Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3771880 Português

Assinale a alternativa correta quanto ao plural dos substantivos.

Alternativas
Q3771878 Português

Assinale a alternativa correta quanto ao coletivo dos substantivos.

Alternativas
Q3771877 Português

Leia os versos



Que fiz de bem ou de mal


Pelos caminhos que andei?



Qual dos dois, rosa e punhal,


É o da princesa e o do Rei?


Mário Quintana



Assinale a alternativa correta quanto ao gênero dos substantivos rosa, punhal e caminhos, respectivamente.

Alternativas
Q3771875 Português

Assinale a alternativa que apresenta erro na grafia do diminutivo.

Alternativas
Q3771873 Português

Texto


A questão é referente à fábula A formiga.


A Formiga


As formigas já foram homens e ganhavam a vida lavrando o solo. Mas, não contentes com os resultados de seu próprio trabalho, elas estavam sempre cobiçando as colheitas e os frutos de seus vizinhos, roubavam sempre que tinham oportunidade e acrescentavam ao seu próprio mantimento.


Por fim, a cobiça deles fez Júpiter ficar tão zangado que os transformou em formigas. Mas, embora suas formas tenham mudado, sua natureza permaneceu a mesma. Até hoje, andam por entre as plantações e recolhem os frutos do trabalho alheio e os armazenam para seu próprio uso.


Fábulas de Esopo

Na fábula A formiga, a moral da história é:

Alternativas
Q3771872 Português

Texto


A questão é referente à fábula A formiga.


A Formiga


As formigas já foram homens e ganhavam a vida lavrando o solo. Mas, não contentes com os resultados de seu próprio trabalho, elas estavam sempre cobiçando as colheitas e os frutos de seus vizinhos, roubavam sempre que tinham oportunidade e acrescentavam ao seu próprio mantimento.


Por fim, a cobiça deles fez Júpiter ficar tão zangado que os transformou em formigas. Mas, embora suas formas tenham mudado, sua natureza permaneceu a mesma. Até hoje, andam por entre as plantações e recolhem os frutos do trabalho alheio e os armazenam para seu próprio uso.


Fábulas de Esopo

Assinale a alternativa correta em relação à fábula.
Alternativas
Q3771849 Português
Leia atentamente as afirmativas abaixo sobre vícios de linguagem. Em seguida, identifique em quais delas o conceito e o exemplo apresentados estão corretos quanto à classificação e à caracterização do vício mencionado:

I."O menino subiu para cima rapidamente." — Trata-se de pleonasmo, pois há uma redundância desnecessária no uso de "subiu" e "para cima", já que o verbo "subir" já contém o sentido de direção ascendente.

II. "Ele fez uma viagem para o interior do country club." — É um caso de barbarismo, pois a expressão "country club" é oriunda de idioma estrangeiro e poderia ser substituída por "clube de campo", forma equivalente em português.

III. "Ontem fui na escola conversar com a diretora." — Ocorre solecismo de regência, pois o verbo "ir" exige a preposição "a", e o correto seria "fui à escola".

Em quais afirmativas a classificação dos vícios de linguagem está correta? 
Alternativas
Q3771828 Português

Analise as afirmativas abaixo, que abordam situações distintas do uso da crase, e identifique em quais há emprego adequado conforme a norma culta da língua portuguesa:



I. Voltarei à França no próximo outono.



II. Assistiremos à filme indicado pelo professor.



III. O secretário compareceu à reunião às 15h.



IV. Agradecemos à todos os alunos que participaram da palestra.



Em quais afirmativas o emprego da crase está correto?

Alternativas
Q3771753 Português

Relativamente a conjugação dos verbos regulares, analise o exemplo abaixo:


Nós cantávamos

Vós cantáveis

Eles/elas cantavam


Assinale a alternativa correta:


Alternativas
Q3771752 Português

Com relação ao Vocativo, analise as afirmativas abaixo:



I - O vocativo é um elemento linguístico empregado para invocar, dirigir-se ou chamar a atenção de uma pessoa, um ser animado ou um objeto. Esse termo costuma ser destacado por vírgulas ou, em alguns casos, por um ponto de exclamação, podendo aparecer no começo, no interior ou no final de um enunciado.



II - É importante diferenciar o vocativo do sujeito, uma vez que ele não integra a estrutura sintática da oração. Trata-se de um elemento independente, cuja única finalidade é estabelecer um apelo ou uma interpelação direta.



