Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q4229778 Português
COMO O AQUECIMENTO GLOBAL PODE
DEIXAR CICLONES MAIS INTENSOS


       Um ciclone extratropical causou estragos em São Paulo e região metropolitana no dia 9 de dezembro de 2025. O fenômeno, associado a uma frente fria, derrubou mais de 330 árvores, sendo que muitas caíram sobre a rede elétrica, deixando mais de 2,2 milhões de pessoas sem energia.

      Os ventos acima de 90 km/h fizeram com que cerca de 200 voos fossem afetados em São Paulo, consequentemente causando transtornos também em outros aeroportos do país. A falta de eletricidade também prejudicou o funcionamento de semáforos e o abastecimento de água.

      Em novembro do mesmo ano, o nascimento de um ciclone extratropical no Rio Grande do Sul causou um tornado no Paraná que destruiu 80% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, matando seis pessoas e ferindo 750, segundo a Defesa Civil do Estado. Em julho de 2023, um outro ciclone no Rio Grande do Sul provocou estragos em 52 cidades e uma morte na cidade de Rio Grande. O fenômeno provocou ventos de mais de 140 km/h e também atingiu o estado de São Paulo, onde duas mortes foram associadas ao ciclone.

      O ciclone extratropical é uma área de menor pressão atmosférica do que o ambiente do entorno, em que os ventos giram ao redor de um centro, no sentido horário. Esses sistemas afetam o tempo das regiões onde atuam provocando nuvens, chuva, redução da temperatura do ar e ventos fortes.

    Embora seja um fenômeno meteorológico comum na região Sul, o aumento da temperatura do ar e do oceano em consequência das mudanças climáticas pode deixar os ciclones extratropicais mais intensos, afirmam especialistas.

   Os ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão atmosférica, em geral vinculados a frentes frias. Eles provocam um contraste muito grande de temperatura, umidade, chuva em seu entorno. Além disso, ventos muito intensos são gerados na direção dele, explica Tércio Ambrizzi, professor de Ciências Atmosféricas na Universidade de São Paulo. 

     Na América do Sul, um mapeamento das áreas mais ciclogenéticas – como os especialistas definem as áreas mais propensas ao fenômeno – aponta duas regiões principais. Uma fica no extremo sul, na costa da Patagônia. A outra é a região da bacia do Prata, ou seja, o sul do Brasil, Uruguai e nordeste da Argentina, explica Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador-geral de Operação e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

    A área sobre a Patagônia registra uma frequência maior de formação de ciclones extratropicais durante o verão. Já na região ao sul do Brasil, o fenômeno ocorre durante os meses de inverno e primavera. “Existe também uma terceira região de formação de ciclone, que é perto da costa de São Paulo e Rio de Janeiro, mas é muito raro a formação sobre o continente”, diz Seluchi.

     Um estudo feito por Tércio Ambrizzi há alguns anos mostrou que os ciclones não sofreram aumento em termos numéricos, mas em intensidade. “Em princípio, há relação com as mudanças climáticas. Com a atmosfera acumulando muito mais energia em função do aquecimento que o planeta está sofrendo por conta da emissão de gases de efeito estufa, os sistemas se tornam mais intensos”, diz.

     O impacto sobre a vida das pessoas depende da região onde o fenômeno se desenvolve. “Em junho de 2022, houve um ciclone extratropical muito intenso que se desenvolveu no oceano. O fenômeno se desenvolveu em função de um outro sistema, que foram vórtices ciclônicos de altos níveis. Naquele junho, ele se propagou na região do Atlântico. Em julho de 2023, ele se desenvolveu exatamente em cima do Rio Grande do Sul, por isso causou tanta chuva. A intensidade das chuvas e dos ventos causam muitos danos e colocam vidas em risco”, afirma Ambrizzi.

      Marcelo Seluchi destaca que, antigamente, detectar ciclones sobre os oceanos era muito difícil. “Não existiam dados observados, não havia boas imagens de satélite, então muito provavelmente houve muitos ciclones que não foram detectados no passado, que não fazem parte da série histórica”, detalha o meteorologista, pontuando que a série histórica mais confiável que registra o fenômeno reúne informações dos últimos 25 anos.

      Seluchi afirma que ainda não existem estudos muito claros sobre como as mudanças climáticas podem afetar a frequência e a intensidade dos ciclones extratropicais. As projeções feitas com base em modelos indicam que alguns ciclones tenderiam a se formar um pouco mais para o sul num cenário de aquecimento global.

     “Há um fato que pode influenciar a intensidade dos ciclones, que é justamente o aquecimento da atmosfera e do oceano. Um oceano mais quente consegue evaporar mais água. Uma atmosfera mais quente, por conta do aumento da temperatura, retém mais umidade, que é um elemento muito importante para determinar a intensidade dos ciclones”, explica Seluchi.

       Isso ajuda a explicar o fato de a costa leste da América do Sul, a bacia do Prata e o sul do Brasil serem regiões de maior frequência de ciclones extratropicais, argumenta o meteorologista. A costa do lado do Oceano Pacífico, na área do Chile, não registra muito o fenômeno, pois é uma área que tem baixa umidade, diz Seluchi.


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/como-oaquecimento-global-pode-deixar-ciclones-mais-intensos/a66236577>. Adaptado. Acesso em: 23 de fevereiro de 2026.
A explicação sobre áreas “mais ciclogenéticas” contribui para o texto ao: 
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Q4229777 Português
COMO O AQUECIMENTO GLOBAL PODE
DEIXAR CICLONES MAIS INTENSOS


       Um ciclone extratropical causou estragos em São Paulo e região metropolitana no dia 9 de dezembro de 2025. O fenômeno, associado a uma frente fria, derrubou mais de 330 árvores, sendo que muitas caíram sobre a rede elétrica, deixando mais de 2,2 milhões de pessoas sem energia.

