Questões de Concurso
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A Gravata Do Vovô
Muitos vovôs usam gravatas, mas elas são compridonas. Gravata é uma coisa de pano que fica em cima da camisa dos homens. Alguns, outros não.
O vovô usa uma borboleta, mas ele chama de gravata. Como ele sabe tudo muito certo, a gente também chama de gravata.
Mas não é.
É outra coisa. São muitas borboletas, de todas as cores, algumas até com muitas cores, que ele diz serem “estampadas”. Ele tem uma gaveta cheia delas.
“Estampada” eu não sei o que é. Mas ele sabe tudo de tudo, e mais ainda das palavras.
O vovô mora na casa dele, mas ele também mora um pouco em outros lugares, quando viaja.
Ele diz que tem um lugar que existe em todos os outros. É o “Mundo das Palavras”. E ele viaja pra lá sempre que quer.
Eu acho que é longe, então precisa ir voando.
E acho que quem leva o vovô lá pra esse Mundo são as borboletas dele, todas elas, de uma vez, porque elas são pequenas e ele é um adulto.
GALDINO, Elza. Disponível em: https://www.facebook.com/ share/1AppnYpHLS/. Acesso em: 08/08/2025
A Gravata Do Vovô
Muitos vovôs usam gravatas, mas elas são compridonas. Gravata é uma coisa de pano que fica em cima da camisa dos homens. Alguns, outros não.
O vovô usa uma borboleta, mas ele chama de gravata. Como ele sabe tudo muito certo, a gente também chama de gravata.
Mas não é.
É outra coisa. São muitas borboletas, de todas as cores, algumas até com muitas cores, que ele diz serem “estampadas”. Ele tem uma gaveta cheia delas.
“Estampada” eu não sei o que é. Mas ele sabe tudo de tudo, e mais ainda das palavras.
O vovô mora na casa dele, mas ele também mora um pouco em outros lugares, quando viaja.
Ele diz que tem um lugar que existe em todos os outros. É o “Mundo das Palavras”. E ele viaja pra lá sempre que quer.
Eu acho que é longe, então precisa ir voando.
E acho que quem leva o vovô lá pra esse Mundo são as borboletas dele, todas elas, de uma vez, porque elas são pequenas e ele é um adulto.
GALDINO, Elza. Disponível em: https://www.facebook.com/ share/1AppnYpHLS/. Acesso em: 08/08/2025
A palavra 'planta' é um exemplo de homônimo, pois pode ter diferentes significados de acordo com o contexto. A seguir são apresentados enunciados com o emprego dos homônimos de forma adequada, EXCETO:
Os vocábulos das alternativas a seguir estão grafados corretamente sem hífen, assim como o vocábulo 'ecossistema', EXCETO:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Comportamento: Mais da Metade dos Brasileiros Têm Hábitos Noturnos de Compra Online
A pesquisa da Octadesk, em parceria com a Opinion Box, revelou que 56% dos brasileiros compram online à noite ou de madrugada, um avanço de 17 pontos percentuais (p.p.) em relação a 2024. O levantamento que contou com 200 entrevistados mostrou que 88% dos deles preferem comprar pela internet. Na tentativa de encontrar o melhor preço, 59% dos participantes optam fazer essa pesquisa pelo Google e, ao terem a combinação ideal, na hora de pagar, eles optam por utilizar o cartão de crédito e parcelar a compra.
Segundo Mahara Scholz, head de receita da Octadesk, o e-commerce foi impulsionado pela pandemia de covid-19. "Durante o período em casa, as pessoas aprenderam a comprar mais online e, mesmo com a volta do presencial, os números continuaram altos". Na opinião dela, a maior preferência por horários da noite ou da madrugada é motivada não só pela volta do presencial, mas também por serem períodos mais tranquilos do dia.
Um outro ponto curioso do levantamento é que oito em cada dez brasileiros fazem suas aquisições pelo celular. O aparelho também é muito utilizado para buscar atendimento, isso porque 37% dos respondentes afirmam que preferem usar o WhatsApp para isso. Em meio a essas mudanças, a inteligência artificial (IA) vem ganhando cada vez mais espaço na vida de lojistas e consumidores, influenciando as decisões de consumo.
IA em ação
Diante do aumento das compras em períodos fora do horário comercial, os chatbots são uma forma dos estabelecimentos não deixarem esses consumidores desassistidos. Tanto que 86% dos entrevistados disseram que já foram atendidos pela ferramenta, embora apenas 22% tenha avaliado o atendimento de forma positiva.
Para Scholz, a grande questão é que a tecnologia nem sempre é empregada ou treinada da forma mais adequada. Por outro lado, ela ressalta que, quando ambos são bem executados, o cliente sequer nota que está falando com um robô.
Já em termos de experiência de compra, 39% dos entrevistados afirmaram que a inteligência artificial melhora essa vivência. Parte disso pode ser atribuída à personalização, já que é cada vez mais comum lojas usarem a IA para oferecerem produtos com base nas preferências do usuário. Tanto é que 26% foram influenciados a comprar graças às ofertas exibidas com o auxílio da ferramenta, e 42% admitem que se sentiriam mais inclinados a comprar com a ajuda da IA.
Em contrapartida, essa jornada mais personalizada não seria tão atrativa para 46% dos entrevistados. Uma outra questão é em relação à credibilidade, já que 23% disseram ficar inseguros ao perceberem que a descrição de um produto foi gerada pela tecnologia.
Rodrigo Ricco, diretor geral da Octadesk, avalia que, se bem utilizada, a IA é um diferencial para as marcas. "O consumidor pode até não confiar plenamente hoje, mas espera ser compreendido e atendido com precisão, seja por humanos ou algoritmos", explica.
A pesquisa ainda revelou que uso da tecnologia não se restringe apenas aos vendedores. Em torno de 26% dos clientes também fazem pesquisas de preço com o auxílio de ferramentas como o ChatGPT e o Gemini.
Outros caminhos
Os anúncios em redes sociais também estão abrindo caminho para novas vendas. Ao menos 55% dos participantes afirmaram que ao verem o conteúdo no Instagram, resolveram comprá-lo. Na sequência, estão Facebook (31%) e YouTube (30%). Há também outros incentivos para isso, como frete grátis, prazo de entrega, cupons de desconto e promoções. Respectivamente, eles foram considerados um motivador para compra para 72%, 46%, 42% e 60%.
Na hora de pagar, o parcelamento via cartão de crédito é seguido pelo Pix, com 22% dos respondentes optando por ele, enquanto o terceiro mais utilizado é também o cartão de crédito, mas à vista (15%).
https://forbes.com.br/forbes-money/2025/07/mais-da-metade-dos-brasil eiros-compra-online-durante-a-noite-ou-de-madrugada/
Com base na acentuação dos vocábulos extraídos do trecho e do texto-base, identifique a alternativa INCORRETA.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Você chega à cozinha com uma ideia clara na cabeça. Mas, ao cruzar a porta, algo se dilui e você não lembra o que veio fazer.
Você fica, então, alguns segundos em frente à geladeira, como se o frio pudesse refrescar a intenção que se perdeu com a mudança de ambiente.
A psicologia cognitiva estudou este fenômeno e ele é conhecido como "efeito porta" (doorway effect ou location updating effect, em inglês). Basta atravessar uma porta para que o cérebro interprete que uma função terminou e outra começou.
Isso ocorre porque nossa memória semântica (que usamos para recordar conceitos) funciona melhor quando está associada à memória episódica (que empregamos para recordar lugares). E esta última está vinculada a chaves contextuais.
Essa farsa efêmera bem que poderia ser representada em um teatro, como o simbólico e carnavalesco Grande Teatro Falla de Cádiz, na Espanha, em frente ao qual escrevo estas palavras.
Abrem-se as cortinas e surgem pessoas em trajes de mergulho
No final da década de 1970, o psicólogo britânico Alan Baddeley, mundialmente conhecido pelos seus estudos da memória, realizou com seus colegas diversos estudos com um elenco curioso.
No seu experimento mais conhecido, ele pediu a uma equipe universitária de mergulho que memorizasse listas de palavras em dois ambientes distintos: embaixo d'água e em terra firme. Depois, ele avaliou a capacidade dos participantes de recordar aquelas palavras, tanto no mesmo ambiente de aprendizado quanto no outro.
O resultado foi claro. Os que aprenderam e recordaram no mesmo lugar (água-água ou terra-terra) atingiram melhores resultados.
E, com o passar do tempo, diversos outros estudos confirmaram que o contexto e o próprio estado de espírito desempenham papel fundamental nas funções da memória.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cm2v5mqdv26o - fragmento
(__)O vocábulo 'ideia' perdeu o acento conforme a mesma regra aplicada às palavras como 'hebreia', 'heroico' e 'apoia', que também deixaram de receber acento. Todavia, segundo outra regra, permanecem acentuados os vocábulos 'heróis', 'anéis' e 'ilhéu'.
