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Q3654385 Português

O mistério de Ney Matogrosso jamais se revela completamente



Decifrá-lo é impossível. Recriá-lo, não.



Jesuíta Barbosa, ator, intérprete de Ney Matogrosso em "Homem com H"


[...] Uma das cenas mais marcantes das filmagens aconteceu quando eu contracenei com Bruno Montaleone, que interpreta o Marco de Maria. Os dois estão na cama. Ney abre o exame com o resultado negativo para o HIV. Silêncio. O de seu parceiro, no entanto, tinha dado positivo. Ney fica sem chão porque pensou que contrairia o vírus como muitos dos seus amigos e amores naquele período. Lembro que no dia em que fizemos essa cena, o Ney Matogrosso real estava numa cadeira sentado junto à equipe de filmagem, na frente da cama, olhando para mim e para o Montaleone. Não tinha como não sentir ou abstrair de sua presença no set. As poucas pessoas da equipe que acompanhavam a gravação estavam muito concentradas. Foi um momento doloroso para os dois e importantíssimo para a história que estávamos contando.


Apesar de estar inteiro na cena, meus olhos desviavam para observar as reações de Ney. Pensava no que ele estaria sentindo e trazia aquela tensão para a minha interpretação. Entendi que aquilo que estávamos encenando não era uma lembrança distante do passado, mas algo que ainda estava muito vivo.


Em um determinado momento, Ney se levantou da cadeira. Parecia inquieto. Ele foi tomado pela cena, pela suposta ficção, e começou a chorar compulsivamente. "Eu não sou assim, eu não sou assim." Repetia a mesma frase várias vezes. Por um momento, pensei que ele estava se referindo à minha interpretação. Mas não era isso, ele não estava julgando a cena. Estava, na verdade, protestando contra aquele sentimento que o fazia chorar. Pude ver um Ney Matogrosso vulnerável, com medo e angustiado. Peguei aquela frase que não estava no roteiro e a inseri no filme: "Eu não sou assim." Então, quando você, leitor, assistir a esta cena, saiba que a frase foi dita pelo Ney Matogrosso real na coxia do set. Aquilo foi uma simbiose, uma troca de experiências e de sensações. Foi uma recriação da vida e certamente um dos momentos mais importantes que vivi fazendo cinema.


Assisti ao primeiro corte do filme ao lado do Ney. Estava muito nervoso e ele segurou na minha mão. Chorei muito e quis o colo dele. E ele me deu colo, me amparou. Ele também estava emocionado. Este homem, que sabe acolher o outro em momentos de fraqueza, é também caloroso e diacrítico. Homem cujo peito transborda amor neste mundo hostil. Um homem-águia voando leve, muito leve. Águia que, às vezes, faz uma bela manobra, vem e pousa.



(Disponível em:

https://piaui.folha.uol.com.br/o-misterio-de-ney-matogrosso-jamais-se-revela-completamente/. Acesso em 21 ago. 2025. Adaptado.)

No texto, há nove palavras sublinhadas. Analise essas palavras quanto à sua acentuação gráfica e julgue as assertivas a seguir:



I.Duas palavras acentuadas atendem à regra das palavras proparoxítonas.


II.Quatro palavras acentuadas atendem às regras das palavras paroxítonas.


III.Duas palavras acentuadas atendem às regras das palavras oxítonas.


IV.Uma palavra acentuada atende à regra das palavras com hiatos.


É correto o que se afirma em:



Alternativas
Q3654285 Português

O mistério de Ney Matogrosso jamais se revela completamente



Decifrá-lo é impossível. Recriá-lo, não.



Jesuíta Barbosa, ator, intérprete de Ney Matogrosso em "Homem com H"


[...] Uma das cenas mais marcantes das filmagens aconteceu quando eu contracenei com Bruno Montaleone, que interpreta o Marco de Maria. Os dois estão na cama. Ney abre o exame com o resultado negativo para o HIV. Silêncio. O de seu parceiro, no entanto, tinha dado positivo. Ney fica sem chão porque pensou que contrairia o vírus como muitos dos seus amigos e amores naquele período. Lembro que no dia em que fizemos essa cena, o Ney Matogrosso real estava numa cadeira sentado junto à equipe de filmagem, na frente da cama, olhando para mim e para o Montaleone. Não tinha como não sentir ou abstrair de sua presença no set. As poucas pessoas da equipe que acompanhavam a gravação estavam muito concentradas. Foi um momento doloroso para os dois e importantíssimo para a história que estávamos contando.


Apesar de estar inteiro na cena, meus olhos desviavam para observar as reações de Ney. Pensava no que ele estaria sentindo e trazia aquela tensão para a minha interpretação. Entendi que aquilo que estávamos encenando não era uma lembrança distante do passado, mas algo que ainda estava muito vivo.


Em um determinado momento, Ney se levantou da cadeira. Parecia inquieto. Ele foi tomado pela cena, pela suposta ficção, e começou a chorar compulsivamente. "Eu não sou assim, eu não sou assim." Repetia a mesma frase várias vezes. Por um momento, pensei que ele estava se referindo à minha interpretação. Mas não era isso, ele não estava julgando a cena. Estava, na verdade, protestando contra aquele sentimento que o fazia chorar. Pude ver um Ney Matogrosso vulnerável, com medo e angustiado. Peguei aquela frase que não estava no roteiro e a inseri no filme: "Eu não sou assim." Então, quando você, leitor, assistir a esta cena, saiba que a frase foi dita pelo Ney Matogrosso real na coxia do set. Aquilo foi uma simbiose, uma troca de experiências e de sensações. Foi uma recriação da vida e certamente um dos momentos mais importantes que vivi fazendo cinema.


Assisti ao primeiro corte do filme ao lado do Ney. Estava muito nervoso e ele segurou na minha mão. Chorei muito e quis o colo dele. E ele me deu colo, me amparou. Ele também estava emocionado. Este homem, que sabe acolher o outro em momentos de fraqueza, é também caloroso e diacrítico. Homem cujo peito transborda amor neste mundo hostil. Um homem-águia voando leve, muito leve. Águia que, às vezes, faz uma bela manobra, vem e pousa.



(Disponível em:

https://piaui.folha.uol.com.br/o-misterio-de-ney-matogrosso-jamais-se-revela-completamente/. Acesso em 21 ago. 2025. Adaptado.)

O tempo e o modo verbais não são meros artefatos gramaticais. Eles conferem sentido ao texto. A respeito do excerto a seguir, analise as assertivas:
Em um determinado momento, Ney se levantou da cadeira. Parecia inquieto.

