Questões de Concurso Sobre português
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TEXTO PARA A QUESTÃO ABAIXO.
O que fica
Dizem que as janelas das casas abandonadas encaram quem ousa olhar demais. Toda casa guarda o eco do último passo. E, numa rua que um dia foi habitada, agora só restam esqueletos de concreto.
As ruínas respiram. Mesmo cobertas de mato, ainda respiram. Há uma memória vegetal crescendo por entre os tijolos. Se parede sonhasse, sonharia em ser morada de novo. Quando o reboco cai, aparecem histórias. As cidades também têm rugas, esquinas que não se refazem.
No caminho diário, encontro casas e prédios que já foram habitados e hoje sobrevivem em silêncio. Alguns parecem querer contar o que foram; outros apenas lembram que a memória das coisas resiste mesmo depois que o tempo as desabitou.
Há um esforço quase teimoso de quem tenta preservar essas construções que carregam a história do cotidiano. Gente que acredita que uma parede antiga vale mais do que um terreno limpo. Que memória é uma forma de moradia, mesmo quando já não cabe gente dentro.
Quem sabe o que chamamos de ruína seja apenas resistência: o modo que as construções encontram de permanecer, mesmo quando tudo ao redor insiste em esquecer. Preservar é reconhecer, nas paredes antigas, não só ruínas, mas testemunhas, lugares que devolvem presença, passado e futuro ao mesmo tempo.
Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado).
"Sua casa refletia essa memória afetiva, onde até a colher de pau e a panela de pressão mostravam sinais de desgaste, tal como sua própria dona."
Sobre a estrutura dessa frase, analise as afirmativas a seguir, à luz da gramática normativa e dos mecanismos de organização frasal.
I.O deslocamento do segmento "tal como sua própria dona" para o início do período comprometeria a clareza referencial e a progressão temática do enunciado, pois eliminaria o paralelismo com o termo "sinais de desgaste".
II.A substituição do termo "onde" por "na qual" manteria a correção gramatical e a clareza referencial, embora atribua maior formalidade sintática ao trecho.
III.A modificação da expressão "refletia essa memória afetiva" por "guardava essas memórias afetivas" implicaria mudança de aspecto verbal e de sentido, substituindo um valor metafórico por um valor literal mais objetivo.
IV.A correção gramatical do período seria comprometida caso se suprimisse a vírgula após "afetiva", pois tal pontuação delimita uma oração adjetiva restritiva, essencial ao entendimento do referente "casa".
Está CORRETO o que se afirma em:
Texto 2
A seguir, leia alguns trechos da canção Se avexe não, de Tássia Reis, e, com base neles, responda à questão.
Se avexe não
Não chore
Nem se demore nesta dor
Porque acalanto do seu coração
Está vindo e é tão lindo
Quanto esta canção
[…]
Só sorri quando quero chorar
Isso não foi difícil aprender, mas
Desaprendo pra algo mudar
E assim eu me fortalecer
Me permito desmoronar
Desaguar todo entristecer
Pra que seja possível curar
Me amar e me prevalecer
Pra quando um amor chegar
Enxergar e não desfalecer
Sem alguns dos seres desfrutar
De uma fonte de um belo querer
[…]
REIS, Tássia. Se avexe não. Disponível em: https://www.letras.mus.br/tassia-reis/se-avexe-nao/significado.html .Acessado em: 29/10/2025.
Analisando o contexto social e geográfico de uso dessa expressão, qual é o principal papel que ela cumpre na caracterização da linguagem da música?
Texto 2
A seguir, leia alguns trechos da canção Se avexe não, de Tássia Reis, e, com base neles, responda à questão.