III - Enquanto o aposto é classificado como um termo acessório da oração, cumprindo uma função explicativa ou complementar, o vocativo não exerce nenhuma função sintática. Isso ocorre porque ele é um elemento desvinculado da estrutura da oração, servindo apenas como uma forma de interlocução direta.



Assinale a alternativa correta:


Alternativas
Q3771751 Português

Analise as frases abaixo:


I - Maria, da diretoria, pediu para você entrar.


II - Tenho duas primas, uma é loira, a outra é morena.


III - Tenho apenas três sonhos: viagem, dinheiro e livros.


Com relação ao aposto de cada frase, assinale a alternativa correta:




Alternativas
Q3771750 Português
A acentuação gráfica consiste na colocação de acento ortográfico para indicar a pronúncia de uma vogal ou marcar a sílaba tônica de uma palavra. Neste sentido analise as afirmativas abaixo:


Afirmativa I - A palavra Vácuo é uma paroxítona que recebe o acento agudo devido a seguinte regra: Apresentam na sílaba tônica as vogais abertas grafadas - a, -e, -i, -o e -u ou ditongo oral começado por vogal aberta, e que terminam por sequências vocálicas póstônicas praticamente consideradas como ditongos crescentes -ea, -eo, -ia, -ie, -io, -oa, -ua e -uo).


Afirmativa II - A palavra dócil é uma paroxítona que recebe o acento agudo devido a seguinte regra: Apresentam, na sílaba tônica, as vogais abertas grafadas -a, -e, -o, -i e -u e que terminam em -l, -n, -r, -x e -s, e algumas formas do plural, que passam a proparoxítonas.


Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3771749 Português
As funções da linguagem são formas de utilização da linguagem segundo a intenção do falante. Com relação as funções de linguagem, analise as afirmativas:


Afirmativa I - A função referencial ou denotativa, também chamada de função informativa, a tem como objetivo principal informar, referenciar algo. Voltada para o contexto da comunicação, esse tipo de texto é escrito na terceira pessoa (singular ou plural) enfatizando seu caráter impessoal.


Afirmativa II - Na função emotiva, também chamada de função expressiva, o emissor tem como objetivo principal transmitir suas emoções, sentimentos e subjetividades por meio da própria opinião. Esse tipo de texto, escrito em primeira e em terceira pessoa (singular ou plural).


Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3771613 Português
A estabilidade no serviço público, frequentemente alvo de críticas, é um dos principais pilares de proteção da impessoalidade e da moralidade administrativa. Ela garante que o servidor atue com autonomia técnica, livre de pressões políticas ou interferências externas que possam comprometer o interesse público. O propósito da reforma deve ser criar um ambiente em que a estabilidade não se confunda com imutabilidade ou acomodação, mas seja fortalecida por critérios objetivos de desempenho e produtividade. Nesse sentido, a modernização do serviço público não pode ocorrer à custa da vulnerabilidade funcional do servidor, sob pena de fragilizar a própria estrutura do Estado.


(https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/reforma-administrativa-e -o-desafio-de-equilibrar-eficiencia-e-estabilidade-no-servico-publico)
"Ela garante que o servidor atue com autonomia técnica, livre de pressões políticas ou interferências externas que possam comprometer o interesse público."

Ao substituir o termo destacado por um pronome oblíquo átono, a colocação pronominal adequada será:
Alternativas
Q3771611 Português
A oralidade, quando utilizada como proposta didática para o trabalho escolar com a língua materna, tem sido um tema recorrente na interface entre linguagem e educação nos últimos anos. Apesar da produção acadêmica ainda ser limitada em comparação com as práticas de escrita, a oralidade tem sido destacada como um fator relevante para a socialização e para a participação cidadã. Nesse sentido, ampliar as capacidades linguísticas dos alunos na oralidade constitui um dos objetivos centrais da educação linguística (Bagno; Rangel, 2005).
Considerando a importância da oralidade no ensino de Língua Portuguesa em uma perspectiva contemporânea, identifique a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3771610 Português
O domínio da língua inglesa é indispensável para compreender o mercado de entretenimento e a cultura global. Além de ampliar as oportunidades profissionais, a fluência no idioma possibilita um acesso mais amplo a diferentes culturas, visto que o inglês é uma língua globalizada e utilizada por grande parte dos países, ainda que não seja oficial em muitos deles. Assim, valorizar e investir na aprendizagem do inglês significa investir em um futuro com oportunidades mais amplas e qualificadas.