I.O verbo levantar-se está conjugado no pretérito perfeito do indicativo, sinalizando um fato pontual, iniciado e finalizado.
II.O verbo parecer está conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo. Apesar de o fato estar acabado no passado, ele revela um sentido de incerteza a respeito da inquietação do sujeito.
III.O período poderia ser reescrito da seguinte maneira, sem prejuízo no sentido: Em um determinado momento, Ney se levantaria da cadeira, parecendo inquieto.

É correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3654232 Português

O mistério de Ney Matogrosso jamais se revela completamente



Decifrá-lo é impossível. Recriá-lo, não.



Jesuíta Barbosa, ator, intérprete de Ney Matogrosso em "Homem com H"


[...] Uma das cenas mais marcantes das filmagens aconteceu quando eu contracenei com Bruno Montaleone, que interpreta o Marco de Maria. Os dois estão na cama. Ney abre o exame com o resultado negativo para o HIV. Silêncio. O de seu parceiro, no entanto, tinha dado positivo. Ney fica sem chão porque pensou que contrairia o vírus como muitos dos seus amigos e amores naquele período. Lembro que no dia em que fizemos essa cena, o Ney Matogrosso real estava numa cadeira sentado junto à equipe de filmagem, na frente da cama, olhando para mim e para o Montaleone. Não tinha como não sentir ou abstrair de sua presença no set. As poucas pessoas da equipe que acompanhavam a gravação estavam muito concentradas. Foi um momento doloroso para os dois e importantíssimo para a história que estávamos contando.


Apesar de estar inteiro na cena, meus olhos desviavam para observar as reações de Ney. Pensava no que ele estaria sentindo e trazia aquela tensão para a minha interpretação. Entendi que aquilo que estávamos encenando não era uma lembrança distante do passado, mas algo que ainda estava muito vivo.


Em um determinado momento, Ney se levantou da cadeira. Parecia inquieto. Ele foi tomado pela cena, pela suposta ficção, e começou a chorar compulsivamente. "Eu não sou assim, eu não sou assim." Repetia a mesma frase várias vezes. Por um momento, pensei que ele estava se referindo à minha interpretação. Mas não era isso, ele não estava julgando a cena. Estava, na verdade, protestando contra aquele sentimento que o fazia chorar. Pude ver um Ney Matogrosso vulnerável, com medo e angustiado. Peguei aquela frase que não estava no roteiro e a inseri no filme: "Eu não sou assim." Então, quando você, leitor, assistir a esta cena, saiba que a frase foi dita pelo Ney Matogrosso real na coxia do set. Aquilo foi uma simbiose, uma troca de experiências e de sensações. Foi uma recriação da vida e certamente um dos momentos mais importantes que vivi fazendo cinema.


Assisti ao primeiro corte do filme ao lado do Ney. Estava muito nervoso e ele segurou na minha mão. Chorei muito e quis o colo dele. E ele me deu colo, me amparou. Ele também estava emocionado. Este homem, que sabe acolher o outro em momentos de fraqueza, é também caloroso e diacrítico. Homem cujo peito transborda amor neste mundo hostil. Um homem-águia voando leve, muito leve. Águia que, às vezes, faz uma bela manobra, vem e pousa.



(Disponível em:

https://piaui.folha.uol.com.br/o-misterio-de-ney-matogrosso-jamais-se-revela-completamente/. Acesso em 21 ago. 2025. Adaptado.)

Analise as assertivas que seguem e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)Para o ator, a presença de Ney Matogrosso no set de filmagem não influenciou positivamente sua atuação. Ao contrário, atrapalhou, uma vez que concentrar-se na cena tornou-se mais difícil.
(__)Ao ser tomado pela cena interpretada por Jesuíta Barbosa e chorar muito, Ney Matogrosso demonstra sua humanidade e como aquela situação vivida por ele ainda o toca, ao ponto de não conseguir conter o choro.
(__)O subtítulo do texto possibilita ao leitor do texto inferir que Jesuíta Barbosa, mesmo não conseguindo compreender o enigma que é Ney Matogrosso, conseguiu recriá-lo em sua interpretação no filme.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

Alternativas
Q3654230 Português

O mistério de Ney Matogrosso jamais se revela completamente



Decifrá-lo é impossível. Recriá-lo, não.



Jesuíta Barbosa, ator, intérprete de Ney Matogrosso em "Homem com H"


[...] Uma das cenas mais marcantes das filmagens aconteceu quando eu contracenei com Bruno Montaleone, que interpreta o Marco de Maria. Os dois estão na cama. Ney abre o exame com o resultado negativo para o HIV. Silêncio. O de seu parceiro, no entanto, tinha dado positivo. Ney fica sem chão porque pensou que contrairia o vírus como muitos dos seus amigos e amores naquele período. Lembro que no dia em que fizemos essa cena, o Ney Matogrosso real estava numa cadeira sentado junto à equipe de filmagem, na frente da cama, olhando para mim e para o Montaleone. Não tinha como não sentir ou abstrair de sua presença no set. As poucas pessoas da equipe que acompanhavam a gravação estavam muito concentradas. Foi um momento doloroso para os dois e importantíssimo para a história que estávamos contando.


Apesar de estar inteiro na cena, meus olhos desviavam para observar as reações de Ney. Pensava no que ele estaria sentindo e trazia aquela tensão para a minha interpretação. Entendi que aquilo que estávamos encenando não era uma lembrança distante do passado, mas algo que ainda estava muito vivo.


Em um determinado momento, Ney se levantou da cadeira. Parecia inquieto. Ele foi tomado pela cena, pela suposta ficção, e começou a chorar compulsivamente. "Eu não sou assim, eu não sou assim." Repetia a mesma frase várias vezes. Por um momento, pensei que ele estava se referindo à minha interpretação. Mas não era isso, ele não estava julgando a cena. Estava, na verdade, protestando contra aquele sentimento que o fazia chorar. Pude ver um Ney Matogrosso vulnerável, com medo e angustiado. Peguei aquela frase que não estava no roteiro e a inseri no filme: "Eu não sou assim." Então, quando você, leitor, assistir a esta cena, saiba que a frase foi dita pelo Ney Matogrosso real na coxia do set. Aquilo foi uma simbiose, uma troca de experiências e de sensações. Foi uma recriação da vida e certamente um dos momentos mais importantes que vivi fazendo cinema.