      Os ventos acima de 90 km/h fizeram com que cerca de 200 voos fossem afetados em São Paulo, consequentemente causando transtornos também em outros aeroportos do país. A falta de eletricidade também prejudicou o funcionamento de semáforos e o abastecimento de água.

      Em novembro do mesmo ano, o nascimento de um ciclone extratropical no Rio Grande do Sul causou um tornado no Paraná que destruiu 80% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, matando seis pessoas e ferindo 750, segundo a Defesa Civil do Estado. Em julho de 2023, um outro ciclone no Rio Grande do Sul provocou estragos em 52 cidades e uma morte na cidade de Rio Grande. O fenômeno provocou ventos de mais de 140 km/h e também atingiu o estado de São Paulo, onde duas mortes foram associadas ao ciclone.

      O ciclone extratropical é uma área de menor pressão atmosférica do que o ambiente do entorno, em que os ventos giram ao redor de um centro, no sentido horário. Esses sistemas afetam o tempo das regiões onde atuam provocando nuvens, chuva, redução da temperatura do ar e ventos fortes.

    Embora seja um fenômeno meteorológico comum na região Sul, o aumento da temperatura do ar e do oceano em consequência das mudanças climáticas pode deixar os ciclones extratropicais mais intensos, afirmam especialistas.

   Os ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão atmosférica, em geral vinculados a frentes frias. Eles provocam um contraste muito grande de temperatura, umidade, chuva em seu entorno. Além disso, ventos muito intensos são gerados na direção dele, explica Tércio Ambrizzi, professor de Ciências Atmosféricas na Universidade de São Paulo. 

     Na América do Sul, um mapeamento das áreas mais ciclogenéticas – como os especialistas definem as áreas mais propensas ao fenômeno – aponta duas regiões principais. Uma fica no extremo sul, na costa da Patagônia. A outra é a região da bacia do Prata, ou seja, o sul do Brasil, Uruguai e nordeste da Argentina, explica Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador-geral de Operação e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

    A área sobre a Patagônia registra uma frequência maior de formação de ciclones extratropicais durante o verão. Já na região ao sul do Brasil, o fenômeno ocorre durante os meses de inverno e primavera. “Existe também uma terceira região de formação de ciclone, que é perto da costa de São Paulo e Rio de Janeiro, mas é muito raro a formação sobre o continente”, diz Seluchi.

     Um estudo feito por Tércio Ambrizzi há alguns anos mostrou que os ciclones não sofreram aumento em termos numéricos, mas em intensidade. “Em princípio, há relação com as mudanças climáticas. Com a atmosfera acumulando muito mais energia em função do aquecimento que o planeta está sofrendo por conta da emissão de gases de efeito estufa, os sistemas se tornam mais intensos”, diz.

     O impacto sobre a vida das pessoas depende da região onde o fenômeno se desenvolve. “Em junho de 2022, houve um ciclone extratropical muito intenso que se desenvolveu no oceano. O fenômeno se desenvolveu em função de um outro sistema, que foram vórtices ciclônicos de altos níveis. Naquele junho, ele se propagou na região do Atlântico. Em julho de 2023, ele se desenvolveu exatamente em cima do Rio Grande do Sul, por isso causou tanta chuva. A intensidade das chuvas e dos ventos causam muitos danos e colocam vidas em risco”, afirma Ambrizzi.

      Marcelo Seluchi destaca que, antigamente, detectar ciclones sobre os oceanos era muito difícil. “Não existiam dados observados, não havia boas imagens de satélite, então muito provavelmente houve muitos ciclones que não foram detectados no passado, que não fazem parte da série histórica”, detalha o meteorologista, pontuando que a série histórica mais confiável que registra o fenômeno reúne informações dos últimos 25 anos.

      Seluchi afirma que ainda não existem estudos muito claros sobre como as mudanças climáticas podem afetar a frequência e a intensidade dos ciclones extratropicais. As projeções feitas com base em modelos indicam que alguns ciclones tenderiam a se formar um pouco mais para o sul num cenário de aquecimento global.

     “Há um fato que pode influenciar a intensidade dos ciclones, que é justamente o aquecimento da atmosfera e do oceano. Um oceano mais quente consegue evaporar mais água. Uma atmosfera mais quente, por conta do aumento da temperatura, retém mais umidade, que é um elemento muito importante para determinar a intensidade dos ciclones”, explica Seluchi.

       Isso ajuda a explicar o fato de a costa leste da América do Sul, a bacia do Prata e o sul do Brasil serem regiões de maior frequência de ciclones extratropicais, argumenta o meteorologista. A costa do lado do Oceano Pacífico, na área do Chile, não registra muito o fenômeno, pois é uma área que tem baixa umidade, diz Seluchi.


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/como-oaquecimento-global-pode-deixar-ciclones-mais-intensos/a66236577>. Adaptado. Acesso em: 23 de fevereiro de 2026.
A expressão “fenômeno meteorológico comum na região Sul” é relativizada no texto pois:
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Q4229776 Português
COMO O AQUECIMENTO GLOBAL PODE
DEIXAR CICLONES MAIS INTENSOS


       Um ciclone extratropical causou estragos em São Paulo e região metropolitana no dia 9 de dezembro de 2025. O fenômeno, associado a uma frente fria, derrubou mais de 330 árvores, sendo que muitas caíram sobre a rede elétrica, deixando mais de 2,2 milhões de pessoas sem energia.

