Questões de Concurso Sobre pontuação em português

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Q4106573 Português

Texto 1

Acesso à internet entre idosos quase quadruplica em 8 anos, aponta IBGE

    De 2016 a 2024, o número de idosos que acessam a internet saltou de 6,5 milhões para 24,5 milhões. Esse crescimento representa alta de 278%, ou seja, quase quadruplicou. Observando de outro ângulo, esses números revelam que, em 2016, 44,8% das pessoas com 60 anos ou mais utilizavam a internet. Em 2024, o patamar alcançou praticamente 70% (69,8%) dos idosos.

    Os dados fazem parte de um suplemento sobre tecnologia da informação e comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios /Contínua (Pnad), divulgada nesta quinta-feira (24/07/2025) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). [...]

    O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, destaca que os idosos têm aumentado o acesso ano a ano, embora ainda sejam o grupo que menos usa a rede. Para o pesquisador, o crescimento expressivo reflete o envelhecimento da população e a entrada de novas gerações na velhice. A oferta de serviços fornecidos pela internet também é um dos motivos que explicam essa ampliação, acredita Fontes.

    “Eu acho que a internet tem feito cada vez mais parte do cotidiano da sociedade, de uma forma geral. Muitos serviços são acessados pela internet, as pessoas, muitas vezes, se comunicam pela internet, muitas vezes é importante para o trabalho das pessoas”, descreve o analista.

    Dos 24,5 milhões de idosos com acesso à internet, 87,9% usavam a rede todos os dias.

Adaptado de: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/acesso-ainternet-entre-idosos-quase-quadruplica-em-8-anos-diz-ibge/. Acesso em: 25 jul. 2025. 
Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho “As pessoas, muitas vezes, se comunicam pela internet [...]”, do Texto 1, preserva a correção gramatical e o sentido original. 
Alternativas
Q4104863 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão

TEXTO I
Menos é mais?

Alessandra Aragão

Essa corrida constante nos torna, de fato, mais felizes? O que realmente ganhamos ao acumular tanto?

Vivemos em um mundo de excessos. Gavetas abarrotadas, agendas lotadas, mentes sobrecarregadas de informações. A todo momento, buscamos mais: mais sucesso, mais reconhecimento, mais coisas. Mas essa corrida constante nos torna, de fato, mais felizes? O que realmente ganhamos ao acumular tanto?

O minimalismo propõe um olhar diferente: menos pode ser mais. Não se trata apenas de reduzir posses, mas de reavaliar o que realmente importa. Como disse Henry David Thoreau, “nossa vida é desperdiçada em detalhes... simplifique, simplifique”.

Pesquisas apontam que o acúmulo excessivo impacta diretamente nosso bem‑estar. Um estudo conduzido pelo Centro de Vidas Cotidianas de Famílias (CELF), da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), acompanhou famílias americanas para entender como o ambiente doméstico influencia o bem‑estar. Os resultados mostraram que casas desorganizadas estão associadas a altos níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Quanto mais acumulamos, maior tende a ser nossa ansiedade. O que sua casa diz sobre você? Seu ambiente traz paz ou sobrecarga? Mas essa sobrecarga não se limita ao material.

O neurocientista Daniel Levitin, autor de “A mente organizada”, explica que o excesso de informação drena nossa capacidade de concentração e decisão. Quando tudo exige nossa atenção, perdemos a clareza sobre o que é essencial. Como você tem usado sua atenção? O que merece prioridade em sua vida?

Talvez seja hora de uma pausa para reflexão. Você possui as coisas ou as coisas possuem você? O que há em excesso na sua vida que rouba sua paz? O essencial não se encontra no acúmulo, mas na escolha. Se você tivesse que reduzir sua vida ao que realmente importa, o que permaneceria?

Minimalismo não é escassez, mas intenção. Na prática, significa fazer escolhas mais conscientes: manter apenas o que agrega valor — sejam objetos, compromissos ou relações; priorizar experiências significativas em vez de bens materiais; criar espaços físicos e mentais mais leves, eliminando excessos que geram estresse.

Barry Schwartz, no livro “O paradoxo da escolha”, destaca que o excesso de opções pode levar à insatisfação e até à paralisia decisória. Diante de tantas possibilidades, podemos nos sentir perdidos, incapazes de valorizar plenamente o que já temos. Um exemplo disso é Steve Jobs, que adotava um guarda‑roupa simples para evitar a fadiga decisória. Ao reduzir escolhas triviais, direcionava sua energia ao que realmente importava. E você? Quanta energia está desperdiçando tentando administrar o excesso?

O designer alemão Dieter Rams sintetizou essa ideia ao afirmar: “menos, porém melhor”. Não se trata apenas de reduzir, mas de priorizar o que realmente tem valor. Esse princípio pode ser aplicado em diversas áreas da vida. No trabalho: priorizar qualidade em vez de quantidade. Nos relacionamentos: valorizar conexões verdadeiras, deixando de lado laços superficiais. No tempo livre: desfrutar o lazer, reduzir distrações digitais e redescobrir o prazer da simplicidade.

Nesse sentido, Dostoiévski nos lembra que “o segredo da existência humana não está apenas em viver, mas em saber pelo que se vive”. O minimalismo nos convida a essa reflexão, ajudando‑nos a eliminar os excessos que obscurecem o que realmente tem significado.

Ser minimalista não significa renunciar a tudo, mas viver com mais intenção. Onde você pode trazer mais simplicidade para sua rotina? Quais excessos estão pesando sobre sua vida?

No final, não somos definidos pelo que possuímos, mas pelo espaço que criamos para o que realmente importa. Talvez seja a hora de abrir mão de um hábito desgastante, um pensamento que já não te serve mais ou um compromisso sem propósito.