Considerando o exposto, analise e julgue as proposições relacionadas à aprendizagem da língua inglesa.

I.O ensino de inglês deve priorizar exclusivamente os sotaques e padrões linguísticos dos países hegemônicos, como Estados Unidos e Inglaterra, pois são eles que garantem uma comunicação adequada e evitam a dispersão cultural provocada por variedades consideradas inferiores.
II.No ensino de Língua Estrangeira, como o inglês, o eixo da oralidade é ampliado, passando a incluir práticas de linguagem voltadas tanto à compreensão (escuta) quanto à produção oral (fala), realizadas com ou sem interação presencial.
III.Os conhecimentos linguísticos estão relacionados à análise e à reflexão sobre a língua, sempre de modo contextualizado, articulado e a serviço das práticas de oralidade, leitura e escrita.
IV.A BNCC estabelece que o ensino de leitura em língua inglesa deve promover a construção de significados por meio da compreensão e interpretação de diversos gêneros textuais que circulam socialmente, reforçando que o aprendizado ocorre em contato com usos reais da língua.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3771609 Português
 O conceito,___________ textual, refere-se à presença de múltiplas vozes dentro de um mesmo texto.
Essa dominação foi introduzida por Mikhail Bakhtin para caracterizar romances literários em que os personagens expressam ideias e posições divergentes. Essa multiplicidade de vozes pode se manifestar de diversas formas: entre personagens, entre narrador e personagens, por meio de referências culturais ou até entre diferentes argumentos. Para identificá-la, é preciso observar se o texto privilegia uma voz dominante ou se mantém um equilíbrio entre várias perspectivas.
Considerando os conceitos sobre dialogismo, polifonia, discurso, enunciado, enunciação, complete a lacuna acima com o conceito apropriado.
Alternativas
Q3771605 Português
Os ombros que sustentam o futuro: o papel inadiável dos professores


Enquanto a educação insiste no trabalho lento, complexo e crítico, os pensadores digitais vendem a promessa de atalhos imediatos.


Clarice Lispector, em "Os desastres de Sofia", descreveu um professor de ombros contraídos, como se carregasse em silêncio um peso invisível e hercúleo. Carlos Drummond de Andrade, por sua vez, lembrou que "os ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança". Essas duas imagens ficcionais — a primeira marcada pela fragilidade; a segunda, pela resistência — ajudam a compreender a condição atual da docência no Brasil: um ofício em que responsabilidade e carga simbólica se acumulam de forma desproporcional, quase sempre sem o reconhecimento justo e necessário.

Ao professor se exige muito: excelência pedagógica, inovação permanente, domínio de novas tecnologias, sensibilidade para lidar com a diversidade crescente e paciência para gerir conflitos que muitas vezes extrapolam os limites ou as origens da sala de aula. Espera-se que ele seja transmissor de saberes, mediador de relações, cuidador, psicólogo, burocrata e, ainda, mantenha-se entusiasmado diante de turmas cada vez mais numerosas e inclusivas. Em troca, recebe salários que não condizem com a centralidade de sua função — e, muitas vezes, em escolas com bibliotecas desatualizadas, laboratórios inexistentes e recursos básicos negados. Não raro, convive com a invisibilidade social de um esforço que sustenta o país no cotidiano e com a desvalorização pública. Ainda assim, o magistério se sustenta na teimosa persistência de quem acredita que ensinar é mais do que cumprir tarefas: é formar sujeitos capazes de interpretar e corrigir algumas mazelas do mundo.

Esse descompasso entre o que se exige e o que se oferece tem efeitos concretos e preocupantes. Pesquisas recentes alertam que 40% dos estudantes já não nutrem admiração por seus professores, e que o prestígio da carreira vem caindo vertiginosamente entre os jovens. A projeção é de que, em 2050, o Brasil enfrentará um déficit significativo de docentes. O problema não é apenas educacional: é estrutural, civilizatório, democrático. Uma sociedade que não atrai nem retém seus educadores abdica de seu futuro.

Sem professores bem formados, quem garantirá a circulação crítica do conhecimento para a meninada? Quem ensinará a desconfiar das aparências, a ler para além das manchetes, a debater sem ódio e com profundidade?

