Questões de Concurso
Sobre pontuação em português
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Para responder à questão, considere o texto reproduzido a seguir.
Os conhecimentos sobre a língua, as demais semioses e a norma-padrão não devem ser tomados como uma lista de conteúdos dissociados das práticas de linguagem, mas[1] como propiciadores de reflexão a respeito do funcionamento da língua no contexto dessas[2] práticas. A seleção de habilidades na BNCC está relacionada com aqueles conhecimentos fundamentais para que o estudante possa apropriar-se do sistema linguístico que organiza o português brasileiro. Alguns desses objetivos, sobretudo[3] aqueles que dizem respeito à norma, são transversais a toda a base de Língua Portuguesa. O conhecimento da ortografia, da pontuação, da acentuação, por exemplo, deve estar presente ao longo de toda escolaridade, abordados conforme[4] o ano da escolaridade. Assume-se, na BNCC de Língua Portuguesa, uma perspectiva de progressão de conhecimentos que vai das regularidades às irregularidades e dos usos mais frequentes e simples aos menos habituais e mais complexos.
Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-em-tempointegral/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal.pdf. Acesso em: 23 out. 2025.
Considere o fragmento reproduzido abaixo.
Assume-se, na BNCC de Língua Portuguesa, uma perspectiva de progressão de conhecimentos que vai das regularidades às irregularidades e dos usos mais frequentes e simples aos menos habituais e mais complexos.
De acordo com as normas do português escrito padrão,

A partir dessas informações, julgue o item seguinte, relacionado ao fragmento apresentado de O Uraguai.
No verso “Tanto era bela no seu rosto a morte!”, o sinal de exclamação é empregado para reforçar o sentimento de admiração pela beleza de Lindoia, entendendo-se que, em seu semblante, até mesmo a morte se mostra como algo belo.
Julgue o item seguinte, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto apresentado.
No trecho “e aproveita a emenda aprovada anteriormente na Comissão de Cultura, que prevê o uso de recursos de tecnologia assistiva” (segundo parágrafo), a exclusão da vírgula empregada após a palavra “Cultura” não comprometeria a correção gramatical nem alteraria os sentidos originais do texto.
“Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados e deseja tão somente andar ao lado de Deus.”
No parágrafo, a vírgula foi empregada para separar, tanto elementos de uma oração, quanto orações de um só período.
Entre as orações, a vírgula foi usada para
TEXTO PARA A QUESTÃO.
O que vale nessa vida não cabe em algoritmo
O que vale nessa vida, nós ainda não sabemos. E talvez seja justamente essa ignorância que nos mantém vivos. Passamos séculos tentando explicar o inexplicável — com deuses, com teorias, com manuais de autoajuda — e seguimos errando, mas com elegância. Montaigne, em seus Ensaios, já desconfiava disso quando escreveu: “Mais vale uma cabeça bem-feita do que uma cabeça cheia.” Nós, humanos, seguimos com as duas meio tortas.
O que vale nessa vida tem o nosso jeito —um jeito malfeitor, hesitante, às vezes belo por engano. O jeito de quem pensa que entende o amor, mas ainda tropeça no próprio medo. Pascal, em Pensamentos, dizia que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. E é aí que moramos: nesse espaço entre o cálculo e o caos.
Somos criaturas curiosas. Capazes de criar sinfonias e guerras, poesia e fake news, ternura e destruição. Dostoievski nos avisou, em Os Irmãos Karamázov, que “todos somos culpados de tudo e por todos”. Talvez por isso sejamos tão inquietos: carregamos a culpa de um mundo inteiro dentro do peito.
O que vale nessa vida, se ainda vale alguma coisa, talvez seja o gesto. O gesto pequeno, humano, falho —aquele que ajeita uma confusão que nem é nossa.
Guimarães Rosa dizia em Grande Sertão: Veredas: “Viver é muito perigoso.” E mesmo assim vivemos — teimosamente. Acordamos, trabalhamos, amamos e fracassamos com uma dignidade que beira o heroísmo. Entre a fome e o riso, seguimos apostando em dias melhores, mesmo sabendo que o jogo é viciado.