Que tal começar agora?


Estado de Minas, Bem Viver, 24 abr. 2025, p. 33 (adaptado).
Releia o trecho do texto I a seguir.
“Como disse Henry David Thoreau, ‘nossa vida é desperdiçada em detalhes... simplifique, simplifique’. [...] Como você tem usado sua atenção? O que merece prioridade em sua vida? [...] Na prática, significa fazer escolhas mais conscientes: manter apenas o que agrega valor — sejam objetos, compromissos ou relações [...].”
Considere a função dos sinais de pontuação nesse trecho e assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q4102323 Português
A Importância da Saúde Pública no Brasil

A saúde pública no Brasil, especialmente por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), é considerada essencial para assegurar a dignidade humana e a equidade social. A Constituição Federal de 1988 estabelece que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”, conferindo ao SUS um papel central como política pública universal. Segundo dados oficiais, o sistema público é a única forma de acesso à saúde para cerca de 152 milhões de brasileiros, o que representa mais de 75% da população.

Além disso, o SUS desempenha um papel multifacetado ao atuar na promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde, garantindo ações como a vigilância sanitária, ambiental e epidemiológica, bem como a distribuição de medicamentos essenciais e antirretrovirais. Esses serviços, organizados de maneira descentralizada e participativa, alcançam desde a atenção básica até os níveis mais complexos da assistência, evidenciando sua abrangência e relevância para a população.

Em um país marcado por profundas desigualdades socioeconômicas, o SUS assume ainda um papel estratégico no cuidado dos mais vulneráveis, especialmente em situações de emergência sanitária, como a pandemia de COVID-19. Um estudo publicado na Revista de Administração Hospitalar e Inovação em Saúde destaca que, mesmo diante de dificuldades de gestão e financiamento, o fortalecimento e a valorização do SUS são imprescindíveis para garantir uma resposta eficaz do sistema público em emergências de saúde.

Portanto, o SUS se confirma como uma das maiores conquistas da sociedade brasileira. Sua existência e consolidação representam a possibilidade de acesso universal à saúde, garantida constitucionalmente, e são decisivas para enfrentar crises sanitárias, reduzir desigualdades e promover a dignidade social. Defender, valorizar e fortalecer esse sistema é uma obrigação democrática e um compromisso com o bem-estar coletivo.

Fontes:
− BRASIL ESCOLA. A importância do Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/direito/a-importancia-dosistema-unico-de-saude.htm
− BRASIL. Ministério da Saúde. SUS – Saúde Brasil. 3ª ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_saude_brasil_3e d.pdf
− GOV.BR. Sistema Único de Saúde – SUS. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/sus
− MATTOS, M. et al. Fortalecimento do SUS em emergências de saúde pública. Revista de Administração Hospitalar e Inovação em Saúde, UFMG, 2021. Disponível em: https://revistas.face.ufmg.br/index.php/rahis/article/view/6202/323 6 
Portanto, o SUS se confirma como uma das maiores conquistas da sociedade brasileira.”

No trecho acima, a vírgula após a palavra “Portanto” justifica-se porque: 
Alternativas
Q4100790 Português
Arte Digital: saiba como tudo começou

Saiba como a tecnologia revolucionou o mundo da arte e quem foram os principais responsáveis.

Por Paulo Varella


   A arte digital é um movimento artístico que encapsula uma obra ou prática artística que usa qualquer forma de tecnologia digital como parte de seu processo de criação ou apresentação. Sendo um método de arte muito acessível, nunca se criaram tantas possibilidades no mundo da arte como a arte digital.

   À medida que a era digital (também conhecida como a era da informação) marcou sua presença no mundo entre 1950 e 1970, era apenas uma questão de tempo até que os artistas entendessem suas tecnologias progressivas para sua própria produção criativa.

   Como acontece com todos os novos meios, os artistas começaram a exercer essas novas e valentes inovações da sociedade, incluindo a televisão, a introdução do computador pessoal, a acessibilidade do software de audiovisual e, eventualmente, a internet, em suas próprias obras.

   Embora a arte digital não seja reconhecida como um movimento distinto, por si só, à medida que a tecnologia continua a crescer rapidamente na sociedade contemporânea, continuaremos a vê-la se desenvolver e a passar por constantes mudanças, solidificando-se como uma possível alternativa aos meios tradicionais de criação de arte.
[...]

   Em 1967, foi formado um coletivo originado pelos engenheiros Billy Klüver e Fred Waldhauer e pelos artistas Robert Rauschenberg e Robert Whitman. Esse grupo foi nomeado como EAT (Experimentos em Arte e Tecnologia) e sua missão era promover a colaboração entre a arte e o crescente mundo da tecnologia.

   O resultado dessa criação foi uma série de instalações e desempenhos que incorporavam sistemas eletrônicos inovadores, incluindo circuitos elétricos, projeção de vídeo e projeção de som sem fio. Ainda que muitos desses sistemas não fossem estritamente “digitais” devido à relativa primitividade da tecnologia envolvida, o EAT lançou as bases para um tipo de arte que abraçou e explorou o progresso tecnológico.

   Inaugurando as “regras” do que conhecemos como arte conceitual, arte de desempenho, música de barulho experimental, teatro das eras de Dada, Fluxus e os “acontecimentos” da década de 1960 na era digital revolucionária, os experimentos desse grupo representaram um casamento inovador entre artistas e tecnologias nunca vistas anteriormente.
[...]

   À proporção que a tecnologia se tornou mais enraizada na existência cotidiana, a novidade do “digital” na arte desapareceu. Hoje, não se vê muito trabalho conceitual, vídeo, internet, mídia social e arte multimídia utilizando ferramentas digitais e mídia sem alinhamento específico com o movimento de arte digital. As obras nesse domínio, geralmente, são agora consideradas sob o termo mais abrangente “new media art”.

