Questões de Concurso Sobre problemas da língua culta em português

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Q3525728 Português
De acordo com Marcos Bagno (Preconceito linguístico. 2015), a tarefa da educação linguística deve ser fundamentada no
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Q3524943 Português

        10 DE MAIO Fui na delegacia e falei com o tenente. Que homem amavel! Se eu soubesse que ele era tão amavel, eu teria ido na delegacia na primeira intimação. (...) O tenente interessou-se pela educação dos meus filhos. Disse-me que a favela é um ambiente propenso, que as pessoas tem mais possibilidades de delinquir do que tornar-se util à patria e ao país. Pensei: Se ele sabe disto, porque não faz um relatorio e envia para os politicos? O senhor Janio Quadros, o Kubstchek e o Dr. Adhemar de Barros? Agora falar para mim, que sou uma pobre lixeira. Não posso resolver nem as minhas dificuldades.


        ...O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora.


        Quem passa fome aprende a pensar no proximo, e nas crianças.



(Carolina Maria de Jesus. Quarto de despejo – diário de uma favelada)

Não confundir erro de português (que, afinal, não existe) com simples erro de ortografia. A ortografia é artificial, ao contrário da língua, que é natural.


(Marcos Bagno. Preconceito linguístico. 2015)



Com base nas considerações do autor, que reconhece a visão normativista presente nas aulas de língua portuguesa, haveria nessa perspectiva de ensino um “erro de português” na passagem:

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Q3523339 Português

Leia o excerto a seguir:



    Uma reportagem do Correio Braziliense, de 22 de maio de 1988, tem como título “Brasiliense não sabe usar a língua nacional” e, como subtítulo, “Placas comerciais retratam ignorância generalizada sobre regras ortográficas primárias”.


(Magalhães, em Kleiman, 1995)



De acordo com a autora, em sua discussão sobre práticas discursivas de letramento, tais enunciados evidenciam 

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Q3523091 Português

Seja Você Mesmo



Dê sempre o melhor...


E o melhor virá.


Às vezes as pessoas são egocêntricas,


Ilógicas e insensatas...


Perdoe-as assim mesmo.


Se você é gentil, todas as pessoas do mundo podem


Acusá-lo de egoísta e interesseiro...


Seja gentil assim mesmo.


Se você é um vencedor, terá alguns


Falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros...


Vença assim mesmo.


Se você é honesto e franco,


As pessoas podem enganá-lo...


Seja honesto e franco assim mesmo.


O que você levou anos pra construir,


Alguém pode destruir de uma hora para outra...


Construa assim mesmo.


Se você tem paz e é feliz,


As pessoas podem sentir inveja...


Seja feliz assim mesmo.


O bem que você faz hoje


Pode ser esquecido amanhã...


Faça o bem assim mesmo.


Dê ao mundo o melhor de você,


Mas isso pode nunca ser o bastante...


Dê o melhor assim mesmo.


E veja você que, no final das contas,


É entre você e Deus...


NUNCA SERÁ ENTRE VOCÊ E ELES!



(pensador.com/textos_de_auto_ajuda/adaptação Márcia Rebêlo)

Marque a assertiva que apresente um exemplo de variante informal da língua. 
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Q3522975 Português
A expressão “as luzes da razão foram, então, apagadas” realiza construção figurada classificada como:
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Q3522724 Português

A imagem abaixo apresenta uma linguagem informal. Assinalar a alternativa que representa uma linguagem formal do mesmo texto. 




Imagem associada para resolução da questão

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Q3522097 Português
Por que se apavora o falante apavorado?


Escrevendo profissionalmente sobre a língua portuguesa brasileira já faz um quarto de século, esbarrei muitas vezes com a figura do falante apavorado.

O falante apavorado trata a língua como se ela fosse uma cristaleira cara que, herdada dos avós, decora o salão onde seus filhos jogam futebol. Vive em sobressalto, o coitado, à espera do chute forte que vai estilhaçar seu tesouro.

Um elitismo confuso, misturado a bastante ignorância linguística, pode até levá-lo a mover uma acusação de lusocídio contra quem escreve brasilidades como “Se oriente, rapaz” ou “Tinha uma pedra no meio do caminho”.

Imagino que sejam uma minoria pequena, mas não sei. O fato é que de vez em quando um deles me acusa de ser um vândalo que ensina a fuzilar a concordância e a escrever gato com jota.