Se avexe não
Não chore
Nem se demore nesta dor
Porque acalanto do seu coração
Está vindo e é tão lindo
Quanto esta canção
[…]
Só sorri quando quero chorar
Isso não foi difícil aprender, mas
Desaprendo pra algo mudar
E assim eu me fortalecer
Me permito desmoronar
Desaguar todo entristecer
Pra que seja possível curar
Me amar e me prevalecer
Pra quando um amor chegar
Enxergar e não desfalecer
Sem alguns dos seres desfrutar
De uma fonte de um belo querer
[…]
REIS, Tássia. Se avexe não. Disponível em: https://www.letras.mus.br/tassia-reis/se-avexe-nao/significado.html .Acessado em: 29/10/2025.
“Só sorri quando quero chorar Isso não foi difícil aprender, mas Desaprendo pra algo mudar”
Para que o ato de “desaprender” mencionado na canção se torna essencial no processo de transformação pessoal da voz poética?
Texto 2
A seguir, leia alguns trechos da canção Se avexe não, de Tássia Reis, e, com base neles, responda à questão.
Se avexe não
Não chore
Nem se demore nesta dor
Porque acalanto do seu coração
Está vindo e é tão lindo
Quanto esta canção
[…]
Só sorri quando quero chorar
Isso não foi difícil aprender, mas
Desaprendo pra algo mudar
E assim eu me fortalecer
Me permito desmoronar
Desaguar todo entristecer
Pra que seja possível curar
Me amar e me prevalecer
Pra quando um amor chegar
Enxergar e não desfalecer
Sem alguns dos seres desfrutar
De uma fonte de um belo querer
[…]
REIS, Tássia. Se avexe não. Disponível em: https://www.letras.mus.br/tassia-reis/se-avexe-nao/significado.html .Acessado em: 29/10/2025.
Texto 1
Leia com atenção a tradução feita por Paloma Vidal do poema de Tamara Kamenszain no livro O eco da minha mãe:
Não posso narrar.
Que pretérito me serviria
se minha mãe já não me tece?
Desencaminhada então eu me detenho
ante um estado de coisas presente demais:
ser a descuidada que cuida dela
enquanto outros a descuidam por mim.
São pessoas que me sobram
e a gramática se torna um escândalo
quando ela que esqueceu as palavras
adianta seu bebê furioso
a fim de dizer tudo
mesmo que nada se entenda.
KAMENSZAIN, Tamara. O gueto / O eco da minha mãe. Tradução de Paloma Vidal e Carlito Azevedo. Edição bilíngue. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012. p. 77.
“Ser a descuidada que cuida dela enquanto outros a descuidam por mim.”
Assinale a alternativa correta em relação ao verso.
Texto 1
Leia com atenção a tradução feita por Paloma Vidal do poema de Tamara Kamenszain no livro O eco da minha mãe:
Não posso narrar.
Que pretérito me serviria
se minha mãe já não me tece?
Desencaminhada então eu me detenho
ante um estado de coisas presente demais:
ser a descuidada que cuida dela
enquanto outros a descuidam por mim.
São pessoas que me sobram
e a gramática se torna um escândalo
quando ela que esqueceu as palavras
adianta seu bebê furioso
a fim de dizer tudo
mesmo que nada se entenda.
KAMENSZAIN, Tamara. O gueto / O eco da minha mãe. Tradução de Paloma Vidal e Carlito Azevedo. Edição bilíngue. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012. p. 77.
Texto 1
Leia com atenção a tradução feita por Paloma Vidal do poema de Tamara Kamenszain no livro O eco da minha mãe:
Não posso narrar.
Que pretérito me serviria
se minha mãe já não me tece?
Desencaminhada então eu me detenho
ante um estado de coisas presente demais:
ser a descuidada que cuida dela
enquanto outros a descuidam por mim.
São pessoas que me sobram
e a gramática se torna um escândalo
quando ela que esqueceu as palavras
adianta seu bebê furioso
a fim de dizer tudo
mesmo que nada se entenda.
KAMENSZAIN, Tamara. O gueto / O eco da minha mãe. Tradução de Paloma Vidal e Carlito Azevedo. Edição bilíngue. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012. p. 77.
"Sua casa refletia essa memória afetiva, onde até a colher de pau e a panela de pressão mostravam sinais de desgaste, tal como sua própria dona."
