Questões de Concurso Sobre regência em português

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Q4408628 Português
Fiscalização

O Sistema Confea/Crea tem como missão a fiscalização da prestação de serviços técnicos e a execução de obras relacionados à Engenharia e à Agronomia, com a participação de profissional habilitado.

O Confea zela pelos interesses sociais e humanos de toda a sociedade e, com base nisso, regulamenta o exercício profissional por instrumentos administrativos normativos. Enquanto Conselho Federal, é a instância superior da fiscalização, tendo como atribuição julgar em última instância os recursos sobre registros, decisões e penalidades impostas pelos Conselhos Regionais. 

Já o ato de verificação e fiscalização das atividades e das profissões reguladas pela Lei nº 5.194/1966 é de competência dos Creas. Para cumprir essa função, os Regionais designam funcionários, denominados agentes fiscais, com atribuições para lavrar autos de infração em conformidade com as disposições da lei. Os Creas, visando à maior eficiência da fiscalização, possuem ainda a prerrogativa de criar câmaras especializadas por grupo ou modalidade profissional.

O objetivo da fiscalização é verificar o exercício e as atividades das profissões reguladas pela Lei nº 5.194/1966, nos seus níveis superior e médio, de forma a assegurar a prestação de serviços técnicos ou a execução de obras com a participação de profissional habilitado e em observância aos princípios éticos, econômicos, tecnológicos e ambientais compatíveis com as necessidades da sociedade. 
A frase abaixo, construída a partir do universo do Texto, exige decisões simultâneas de regência com crase, concordância nominal e colocação pronominal. Analise a afirmativa abaixo.
As obras vistoriadas obedecem ________ exigências previstas no alvará; as pranchas do projeto seguem ________ ao processo, e ________ irregularidades nos canteiros inspecionados.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas. 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FSA Órgão: FSA-SP Prova: FSA - 2026 - FSA-SP - Eletricista |
Q4408114 Português
Assinale a alternativa em que o emprego da regência verbal/nominal e do sinal indicativo de crase está em TOTAL conformidade com a norma-padrão:
Alternativas
Q4407130 Português
Assinale a alternativa cuja expressão destacada apresenta emprego correto, de acordo com a regência exigida na sentença.
Alternativas
Q4405159 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Ei, Ardoca

    O barulhar seco e cortante do trem irritava os ouvidos de Ardoca. O atrito da máquina nos trilhos ecoava constantemente no fundo de seus tímpanos. Aos domingos, dentro de casa, no silêncio da mulher, nas vozes e brincadeiras dos filhos, ele ouvia o grito arranhado do aço espichado sobre o solo. Grito lancinante e cortante debaixo do comboio pesadão que parecia massacrar a linha férrea inerte. Ardoca nascera quase que dentro daquela máquina. Sua mãe, moradora do subúrbio, fazia a viagem diária rumo ao trabalho. Ela grávida, ele estufando na barriga materna respondia aos solavancos do trem com chutes internos. Depois, cá fora, no mundo, no colo da mãe, acordava e chorava durante todo o tempo da viagem. Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados. Assistiu inúmeras vezes, como testemunha cega e muda, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados. Acada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem. Queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado. Estava sempre atento, tenso, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir, se autoembarafunhar, fazendo com que o último vagão se fechasse em círculo sobre o primeiro e soltasse tudo pelos ares.
    E foi então, que em uma tarde, Ardoca caminhou com passos lentos em direção à estação. Era sábado. O movimento menor de passageiros não garantiu porém a possibilidade de um lugar vazio. Ele se sentia cansado por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida. Entrou na fila para a compra do bilhete. O funcionário deu-lhe o troco. Ardoca com um gesto recusou. Olhou o trem, a composição pareceu-lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou-se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão. Algumas pessoas riram. Alguém gritou que o homem estava bêbado. Outro completou a observação dizendo que o dinheiro do pobre não dava para o alimento, mas dava para a cachaça. O trem continuava parado, mas a barulheira sobre os trilhos alcançava e feria os ouvidos de Ardoca. Ele sorria um pouco. Um suor frio escorria sobre a sua face. Um grupo de crentes cantava olhando para ele como se quisesse comovê-lo. Aleluiavam aos altos brados um Senhor que, segundo eles, falava em silêncio aos homens. Ardoca abandonava o corpo, que pendia lentamente para um lado. O passageiro do banco próximo encolheu o pé. Um camelô que vendia água pulou por cima dele para atender uma pessoa. Ardoca respirava com dificuldade, debaixo do negro de sua pele, um tom amarelo desbotado aparecia. Uma mulher levantou, comprou um copo d'água e deu-lhe de beber, tentando reanimá-lo. Os crentes continuavam bradando o hino. O vendedor de água, buscando um espaço para fazer valer a sua fala, anunciava o seu produto em altíssima voz. O trem parado continuava mortificando os ouvidos fragilizados de Ardoca. Enquanto isso, sua vida ia se aprofudando mais e mais no dissentir de tudo. Ele buscava a respiração lá no fundo. A mulher que lhe socorreu parecia querer chorar. Neste momento entrou no vagão um passageiro correndo e gritando. Desesperado, empurrou as pessoas buscando passagem em direção ao rapaz desfalecido, chamando por ele
     — Ei, Ardoca! Ei, Ardoca!
    Rapidamente o tomou no colo, desceu do trem e o depositou no banco da estação. Acomposição iniciou lentamente a partida. Cá de dentro, a mulher que se condoera de Ardoca e alguns outros passageiros ainda puderam ver. Aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado. A mulher fez menção de descer, mas a máquina ganhou velocidade e partiu. Não era preciso porém nem dor, nem lágrimas. O outro podia levar os poucos pertences de Ardoca. Podia tomar-lhe tudo. Ardoca não tinha mais nada, nem a vida. Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvera tudo. Num gesto desesperado e solitário bebera lentamente um veneno e decidira levantar para morrer no trem. O outro levava os pertences de alguém que já despertencia à vida e jazia no banco da estação.
     O barulho da máquina sobre os trilhos entoava uma música réquiem de descanso eterno para Ardoca. Amém.

Fonte:Evaristo, Conceição. Olhos d'água. 1. ed. – Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 
Analise a veracidade das proposições a respeito das três estruturas oracionais expostas na sequência.
i. “[...] Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra -empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, [...].”
ii. “[...] A cada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem [...]”
iii. “[...] Olhou o trem, a composição pareceu -lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou -se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão.”