      Os ventos acima de 90 km/h fizeram com que cerca de 200 voos fossem afetados em São Paulo, consequentemente causando transtornos também em outros aeroportos do país. A falta de eletricidade também prejudicou o funcionamento de semáforos e o abastecimento de água.

      Em novembro do mesmo ano, o nascimento de um ciclone extratropical no Rio Grande do Sul causou um tornado no Paraná que destruiu 80% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, matando seis pessoas e ferindo 750, segundo a Defesa Civil do Estado. Em julho de 2023, um outro ciclone no Rio Grande do Sul provocou estragos em 52 cidades e uma morte na cidade de Rio Grande. O fenômeno provocou ventos de mais de 140 km/h e também atingiu o estado de São Paulo, onde duas mortes foram associadas ao ciclone.

      O ciclone extratropical é uma área de menor pressão atmosférica do que o ambiente do entorno, em que os ventos giram ao redor de um centro, no sentido horário. Esses sistemas afetam o tempo das regiões onde atuam provocando nuvens, chuva, redução da temperatura do ar e ventos fortes.

    Embora seja um fenômeno meteorológico comum na região Sul, o aumento da temperatura do ar e do oceano em consequência das mudanças climáticas pode deixar os ciclones extratropicais mais intensos, afirmam especialistas.

   Os ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão atmosférica, em geral vinculados a frentes frias. Eles provocam um contraste muito grande de temperatura, umidade, chuva em seu entorno. Além disso, ventos muito intensos são gerados na direção dele, explica Tércio Ambrizzi, professor de Ciências Atmosféricas na Universidade de São Paulo. 

     Na América do Sul, um mapeamento das áreas mais ciclogenéticas – como os especialistas definem as áreas mais propensas ao fenômeno – aponta duas regiões principais. Uma fica no extremo sul, na costa da Patagônia. A outra é a região da bacia do Prata, ou seja, o sul do Brasil, Uruguai e nordeste da Argentina, explica Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador-geral de Operação e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

    A área sobre a Patagônia registra uma frequência maior de formação de ciclones extratropicais durante o verão. Já na região ao sul do Brasil, o fenômeno ocorre durante os meses de inverno e primavera. “Existe também uma terceira região de formação de ciclone, que é perto da costa de São Paulo e Rio de Janeiro, mas é muito raro a formação sobre o continente”, diz Seluchi.

     Um estudo feito por Tércio Ambrizzi há alguns anos mostrou que os ciclones não sofreram aumento em termos numéricos, mas em intensidade. “Em princípio, há relação com as mudanças climáticas. Com a atmosfera acumulando muito mais energia em função do aquecimento que o planeta está sofrendo por conta da emissão de gases de efeito estufa, os sistemas se tornam mais intensos”, diz.

     O impacto sobre a vida das pessoas depende da região onde o fenômeno se desenvolve. “Em junho de 2022, houve um ciclone extratropical muito intenso que se desenvolveu no oceano. O fenômeno se desenvolveu em função de um outro sistema, que foram vórtices ciclônicos de altos níveis. Naquele junho, ele se propagou na região do Atlântico. Em julho de 2023, ele se desenvolveu exatamente em cima do Rio Grande do Sul, por isso causou tanta chuva. A intensidade das chuvas e dos ventos causam muitos danos e colocam vidas em risco”, afirma Ambrizzi.

      Marcelo Seluchi destaca que, antigamente, detectar ciclones sobre os oceanos era muito difícil. “Não existiam dados observados, não havia boas imagens de satélite, então muito provavelmente houve muitos ciclones que não foram detectados no passado, que não fazem parte da série histórica”, detalha o meteorologista, pontuando que a série histórica mais confiável que registra o fenômeno reúne informações dos últimos 25 anos.

      Seluchi afirma que ainda não existem estudos muito claros sobre como as mudanças climáticas podem afetar a frequência e a intensidade dos ciclones extratropicais. As projeções feitas com base em modelos indicam que alguns ciclones tenderiam a se formar um pouco mais para o sul num cenário de aquecimento global.

     “Há um fato que pode influenciar a intensidade dos ciclones, que é justamente o aquecimento da atmosfera e do oceano. Um oceano mais quente consegue evaporar mais água. Uma atmosfera mais quente, por conta do aumento da temperatura, retém mais umidade, que é um elemento muito importante para determinar a intensidade dos ciclones”, explica Seluchi.

       Isso ajuda a explicar o fato de a costa leste da América do Sul, a bacia do Prata e o sul do Brasil serem regiões de maior frequência de ciclones extratropicais, argumenta o meteorologista. A costa do lado do Oceano Pacífico, na área do Chile, não registra muito o fenômeno, pois é uma área que tem baixa umidade, diz Seluchi.


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/como-oaquecimento-global-pode-deixar-ciclones-mais-intensos/a66236577>. Adaptado. Acesso em: 23 de fevereiro de 2026.
A definição de ciclone extratropical apresentada no texto tem como objetivo principal:
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Q4229775 Português
COMO O AQUECIMENTO GLOBAL PODE
DEIXAR CICLONES MAIS INTENSOS


       Um ciclone extratropical causou estragos em São Paulo e região metropolitana no dia 9 de dezembro de 2025. O fenômeno, associado a uma frente fria, derrubou mais de 330 árvores, sendo que muitas caíram sobre a rede elétrica, deixando mais de 2,2 milhões de pessoas sem energia.

      Os ventos acima de 90 km/h fizeram com que cerca de 200 voos fossem afetados em São Paulo, consequentemente causando transtornos também em outros aeroportos do país. A falta de eletricidade também prejudicou o funcionamento de semáforos e o abastecimento de água.

      Em novembro do mesmo ano, o nascimento de um ciclone extratropical no Rio Grande do Sul causou um tornado no Paraná que destruiu 80% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, matando seis pessoas e ferindo 750, segundo a Defesa Civil do Estado. Em julho de 2023, um outro ciclone no Rio Grande do Sul provocou estragos em 52 cidades e uma morte na cidade de Rio Grande. O fenômeno provocou ventos de mais de 140 km/h e também atingiu o estado de São Paulo, onde duas mortes foram associadas ao ciclone.

      O ciclone extratropical é uma área de menor pressão atmosférica do que o ambiente do entorno, em que os ventos giram ao redor de um centro, no sentido horário. Esses sistemas afetam o tempo das regiões onde atuam provocando nuvens, chuva, redução da temperatura do ar e ventos fortes.

    Embora seja um fenômeno meteorológico comum na região Sul, o aumento da temperatura do ar e do oceano em consequência das mudanças climáticas pode deixar os ciclones extratropicais mais intensos, afirmam especialistas.

   Os ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão atmosférica, em geral vinculados a frentes frias. Eles provocam um contraste muito grande de temperatura, umidade, chuva em seu entorno. Além disso, ventos muito intensos são gerados na direção dele, explica Tércio Ambrizzi, professor de Ciências Atmosféricas na Universidade de São Paulo. 

     Na América do Sul, um mapeamento das áreas mais ciclogenéticas – como os especialistas definem as áreas mais propensas ao fenômeno – aponta duas regiões principais. Uma fica no extremo sul, na costa da Patagônia. A outra é a região da bacia do Prata, ou seja, o sul do Brasil, Uruguai e nordeste da Argentina, explica Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador-geral de Operação e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

    A área sobre a Patagônia registra uma frequência maior de formação de ciclones extratropicais durante o verão. Já na região ao sul do Brasil, o fenômeno ocorre durante os meses de inverno e primavera. “Existe também uma terceira região de formação de ciclone, que é perto da costa de São Paulo e Rio de Janeiro, mas é muito raro a formação sobre o continente”, diz Seluchi.

     Um estudo feito por Tércio Ambrizzi há alguns anos mostrou que os ciclones não sofreram aumento em termos numéricos, mas em intensidade. “Em princípio, há relação com as mudanças climáticas. Com a atmosfera acumulando muito mais energia em função do aquecimento que o planeta está sofrendo por conta da emissão de gases de efeito estufa, os sistemas se tornam mais intensos”, diz.

     O impacto sobre a vida das pessoas depende da região onde o fenômeno se desenvolve. “Em junho de 2022, houve um ciclone extratropical muito intenso que se desenvolveu no oceano. O fenômeno se desenvolveu em função de um outro sistema, que foram vórtices ciclônicos de altos níveis. Naquele junho, ele se propagou na região do Atlântico. Em julho de 2023, ele se desenvolveu exatamente em cima do Rio Grande do Sul, por isso causou tanta chuva. A intensidade das chuvas e dos ventos causam muitos danos e colocam vidas em risco”, afirma Ambrizzi.

      Marcelo Seluchi destaca que, antigamente, detectar ciclones sobre os oceanos era muito difícil. “Não existiam dados observados, não havia boas imagens de satélite, então muito provavelmente houve muitos ciclones que não foram detectados no passado, que não fazem parte da série histórica”, detalha o meteorologista, pontuando que a série histórica mais confiável que registra o fenômeno reúne informações dos últimos 25 anos.

      Seluchi afirma que ainda não existem estudos muito claros sobre como as mudanças climáticas podem afetar a frequência e a intensidade dos ciclones extratropicais. As projeções feitas com base em modelos indicam que alguns ciclones tenderiam a se formar um pouco mais para o sul num cenário de aquecimento global.

     “Há um fato que pode influenciar a intensidade dos ciclones, que é justamente o aquecimento da atmosfera e do oceano. Um oceano mais quente consegue evaporar mais água. Uma atmosfera mais quente, por conta do aumento da temperatura, retém mais umidade, que é um elemento muito importante para determinar a intensidade dos ciclones”, explica Seluchi.

       Isso ajuda a explicar o fato de a costa leste da América do Sul, a bacia do Prata e o sul do Brasil serem regiões de maior frequência de ciclones extratropicais, argumenta o meteorologista. A costa do lado do Oceano Pacífico, na área do Chile, não registra muito o fenômeno, pois é uma área que tem baixa umidade, diz Seluchi.


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/como-oaquecimento-global-pode-deixar-ciclones-mais-intensos/a66236577>. Adaptado. Acesso em: 23 de fevereiro de 2026.
Ao mencionar eventos ocorridos em diferentes anos e estados, o texto constrói a ideia de que: 
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COMO O AQUECIMENTO GLOBAL PODE
DEIXAR CICLONES MAIS INTENSOS


       Um ciclone extratropical causou estragos em São Paulo e região metropolitana no dia 9 de dezembro de 2025. O fenômeno, associado a uma frente fria, derrubou mais de 330 árvores, sendo que muitas caíram sobre a rede elétrica, deixando mais de 2,2 milhões de pessoas sem energia.

      Os ventos acima de 90 km/h fizeram com que cerca de 200 voos fossem afetados em São Paulo, consequentemente causando transtornos também em outros aeroportos do país. A falta de eletricidade também prejudicou o funcionamento de semáforos e o abastecimento de água.

