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Questões de Concurso Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

Foram encontradas 20.067 questões

Q4086516 Português

Dê uma chance ao ser humano


    A vizinha tocou a campainha e, quando abri a porta, surpreso com a visita inesperada, ela entrou, me abraçou forte e falou devagar, olhando fundo nos meus olhos: “Você tem sido um vizinho muito compreensivo e eu ando muito relapsa na criação dos meus cachorros. Isso vai mudar!” Desde então, uma série de procedimentos na casa em frente à minha acabou com um pesadelo que me atormentou por mais de um ano. Sei que todo mundo tem um caso com o cachorro do vizinho para contar, mas, com final feliz assim, francamente, duvido. A história que agora passo a narrar do início explica em grande parte por que ainda acredito no ser humano – ô, raça! 


    Não sei se os outros vizinhos decidiram em assembleia que esperariam a todo custo por uma reação minha, mas, para encurtar a história, o fato é que, um ano e tanto depois da chegada do primeiro pastor alemão àquela casa, eu tive um ataque, enlouqueci, surtei. Imagine o mico: vinha chegando da rua com meus filhos – gêmeos de 10 anos –, chovia baldes, eu não conseguia achar as chaves e os bichos gritavam como se fôssemos assaltantes de banco. Segura o guarda-chuva! Cadê as chaves? Será que não podiam ao menos parar de latir um pouco, caramba? – Cala a boooooocaaaa! – gritei para ser ouvido em todo o bairro. Os cachorros emudeceram por dez segundos. Fez--se um silêncio profundo na Gávea. Os garotos me olhavam como se estivessem vendo alguém assim, inteiramente fora de si, pela primeira vez na vida. Eu mesmo não me reconhecia, mas, à primeira rosnada que se seguiu, resolvi ir em frente, impossível recuar: “Cala a booooocaaaa! Cala a boooocaaaaa!” Silêncio total. Os meninos estavam agora admirados: acho que jamais tinham visto aqueles bichos de boca fechada.


    Havia muito tempo que não entrava nem saía de casa sem que os cães dessem alarme de minha presença na rua. Tinha vivido uma época de separações, morte de gente muito querida, além de momentos de intensa felicidade, sempre com aqueles bichos latindo sem parar. De manhã, de tarde, de noite, de madrugada, manja pesadelo? “Seus cachorros são insuportáveis e, se vocês nada fizerem a respeito – estamos no Brasil, tudo é possível –, eu vou me embora, me mudo, sumo daqui...” – escrevi algo assim, mais resignado que irritado, o arquivo original sumiu do computador.


    Mas chegou aonde devia ou a vizinha não teria me dado aquele abraço comovido na noite em que abri a porta, surpreso com ela se anunciando no interfone, depois de meu chilique diante de casa. No dia seguinte chegou carta do marido dela: “Seu incômodo é o nosso, agravado pelo fato de sermos responsáveis por essas criaturas que adotamos não para funções policiais, mas por amor mesmo. Try a little bit harder, diz a canção, e é o que será feito. Desculpe os aborrecimentos. Agradeço sua paciência e educação”.  


    Desde então – há coisa de um mês, portanto –, meus vizinhos têm feito o possível para controlar o ímpeto de seus bichos, que já não me vigiam dia e noite, arrumaram para eles coisa decerto mais interessante a fazer no quintal. Quando o DNA de Rin-tin-tin ameaça se manifestar, são chamados à atenção e se calam. Às vezes não acredito que isso esteja realmente acontecendo neste mundo cão em que vivemos. Se não estou vendo coisas – o que também ocorre com certa frequência –, o ser humano talvez ainda tenha alguma chance de dar certo. Pense nisso!


(VASQUES, Tutty. In: Santos, Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem melhores

crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. Adaptado.)

Em “Você tem sido um vizinho muito compreensivo e eu ando muito relapsa na criação dos meus cachorros. Isso vai mudar!” (1º§), o termo destacado poderia ser substituído, sem causar alteração do sentido originalmente proposto, pelas seguintes palavras, EXCETO: 
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Q4086399 Português
Isso é muita sabedoria


    Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição.
    Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés.
    Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido.
    Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de mais nada fazer.


(Clarice Lispector. Viver em frases. 2012.)
Os sentimentos são sempre uma surpresa.” (3º§) O antônimo do termo evidenciado anteriormente é: 
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Q4086361 Português
As várias formas de violência contra o idoso


     A todo tempo assistimos a cenas de violência em nosso cotidiano: é uma grosseria desnecessária e sem qualquer explicação ou até mesmo uma briga de trânsito que acaba levando a óbito alguém que só pretendia chegar até o trabalho. E de tanto assistirmos à barbárie corremos o risco de começarmos a achar normal aquilo que de fato não o é.

  Não é novidade para ninguém que, a depender do grau de vulnerabilidade do idoso, sua fragilização física e cognitiva e prejuízo na capacidade de gerir a própria vida, os cuidados com essa população podem se tornar mais exigentes e o idoso necessite cada dia mais de outras pessoas a ajudarem na manutenção de suas atividades básicas da vida diária, porém em muitas situações isso não acontece, ficando o velho desguarnecido de cuidados básicos, como higiene, alimentação, medicação e até moradia.

