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Q4209677 Português
O custo invisível da obsolescência programada

    Três anos atrás, durante o Ironman, prova de triatlo realizada em Fortaleza, o organizador do evento olhou para o meu tênis e perguntou quanto tempo havia que eu o usava. Respondi que era praticamente novo; tinha cerca de um ano. Ele não hesitou: “Troque. O amortecedor já foi”. Mais tarde, em São Paulo, comprei uma bicicleta elétrica. Em menos de um ano, o painel queimou e ela parou de funcionar. Perguntei na loja se aquilo era obsolescência programada. O atendente não entendeu o termo. Traduzi: tempo de vida. O mecânico sorriu.
    Um tênis com prazo oculto. Uma bicicleta elétrica, símbolo da modernidade sustentável, interrompida por uma peça pequena, decisiva e substituível. O futuro, ao que parece, também foi programado para durar pouco — embora às vezes tenhamos que admitir, como o filósofo francês, nascido na Argélia, Louis Althusser (1918-1990), que “o futuro dura muito tempo” (título do seu desconcertante relato autobiográfico publicado postumamente, em 1992).
   Quando estudei a sociedade industrial na universidade, sobretudo a partir de outro pensador francês, Raymond Aron (1905-1983), uma questão central era como a indústria superou a produção artesanal. Precisava demonstrar superioridade: era mais rápida, mais barata, mais durável. Mas quando ela dominou a forma de produzir, precisou também dominar a arte de fazer substituir. A durabilidade tornou-se obstáculo. O método fashion foi incorporado a quase tudo. Objetos cotidianos passaram a viver sob o império de uma vida útil cada vez mais curta.
    Durante décadas, a obsolescência programada foi tratada como crítica clássica ao capitalismo de consumo. Hoje, porém, precisa voltar ao centro do debate por outra razão: suas consequências urbanas e climáticas. Tudo desemboca nas cidades. Os produtos entram, circulam, são consumidos e descartados nelas. A cidade tornou-se o grande território de recepção daquilo que a economia produz em massa e abandona em velocidade crescente. O problema já não é o consumidor que troca antes do esperado o que comprou. É o efeito sistêmico de bilhões de trocas aceleradas sobre infraestrutura, aterros, cadeias de reciclagem, logística reversa e financiamento municipal.
    A crise climática e a crise dos resíduos estão mais ligadas do que parece. A produção incessante pressiona recursos e emissões; a compressão do tempo de vida dos objetos inunda as cidades de rejeitos, plástico, sucata eletrônica e passivos materiais. A ironia é objetiva: enquanto as cidades enfrentam enchentes e calor extremo, precisam administrar a montanha crescente de restos da economia contemporânea.
    Já nos anos 1970, a equação I = PAT – ou seja, o impacto ambiental está relacionado à população, à afluência (consumo médio por pessoa) e à tecnologia – acendia um alarme para o tema. O que não se percebeu foi que a variável tecnologia não atuaria como vetor de eficiência e sim como acelerador do descarte. A inovação que deveria reduzir o impacto por unidade passou a multiplicar as unidades e a encurtar seu tempo de vida.
    Não se trata de denunciar moralmente a obsolescência. Trata-se de perguntar quem paga seus custos urbanos. Taxas de lixo já recaem sobre cidadãos. No entanto, isso basta? Com eventos extremos mais frequentes e pressão crescente sobre serviços urbanos, o arranjo é cada vez mais insustentável.
    Há uma direção concreta. Se o ciclo de vida dos produtos gera custos que recaem sobre as cidades, a responsabilidade estendida do produtor precisa alimentar fundos urbanos de adaptação climática. Vincular carga fiscal à vida útil declarada criaria incentivo real à durabilidade e receita proporcional ao passivo que cada cadeia produtiva transfere ao território. Não é panaceia. Contudo, é o tipo de mecanismo que nomeia o custo onde ele nasce e o cobra de quem o produz.
    A obsolescência programada não produz apenas objetos descartáveis. Produz cidades que pagam com enchentes, aterros esgotados e orçamentos corroídos ao preço de um modelo que nunca foi desenhado para durar.