Assisti ao primeiro corte do filme ao lado do Ney. Estava muito nervoso e ele segurou na minha mão. Chorei muito e quis o colo dele. E ele me deu colo, me amparou. Ele também estava emocionado. Este homem, que sabe acolher o outro em momentos de fraqueza, é também caloroso e diacrítico. Homem cujo peito transborda amor neste mundo hostil. Um homem-águia voando leve, muito leve. Águia que, às vezes, faz uma bela manobra, vem e pousa.



(Disponível em:

https://piaui.folha.uol.com.br/o-misterio-de-ney-matogrosso-jamais-se-revela-completamente/. Acesso em 21 ago. 2025. Adaptado.)

No texto, há nove palavras sublinhadas. Analise essas palavras quanto à sua acentuação gráfica e julgue as assertivas a seguir:
I.Duas palavras acentuadas atendem à regra das palavras proparoxítonas.
II.Quatro palavras acentuadas atendem às regras das palavras paroxítonas.
III.Duas palavras acentuadas atendem às regras das palavras oxítonas.
 IV.Uma palavra acentuada atende à regra das palavras com hiatos.

É correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3654084 Português
Quanto às palavras destacadas nas sentenças

I. Meus livros preferidos são os de suspense.
II. Ele desperdiçou o seu tempo com bobagens.
III. Este segredo deve ficar apenas entre nós.

pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q3654083 Português
Identifique qual das sentenças a seguir está correta do ponto de vista ortográfico. 
Alternativas
Q3654082 Português
A ênclise é vetada apenas em: 
Alternativas
Q3654081 Português
Com quantos anos você descobriu que podia fazer tudo o que quisesse?
Nesta sentença, os verbos “descobriu” e “fazer” são: 
Alternativas
Q3654080 Português
A vírgula está corretamente empregada em: 
Alternativas
Q3654079 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.



Um coelho


        Todo mundo sabe: uma agência de publicidade comemorou a Páscoa oferecendo um coelho vivo a 20 personalidades do Rio de Janeiro. Mas o que ninguém sabe é que só depois da Páscoa o meu coelho conseguiu me encontrar.


         Dentro de uma gaiola, o coelho era pesado e assustadiço. Chamava-se Osvaldo — Osvaldo Coelho. No primeiro dia fiquei algumas horas com aquele bicho orelhudo à minha mercê, num restaurante. Providenciei cenouras para Osvaldo e pensei que não havia novidade alguma em tudo aquilo, pois até Hollywood já havia feito um filme mostrando um coelho num bar. O filme era Meu amigo Harvey e James Stewart, o protagonista.


         Quando chegou a madrugada conduzi Osvaldo para o meu lar. Apresentei-lhe o meu melhor amigo, Nelsinho Mota, que é um passarinho inteligente e terno, mas Osvaldo teve medo de Nelsinho e vice-versa. Decidi, então, que a cada um caberia um aposento especial. Nelsinho ficaria na sala e Osvaldo no escritório. [...]


         Minha cozinheira foi a primeira pessoa a perceber o absurdo da situação. Não se pode viver com um coelho dentro de um apartamento — disse ela. “Azar, azia, azeite”, respondi. “Não se pode viver de maneira alguma. O coelho é apenas uma demonstração particularmente cruel dessa evidência”.


          Passaram-se dois dias: simplesmente fiquei dois dias sem voltar para casa, na esperança de que o coelho e a cozinheira entrassem em algum acordo. Mas o lar é uma coisa a que estamos tão habituados que sempre acabamos voltando a ele. Voltei fatigado, deitei me, e na manhã seguinte me pus a assoviar enquanto aparava a barba. Ao café, a cozinheira disse:


         — E o coelho?


     — Não sei. Não tenho jogado no bicho


       — Estou falando é no nosso coelho. (Ela disse “nosso” coelho! O malandro já pertencia à minha família).


       — Ah... O Osvaldo? — disse eu. — Façamos o seguinte: passemos a navalha no pescoço dele e jantemos civet de lapin! Coelho esquartejado!


     — É pecado comer bicho que tem nome cristão — sentenciou ela. E estava certíssima: a minha saudosa galinha, Amélia, morreu de velha; ninguém ousou prepará-la ao molho pardo.


     Eis senão quando o próprio Osvaldo tomou uma atitude singular. Depois de roer a gaiola e de devorar o Canto número dois, de Lautreamont — deixando intacto o Canto número um, que está impresso nas páginas anteriores — ele se esgueirou pelo corredor e, na sala, ficou ouvindo a nossa conversa. Aliás, o nosso silêncio: quando o vimos, a cozinheira e eu nos calamos. Eu, principalmente, estava encabuladíssimo, pois acabava de sugerir uma navalhada no pescoço dele.


        A intuição feminina prevaleceria. A cozinheira mais que depressa abriu a porta da rua e sorriu maliciosamente na minha direção. O coelho, com as orelhas eretas, contemplou longamente a liberdade. Depois, por sua vez, se precipitou para fora.


      Fechamos a porta e suspiramos. O mais e o menos outra vez se equilibravam em nossas vidas: menos um problema, mais um remorso.


OLIVEIRA, J. C. Domingo. In: Caderno B, Jornal do Brasil. Rio de

Janeiro, 1969. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16674/um-coelho>. 

Em “Apresentei-lhe o meu melhor amigo”, o pronome oblíquo átono atua como: 
Alternativas
Q3654078 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.



Um coelho


        Todo mundo sabe: uma agência de publicidade comemorou a Páscoa oferecendo um coelho vivo a 20 personalidades do Rio de Janeiro. Mas o que ninguém sabe é que só depois da Páscoa o meu coelho conseguiu me encontrar.


         Dentro de uma gaiola, o coelho era pesado e assustadiço. Chamava-se Osvaldo — Osvaldo Coelho. No primeiro dia fiquei algumas horas com aquele bicho orelhudo à minha mercê, num restaurante. Providenciei cenouras para Osvaldo e pensei que não havia novidade alguma em tudo aquilo, pois até Hollywood já havia feito um filme mostrando um coelho num bar. O filme era Meu amigo Harvey e James Stewart, o protagonista.


         Quando chegou a madrugada conduzi Osvaldo para o meu lar. Apresentei-lhe o meu melhor amigo, Nelsinho Mota, que é um passarinho inteligente e terno, mas Osvaldo teve medo de Nelsinho e vice-versa. Decidi, então, que a cada um caberia um aposento especial. Nelsinho ficaria na sala e Osvaldo no escritório. [...]