   A violência contra o idoso não é assunto novo e é romântico imaginarmos que em tempos passados isto não ocorria. Sempre ocorreu; no entanto, somente a partir da década de 70 é que os maus-tratos contra os idosos mereceram algum destaque em pesquisas médicas e sociológicas. No Brasil, somente nos últimos trinta anos é que começamos a discutir com verdade a violência que os idosos sofrem, dentro e fora de casa.

   Foi por meio da assinatura de Tratados e Convenções Internacionais que o tema foi tomando corpo social e hoje já contamos com inúmeros instrumentos, tanto nacionais quanto internacionais para proteção da população idosa. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a violência contra o idoso ocorre por meio de ações ou omissões, que prejudicam a integridade física e emocional da pessoa idosa, impedindo o seu desenvolvimento social.

   O Estatuto do Idoso, seguindo os moldes da Organização Mundial de Saúde, considera violência contra o idoso qualquer ação ou omissão praticada em local público ou privado, que lhe acarrete a morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico. O mesmo documento considera a violência contra o idoso caso de notificação compulsória pelos serviços de saúde público ou privado, que deverá ser comunicado à autoridade policial, ao Ministério Público, ao Conselho Municipal do Idoso, ao Conselho Estadual do Idoso ou ao Conselho Nacional do Idoso.

    Estudos demonstram que a violência contra o idoso pode ser oriunda de diversos meios, que vão desde maus-tratos físicos, passando por abusos psicológicos, sexuais e financeiros, além de abandono, negligência e autonegligência. Os maus-tratos físicos vão desde os nada inocentes beliscões até mesmo surras, privação de comida, de higiene e de cuidados básicos do dia a dia, não deixando de mencionar os casos em que o idoso é levado a óbito em decorrência dos maus-tratos físicos ou negligência em oferecer-lhes o básico para a sua sobrevivência.

   Os abusos psicológicos, muitas vezes travestidos de simples xingamentos, podem trazer para o idoso um declínio de sua autoestima e da visão positiva que tem sobre a vida. Estudos demonstram que quanto menor a renda e maior o grau de dependência econômica e social possui o idoso, maiores são as chances de ele ser vítima dessa espécie de abuso. Novamente quem passou a vida na penúria é penalizado quando do seu envelhecimento.

   Ao contrário do que podem pensar os mais desavisados, os idosos não estão imunes a serem vítimas de abusos sexuais. Nesses casos, eles podem ser vítimas de violência física, verbal ou ameaças caso não cumpra o favor sexual solicitado pelo agressor. Um estudo nacional conduzido por Melo demonstrou que cerca de 1% dos idosos sofrem violência sexual e destes, 95% são mulheres.

    Uma outra espécie de violência ainda pouco estudada, mas que merece destaque, é a financeira. Não são poucos os idosos arrimos de família que veem seus salários servirem integralmente ao sustento do lar, faltando-lhes, inclusive, medicação de uso diário. Muitas vezes o salário do idoso é o único rendimento fixo daquele núcleo familiar e não é incomum que os familiares “administrem” integralmente seus ganhos, deixando pouca ou nenhuma margem para que os idosos deem a destinação que bem entenderem para o dinheiro.

    E, por fim, a pior espécie de violência que pode sofrer o idoso é aquela que acontece no seio de sua própria família, já que ali era o lugar no qual imaginamos idilicamente que estariam protegidos e abrigados dos males que a vida em sociedade pode trazer. O triste em tal realidade é que os casos de denúncia ainda são raros, seja por vergonha, por medo da exposição ou por temor de não ter com quem contar nos dias finais da vida: os idosos ainda se calam diante de familiares que usam da violência sua linguagem comunicativa.

   Não se tem dúvida dos males que a violência pode ocasionar para os idosos, que têm na vulnerabilidade sua condição existencial, cabe a nós, membros da sociedade que está em franco processo de envelhecimento, buscarmos por implantação de políticas públicas capazes de mitigar as causas da violência, criando meios e oportunidades para que as nossas sociedades possam ser, de fato, partilhadas entre jovens, adultos e velhos, com o reconhecimento recíproco uns dos outros.

    Lutar contra a violência em qualquer faixa etária é um compromisso de uma sociedade civilizada e lutar contra esta violência praticada contra os idosos é ainda mais necessário, não só pela vulnerabilidade desta população, mas também porque todos na sociedade envelhecerão e se este problema não for adequadamente abordado e solucionado, todas as pessoas correrão o risco de serem vítimas desta crueldade. Fazer mal a quem não tem como se defender, principalmente os mais fragilizados, não é uma atitude humana. Cuidemos de nossos idosos. Amanhã seremos nós que seremos os velhos.