Embora a acusação seja vazia, não vou negar que magoa um pouco. Logo eu, pô, que desde pequeno arrasto uma asa bandeirosa pela tal de língua portuguesa.

Eu que decorei poemas ribombantes para recitar na escola, bestificado com a sinfonia das palavras, e nunca mais os esqueci – embora tenha renegado aquilo um milhão de vezes pela vida.

Sempre que trato da atualização normativa do português brasileiro, tarefa cívica para a qual nossa linguística está madura, vem um falante apavorado me chamar de destruidor do idioma.

Você aponta alguma aresta que pode ser aparada na relação entre uma norma culta idealizada e a norma culta praticada de fato no país. Sugestão, pensando bem, bastante modesta.

Um exemplo da semana passada: minha crítica à regra brasileira de separar, por escrito, preposição e artigo em frases como “a hora de a onça beber água” ou “o fato de a noite ser fria”.

A regra é besta, mas merece mais algumas palavras. Mesmo relativizada por nossos melhores gramáticos tradicionais, perdura nos meios editoriais, jurídicos, acadêmicos e jornalísticos do país.

Não é que seja especialmente idiota – embora seja um pouco – escrever “de o” em vez de contraí-lo em “do”, como fazemos todos os lusófonos ao falar. Idiota mesmo é afirmar que só pode ser assim.

Ah, mas não tem como ser diferente, se apavora ainda mais o falante apavorado. Diz ele que o fato da (opa) onça ser sujeito de uma nova oração impede a contração. Por quê? Não faz sentido. A onça não deixa de sentir sede porque alguém juntou duas palavras.

Os portugueses não perdem tempo com isso. Eu sei, nós não ligamos para o que os portugueses pensam da nossa língua. Só que neste caso eles têm razão.

Num idioma saudável, pruridos pedantes como esse não são base legítima para um divórcio tão desastroso e desnecessário entre forma e expressão.

O conservadorismo do falante apavorado é mais político do que linguístico. É preciso haver marcas, selos, carimbos para separar os falantes do alto e os falantes do baixo português. Nada melhor para isso do que certas pegadinhas, confere?

Passou da hora da gente se livrar de entulhos como esse, tornando nosso português escrito menos hostil aos milhões de brasileiros que lutam para dominá-lo nos bancos escolares.

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: junho de 2025.)
Observe o trecho: “Nada melhor para isso do que certas pegadinhas, confere?” (15º§). Em termos gerais, “pegadinha” é um artifício para enganar ou induzir alguém ao erro. Segundo o texto, considerando essa definição e as finalidades de “certas pegadinhas”, assinale a alternativa cujo enunciado obedece a uma regra gramatical considerada “pegadinha” pelo autor. 
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Q3521692 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O homem rouco


Deus sabe o que andei falando por aí; coisa boa não há de ter sido, pois Ele me tirou a voz.


Ela sempre foi embrulhada e confusa; a mim próprio muitas vezes parecia monótona e enjoada, que dirá aos outros. Mas era, afinal de contas, a voz de uma pessoa, e bem ou mal eu podia dizer ao mendigo "não tenho trocado", ao homem parado na esquina, "o senhor pode ter a gentileza de me dar fogo", e ao garçom, "por favor, mais um pedaço de gelo". Dizia certamente outras coisas e numa delas me perdi. Fiquei vários dias afônico e, hoje, me comunico e lamento com uma voz de túnel, roufenha, intermitente e infame.


Ora, naturalmente que me trato. Deram-me várias pastilhas horríveis e um especialista me receitou uma injeção e uma inalação que cheguei a fazer uma vez e me aborreceu pelo seu desagradável jeito de vício secreto ou de rito religioso oriental. Uma leitora me receitou pelo telefone chá de pitangueira, laranja da terra e eucalipto, tudo isso agravado por um dente de alho bem moído.


Não farei essas coisas. Vejo-me à noite, no recolhimento do lar, tomando esse chá dos tempos coloniais e me sinto velho e triste de cortar o coração.


Alguém me disse que se trata de rouquidão nervosa, o que me deixa desconfiado de mim mesmo. Terei muitos complexos? Precisamente quantos? Feios, graves? Por que me atacaram a garganta e não, por exemplo, o joelho? Ou quem sabe que havia alguma coisa que eu queria dizer e não podia, não devia, não ousava, estrangulado de timidez, e então engoli a voz?