         Minha cozinheira foi a primeira pessoa a perceber o absurdo da situação. Não se pode viver com um coelho dentro de um apartamento — disse ela. “Azar, azia, azeite”, respondi. “Não se pode viver de maneira alguma. O coelho é apenas uma demonstração particularmente cruel dessa evidência”.


          Passaram-se dois dias: simplesmente fiquei dois dias sem voltar para casa, na esperança de que o coelho e a cozinheira entrassem em algum acordo. Mas o lar é uma coisa a que estamos tão habituados que sempre acabamos voltando a ele. Voltei fatigado, deitei me, e na manhã seguinte me pus a assoviar enquanto aparava a barba. Ao café, a cozinheira disse:


         — E o coelho?


     — Não sei. Não tenho jogado no bicho


       — Estou falando é no nosso coelho. (Ela disse “nosso” coelho! O malandro já pertencia à minha família).


       — Ah... O Osvaldo? — disse eu. — Façamos o seguinte: passemos a navalha no pescoço dele e jantemos civet de lapin! Coelho esquartejado!


     — É pecado comer bicho que tem nome cristão — sentenciou ela. E estava certíssima: a minha saudosa galinha, Amélia, morreu de velha; ninguém ousou prepará-la ao molho pardo.


     Eis senão quando o próprio Osvaldo tomou uma atitude singular. Depois de roer a gaiola e de devorar o Canto número dois, de Lautreamont — deixando intacto o Canto número um, que está impresso nas páginas anteriores — ele se esgueirou pelo corredor e, na sala, ficou ouvindo a nossa conversa. Aliás, o nosso silêncio: quando o vimos, a cozinheira e eu nos calamos. Eu, principalmente, estava encabuladíssimo, pois acabava de sugerir uma navalhada no pescoço dele.


        A intuição feminina prevaleceria. A cozinheira mais que depressa abriu a porta da rua e sorriu maliciosamente na minha direção. O coelho, com as orelhas eretas, contemplou longamente a liberdade. Depois, por sua vez, se precipitou para fora.


      Fechamos a porta e suspiramos. O mais e o menos outra vez se equilibravam em nossas vidas: menos um problema, mais um remorso.


OLIVEIRA, J. C. Domingo. In: Caderno B, Jornal do Brasil. Rio de

Janeiro, 1969. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16674/um-coelho>. 

A construção em destaque no trecho “Mas o lar é uma coisa a que estamos tão habituados que sempre acabamos voltando a ele” apresenta, em relação à oração anterior, uma consequência. Portanto, trata-se de uma oração subordinada adverbial: 
Alternativas
Q3654077 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.



Um coelho


        Todo mundo sabe: uma agência de publicidade comemorou a Páscoa oferecendo um coelho vivo a 20 personalidades do Rio de Janeiro. Mas o que ninguém sabe é que só depois da Páscoa o meu coelho conseguiu me encontrar.


         Dentro de uma gaiola, o coelho era pesado e assustadiço. Chamava-se Osvaldo — Osvaldo Coelho. No primeiro dia fiquei algumas horas com aquele bicho orelhudo à minha mercê, num restaurante. Providenciei cenouras para Osvaldo e pensei que não havia novidade alguma em tudo aquilo, pois até Hollywood já havia feito um filme mostrando um coelho num bar. O filme era Meu amigo Harvey e James Stewart, o protagonista.


         Quando chegou a madrugada conduzi Osvaldo para o meu lar. Apresentei-lhe o meu melhor amigo, Nelsinho Mota, que é um passarinho inteligente e terno, mas Osvaldo teve medo de Nelsinho e vice-versa. Decidi, então, que a cada um caberia um aposento especial. Nelsinho ficaria na sala e Osvaldo no escritório. [...]


         Minha cozinheira foi a primeira pessoa a perceber o absurdo da situação. Não se pode viver com um coelho dentro de um apartamento — disse ela. “Azar, azia, azeite”, respondi. “Não se pode viver de maneira alguma. O coelho é apenas uma demonstração particularmente cruel dessa evidência”.


          Passaram-se dois dias: simplesmente fiquei dois dias sem voltar para casa, na esperança de que o coelho e a cozinheira entrassem em algum acordo. Mas o lar é uma coisa a que estamos tão habituados que sempre acabamos voltando a ele. Voltei fatigado, deitei me, e na manhã seguinte me pus a assoviar enquanto aparava a barba. Ao café, a cozinheira disse:


         — E o coelho?


     — Não sei. Não tenho jogado no bicho


       — Estou falando é no nosso coelho. (Ela disse “nosso” coelho! O malandro já pertencia à minha família).


       — Ah... O Osvaldo? — disse eu. — Façamos o seguinte: passemos a navalha no pescoço dele e jantemos civet de lapin! Coelho esquartejado!


     — É pecado comer bicho que tem nome cristão — sentenciou ela. E estava certíssima: a minha saudosa galinha, Amélia, morreu de velha; ninguém ousou prepará-la ao molho pardo.


     Eis senão quando o próprio Osvaldo tomou uma atitude singular. Depois de roer a gaiola e de devorar o Canto número dois, de Lautreamont — deixando intacto o Canto número um, que está impresso nas páginas anteriores — ele se esgueirou pelo corredor e, na sala, ficou ouvindo a nossa conversa. Aliás, o nosso silêncio: quando o vimos, a cozinheira e eu nos calamos. Eu, principalmente, estava encabuladíssimo, pois acabava de sugerir uma navalhada no pescoço dele.


        A intuição feminina prevaleceria. A cozinheira mais que depressa abriu a porta da rua e sorriu maliciosamente na minha direção. O coelho, com as orelhas eretas, contemplou longamente a liberdade. Depois, por sua vez, se precipitou para fora.


      Fechamos a porta e suspiramos. O mais e o menos outra vez se equilibravam em nossas vidas: menos um problema, mais um remorso.


OLIVEIRA, J. C. Domingo. In: Caderno B, Jornal do Brasil. Rio de

Janeiro, 1969. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16674/um-coelho>. 

O advérbio “maliciosamente”, em “A cozinheira mais que depressa abriu a porta da rua e sorriu maliciosamente na minha direção”, exprime uma noção de: 
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Q3654076 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.



Um coelho


        Todo mundo sabe: uma agência de publicidade comemorou a Páscoa oferecendo um coelho vivo a 20 personalidades do Rio de Janeiro. Mas o que ninguém sabe é que só depois da Páscoa o meu coelho conseguiu me encontrar.