(Juraciara Vieira Cardoso e José Milton Cardoso Junior, 11/07/2022. Disponível em: https://www.em.com.br/app/colunistas/vitalidade/2022/07/11/noticiavitalidade,1379359/as-varias-formas-de-violencia-contra-o-idoso.shtml. Acesso em: 07/2022. Adaptado.)
Considerando o contexto em que está inserida a expressão “a depender do grau de vulnerabilidade do idoso” (2º§) é possível substituí-la, sem que ocorra alteração semântica ou prejuízo gramatical, por: 
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Q4086162 Português
    A cultura é um fator determinante na frequência com que os desejos de retaliação se manifestam numa sociedade. O sentimento de vingança é controlado à medida que um país se desenvolve economicamente e suas instituições democráticas se tornam mais sólidas. “Com a melhora de indicadores sociais, econômicos e a conquista de estabilidade política das nações, as pessoas se tornam menos vingativas”, diz o economista turco Naci Mocan, autor de um estudo comparativo sobre o desejo de vingança em 53 países. O Brasil aparece em terceiro lugar entre as nações nas quais o sentimento de vingança é mais acentuado, atrás da Bielorrússia e da Bélgica. “Se o sistema jurídico funciona, as pessoas esperam que os conflitos terminem com a correção do mal que lhes foi causado”, disse o economista à Veja. Quando não funciona, a insatisfação com o sistema legal estimula os sentimentos de vingança e os indivíduos a buscar a resolução privada de seus conflitos. [...]
     Mas qual desses elementos da natureza humana – o desejo de vingança e a capacidade de perdoar – terá dado a maior contribuição na jornada do homem até os dias de hoje? Foi através da vontade de perdoar que a humanidade conseguiu interromper longas espirais de violência provocadas pela vingança. Como o ser humano está propenso a inevitavelmente cometer alguns erros durante sua vida, nada mais normal que ter um pouco de flexibilidade para lidar com eles.


(FAVARO, Thomaz. O dilema entre o perdão e a vingança. Especial. Veja. São Paulo: abril, Edição 2076, ano 41, nº 35; set. 2008. Fragmento.)
Acerca do efeito de sentido produzido pela expressão destacada em “O sentimento de vingança é controlado à medida que um país se desenvolve economicamente e suas instituições democráticas se tornam mais sólidas.” (1º§), pode-se afirmar que: 
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Q4086084 Português
Cancelar palavras para não cancelar pessoas



        Li um texto em defesa do uso da palavra “denegrir”, lançando mão de um tratado etimológico quase “iluminista” para dizer que o termo não tem uma origem racista. Não deixa de me espantar a quantidade de pessoas brancas que se dizem cansadas do “politicamente correto”, cansadas de ter de trocar de palavras e “se censurar”. Li os comentários com profundo espanto. Será que não entenderam que algumas palavras podem machucar uma quantidade imensa de pessoas? 


        Foi na sala de aula de Rita Segato que aprendi que “raça é signo”. Nessa frase que dá nome a um de seus mais importantes textos, ela responde a algumas perguntas contrárias às cotas raciais, sendo a primeira: “como é possível falar em cotas raciais se faz tempo já que a biologia e a antropologia aboliram a raça como uma categoria válida?”, ao que responde, com perplexidade, que “somente as representações sociais têm status existencial de realidade num universo plenamente simbólico como é o humano”.


        Trocando em miúdos, o fato de sabermos que as raças não existem biologicamente, que são uma mera questão de melanina não acaba com o racismo, e não acaba porque somos seres sociais, porque fomos socializados num mundo que escalona as cores da pele. Mesmo que as ciências tenham avançado e tenhamos descoberto que não há que se falar biologicamente em raças, a raça segue existindo. O racismo está no olhar que enquadra e deprecia, está também na insistência de palavras que machucam, está às vezes em lugares quase invisíveis que sustentam todo um arcabouço opressivo, assassinando pessoas diuturnamente, física e simbolicamente. 


       Mesmo que uma palavra tenha tido uma origem não racista, ou mesmo uma origem racista, eu diria que, independentemente da origem da palavra, é preciso fazer sua leitura hoje, no contexto atual, no mundo simbólico onde ela transita. Se ela machuca um grupo de pessoas, não há razão para insistir em seu uso.  


        Mas vamos combinar que substituir “denegrir” ou mesmo “judiar” não são tarefas atlânticas. A coisa boa das palavras é que há muitas, e sempre surgem novas palavras e modos de dizer. E não, isso não é um mero “cancelamento” de palavras. Ao contrário, insistir em palavras que agridem é insistir no “cancelamento” de pessoas. Militar pela abolição de palavras que machucam pessoas e grupos de pessoas é um ativismo importantíssimo e tampouco deve ser confundido com censura. Basta um pouco de bom senso, razoabilidade e sensibilidade. 


        Tem gente que ainda usa “o homem” para designar todos os seres humanos, a humanidade, achando irrelevante o seu caráter excludente para as mulheres, metade da população do país. Tem gente que insiste em usar a palavra “retardado”, esquecendo de seu poder ofensivo para pessoas com deficiência. Tem gente à beça que ainda não se deu conta da importância de modificarmos o nosso jeito de falar, de retificarmos nossos textos para “desgenerificar”, “desracializar”, etc., porque sem modificar a língua, essa graúda “ferramenta do senhor”, não vamos “derrubar a casa grande”, como diria a poeta Audre Lorde. 


        A língua está viva. A história e a etimologia nos mostram também que muitas palavras morreram e outras tantas nasceram, porque a língua é assim, não está morta e cimentada, e sobretudo, precisa estar aberta para que as palavras possam representar e traduzir a vida, seus processos, suas lutas e trans formações sociais. Querendo ou não, a língua é já uma metamorfose ambulante, como a vida. Querer estancá-la e mantê-la inflexível é destruí-la, não o contrário. 