O que vale nessa vida talvez seja esse dom humano de suportar o insuportável. Albert Camus, em O Mito de Sísifo, chamou isso de revolta: “O único problema filosófico realmente sério é o suicídio.”
E nós, por pura teimosia, escolhemos não morrer. Escolhemos continuar. Escolhemos rir no meio da tragédia e amar mesmo sabendo que tudo desaba.
Há, em nós, um modo estranho de ajeitar o caos. T.S. Eliot, em Quatro Quartetos, escreveu: “O tempo presente e o tempo passado estão ambos talvez presentes no tempo futuro.” É o jeito dele dizer que estamos condenados a repetir o que sentimos. Que a vida é cíclica, e o que cura hoje pode ferir amanhã. Ainda assim, insistimos em chamar isso de amor.
Byung-Chul Han, em A Agonia do Eros, explica que vivemos numa era onde o outro se tornou ameaça. E é por isso que amar, hoje, é quase um ato revolucionário. Amar de verdade — sem performance, sem filtros, sem publicidade — é dizer ao mundo: “eu ainda sou humano”. Eduardo Galeano, em O Livro dos Abraços, escreveu que “somos o que fazemos para mudar o que somos”. Talvez seja por isso que seguimos — não porque sabemos o caminho, mas porque o andar é o único verbo que nos resta.
Graciliano Ramos, o mais sóbrio dos realistas, deixou em Vidas Secas a constatação de que até o silêncio tem sede. E nós, os humanos, seguimos sedentos — de verdade, de ternura, de sentido.
Jean-Jacques Rousseau dizia em O Contrato Social que “o homem nasceu livre, e por toda parte se encontra acorrentado”. Talvez sejamos isso mesmo — seres que amam as próprias correntes. Gostamos de reclamar da prisão, mas temos medo da porta aberta.
No fim, o que vale nessa vida é o nosso jeito de continuar, mesmo quebrados, mesmo cansados, mesmo sem entender nada. O mundo se repete, o caos nos visita, mas nós, os humanos, seguimos ajeitando o impossível.
Enquanto os algoritmos tentam prever quem somos, seguimos sendo imprevisíveis. Talvez seja justamente essa falha, essa incoerência, esse jeito de tropeçar e levantar, que torna o ser humano a mais bela imperfeição da Terra.
Autor: Felipe Daroit (adaptado).
I. A expressão “o mais sóbrio dos realistas”, isolada por vírgulas, exerce função de aposto explicativo, qualificando o nome anterior.
II. A construção “o silêncio tem sede” constitui um caso de personificação, ao atribuir característica humana a um ente abstrato.
Das assertivas, pode-se afirmar que:


No trecho “Penso: se a miséria revolta até as crianças...” (linhas 97- 98), as reticências empregadas geram um efeito de sentido específico. Assinale a alternativa que apresenta corretamente o efeito de sentido desse sinal de pontuação.

Texto para a questão a seguir:
A Lenda da Gárgula
As gárgulas são figuras esculpidas em pedra, comumente encontradas na arquitetura de catedrais medievais, que capturam a imaginação popular há séculos. Frequentemente retratadas como criaturas monstruosas e grotescas, sua presença imponente no alto de edifícios sagrados parece contraditória. No entanto, essas esculturas não são meros adornos; elas carregam uma rica bagagem de lendas e simbolismos que explicam sua função tanto prática quanto espiritual, servindo como guardiãs silenciosas que observam a cidade do alto.
A origem do termo e da lenda mais famosa remonta à França do século VII, na cidade de Rouen. Conta a história que um temível dragão chamado "La Gargouille" aterrorizava a região, emergindo do rio Sena para cuspir água, inundar terras e devorar barcos e habitantes. A criatura era tão poderosa que os cidadãos, desesperados, ofereciam-lhe um sacrifício humano anual para aplacar sua fúria e garantir que o resto da população fosse poupado de sua ira destrutiva.