      Em novembro do mesmo ano, o nascimento de um ciclone extratropical no Rio Grande do Sul causou um tornado no Paraná que destruiu 80% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, matando seis pessoas e ferindo 750, segundo a Defesa Civil do Estado. Em julho de 2023, um outro ciclone no Rio Grande do Sul provocou estragos em 52 cidades e uma morte na cidade de Rio Grande. O fenômeno provocou ventos de mais de 140 km/h e também atingiu o estado de São Paulo, onde duas mortes foram associadas ao ciclone.

      O ciclone extratropical é uma área de menor pressão atmosférica do que o ambiente do entorno, em que os ventos giram ao redor de um centro, no sentido horário. Esses sistemas afetam o tempo das regiões onde atuam provocando nuvens, chuva, redução da temperatura do ar e ventos fortes.

    Embora seja um fenômeno meteorológico comum na região Sul, o aumento da temperatura do ar e do oceano em consequência das mudanças climáticas pode deixar os ciclones extratropicais mais intensos, afirmam especialistas.

   Os ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão atmosférica, em geral vinculados a frentes frias. Eles provocam um contraste muito grande de temperatura, umidade, chuva em seu entorno. Além disso, ventos muito intensos são gerados na direção dele, explica Tércio Ambrizzi, professor de Ciências Atmosféricas na Universidade de São Paulo. 

     Na América do Sul, um mapeamento das áreas mais ciclogenéticas – como os especialistas definem as áreas mais propensas ao fenômeno – aponta duas regiões principais. Uma fica no extremo sul, na costa da Patagônia. A outra é a região da bacia do Prata, ou seja, o sul do Brasil, Uruguai e nordeste da Argentina, explica Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador-geral de Operação e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

    A área sobre a Patagônia registra uma frequência maior de formação de ciclones extratropicais durante o verão. Já na região ao sul do Brasil, o fenômeno ocorre durante os meses de inverno e primavera. “Existe também uma terceira região de formação de ciclone, que é perto da costa de São Paulo e Rio de Janeiro, mas é muito raro a formação sobre o continente”, diz Seluchi.

     Um estudo feito por Tércio Ambrizzi há alguns anos mostrou que os ciclones não sofreram aumento em termos numéricos, mas em intensidade. “Em princípio, há relação com as mudanças climáticas. Com a atmosfera acumulando muito mais energia em função do aquecimento que o planeta está sofrendo por conta da emissão de gases de efeito estufa, os sistemas se tornam mais intensos”, diz.

     O impacto sobre a vida das pessoas depende da região onde o fenômeno se desenvolve. “Em junho de 2022, houve um ciclone extratropical muito intenso que se desenvolveu no oceano. O fenômeno se desenvolveu em função de um outro sistema, que foram vórtices ciclônicos de altos níveis. Naquele junho, ele se propagou na região do Atlântico. Em julho de 2023, ele se desenvolveu exatamente em cima do Rio Grande do Sul, por isso causou tanta chuva. A intensidade das chuvas e dos ventos causam muitos danos e colocam vidas em risco”, afirma Ambrizzi.

      Marcelo Seluchi destaca que, antigamente, detectar ciclones sobre os oceanos era muito difícil. “Não existiam dados observados, não havia boas imagens de satélite, então muito provavelmente houve muitos ciclones que não foram detectados no passado, que não fazem parte da série histórica”, detalha o meteorologista, pontuando que a série histórica mais confiável que registra o fenômeno reúne informações dos últimos 25 anos.

      Seluchi afirma que ainda não existem estudos muito claros sobre como as mudanças climáticas podem afetar a frequência e a intensidade dos ciclones extratropicais. As projeções feitas com base em modelos indicam que alguns ciclones tenderiam a se formar um pouco mais para o sul num cenário de aquecimento global.

     “Há um fato que pode influenciar a intensidade dos ciclones, que é justamente o aquecimento da atmosfera e do oceano. Um oceano mais quente consegue evaporar mais água. Uma atmosfera mais quente, por conta do aumento da temperatura, retém mais umidade, que é um elemento muito importante para determinar a intensidade dos ciclones”, explica Seluchi.

       Isso ajuda a explicar o fato de a costa leste da América do Sul, a bacia do Prata e o sul do Brasil serem regiões de maior frequência de ciclones extratropicais, argumenta o meteorologista. A costa do lado do Oceano Pacífico, na área do Chile, não registra muito o fenômeno, pois é uma área que tem baixa umidade, diz Seluchi.


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/como-oaquecimento-global-pode-deixar-ciclones-mais-intensos/a66236577>. Adaptado. Acesso em: 23 de fevereiro de 2026.
O destaque dado aos números de árvores derrubadas, pessoas sem energia e voos afetados tem como principal função, no texto:
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Q4229679 Português
Texto para a questão:


“David da Vinci”, o menino gênio mexicano com QI superior ao de Einstein

Com 10 anos de idade, David Camacho oferece conferências em universidades e para organismos internacionais, irá em breve publicar um livro e criou um aplicativo para combater o bullying que sofreu na escola.


David Camacho provavelmente não irá gostar do título desta reportagem.

Primeiramente, porque não se identifica com a descrição de "menino gênio", embora seu quociente de inteligência (QI) de 162 esteja muito acima dos 130 fixados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como mínimo para considerar uma pessoa com altas habilidades ou intelectualmente superdotado.

"Os gênios já estão no túmulo e, se foram gênios, é porque fizeram coisas geniais", explica ele, modestamente.

Em segundo lugar, porque ele admite que não lhe agrada muito ser comparado com outras mentes brilhantes, como a dos físicos Stephen Hawking (1942- 2018) ou Albert Einstein (1879-1955), que tinham QI estimado de 160.