A esse quadro se soma um contexto político e cultural que agrava o peso sobre os ombros docentes: a voz crítica e política do professor — talvez sua ferramenta basilar — vem sendo sistematicamente contestada, tolhida, vigiada. De um lado, setores conservadores buscam controlar cada palavra em nome de uma suposta 'neutralidade' que, na prática, sufoca a reflexão. De outro, há correntes progressistas que exigem adesões automáticas, transformando o ato de ensinar em prova de alinhamento ideológico. O resultado é a mesma limitação: um professor obrigado a justificar cada gesto, como se ensinar fosse, em si, um ato suspeito ou de barganha.

Em paralelo, cresce a concorrência desleal com influenciadores digitais e coaches que, em vídeos de poucos minutos, oferecem fórmulas fáceis de sucesso e de prosperidade. Enquanto a educação insiste no trabalho lento, complexo e crítico, os pensadores digitais vendem a promessa de atalhos imediatos.

No mercado da atenção, que recompensa a superficialidade monetizada, a fala docente parece deslocada e marginal. Mas é justamente essa insistência na complexidade, no esforço da leitura atenta, na escuta paciente, que revela o valor inegociável do professor: ele não compete com a velocidade da rede e, ao contrário, oferece a profundidade que ela recusa.

Vivemos em tempos de redes sociais virulentas e hostis, de manipulação de imagens e verdades inventadas, de polarização crescente e obtusa e de analfabetismo funcional que se expande silenciosamente. Nesse cenário caótico, a tarefa do professor ganha ainda mais relevância: ele é um dos poucos agentes sociais capazes de reintroduzir a dúvida, de cultivar a consciência da coletividade e de indicar que o conhecimento não se reduz a slogans e a cortes de Instagram. O espaço escolar, mesmo com todas as limitações e precariedades, continua sendo um dos últimos lugares em que é possível aprender a conviver com a diferença e com o pensamento analítico, a negociar sentidos e a arquitetar futuros mais justos.

Por isso, homenagear os professores não é ato protocolar, nem gesto meramente simbólico. É uma exigência civilizatória e política. Significa reivindicar condições concretas de valorização: salários compatíveis com a importância da carreira, ambientes escolares equipados, formação continuada em tempo adequado que dialogue com os desafios atuais e, sobretudo, a proteção inegociável da liberdade de cátedra. Mais do que agradecê-los, trata-se de compartilhar o peso que hoje recai desproporcionalmente sobre apenas os seus ombros.

Os ombros contraídos lamentados por Clarice e os ombros universais sugeridos por Drummond se encontram, todos os dias, nos professores que entram em sala de aula. Sustentam o peso de um país em formação e, ao mesmo tempo, a esperança de que esse país seja mais razoável, igualitário, mais consciente de sua coletividade, menos insano e injusto. O futuro do Brasil repousa nesses ombros — contraídos, teimosos, cansados, mas resistentes porque ainda parecem dispostos a não vergar. Nossa homenagem, portanto, não deve ser apenas palavra terna: deve ser compromisso político, republicano e transformador.


https://revistaeducacao.com.br/2025/10/21/papel-inadiavel-professores/

 "A esse quadro se soma um contexto político e cultural que agrava o peso sobre os ombros docentes: a voz crítica e política do professor — talvez sua ferramenta basilar — vem sendo sistematicamente contestada, tolhida, vigiada." Com base na fonologia e na fonética, assinale V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

(__)O vocábulo 'quadro' apresenta, em sua estrutura fonológica, um encontro consonantal formado por duas consoantes distintas, e um dígrafo consonantal representado pelas letras 'qu', que correspondem a um único fonema; já o vocábulo 'sua' contém um encontro vocálico inseparável.
(__)O vocábulo 'ferramenta' apresenta, em sua estrutura fonológica, um dígrafo consonantal, formado por duas letras que representam um único fonema, e também um dígrafo vocálico, no qual duas letras produzem um único som vocálico.
(__)O vocábulo 'contestada' apresenta um encontro consonantal disjunto e um dígrafo vocálico.
(__) O vocábulo 'sistematicamente' possui igualmente o mesmo número de letras e fonemas. Já o vocábulo 'tolhida' apresenta número de letras diferente do número de fonemas.

A sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q3771604 Português
Os ombros que sustentam o futuro: o papel inadiável dos professores


Enquanto a educação insiste no trabalho lento, complexo e crítico, os pensadores digitais vendem a promessa de atalhos imediatos.


Clarice Lispector, em "Os desastres de Sofia", descreveu um professor de ombros contraídos, como se carregasse em silêncio um peso invisível e hercúleo. Carlos Drummond de Andrade, por sua vez, lembrou que "os ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança". Essas duas imagens ficcionais — a primeira marcada pela fragilidade; a segunda, pela resistência — ajudam a compreender a condição atual da docência no Brasil: um ofício em que responsabilidade e carga simbólica se acumulam de forma desproporcional, quase sempre sem o reconhecimento justo e necessário.

Ao professor se exige muito: excelência pedagógica, inovação permanente, domínio de novas tecnologias, sensibilidade para lidar com a diversidade crescente e paciência para gerir conflitos que muitas vezes extrapolam os limites ou as origens da sala de aula. Espera-se que ele seja transmissor de saberes, mediador de relações, cuidador, psicólogo, burocrata e, ainda, mantenha-se entusiasmado diante de turmas cada vez mais numerosas e inclusivas. Em troca, recebe salários que não condizem com a centralidade de sua função — e, muitas vezes, em escolas com bibliotecas desatualizadas, laboratórios inexistentes e recursos básicos negados. Não raro, convive com a invisibilidade social de um esforço que sustenta o país no cotidiano e com a desvalorização pública. Ainda assim, o magistério se sustenta na teimosa persistência de quem acredita que ensinar é mais do que cumprir tarefas: é formar sujeitos capazes de interpretar e corrigir algumas mazelas do mundo.

Esse descompasso entre o que se exige e o que se oferece tem efeitos concretos e preocupantes. Pesquisas recentes alertam que 40% dos estudantes já não nutrem admiração por seus professores, e que o prestígio da carreira vem caindo vertiginosamente entre os jovens. A projeção é de que, em 2050, o Brasil enfrentará um déficit significativo de docentes. O problema não é apenas educacional: é estrutural, civilizatório, democrático. Uma sociedade que não atrai nem retém seus educadores abdica de seu futuro.

Sem professores bem formados, quem garantirá a circulação crítica do conhecimento para a meninada? Quem ensinará a desconfiar das aparências, a ler para além das manchetes, a debater sem ódio e com profundidade?

A esse quadro se soma um contexto político e cultural que agrava o peso sobre os ombros docentes: a voz crítica e política do professor — talvez sua ferramenta basilar — vem sendo sistematicamente contestada, tolhida, vigiada. De um lado, setores conservadores buscam controlar cada palavra em nome de uma suposta 'neutralidade' que, na prática, sufoca a reflexão. De outro, há correntes progressistas que exigem adesões automáticas, transformando o ato de ensinar em prova de alinhamento ideológico. O resultado é a mesma limitação: um professor obrigado a justificar cada gesto, como se ensinar fosse, em si, um ato suspeito ou de barganha.

Em paralelo, cresce a concorrência desleal com influenciadores digitais e coaches que, em vídeos de poucos minutos, oferecem fórmulas fáceis de sucesso e de prosperidade. Enquanto a educação insiste no trabalho lento, complexo e crítico, os pensadores digitais vendem a promessa de atalhos imediatos.

No mercado da atenção, que recompensa a superficialidade monetizada, a fala docente parece deslocada e marginal. Mas é justamente essa insistência na complexidade, no esforço da leitura atenta, na escuta paciente, que revela o valor inegociável do professor: ele não compete com a velocidade da rede e, ao contrário, oferece a profundidade que ela recusa.

Vivemos em tempos de redes sociais virulentas e hostis, de manipulação de imagens e verdades inventadas, de polarização crescente e obtusa e de analfabetismo funcional que se expande silenciosamente. Nesse cenário caótico, a tarefa do professor ganha ainda mais relevância: ele é um dos poucos agentes sociais capazes de reintroduzir a dúvida, de cultivar a consciência da coletividade e de indicar que o conhecimento não se reduz a slogans e a cortes de Instagram. O espaço escolar, mesmo com todas as limitações e precariedades, continua sendo um dos últimos lugares em que é possível aprender a conviver com a diferença e com o pensamento analítico, a negociar sentidos e a arquitetar futuros mais justos.

