"Sustentam o peso de um país em formação e, ao mesmo tempo,...
A formação de palavras envolve um conjunto de processos morfossintáticos que possibilitam a criação de novas unidades a partir de morfemas lexicais. Os prefixos apresentam maior independência que os sufixos, pois geralmente derivam de advérbios ou preposições que possuem ou já possuíram autonomia na língua. Por sua vez, a derivação sufixal permite a formação de novos substantivos, adjetivos, verbos e até advérbios. Considerando o emprego dos prefixos e sufixos nos vocábulos presentes no trecho, julgue as afirmativas:
I.O vocábulo 'injusto' apresenta um prefixo que indica negação, enquanto o prefixo na palavra 'incinerar' indica mudança de estado.
II.O vocábulo 'igualitário' apresenta sufixo em sua formação, assim como os vocábulos 'gigante','agorinha' e 'melado'.
III.O vocábulo 'esperança' é formado por derivação parassintética, assim como os vocábulos 'envilecer' e 'ajoelhar'.
IV.O vocábulo 'insano', ao contrário de 'injusto', não possui prefixo, pois é formado pelo radical 'insan', que já contém o sentido de 'doença' ou 'desequilíbrio'; a vogal final 'o' funciona apenas como desinência de gênero.
É correto o que se afirma em:
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Tema central: Morfologia — formação de palavras (derivação prefixal, sufixal, parassintética) com foco em interpretação morfológica segundo a norma-padrão.
Justificativa e explicação da alternativa correta (E: I, apenas):
Apenas a afirmação I está correta. Vamos analisar por quê:
I. ‘Injusto’ tem o prefixo in-, que indica negação (não justo); já em ‘incinerar’, o prefixo ‘in-’ não nega, mas remete a interioridade (do latim, “in + cinis” = ‘reduzir a cinzas’), ou seja, indica mudança de estado.
Conceito abordado nas principais gramáticas (Bechara; Cunha e Cintra): prefixos podem indicar negação, oposição, interioridade etc., conforme a base lexemática.
Análise das alternativas incorretas:
II. ‘Igualitário’ tem de fato sufixo derivacional (-itário). Entretanto, ‘gigante’ não decorre de acréscimo de sufixo: é um substantivo primitivo. Já ‘agorinha’ e ‘melado’ têm sufixos (-inha; -ado). Portanto, a afirmação está errada por generalizar, incluindo palavra que não surgiu por sufixação.
Dica de prova: sempre confira se todos os exemplos citados, especialmente nas listas, seguem a regra proposta!
III. ‘Esperança’ deriva do verbo ‘esperar’ + sufixo ‘-ança’; não passou por derivação parassintética (prefixo + sufixo simultaneamente). Já ‘envilecer’ (en- + vil + -ecer) e ‘ajoelhar’ (a- + joelho + -ar) são sim exemplos clássicos de parassíntese.
Erro clássico de pegadinha: nem todo uso de prefixo ou sufixo é ‘parassíntese’; é preciso ambos e a palavra não existe sem um dos dois.
IV. ‘Insano’ tem o prefixo ‘in-’ de negação antes de ‘sano’ (‘são’, saudável); o radical ‘insan’ isolado não existe no português padrão e a vogal final ‘o’ realmente é desinência, mas o núcleo da palavra é formado por prefixação! Logo, o item é falso.
Resumo das regras aplicadas:
- Prefixação: acréscimo de prefixo ao radical — ex.: ‘in-’ + ‘justo’
- Sufixação: acréscimo de sufixo — ex.: ‘igualitário’, mas não ‘gigante’
- Parassíntese: necessidade de prefixo e sufixo juntos (como em ‘envilecer’)
Portanto, somente a afirmativa I está correta (Alternativa E).
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