Sobre a estrutura dessa frase, analise as afirmativas a seguir, à luz da gramática normativa e dos mecanismos de organização frasal.
I.O deslocamento do segmento "tal como sua própria dona" para o início do período comprometeria a clareza referencial e a progressão temática do enunciado, pois eliminaria o paralelismo com o termo "sinais de desgaste".
II.A substituição do termo "onde" por "na qual" manteria a correção gramatical e a clareza referencial, embora atribua maior formalidade sintática ao trecho.
III.A modificação da expressão "refletia essa memória afetiva" por "guardava essas memórias afetivas" implicaria mudança de aspecto verbal e de sentido, substituindo um valor metafórico por um valor literal mais objetivo.
IV.A correção gramatical do período seria comprometida caso se suprimisse a vírgula após "afetiva", pois tal pontuação delimita uma oração adjetiva restritiva, essencial ao entendimento do referente "casa".
Está CORRETO o que se afirma em:
Debaixo da casca
Olhar-se no espelho pode ser uma aventura muito mais radical do que um passeio de montanha-russa. Digo isso com intenção, quando encaramos de verdade o nosso reflexo e percebemos muito além da superfície, muito além da casca. A infinidade de mundos paralelos e detalhes únicos que nos formam como indivíduos nem sempre é observada, e talvez seja por isso que preferimos permanecer no raso, onde dá pé. Mergulhar em seu próprio reflexo é um ato de coragem, mais ainda quando o mergulho vem acompanhado de questionamentos. Um deles: o que ainda mora em mim e já não deveria mais morar?
Abrigamos quase 40 trilhões de bactérias no corpo e cerca de 30 trilhões de células. Junto a isso, dezenas (ou centenas, quiçá milhares) de erros e deslizes e momentos que não nos orgulhamos. Aqui se esconde mais um motivo pelo qual o espelho só serve para avaliar a armadura na maioria das vezes: reconhecer-se como ser humano errante dói, principalmente quando sabemos que já passamos por cima de tal erro. Contudo, enterrar o que já aconteceu não ignora o fato de ter acontecido.
Assumidamente humanos, vez que outra espelhamos (!) no outro justamente o que nos falta ou o que nos apavora. É a tal da projeção que a psicologia tanto fala. São sentimentos, desejos ou falhas que nos competem, mas que acabam servindo melhor ao outro quando o nosso mecanismo de defesa é ativado. Afinal, é muito mais fácil sentir raiva do outro do que pena de si mesmo, não é? Esse autorreconhecimento para muito além da casca envolve tornar consciente a própria vulnerabilidade e um apanhado de responsabilidades que nem sempre gostaríamos de ter.
Ao admitirmos falhas e deslizes, nosso ego é abatido, mas essa é uma ferida que não precisa necessariamente ser apenas dor. Reconhecer-se como um humano que erra (e que ainda vai errar muito) pode se tornar porta de entrada para um encontro mais honesto consigo mesmo. Entre o desconforto e a aceitação, passa a existir um espaço e uma vontade para abraçar a si próprio, acolhendo-se como alguém que visualiza suas imperfeições e mesmo assim segue.
Somos complexos, somos múltiplos, somos tudo aquilo que ainda não descobrimos ser. E tal qual conhecer uma nova pessoa que acaba de entrar em nossa vida, acostumar-se com o reconhecer-se rotineiramente é tarefa individual imprescindível. Nem sempre gostaremos de algumas versões nossas de imediato, mas ainda bem que temos o espelho como suporte para penetrar a casca. Seja na dor ou na felicidade de ser quem se é, o urgente é conhecer quem nos habita.
Autor: Pedro Guerra (adaptado).