I- O uso da locução prepositiva “em meio a”, em (i), favoreceu o fenômeno da crase em “às rezas” e às vozes...” na primeira frase. Uma estrutura alternativa seria: “Cresceu no meio dos solavancos, das rezas, e das vozes dos bêbados, [...].
II- O verbo “desacostumar”, como empregado em (ii), é transitivo indireto. Esse verbo também tem uso como transitivo indireto pronominal, de modo que a frase resultante seria: “[...] Ardoca mais estranhava e se desacostumava da vida do trem.”
III- O verbo “encostar-se”, transitivo direto e indireto pronominal, se constrói com complemento locativo. Assim, em (iii), há um desvio gramatical, pois, segundo a norma padrão, a única estrutura aceita seria: “[...] encostou-se na parede do vagão e ... foi escorregando o corpo até chegar ao chão.”
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q4405157 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

Ei, Ardoca

    O barulhar seco e cortante do trem irritava os ouvidos de Ardoca. O atrito da máquina nos trilhos ecoava constantemente no fundo de seus tímpanos. Aos domingos, dentro de casa, no silêncio da mulher, nas vozes e brincadeiras dos filhos, ele ouvia o grito arranhado do aço espichado sobre o solo. Grito lancinante e cortante debaixo do comboio pesadão que parecia massacrar a linha férrea inerte. Ardoca nascera quase que dentro daquela máquina. Sua mãe, moradora do subúrbio, fazia a viagem diária rumo ao trabalho. Ela grávida, ele estufando na barriga materna respondia aos solavancos do trem com chutes internos. Depois, cá fora, no mundo, no colo da mãe, acordava e chorava durante todo o tempo da viagem. Cresceu em meio aos solavancos, ao empurra-empurra, aos gritos dos camelôs, às rezas dos crentes, às vozes dos bêbados, aos lamentos e cochilos dos trabalhadores e trabalhadoras cansados. Assistiu inúmeras vezes, como testemunha cega e muda, a assaltos, assassinatos, tráfico e uso de droga nos vagões superlotados. Acada viagem, Ardoca mais estranhava e desacostumava à vida do trem. Queria viajar com o mesmo descuido de alguns que jogavam porrinha ou dormiam durante o percurso, mas permanecia sempre desesperadamente acordado. Estava sempre atento, tenso, como se o trem, a qualquer momento, pudesse autocolidir, se autoembarafunhar, fazendo com que o último vagão se fechasse em círculo sobre o primeiro e soltasse tudo pelos ares.
    E foi então, que em uma tarde, Ardoca caminhou com passos lentos em direção à estação. Era sábado. O movimento menor de passageiros não garantiu porém a possibilidade de um lugar vazio. Ele se sentia cansado por todos os dias, todos os trabalhos, e por toda a vida. Entrou na fila para a compra do bilhete. O funcionário deu-lhe o troco. Ardoca com um gesto recusou. Olhou o trem, a composição pareceu-lhe mais longa ainda. Subiu com dificuldades, encostou-se à parede do vagão e depois lentamente foi escorregando o corpo até chegar ao chão. Algumas pessoas riram. Alguém gritou que o homem estava bêbado. Outro completou a observação dizendo que o dinheiro do pobre não dava para o alimento, mas dava para a cachaça. O trem continuava parado, mas a barulheira sobre os trilhos alcançava e feria os ouvidos de Ardoca. Ele sorria um pouco. Um suor frio escorria sobre a sua face. Um grupo de crentes cantava olhando para ele como se quisesse comovê-lo. Aleluiavam aos altos brados um Senhor que, segundo eles, falava em silêncio aos homens. Ardoca abandonava o corpo, que pendia lentamente para um lado. O passageiro do banco próximo encolheu o pé. Um camelô que vendia água pulou por cima dele para atender uma pessoa. Ardoca respirava com dificuldade, debaixo do negro de sua pele, um tom amarelo desbotado aparecia. Uma mulher levantou, comprou um copo d'água e deu-lhe de beber, tentando reanimá-lo. Os crentes continuavam bradando o hino. O vendedor de água, buscando um espaço para fazer valer a sua fala, anunciava o seu produto em altíssima voz. O trem parado continuava mortificando os ouvidos fragilizados de Ardoca. Enquanto isso, sua vida ia se aprofudando mais e mais no dissentir de tudo. Ele buscava a respiração lá no fundo. A mulher que lhe socorreu parecia querer chorar. Neste momento entrou no vagão um passageiro correndo e gritando. Desesperado, empurrou as pessoas buscando passagem em direção ao rapaz desfalecido, chamando por ele
     — Ei, Ardoca! Ei, Ardoca!
    Rapidamente o tomou no colo, desceu do trem e o depositou no banco da estação. Acomposição iniciou lentamente a partida. Cá de dentro, a mulher que se condoera de Ardoca e alguns outros passageiros ainda puderam ver. Aquele que o socorrera estava a meter a mão nos bolsos de Ardoca e a arrancar-lhe os sapatos e o relógio que ele trazia no pulso. Ardoca estava sendo assaltado. A mulher fez menção de descer, mas a máquina ganhou velocidade e partiu. Não era preciso porém nem dor, nem lágrimas. O outro podia levar os poucos pertences de Ardoca. Podia tomar-lhe tudo. Ardoca não tinha mais nada, nem a vida. Naquela tarde, ainda no trabalho ele resolvera tudo. Num gesto desesperado e solitário bebera lentamente um veneno e decidira levantar para morrer no trem. O outro levava os pertences de alguém que já despertencia à vida e jazia no banco da estação.
     O barulho da máquina sobre os trilhos entoava uma música réquiem de descanso eterno para Ardoca. Amém.

Fonte:Evaristo, Conceição. Olhos d'água. 1. ed. – Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 
Indique em qual das frases elencadas a seguir o pronome LHE é usado no lugar de outro, contrariando o que determina a norma padrão no que tange à regência verbal. 
Alternativas
Q4404224 Português
Leia o Texto I e responda à questão.

Texto I

Carl Jung, psicólogo: ‘A solidão não vem da falta de pessoas ao nosso redor, mas da incapacidade de nos comunicarmos’

    A psicologia está cada vez mais empenhada em explicar aquilo que nos cerca, dentro da sociedade atual. Diante do comportamento das gerações atuais, temas como ansiedade, depressão, e até mesmo o isolamento, têm sido muito debatidos entre diversos especialistas.
    Um deles foi o psicólogo suíço Carl Jung, personalidade de suma importância para a psicanálise. Ele trouxe à tona diversos ensinamentos a respeito do isolamento emocional, frequente entre o público mais velho, ou para aquelas pessoas que gostam de guardar tudo para si.
    Segundo o especialista, a verdadeira solidão não vem da falta de pessoas ao nosso redor, mas da incapacidade de nos comunicarmos em nossa verdadeira essência, quando estamos com elas. Um grande exemplo da teledramaturgia foi a personagem de Nina/Rita (Débora Falabella).
    Mesmo cercada de pessoas na mansão de Tufão (Murilo Benício), ela vivia isolada emocionalmente, guardando tudo para si e arquitetando sua ardilosa vingança contra Carminha (Adriana Esteves), de forma estratégica em “Avenida Brasil”.
    Por que guardamos silêncio sobre o que sentimos?
    Uma das expressões mais conhecidas de Jung diz respeito em como nos relacionamos, uns com os outros. Muitas vezes, essa relação pode não parecer estar muito saudável: “A solidão não vem da falta de pessoas, mas da incapacidade de nos comunicarmos, ou revelarmos opiniões que os outros não aceitariam”, disse ele.
    Dessa maneira, ainda que tenhamos diversos colegas ao nosso redor, seja no trabalho, seja até mesmo em uma reunião de amigos, vamos nos sentir sozinhos e desamparados, ainda mais se tivermos escondendo o que pensamos ou os nossos sentimentos.
    Atualmente, com o mundo conectado às redes sociais, estamos compartilhando postagens superficiais, já que existe aquele receio “do que os outros vão pensar”. Segundo o psiquiatra, para ser verdadeiro com alguém, é necessário remover os “filtros”, sentindo-se aceito na sociedade.
    Até hoje, algumas expressões famosas do nosso vocabulário, como “extrovertido” e “introvertido”, se tornaram populares a partir dos estudos de Jung. Em seus estudos, ele tentou mergulhar profundamente nos sentimentos e emoções de cada indivíduo, tentando entender o motivo pelo qual temos reações tão diversas.
    O que se passa em nossa mente?
    De acordo com a biografia de Carl Jung, focada na psicologia analítica, o estudioso sempre buscou sair de sua zona de conforto, tentando entender realmente o complexo da mente humana. Após sua formação em Medicina (1900), e partiu rumo à Psiquiatria.
     Jung chegou a transcorrer sobre uma linha de raciocínio que envolvia fenômenos ocultos, escrevendo sobre o tema em sua tese de Doutorado. Essa prática também ficou conhecida como a psicologia do paranormal, que iria além da ciência.
    Além de juntar-se à Associação Psicanalítica Internacional (IPA) em 1911, suas ideias ainda causam grande impacto nos estudos psicológicos da modernidade.