"Tenho 10 anos e estou apenas começando", prossegue ele. "Talvez eu seja um gênio quando tiver 70 anos, mas quando tiver feito coisas geniais na vida, certo?"

Mas existe, sim, um gênio que serve de inspiração para o menino. Ele chegou a adotar seu sobrenome nas redes sociais, onde é conhecido como "David da Vinci".

"Minha professora do jardim da infância me ensinava muito sobre Leonardo da Vinci [1452-1519] e como ele era polímata: alguém que combina as ciências, tecnologia, engenharia, matemática, artes, ciências humanas... de tudo um pouco", recorda ele.

"Fiquei impressionado com a sua história, até que disse: 'Quero ser como ele', para fazer grandes coisas."

E, por enquanto, David parece estar bem encaminhado rumo a este sonho.

Eloquente, sempre sorrindo e com um discurso articulado e surpreendente para sua pouca idade, este menino de Querétaro, na região central do México, conta casualmente que oferece conferências em universidades e para organismos internacionais. E está a ponto de publicar um livro.

Atualmente, David Camacho estuda em uma escola internacional online, que o certificará para poder entrar na universidade. Ele fala espanhol, inglês, francês e alemão e começou a estudar russo, português e italiano.

Ele garante que é "um orgulho" ter um quociente de inteligência tão alto e o que ele mais aprecia em ser uma criança com altas habilidades é poder entender tudo rápido e aprender de forma acelerada.

"Não são muitas as pessoas que nascem assim, de forma que eu gostaria de usar isso em favor das crianças e do bem-estar da humanidade, deixar a minha marca", afirma ele.

Mas ele acredita que nem todos entendem o que é ser um menino gênio.

"Muitas pessoas pensam que devemos saber tudo, mas não somos adivinhos, é preciso que nos ensinem. Não significa que temos todas as respostas do universo."

Sua mãe, Claudia Flores, recorda as primeiras indicações que a fizeram pensar que havia algo especial com David.

"Fazíamos uma longa viagem na estrada e ele sabia cerca de 40 canções infantis", relembra ela.

"Nós o mandamos para a escola e ele ficou feliz por 15 dias. Mas, depois, começou a pedir: 'Me passe para as crianças maiores, quero aprender mais'."

"Aquilo me entediava muito", confirma ele.

Mas o momento decisivo chegou com a pandemia de covid-19. Sua mãe se sentou ao seu lado enquanto ele fazia as aulas online e percebeu que era verdade que ele aprendia muito rapidamente, em comparação com as outras crianças.

Mas, apesar de todas as suas conquistas, chegar até aqui não foi fácil para David. Ele conta que sofreu muito naquela que era a escola dos seus sonhos.

"As outras crianças não entendiam por que alguém que acabava de entrar na escola conseguia saber mais coisas do que eles, nem como podia fazer tantas coisas", explica ele. "E a sua forma de demonstrar isso era me fazendo bullying."

Ele decidiu recentemente aproveitar esta má experiência para dar a volta por cima e empregá-la para desenvolver o aplicativo Macayos, que estará disponível ao longo deste ano. Ele o define como "a primeira plataforma digital mexicana criada com inteligência artificial, que ensina às crianças, de forma divertida, capacidades para saber gerenciar suas emoções". David Camacho pede a todos os que praticam bullying com crianças como ele que sejam empáticos e inclusivos.

Durante toda a entrevista, David Camacho fala com muita rapidez. Ele pula de um tema para outro com facilidade e retorna, se achar que se esqueceu de mencionar algo importante.

Claudia Flores reconhece que ser mãe de um menino como ele é um grande desafio. "Ser a mãe de Edgar David Camacho Flores é muito fácil, pois ele é um menino tranquilo, nobre e amoroso. Mas ser mãe de David da Vinci é o desafio, pois ele é acelerado, anda correndo..."

"Eu digo que ele tem dois esquilos naquela cabecinha. Mas ele responde que não, que tem um computador quântico", conclui a mãe, sorrindo.


Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/05/04/david-da-vinci-o-menino-genio-mexicano-com-qisuperior-ao-de-einstein.ghtml [adaptado]
De acordo com o texto, Macayos é: 
Alternativas
Q4229675 Português
Texto para a questão:


“David da Vinci”, o menino gênio mexicano com QI superior ao de Einstein

Com 10 anos de idade, David Camacho oferece conferências em universidades e para organismos internacionais, irá em breve publicar um livro e criou um aplicativo para combater o bullying que sofreu na escola.


David Camacho provavelmente não irá gostar do título desta reportagem.

Primeiramente, porque não se identifica com a descrição de "menino gênio", embora seu quociente de inteligência (QI) de 162 esteja muito acima dos 130 fixados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como mínimo para considerar uma pessoa com altas habilidades ou intelectualmente superdotado.

"Os gênios já estão no túmulo e, se foram gênios, é porque fizeram coisas geniais", explica ele, modestamente.

Em segundo lugar, porque ele admite que não lhe agrada muito ser comparado com outras mentes brilhantes, como a dos físicos Stephen Hawking (1942- 2018) ou Albert Einstein (1879-1955), que tinham QI estimado de 160.

"Tenho 10 anos e estou apenas começando", prossegue ele. "Talvez eu seja um gênio quando tiver 70 anos, mas quando tiver feito coisas geniais na vida, certo?"

Mas existe, sim, um gênio que serve de inspiração para o menino. Ele chegou a adotar seu sobrenome nas redes sociais, onde é conhecido como "David da Vinci".

"Minha professora do jardim da infância me ensinava muito sobre Leonardo da Vinci [1452-1519] e como ele era polímata: alguém que combina as ciências, tecnologia, engenharia, matemática, artes, ciências humanas... de tudo um pouco", recorda ele.