(Por: Elcio Batista. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/o-custo-invisivel-da-obsolescencia-programada/. Acesso em: junho de 2026.)
De acordo com o texto, a incorporação do “método fashion” (3º§) pela indústria está relacionada principalmente ao fato de que ela:
Alternativas
Q4209676 Português
O custo invisível da obsolescência programada

    Três anos atrás, durante o Ironman, prova de triatlo realizada em Fortaleza, o organizador do evento olhou para o meu tênis e perguntou quanto tempo havia que eu o usava. Respondi que era praticamente novo; tinha cerca de um ano. Ele não hesitou: “Troque. O amortecedor já foi”. Mais tarde, em São Paulo, comprei uma bicicleta elétrica. Em menos de um ano, o painel queimou e ela parou de funcionar. Perguntei na loja se aquilo era obsolescência programada. O atendente não entendeu o termo. Traduzi: tempo de vida. O mecânico sorriu.
    Um tênis com prazo oculto. Uma bicicleta elétrica, símbolo da modernidade sustentável, interrompida por uma peça pequena, decisiva e substituível. O futuro, ao que parece, também foi programado para durar pouco — embora às vezes tenhamos que admitir, como o filósofo francês, nascido na Argélia, Louis Althusser (1918-1990), que “o futuro dura muito tempo” (título do seu desconcertante relato autobiográfico publicado postumamente, em 1992).
   Quando estudei a sociedade industrial na universidade, sobretudo a partir de outro pensador francês, Raymond Aron (1905-1983), uma questão central era como a indústria superou a produção artesanal. Precisava demonstrar superioridade: era mais rápida, mais barata, mais durável. Mas quando ela dominou a forma de produzir, precisou também dominar a arte de fazer substituir. A durabilidade tornou-se obstáculo. O método fashion foi incorporado a quase tudo. Objetos cotidianos passaram a viver sob o império de uma vida útil cada vez mais curta.
    Durante décadas, a obsolescência programada foi tratada como crítica clássica ao capitalismo de consumo. Hoje, porém, precisa voltar ao centro do debate por outra razão: suas consequências urbanas e climáticas. Tudo desemboca nas cidades. Os produtos entram, circulam, são consumidos e descartados nelas. A cidade tornou-se o grande território de recepção daquilo que a economia produz em massa e abandona em velocidade crescente. O problema já não é o consumidor que troca antes do esperado o que comprou. É o efeito sistêmico de bilhões de trocas aceleradas sobre infraestrutura, aterros, cadeias de reciclagem, logística reversa e financiamento municipal.
    A crise climática e a crise dos resíduos estão mais ligadas do que parece. A produção incessante pressiona recursos e emissões; a compressão do tempo de vida dos objetos inunda as cidades de rejeitos, plástico, sucata eletrônica e passivos materiais. A ironia é objetiva: enquanto as cidades enfrentam enchentes e calor extremo, precisam administrar a montanha crescente de restos da economia contemporânea.
    Já nos anos 1970, a equação I = PAT – ou seja, o impacto ambiental está relacionado à população, à afluência (consumo médio por pessoa) e à tecnologia – acendia um alarme para o tema. O que não se percebeu foi que a variável tecnologia não atuaria como vetor de eficiência e sim como acelerador do descarte. A inovação que deveria reduzir o impacto por unidade passou a multiplicar as unidades e a encurtar seu tempo de vida.
    Não se trata de denunciar moralmente a obsolescência. Trata-se de perguntar quem paga seus custos urbanos. Taxas de lixo já recaem sobre cidadãos. No entanto, isso basta? Com eventos extremos mais frequentes e pressão crescente sobre serviços urbanos, o arranjo é cada vez mais insustentável.
    Há uma direção concreta. Se o ciclo de vida dos produtos gera custos que recaem sobre as cidades, a responsabilidade estendida do produtor precisa alimentar fundos urbanos de adaptação climática. Vincular carga fiscal à vida útil declarada criaria incentivo real à durabilidade e receita proporcional ao passivo que cada cadeia produtiva transfere ao território. Não é panaceia. Contudo, é o tipo de mecanismo que nomeia o custo onde ele nasce e o cobra de quem o produz.
    A obsolescência programada não produz apenas objetos descartáveis. Produz cidades que pagam com enchentes, aterros esgotados e orçamentos corroídos ao preço de um modelo que nunca foi desenhado para durar.