        Em pleno século XXI faz sentido insistirmos em vocabulários e modos linguísticos excludentes, onde nem todes se sentem representades? E dizer, ainda, que a linguagem neutra é feia? Tem gente que acha feio porque não se acostumou. Feio é excluir, feio é insistir em palavras que ferem.


        Que a língua, essa metamorfose ambulante, possa, antes tarde do que mais tarde, abarcar todes que a usam. Encontremos formas de inventar novas palavras e tornar outras mais belas, como disse Drummond. Busquemos a ética na (est)ética de nossas palavras e textos. Confabulemos com urgência novas metáforas de claridade e escuridão, porque está tudo tão sufocantemente branco que a brancura queimou nossos neurônios. É preciso escurecer para perceber. Como disse Manoel de Barros, “às vezes ao poeta faz bem desexplicar – tanto quanto escurecer acende os vagalumes”.


(GONTIJO, Danú. Cancelar palavras para não cancelar pessoas. Jornal Nexo, 2022. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2022/Cancelar-palavras para-n%C3%A3o-cancelar-pessoas. Acesso em: 19/08/2022. Adaptado.) 
Atente para a passagem a seguir: “Busquemos a ética na (est)ética de nossas palavras e textos.” (9º§) Considerando o contexto, o emprego dos parênteses em “(est)ética” tem por propósito: 
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Q4086016 Português
TEXTO II

GERA, degenera

Gera
Degenera
Já era
Regenera
Gera

(ANTUNES, Arnaldo; SCANDURRA, Edgard. In: SCANDURRA, Edgard. Benzina. São Paulo: EMI, 1996. Disponível em: https://www.arnaldoantunes.com.br. Acesso em: 03 jul. 2022)
Considerando o título desse poema e o significado das expressões que o compõem, pode-se inferir que o tema dessa composição é:
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Q4085969 Português
O padeiro


      Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um locaute, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o quê do governo.

      Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
               — Não é ninguém, é o padeiro!
            Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
           “Então você não é ninguém?”
       Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém…
      Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.


(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro. Record. 1977. Adaptado.)
Considerando o fragmento “Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.” (7º§), a palavra “mágoa” significa:
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Q4085968 Português
O padeiro


      Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um locaute, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o quê do governo.

      Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
               — Não é ninguém, é o padeiro!
            Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
           “Então você não é ninguém?”
       Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém…
      Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.


(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro. Record. 1977. Adaptado.)
No trechoQuando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, (...)” (2º§), a expressão destacada pode ser substituída, sem mudança de sentido, por, EXCETO: 
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Q4085967 Português
O padeiro


      Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um locaute, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o quê do governo.

      Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
               — Não é ninguém, é o padeiro!
            Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
           “Então você não é ninguém?”
       Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém…
      Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.


(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro. Record. 1977. Adaptado.)
“Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento (...)” (1º§) O termo assinalado expressa ideia de:
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Q4085966 Português
O padeiro


      Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um locaute, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o quê do governo.

      Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
               — Não é ninguém, é o padeiro!
            Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
           “Então você não é ninguém?”
       Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém…
      Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.


(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro. Record. 1977. Adaptado.)
“— Não é ninguém, é o padeiro!” (3º§) A expressão destacada foi utilizada, nesse trecho, para mostrar que o padeiro se tratava de uma pessoa: 
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Q4085927 Português

O professor e o processo de constituição do leitor crítico



A leitura é uma ponte entre o conhecimento sistematizado e o mundo real.


(CATARINO, 2015.)



    Iniciamos esta apresentação com a citação de Catarino, na tentativa de valorar a leitura como forma de sistematização da percepção consciente da realidade, uma vez que o leitor, ao ler, imprime seu protagonismo, dando pessoalidade ao que lê, mesmo que não faça nenhum julgamento de valor.

    A leitura é um aspecto importante para o indivíduo leitor, daí as dificuldades com a prática de leitura serem das questões mais discutidas no âmbito escolar. O ensino da prática de leitura contribui para a formação de um leitor social e crítico, influenciando no processo de desenvolvimento e entendimento de mundo, pois abrange várias dimensões no processo educativo e ajuda na compreensão crítica, facilitando, assim, a prática diária de interação e de relacionamento com o outro. Por toda essa importância é que se faz fundamental que a escola dê a mesma importância à leitura que dá à gramática, à ortografia e a outros aspectos linguísticos.

    Ler ultrapassa ações meramente educativas; ler deve ser uma prática prazerosa, deleitosa, que produza significado e sentido para o aluno/leitor. Para tanto, na escola a leitura deve ter um propósito definido, um objetivo a ser alcançado, para que o aluno, a partir dessas atividades, possa ver o mundo à sua volta em sua magnitude, diferente, vislumbrando o futuro em seu protagonismo. Assim, para que a atividade de leitura em sala de aula tenha sucesso, faz-se relevante a utilização de um amplo universo textual, ou seja, diversos tipos de texto e situações diversificadas que veiculam socialmente.

    No cotidiano escolar, a leitura deve se desenvolver de forma crítica, ativa e criativa. No entanto, provocar no aluno o desejo pela leitura não é um papel tão simples [...].

    A leitura é indispensável para a vivência e a compreensão do mundo e da sociedade; mesmo assim, parece ser algo ao qual as pessoas não se habituam [...].