Quando era criança, agora me lembro, passei um ano gago porque fui com outros moleques gritar alto "Capitão Banana" diante da tenda de um velho que vendia frutas, e ele estava escondido no escuro e me varejou um balde d'água em cima. Naturalmente devo contar essa história a um psicanalista. Mas então ele começará a me escarafunchar a pobre alma e isso não vale a pena. Respeitemos a morna paz desse brejo noturno onde fermentam coisas estranhas e se movem monstros informes e insensatos.


Afinal posso aguentar isso, sou um rapaz direito, bem comportado, talvez até bom partido para uma senhorita da classe média que não faça questão da beleza física, mas sim da moral, modéstia à parte.


O remédio é falar menos e escrever mais, antes que os complexos me paralisem os dedos, pobres dedos, triste mão que... Mas, francamente, página de jornal não é lugar para a gente falar essas coisas.


Eu vos direi, senhora, apenas, que a voz é feia e roufenha, mas o sentimento é límpido, é cristalino, puro − e vosso.


− Crônica de Rubem Braga



https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13137/o-homem-rouco

Leia os trechos extraídos do texto e escolha a alternativa que contém um vício de linguagem conhecido como pleonasmo.
Alternativas
Q3519333 Português
Qual alternativa apresenta erro na concordância verbal segundo a norma padrão?
Alternativas
Q3517324 Português
Considerando os vícios de linguagem e as normas do português culto, assinale a alternativa em que há desvio formal decorrente de impropriedade vocabular, estrutura frásica inadequada ou construção viciosa do ponto de vista estilístico ou gramatical.
Alternativas
Q3516891 Português
TEXTO 1


ÁGUAS DO MAR


    Aí está ele, o mar, a mais intelligible das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.

    Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.

    Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.

    São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.

    Seu corpo se consola com sua própria exiguidade em relação à vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exiguidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.

    Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal - a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda - e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido.

    O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo - espantada de pé, fertilizada.

    Agora o frio se transforma em frígido. Avançando, ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão se endurecendo de sal. Coma concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com a altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias de água, bebe em goles grandes bons.

    E era isso o que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto.

    Mergulha de novo, de novo bebe, mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é amante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica, pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação. 

    Depois caminha dentro da água de volta à praia. Não está caminhando sobre as águas - ah nunca faria isso depois que há milênios já andaram sobre as águas - mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas. Ås vezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera. 

    E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.


LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2020.
O fragmento retirado do texto "O sol se abre mais (...)". 10°§ representa um tipo de construção da linguagem coloquial. Assinale a opção que também apresenta coloquialidade.
Alternativas
Q3516882 Português
TEXTO 1


ÁGUAS DO MAR


    Aí está ele, o mar, a mais intelligible das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.

    Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.

    Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.

    São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.

    Seu corpo se consola com sua própria exiguidade em relação à vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exiguidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.

    Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal - a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda - e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido.

    O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo - espantada de pé, fertilizada.

    Agora o frio se transforma em frígido. Avançando, ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão se endurecendo de sal. Coma concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com a altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias de água, bebe em goles grandes bons.

    E era isso o que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto.

    Mergulha de novo, de novo bebe, mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é amante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica, pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação. 

    Depois caminha dentro da água de volta à praia. Não está caminhando sobre as águas - ah nunca faria isso depois que há milênios já andaram sobre as águas - mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas. Ås vezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera. 

    E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.


LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2020.
Observe o trecho abaixo.

"Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga." 4°§

O uso dos vocábulos destacados foi feito corretamente. Assinale a opção em que o emprego do termo sublinhado também foi realizado de forma correta. 
Alternativas
Q3515615 Português
Os vícios de linguagem acontecem, em geral, por falta de atenção ou desconhecimento das normas da língua, e podem comprometer a clareza da comunicação. Os enunciados a seguir exemplificam um desvio de linguagem:

I. Fazem nove meses que vivo com ela.
II. Lara não emprestou-me sua caneta.
III. Vamos na praia esse final de semana.

Conclui-se, após a análise dos enunciados, que o vício de linguagem recorrente em todos eles é: 
Alternativas
Q3515254 Português

Leia o texto para responder à questão.


                                Conselhos


Escuta aqui meu filho

não se deve perder um dia de sol

nem se apressar quando bate um vento Cruviana

nem sair do carro antes daquela música bonita acabar.

Jamais, entende?

A não ser que esteja prestes a beijar uma pessoa.

Pessoas são sempre uma grande experiência

todas elas têm no coração um lugar chamado sinoatrial

que gera impulsos elétricos.

Não há explicação. Simplesmente pulsa.

Então respeite porque toda pessoa é também um milagre

e há pessoas bicho, planta, serra.

Ouça todas

sinta os dias tranquilos

veja as flores com atenção

elas fazem um árduo trabalho de decoração.

Não seja ingrato e dê flores aos que ama.

E não esqueça

tudo é corrente, tudo é rio.

Tudo muda todos os dias, meu bem.

A dor e o sofrimento residem no apego.

Deixe a correnteza levar

e não pense ser possível vencer o medo para sempre.

O medo e o impulso elétrico que gera a vida

estão entrelaçados.


(Vanessa Brandão. Conselhos. Disponível em:

https://www.elasescrevem.org/conselhos/.

Acesso em 26/04/2025. Adaptado)

Foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de colocação pronominal o verso:
Alternativas
Q3510464 Português

"Nas ruas da cidade, nas mais centrais até, andam pequenos vadios, a cursar a perigosa universidade da calariça das sarjetas, aos quais o governo não dá destino, os mete num asilo, num colégio profissional qualquer, porque não tem verba, não tem dinheiro. É o Brasil rico..."


O emprego do vocábulo 'calarica', extraído do trecho da crônica de Lima Barreto, representa:

Alternativas
Q3507619 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


SATÉLITE


O Brasil e a China estão avançando em sua cooperação espacial, com foco no desenvolvimento do satélite CBERS-5, projetado para melhorar o monitoramento terrestre no Brasil. Em 29 de abril de 2025, representantes dos dois países se reuniram no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para discutir o andamento e as próximas etapas do projeto.


O CBERS-5 será a evolução da série de satélites CBERS, operando em órbita geoestacionária para monitoramento contínuo do território brasileiro. Sua missão será o acompanhamento de fenômenos climáticos extremos e a coleta de dados sobre desmatamento e preservação ambiental.


O lançamento do satélite está previsto para 2030 e contará com tecnologias avançadas, ampliando a capacidade de observação e auxiliando na previsão de desastres naturais e gestão de recursos hídricos. A ministra Luciana Santos destacou o projeto como um marco na cooperação entre os dois países, com foco em inovações sustentáveis que beneficiem o meio ambiente e a sociedade.


A cooperação é parte de um esforço maior para estreitar os laços entre o Brasil e a China em alta tecnologia e inovação, alinhando-se aos princípios de desenvolvimento sustentável.


Fonte: https://agenciagov.ebc.com.br/ (texto adaptado)

Após a leitura do texto "SATÉLITE", assinale a alternativa em que a concordância verbal ou nominal está INCORRETA, considerando as regras da norma padrão da Língua Portuguesa:
Alternativas
Q3506384 Português

“No sertão, o ‘ocê’ é mais do que pronome: é o jeito de falar, de chegar, de estar.”


(GUIMARÃES ROSA, João. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.)



A citação apresenta uma forma regional do pronome “você”. Com base nesse exemplo, identifique a afirmativa correta sobre variação linguística.

Alternativas
Q3506383 Português
Em relação às variedades linguísticas, assinale a alternativa que apresenta um exemplo da norma culta da língua portuguesa.
Alternativas
Q3505186 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


 SATÉLITE

O Brasil e a China estão avançando em sua cooperação espacial, com foco no desenvolvimento do satélite CBERS-5, projetado para melhorar o monitoramento terrestre no Brasil. Em 29 de abril de 2025, representantes dos dois países se reuniram no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para discutir o andamento e as próximas etapas do projeto.

O CBERS-5 será a evolução da série de satélites CBERS, operando em órbita geoestacionária para monitoramento contínuo do território brasileiro. Sua missão será o acompanhamento de fenômenos climáticos extremos e a coleta de dados sobre desmatamento e preservação ambiental.

O lançamento do satélite está previsto para 2030 e contará com tecnologias avançadas, ampliando a capacidade de observação e auxiliando na previsão de desastres naturais e gestão de recursos hídricos. A ministra Luciana Santos destacou o projeto como um marco na cooperação entre os dois países, com foco em inovações sustentáveis que beneficiem o meio ambiente e a sociedade.

 A cooperação é parte de um esforço maior para estreitar os laços entre o Brasil e a China em alta tecnologia e inovação, alinhando-se aos princípios de desenvolvimento sustentável.