(__)Os vocábulos 'veem', 'acoo' e 'enjoo' não são mais acentuados, pois caiu o acento de paroxítonas terminadas em 'ôo' e 'êem'.
(__)Nos verbos 'arguir' e 'redarguir', deixa-se de usar acento agudo no 'u' tônico nas flexões rizotônicas. Assim, 'argúo' e 'redargúo', que antes eram acentuados, passam a ser grafados como 'arguo' e 'redarguo', sem acento.
(__)As paroxítonas terminadas em ditongo crescente, como 'memórias', que antes eram consideradas proparoxítonas aparentes, agora podem ser classificadas como proparoxítonas.
A sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é:
O vocábulo 'machucou' está grafado com 'ch' corretamente. Identifique a alternativa que apresenta um vocábulo escrito com essa mesma letra de forma INCORRETA.
Quanto à acentuação dos vocábulos extraídos do trecho e do texto, identifique a afirmativa INCORRETA.
(__)Os vocábulos 'conteúdo' e 'açúcar' são palavras paroxítonas acentuadas pela mesma regra do vocábulo 'saúde'.
(__)Os vocábulos 'líquido' e 'alcóolica' são acentuados por serem proparoxítonos, no entanto, apenas um deles pode originar uma nova palavra com a supressão do acento gráfico.
(__)O vocábulo 'fluido' tem a mesma classificação quanto ao acento tônico das palavras 'alimentos', 'certos' e 'colheradas'.
(__)Os monossílabos tônicos são acentuados dependendo da terminação. Um exemplo disso é o vocábulo 'mel', que, embora seja tônico, não é acentuado.
A sequência que preenche corretamente os parênteses é:
Identifique a alternativa em que todos os vocábulos estão grafados corretamente com 'j', assim como ocorre com o vocábulo 'jovem'.
I. A palavra fantasmas separa-se em fan-tas-mas e tem a sílaba tônica em tas, classificando-se como paroxítona.
II. O vocábulo equivocada divide-se em e-qui-vo-ca-da e apresenta tonicidade em ca, sendo, portanto, paroxítona.
III. A palavra impossibilidades separa-se em im-pos-si-bi-li-da-des e tem como sílaba tônica da, classificando-se como paroxítona.
Está correto o que se afirma em:
Texto para responder à questão.
Sabiá-laranjeira totalmente branco é avistado em propriedade rural no Paraná
Um sabiá-laranjeira com plumagem completamente branca foi avistado por um agricultor em uma área rural de Mangueirinha, no sudoeste do Paraná. O registro é considerado raro por especialistas, já que a espécie normalmente apresenta coloração marrom e alaranjada.
Segundo Ben Phalan, gerente de conservação do Parque das Aves, a coloração incomum do animal pode ser causada por leucismo ou albinismo, condições genéticas que afetam a produção de melanina, pigmento responsável por cores como marrom e preto nas penas das aves. “O sabiá-laranjeira é uma espécie comum no estado. Normalmente tem coloração marrom com barriga alaranjada, mas esse indivíduo tem uma mutação que pode ser leucismo ou albinismo”, explica Phalan.
A diferença entre leucismo e albinismo é que no leucismo, a ave perde parcial ou totalmente a coloração das penas, mas mantém a pigmentação dos olhos. Já no albinismo, a ausência de melanina é completa, inclusive nos olhos, que adquirem tonalidade avermelhada por conta dos vasos sanguíneos. Como não foi possível observar os olhos da ave, os especialistas não puderam confirmar com certeza qual é a condição genética do animal.
Apesar de a mutação não afetar a saúde do sabiá, ela pode representar desvantagens no ambiente natural. “É um indivíduo que se desenvolveu normalmente, mas por ser branco, fica mais visível para predadores. Além disso, há estudos que sugerem que aves com essa coloração podem ter mais dificuldade para encontrar um parceiro”, explica Phalan. “É possível que leve uma vida normal, mas com mais obstáculos do que um sabiá com coloração padrão.”
(Disponível em: https://g1.globo.com/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Quem me dera (mas Deus me livre)
Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.
Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.
Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.
Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.
Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.
O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.
E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.
Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.
Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!
Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.
O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.
Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.
Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.
(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
Com base nas regras da Língua Portuguesa, julgue as afirmativas a seguir:
I.A palavra arco-íris deve ser grafada com hífen, por se tratar de um composto cujos elementos mantêm sua autonomia fonética.
II.A forma correta é super-humano, já que o segundo elemento inicia com "h".
III.A palavra bem-estar leva hífen por ser formada pelo prefixo "bem" seguido de palavra autônoma.
IV.O termo microondas é a grafia correta, pois o hífen não é utilizado quando o prefixo termina com a mesma vogal que inicia a palavra seguinte.
Assinale a alternativa que indica quais afirmativas são verdadeiras:
O conde e o passarinho
Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos. Suas crônicas alegram-se e se entristecem com frequência de nomes de pássaros nacionais que eu só conheço de ouvir dizer – o que me dá um certo complexo de inferioridade. Já andei, certa vez, planejando estudar ornitologia por causa disto, e lembro-me de que na viagem que fiz com ele à sua Cachoeiro do Itapemirim, quando da homenagem que lhe prestou a cidade, foi com um sentimento de gula que recebi o maravilhoso disco de pios artificiais de passarinhos, feito pela família Coelho, que disso criou uma pequena indústria local. Tais projetos nunca foram adiante, como vários outros, entre os quais um de estudar carpintaria: e este, inclusive, concertado com o próprio Rubem – e que resultou em arrancarmos, ato contínuo, a porta da garagem da minha antiga casa, sairmos meia hora depois para matar o calor com uma cerveja gelada, e nunca mais voltarmos à dita porta, que se quedou jazente por dias a fio, vítima de nossa impostura.
O Braga conhece bem sua passarada, isso ninguém lhe tira. O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, segundo me conta minha irmã Lygia, testemunha ocular do mesmo. Pois o que se deduz da história é que o Braga pode conhecer muito bem tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, tiê-sangue, sabiá, gaturamo, cambaxirra e até mesmo vira-bosta – mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado. Dito o quê, passemos à narrativa.
Parece que o Braga vinha um dia assim muito bem pela Cinelândia, quando topou com um vendedor de passarinhos oferecendo a preço de ocasião um casal de canários dentro de uma gaiola cuja bossinha era ser dividida por uma separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea. A gracinha era abrir a portinhola do macho, deixá-lo fugir e depois vê-lo voltar docemente, no pio da fêmea.
O Braguinha, que além de gostar de pássaros não é tolo, assistiu com o maior interesse a mais essa demonstração, entregou o dinheiro, meteu a gaiola debaixo do braço e tocou-se para o Leblon, sequioso de mostrar seu novo brinco ao aborígine. E deu-lhe a sorte de encontrar minha irmã Lygia, que além de ser uma esplêndida assistência para demonstrações desse teor, é pessoa mais de se apiedar que de caçoar da desdita alheia.
O Braga colocou a gaiola em posição, abriu a porta e lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções. A fêmea, como previsto, abriu o bico, e o canário, ao ouvi-la, fez direitinho como mandava o figurino: voltou e posou junto à porta aberta. Mas o divórcio entrou? Nem o canário. O bichinho ficou prudentemente à porta, mas entrar dentro mesmo da gaiola que é bom... ahn-ahn. O Braga animou a ave canora com milhões de piu-pius, fez-lhe mentalmente enérgicas perorações contra a sua calhordice – tudo isso, conta minha irmã Lygia, com olhos onde se começava a notar uma certa apreensão. O canário, nada.
Quem sabe, ponderou minha irmã, um elemento verde qualquer colocado junto à porta, uma folha de alface, por exemplo, não animaria o bichinho? Foi trazida a folha de alface e colocada junto à porta. Durante essa operação, o canário levantou voo, e a canarinha, aproveitando-se da ocupação dos dois, fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola da separação; dali para o Jardim Botânico, não teve nem graça.
Diz minha irmã que o Braga ficou triste, triste. E como a esperança é a última que morre, antes de ir embora ainda ajeitou a gaiolinha para uma espera: quem sabe os pilantras não voltariam à noite...
Canário, hein Braguinha?...
(DE MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 81-83. Crônica publicada, originalmente, no jornal “A noite”, de 02/04/1956. Adaptado.)
Com base na acentuação do vocábulo 'ideia', presente no trecho, bem como dos demais vocábulos no texto-base, identifique a alternativa INCORRETA.