         Dentro de uma gaiola, o coelho era pesado e assustadiço. Chamava-se Osvaldo — Osvaldo Coelho. No primeiro dia fiquei algumas horas com aquele bicho orelhudo à minha mercê, num restaurante. Providenciei cenouras para Osvaldo e pensei que não havia novidade alguma em tudo aquilo, pois até Hollywood já havia feito um filme mostrando um coelho num bar. O filme era Meu amigo Harvey e James Stewart, o protagonista.


         Quando chegou a madrugada conduzi Osvaldo para o meu lar. Apresentei-lhe o meu melhor amigo, Nelsinho Mota, que é um passarinho inteligente e terno, mas Osvaldo teve medo de Nelsinho e vice-versa. Decidi, então, que a cada um caberia um aposento especial. Nelsinho ficaria na sala e Osvaldo no escritório. [...]


         Minha cozinheira foi a primeira pessoa a perceber o absurdo da situação. Não se pode viver com um coelho dentro de um apartamento — disse ela. “Azar, azia, azeite”, respondi. “Não se pode viver de maneira alguma. O coelho é apenas uma demonstração particularmente cruel dessa evidência”.


          Passaram-se dois dias: simplesmente fiquei dois dias sem voltar para casa, na esperança de que o coelho e a cozinheira entrassem em algum acordo. Mas o lar é uma coisa a que estamos tão habituados que sempre acabamos voltando a ele. Voltei fatigado, deitei me, e na manhã seguinte me pus a assoviar enquanto aparava a barba. Ao café, a cozinheira disse:


         — E o coelho?


     — Não sei. Não tenho jogado no bicho


       — Estou falando é no nosso coelho. (Ela disse “nosso” coelho! O malandro já pertencia à minha família).


       — Ah... O Osvaldo? — disse eu. — Façamos o seguinte: passemos a navalha no pescoço dele e jantemos civet de lapin! Coelho esquartejado!


     — É pecado comer bicho que tem nome cristão — sentenciou ela. E estava certíssima: a minha saudosa galinha, Amélia, morreu de velha; ninguém ousou prepará-la ao molho pardo.


     Eis senão quando o próprio Osvaldo tomou uma atitude singular. Depois de roer a gaiola e de devorar o Canto número dois, de Lautreamont — deixando intacto o Canto número um, que está impresso nas páginas anteriores — ele se esgueirou pelo corredor e, na sala, ficou ouvindo a nossa conversa. Aliás, o nosso silêncio: quando o vimos, a cozinheira e eu nos calamos. Eu, principalmente, estava encabuladíssimo, pois acabava de sugerir uma navalhada no pescoço dele.


        A intuição feminina prevaleceria. A cozinheira mais que depressa abriu a porta da rua e sorriu maliciosamente na minha direção. O coelho, com as orelhas eretas, contemplou longamente a liberdade. Depois, por sua vez, se precipitou para fora.


      Fechamos a porta e suspiramos. O mais e o menos outra vez se equilibravam em nossas vidas: menos um problema, mais um remorso.


OLIVEIRA, J. C. Domingo. In: Caderno B, Jornal do Brasil. Rio de

Janeiro, 1969. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16674/um-coelho>. 

O grau do adjetivo em “Eu, principalmente, estava encabuladíssimo” é: 
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Q3654075 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.



Um coelho


        Todo mundo sabe: uma agência de publicidade comemorou a Páscoa oferecendo um coelho vivo a 20 personalidades do Rio de Janeiro. Mas o que ninguém sabe é que só depois da Páscoa o meu coelho conseguiu me encontrar.


         Dentro de uma gaiola, o coelho era pesado e assustadiço. Chamava-se Osvaldo — Osvaldo Coelho. No primeiro dia fiquei algumas horas com aquele bicho orelhudo à minha mercê, num restaurante. Providenciei cenouras para Osvaldo e pensei que não havia novidade alguma em tudo aquilo, pois até Hollywood já havia feito um filme mostrando um coelho num bar. O filme era Meu amigo Harvey e James Stewart, o protagonista.


         Quando chegou a madrugada conduzi Osvaldo para o meu lar. Apresentei-lhe o meu melhor amigo, Nelsinho Mota, que é um passarinho inteligente e terno, mas Osvaldo teve medo de Nelsinho e vice-versa. Decidi, então, que a cada um caberia um aposento especial. Nelsinho ficaria na sala e Osvaldo no escritório. [...]


         Minha cozinheira foi a primeira pessoa a perceber o absurdo da situação. Não se pode viver com um coelho dentro de um apartamento — disse ela. “Azar, azia, azeite”, respondi. “Não se pode viver de maneira alguma. O coelho é apenas uma demonstração particularmente cruel dessa evidência”.


          Passaram-se dois dias: simplesmente fiquei dois dias sem voltar para casa, na esperança de que o coelho e a cozinheira entrassem em algum acordo. Mas o lar é uma coisa a que estamos tão habituados que sempre acabamos voltando a ele. Voltei fatigado, deitei me, e na manhã seguinte me pus a assoviar enquanto aparava a barba. Ao café, a cozinheira disse:


         — E o coelho?


     — Não sei. Não tenho jogado no bicho


       — Estou falando é no nosso coelho. (Ela disse “nosso” coelho! O malandro já pertencia à minha família).


       — Ah... O Osvaldo? — disse eu. — Façamos o seguinte: passemos a navalha no pescoço dele e jantemos civet de lapin! Coelho esquartejado!


     — É pecado comer bicho que tem nome cristão — sentenciou ela. E estava certíssima: a minha saudosa galinha, Amélia, morreu de velha; ninguém ousou prepará-la ao molho pardo.


     Eis senão quando o próprio Osvaldo tomou uma atitude singular. Depois de roer a gaiola e de devorar o Canto número dois, de Lautreamont — deixando intacto o Canto número um, que está impresso nas páginas anteriores — ele se esgueirou pelo corredor e, na sala, ficou ouvindo a nossa conversa. Aliás, o nosso silêncio: quando o vimos, a cozinheira e eu nos calamos. Eu, principalmente, estava encabuladíssimo, pois acabava de sugerir uma navalhada no pescoço dele.


        A intuição feminina prevaleceria. A cozinheira mais que depressa abriu a porta da rua e sorriu maliciosamente na minha direção. O coelho, com as orelhas eretas, contemplou longamente a liberdade. Depois, por sua vez, se precipitou para fora.


      Fechamos a porta e suspiramos. O mais e o menos outra vez se equilibravam em nossas vidas: menos um problema, mais um remorso.


OLIVEIRA, J. C. Domingo. In: Caderno B, Jornal do Brasil. Rio de

Janeiro, 1969. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16674/um-coelho>. 