Fonte: https://agenciagov.ebc.com.br/ (texto adaptado)

Após a leitura do texto "SATÉLITE", assinale a alternativa em que a concordância verbal ou nominal está INCORRETA, considerando as regras da norma padrão da Língua Portuguesa:
Alternativas
Q3504465 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



TEXTO 1:



Quase 11 milhões de brasileiros apostam de modo a pôr em risco a saúde e as finanças


Apostar em jogos de azar de modo a pôr em risco a saúde física, mental e financeira é hoje uma questão de saúde pública relevante no Brasil e, segundo alguns especialistas, quase tão grave quanto a dependência do álcool e do tabaco. Atualmente, 10,9 milhões de brasileiros com mais de 14 anos, o correspondente a 6,8% da população nessa faixa etária, jogam de forma a criar para si próprios problemas emocionais, familiares, econômicos ou com o trabalho e são classificados como jogadores de risco. O mais preocupante é que cerca de um em cada oito desses jogadores − o que equivale a 1,4 milhão de pessoas − apresenta um padrão de apostas mais comprometedor, compatível com o diagnóstico do transtorno do jogo, uma enfermidade caracterizada pelo desejo incontrolável de jogar mesmo diante de prejuízos.


Apresentados no início de abril em um evento na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), esses números foram calculados a partir de informações coletadas de uma amostra representativa da população brasileira. Eles ajudam a delinear um retrato atualizado de quem aposta − e como se aposta − no país depois da disseminação e da legalização das plataformas de jogos de azar on-line. Até então, os dados nacionais obtidos com metodologia científica datavam de quase 20 anos antes, e as informações mais recentes disponíveis haviam sido obtidas por instituições privadas especializadas em análises de comportamento e tendências.


A equipe da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Unifesp chegou à estimativa atual de quantas pessoas apostam no Brasil e da proporção que o faz de maneira nociva por meio dos dados obtidos na terceira e mais recente edição do Levantamento Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad), realizado entre 2023 e 2024. Divulgado no final de março em Brasília, durante o lançamento do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid), o Lenad III foi conduzido pela pesquisadora Clarice Sandi Madruga e financiado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), que mantém um convênio com a Unifesp sob a coordenação do psiquiatra Ronaldo Laranjeira.


A terceira edição do levantamento ampliou o tamanho da amostra e ouviu 16.608 brasileiros com 14 anos de idade ou mais de 349 municípios, distribuídos por todas as regiões do país − nas anteriores, haviam sido entrevistadas entre 3 mil e 4 mil pessoas. O Lenad III também expandiu o universo de temas investigados. Além de responder questionários sigilosos de autopreenchimento sobre o consumo de álcool e tabaco, os participantes forneceram informações sobre o uso de cigarros eletrônicos (dispositivos eletrônicos para fumar ou vapes), de medicamentos que podem causar dependência e substâncias psicoativas ilícitas. O levantamento coletou, ainda, indicadores de saúde física e mental e determinantes sociais de saúde. Os resultados devem ser pormenorizados em publicações específicas nos próximos meses.


Um módulo específico do Lenad III avaliou a frequência e o impacto dos jogos de apostas no país. Nele, 4.860 pessoas − sendo 876 adolescentes com idades entre 14 e 18 anos, de ambos os sexos, e 3.984 homens e mulheres adultos − responderam nove perguntas do Índice de Gravidade do Jogo Problemático (PGSI, na sigla em inglês), um instrumento que avalia os prejuízos pessoais, sociais e financeiros relacionados ao comportamento de apostar e identifica o nível de risco de desenvolver o chamado transtorno do jogo.


Divulgados agora, os dados sobre jogo estão detalhados em um documento de 60 páginas − o Caderno temático − Jogos de aposta na população brasileira − e sugerem que o risco associado ao hábito de apostar do brasileiro se intensificou em relação ao observado no primeiro levantamento, embora os indicadores que investigam jogos de apostas não sejam diretamente comparáveis entre as duas edições, por terem usado instrumentos de aferição diferentes.


No Lenad I, realizado em 2005 e 2006 sob a coordenação de Laranjeira, os entrevistadores coletaram informações de 3.007 pessoas com mais de 14 anos em 144 cidades brasileiras. Na época, ainda existiam casas com jogo de bingo eletrônico e máquinas caça-níqueis e 88,3% da população não jogava, como foi detalhado em artigo publicado em 2010 na revista Psychiatry Research. Já 9,4% eram jogadores ocasionais, 1,3% tinham algum grau de problema com jogos e 1% se enquadrava na categoria dos jogadores patológicos, aqueles que apostavam repetidamente apesar de já terem sofrido prejuízos financeiros, emocionais ou nas relações familiares e sociais.