A situação mudou com a chegada de Romanus, um clérigo que mais tarde se tornaria São Romano de Rouen. Prometendo livrar a cidade do monstro em troca da conversão de seus habitantes ao cristianismo, ele enfrentou La Gargouille. Usando apenas a sua fé e o sinal da cruz, Romanus conseguiu domar a criatura, amarrando-a com sua estola e conduzindo-a de volta à cidade, onde foi condenada à morte e queimada em uma grande fogueira na praça pública.
Da carcaça incinerada do dragão, porém, uma parte permaneceu intacta: sua cabeça e seu pescoço, que, por terem sido constantemente expostos ao fogo expelido pela própria criatura, haviam se tornado imunes às chamas. Como um troféu e um aviso, a cabeça de La Gargouille foi montada na fachada da nova igreja da cidade. Essa se tornou a primeira gárgula, estabelecendo o precedente para que outras catedrais adotassem figuras semelhantes, não apenas como um sistema para escoar a água da chuva (função prática que deu origem ao nome, do francês "gargouiller", gargarejar), mas também como um símbolo de proteção, que afasta os maus espíritos e lembra aos fiéis que, enquanto o mal existe do lado de fora, dentro da igreja eles encontrarão a salvação.
Observe as orações a seguir e relacione-as corretamente às funções ou aos efeitos sintáticos dos sinais de pontuação utilizados.
Coluna 01
(__)A menina, ansiosa, aguardava o resultado da prova.
(__)João preparou-se para o discurso; porém, esqueceu as anotações.
(__)Goiás e Vila, domingo passado: o Vila deu show!
(__)O prefeito tem "aplicado" o dinheiro público, segundo rumores.
(__)O aluno — exausto após o exame — deixou a sala em silêncio.
Coluna 02
I.Uso de dois-pontos para introduzir explicação ou comentário sobre termo anterior.
II.Uso de aspas para indicar ironia ou destaque de sentido figurado.
III.Uso de ponto e vírgula para separar orações coordenadas com vírgulas internas.
IV.Uso de travessões para dar ênfase a um termo intercalado.
V.Uso de vírgulas para isolar um predicativo deslocado ou um termo explicativo.
Correlacione as colunas e assinale a alternativa com a sequência correta:
Com base nas regras normativas de uso dos sinais de pontuação, assinale a alternativa em que a pontuação está inteiramente correta.
I.Não se separa o sujeito do predicado por vírgula, ainda que o sujeito seja muito extenso ou contenha expressões intercaladas, pois esses termos possuem alto grau de coesão entre si.
II.O ponto e vírgula é utilizado para separar orações coordenadas que já contenham vírgulas internas, mantendo, assim, o equilíbrio sintático e a clareza da enumeração.
III.As orações subordinadas adverbiais deslocadas para o início do período podem ser escritas sem vírgula, desde que o sentido de tempo, causa ou condição permaneça claro.
IV.Os dois-pontos são empregados tanto para introduzir o discurso direto quanto para esclarecer ou detalhar um termo anterior, sendo obrigatória a letra minúscula após esse sinal.
V.O uso das aspas pode indicar ironia, citação direta ou destaque de uma palavra, enquanto o travessão pode substituir as vírgulas em orações intercaladas para dar maior ênfase ao termo destacado.
Em quais afirmativas o emprego e a descrição dos sinais de pontuação estão inteiramente corretos?
Com base nas normas gramaticais que regem o uso da vírgula, analise as construções a seguir e identifique aquela em que a pontuação está de acordo com a norma-padrão.
(__)A vírgula é obrigatória para separar o sujeito do predicado em orações longas, a fim de garantir uma pausa para o leitor e facilitar a identificação do verbo principal.
(__)Orações subordinadas adjetivas restritivas, por serem essenciais ao sentido da oração principal, nunca devem ser separadas por vírgulas, diferentemente das explicativas, que exigem o isolamento.
(__)O vocativo, sendo um termo independente que serve para chamar ou interpelar o interlocutor, deve ser sempre isolado por vírgulas, independentemente de sua posição na frase.
(__)Orações subordinadas adverbiais, quando deslocadas para o início do período (antes da oração principal), devem obrigatoriamente ser separadas por vírgula.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Assinale a alternativa correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase.