A concordância verbal e a nominal, respectivamente, estão C...
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu chamava
para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim: -
Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Alguma Poesia
Carlos Drummond de Andrade
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Gabarito comentado
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Tema central da questão: Concordância verbal e nominal, fundamentais para a norma-padrão da Língua Portuguesa e muito cobradas em provas de concurso, especialmente em cargos de nível superior como Engenheiro Civil.
Regra geral de concordância verbal: O verbo deve concordar com o núcleo do sujeito em número e pessoa. Situações especiais incluem casos de silepse de pessoa (concordância ideológica) e verbos impessoais.
Regra de concordância nominal: Determinantes, pronomes, adjetivos e particípios concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem. Expressões compostas com adjetivo invariável ("lesa-pátria") ou locuções adjetivas (“azul-claro”) possuem regras específicas.
Justificativa da alternativa correta (C):
Concordância verbal: “Os brasileiros somos um povo pacífico.” – O verbo na 1ª pessoa do plural (“somos”), embora “Os brasileiros” esteja na 3ª pessoa, indica silepse de pessoa, pois o falante se inclui no grupo. Esta construção está correta, conforme exemplificado por Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”): em casos de inclusão do locutor no grupo, a silepse é válida.
Concordância nominal: “É um crime de lesa-pátria.” – “Lesa” permanece invariável; “pátria” concorda em gênero e número com “crime”. Segue a regra para compostos prefixados por adjetivos, conforme Cunha & Cintra.
Análise das alternativas incorretas:
A) Erro na concordância verbal: O correto seria “Só se viam as destruições...”. Concordância nominal está correta (“vários abaixos-assinados”).
B) Erro na concordância verbal: O correto seria “Qual de vós me arguirá de pecado?” (“vós” pede verbo na 2ª pessoa, que não é usual no padrão contemporâneo). Concordância nominal está correta.
D) Erro na concordância verbal: “Há de resolver” é impessoal; o correto: “...que se há de resolver”. Concordância nominal está certa (“blusas azul-claro”).
E) Erro na concordância verbal: “Precisa-se de muitos recursos...”, pois o verbo, com partícula “se” e objeto preposicionado, deve ficar no singular. Concordância nominal está correta (“altos-falantes”).
Estratégia para provas: Sempre relacione verbo e sujeito; desconfie de construções em que o sujeito esteja oculto ou em voz passiva sintética com “se”. Atente-se às regras para expressões compostas e silepse.
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Comentários
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GABARITO: LETRA C
→ questão para pegar muita gente, vamos lá, uma por uma:
A) Só se via as destruições após o rompimento da barragem. / Recebi vários abaixos-assinados. → respectivamente: se viam as destruições (voz passiva sintética, o sujeito paciente está no plural, logo verbo no plural); abaixo-assinados (temos um advérbio + substantivo, o advérbio é invariável).
B) Qual de vós me arguireis de pecado? / Ontem houve dois comícios monstros. → o substantivo que é usado para expressar uma adjetivação não é flexionado: comícios MONSTRO.
C) Os brasileiros somos um povo pacífico. / É um crime de lesa-pátria. → correto, temos um caso de silepse de pessoa: o verbo conjugado na primeira pessoa do plural com um sujeito de terceira pessoa do plural. Isso só é possível quando o autor da frase tenciona incluir-se entre os elementos do referido sujeito; adjetivo "lesa-pátria" fazendo a concordância de maneira correta.
D) Muitos são os problemas que se há de resolver. /A menina comprou duas blusas azul-claro. → o verbo "haver", nesse caso, não é impessoal, visto que compõe uma locução verbal: que se hão de resolver; temos um adjetivo composto, o segundo termo é variável: blusas azul-claras.
E) Precisam-se de muitos recursos para uma educação de qualidade. / Eles ligaram os altos-falantes. → temos, respectivamente, um sujeito indeterminado (verbo transitivo indireto), logo o correto seria: PRECISA-DE; o plural de alto-falante é ALTO-FALANTES (advérbio+substantivo).
FORÇA, GUERREIROS(AS)!! DESISTIR? NUNCA!
OS BRASILEIROS SOMOS ????? Satanás não veio pra brincar...
??????????
Não mesmo Amanda Rocha kkkk
Em "os brasileiros somos" não há nenhum erro de concordância, visto que esta é feita ideologicamente com o pronome "nós". Chama-se também de "silepse", um subterfúgio muito astuto que a banca utilizou.
Letra C
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