A partir da leitura do texto, analise as afirmativas. I. O ...

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Q3505096 Português
Instrução: Leia o texto a seguir e responda à questão.


Brainrot - o lixo que apodrece a mente


Este fenômeno, Brainrot, surgiu no auge dos animes e mangás, quando seus fãs passavam horas e horas consumindo conteúdos.


    Brainrot ainda não faz parte dos termos médicos ou cientificamente reconhecidos, é, na verdade, um termo que vem sendo usado e ganhando popularidade na internet e nas redes sociais, é algo que diz respeito ao comportamento de consumir excessivamente conteúdos de baixa qualidade e até mesmo nocivos à saúde mental. A conexão está sempre direcionada à atualização de fenômenos negativos, ao lixo das redes.

    Este fenômeno surgiu no auge dos animes e mangás, quando seus fãs passavam horas e horas consumindo conteúdos. Mais tarde isso evoluiu para outros interesses das redes sociais, sempre de baixa qualidade, geralmente tóxico para a saúde mental e para os relacionamentos.

    Parece que nosso tempo perde-se literalmente entre os dedos. Enchemos ou preenchemos nossos dias com banalidades, com informações irrelevantes, muitas vezes falsas, ou pelo menos, duvidosas. Parecemos dominados e entregues ao lixo social. O pior é que passamos a viver essa realidade, trabalhamos para ela, somos sua criatura. Oferecemos o que nos é oferecido, damos o que recebemos. Tornamo-nos multiplicadores de lixo.

    Vivemos esses momentos, que poderiam ser horas preciosas de vida, imersos num mundo tóxico, que nos aproxima do nada e nos distancia de todos. Pensamos lixo, vivemos lixo, nosso cérebro termina apodrecendo pelo lixo.

    A cada dia que passa o Brainrot vem sendo mais tratado como um problema de saúde, visto que as pessoas envolvidas nesse tipo de comportamento manifestam sintomas psíquicos, como procrastinação, falta de concentração, ansiedade, isolamento social, depressão, além de problemas físicos. A mente passa a ser consumida por pensamentos repetitivos e obsessivos, muitas vezes relacionados a um determinado tema, atualmente muito comum o conteúdo ideológico.

    Isso pode desencadear algo que se pode chamar de “vício cognitivo”, que leva a pessoa a ficar obcecada por determinado assunto e incapaz de pensar em outra coisa. Essa condição pode levar a uma sensação de exaustão mental e dificuldade de concentração em outras atividades.

    Como se trata de um problema de saúde, há necessidade de busca de ajuda profissional, mas, infelizmente, a maioria das pessoas acometidas por esse mal não se veem doentes e aborrecem-se com aquelas que tentam lhe pontuar o problema. As poucas que percebem, entendem que precisam buscar informações de qualidade, usar parte de seu tempo em outras atividades, como práticas esportivas, cultura e lazer. Tornam-se convictas de que a vida não é apenas virtual, que precisam sair do mundo online e observar que há vida aqui fora.

    Infelizmente estamos na era da internet, com disparos intermináveis de mensagens, muitas com conteúdos desencontrados, muita maldade dentro do que deveria ser saudável e útil, causando desentendimentos, desavenças, inimizades e grupos de pessoas divididos, considerando-se inimigos uns dos outros.

    Infelizmente, isso já é presente e pode piorar no futuro, a não ser que façamos algo para prevenir a degradação dos tempos. Mas, o que fazer? Pelo menos, sejamos cabeças pensantes para tentar mudar essa história.


(ESTEVÃO, M. Disponível em: primeirapágina.com.br. Acesso em: 20/09/2024.)
A partir da leitura do texto, analise as afirmativas.