Debaixo da casca
Olhar-se no espelho pode ser uma aventura muito mais radical do que um passeio de montanha-russa. Digo isso com intenção, quando encaramos de verdade o nosso reflexo e percebemos muito além da superfície, muito além da casca. A infinidade de mundos paralelos e detalhes únicos que nos formam como indivíduos nem sempre é observada, e talvez seja por isso que preferimos permanecer no raso, onde dá pé. Mergulhar em seu próprio reflexo é um ato de coragem, mais ainda quando o mergulho vem acompanhado de questionamentos. Um deles: o que ainda mora em mim e já não deveria mais morar?
Abrigamos quase 40 trilhões de bactérias no corpo e cerca de 30 trilhões de células. Junto a isso, dezenas (ou centenas, quiçá milhares) de erros e deslizes e momentos que não nos orgulhamos. Aqui se esconde mais um motivo pelo qual o espelho só serve para avaliar a armadura na maioria das vezes: reconhecer-se como ser humano errante dói, principalmente quando sabemos que já passamos por cima de tal erro. Contudo, enterrar o que já aconteceu não ignora o fato de ter acontecido.
Assumidamente humanos, vez que outra espelhamos (!) no outro justamente o que nos falta ou o que nos apavora. É a tal da projeção que a psicologia tanto fala. São sentimentos, desejos ou falhas que nos competem, mas que acabam servindo melhor ao outro quando o nosso mecanismo de defesa é ativado. Afinal, é muito mais fácil sentir raiva do outro do que pena de si mesmo, não é? Esse autorreconhecimento para muito além da casca envolve tornar consciente a própria vulnerabilidade e um apanhado de responsabilidades que nem sempre gostaríamos de ter.
Ao admitirmos falhas e deslizes, nosso ego é abatido, mas essa é uma ferida que não precisa necessariamente ser apenas dor. Reconhecer-se como um humano que erra (e que ainda vai errar muito) pode se tornar porta de entrada para um encontro mais honesto consigo mesmo. Entre o desconforto e a aceitação, passa a existir um espaço e uma vontade para abraçar a si próprio, acolhendo-se como alguém que visualiza suas imperfeições e mesmo assim segue.
Somos complexos, somos múltiplos, somos tudo aquilo que ainda não descobrimos ser. E tal qual conhecer uma nova pessoa que acaba de entrar em nossa vida, acostumar-se com o reconhecer-se rotineiramente é tarefa individual imprescindível. Nem sempre gostaremos de algumas versões nossas de imediato, mas ainda bem que temos o espelho como suporte para penetrar a casca. Seja na dor ou na felicidade de ser quem se é, o urgente é conhecer quem nos habita.
Autor: Pedro Guerra (adaptado).
Debaixo da casca
Olhar-se no espelho pode ser uma aventura muito mais radical do que um passeio de montanha-russa. Digo isso com intenção, quando encaramos de verdade o nosso reflexo e percebemos muito além da superfície, muito além da casca. A infinidade de mundos paralelos e detalhes únicos que nos formam como indivíduos nem sempre é observada, e talvez seja por isso que preferimos permanecer no raso, onde dá pé. Mergulhar em seu próprio reflexo é um ato de coragem, mais ainda quando o mergulho vem acompanhado de questionamentos. Um deles: o que ainda mora em mim e já não deveria mais morar?
Abrigamos quase 40 trilhões de bactérias no corpo e cerca de 30 trilhões de células. Junto a isso, dezenas (ou centenas, quiçá milhares) de erros e deslizes e momentos que não nos orgulhamos. Aqui se esconde mais um motivo pelo qual o espelho só serve para avaliar a armadura na maioria das vezes: reconhecer-se como ser humano errante dói, principalmente quando sabemos que já passamos por cima de tal erro. Contudo, enterrar o que já aconteceu não ignora o fato de ter acontecido.
Assumidamente humanos, vez que outra espelhamos (!) no outro justamente o que nos falta ou o que nos apavora. É a tal da projeção que a psicologia tanto fala. São sentimentos, desejos ou falhas que nos competem, mas que acabam servindo melhor ao outro quando o nosso mecanismo de defesa é ativado. Afinal, é muito mais fácil sentir raiva do outro do que pena de si mesmo, não é? Esse autorreconhecimento para muito além da casca envolve tornar consciente a própria vulnerabilidade e um apanhado de responsabilidades que nem sempre gostaríamos de ter.