Ao declarar, no final do texto, “menos um problema, mais um remorso”, o narrador se refere: 
Alternativas
Q3654004 Português
Considere o texto abaixo para responder à questão.


  Elas ergueram quatro Copas do Mundo. Eles nenhuma. Elas ganharam quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas. Eles duas, mas de prata e bronze. E em 1904. As diferenças também são absurdas nos salários: as jogadoras da liga profissional dos Estados Unidos têm salário mínimo de 16.538 dólares (61.800 reais). Eles de 70.250 (262.000 reais). Essa desigualdade, tão assumida em outros países, não é vivida com a mesma naturalidade em uma nação em que quase o mesmo número de mulheres e homens joga futebol no colégio. Por isso, quando as campeãs da Copa da França levantaram a taça, as aproximadamente 60.000 vozes no estádio de Lyon comemoraram gritando “Equal pay! Equal pay! Equal pay!” (igualdade salarial, igualdade salarial). O assunto já está nos tribunais. Em 8 de março, o dia internacional da mulher, as 28 jogadoras da Seleção processaram seu empregador, a Federação Nacional de Futebol (USSF), por discriminação de gênero.

  A Federação norte-americana alega que as equipes têm obrigações diferentes e que as compensações são tão distintas que não podem ser comparadas. Uma das diferenças, por exemplo, é que os homens recebem pagamento de 17.000 dólares (63.000 reais) por ganhar um amistoso contra uma equipe do Top 10. As mulheres, por sua vez, recebem bônus de 8.000 (30.000 reais) somente se ganharem das quatro melhores. O sistema é tão complexo que, de fato, é difícil detalhar o que cada um ganha, mas todos os dados conhecidos revelam o abismo que as separa. Na Copa do Brasil em 2014 — a última disputada pela seleção masculina dos EUA — a Federação deu à equipe um bônus de 5,4 milhões de dólares (20 milhões de reais) após ser eliminada nas oitavas de final. Quando o feminino se consagrou campeão na final da Copa do Canadá em 2015, o jogo de futebol mais visto na história da televisão norte-americana, receberam bonificação de 1,72 milhão (6,5 milhões de reais).


Fonte: Antonia Laborde. “Desigualdade salarial, explicada pelo futebol feminino dos EUA”. brasil.elpais.com, 14.07.2019. Adaptado.



As palavras “história” e “salário”, retiradas do texto, possuem acento porque são paroxítonas terminadas em ditongo, conforme a regra de acentuação. Assinale a alternativa que apresenta uma palavra com a mesma regra de acentuação:
Alternativas
Q3654003 Português
Considere o texto abaixo para responder à questão.


  Elas ergueram quatro Copas do Mundo. Eles nenhuma. Elas ganharam quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas. Eles duas, mas de prata e bronze. E em 1904. As diferenças também são absurdas nos salários: as jogadoras da liga profissional dos Estados Unidos têm salário mínimo de 16.538 dólares (61.800 reais). Eles de 70.250 (262.000 reais). Essa desigualdade, tão assumida em outros países, não é vivida com a mesma naturalidade em uma nação em que quase o mesmo número de mulheres e homens joga futebol no colégio. Por isso, quando as campeãs da Copa da França levantaram a taça, as aproximadamente 60.000 vozes no estádio de Lyon comemoraram gritando “Equal pay! Equal pay! Equal pay!” (igualdade salarial, igualdade salarial). O assunto já está nos tribunais. Em 8 de março, o dia internacional da mulher, as 28 jogadoras da Seleção processaram seu empregador, a Federação Nacional de Futebol (USSF), por discriminação de gênero.

  A Federação norte-americana alega que as equipes têm obrigações diferentes e que as compensações são tão distintas que não podem ser comparadas. Uma das diferenças, por exemplo, é que os homens recebem pagamento de 17.000 dólares (63.000 reais) por ganhar um amistoso contra uma equipe do Top 10. As mulheres, por sua vez, recebem bônus de 8.000 (30.000 reais) somente se ganharem das quatro melhores. O sistema é tão complexo que, de fato, é difícil detalhar o que cada um ganha, mas todos os dados conhecidos revelam o abismo que as separa. Na Copa do Brasil em 2014 — a última disputada pela seleção masculina dos EUA — a Federação deu à equipe um bônus de 5,4 milhões de dólares (20 milhões de reais) após ser eliminada nas oitavas de final. Quando o feminino se consagrou campeão na final da Copa do Canadá em 2015, o jogo de futebol mais visto na história da televisão norte-americana, receberam bonificação de 1,72 milhão (6,5 milhões de reais).


Fonte: Antonia Laborde. “Desigualdade salarial, explicada pelo futebol feminino dos EUA”. brasil.elpais.com, 14.07.2019. Adaptado.



Leia o trecho: “Na Copa do Brasil em 2014 — a última disputada pela seleção masculina dos EUA — a Federação deu à equipe um bônus de 5,4 milhões de dólares (20 milhões de reais) após ser eliminada nas oitavas de final. Quando o feminino se consagrou campeão na final da Copa do Canadá em 2015, o jogo de futebol mais visto na história da televisão norte-americana, receberam bonificação de 1,72 milhão (6,5 milhões de reais).”

A partir da leitura do fragmento retirado do texto, analise as afirmações a seguir:

I. O segmento “— a última disputada pela seleção masculina dos EUA —” é um aposto explicativo que acrescenta uma informação acessória sobre o substantivo “Copa do Brasil”.
II. A oração “Quando o feminino se consagrou campeão na final da Copa do Canadá em 2015” exerce valor temporal, indicando o momento em que ocorreu a ação principal.
III. O sintagma “o jogo de futebol mais visto na história da televisão norte-americana” funciona como predicativo do sujeito “feminino”, atribuindo-lhe uma característica.

Assinale a alternativa CORRETA
Alternativas
Q3654002 Português
Considere o texto abaixo para responder à questão.


  Elas ergueram quatro Copas do Mundo. Eles nenhuma. Elas ganharam quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas. Eles duas, mas de prata e bronze. E em 1904. As diferenças também são absurdas nos salários: as jogadoras da liga profissional dos Estados Unidos têm salário mínimo de 16.538 dólares (61.800 reais). Eles de 70.250 (262.000 reais). Essa desigualdade, tão assumida em outros países, não é vivida com a mesma naturalidade em uma nação em que quase o mesmo número de mulheres e homens joga futebol no colégio. Por isso, quando as campeãs da Copa da França levantaram a taça, as aproximadamente 60.000 vozes no estádio de Lyon comemoraram gritando “Equal pay! Equal pay! Equal pay!” (igualdade salarial, igualdade salarial). O assunto já está nos tribunais. Em 8 de março, o dia internacional da mulher, as 28 jogadoras da Seleção processaram seu empregador, a Federação Nacional de Futebol (USSF), por discriminação de gênero.