Por isso, homenagear os professores não é ato protocolar, nem gesto meramente simbólico. É uma exigência civilizatória e política. Significa reivindicar condições concretas de valorização: salários compatíveis com a importância da carreira, ambientes escolares equipados, formação continuada em tempo adequado que dialogue com os desafios atuais e, sobretudo, a proteção inegociável da liberdade de cátedra. Mais do que agradecê-los, trata-se de compartilhar o peso que hoje recai desproporcionalmente sobre apenas os seus ombros.

Os ombros contraídos lamentados por Clarice e os ombros universais sugeridos por Drummond se encontram, todos os dias, nos professores que entram em sala de aula. Sustentam o peso de um país em formação e, ao mesmo tempo, a esperança de que esse país seja mais razoável, igualitário, mais consciente de sua coletividade, menos insano e injusto. O futuro do Brasil repousa nesses ombros — contraídos, teimosos, cansados, mas resistentes porque ainda parecem dispostos a não vergar. Nossa homenagem, portanto, não deve ser apenas palavra terna: deve ser compromisso político, republicano e transformador.


https://revistaeducacao.com.br/2025/10/21/papel-inadiavel-professores/

"Sustentam o peso de um país em formação e, ao mesmo tempo, a esperança de que esse país seja mais razoável, igualitário, mais consciente de sua coletividade, menos insano e injusto."
A formação de palavras envolve um conjunto de processos morfossintáticos que possibilitam a criação de novas unidades a partir de morfemas lexicais. Os prefixos apresentam maior independência que os sufixos, pois geralmente derivam de advérbios ou preposições que possuem ou já possuíram autonomia na língua. Por sua vez, a derivação sufixal permite a formação de novos substantivos, adjetivos, verbos e até advérbios. Considerando o emprego dos prefixos e sufixos nos vocábulos presentes no trecho, julgue as afirmativas:

I.O vocábulo 'injusto' apresenta um prefixo que indica negação, enquanto o prefixo na palavra 'incinerar' indica mudança de estado.
II.O vocábulo 'igualitário' apresenta sufixo em sua formação, assim como os vocábulos 'gigante','agorinha' e 'melado'.
III.O vocábulo 'esperança' é formado por derivação parassintética, assim como os vocábulos 'envilecer' e 'ajoelhar'.
IV.O vocábulo 'insano', ao contrário de 'injusto', não possui prefixo, pois é formado pelo radical 'insan', que já contém o sentido de 'doença' ou 'desequilíbrio'; a vogal final 'o' funciona apenas como desinência de gênero.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3771603 Português
Os ombros que sustentam o futuro: o papel inadiável dos professores


Enquanto a educação insiste no trabalho lento, complexo e crítico, os pensadores digitais vendem a promessa de atalhos imediatos.


Clarice Lispector, em "Os desastres de Sofia", descreveu um professor de ombros contraídos, como se carregasse em silêncio um peso invisível e hercúleo. Carlos Drummond de Andrade, por sua vez, lembrou que "os ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança". Essas duas imagens ficcionais — a primeira marcada pela fragilidade; a segunda, pela resistência — ajudam a compreender a condição atual da docência no Brasil: um ofício em que responsabilidade e carga simbólica se acumulam de forma desproporcional, quase sempre sem o reconhecimento justo e necessário.

Ao professor se exige muito: excelência pedagógica, inovação permanente, domínio de novas tecnologias, sensibilidade para lidar com a diversidade crescente e paciência para gerir conflitos que muitas vezes extrapolam os limites ou as origens da sala de aula. Espera-se que ele seja transmissor de saberes, mediador de relações, cuidador, psicólogo, burocrata e, ainda, mantenha-se entusiasmado diante de turmas cada vez mais numerosas e inclusivas. Em troca, recebe salários que não condizem com a centralidade de sua função — e, muitas vezes, em escolas com bibliotecas desatualizadas, laboratórios inexistentes e recursos básicos negados. Não raro, convive com a invisibilidade social de um esforço que sustenta o país no cotidiano e com a desvalorização pública. Ainda assim, o magistério se sustenta na teimosa persistência de quem acredita que ensinar é mais do que cumprir tarefas: é formar sujeitos capazes de interpretar e corrigir algumas mazelas do mundo.