Fonte: MSN. Carl Jung: “A solidão não vem da falta de pessoas ao nosso redor, mas da incapacidade de nos comunicarmos”. Disponível em: https://www.msn.com/ptbr/saude/medicina/carl-jung-psic%C3%B3logo-a-solid%C3%A3o-n%C3%A3o-vem-da-falta-de-pessoas-ao-nosso-redor-mas-da-incapacidade-de-nos-comunicarmos/ar-AA1ZJSNh. Acesso em: 20 abr. 2026. 
Observe o emprego da crase no fragmento “com o mundo conectado às redes sociais, estamos compartilhando postagens superficiais” (8º parágrafo) e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4403364 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Nazinha

No meio da noite comum do jornal um colega de redação perguntou-me:

– Quinze anos – é menina ou senhorita?

Estava redigindo uma nota social e me propunha esse problema simples.

– Senhorita.

Ele ficou meio em dúvida e eu argumentei:

– Põe senhorita. Mocinha de quinze anos fica toda contente quando o jornal chama de senhorita...

Mas ele explicou:

– Essa, coitada, não vai ficar contente. É um falecimento...

E pôs “senhorita”. E continuou a noite comum de jornal. Nem sei explicar por que pensei nisso no meu caminho de sempre, depois do trabalho, na rua vazia, de madrugada. Menina ou senhorita? Senti de repente uma pena gratuita daquela mocinha que morrera. Nem me dera ao trabalho de perguntar seu nome. Entretanto ali estava comovido... Oh!, Senhor, o Diabo carregue as meninas e senhoritas, e que elas morram aos quinze anos, se julgarem conveniente! Pensei vagamente assim, mas a lembrança daquele diálogo perdido na rotina do serviço de redação insistia em me comover. Senti simpatia pelo meu companheiro de trabalho por causa de sua expressão:

– Essa, coitada...

Bom sujeito, o Viana. E fiquei imaginando que no dia seguinte poderia ler no jornal o nome da mocinha e de seus pais. E que talvez um dia por acaso, eu conhecesse esses pais. Ele seria um senhor de uns quarenta e cinco anos, moreno, bigodes mal cuidados, a cara magra, os cabelos grisalhos. Ela seria uma senhora de quarenta e um anos, ou apenas trinta e oito anos, vagamente loura, os olhos parados, a cara triste, talvez um pouco gorda, de luto, muito religiosa, meio espírita depois da morte da filha. E então eu lhes contaria que me lembrava bem dessa morte, e contaria a conversa da redação – mentindo talvez um pouco, inventando uma conversa mais comovida, para ser delicado. E eles chamariam a outra irmã, uma garota de seis ou sete anos, os olhos claros, e lhe diriam que fosse lá dentro buscar os retratos de Iná – poderia ser Iná, talvez com o apelido de Nazinha, o nome da filha morta. E viriam dois retratos: um aos treze anos, na janela da casa, rindo, outro aos nove anos, com a irmãzinha ao colo, muito séria. E então a mãe diria que só tinham aqueles dois retratos – que pena! – e que gostava mais daquele dos nove anos:

– Não é, Alfredo? Está mais com o jeitinho dela...

O Sr. Alfredo concordaria mudamente e eu me sentiria ali inútil, sem saber o que dizer, e iria embora. E talvez, depois que eu saísse, a mulher dissesse ao marido:

– Parece ser boa pessoa...

(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas, 2001)

Na passagem “E fiquei imaginando que no dia seguinte poderia ler no jornal o nome da mocinha e de seus pais. E que talvez um dia por acaso, eu conhecesse esses pais.” (11º parágrafo), o trecho destacado admite, de acordo com a norma-padrão e com o sentido original, a reescrita:
Alternativas
Q4403363 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Nazinha

No meio da noite comum do jornal um colega de redação perguntou-me:

– Quinze anos – é menina ou senhorita?

Estava redigindo uma nota social e me propunha esse problema simples.

– Senhorita.

Ele ficou meio em dúvida e eu argumentei:

– Põe senhorita. Mocinha de quinze anos fica toda contente quando o jornal chama de senhorita...

Mas ele explicou:

– Essa, coitada, não vai ficar contente. É um falecimento...

E pôs “senhorita”. E continuou a noite comum de jornal. Nem sei explicar por que pensei nisso no meu caminho de sempre, depois do trabalho, na rua vazia, de madrugada. Menina ou senhorita? Senti de repente uma pena gratuita daquela mocinha que morrera. Nem me dera ao trabalho de perguntar seu nome. Entretanto ali estava comovido... Oh!, Senhor, o Diabo carregue as meninas e senhoritas, e que elas morram aos quinze anos, se julgarem conveniente! Pensei vagamente assim, mas a lembrança daquele diálogo perdido na rotina do serviço de redação insistia em me comover. Senti simpatia pelo meu companheiro de trabalho por causa de sua expressão:

– Essa, coitada...

Bom sujeito, o Viana. E fiquei imaginando que no dia seguinte poderia ler no jornal o nome da mocinha e de seus pais. E que talvez um dia por acaso, eu conhecesse esses pais. Ele seria um senhor de uns quarenta e cinco anos, moreno, bigodes mal cuidados, a cara magra, os cabelos grisalhos. Ela seria uma senhora de quarenta e um anos, ou apenas trinta e oito anos, vagamente loura, os olhos parados, a cara triste, talvez um pouco gorda, de luto, muito religiosa, meio espírita depois da morte da filha. E então eu lhes contaria que me lembrava bem dessa morte, e contaria a conversa da redação – mentindo talvez um pouco, inventando uma conversa mais comovida, para ser delicado. E eles chamariam a outra irmã, uma garota de seis ou sete anos, os olhos claros, e lhe diriam que fosse lá dentro buscar os retratos de Iná – poderia ser Iná, talvez com o apelido de Nazinha, o nome da filha morta. E viriam dois retratos: um aos treze anos, na janela da casa, rindo, outro aos nove anos, com a irmãzinha ao colo, muito séria. E então a mãe diria que só tinham aqueles dois retratos – que pena! – e que gostava mais daquele dos nove anos:

– Não é, Alfredo? Está mais com o jeitinho dela...

O Sr. Alfredo concordaria mudamente e eu me sentiria ali inútil, sem saber o que dizer, e iria embora. E talvez, depois que eu saísse, a mulher dissesse ao marido:

– Parece ser boa pessoa...

(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas, 2001)

A regência nominal e a regência verbal estão de acordo com a norma-padrão em:
Alternativas
Q4403079 Português

Leia o texto para responder à questão.