  A Federação norte-americana alega que as equipes têm obrigações diferentes e que as compensações são tão distintas que não podem ser comparadas. Uma das diferenças, por exemplo, é que os homens recebem pagamento de 17.000 dólares (63.000 reais) por ganhar um amistoso contra uma equipe do Top 10. As mulheres, por sua vez, recebem bônus de 8.000 (30.000 reais) somente se ganharem das quatro melhores. O sistema é tão complexo que, de fato, é difícil detalhar o que cada um ganha, mas todos os dados conhecidos revelam o abismo que as separa. Na Copa do Brasil em 2014 — a última disputada pela seleção masculina dos EUA — a Federação deu à equipe um bônus de 5,4 milhões de dólares (20 milhões de reais) após ser eliminada nas oitavas de final. Quando o feminino se consagrou campeão na final da Copa do Canadá em 2015, o jogo de futebol mais visto na história da televisão norte-americana, receberam bonificação de 1,72 milhão (6,5 milhões de reais).


Fonte: Antonia Laborde. “Desigualdade salarial, explicada pelo futebol feminino dos EUA”. brasil.elpais.com, 14.07.2019. Adaptado.



No trecho “O sistema é tão complexo que, de fato, é difícil detalhar o que cada um ganha, mas todos os dados conhecidos revelam o abismo que as separa”, a conjunção destacada indica relação de:
Alternativas
Q3654001 Português
Considere o texto que segue para responder à questão.


   Nos achamos tão livres como donos de tablets e celulares, vamos a qualquer lugar na internet, lutamos pelas causas mesmo de países do outro lado do planeta, participamos de protestos globais e mal percebemos que criamos uma pós-submissão. Ou um tipo mais perigoso e insidioso de submissão. Temos nos esforçado livremente e com grande afinco para alcançar a meta de trabalhar 24×7. Vinte e quatro horas por sete dias da semana. Nenhum capitalista havia sonhado tanto. O chefe nos alcança em qualquer lugar, a qualquer hora. O expediente nunca mais acaba. Já não há espaço de trabalho e espaço de lazer, não há nem mesmo casa. Tudo se confunde. A internet foi usada para borrar as fronteiras também do mundo interno, que agora é um fora. Estamos sempre, de algum modo, trabalhando, fazendo networking, debatendo (ou brigando), intervindo, tentando não perder nada, principalmente a notícia ordinária. Consumimo-nos animadamente, ao ritmo de emoticons. E, assim, perdemos só a alma. E alcançamos uma façanha inédita: ser senhor e escravo ao mesmo tempo.

  Como na época da aceleração os anos já não começam nem terminam, apenas se emendam, tanto quanto os meses e como os dias, a metade de 2016 chegou quando parecia que ainda era março. Estamos exaustos e correndo. Exaustos e correndo. Exaustos e correndo. E a má notícia é que continuaremos exaustos e correndo, porque exaustos-ecorrendo virou a condição humana dessa época. E já percebemos que essa condição humana um corpo humano não aguenta. O corpo então virou um atrapalho, um apêndice incômodo, um não-dá-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em pânico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados. Porque só dopados para continuar exaustos-e-correndo. Pelo menos até conseguirmos nos livrar desse corpo que se tornou uma barreira. O problema é que o corpo não é um outro, o corpo é o que chamamos de eu. O corpo não é limite, mas a própria condição. O corpo é.

   Os cliques da internet tornaram-se os remos das antigas galés. Remem remem remem. Cliquem cliquem cliquem para não ficar para trás e morrer. Mas o presente, nessa velocidade, é um pretérito contínuo. Se a internet parece ter encolhido o mundo, e milhares de quilômetros podem ser reduzidos a um clique, como diz o clichê e alguns anúncios publicitários, nosso mundo interno ficou a oceanos de nós. Conectados ao planeta inteiro, estamos desconectados do eu e também do outro. Incapazes da alteridade, o outro se tornou alguém a ser destruído, bloqueado ou mesmo deletado. Falamos muito, mas sozinhos. Escassas são as conversas, a rede tornou-se em parte um interminável discurso autorreferente, um delírio narcisista. E narciso é um eu sem eu. Porque para existir eu é preciso o outro.

  Há tanta informação disponível, mas talvez estejamos nos imbecilizando. Porque nos falta contemplação, nos falta o vazio que impele à criação, nos falta silêncios. Nos falta até o tédio. Sem experiência não há conhecimento. E talvez uma parcela do ativismo seja uma ilusão de ativismo, porque sem o outro. Talvez parte do que acreditamos ser ativismo seja, ao contrário, passividade. Um novo tipo de passividade, cheia de gritos, de certezas e de pontos de exclamação. [...].


Fonte: BRUM, Eliane. Exaustos-e-correndo-e-dopados. El País Brasil, 4 jul. 2016.

Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/04/politica/1467642464_246482.html. Acesso em: 20 ago. 2025 
No trecho “Falamos muito, mas sozinhos”, sobre a transitividade do verbo destacado, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3654000 Português
Considere o texto que segue para responder à questão.


   Nos achamos tão livres como donos de tablets e celulares, vamos a qualquer lugar na internet, lutamos pelas causas mesmo de países do outro lado do planeta, participamos de protestos globais e mal percebemos que criamos uma pós-submissão. Ou um tipo mais perigoso e insidioso de submissão. Temos nos esforçado livremente e com grande afinco para alcançar a meta de trabalhar 24×7. Vinte e quatro horas por sete dias da semana. Nenhum capitalista havia sonhado tanto. O chefe nos alcança em qualquer lugar, a qualquer hora. O expediente nunca mais acaba. Já não há espaço de trabalho e espaço de lazer, não há nem mesmo casa. Tudo se confunde. A internet foi usada para borrar as fronteiras também do mundo interno, que agora é um fora. Estamos sempre, de algum modo, trabalhando, fazendo networking, debatendo (ou brigando), intervindo, tentando não perder nada, principalmente a notícia ordinária. Consumimo-nos animadamente, ao ritmo de emoticons. E, assim, perdemos só a alma. E alcançamos uma façanha inédita: ser senhor e escravo ao mesmo tempo.