   A tecnologia continua a avançar à velocidade da corrente, compelida pela imaginação do homem contemporâneo. Por exemplo, embora muitos artistas, ao longo do tempo, tenham feito arte inspirada no cosmos, alguns artistas hoje estão explorando espaço e outras dimensões por meio do uso de software astronômico digital de alta tecnologia. [...]


Adaptado de: https://arteref.com/movimentos/arte-digital/.
Acesso em: 19 nov. 2024.
Em “À medida que a era digital (também conhecida como a era da informação) [...]”, o sinal de parênteses foi empregado com a função de 
Alternativas
Q4100785 Português
Arte Digital: saiba como tudo começou

Saiba como a tecnologia revolucionou o mundo da arte e quem foram os principais responsáveis.

Por Paulo Varella


   A arte digital é um movimento artístico que encapsula uma obra ou prática artística que usa qualquer forma de tecnologia digital como parte de seu processo de criação ou apresentação. Sendo um método de arte muito acessível, nunca se criaram tantas possibilidades no mundo da arte como a arte digital.

   À medida que a era digital (também conhecida como a era da informação) marcou sua presença no mundo entre 1950 e 1970, era apenas uma questão de tempo até que os artistas entendessem suas tecnologias progressivas para sua própria produção criativa.

   Como acontece com todos os novos meios, os artistas começaram a exercer essas novas e valentes inovações da sociedade, incluindo a televisão, a introdução do computador pessoal, a acessibilidade do software de audiovisual e, eventualmente, a internet, em suas próprias obras.

   Embora a arte digital não seja reconhecida como um movimento distinto, por si só, à medida que a tecnologia continua a crescer rapidamente na sociedade contemporânea, continuaremos a vê-la se desenvolver e a passar por constantes mudanças, solidificando-se como uma possível alternativa aos meios tradicionais de criação de arte.
[...]

   Em 1967, foi formado um coletivo originado pelos engenheiros Billy Klüver e Fred Waldhauer e pelos artistas Robert Rauschenberg e Robert Whitman. Esse grupo foi nomeado como EAT (Experimentos em Arte e Tecnologia) e sua missão era promover a colaboração entre a arte e o crescente mundo da tecnologia.

   O resultado dessa criação foi uma série de instalações e desempenhos que incorporavam sistemas eletrônicos inovadores, incluindo circuitos elétricos, projeção de vídeo e projeção de som sem fio. Ainda que muitos desses sistemas não fossem estritamente “digitais” devido à relativa primitividade da tecnologia envolvida, o EAT lançou as bases para um tipo de arte que abraçou e explorou o progresso tecnológico.

   Inaugurando as “regras” do que conhecemos como arte conceitual, arte de desempenho, música de barulho experimental, teatro das eras de Dada, Fluxus e os “acontecimentos” da década de 1960 na era digital revolucionária, os experimentos desse grupo representaram um casamento inovador entre artistas e tecnologias nunca vistas anteriormente.
[...]

   À proporção que a tecnologia se tornou mais enraizada na existência cotidiana, a novidade do “digital” na arte desapareceu. Hoje, não se vê muito trabalho conceitual, vídeo, internet, mídia social e arte multimídia utilizando ferramentas digitais e mídia sem alinhamento específico com o movimento de arte digital. As obras nesse domínio, geralmente, são agora consideradas sob o termo mais abrangente “new media art”.

   A tecnologia continua a avançar à velocidade da corrente, compelida pela imaginação do homem contemporâneo. Por exemplo, embora muitos artistas, ao longo do tempo, tenham feito arte inspirada no cosmos, alguns artistas hoje estão explorando espaço e outras dimensões por meio do uso de software astronômico digital de alta tecnologia. [...]


Adaptado de: https://arteref.com/movimentos/arte-digital/.
Acesso em: 19 nov. 2024.
Considerando o uso da vírgula, assinale a alternativa em que a frase adaptada do texto está redigida corretamente. 
Alternativas
Q4100721 Português
De mover carros para mover água: o próximo século do desenho urbano

Assim como fizemos para acomodar os automóveis, podemos redesenhar as cidades para lidar de forma mais inteligente com a chuva

Pedro Henrique de Christo e Alexandros Washburn


   Nos últimos cem anos, desenhamos nossas cidades para mover carros. Alargamos ruas, construímos estradas e remodelamos bairros para acomodar automóveis. Por qualquer medida, nós conseguimos. A cidade moderna é otimizada para veículos, comumente ao custo das pessoas que vivem nela. Entretanto, os próximos cem anos devem focar algo muito mais urgente: mover água.

   A crise climática está remodelando nossas cidades, trazendo tempestades mais intensas, aumento do nível do mar e ondas de calor. A volatilidade hidroclimática tem levado ao aumento de enchentes relâmpagos, secas prolongadas e incêndios, a chamada "chicotada climática". Porto Alegre passou por uma das piores secas do mundo em 2023 e, em seguida, por enchentes devastadoras em 2024. [...]

   No Brasil, a frequência de eventos climáticos extremos vem subindo dramaticamente. Entre 2014 e 2023, grandes enchentes aumentaram de 182 para 314 e secas de 92 para 406 se comparadas à década anterior. São Paulo exemplifica essa tendência com sua seca severa de 2014-15 seguida por enchentes relâmpagos que se intensificaram no último verão. Estas são todas crises d’água, o elemento mais fundamental para a cidade e sua população. [...]

   Ainda assim, nossa infraestrutura urbana se mantém presa numa mentalidade do século 20, tratando a água como uma inconveniência – em vez de uma força fundamental que deve ser gerida com o mesmo nível de planejamento e investimento que o automóvel já demandou.

   A tarefa não é fácil, mas não é mais difícil do que nós realizamos no último século. A transformação das cidades para os carros requisitou feitos de engenharia massivos: rodovias elevadas, túneis subterrâneos, estruturas vastas de estacionamento, monitoramento do tráfego da malha urbana e um sistema de comando e controle – o semáforo. Se fizemos tudo isso, podemos redesenhar nossos territórios urbanos para lidar inteligentemente com a água.

   Em vez de ruas desenhadas para carros, precisamos de vias e superfícies que absorvam, canalizem e armazenem água. Em vez de vastos espaços de asfalto impermeável, precisamos de parques grandes e pequenos. É o que chamamos de infraestrutura verde: biovales, pavimentos permeáveis e espaços públicos alagáveis acoplados a sistemas de dados para controlá-los. Não podemos tratar a chuva como um incômodo, mas sim aproveitá-la para reúso como uma parte integral do que chamamos de urbanismo climático. [...]

   Essa mudança não só nos protegerá de desastres climáticos: também fará nossas cidades mais habitáveis. Ruas desenhadas para água tendem a ser mais frescas, verdes e amigáveis ao pedestre. Vizinhanças desenhadas ao redor do fluxo natural da água podem reduzir ilhas de calor, melhorar a qualidade do ar e criar novos espaços públicos.

   A cidade centrada no carro é congestionada e barulhenta; a cidade centrada na água será resiliente e agradável. Passamos um século remodelando nossas cidades para os automóveis. Agora, precisamos do mesmo nível de ambição e urgência para remodelá-las para a água. Nosso futuro depende disso.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/06/demover-carros-para-mover-agua-o-proximo-seculo-do-desenhourbano.shtml. Acesso em: 03 jul. 2025. 1
Assinale a alternativa em que o uso da vírgula é facultativo do ponto de vista sintático. 
Alternativas
Q4100715 Português
Do descarte à transformação

Economia circular pode virar o jogo contra a poluição plástica

Fabrício Fonseca


   A poluição plástica é uma das maiores ameaças ambientais globais, com impactos profundos na biodiversidade, na saúde humana e na economia. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a sujeira por meio de plásticos é o segundo maior problema ambiental do planeta, atrás apenas das mudanças climáticas.

   No Brasil, geramos 3,4 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, mas só uma pequena fração é reciclada de forma efetiva. Isso exige resposta urgente. É neste cenário que a economia circular se apresenta como estratégia fundamental para transformar resíduos em recursos, mitigar danos ambientais e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

   Diferentemente do modelo linear tradicional – extrair, produzir, consumir e descartar –, a economia circular propõe um ciclo contínuo de aproveitamento dos materiais. No caso do plástico, significa estender sua vida útil por meio da reutilização, reciclagem e reinserção na cadeia produtiva. Mas essa mudança de paradigma vai além do ambiental. Ela representa uma oportunidade de inovação, geração de empregos e inclusão social.

   Dados recentes de organizações como Oceana e WWF-Brasil indicam que substituir plásticos descartáveis por alternativas sustentáveis pode evitar milhões de toneladas de resíduos plásticos e reduzir significativamente as emissões de CO₂. Mais que isso, a economia circular tem potencial para impulsionar o crescimento econômico e a geração de renda no país, um casamento entre sustentabilidade e desenvolvimento que não podemos ignorar.

   Para ilustrar a urgência e o potencial dessa transformação, vale destacar estudo da Fundação Dom Cabral (FDC) com o Instituto Atmosfera (Atmos). Segundo a pesquisa, o Brasil recicla só cerca de 13% dos resíduos sólidos urbanos, retratando um desperdício gigantesco e uma enorme oportunidade perdida em termos econômicos e sociais. Ampliar essa taxa não só reduziria o impacto ambiental, como poderia gerar centenas de milhares de empregos diretos em setores ligados à coleta e triagem, o que promoveria inclusão social e dignidade para milhares de famílias.

   Por outro lado, a pesquisa alerta para riscos importantes, como a flexibilização da importação de resíduos sólidos, o chamado “lixo importado”, que ameaça a cadeia nacional de reciclagem e desvaloriza o trabalho das cooperativas. Para avançar, o Brasil precisa de políticas públicas claras e adequadas à realidade do país, incentivos adequados e investimentos em infraestrutura e tecnologia.

   Apesar dos avanços, os desafios são enormes e anseiam urgentemente por soluções. O Brasil precisa ampliar a coleta seletiva, investir em tecnologias inovadoras e, sobretudo, construir uma cultura de corresponsabilidade. A sociedade deve consumir e descartar de forma consciente, o setor privado precisa garantir a rastreabilidade dos resíduos e o poder público tem o papel fundamental de criar marcos legais consistentes e efetivos. [...]


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/06/dodescarte-a-transformacao.shtml. Acesso em: 03 jul. 2025.
A respeito da pontuação empregada no Texto 1, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4097674 Português

O cuidado com a saúde mental na atualidade

Por FMUSP

O século XXI, junto a tantas novidades em diversos setores da sociedade, trouxe também um aumento significativo das doenças mentais – a depressão, por exemplo, é considerada o mal desse período. No Brasil, durante o primeiro ano da pandemia da covid-19, os casos de ansiedade e depressão aumentaram cerca de 25%. Dessa forma, a saúde mental se tornou tema corriqueiro na vida dos brasileiros. Se antes ela não estava entre as preocupações, hoje tem um protagonismo e é mais discutida abertamente. Em quatro anos, houve um aumento de 2,7 vezes na quantidade de pessoas que a consideram uma inquietude.