Os Cavalinhos de Platiplanto


O meu avô Rubem havia me prometido um cavalinho de sua fazenda do Chove-Chuva se eu deixasse lancetarem* o meu pé, arruinado com uma estrepada no brinquedo de pique. Por duas vezes o farmacêutico Osmúsio estivera lá em casa com a sua caixa de ferrinhos para o serviço, mas eu fiz tamanho escarcéu que ele não chegou a passar a porta do quarto. Da segunda vez meu pai pediu a seu Osmúsio que esperasse na varanda enquanto ele ia ter uma conversa comigo. Eu sabia bem que espécie de conversa seria; e aproveitando a vantagem da doença, mal ele caminhou para a cama, eu comecei novamente a chorar e gritar, esperando atrair a simpatia da minha mãe e, se possível, também a de algum vizinho para reforçar. Por sorte vovô Rubem ia chegando justamente naquela hora. Quando vi a barba dele apontar na porta, compreendi que estava salvo pelo menos por aquela vez; era uma regra assentada lá em casa que ninguém devia contrariar vovô Rubem. Em todo caso, chorei um pouco mais para consolidar minha vitória, e só sosseguei quando ele intimou meu pai a sair do quarto.


Vovô sentou-se na beira da cama, pôs o chapéu e a bengala ao meu lado e perguntou porque era que meu pai estava judiando comigo. Para impressioná-lo melhor eu disse que era porque eu não queria deixar seu Osmúsio cortar o meu pé.


– Cortar fora?


Não era exatamente isso que eu tinha querido dizer, mas achei eficaz confirmar; e por prudência não falei, apenas bati a cabeça.


– Mas que malvados! Então isso se faz? Deixe eu ver.


E depois de examinar:


– É exagero deles. Não é preciso cortar nada. Basta lancetar.


Ele deve ter notado o meu desapontamento, porque explicou depressa, fazendo cócega na sola do meu pé:


– Mas nessas coisas, mesmo sendo preciso, quem resolve é o dono da doença. Se você não disser que pode, eu não deixo ninguém mexer, nem o rei. Você não é mais desses menininhos de cueiro, que não têm querer. Na festa do Divino você já vai vestir um parelhinho de calça comprida que eu vou comprar, e vou lhe dar também um cavalinho pra você acompanhar a folia.


– Com arreio mexicano?


– Com arreio mexicano. Já encomendei ao Felipe. Mas tem uma coisa. Se você não ficar bom desse pé, não vai poder montar. Eu acho que o jeito é você mandar lancetar logo.


José J. Veiga, “Os Cavalinhos de Platiplanto”. Em: Antologia Escolar de Contos Brasileiros, org. Herberto Sales)


* lancetar: abrir um abscesso, furúnculo ou vesícula para drenar líquidos.

Por sorte vovô Rubem ia chegando justamente naquela hora. Quando ________ apontar na porta, compreendi que estava salvo pelo menos por aquela vez; era uma regra assentada lá em casa que ninguém devia ________.


De acordo com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com:

Alternativas
Q4402453 Português

Leia o texto para responder à questão.


Ideia Perigosa


    O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.


    Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.


    Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.


    Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.


    Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.


    No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.


(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)

Na passagem “… não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias.” (4º parágrafo), a preposição destacada será substituída por “a”, caso o adjetivo “capaz” seja substituído por: 
Alternativas
Q4402122 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Garimpando o solo atrás de avanços tecnológicos


Em 2004, dois físicos da Universidade de Manchester, no Reino Unido, utilizaram uma fita adesiva comum para isolar, pela primeira vez, uma folha atômica de grafite, inaugurando uma nova classe de materiais. Conhecido como grafeno, o material conduzia eletricidade tão bem quanto o cobre, destacava-se como um excelente condutor de calor e, embora sua estrutura muito compacta de carbono o tornasse denso, sua espessura ultrafina conferia extrema flexibilidade. A própria obtenção do grafeno foi considerada um feito surpreendente na época, dado que se julgava impensável que materiais cristalinos formados por apenas uma camada atômica fossem estáveis. O impacto da descoberta foi tão significativo que a dupla recebeu o Nobel de Física.

Embora mais de duas décadas tenham se passado desde a descoberta, cientistas continuam explorando essa classe de materiais, conhecida como materiais bidimensionais (2D) ou lamelares. Esses materiais consistem em uma ou poucas camadas atômicas e exibem comportamentos físicos que, muitas vezes, desaparecem em suas formas tridimensionais, ampliando o leque de potenciais aplicações tecnológicas.

A física Ingrid Barcelos, pesquisadora do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), chefia um dos grupos brasileiros dedicados ao estudo desses materiais. A pesquisa de Barcelos é centrada na investigação de materiais 2D derivados de filossilicatos, minerais encontrados na natureza, e conta com financiamento da FAPESP. Segundo Barcelos, embora os filossilicatos sejam muito abundantes na natureza, eles ainda são pouco estudados. A pesquisadora ressalta que, devido ao seu baixo custo quando comparados a materiais 2D sintéticos, esses minerais se apresentam como opções acessíveis para aplicações tecnológicas, destacando-se como escolhas mais sustentáveis por terem origem natural e não passarem por processamento prévio, gerando menor impacto ambiental no descarte.

Os filossilicatos são formados pela combinação de átomos de silício e oxigênio, que se organizam em camadas empilhadas, compondo o mineral. À semelhança do procedimento pioneiro com o grafeno, Barcelos utiliza fitas adesivas para esfoliar, ou seja, separar as camadas desses minerais, produzindo flocos de espessuras nanométricas. Conforme explica a pesquisadora, a separação em camadas ultrafinas só é viável porque as interações entre as diferentes camadas sobrepostas são fracas o suficiente para permitir a clivagem, ao passo que as ligações entre os átomos de cada camada mantêm a integridade estrutural. Barcelos ilustra esse processo comparando-o a um pacote de folhas de papel do qual se pode retirar folha por folha, sendo cada qual uma camada atômica. 

Barcelos aponta que os filossilicatos possuem características físicas de isolantes elétricos. De acordo com a pesquisadora, no universo dos materiais 2D, poucos apresentam esse comportamento; o nitreto de boro hexagonal, um dos mais utilizados, possui custo elevado para a obtenção de alta qualidade cristalina e produção concentrada em poucos locais, o que limita o seu acesso. Entre os filossilicatos estudados por Barcelos está o talco, um material 2D derivado da pedra-sabão. Essa rocha, abundante em Minas Gerais, é utilizada na fabricação de utensílios de cozinha e foi o material escolhido pelo artista Aleijadinho para esculpir suas obras.

Em 2018, a equipe publicou um estudo na revista ACS Photonics sobre as propriedades do talco para o desenvolvimento de dispositivos optoeletrônicos. Para investigar como a luz se propaga em escala nanométrica, os pesquisadores combinaram a nano-espectroscopia de infravermelho à microscopia óptica de varredura no campo próximo tipo espalhamento (s-SNOM), revelando como a radiação trafega em seu interior.

Em outro estudo, publicado em 2025 na revista Nanoscale, o grupo descreveu como o talco suporta a formação de fônon-poláritons, que são quasipartículas originadas da interação intensa entre a luz e as vibrações atômicas do cristal, permitindo entender como a radiação se propaga no material.