    A leitura é capaz de conectar diversos mundos e ideias e, uma vez amiudada e íntima, promove a criação de laços com o universo da escrita, facilitando o processo de alfabetização e os avanços de outras disciplinas, já que o livro didático é ainda o principal suporte para a aprendizagem na escola.


(SOARES, Maria Vilani; LIMA, Marília Pereira; MOURA, Rafael Ferro; CARVALHO, Cláudio Rêgo de; CARVALHO, Sângela Medeiros de Lima. O professor e o processo de constituição do leitor crítico. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 22, nº 39, 18 de outubro de 2022. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/22/39/o-professore-o-processo-de-constituicao-do-leitor-critico. Adaptado.)

Considerando os significados estabelecidos pelos vocábulos de acordo com o contexto apresentado, está correta a indicação feita em: 
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Q4085434 Português
Os desafios contemporâneos para educar crianças

    A pesquisa sobre percepções, opiniões, valores e atitudes da população brasileira a respeito das formas de educar e das práticas de maus-tratos e de violência contra crianças recentemente realizada pela Ipsos, a pedido de Fundação José Luiz Egydio Setubal e Instituto Galo da Manhã, ilumina uma temática urgente, de grande relevância pública. Precisamos não só de um maior número de pesquisas que abordem as questões e números de violências e maus-tratos contra crianças no Brasil, como também há uma necessidade de que essa temática ganhe maior centralidade no debate público no país. Enquanto sociedade democrática, não podemos aceitar que crianças e adolescentes tenham seus direitos básicos violados, o que ocorre ao sofrerem alguma forma de violência – seja ela física, psicológica ou sexual – ou negligência. Não podemos continuar a tolerar que a violência e o desrespeito aos direitos civis, característica estrutural da democracia no Brasil, também se perpetue nas relações cotidianas das crianças. A garantia dos direitos das crianças e adolescentes – tal como preconiza a Doutrina da Proteção Integral – é uma prioridade absoluta, sendo responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. 
    Em um primeiro momento, a pesquisa buscou identificar quais são os entendimentos compartilhados pela população brasileira sobre infância e adolescência. A maior parte dos entrevistados afirmaram que o término da infância está temporalmente associado aos 14 anos de idade, enquanto a adolescência se inicia nos 15 e se encerra aos 18 anos. Para a população, as demarcações da infância são as mesmas para meninas e meninos. Já no que diz respeito às principais atividades a serem realizadas na infância, uma esmagadora maioria de respondentes (mais de 90%) considerou que estudar, praticar esportes e atividades de lazer, como também auxiliar em tarefas do lar, devem ser as atividades principais desempenhadas por crianças.
    Contudo, embora o Brasil tenha um legado constitucional e de programas sociais com mais de três décadas de proibição e combate ao trabalho infantil, persiste no país uma grande aceitação de uma iniciação laboral precoce. Cerca de 46% dos entrevistados consideram certo que crianças ou adolescentes tenham um trabalho de meio período fora de casa. Quando exploramos as justificativas para essa aceitação, em se tratando especificamente de crianças (que segundo os próprios entrevistados seriam menores de 14 anos), espantosamente o argumento com maior adesão é aquele que aponta o trabalho como estratégia conveniente para ocupar o tempo ocioso, evitando que crianças fiquem na rua (esta é considerada uma razão aceitável para o trabalho infantil por 46% dos entrevistados), pretexto que supera largamente as justificativas econômicas, como a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar (considerada aceitável por aproximadamente 26% dos entrevistados). Essas respostas nos permitem identificar a existência de uma concepção cultural, entre os brasileiros, do trabalho como uma atividade disciplinadora, que tem uma função importante no processo de formação, que prepara para a vida adulta ao mesmo tempo em que previne a delinquência. Esta forte narrativa ignora os riscos do trabalho precoce para o desenvolvimento físico e educacional das crianças, não protegendo, mas aumentando sua vulnerabilidade a violações. Em se tratando de adolescentes, o apoio a atividades laborais é massivo, seja em razão de escolha pessoal (considerado aceitável por 89% dos entrevistados), para não ficar na rua (84%) ou para ajudar na renda da família (83%). É evidente que para a maior parte dos brasileiros o trabalho na adolescência é menos um problema e mais uma solução.
    Quando passamos para as formas de educar, a maioria dos entrevistados se manifesta favorável a um modelo de educação mais baseado no diálogo do que no castigo, com pouco apoio à punição corporal. Um achado, que expressa a existência de atitudes congruentes à Doutrina da Proteção Integral, diz respeito à que grande maioria da população não compactua com formas de educação distintas para meninos e para meninas. Cerca de 60% dos entrevistados defendem a educação de crianças baseada principalmente no diálogo, sejam elas meninos ou meninas. Esta adesão se traduz em uma grande discordância com a aplicação de castigos corporais (entre 70% e 80% da amostra rejeitam totalmente ou em parte bater com objetos, beliscar ou dar tapas), humilhação e agressão verbal (92% rejeitam), ameaças (70% rejeitam), negligência e violência psicológica (86% rejeitam). Em um primeiro olhar, essas percepções, opiniões e atitudes estão difundidas no país, não diferindo significativamente por região geográfica.
    Entretanto, embora a violência em si seja rejeitada, ainda vigora entre a população uma concepção de educação tradicional baseada na manutenção de uma forte hierarquia dentro das famílias, de forma que uma boa criação deve se pautar pela disciplina, obediência, ausência de questionamento, reconhecimento da importância de castigos e um certo receio de conceder liberdades e autonomia aos filhos, o que fica manifesto na ampla concordância dos entrevistados com frases como “crianças sempre devem obedecer, sem questionar os mais velhos” (mais de 81% concorda totalmente ou em parte) e “melhor bater hoje do que o filho virar um bandido” (mais de 62% concorda totalmente ou em parte). Mais do que isso, os entrevistados reconhecem que parte significativa da população faz uso de violências psicológicas e mesmo físicas, como modo de educar. No entanto, 63% da população afirma que não reagiria ao presenciar cenas de maus-tratos contra uma criança em uma rua.
    Iniciativas que alterem a nossa tolerância e aceitação do uso de violências como forma de educar é um grande desafio contemporâneo, que precisa ser enfrentado com urgência. A garantia de direitos de crianças e adolescentes precisa ser a prioridade absoluta se desejamos assegurar que todos em nossa sociedade vivam vidas que mereçam ser vividas.