"Fiquei impressionado com a sua história, até que disse: 'Quero ser como ele', para fazer grandes coisas."

E, por enquanto, David parece estar bem encaminhado rumo a este sonho.

Eloquente, sempre sorrindo e com um discurso articulado e surpreendente para sua pouca idade, este menino de Querétaro, na região central do México, conta casualmente que oferece conferências em universidades e para organismos internacionais. E está a ponto de publicar um livro.

Atualmente, David Camacho estuda em uma escola internacional online, que o certificará para poder entrar na universidade. Ele fala espanhol, inglês, francês e alemão e começou a estudar russo, português e italiano.

Ele garante que é "um orgulho" ter um quociente de inteligência tão alto e o que ele mais aprecia em ser uma criança com altas habilidades é poder entender tudo rápido e aprender de forma acelerada.

"Não são muitas as pessoas que nascem assim, de forma que eu gostaria de usar isso em favor das crianças e do bem-estar da humanidade, deixar a minha marca", afirma ele.

Mas ele acredita que nem todos entendem o que é ser um menino gênio.

"Muitas pessoas pensam que devemos saber tudo, mas não somos adivinhos, é preciso que nos ensinem. Não significa que temos todas as respostas do universo."

Sua mãe, Claudia Flores, recorda as primeiras indicações que a fizeram pensar que havia algo especial com David.

"Fazíamos uma longa viagem na estrada e ele sabia cerca de 40 canções infantis", relembra ela.

"Nós o mandamos para a escola e ele ficou feliz por 15 dias. Mas, depois, começou a pedir: 'Me passe para as crianças maiores, quero aprender mais'."

"Aquilo me entediava muito", confirma ele.

Mas o momento decisivo chegou com a pandemia de covid-19. Sua mãe se sentou ao seu lado enquanto ele fazia as aulas online e percebeu que era verdade que ele aprendia muito rapidamente, em comparação com as outras crianças.

Mas, apesar de todas as suas conquistas, chegar até aqui não foi fácil para David. Ele conta que sofreu muito naquela que era a escola dos seus sonhos.

"As outras crianças não entendiam por que alguém que acabava de entrar na escola conseguia saber mais coisas do que eles, nem como podia fazer tantas coisas", explica ele. "E a sua forma de demonstrar isso era me fazendo bullying."

Ele decidiu recentemente aproveitar esta má experiência para dar a volta por cima e empregá-la para desenvolver o aplicativo Macayos, que estará disponível ao longo deste ano. Ele o define como "a primeira plataforma digital mexicana criada com inteligência artificial, que ensina às crianças, de forma divertida, capacidades para saber gerenciar suas emoções". David Camacho pede a todos os que praticam bullying com crianças como ele que sejam empáticos e inclusivos.

Durante toda a entrevista, David Camacho fala com muita rapidez. Ele pula de um tema para outro com facilidade e retorna, se achar que se esqueceu de mencionar algo importante.

Claudia Flores reconhece que ser mãe de um menino como ele é um grande desafio. "Ser a mãe de Edgar David Camacho Flores é muito fácil, pois ele é um menino tranquilo, nobre e amoroso. Mas ser mãe de David da Vinci é o desafio, pois ele é acelerado, anda correndo..."

"Eu digo que ele tem dois esquilos naquela cabecinha. Mas ele responde que não, que tem um computador quântico", conclui a mãe, sorrindo.


Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/05/04/david-da-vinci-o-menino-genio-mexicano-com-qisuperior-ao-de-einstein.ghtml [adaptado]
Ainda de acordo com o texto, é correto afirmar que:
Alternativas
Q4229674 Português
Texto para a questão:


“David da Vinci”, o menino gênio mexicano com QI superior ao de Einstein

Com 10 anos de idade, David Camacho oferece conferências em universidades e para organismos internacionais, irá em breve publicar um livro e criou um aplicativo para combater o bullying que sofreu na escola.


David Camacho provavelmente não irá gostar do título desta reportagem.

Primeiramente, porque não se identifica com a descrição de "menino gênio", embora seu quociente de inteligência (QI) de 162 esteja muito acima dos 130 fixados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como mínimo para considerar uma pessoa com altas habilidades ou intelectualmente superdotado.

"Os gênios já estão no túmulo e, se foram gênios, é porque fizeram coisas geniais", explica ele, modestamente.

Em segundo lugar, porque ele admite que não lhe agrada muito ser comparado com outras mentes brilhantes, como a dos físicos Stephen Hawking (1942- 2018) ou Albert Einstein (1879-1955), que tinham QI estimado de 160.

"Tenho 10 anos e estou apenas começando", prossegue ele. "Talvez eu seja um gênio quando tiver 70 anos, mas quando tiver feito coisas geniais na vida, certo?"

Mas existe, sim, um gênio que serve de inspiração para o menino. Ele chegou a adotar seu sobrenome nas redes sociais, onde é conhecido como "David da Vinci".

"Minha professora do jardim da infância me ensinava muito sobre Leonardo da Vinci [1452-1519] e como ele era polímata: alguém que combina as ciências, tecnologia, engenharia, matemática, artes, ciências humanas... de tudo um pouco", recorda ele.

"Fiquei impressionado com a sua história, até que disse: 'Quero ser como ele', para fazer grandes coisas."

E, por enquanto, David parece estar bem encaminhado rumo a este sonho.

Eloquente, sempre sorrindo e com um discurso articulado e surpreendente para sua pouca idade, este menino de Querétaro, na região central do México, conta casualmente que oferece conferências em universidades e para organismos internacionais. E está a ponto de publicar um livro.