As propriedades físicas de materiais 2D ampliam seu campo de aplicação: enquanto alguns atuam na eletrônica flexível com circuitos dobráveis, outros, como o grafeno, já são incorporados a plásticos para reforçar sua resistência. Embora o talco e outros minerais permaneçam em estágios incipientes de caracterização, a investigação de matérias-primas abundantes e baratas abre caminho para a criação de futuros dispositivos optoeletrônicos, nanofotônicos e emissores quânticos de luz.


https://revistapesquisa.fapesp.br/garimpando-o-solo-atras-de-avancos-t ecnologicos/.adaptado.
"À" semelhança do procedimento pioneiro com o grafeno, Barcelos utiliza fitas adesivas para esfoliar, ou seja, separar as camadas desses minerais.

Em relação ao emprego do acento indicativo de crase no trecho, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4402120 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Garimpando o solo atrás de avanços tecnológicos


Em 2004, dois físicos da Universidade de Manchester, no Reino Unido, utilizaram uma fita adesiva comum para isolar, pela primeira vez, uma folha atômica de grafite, inaugurando uma nova classe de materiais. Conhecido como grafeno, o material conduzia eletricidade tão bem quanto o cobre, destacava-se como um excelente condutor de calor e, embora sua estrutura muito compacta de carbono o tornasse denso, sua espessura ultrafina conferia extrema flexibilidade. A própria obtenção do grafeno foi considerada um feito surpreendente na época, dado que se julgava impensável que materiais cristalinos formados por apenas uma camada atômica fossem estáveis. O impacto da descoberta foi tão significativo que a dupla recebeu o Nobel de Física.

Embora mais de duas décadas tenham se passado desde a descoberta, cientistas continuam explorando essa classe de materiais, conhecida como materiais bidimensionais (2D) ou lamelares. Esses materiais consistem em uma ou poucas camadas atômicas e exibem comportamentos físicos que, muitas vezes, desaparecem em suas formas tridimensionais, ampliando o leque de potenciais aplicações tecnológicas.

A física Ingrid Barcelos, pesquisadora do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), chefia um dos grupos brasileiros dedicados ao estudo desses materiais. A pesquisa de Barcelos é centrada na investigação de materiais 2D derivados de filossilicatos, minerais encontrados na natureza, e conta com financiamento da FAPESP. Segundo Barcelos, embora os filossilicatos sejam muito abundantes na natureza, eles ainda são pouco estudados. A pesquisadora ressalta que, devido ao seu baixo custo quando comparados a materiais 2D sintéticos, esses minerais se apresentam como opções acessíveis para aplicações tecnológicas, destacando-se como escolhas mais sustentáveis por terem origem natural e não passarem por processamento prévio, gerando menor impacto ambiental no descarte.

Os filossilicatos são formados pela combinação de átomos de silício e oxigênio, que se organizam em camadas empilhadas, compondo o mineral. À semelhança do procedimento pioneiro com o grafeno, Barcelos utiliza fitas adesivas para esfoliar, ou seja, separar as camadas desses minerais, produzindo flocos de espessuras nanométricas. Conforme explica a pesquisadora, a separação em camadas ultrafinas só é viável porque as interações entre as diferentes camadas sobrepostas são fracas o suficiente para permitir a clivagem, ao passo que as ligações entre os átomos de cada camada mantêm a integridade estrutural. Barcelos ilustra esse processo comparando-o a um pacote de folhas de papel do qual se pode retirar folha por folha, sendo cada qual uma camada atômica. 

Barcelos aponta que os filossilicatos possuem características físicas de isolantes elétricos. De acordo com a pesquisadora, no universo dos materiais 2D, poucos apresentam esse comportamento; o nitreto de boro hexagonal, um dos mais utilizados, possui custo elevado para a obtenção de alta qualidade cristalina e produção concentrada em poucos locais, o que limita o seu acesso. Entre os filossilicatos estudados por Barcelos está o talco, um material 2D derivado da pedra-sabão. Essa rocha, abundante em Minas Gerais, é utilizada na fabricação de utensílios de cozinha e foi o material escolhido pelo artista Aleijadinho para esculpir suas obras.

Em 2018, a equipe publicou um estudo na revista ACS Photonics sobre as propriedades do talco para o desenvolvimento de dispositivos optoeletrônicos. Para investigar como a luz se propaga em escala nanométrica, os pesquisadores combinaram a nano-espectroscopia de infravermelho à microscopia óptica de varredura no campo próximo tipo espalhamento (s-SNOM), revelando como a radiação trafega em seu interior.

Em outro estudo, publicado em 2025 na revista Nanoscale, o grupo descreveu como o talco suporta a formação de fônon-poláritons, que são quasipartículas originadas da interação intensa entre a luz e as vibrações atômicas do cristal, permitindo entender como a radiação se propaga no material.

As propriedades físicas de materiais 2D ampliam seu campo de aplicação: enquanto alguns atuam na eletrônica flexível com circuitos dobráveis, outros, como o grafeno, já são incorporados a plásticos para reforçar sua resistência. Embora o talco e outros minerais permaneçam em estágios incipientes de caracterização, a investigação de matérias-primas abundantes e baratas abre caminho para a criação de futuros dispositivos optoeletrônicos, nanofotônicos e emissores quânticos de luz.


https://revistapesquisa.fapesp.br/garimpando-o-solo-atras-de-avancos-t ecnologicos/.adaptado.
A investigação de matérias-primas abundantes e baratas abre caminho para a criação de futuros dispositivos optoeletrônicos, nanofotônicos e emissores quânticos de luz.

Em relação à regência nominal presente no trecho acima, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4401972 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Reator aumenta conversão de energia solar em química e produz mais hidrogênio a partir da água


Uma equipe do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), integrante do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em Campinas, São Paulo, elevou em oito vezes a eficiência da fotoeletrólise, uma tecnologia experimental que converte energia solar em química para produzir gás hidrogênio a partir da água. Os pesquisadores também desenvolveram um método de fabricação em larga escala para o reator utilizado no processo, empregando materiais atóxicos e acessíveis, o que resultou em cinco pedidos de patente. Os resultados do estudo foram estampados na capa da revista científica ACS Energy Letters em setembro de 2025. O experimento representa um avanço na viabilização da fotoeletrólise para uso industrial, contando com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O gás hidrogênio figura como insumo essencial para a indústria química, em especial na fabricação de fertilizantes, sendo também um substituto potencial para os combustíveis fósseis. A queima de um quilograma de hidrogênio libera cerca de três vezes mais energia do que a de um quilograma de gasolina, com a vantagem de emitir apenas água, sem gases de efeito estufa. Atualmente, mais de setenta por cento da produção global de hidrogênio decorre da reforma do gás metano, processo que gera cerca de dez quilogramas de dióxido de carbono para cada quilograma do gás produzido. Em virtude disso, métodos alternativos vêm sendo desenvolvidos no Brasil e no mundo para obter o chamado hidrogênio verde, caracterizado por baixas emissões de carbono.

Uma dessas alternativas é a eletrólise, que emprega correntes elétricas de fontes renováveis, como eólica e solar, para separar as moléculas de água em oxigênio e hidrogênio. Contudo, a eletrólise responde por menos de um por cento da produção comercial global por ser uma tecnologia cara, devido aos custos da infraestrutura de conexão e dos eletrodos feitos de ligas metálicas. Para baratear o processo, linhas de pesquisa apostam na fotoeletrólise, que integra a captação solar e a produção de hidrogênio em um único equipamento. O fotoeletrolisador é composto por eletrodos denominados fotoânodo e fotocátodo; ao receber luz solar, o fotoânodo gera cargas positivas que convertem a água em oxigênio e prótons, enquanto os prótons são atraídos ao fotocátodo para interagir com elétrons solares e formar o hidrogênio.