No levantamento atual, feito ainda no início da recente febre das bets e das plataformas on-line de aposta, a proporção de pessoas que não jogam foi de 82,6%. Os 17,4% restantes, número que corresponde a quase 28 milhões de brasileiros, se distribuem da seguinte forma: 10,6% jogam de modo esporádico, sem enfrentar problemas; 3,4% são jogadores com baixo risco de se tornarem dependentes; 2,6% com risco moderado; e 0,8% jogador problemático. Os últimos são aqueles que somaram mais de 8 pontos na escala PGSI, que vai até 27, e possivelmente já desenvolveram o chamado transtorno do jogo, uma forma de dependência induzida pelo comportamento, e não por uma substância química, registrada no Manual de diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM) e na Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados com a saúde (CID).


"Há indícios preocupantes de aumento de comportamentos problemáticos relacionados às apostas", comenta o psiquiatra Hermano Tavares, da Universidade de São Paulo (USP), que detalhou os resultados do Lenad I na Psychiatry Research e não participou da versão atual do levantamento. "Esses sinais começaram a se intensificar durante a pandemia, período que impulsionou as apostas on-line, e ainda não perderam força. Atualmente, a dependência do jogo é a terceira mais comum entre os brasileiros. Supera a da cocaína e do crack e fica atrás apenas da do álcool e do tabaco. A rede pública de saúde não está preparada para lidar com isso", afirma.


"Esse transtorno se manifesta quando a pessoa perde o controle sobre o hábito de apostar, que passa a ocupar um papel central em sua vida e traz prejuízos significativos", explica o psiquiatra Daniel Spritzer, que faz pós-doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e é colaborador do Lenad III. "Isso inclui apostar mais do que se deveria ou poderia, perder dinheiro e voltar a apostar para tentar recuperá-lo ou precisar aumentar cada vez mais os valores para sentir o mesmo prazer inicial", detalha. Os sinais de alerta incluem ansiedade e angústia quando não se consegue apostar, além de comportamentos como pedir dinheiro emprestado ou vender bens para continuar jogando.


A proporção de jogadores varia de acordo com a região do país. O Sul concentra a maior fração deles (20,4% das pessoas com mais de 14 anos apostam) e o Nordeste, a menor, 16,3%. A relação entre as duas regiões se inverte quando são consideradas as proporções de indivíduos que apostam de forma arriscada: a maior fração de apostadores (52,3%) com algum grau de risco (baixo, médio ou elevado) de desenvolver transtorno do jogo está no Nordeste, enquanto essa proporção é bem menor no Sul (29,8%) e no Sudeste (28%).



TEXTO 02:




Textos retirados e adaptados de Ceci (2025).  

O trecho a seguir foi criado com base nos textos 1 e 2. Analise-o cuidadosamente:
___ muitos anos, a sociedade brasileira convive com problemas ligados ___ uso de substâncias psicoativas, como álcool e tabaco. Agora, somam-se ___ essa realidade os impactos crescentes do vício em jogos de aposta, um fenômeno que se espalha silenciosamente ___ todas as regiões do país. O que antes parecia restrito a bingos clandestinos ou casas físicas, hoje está acessível com um simples toque no celular, o que contribui ___ normalização de um comportamento prejudicial. Não se pode mais reagir apenas ___ surtos de indignação nas redes sociais sempre que surgem dados alarmantes. É preciso, sim, investir ___ altura do problema: com políticas públicas, campanhas educativas e formação profissional capaz de atender aos dependentes e suas famílias. A omissão do poder público, combinada ___ rapidez com que as apostas online ganham espaço, tende a agravar ainda mais uma situação que ___ pouco tempo era subestimada. Chegamos ___ um ponto crítico, e qualquer esforço que venha ___ ser feito daqui em diante precisará ser firme, estratégico e duradouro. Afinal, há vidas sendo consumidas pouco a pouco.
Assinale a alternativa que correta a respectivamente preenche as lacunas do excerto:
Alternativas
Respostas
661: C
662: B
663: E
664: A
665: C
666: D
667: B
668: A
669: A
670: A
671: A
672: D
673: C
674: D
675: D
676: C
677: C
678: C
679: D
680: E