemente (4), o direito e o dever de garantir a participação dos sujeitos nos sistemas e nas escolas públicas, como está na lei.
(Adaptado de ANCIUTTI, M.C.R. A gestão escolar: materialização de uma política de gestão democrática. Revista de Administração Educacional, Recife, v. 9, n. 2, fev. 2019. ISSN 23591382. Disponível em:
<https://periodicos.ufpe.br/revistas/ADED/article/view/239952/31475>. Acesso em: 11 mar. 2019.)
As palavras ou expressões enumeradas poderão ser substituídas sem prejuízo do sentido do texto, pelas palavras ou expressões a seguir:
Leia atentamente os trechos a seguir que servirão de base para a questão.
Trecho 1:
No ano de 1994 foi assinada a Declaração de Salamanca (inspirada para reafirmar o direito de todas as crianças à educação através da Declaração de Direitos Humanos em 1948). Ela aconselha que todas as escolas devem acomodar todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, emocionais, linguísticas ou outras. Devem incluir crianças deficientes e superdotadas, crianças de rua e crianças que trabalham, crianças de população nômade, crianças pertencentes a minorias linguísticas, étnicas ou culturais e crianças de grupos em desvantagem ou marginalizados.
Texto acessado em 05/02/2019 e adaptado de https://educador.brasilescola.uol.com.br/politica-educacional/compromisso-nova-abordagem-inclusao.htm
Trecho 2:
A inclusão não é só o ato de incluir e pronto. Inclusão é cooperação, é ajudar e estar lá auxiliando as pessoas. Também é respeito. Devemos respeitar as diferenças e facilitar as coisas para derrubar as barreiras da desigualdade. Inclusão é valorização das diferenças. Todos nós temos diferenças e sempre temos algo para aprender uns com os outros. Inclusão é melhoria, melhoria contínua para todos nós.
Texto acessado em 05/02/2019 e adaptado de http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/ um-novo-olhar-para-a-inclusao-social/94907/
Trecho 3:
A atuação do Ministério Público do Trabalho demonstrou a importância do esforço em prol da inscrição das pessoas com deficiência no trabalho. A lei brasileira, por estímulo constitucional, estabelece ação afirmativa categórica nesse sentido, fixando cotas de reserva de vagas, tanto na esfera pública quanto na privada. De outra parte, a condição de exclusão das pessoas com deficiência do convívio social é milenar e reveladora do quão distante estão estas pessoas de condições mínimas de cidadania erigidas desde o princípio da cultura ocidental.
Texto acessado em 05/02/2019 e adaptado de
http://portal.mec.gov.br/docman/dezembro-2009-pdf/
2183-4-inclusao-social-juvenil-pdf/file
Mitos e boatos sobre a doação de órgãos acabam sendo obstáculos na hora da família autorizar a doação. As informações falsas deixam os parentes ainda mais inseguros em um momento em que já é difícil de se tomar uma decisão.
Depois da notícia da morte, a família fica abalada. Por isso os coordenadores da SC Transplantes esperam algumas horas para falar sobre a doação e respeitam o tempo que for preciso para ter a resposta. Essa espera pode levar de poucas horas até alguns dias. O mais importante é salvar vidas. Em Santa Catarina, 70% das famílias ___________ sim para a doação. Para os 30% que ainda _____________ perguntas, o diretor da SC Transplantes, Joel de Andrade, esclareceu dúvidas sobre doações. [...]
Disponível em: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/doacao/noticia/2019/05/25/doacao-de-orgaos-diretor-da-sc-transplantes-esclarece-duvidas.ghtml Acesso em: 25/maio/2019.[adaptado]
Os prefeitos de Timbó, Jorge Krüger, e de Indaial, André Moser, estão entre os gestores públicos catarinenses vencedores da etapa estadual do 10º Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor. [...] A premiação tem como objetivo reconhecer iniciativas locais que incentivem a formalização, o desenvolvimento e a competitividade dos pequenos negócios, contribuindo de forma efetiva para o crescimento econômico, ambiental e social dos municípios. Nesta edição, o Sebrae recebeu a inscrição de 48 projetos, de 34 municípios, nas oito categorias. Os vencedores de cada uma delas irão concorrer na etapa nacional do prêmio, que será realizada no dia 5 de junho, em Brasília (DF). Os projetos finalistas receberam o “Selo Prefeito Empreendedor”. [...]
Disponível : https://ocp.news/politica/prefeitos-de-timbo-e-indaial-vencem-premio-sebrae-prefeito-empreendedor Acesso em: 30/abr/2019.[adaptado]
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu chamava
para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim: -
Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Alguma Poesia
Carlos Drummond de Andrade
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu chamava
para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim: -
Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Alguma Poesia
Carlos Drummond de Andrade
Você “trabalha em equipe” e é “workaholic”? Pare de usar
palavras batidas.