Esse descompasso entre o que se exige e o que se oferece tem efeitos concretos e preocupantes. Pesquisas recentes alertam que 40% dos estudantes já não nutrem admiração por seus professores, e que o prestígio da carreira vem caindo vertiginosamente entre os jovens. A projeção é de que, em 2050, o Brasil enfrentará um déficit significativo de docentes. O problema não é apenas educacional: é estrutural, civilizatório, democrático. Uma sociedade que não atrai nem retém seus educadores abdica de seu futuro.

Sem professores bem formados, quem garantirá a circulação crítica do conhecimento para a meninada? Quem ensinará a desconfiar das aparências, a ler para além das manchetes, a debater sem ódio e com profundidade?

A esse quadro se soma um contexto político e cultural que agrava o peso sobre os ombros docentes: a voz crítica e política do professor — talvez sua ferramenta basilar — vem sendo sistematicamente contestada, tolhida, vigiada. De um lado, setores conservadores buscam controlar cada palavra em nome de uma suposta 'neutralidade' que, na prática, sufoca a reflexão. De outro, há correntes progressistas que exigem adesões automáticas, transformando o ato de ensinar em prova de alinhamento ideológico. O resultado é a mesma limitação: um professor obrigado a justificar cada gesto, como se ensinar fosse, em si, um ato suspeito ou de barganha.

Em paralelo, cresce a concorrência desleal com influenciadores digitais e coaches que, em vídeos de poucos minutos, oferecem fórmulas fáceis de sucesso e de prosperidade. Enquanto a educação insiste no trabalho lento, complexo e crítico, os pensadores digitais vendem a promessa de atalhos imediatos.

No mercado da atenção, que recompensa a superficialidade monetizada, a fala docente parece deslocada e marginal. Mas é justamente essa insistência na complexidade, no esforço da leitura atenta, na escuta paciente, que revela o valor inegociável do professor: ele não compete com a velocidade da rede e, ao contrário, oferece a profundidade que ela recusa.

Vivemos em tempos de redes sociais virulentas e hostis, de manipulação de imagens e verdades inventadas, de polarização crescente e obtusa e de analfabetismo funcional que se expande silenciosamente. Nesse cenário caótico, a tarefa do professor ganha ainda mais relevância: ele é um dos poucos agentes sociais capazes de reintroduzir a dúvida, de cultivar a consciência da coletividade e de indicar que o conhecimento não se reduz a slogans e a cortes de Instagram. O espaço escolar, mesmo com todas as limitações e precariedades, continua sendo um dos últimos lugares em que é possível aprender a conviver com a diferença e com o pensamento analítico, a negociar sentidos e a arquitetar futuros mais justos.

Por isso, homenagear os professores não é ato protocolar, nem gesto meramente simbólico. É uma exigência civilizatória e política. Significa reivindicar condições concretas de valorização: salários compatíveis com a importância da carreira, ambientes escolares equipados, formação continuada em tempo adequado que dialogue com os desafios atuais e, sobretudo, a proteção inegociável da liberdade de cátedra. Mais do que agradecê-los, trata-se de compartilhar o peso que hoje recai desproporcionalmente sobre apenas os seus ombros.

Os ombros contraídos lamentados por Clarice e os ombros universais sugeridos por Drummond se encontram, todos os dias, nos professores que entram em sala de aula. Sustentam o peso de um país em formação e, ao mesmo tempo, a esperança de que esse país seja mais razoável, igualitário, mais consciente de sua coletividade, menos insano e injusto. O futuro do Brasil repousa nesses ombros — contraídos, teimosos, cansados, mas resistentes porque ainda parecem dispostos a não vergar. Nossa homenagem, portanto, não deve ser apenas palavra terna: deve ser compromisso político, republicano e transformador.


https://revistaeducacao.com.br/2025/10/21/papel-inadiavel-professores/

"Espera-se que ele seja transmissor de saberes, mediador de relações, cuidador, psicólogo, burocrata e, ainda, mantenha-se entusiasmado diante de turmas cada vez mais numerosas e inclusivas."
Analisando sintaticamente a oração que precede o verbo'esperar' é correto afirmar que:
Alternativas
Respostas
17101: E
17102: D
17103: C
17104: A
17105: E
17106: B
17107: D
17108: A
17109: A
17110: D
17111: C
17112: C
17113: B
17114: C
17115: B
17116: D
17117: E
17118: D
17119: E
17120: B