O maior obstáculo da fotoeletrólise é a reduzida eficiência dos fotoânodos. Desde 2019, o físico Flávio Leandro de Souza, da Universidade Federal do ABC (UFABC), lidera no LNNano uma equipe dedicada ao aprimoramento de fotoânodos compostos por hematita — um óxido de ferro abundante, estável em água e com boa absorção solar, mas pouco eficiente na conversão energética. Para superar a limitação, a equipe desenvolveu uma tinta de hematita acrescida de pequenas doses de alumínio e zircônio, elementos também abundantes no país. Souza destacou que a pigmentação permitiu atingir quase o limite teórico de eficiência do material na conversão da energia solar em química.

A equipe do LNNano aplicou a tinta de hematita em cem placas de vidro de um centímetro quadrado cada, atuando como fotoânodos. Dez dessas placas conectadas em série formavam metade do protótipo do reator, alojadas em um recipiente retangular com circulação de água e janelas transparentes para a entrada de luz. Com o intuito de avaliar os fotoânodos, a outra metade do reator utilizou eletrodos padrão de platina acoplados a um painel solar comercial.

Os dispositivos operaram de maneira estável por mais de cem horas em laboratório sob a luz de um simulador solar de grande área, desenvolvido pelo físico Renato Gonçalves, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) e coautor do estudo. Dois protótipos também passaram por testes ao ar livre ao longo de um dia ensolarado. Análises de toxicidade das amostras coletadas indicaram que a água do reator pode ser descartada com segurança, sem necessidade de tratamentos especiais.

Por fim, Souza informou que a etapa seguinte da pesquisa envolve a montagem de um protótipo independente de painéis solares, composto por dez fotoânodos de hematita e dez fotocátodos de óxido de cobre fabricados pelo mesmo método, com previsão para o primeiro semestre de 2026. O pesquisador do CNPEM explicou que a fotoeletrólise desponta como uma alternativa de baixo custo para a produção de hidrogênio verde em demandas moderadas, permitindo a instalação direta de estações nos locais industriais onde o insumo é necessário, em vez de exigir o engarrafamento e o transporte do gás.


https://revistapesquisa.fapesp.br/reator-aumenta-conversao-de-energia -solar-em-quimica-e-produz-mais-hidrogenio-a-partir-da-agua/.adaptado.
Os dispositivos "operaram" de maneira estável por mais de cem horas em laboratório sob a luz de um simulador solar de grande área.

Em relação à regência verbal do verbo destacado no trecho acima, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: Ibest Órgão: CREMERS Prova: Ibest - 2026 - CREMERS - Médico Fiscal |
Q4401167 Português

Texto para a questão.  





Carlos Vogt. Vacinas e vacinações. Com Ciência, n. 162, Campinas, out. 2014. Internet:  <https://comciencia.scielo.br> (com adaptações). 

No trecho “quando Louis Pasteur comunicou à Academia de Ciências, na França, a descoberta do imunizante contra a raiva” (quarto parágrafo), o emprego do sinal indicativo de crase é  
Alternativas
Q4400929 Português

Em um relatório destinado à equipe gestora de uma escola, foi registrada a seguinte frase:


“A equipe pedagógica informou aos professores que as novas orientações seriam apresentadas à comunidade escolar durante a reunião prevista para a próxima semana.” 


Considerando as regras da norma-padrão da Língua Portuguesa, especialmente concordância, regência verbal e nominal e emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que apresenta uma análise correta da construção. 

Alternativas
Q4399410 Português
Leia com atenção o texto a seguir, para responder à questão.


    [...]

    Por ter plasticidade e ser elástico, o ciberespaço nos permite misturar, articular e incorporar formatos não textuais em textuais, imagéticos em sonoros e vice-versa – tudo em um fluxo de negociações intersemióticas. Sem falar que a hipermídia nos permite derrubar as fronteiras entre as profissões, já que hoje a área tem se tornado de fundamental importância na grade curricular das profissões, seja em um curso de Direito, Biologia ou Comunicação.

    Comecei a perceber no dia a dia que a textura híbrida da hipermídia entrelaçou a sociedade pós-moderna em uma hierarquizada replicação rizomática de Deleuze, que foi capaz de prever a desterritorialização da escrita, saindo de um regime maquínico – com o livro e a imprensa como seus maiores expoentes – e torna-se um rizoma orgânico na web. Absorvemos regimes complexos como um caldo tecnocultural que ingerimos sem grandes reflexões. [...]

(Ferrari, Pollyana. In: Hipertexto, hipermídia: as novas ferramentas da comunicação digital. São Paulo: Contexto, 2019, p.79). 
Releia o seguinte fragmento extraído do texto:

“Comecei a perceber no dia a dia que a textura híbrida da hipermídia entrelaçou a sociedade pós-moderna em uma hierarquizada replicação rizomática de Deleuze, que foi capaz de prever a desterritorialização da escrita [...]”
Considerando a sintaxe das relações estabelecidas entre as palavras que formam a tessitura do fragmento, pode-se afirmar:

I. O complemento do verbo “perceber” se liga diretamente a ele sem auxílio de uma preposição.
II. O verbo “entrelaçar” foi flexionado no singular, por concordar com o sujeito da oração de que faz parte.
III. O adjetivo “capaz” também poderia vir regido pela preposição “para”, sem mudar o sentido do fragmento.

As afirmativas corretas são:
Alternativas
Q4398807 Português
Ética não é opinião, nem circunstância


Você já ouviu falar em “Ethical fading”? Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, a ética consiste em um conjunto de valores e princípios, uma espécie de juiz interno que regula três forças importantes de nossa vida: o querer, o poder e o fazer. Enfrentamos uma batalha constante entre estas três forças. Este julgamento dinâmico interno não se relativiza a partir de nossa opinião e sim está conectado, relacionado aos valores e princípios da sociedade / comunidade na qual estamos inseridos. “A nossa opinião sobre o que é certo ou errado se subordina de certa forma às regras da comunidade que participamos, da empresa que trabalhamos, por exemplo”.

    Tais regras, princípios e valores se alteram com o tempo, jurisdição e estágio de evolução da própria sociedade. A todo momento, novas complexidades se somam ao dicionário de princípios e valores, daí a dificuldade na tomada de decisão com foco em comportamento “ético”.

    De uma maneira geral, as grandes crises e fraudes corporativas, tais como Enron, WorldCom, Petrobrasna Lava-jato e, mais recentemente, ocaso Americanas, entre tantas outras, não nasceram de grandes rupturas com os princípios éticos vigentes e sim de pequenos atos de permissividade, muitas vezes, no limite do que é legal. Isto acontece, na verdade, na nossa rotina diária. “A cada decisão, consultamos nosso juiz interno, que regula nosso querer, poder e fazer e aí então tomamos a decisão mais alinhada com nossos princípios e valores”. No entanto, sob pressão excessiva, liderança ausente ou ineficiente, cultura organizacional orientada ao resultado de curto prazo e não a criação de valor sustentável, os aspectos técnicos e materiais de nossas decisões podem fazer com que os aspectos éticos desvaneçam ou simplesmente desapareçam de vista. Denominamos esse processo de “ethical fading”, traduzível para português como o apagamento da ética.