Um termo desgastado dito na entrevista de emprego ou em uma reunião pode revelar dados sobre uma pessoa. Alguns, dizem os especialistas, produzem o efeito contrário ao que se deseja e denotam, no mínimo, imaturidade. "Você pode ser percebido como alguém sem conteúdo que, assim como um adolescente, está preocupado em pertencer a um grupo e ser aceito por ele, em vez de contribuir com o sucesso da empresa", afirmou o consultor Silvio Celestino, sócio fundador da Alliance Coaching.
Sem perceber, até o profissional mais preparado pode escorregar em um clichê. Por isso, antes de ir a campo, conheça as principais frases e termos e entenda por que você deve fugir deles.
1 - Sou perfeccionista
A expressão não diz nada. "O entrevistador quer conhecer o candidato. E, ao responder dessa maneira, perde-se a grande chance de falar sobre si", disse Marcelo de Lucca, sócio da consultoria KPMG. Em vez de reduzir a possibilidade a uma palavra, por que não falar que se aprimora continuamente citando, por exemplo, quantos e quais livros lê por ano ou cursos que faz por conta própria? "A pessoa que se descreve uma perfeccionista geralmente não tem uma visão mais clara de si mesma. E não reconhecer os erros é também não reconhecer as virtudes", afirmou Marco Zanini, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (Ebape/FGV).
2 - Quero muito trabalhar aqui
A empresa não precisa de pessoas que queiram trabalhar nela, mas que queiram que ela ganhe, disse Silvio Celestino. Ou seja, além de querer trabalhar, o mais importante é demonstrar interesse em contribuir com o sucesso da companhia.
3 - Gosto de trabalhar em equipe
Isso não prova que os demais gostam de trabalhar com você, segundo Celestino. Seja mais claro e afirme que você é capaz de liderar pessoas ou sabe lidar com conflitos e busca soluções harmoniosas.
4 - Sou workaholic e faço tudo bem-feito
Para Celestino, afirmar que é workaholic pode demonstrar falta de equilíbrio. Melhor especificar que, sempre que necessário ou demandado pelo gestor, você tem responsabilidade para entregar as tarefas no prazo e nas especificações. "Oriento os meus alunos a serem mais humildes, a não se vangloriar - sendo jovens, principalmente, porque eles ainda não têm experiência para apresentar. É preferível ser verdadeiro, colocar o que quer fazer, valorizar as aptidões e como deseja contribuir no desenvolvimento da empresa", disse o professor Zanini.
5 - Eu me dou bem com todo mundo
Com que tipo e com quantas pessoas você já trabalhou? Diga que, independentemente das características de cada indivíduo, você busca respeitar as diferenças e focar na competência do indivíduo, relevando características problemáticas, afirmou Celestino.
Em reuniões
6 - Com certeza
Evite esse termo para afirmar algo que é considerado óbvio e evidente, mas que nem sempre é assim. "Afirme que tem a mesma opinião ou que observou as mesmas evidências que o interlocutor", disse Celestino.
7 - Tenho limitação de budget
Para Lucca, o profissional que justifica uma situação com esse argumento se coloca como vítima, quando deveria ser o protagonista. É preferível dizer que, apesar da limitação, verá o que consegue fazer para que a ação aconteça. "É uma maneira de se mostrar disposto a realizar", disse Lucca.
8 - Tal área não fez o que deveria
Essa é a típica frase em que o sujeito joga a responsabilidade no outro e não diz o que pode fazer para mudar a situação. E isso é péssimo para a imagem do profissional, segundo Lucca.
9 - Cada um tem a sua verdade
Essa é uma expressão perigosa. O que existem são fatos e documentos. “Diferentes são as opiniões, não a verdade”BGTT, disse Celestino.
10 - Accountability, empowerment e outros
Evite o uso de expressões estrangeiras quando há uma em português perfeitamente compreensível. Não use o inglês para demonstrar sofisticação ou esnobar pessoas. Saiba adequar sua linguagem ao público. "Muitas vezes, o termo é usual dentro da cultura da empresa. Mas quem é de fora não é obrigado a saber", afirmou Lucca.
11 - Sairei porque tenho novos desafios
Eis uma frase desgastada e vazia. Todo mundo se despede da empresa ou do mercado dessa forma, segundo Lucca. Mencione uma razão mais concreta ou algo que traga mais valor.
(PEREIRA, Inês. Portal UOL Economia.
23/08/2018.)