(Por: Elcio Batista. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/o-custo-invisivel-da-obsolescencia-programada/. Acesso em: junho de 2026.)
No 8º§ do texto, o autor afirma: “Não é panaceia. Contudo, é o tipo de mecanismo que nomeia o custo onde ele nasce e o cobra de quem o produz.”. Mantendo-se o sentido original e a correção gramatical do trecho, a palavra “panaceia” poderia ser substituída por:
Alternativas
Q4209609 Português

Assinale a alternativa que apresenta os sinais de pontuação que substituem, correta e respectivamente, os símbolos Imagem associada para resolução da questãoImagem associada para resolução da questão Imagem associada para resolução da questão no trecho abaixo, retirado do texto:


“Afinal de contas Imagem associada para resolução da questão ele mostra algo simples e poderoso Imagem associada para resolução da questão o vínculo com um animal que nos dá amor incondicional pode nos devolver a sensação de estar vivos Imagem associada para resolução da questãoE isso é muito”.



Alternativas
Q4209608 Português
No período “Outro dia, vi um vídeo que me emocionou”, retirado do texto, qual é a classificação da oração subordinada que o compõe?
Alternativas
Q4209607 Português

Sobre o trecho retirado do texto “o contato com animais reduz níveis de cortisol, diminui a percepção de estresse e pode aumentar a liberação de um hormônio associado ao vínculo e ao bem-estar, como a ocitocina”, analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa correta.



I. O sujeito das formas verbais “reduz”, “diminui” e “pode aumentar” é o termo “o contato com animais”.


II. As expressões “níveis de cortisol” e “a percepção de estresse” exercem a função de objeto direto de formas verbais do trecho.


III. A expressão “como a ocitocina” exerce função de adjunto adverbial de modo, pois indica a maneira como o hormônio atua no organismo humano.

Alternativas
Q4209606 Português
Sobre o trecho “Cresce também o número de profissionais que incorporam animais de apoio emocional ao cuidado clínico da ansiedade e da depressão”, retirado do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4209605 Português

No trecho a seguir, retirado do texto, se a palavra “efeito” for flexionada no plural, quantas outras alterações serão necessárias para manter a correção gramatical do texto?



“Não por acaso, esse efeito tem sido incorporado ao cuidado de pessoas com depressão, ansiedade, fobias ou em situações de isolamento prolongado, como internações”.

Alternativas
Q4209604 Português
No trecho “Ou seja, esse é um recurso com efeitos terapêuticos”, retirado do texto, qual é, respectivamente, a classificação gramatical dos vocábulos “esse”, “com” e “terapêuticos”? 
Alternativas
Q4209603 Português
No trecho retirado do texto “Em 2023, só nos Estados Unidos, havia mais de 115 mil animais de suporte emocional registrados – em sua maioria cães, mas há de tudo, até pavões e cobras”, o advérbio “até” expressa a ideia de: 
Alternativas
Q4209602 Português
 No trecho retirado do texto “As cenas me desarmaram: o rosto dela, antes sério e cansado, se iluminou”, qual é a figura de linguagem empregada pelo autor?
Alternativas
Q4209601 Português

Sobre palavras retiradas do texto, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.



( ) Por ter um dígrafo consonantal, a palavra “aqueles” apresenta mais letras do que fonemas.


( ) A palavra “trazidos” não apresenta encontro consonantal.


( ) Em “hormônio”, o h inicial não representa um fonema.