    Nesse modelo mental, pessoas aparentemente éticas encontram razões para contornarem seus princípios intrínsecos e tomarem decisões que podem colocar suas carreiras e mesmo suas empresas em risco. Considerações como “todos fazem isso”; “faremos somente desta vez”; “não é ilegal”; “os fins justificam os meios”; “tenho apoio total de meu gestor” ou “nesta empresa isso é normal” são sintomas claros de que o “ethical fading” está se instalando no processo decisório individual e corporativo. E o que é pior: esse processo tende a ser evolutivo. As pessoas acabam se sentindo confortáveis com pequenas concessões e, com o tempo, as transgressões se acumulam. Por fim, acabam destruindo carreiras e até mesmo empresas.

    “Cabe à liderança disseminar e garantir a aplicação do conceito de que as circunstâncias e opiniões pessoais não devem ser colocadas acima dos princípios éticos”. Cabe a cada profissional zelar pela integridade de suas decisões, sejam elas de que magnitude forem. Aqui vale a máxima de que a ocasião não faz o ladrão, simplesmente o torna visível.

    Na dúvida vale a pena seguir o pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant (1724–1804), um dos principais pensadores do Iluminismo, com grande foco na ética e metafisica: “Tudo o que não puder contar como fez; não o faça! Se há razões para não contar; há para não o fazer.”

    Cuide para que o “ethical fading” não invada sua mente e, se você ocupa uma posição de liderança, cuide para que sua organização não seja tolerante com este terrível inimigo, mesmo quando estão em jogo os resultados e a performance de curto prazo. Não faça concessões fatais.

    Jorge Sant’Anna é diretor-presidente e cofundador da BMG Seguros e membro do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Bancos.


Disponível em: https://revista.istoedinheiro.com.br/eticanao-e-opiniao-nem-circunstancia. Acesso em: 20 ago. 2026.
O texto apresenta estruturas que representam depoimentos, como as que ocorrem em:

“... às regras da comunidade que participamos, da empresa que trabalhamos, por exemplo”

Considerando o gênero textual, o suporte em que o texto foi publicado, os interlocutores envolvidos e o tema discutido, é conveniente e adequado que seja empregada a linguagem culta, de acordo com a norma-padrão da língua escrita. No entanto, em relação ao trecho destacado acima, verifica-se:
Alternativas
Q4398805 Português
Ética não é opinião, nem circunstância


Você já ouviu falar em “Ethical fading”? Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, a ética consiste em um conjunto de valores e princípios, uma espécie de juiz interno que regula três forças importantes de nossa vida: o querer, o poder e o fazer. Enfrentamos uma batalha constante entre estas três forças. Este julgamento dinâmico interno não se relativiza a partir de nossa opinião e sim está conectado, relacionado aos valores e princípios da sociedade / comunidade na qual estamos inseridos. “A nossa opinião sobre o que é certo ou errado se subordina de certa forma às regras da comunidade que participamos, da empresa que trabalhamos, por exemplo”.

    Tais regras, princípios e valores se alteram com o tempo, jurisdição e estágio de evolução da própria sociedade. A todo momento, novas complexidades se somam ao dicionário de princípios e valores, daí a dificuldade na tomada de decisão com foco em comportamento “ético”.

    De uma maneira geral, as grandes crises e fraudes corporativas, tais como Enron, WorldCom, Petrobrasna Lava-jato e, mais recentemente, ocaso Americanas, entre tantas outras, não nasceram de grandes rupturas com os princípios éticos vigentes e sim de pequenos atos de permissividade, muitas vezes, no limite do que é legal. Isto acontece, na verdade, na nossa rotina diária. “A cada decisão, consultamos nosso juiz interno, que regula nosso querer, poder e fazer e aí então tomamos a decisão mais alinhada com nossos princípios e valores”. No entanto, sob pressão excessiva, liderança ausente ou ineficiente, cultura organizacional orientada ao resultado de curto prazo e não a criação de valor sustentável, os aspectos técnicos e materiais de nossas decisões podem fazer com que os aspectos éticos desvaneçam ou simplesmente desapareçam de vista. Denominamos esse processo de “ethical fading”, traduzível para português como o apagamento da ética.

    Nesse modelo mental, pessoas aparentemente éticas encontram razões para contornarem seus princípios intrínsecos e tomarem decisões que podem colocar suas carreiras e mesmo suas empresas em risco. Considerações como “todos fazem isso”; “faremos somente desta vez”; “não é ilegal”; “os fins justificam os meios”; “tenho apoio total de meu gestor” ou “nesta empresa isso é normal” são sintomas claros de que o “ethical fading” está se instalando no processo decisório individual e corporativo. E o que é pior: esse processo tende a ser evolutivo. As pessoas acabam se sentindo confortáveis com pequenas concessões e, com o tempo, as transgressões se acumulam. Por fim, acabam destruindo carreiras e até mesmo empresas.

    “Cabe à liderança disseminar e garantir a aplicação do conceito de que as circunstâncias e opiniões pessoais não devem ser colocadas acima dos princípios éticos”. Cabe a cada profissional zelar pela integridade de suas decisões, sejam elas de que magnitude forem. Aqui vale a máxima de que a ocasião não faz o ladrão, simplesmente o torna visível.

    Na dúvida vale a pena seguir o pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant (1724–1804), um dos principais pensadores do Iluminismo, com grande foco na ética e metafisica: “Tudo o que não puder contar como fez; não o faça! Se há razões para não contar; há para não o fazer.”

    Cuide para que o “ethical fading” não invada sua mente e, se você ocupa uma posição de liderança, cuide para que sua organização não seja tolerante com este terrível inimigo, mesmo quando estão em jogo os resultados e a performance de curto prazo. Não faça concessões fatais.

    Jorge Sant’Anna é diretor-presidente e cofundador da BMG Seguros e membro do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Bancos.


Disponível em: https://revista.istoedinheiro.com.br/eticanao-e-opiniao-nem-circunstancia. Acesso em: 20 ago. 2026.
No trecho “A nossa opinião sobre o que é certo ou errado se subordina de certa forma às regras da comunidade...”, o acento indicativo de crase antes de “as regras”:
Alternativas
Q4398804 Português
A importância da Ética no ambiente de trabalho


    Hoje, no Dia Internacional da Ética, reafi rmamos a importância desse valor em todas as áreas de uma empresa. A ética no ambiente de trabalho envolve a adoção de valores e princípios, como a honestidade, transparência, respeito mútuo, integridade, garantias de direitos, responsabilidade socioambiental, entre outros que orientam as relações entre colaboradores e a empresa, assim como entre a empresa e seus clientes, fornecedores e a sociedade em geral.

    Muitas empresas enfrentam desafi os éticos no ambiente de trabalho, como assédio moral e sexual, discriminações, corrupção e o desrespeito às leis trabalhistas. Nesse cenário, é essencial que as empresas não só dialoguem na perspectiva axiológica e valorativa do conceito, mas que sejam proativas na promoção de uma cultura ética no ambiente de trabalho. Isso signifi ca, principalmente, adotar medidas de preleção, bem como desenvolver mecanismos para denunciar e combater todo e qualquer tipo de violação de direitos (dentro e fora da empresa).

     Um dos aspectos fundamentais da ética no ambiente de trabalho é a promoção do trabalho decente. Isso envolve oferecer condições adequadas de trabalho, com respeito às normas de segurança e saúde ocupacional, assim como garantir remuneração justa e condições de trabalho dignas e livres de discriminações e violências. Além disso, o trabalho decente também implica oferecer oportunidades de desenvolvimento profi ssional, treinamento e capacitação, bem como valorizar e reconhecer o trabalho realizado pelos colaboradores.