[...]

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a saúde mental não é só a ausência de doenças, mas, sim, o perfeito equilíbrio entre saúde física, mental, social e espiritual. Além de estar bem fisicamente, a pessoa precisa ter boas relações sociais e se entender como ser humano, por meio do autoconhecimento. Sendo assim, o fundamento da saúde mental se encontra em seus três pilares: o lado espiritual, físico e mental. Nesse sentido, há uma diferença entre ela e a saúde emocional, que está relacionada com o desequilíbrio momentâneo: “Você pode ser uma pessoa que não tem transtorno psiquiátrico, no entanto não está bem emocionalmente. Por exemplo, está em um processo de separação e está muito mexido e, com isso, não tem mecanismos internos para lidar no campo das emoções diante de um conflito. E aí adoece mentalmente naquele momento”, pontua o Coordenador da Pós-Graduação Multiprofissional em Saúde Mental e Psiquiatria do HCFMUSP, Dr. José Gilberto Prates, especialista em saúde mental e doutor em ciências da saúde.

[...]

Para que a saúde mental esteja sempre em dia, é preciso se conhecer e estabelecer alguns hábitos, como se alimentar bem, dormir o suficiente e ter relações sociais e afetivas de maneira saudável. Para os profissionais da saúde, que estiveram na linha de frente da covid-19 e tiveram de lidar com situações delicadas ao longo desse tempo, o cuidado é redobrado. Segundo o Dr. José Gilberto, a negligência com a saúde mental sempre existiu nessa classe, já que muitos trabalham em mais de dois ou três hospitais, o que prejudica os afazeres da vida pessoal, como praticar esportes, ler um livro e aproveitar a família. “Como cuidamos de outras pessoas, é necessário entender que precisamos cuidar da gente também. Tudo o que ajuda na qualidade de vida, ajuda na saúde mental”, afirma.

[...]

Hodiernamente, a sociedade passa por um período de vulnerabilidade no campo das emoções e no seu tempo de equilíbrio. Para que esse cenário comece a mudar, é importante que as pessoas comecem a adquirir hábitos saudáveis para uma melhor qualidade de vida. Com a quantidade de trabalho e uma vida mais frenética, não há autocuidado, nem atenção com o que está acontecendo ao redor, inclusive com a família. Resgatar a espiritualidade, até mesmo no campo religioso, faz com que a saúde mental fique protegida: “Quando eu vejo um jovem entrando em uma escola e praticando violência contra todo mundo… Eu acho que ele está muito freneticamente adoecido, e ninguém viu. Onde estamos falhando?”, pergunta Dr. José Gilberto.

É preciso se perguntar para onde a vida está caminhando e o que você está fazendo com ela. Algumas perguntas que o especialista sugere são: “Eu tenho conversado com meus amigos?”, “Eu dou atenção o suficiente?”, “Eu falo com minha família?”. O contato das relações é importante para que haja essa manutenção, de forma que você e o outro possam ser percebidos: “A professora de enfermagem Maria Júlia Paes da Silva tem um texto, que diz: ‘comunicação tem remédio’. Eu conversei com ela recentemente e falei: ‘professora, eu acho que comunicação é o remédio’”, finaliza.

[...]

Adaptado de: https://hcxfmusp.org.br/portal/online/saude-mental/. Acesso em: 19 nov. 2024.

Em “[...] ‘comunicação tem remédio’ [...]”, as aspas simples foram empregadas com a função de
Alternativas
Q4097548 Português
Assinale a alternativa que preenche a frase com as pontuações corretas:
“Você viu que a prefeitura limpou o córrego hoje___ Reinaldo___”
Alternativas
Q4097540 Português
Qual sinal de pontuação deve ser usado após uma ordem, um grito ou palavra que indica susto em um texto escrito?
Alternativas
Q4097535 Português

Leia a frase:


Valéria perguntou:⸺ Que horas você chega____

Assinale a alternativa que insere o sinal de pontuação correto no fim da frase:

Alternativas
Q4097157 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Captura_de tela 2026-06-06 100932.png (642×196)


Disponível em: <https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/27431-tiras-de-armandinho>
Assinale a alternativa que apresenta corretamente um trecho da tirinha que contém a pontuação que se usa no fim de uma frase para indicar pergunta direta
Alternativas
Q4095525 Português
Assinale a alternativa cuja sentença se apresenta totalmente correta em relação à pontuação. 
Alternativas
Q4095334 Português
Assinale a alternativa que preenche a frase com as pontuações corretas:
“Geovana___ você poderia levar esses pratos para a mesa___”
Alternativas
Q4095326 Português
Qual sinal de pontuação deve ser usado no fim de uma pergunta direta?
Alternativas
Q4095321 Português

Leia a frase:

Tiago se assustou e deu um grito: ⸺ Cuidado_

Assinale a alternativa que insere o sinal de pontuação correto no fim da frase:

Alternativas
Q4089528 Português
TEXTO

VITAIS PARA O ECOSSISTEMA, FUNGOS ESTÃO SOB AMEAÇA



    O reino Fungi – segundo maior reino de seres vivos, depois dos animais – está em um momento de destaque. Não porque sirva como espinha dorsal de ecossistemas saudáveis, mas porque está em risco. Pela primeira vez na história, mais de mil espécies de fungos foram adicionadas à Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), frequentemente chamada de “Barômetro da Vida”.

    Como muitos organismos, essas espécies de fungos – que representam apenas uma pequena fração daquelas que se acredita existirem – estão em risco devido a uma combinação de fatores, incluindo desmatamento, desenvolvimento urbano e toxinas. “Os fungos são especialmente vulneráveis à poluição, principalmente por fertilizantes e emissões de combustíveis fósseis”, disse Lynne Boddy, especialista em ecologia fúngica da Universidade de Cardiff, no Reino Unido.

     Ela afirma que protegê-los exige ações direcionadas, porque eles têm “necessidades específicas e devem ser considerados de acordo com suas próprias características nos esforços de conservação, e não apenas agrupados com outros organismos”. Mas nem sempre é fácil conscientizar as pessoas sobre os fungos – que muitas vezes são vistos como ingrediente de pizza, na forma de cogumelos, ou um complemento indesejado para uma parede úmida, em se tratando de mofo.

     “Muitos se importam com os animais, principalmente se forem organismos fofinhos e amigáveis com os quais as pessoas têm alguma afinidade, como os pandas”, disse Boddy, acrescentando que a maioria dos fungos não tem esse efeito emotivo. “Talvez os humanos não consigam se apegar a eles”, acrescenta.

    Os fungos podem não ganhar concursos de fofura, mas desempenham um papel importante na manutenção da coesão de toda a teia da vida. Dependendo do tipo, os fungos são encontrados em diversos ambientes: do solo e florestas a lagos de água doce, ecossistemas marinhos e até mesmo na pele humana.

     Os fungos micorrízicos sustentam ecossistemas florestais, ajudando as plantas a trocar nutrientes, água e até mesmo informações, formam relações simbióticas com as raízes da maioria da flora e são essenciais para o crescimento de até 90% das espécies de plantas.

      Em outras palavras: “A vida na Terra depende de fungos”, disse Gregory M. Mueller, cientista-chefe do Jardim Botânico de Chicago, nos EUA. Eles também são essenciais para a morte na Terra. Conhecidos como recicladores da natureza, eles desfazem madeira morta ou em decomposição, folhas e outras matérias vegetais. “Sem eles, estaríamos soterrados sob montes de lixo orgânico”, disse Mueller, que lidera os programas de fungos da IUCN e contribuiu para a recente Lista Vermelha.

      Embora florestas e pastagens sejam geralmente consideradas reservas de carbono, são os fungos que ajudam a capturar o carbono no solo. Mueller afirmou que os fungos são “essenciais para o sequestro de carbono a longo prazo”, o processo de retenção de carbono para que não contribua para o aquecimento global. “Sem eles, a mudança climática seria muito pior”, afirmou o especialista.

      Os fungos micorrízicos são responsáveis por armazenar até um terço das emissões globais anuais de combustíveis fósseis no solo. O que os torna a “instalação” de armazenamento de carbono mais eficiente do mundo.

      Ao mesmo tempo, os fungos são afetados pelas mudanças climáticas, em grande parte por meio de alterações nos níveis de hidratação. Mueller cita o exemplo do Brasil, onde as florestas nubladas em montanhas dependem de certos níveis de umidade, que vêm diminuindo paralelamente às mudanças nos padrões de precipitação.

    Ele afirma que isso não apenas altera o habitat, mas “afeta as plantas das quais os fungos dependem; elas secam e impedem que os fungos completem seu ciclo de vida”. Um mundo sem fungos não só se tornaria menos propício à vida humana devido ao aumento das temperaturas globais e aos eventos climáticos extremos relacionados, como também as árvores e as plantações cresceriam mais fracas, mais lentamente e se tornariam mais vulneráveis a doenças e à seca.

    E isso impactaria a disponibilidade de alimentos e medicamentos. Cerca de 40% dos medicamentos modernos no mundo ocidental são derivados de plantas. Entre eles, por exemplo, a galantamina, derivada de Galanthus nivalis para tratar a doença de Alzheimer, ou a apomorfina, um composto semissintético extraído da morfina, Papaver somniferum, usada para tratar a doença de Parkinson.

    Os fungos são uma parte tão integral da teia da vida que, se desaparecessem, a maioria das formas de vida, incluindo os humanos, não sobreviveria. [...]


CHAIKA, Anna. Vitais para o ecossistema, fungos estão sob ameaça. Artigo publicado na página da Deutsche Welle Brasil. Adaptado. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/vitais-para-o-ecossistemafungos-estão-sob-ameaça-72277284. Acesso em: 18 de abril de 2025.
Considere o seguinte trecho:
“Muitos se importam com os animais, principalmente se forem organismos fofinhos e amigáveis com os quais as pessoas têm alguma afinidade, como os pandas”, disse Boddy, acrescentando que a maioria dos fungos não tem esse efeito emotivo.
Com base nas regras de uso da vírgula, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4089337 Português

Opine... não detone!


O direito de se expressar é uma conquista da

humanidade, o de se defender também



Ivone Zeger



    “A rua e a internet são os espaços dos embates democráticos”, disse a filha, e o pai rebate: “A internet é terra de ninguém. A rua também”. Diálogo que expressa certo conflito geracional, flagrei-o no elevador. 


   Sim, os jovens ocupam as ruas para expressar a insatisfação; eles flagram contradições e alavancam debates. Cidadãos de todas as idades têm se utilizado das redes sociais para expressar opiniões. Todos parecem conscientes da liberdade de expressão preconizada pela Constituição Federal. Mas, se nas ruas há os limites concretos – como as necessidades de mobilização envolvendo as distâncias, de coerência nas pautas reivindicatórias, de cartazes, das estratégias e eventual enfrentamento com a polícia se a ação é de desobediência civil –, na rede social o que separa a opinião pessoal do espaço público é um apertar de botão. Daí, provavelmente, a ideia do pai acerca da internet: “terra de ninguém”. 