(NATAL, Ariadne; VASSELAI, Fabricio; LUCCA-SILVEIRA, Marcos de; OLIVEIRA, Thiago. Os desafios contemporâneos para educar crianças. Nexo Jornal, 2021. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ ensaio/debate/2021/Os-desafios-contempor%C3%A2neos-para-educarcrian%C3%A7as Acesso em: 12/11/22. Adaptado.)
Selecione a alternativa em que o sinônimo apresentado entre parênteses para o termo destacado está adequado, considerando seu emprego no texto.
Alternativas
Q4085355 Português
O jeito mineiro e a arte de se relacionar

“Minas Gerais é o único estado brasileiro a figurar entre as dez regiões mais acolhedoras do planeta segundo o 1444444 de uma premiação realizada por uma respeitada plataforma de reservas online, divulgado em janeiro de 2021. O reconhecimento internacional reforça a famosa ______________ mineira que tem a ver, claro, com o jeito único de ser do povo das Gerais, que carrega consigo um talento natural para lidar e conviver com as pessoas. Simpático, extrovertido, ______________ e sempre disposto a ouvir o outro, o mineiro, por natureza, é um verdadeiro especialista na arte de se relacionar.”
(Disponível em: https://g1.globo.com/mg/minasgerais/especial publicitario/bem-viver-em-minas/noticia/2021/01/29/ o-jeito-mineiro-e-a-arte-de-se-relacionar.ghtml.)

Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior.
Alternativas
Q4082385 Português

Leia:


“O câncer do colo do útero é o terceiro mais frequente entre as brasileiras, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no país. Segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer, disponibilizado pelo SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade), em 2019, foram 6.596 vítimas fatais de uma doença que, na maioria dos casos, é evitável com exame de rastreamento e uma medida simples e acessível: a vacina contra o HPV.”


Fonte: https://drauziovarella.uol.com.br/coluna-2/desinformacao-gera-baixa-adesaoa-vacinacao-contra-o-hpv-coluna/

No trecho “Segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer, disponibilizado pelo SIM”, qual das palavras abaixo pode substituir a destacada sem alterar o entendimento? 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: IF-BA Provas: FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Administração | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Eletromecânica | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Engenheria de Alimentos | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Enfermagem | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Ciência da Computação | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Comunicação | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Desenho Técnico | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Educação Física | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Engenharia Civil | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Engenharia de Minas | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Engenharia Elétrica | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Engenharia Mecânica | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Libras | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Engenharia Sanitária e Ambiental | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Língua Estrangeira Moderna - Espanhol | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Língua Estrangeira Moderna - Inglês | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Língua Portuguesa | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Pedagogia | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Petróleo e Gás Natural | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Matemática | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Química | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Radiologia | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Turismo | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Zootecnia | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Filosofia | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Física | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Arquitetura e Urbanismo - | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Geologia | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - História | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Artes | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Atendimento Educacional Especializado | FCM - 2022 - IF-BA - Professor PEBTT - Biologia |
Q4081199 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.

Criança diz cada uma!

Arnaldo Niskier*

Num país de memória curta, temos o dever de reavivar o nosso patrimônio cultural, não deixando que as nossas raízes históricas esmoreçam. Nesse contexto, trazer à tona a trajetória de personalidades de grande sucesso tem um significado extremamente relevante.

Tive o privilégio do convívio com um dos maiores dramaturgos da segunda metade do século 20. Meu compadre Pedro Bloch (1914-2004), padrinho do meu filho Celso, foi também um nome de grande importância na medicina, como um dos melhores foniatras do seu tempo.

Atualmente, muito se preconiza quanto à humanização da saúde. O legado de Pedro Bloch não pode figurar fora desses ensinamentos. Além de ele próprio ouvir os pacientes miúdos, recolhendo matéria-prima para seus estudos e textos, dava voz à meninada, reproduzindo suas histórias. Assim, amplificou o contato revelador que ele anotava através dessa peculiar percepção do mundo.