    O conceito de trabalho decente foi criado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1999 e, desde então, tem sido adotado por várias organizações e empresas ao redor do mundo. O objetivo do conceito é promover condições de trabalho justas e dignas para todas as pessoas, contribuindo para o desenvolvimento social, econômico, sustentável e principalmente, para a redução da pobreza.

     Tal discussão merece destaque, uma vez que o Brasil resgatou 918 vítimas de trabalho escravo em 2023, recorde para um 1º trimestre em 15 anos. Só no ano de 2022 mais de 2,5 mil pessoas foram resgatadas do trabalho análogo à escravidão no Brasil, sendo que o número de pessoas nessa condição subiu para 127% em relação a 2019[1]. E por trabalho escravo, nós temos que é todo trabalho forçado, com jornadas exaustivas, condições degradantes, remunerações incompatíveis e outras violações de direitos, ferindo o princípio e o valor da ética, que apesar de tantos avanços conceituais sobre e o quanto esse conceito está presente nos princípios e valores empresariais, ainda presenciamos uma contradição ao analisarmos as severas violações de direitos cometidas por empresas.

    Nesse aspecto, em que há um aumento das desigualdades sociais, ambientais e econômicas, refl etidas nos números alarmantes de resgates de trabalho análogo a escravidão e outras violações de direitos (Brasil é o 9º país mais desigual do mundo), é imprescindível que a ética (somada a outros princípios), assegure na prática, o respeito à vida e a promoção da dignidade humana para todas as pessoas. Mas, outros esforços precisam co-existir, como o aprimoramento dos mecanismos de compliance, que são fundamentais para a garantia do cumprimento das leis e regulamentos relacionados às leis trabalhistas e determinações internacionais.

    Para implementar esses mecanismos, as empresas devem estabelecer políticas e procedimentos claros, realizar auditorias (em especial, a due diligence em direitos humanos) e monitoramentos para avaliar o cumprimento das leis e normas, bem como estabelecer canais de denúncia para que os funcionários, funcionárias e toda a comunidade envolvida na cadeia de valor, possam reportar eventuais violações.


Disponível em: https://www.ethos.org.br/opinioes-e-analises/ a-importancia-da-etica-no-ambiente-de-trabalho/. Acesso em: 27 ago. 2026.
No trecho “Além disso, o trabalho decente também implica oferecer oportunidades de desenvolvimento profissional, treinamento e capacitação...”, a regência da forma verbal “implica” está em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa. Sobre esse fenômeno gramatical, assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q4398377 Português
Texto para questão


Crise climática já condena uma geração inteira a nascer e viver sob condições de calor sem precedentes


   No ano em que o Acordo de Paris completa 10 anos, é importante entender quais são suas metas de longo prazo e o que elas significam para esta e para as próximas gerações. A geração que fatalmente viverá suas vidas inteiras dentro deste período de calor sem precedentes na história da humanidade já tem nome: “Geração Overshoot”.

   Para tentar garantir o sucesso do Acordo de Paris, esta geração terá a árdua missão de remover da atmosfera uma enorme quantidade de GEE (Gases do Efeito Estufa). Ainda não é claro, porém, se tecnologias para remoção de GEE existirão na escala necessária para que essa geração possa evitar um colapso climático ao final deste século.

   Nessa incerteza quanto ao futuro, o conflito entre os interesses da geração atual e os interesses da geração overshoot é um tema que merecerá mais discussão nos próximos anos e décadas. Em um cenário otimista, se as metas do Acordo de Paris forem cumpridas, a crise climática terá sido resolvida ao final do século 21. Até lá, porém, a crise deve se agravar em meados deste século, quando muito provavelmente ocorrerá um período de “overshoot” (do inglês, ultrapassar). Durante esse período, a temperatura média do planeta deverá estar acima da meta proposta pelo Acordo.

   O Acordo de Paris, firmado em 2015, não estabeleceu um prazo concreto para o cumprimento das metas previstas no Artigo 2, que trata de um limite aceitável para o aquecimento global: “Manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, e envidar esforços para limitar esse aumento da temperatura a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, reconhecendo que isso reduziria significativamente os riscos e os impactos da mudança do clima”.

   A comunidade científica, de modo geral, entende que o Acordo de Paris estipula metas para serem cumpridas até o final do século 21. Existem duas razões para visarmos um marco temporal aparentemente tão distante como esse.

   A primeira é uma restrição imposta pelo sistema climático do planeta: quanto mais GEE são emitidos (especialmente o CO2), mais a temperatura média global se eleva. Uma redução imediata das emissões de GEE, porém, não seria acompanhada de um declínio imediato da temperatura média global.

   A segunda razão é uma restrição imposta por princípios de justiça. O Acordo de Paris assumiu que os países mais pobres não poderiam reduzir imediatamente as suas respectivas emissões sem comprometer o próprio desenvolvimento e a perspectiva de erradicação da pobreza. Assim, o Acordo de Paris estipulou também, no Artigo 4, que cada país poderia continuar emitindo GEE até que suas respectivas emissões atinjam, o quanto antes, um pico.

   O problema, porém, é que o Acordo de Paris não estipula nenhuma “trajetória” (pathway) específica para o cumprimento das metas de longo prazo. Existe uma infinidade de trajetórias compatíveis com essas metas.

   O melhor dos mundos possíveis é aquele em que as metas do Acordo de Paris são cumpridas. No entanto, dependendo de escolhas que se fazem hoje, o melhor dos mundos possíveis pode também significar o pior dos mundos para a geração overshoot, que terá de viver sob extremos climáticos sem precedentes na história da civilização.


Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/ 2025/01/20/crise-climatica-ja-condena-uma-geracao-inteiraa-nascer-e-viver-sob-condicoes-de-calor-sem-precedentes. ghtml. Acessado em: 27 ago. 2026.
Considere as regras de regência verbal da norma-padrão aplicadas a adaptações de trechos do texto "Crise climática...":

I. No trecho “Existem duas razões para visarmos um marco...”, o verbo foi empregado como transitivo direto. No entanto, segundo o rigor da norma culta, para o sentido de "objetivar", o verbo visar deve ser transitivo indireto, sendo a redação correta: “visarmos a um marco”.
II. Se o trecho “...não seria acompanhada de um declínio...” fosse reescrito, utilizando o verbo implicar com sentido de “acarretar”, a forma correta de acordo com a norma gramatical seria: “...não implicaria em um declínio”.
III. Caso o autor desejasse expressar uma escolha da geração atual com o verbo preferir, a estrutura: “A geração atual prefere o desenvolvimento ao equilíbrio climático” estaria correta, pois esse verbo rege a preposição “a” e refuta o uso de “do que”.
IV. Na frase adaptada: “A geração overshoot assistirá o colapso climático”, a regência está correta, uma vez que o verbo assistir, no sentido de "presenciar" ou "ver", é classificado pela gramática normativa como transitivo direto.

Está(ão) CORRETA(S) apenas a(s) afirmação(ões):
Alternativas
Respostas
61: C
62: B
63: C
64: B
65: C
66: D
67: A
68: D
69: E
70: E
71: A
72: B
73: B
74: A
75: C
76: C
77: B
78: E
79: B
80: A