  Como na época da aceleração os anos já não começam nem terminam, apenas se emendam, tanto quanto os meses e como os dias, a metade de 2016 chegou quando parecia que ainda era março. Estamos exaustos e correndo. Exaustos e correndo. Exaustos e correndo. E a má notícia é que continuaremos exaustos e correndo, porque exaustos-ecorrendo virou a condição humana dessa época. E já percebemos que essa condição humana um corpo humano não aguenta. O corpo então virou um atrapalho, um apêndice incômodo, um não-dá-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em pânico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados. Porque só dopados para continuar exaustos-e-correndo. Pelo menos até conseguirmos nos livrar desse corpo que se tornou uma barreira. O problema é que o corpo não é um outro, o corpo é o que chamamos de eu. O corpo não é limite, mas a própria condição. O corpo é.

   Os cliques da internet tornaram-se os remos das antigas galés. Remem remem remem. Cliquem cliquem cliquem para não ficar para trás e morrer. Mas o presente, nessa velocidade, é um pretérito contínuo. Se a internet parece ter encolhido o mundo, e milhares de quilômetros podem ser reduzidos a um clique, como diz o clichê e alguns anúncios publicitários, nosso mundo interno ficou a oceanos de nós. Conectados ao planeta inteiro, estamos desconectados do eu e também do outro. Incapazes da alteridade, o outro se tornou alguém a ser destruído, bloqueado ou mesmo deletado. Falamos muito, mas sozinhos. Escassas são as conversas, a rede tornou-se em parte um interminável discurso autorreferente, um delírio narcisista. E narciso é um eu sem eu. Porque para existir eu é preciso o outro.

  Há tanta informação disponível, mas talvez estejamos nos imbecilizando. Porque nos falta contemplação, nos falta o vazio que impele à criação, nos falta silêncios. Nos falta até o tédio. Sem experiência não há conhecimento. E talvez uma parcela do ativismo seja uma ilusão de ativismo, porque sem o outro. Talvez parte do que acreditamos ser ativismo seja, ao contrário, passividade. Um novo tipo de passividade, cheia de gritos, de certezas e de pontos de exclamação. [...].


Fonte: BRUM, Eliane. Exaustos-e-correndo-e-dopados. El País Brasil, 4 jul. 2016.

Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/04/politica/1467642464_246482.html. Acesso em: 20 ago. 2025 
No trecho “Consumimo-nos animadamente, ao ritmo de emoticons. E, assim, perdemos só a alma”, a expressão destacada (“E, assim,”) tem a função de:
Alternativas
Q3653999 Português
Considere o texto que segue para responder à questão.


   Nos achamos tão livres como donos de tablets e celulares, vamos a qualquer lugar na internet, lutamos pelas causas mesmo de países do outro lado do planeta, participamos de protestos globais e mal percebemos que criamos uma pós-submissão. Ou um tipo mais perigoso e insidioso de submissão. Temos nos esforçado livremente e com grande afinco para alcançar a meta de trabalhar 24×7. Vinte e quatro horas por sete dias da semana. Nenhum capitalista havia sonhado tanto. O chefe nos alcança em qualquer lugar, a qualquer hora. O expediente nunca mais acaba. Já não há espaço de trabalho e espaço de lazer, não há nem mesmo casa. Tudo se confunde. A internet foi usada para borrar as fronteiras também do mundo interno, que agora é um fora. Estamos sempre, de algum modo, trabalhando, fazendo networking, debatendo (ou brigando), intervindo, tentando não perder nada, principalmente a notícia ordinária. Consumimo-nos animadamente, ao ritmo de emoticons. E, assim, perdemos só a alma. E alcançamos uma façanha inédita: ser senhor e escravo ao mesmo tempo.

  Como na época da aceleração os anos já não começam nem terminam, apenas se emendam, tanto quanto os meses e como os dias, a metade de 2016 chegou quando parecia que ainda era março. Estamos exaustos e correndo. Exaustos e correndo. Exaustos e correndo. E a má notícia é que continuaremos exaustos e correndo, porque exaustos-ecorrendo virou a condição humana dessa época. E já percebemos que essa condição humana um corpo humano não aguenta. O corpo então virou um atrapalho, um apêndice incômodo, um não-dá-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em pânico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados. Porque só dopados para continuar exaustos-e-correndo. Pelo menos até conseguirmos nos livrar desse corpo que se tornou uma barreira. O problema é que o corpo não é um outro, o corpo é o que chamamos de eu. O corpo não é limite, mas a própria condição. O corpo é.

   Os cliques da internet tornaram-se os remos das antigas galés. Remem remem remem. Cliquem cliquem cliquem para não ficar para trás e morrer. Mas o presente, nessa velocidade, é um pretérito contínuo. Se a internet parece ter encolhido o mundo, e milhares de quilômetros podem ser reduzidos a um clique, como diz o clichê e alguns anúncios publicitários, nosso mundo interno ficou a oceanos de nós. Conectados ao planeta inteiro, estamos desconectados do eu e também do outro. Incapazes da alteridade, o outro se tornou alguém a ser destruído, bloqueado ou mesmo deletado. Falamos muito, mas sozinhos. Escassas são as conversas, a rede tornou-se em parte um interminável discurso autorreferente, um delírio narcisista. E narciso é um eu sem eu. Porque para existir eu é preciso o outro.

  Há tanta informação disponível, mas talvez estejamos nos imbecilizando. Porque nos falta contemplação, nos falta o vazio que impele à criação, nos falta silêncios. Nos falta até o tédio. Sem experiência não há conhecimento. E talvez uma parcela do ativismo seja uma ilusão de ativismo, porque sem o outro. Talvez parte do que acreditamos ser ativismo seja, ao contrário, passividade. Um novo tipo de passividade, cheia de gritos, de certezas e de pontos de exclamação. [...].


Fonte: BRUM, Eliane. Exaustos-e-correndo-e-dopados. El País Brasil, 4 jul. 2016.

Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/04/politica/1467642464_246482.html. Acesso em: 20 ago. 2025 
No trecho “Os cliques da internet tornaram-se os remos das antigas galés”, a autora emprega a expressão “remos das antigas galés” em sentido conotativo, estabelecendo uma relação de sentido figurado. Essa construção é um exemplo do recurso estilístico conhecido como:
Alternativas
Respostas
40141: X
40142: E
40143: B
40144: E
40145: C
40146: B
40147: A
40148: B
40149: C
40150: A
40151: C
40152: B
40153: B
40154: A
40155: D
40156: C
40157: C
40158: A
40159: C
40160: A