Não foram poucas as vezes que eu o ouvi declarar o quanto gostava de ser reconhecido como “o homem que conta historinhas de criança”: “O mundo infantil é mistério, poesia, suspense e humor. [...] Seria de desejar que todos os pais guardassem as frases mais expressivas dos filhos, como verdadeiros tesouros. Mas o que ocorre, normalmente, é que se conserva um flagrante fotográfico inexpressivo ou uma botinha, um boneco, uma mecha de cabelo. Quase nunca percebem que o que a criança diz, em suas diferentes fases, são pedacinhos de alma dessa criança”, afirmava com sabedoria.

Bloch manteve uma seção humorística, contando historinhas de criança, nas revistas Manchete e Pais & Filhos, que depois transformou em livros, com os seus anedotários infantis. Fundador da Federação Brasileira de Otorrinolaringologia (precursora da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia), atendia, principalmente, crianças, de onde tirou inspiração para os seus mais de cem livros, a maioria infantojuvenis. Fundou o Grêmio Científico e Literário e colaborou para diversos jornais e revistas escolares.

Foi extremamente inovador, para a época. Delineava-se, com imensa e efetiva contribuição do trabalho de Bloch, o esboço de uma nova definição de criança que se percebeu no Brasil, especialmente a partir do final da década de 1960.

Destaca-se, na fala desse grande médico, jornalista, dramaturgo e escritor, uma linha de pensamento que percebe e considera a criança não apenas como receptora de estímulos culturais disponibilizados pelos adultos, mas também como produtora libertária de significados.

No teatro, seu grande sucesso foi “As Mãos de Eurídice”, que estreou em 13 de maio de 1950, com Rodolfo Mayer no papel do homem que retorna à sua antiga casa, depois de perder o dinheiro e a amante. O monólogo teve sucesso imediato e logo passou a ser apresentado pelos teatros do Brasil e do mundo. Encenada mais de 60 mil vezes em cerca de 45 países, a peça fez de Bloch o dramaturgo brasileiro mais traduzido e representado no exterior.

Folha de São Paulo, Tendências/Debates, 28 ago. 2021, p. A 3. Adaptado. * Doutor em educação, é professor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Com base no quarto parágrafo do texto, avalie o que se afirma sobre seus aspectos gramaticais, semânticos e estilísticos.

“Não foram poucas as vezes que eu o ouvi declarar o quanto gostava de ser reconhecido como 'o homem que conta historinhas de criança':

'O mundo infantil é mistério, poesia, suspense e humor. [...] Seria de desejar que todos os pais guardassem as frases mais expressivas dos filhos, como verdadeiros tesouros. Mas o que ocorre, normalmente, é que se conserva um flagrante fotográfico inexpressivo ou uma botinha, um boneco, uma mecha de cabelo. Quase nunca percebem que o que a criança diz, em suas diferentes fases, são pedacinhos de alma dessa criança', afirmava com sabedoria.”

I – Na frase “Seria de desejar que todos os pais guardassem as frases mais expressivas dos filhos, como verdadeiros tesouros.”, a expressão grifada retoma a ideia explicitada no antecedente “dos filhos”.

II – Na oração “Não foram poucas as vezes que eu o ouvi declarar o quanto gostava de ser reconhecido como 'o homem que conta historinhas de criança'”, predomina o registro formal, sem a presença de coloquialismos.

III – No período “O mundo infantil é mistério, poesia, suspense e humor”, o autor destaca semelhanças, características e traços comuns entre o universo da criança e outras esferas, visando a um efeito expressivo.

IV – Em “é que se conserva um flagrante fotográfico inexpressivo ou uma botinha, um boneco, uma mecha de cabelo.”, o termo destacado é polissêmico, ou seja, se usado em outros contextos, terá novos sentidos.

V – Em todo o parágrafo, a função fática da linguagem está marcada pelo emprego dos verbos no modo imperativo e por uso de vocativos, pois o emissor deseja chamar a atenção do receptor para que seja mantida a comunicação.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q4080317 Português
Analise o fragmento a seguir: "Ana tem muita cara de pau de conversar comigo depois de termos rompido nossa amizade."
A expressão "cara de pau" indica que:
Alternativas
Q4080071 Português

A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.



Dona Colô


Manuela Cantuária*



Tamanho o desespero da neta quando encontra a avó, no auge de seus 82 anos, no alto de uma escada, buscando uma caixa no armário. As duas haviam acabado de chegar de uma consulta médica com uma bomba-relógio dentro de um envelope. O diagnóstico de Alzheimer de Colotildes de Jesus.


A neta oferece ajuda, mas a avó insiste que ainda sabe se virar sozinha. Abre a caixa com um vestido de noiva embolorado. Sob o olhar desconfiado da jovem de 20 e poucos anos, rasga o vestido num rompante. Meu casamento foi o dia mais feliz da minha vida, diz Dona Colô.


Dona Colô gostava de costurar. Costurou seu vestido de noiva por meses. E agora o transformava em retalhos para fazer uma colcha. Uma colcha de memórias que ela decidiu costurar para não esquecer de si mesma.


O segundo dia mais feliz da vida de Colotildes foi quando enterrou seu marido. Ele morreu rápido. E se viu, finalmente, livre. Usou sua toalha de mesa favorita para receber seus familiares, com uma estampa de passarinhos. Mais um retalho, enquadrando a mancha de vinho deixada por sua cunhada, que, segundo ela, também era um pudim de cachaça, mas boa gente.