I. O autor mostra-se desesperançado frente à avalanche de informações nas redes sociais, sentimento enfatizado pelo uso repetido do advérbio infelizmente.
II. O uso constante da palavra lixo remete à postura do autor contra as informações irrelevantes, duvidosas, até tóxicas veiculadas nas redes sociais.
III. Ansiedade, depressão, isolamento social podem ser manifestações de pessoas que se deixam consumir pelos conteúdos de baixa qualidade constantes das redes sociais.
IV. Ao final do texto, o autor reconhece que o brainrot é fato tão presente e arraigado no mundo que não vê como solucioná-lo.
V. O fato de o autor usar a primeira pessoa do plural no texto não o exime de ser pessoa que também está imersa nesse mundo, que também se reconhece vivenciando o brainrot.

Estão corretas as afirmativas
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Interpretação de texto, especialmente a análise de estratégias linguísticas utilizadas pelo autor (advérbios, pronomes pessoais, campos semânticos, coesão e coerência), segundo a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Estratégia-chave: Para questões desse perfil, é essencial ler o texto atentamente e identificar se cada afirmativa corresponde fielmente ao que foi dito ou subentendido. Busque palavras de valor enfático, conjunções, recorrências e análises das formas verbais e pronominais. O uso de pronomes na primeira pessoa do plural (“nós”) e advérbios repetidos (“infelizmente”) revela a posição do autor no discurso.

Análise das afirmativas:

I. Correta. O advérbio infelizmente, reiterado no texto, carrega um tom de lamento e enfatiza o sentimento de desesperança do autor frente ao cenário das redes sociais. Celso Cunha & Lindley Cintra destacam os advérbios como moduladores de sentido e emoção no discurso.

II. Correta. O termo lixo é empregado de forma metafórica para criticar a qualidade das informações consumidas, reforçando a postura crítica do autor, conforme preconizado por Evanildo Bechara ao tratar da função dos substantivos em comparações e imagens.

III. Correta. O texto explicita sintomas como ansiedade, depressão e isolamento social vinculados ao consumo exagerado de conteúdos de baixa qualidade. A interpretação exige atenção a enumerações e exemplos presentes na argumentação textual.

IV. Incorreta. O autor, apesar de reconhecer o problema, sugere soluções e convoca à reflexão: “sejamos cabeças pensantes para tentar mudar essa história”. Não há, portanto, impossibilidade de solução. Atenção: palavras negativas (“não vê como solucionar”) podem induzir ao erro interpretativo!

V. Correta. O uso de pronomes na 1ª pessoa do plural (“nós, nosso”) indica inclusão do próprio autor entre os afetados, conforme norma da coesão referencial (Bechara, “Moderna Gramática Portuguesa”, uso dos pronomes pessoais).

Alternativas incorretas: As que incluem IV como correta desconsideram elementos conclusivos do texto, contrariando a coerência textual requisitada na prova.

Dica de ouro: Analise sempre as frases que indicam soluções, conclusões ou esperanças no texto; elas costumam anular interpretações pessimistas absolutas.

Gabarito correto: B) I, II, III e V, apenas.

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Comentários

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I. Correta: O advérbio "infelizmente" é utilizado três vezes no texto para marcar a lamentação do autor sobre o estado atual da internet e a dificuldade de cura dos usuários, reforçando seu tom de desânimo.

II. Correta: A palavra "lixo" é uma metáfora central no texto (ex: "lixo social", "multiplicadores de lixo", "pensamos lixo") para desqualificar o conteúdo irrelevante e nocivo que o autor combate.

III. Correta: O texto cita explicitamente que as pessoas envolvidas manifestam sintomas como "procrastinação, falta de concentração, ansiedade, isolamento social, depressão".

IV. Incorreta: Embora o autor seja pessimista, ele não diz que o problema é insolúvel. Pelo menos no último parágrafo, ele propõe uma ação: "a não ser que façamos algo para prevenir a degradação dos tempos" e convoca o leitor a ser uma "cabeça pensante para tentar mudar essa história".

V. Correta: Ao utilizar a 1ª pessoa do plural ("Enchemos nossos dias", "Parecemos dominados", "Tornamo-nos multiplicadores"), o autor se inclui no processo, reconhecendo que ele e a sociedade como um todo estão imersos nessa realidade.

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