   A ideia de liberdade de expressão trafega em bytes e bate lá onde garotos e garotas, boa parte deles ainda menor de idade, se sentem totalmente à vontade para postar opiniões pessoais, um exercício interessante não fosse a falta de limites, especialmente quando o tema das postagens são os outros. Fotos de garotas são tiradas às escondidas e postadas, expondo colegiais a situações constrangedoras. O bullying virtual se soma ao real, nas escolas, e provoca tragédias pessoais pouco difundidas pela imprensa. Afinal, será que os pais sabem até onde seus filhos podem ir nessa “terra de ninguém” ou, mais apropriadamente, no espaço virtual? 


   Encarar as estripulias virtuais como “coisas da idade” pode ser um equívoco. Se a liberdade de expressão está garantida pela Constituição, a moral e a honra das pessoas também estão. Discussões acirradas entre adultos nas redes sociais nem sempre oferecem parâmetros para os mais jovens, e até por isso, cabe o conhecimento da lei para prevenir que a falta de limites resulte em dores de cabeça para os pais. […]


   Existem leis estaduais e municipais que também caracterizam o bullying e preconizam atitudes preventivas nas escolas. Descobrir se na sua cidade ou estado há uma lei assim, conhecê-la e discuti-la com os filhos é uma atitude preventiva e necessária. […] 


   Vale lembrar, ainda, que o mercado de trabalho é exigente e, atualmente, textos e opiniões postados nas redes sociais são averiguados pelos empregadores. Não adianta enviar um currículo sóbrio e bem escrito e ter uma “persona” virtual que deixa má impressão. […]


   Já o artigo 932, em seu inciso II, aponta que “os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia” são os responsáveis pela reparação civil, que significa o pagamento de determinada importância como indenização por dano resultante de delito ou ato ilícito. Os delitos de injúria, difamação e calúnia estão descritos no Código Penal, bem como as respectivas punições, que incluem detenção. 


   Pode parecer exagero, mas os artigos citados provam que “liberdade de expressão” é um daqueles direitos que exige muita autocrítica e discernimento. Nunca será demais ensiná-los. Afinal, em um contexto civilizatório, não se pode falar em “terra de ninguém”.


Adaptado de: https://www.estadao.com.br/politica/blog-do-fausto-

macedo/opine-nao-detone/?srsltid=AfmBOoqf-

6Xj3oEgllsv49HuXhUHnnLPxwa2SgzQWetkUxk7dyfspDJj.

A respeito da ortografia, da acentuação gráfica e da pontuação empregadas em excertos do texto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4089042 Português
IA e meio ambiente em Elias Canetti
José Roberto Castilho Piqueira 

    Quando chega o recesso de meio de ano das atividades didáticas, sou atraído para leituras que, preferencialmente, afastem-se do pensar profissional diário que aguçam meu gosto pela tentativa de posicionar a engenharia na vida do planeta, não como mera realizadora de obras, mas como agente colaborador na sua preservação. Fico folheando os jornais e olhando estantes de livrarias, hábitos considerados antiquados, em busca de possíveis leituras agradáveis. Sigo conselhos de amigos, desde que não indiquem livros de autoajuda, e gosto de ouvilos comentando e debatendo as ideias.

    Nessa lida, encontrei “A consciência das palavras”, coleção de escritos de Elias Canetti (1905-1994), romancista e ensaísta búlgaro-britânico, Prêmio Nobel de Literatura em 1981. Fui atraído pelo título, pois uma de minhas preocupações é sobre a influência da inteligência artificial (IA) na produção intelectual contemporânea. Não tenho dúvidas sobre a boa ajuda que esses métodos podem dar na produção de textos, aulas e planos de trabalho. Entretanto, acredito nisso como atividade auxiliar e colaborativa, uma vez que as palavras e ideias que provêm da atividade consciente carregam criatividade e sensibilidade, atributos aparentemente subjetivos, talvez não atingíveis in silico.

    A obra, datada de 1974, traz no preâmbulo a ideia da interpenetração entre o público e o privado, com algumas consequências sociais preocupantes. Hoje, 50 anos depois, vivenciamos a proliferação de redes sociais, dotadas de algoritmos, com grande risco à integridade e à privacidade dos indivíduos. Os benefícios do grande desenvolvimento tecnológico e computacional são inegáveis. O lado ruim, como adverte Canetti, é a conquista rápida desses meios por inimigos do planeta com propagação de boatos e de ideias deletérias de grande alcance.
 
    Ao longo do livro, Canetti apresenta uma sequência de ensaios sobre importantes figuras da história, entre elas Kafka, Confúcio, Tolstói e Büchner, começando pelo escritor austríaco Hermann Broch (1886-1951), considerado um dos principais modernistas de todos os tempos. Canetti identifica em Broch o que denomina memória respiratória, enaltecendo que a vida diária é feita de uma mistura de respirações em um ar que é nosso último bem comum, que cabe a todos indistintamente. Essa reflexão parece fundamental para a sociedade, convidando-a a uma importante discussão sobre os problemas ambientais que nos cercam. Até o momento, não havia me dado conta do fato de que quem polui invade e prejudica um bem público, isto é, aquilo que pertence a todos.

    Em capítulo seguinte, o dramaturgo Karl Kraus (1874-1936), considerado satirista e panfletário, é evocado. Fundador e único redator da revista Die Fackel (A Tocha), Kraus era crítico ferrenho da moral burguesa da época. Canetti descreve uma palestra de Kraus realizada em Viena, em 1924, ressaltando o espírito arrebatador do orador, levando a audiência ao êxtase por meio de uma impiedosa perseguição aos desafetos expressa nos discursos. Considerado como o mago furioso, ao combinar literalidade e indignação, Kraus criava importante sinergia entre suas emoções e as da plateia. Fico imaginando como os algoritmos e redes sociais de hoje criaram e multiplicaram esse estilo de oratória, para o bem e para o mal.