Os primeiros desenhos da neta também viraram retalhos alegres. Ela, apesar de jovem, já despontava como artista plástica, o que era um grande motivo de orgulho para sua avó, dona de casa.


A cortina do quarto agora tinha um buraco em forma de retalho. O vestido do batizado de um bebê despedaçado sobre a mesa. Fantasias de Carnaval, panos de prato com os dias da semana bordados, a bandeira do Bangu Atlético Clube.


A neta desabotoa sua camisa xadrez preferida para que sua avó meta-lhe a tesoura. O som da máquina de costura se tornou a sua música favorita. A trilha sonora de uma vida inteira.


O tempo era marcado pela mesma pergunta: você viu minha agulha? A neta escutava pensativa. E, pacientemente, ajudava Colotildes a recuperar o inquieto fio da meada. Até que veio a noite escura, e ela pode cobrir sua avó de memórias.



* Roteirista e escritora, faz parte da equipe do canal Porta dos Fundos. Folha de São Paulo, 16 maio 2022. Adaptado.

Na frase “Sob o olhar desconfiado da jovem de 20 e poucos anos, rasga o vestido num rompante.”, o termo em destaque, sem prejuízo para o sentido, pode ser substituído por
Alternativas
Q4080023 Português
É preciso ter atenção ao fazer uma substituição de expressões sinônimas porque conforme a aplicação e o contexto as palavras podem assumir diferentes sentidos e podem alterar a frase. Com base nessa abordagem, assinale a frase em que o termo destacado NÃO corresponde a um sinônimo das demais palavras também em destaque.
Alternativas
Q4079663 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.


33 milhões de pessoas passam fome no Brasil atualmente, aponta pesquisa.


O ano de 2022 marca o retrocesso da segurança alimentar no Brasil ao mesmo patamar de fome de quase 30 anos atrás.

Atualmente, 33 milhões de pessoas passam fome no país, segundo resultado de uma nova pesquisa sobre o tema divulgada nesta quarta (8). Em 1993, eram 32 milhões de pessoas nessa situação, segundo dados semelhantes do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) — a população brasileira então era 35% menor que a de hoje.

Naquele ano, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou a Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, a primeira grande campanha nacional da sociedade civil sobre o assunto.

“A gente regrediu literalmente 30 anos na luta contra a fome, o que nos assusta muito”, diz o atual diretor-executivo da Ação da Cidadania, Kiko Afonso. “Mas o sentimento de indignação da sociedade brasileira hoje diante da fome de 33 milhões de brasileiros está muito aquém da indignação de 1993, diante da fome de 32 milhões. Estamos inertes como sociedade.”

[...]

A pesquisa mostrou que 6 a cada 10 brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar. São 125,2 milhões de pessoas nesta situação, o que representa um aumento de 7,2% desde 2020 e de 60% na comparação com 2018.

[...]

“Temos desigualdades históricas do país que nunca foram resolvidas: rural e urbana, homem e mulher, brancos e negros. E essas desigualdades se reproduzem na questão da fome”, explica a médica sanitarista Ana Maria Segall, professora aposentada da Unicamp e pesquisadora da Rede Penssan. 
De acordo com o texto, a expressão “insegurança alimentar”, refere-se
Alternativas
Q4078979 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.

Cachorros!

Luís Fernando Veríssimo

Paris é tão bonita que você anda na rua olhando para todos os lados menos para onde pisa. Os cachorros de Paris vão a toda parte com seus donos, comem nos mesmos restaurantes, participam ativamente da sua vida social, frequentam vernissages e palestras, mas o convívio civilizado não afetou seus hábitos de higiene, que continuam iguais aos de cachorros de todo o mundo.

Há, provavelmente, mais cachorros por habitantes em Paris do que em qualquer grande cidade do mundo. O resultado desta combinação de fatores é que seu deslumbramento com Paris é constantemente interrompido pela sensação deslizante de ter pisado numa das características menos atraentes, e mais comuns, das suas calçadas. Você está admirando a fachada de uma igreja antiga e - iush - passa, em segundos, do barroco ao rococô.

[...]

Quando vejo um cachorro na rua tento adivinhar, pelo tamanho ou a sua cara, que peças no caminho eram da sua autoria. Elas rivalizam, na variedade de dimensões e configurações, com os doces expostos nas vitrines das "patisseries". Imagino que cada cachorro tenha, por assim dizer, a sua assinatura, o seu estilo de sujar as calçadas, e noto em muitas das suas obras aquela arrogância no acabamento de quem desdenha a crítica e não teme a retribuição. Preciso me controlar para não gritar "Salaud!" na cara deles. E sair correndo antes que o dono me pegue, claro.
Os termos “assinatura”, “estilo”, “obras”, usados no texto estabelecem um paralelo entre os cocôs dos cachorros com:
Alternativas
Respostas
4841: D
4842: D
4843: B
4844: B
4845: C
4846: B
4847: D
4848: C
4849: D
4850: D
4851: A
4852: B
4853: D
4854: B
4855: D
4856: D
4857: A
4858: B
4859: B
4860: A