Ao admitirmos falhas e deslizes, nosso ego é abatido, mas essa é uma ferida que não precisa necessariamente ser apenas dor. Reconhecer-se como um humano que erra (e que ainda vai errar muito) pode se tornar porta de entrada para um encontro mais honesto consigo mesmo. Entre o desconforto e a aceitação, passa a existir um espaço e uma vontade para abraçar a si próprio, acolhendo-se como alguém que visualiza suas imperfeições e mesmo assim segue.
Somos complexos, somos múltiplos, somos tudo aquilo que ainda não descobrimos ser. E tal qual conhecer uma nova pessoa que acaba de entrar em nossa vida, acostumar-se com o reconhecer-se rotineiramente é tarefa individual imprescindível. Nem sempre gostaremos de algumas versões nossas de imediato, mas ainda bem que temos o espelho como suporte para penetrar a casca. Seja na dor ou na felicidade de ser quem se é, o urgente é conhecer quem nos habita.
Autor: Pedro Guerra (adaptado).
Debaixo da casca
Olhar-se no espelho pode ser uma aventura muito mais radical do que um passeio de montanha-russa. Digo isso com intenção, quando encaramos de verdade o nosso reflexo e percebemos muito além da superfície, muito além da casca. A infinidade de mundos paralelos e detalhes únicos que nos formam como indivíduos nem sempre é observada, e talvez seja por isso que preferimos permanecer no raso, onde dá pé. Mergulhar em seu próprio reflexo é um ato de coragem, mais ainda quando o mergulho vem acompanhado de questionamentos. Um deles: o que ainda mora em mim e já não deveria mais morar?
Abrigamos quase 40 trilhões de bactérias no corpo e cerca de 30 trilhões de células. Junto a isso, dezenas (ou centenas, quiçá milhares) de erros e deslizes e momentos que não nos orgulhamos. Aqui se esconde mais um motivo pelo qual o espelho só serve para avaliar a armadura na maioria das vezes: reconhecer-se como ser humano errante dói, principalmente quando sabemos que já passamos por cima de tal erro. Contudo, enterrar o que já aconteceu não ignora o fato de ter acontecido.
Assumidamente humanos, vez que outra espelhamos (!) no outro justamente o que nos falta ou o que nos apavora. É a tal da projeção que a psicologia tanto fala. São sentimentos, desejos ou falhas que nos competem, mas que acabam servindo melhor ao outro quando o nosso mecanismo de defesa é ativado. Afinal, é muito mais fácil sentir raiva do outro do que pena de si mesmo, não é? Esse autorreconhecimento para muito além da casca envolve tornar consciente a própria vulnerabilidade e um apanhado de responsabilidades que nem sempre gostaríamos de ter.
Ao admitirmos falhas e deslizes, nosso ego é abatido, mas essa é uma ferida que não precisa necessariamente ser apenas dor. Reconhecer-se como um humano que erra (e que ainda vai errar muito) pode se tornar porta de entrada para um encontro mais honesto consigo mesmo. Entre o desconforto e a aceitação, passa a existir um espaço e uma vontade para abraçar a si próprio, acolhendo-se como alguém que visualiza suas imperfeições e mesmo assim segue.
Somos complexos, somos múltiplos, somos tudo aquilo que ainda não descobrimos ser. E tal qual conhecer uma nova pessoa que acaba de entrar em nossa vida, acostumar-se com o reconhecer-se rotineiramente é tarefa individual imprescindível. Nem sempre gostaremos de algumas versões nossas de imediato, mas ainda bem que temos o espelho como suporte para penetrar a casca. Seja na dor ou na felicidade de ser quem se é, o urgente é conhecer quem nos habita.
Autor: Pedro Guerra (adaptado).