    Passando por uma análise bastante aguda e interessante da obra de Franz Kafka (1883-1924), chego ao capítulo sobre Confúcio (552 a.C.-489 a.C.) e aprendo que hesitação e reflexão precedem e acompanham boas respostas a questões relevantes, divergindo da busca por rapidez e de terceirização de raciocínio para as máquinas. Para Confúcio, a felicidade sem fim está na busca pelo conhecimento, não admitindo o ser humano como ferramenta, ressaltando a memória dos mortos para a consolidação de caminhos para o entendimento da natureza. 

    Em capítulo seguinte, Canetti apresenta aspectos da vida privada do autor de “Guerra e paz”, o consagrado escritor russo Leon Tolstói (1828-1910). Ressaltando que Tolstói jamais despreza um pensamento, uma experiência ou uma observação, Canetti relata ser ele proprietário de terras que, contra a vontade da família, divide-as para evitar conflitos e desejos que eventualmente pudessem causar. 

    Segue-se uma descrição dos diários do médico japonês Michihiko Hachiya (1903-1980), sobrevivente do bombardeio atômico de Hiroshima em agosto de 1945, publicados como “Diário de Hiroshima”, em 1955. Canetti escreve que não há nesse diário qualquer traço falso ou de vaidade e sim uma busca de explicar aquilo que, naquele momento, era inexplicável. Em meio aos mortos e feridos, Michihiko procura coletar peça por peça do ocorrido, transformando hipóteses em teorias a serem comprovadas. 

    Vou parar minha viagem por aqui. Pensando se nós, profissionais das áreas tecnológicas, estamos preocupados com a qualidade das palavras e dos pensamentos provenientes dos programas de IA e dos grupos hegemônicos que a manipulam. Além disso, se o ar respirável vai continuar a ser atacado e se a indústria da guerra continuará desprezando a vida, indiscriminadamente.

Disponível em: https://jornal.usp.br/articulistas/jose-roberto-castilhopiqueira/ia-e-meio-ambiente-em-elias-c anetti/. Acesso em: 03 out. de 2025.
Quanto aos empregos das vírgulas, assinale a alternativa correta.  
Alternativas
Q4088783 Português
São Paulo produz cerca de 20 mil toneladas de resíduos urbanos, mas reciclagem é muito baixa

Segundo Marcos Buckeridge, mesmo a coleta domiciliar cobrindo quase toda a população, a participação na coleta seletiva é muito pequena

    Atualmente, é considerado resíduo tudo aquilo que é gerado e, mesmo após consumido, possui alguma finalidade. Ao mesmo tempo, o que conhecemos como lixo, chamado de rejeito, diz respeito a todo produto que não possui nenhuma forma de destinação que não seja o descarte. Os resíduos urbanos, que correspondem àqueles gerados e descartados nas áreas da cidade, são de responsabilidade dos municípios brasileiros e constituem um dos grandes problemas da cidade de São Paulo.

    Ligadas a outros problemas como drenagem urbana e saneamento básico, a geração e coleta de resíduos são questões que necessitam de atenção do governo da capital paulista. Segundo Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP, a baixa reciclagem no município é um dos grandes agravantes da problemática. “Olhando a cidade atualmente, nós temos uma porcentagem de reciclagem de resíduos sólidos muito baixa. São produzidos, por dia, cerca de 20 mil toneladas de resíduos urbanos.” O docente ainda complementa que, mesmo a coleta domiciliar cobrindo quase toda a população, a participação na coleta seletiva é muito pequena.

    A reciclagem é um dos métodos de destinação de resíduos mais difundidos entre a população brasileira. Entretanto, isso não significa que a tarefa esteja sendo realizada de forma adequada. “Hoje nós recuperamos cerca de 3,5% dos resíduos pela coleta seletiva, o que é muito pouco. O método utilizado atualmente, depois de muito recurso e investimento dado a cooperativas, para mim, não funciona. Isso se deve, em sua maioria, porque as pessoas segregam mal os resíduos em casa”, afirma Wanda Gunter, professora da Faculdade de Saúde Pública.

    Enquanto em muitos países europeus os resíduos gerados são de total responsabilidade do produtor, aqui no Brasil o cenário é diferente. No país, a responsabilidade é compartilhada ao longo de todo o ciclo de vida do produto, desde o produtor até o consumidor final. Para a professora, esse é um dos grandes problemas atuais da geração e coleta de resíduos. Grande parcela das empresas, que deveriam auxiliar nesse quesito, se exime da sua responsabilidade, em meio à má segregação domiciliar. “Para mim, acho que essa é uma das grandes falhas da nossa política de resíduos. Para as empresas, enquanto não descartarem os resíduos de forma adequada, não terá como reciclá-los. A gente não sabe onde começa a responsabilidade de um ator e termina. No final, tudo fica nas mãos da Prefeitura”, defende Wanda. 

Adaptado de: https://jornal.usp.br/radio-usp/sao-paulo-produzcerca-de-20-mil-toneladas-de-residuos-urbanos-mas-reciclagem-emuito-baixa/. Acesso em: 06 de out. 2025. 
No que tange ao uso de pontuação no excerto “A reciclagem é um dos métodos de destinação de resíduos mais difundidos entre a população brasileira. Entretanto, isso não significa que a tarefa esteja sendo realizada de forma adequada.”, é correto afirmar que 
Alternativas
Respostas
1241: D
1242: D
1243: A
1244: D
1245: C
1246: D
1247: E
1248: C
1249: A
1250: E
1251: B
1252: A
1253: C
1254: C
1255: E
1256: A
1257: C
1258: C
1259: D
1260: E