( ) A palavra “ansiedade” não apresenta hiato em nenhuma de suas sílabas.



A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 

Alternativas
Q4209600 Português
Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a regra de acentuação gráfica da palavra “vínculo” e uma palavra acentuada pela mesma regra. 
Alternativas
Q4209599 Português

Considerando o sentido das palavras no contexto em que foram empregadas no texto, relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as palavras sublinhadas nos trechos abaixo, retirados do texto, a seus respectivos sinônimos.



Coluna 1



1. “para dar lugar ao cuidado e ao vínculo com aqueles animais”.


2. “Meu cão Franc foi treinado para dar suporte emocional a pacientes internados”.


3. “Mas eles reforçam a sensação de não estar sozinho”.



Coluna 2



( ) Impressão.


( ) Ligação.


( ) Amparo.



A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 

Alternativas
Q4209598 Português
Considerando os trechos a seguir, retirados do texto, a respeito dos recursos coesivos, assinale a alternativa INCORRETA. 
Alternativas
Q4209597 Português
Assinale a alternativa correta sobre a classificação do texto quanto ao seu gênero e ao tipo textual predominante.
Alternativas
Q4209596 Português

Com base no texto, analise as assertivas a seguir:



I. A inserção de experiências pessoais na construção do texto produz um efeito de aproximação com o leitor.


II. Entre os objetivos do autor está o de convencer o leitor da relevância do vínculo entre seres humanos e animais para o bem-estar emocional.


III. Pode-se inferir que o vínculo afetivo é apresentado como um elemento relevante para a promoção do bem-estar emocional.



Quais estão corretas?

Alternativas
Q4209595 Português
Considerando as ideias expostas no texto e a sua organização argumentativa, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4209371 Português
O domínio da regra do acento grave indicativo de crase é indispensável para a produção de textos formais e para a interpretação adequada de diferentes construções sintáticas. Considerando as normas de emprego da crase, leia atentamente as afirmativas a seguir e identifique em quais delas o emprego da crase está correto. 

I.A comissão retornará à universidade após a conclusão da visita técnica.
II.O candidato comprometeu-se à estudar com maior dedicação para a próxima etapa do concurso.
III.O parecer faz referência àquilo que foi deliberado na reunião anterior.
IV.Os participantes chegaram à partir das 14 horas para realizar o credenciamento.
V.A servidora encaminhou o processo às oito horas da manhã, conforme o cronograma estabelecido.

Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas em que o emprego da crase está correto. 
Alternativas
Q4209370 Português
A colocação pronominal constitui um dos aspectos sintáticos disciplinados pela norma-padrão da língua portuguesa. O emprego de próclise, mesóclise e ênclise depende da presença de fatores sintáticos específicos, como palavras atrativas, tempo verbal e posição do verbo na oração. Considerando essas regras, correlacione as construções apresentadas na Coluna 1 com o tipo de colocação pronominal indicado na Coluna 2.

Coluna 1
(__)Não me informaram sobre a alteração do cronograma da seleção.
(__)Convidar-te-ei para participar da comissão organizadora do evento.
(__)Entregaram-lhe toda a documentação exigida pela banca examinadora.
(__)Quando nos encaminharão o resultado definitivo do processo seletivo?
(__)Comprometeram-se a cumprir integralmente as exigências previstas no edital.

Coluna 2
I.Próclise.
II.Mesóclise.
III.Ênclise.

Correlacione as colunas e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
Alternativas
Q4209369 Português
Os vícios de linguagem podem ocorrer em diferentes níveis da língua e comprometem a adequação da comunicação em contextos formais. Identifique e assinale a alternativa em que há a presença do vício de linguagem conhecido como estrangeirismo. 
Alternativas
Respostas
1881: C
1882: A
1883: A
1884: D
1885: C
1886: A
1887: B
1888: D
1889: C
1890: A
1891: C
1892: A
1893: D
1894: A
1895: B
1896: D
1897: C
1898: B
1899: D
1900: B