Atualmente, David Camacho estuda em uma escola internacional online, que o certificará para poder entrar na universidade. Ele fala espanhol, inglês, francês e alemão e começou a estudar russo, português e italiano.

Ele garante que é "um orgulho" ter um quociente de inteligência tão alto e o que ele mais aprecia em ser uma criança com altas habilidades é poder entender tudo rápido e aprender de forma acelerada.

"Não são muitas as pessoas que nascem assim, de forma que eu gostaria de usar isso em favor das crianças e do bem-estar da humanidade, deixar a minha marca", afirma ele.

Mas ele acredita que nem todos entendem o que é ser um menino gênio.

"Muitas pessoas pensam que devemos saber tudo, mas não somos adivinhos, é preciso que nos ensinem. Não significa que temos todas as respostas do universo."

Sua mãe, Claudia Flores, recorda as primeiras indicações que a fizeram pensar que havia algo especial com David.

"Fazíamos uma longa viagem na estrada e ele sabia cerca de 40 canções infantis", relembra ela.

"Nós o mandamos para a escola e ele ficou feliz por 15 dias. Mas, depois, começou a pedir: 'Me passe para as crianças maiores, quero aprender mais'."

"Aquilo me entediava muito", confirma ele.

Mas o momento decisivo chegou com a pandemia de covid-19. Sua mãe se sentou ao seu lado enquanto ele fazia as aulas online e percebeu que era verdade que ele aprendia muito rapidamente, em comparação com as outras crianças.

Mas, apesar de todas as suas conquistas, chegar até aqui não foi fácil para David. Ele conta que sofreu muito naquela que era a escola dos seus sonhos.

"As outras crianças não entendiam por que alguém que acabava de entrar na escola conseguia saber mais coisas do que eles, nem como podia fazer tantas coisas", explica ele. "E a sua forma de demonstrar isso era me fazendo bullying."

Ele decidiu recentemente aproveitar esta má experiência para dar a volta por cima e empregá-la para desenvolver o aplicativo Macayos, que estará disponível ao longo deste ano. Ele o define como "a primeira plataforma digital mexicana criada com inteligência artificial, que ensina às crianças, de forma divertida, capacidades para saber gerenciar suas emoções". David Camacho pede a todos os que praticam bullying com crianças como ele que sejam empáticos e inclusivos.

Durante toda a entrevista, David Camacho fala com muita rapidez. Ele pula de um tema para outro com facilidade e retorna, se achar que se esqueceu de mencionar algo importante.

Claudia Flores reconhece que ser mãe de um menino como ele é um grande desafio. "Ser a mãe de Edgar David Camacho Flores é muito fácil, pois ele é um menino tranquilo, nobre e amoroso. Mas ser mãe de David da Vinci é o desafio, pois ele é acelerado, anda correndo..."

"Eu digo que ele tem dois esquilos naquela cabecinha. Mas ele responde que não, que tem um computador quântico", conclui a mãe, sorrindo.


Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/05/04/david-da-vinci-o-menino-genio-mexicano-com-qisuperior-ao-de-einstein.ghtml [adaptado]
De acordo com o texto, é correto afirmar que:
Alternativas
Q4229579 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Não dá para usar por semanas: com que frequência devo lavar a calça jeans?


A calça jeans surgiu como uma peça resistente, pensada para trabalhadores que precisavam de roupas duráveis e práticas. Com o tempo, principalmente a partir dos anos 1950, virou um item básico no guarda-roupa.

Mas essa resistência também levanta uma dúvida comum: precisa lavar sempre?

Bem, a recomendação da própria indústria é evitar lavagens frequentes, tanto para preservar o tecido quanto para reduzir o desperdício de água. Inclusive, há quem defenda limpezas pontuais, com pano úmido ou escova, em vez de colocar a peça na máquina toda vez.

Apesar de não exigir lavagem constante, o jeans também não deve ficar "esquecido" por semanas.

Especialistas explicam que roupas acumulam suor, células mortas e microrganismos — como bactérias e fungos. Como o jeans é um tecido mais grosso, ele pode reter umidade, criando um ambiente favorável para esses organismos.

Na prática, funciona assim:

- Pode ser usada 3 a 4 vezes antes de uma nova lavagem;

- Se houve muito suor, calor ou uso prolongado, o ideal é lavar antes;

- Em ambientes com maior exposição à sujeira (como transporte público cheio, ou hospitais), a frequência deve ser maior.

- Ignorar esses cuidados pode favorecer problemas de pele, como dermatite atópica, urticária ou até candidíase em áreas mais abafadas do corpo.
De acordo com as informações do texto, a recomendação de evitar lavagens constantes do jeans baseia-se em uma perspectiva:
Alternativas
Q4229198 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Tire os homens da estante


Se não compro livros de forma consciente, atento para o perfil dos autores e das temáticas que consumo, alguém está tomando essa decisão por mim

Eu te proponho um desafio: retire todos os livros escritos por homens da sua estante. Preste atenção no resultado. Provavelmente, há grandes lacunas, espaços em branco que refletem a falta de diversidade na escolha das nossas leituras. Se essa tarefa te parece muito desafiadora, fique tranquilo, porque eu já fiz isso com a minha estante há alguns anos. E, realmente, restou muito mais parede do que livros naquele cenário.

Agora imagina se a gente começar a fazer isso pensando em autoras e autores negros ou obras escritas por pessoas da comunidade LGBTQIA+. Vamos além: deixar apenas livros de autores do Norte e do Nordeste do Brasil. O resultado chega a ser assustador. Será, então, que eu preciso começar a prestar atenção em quem estou lendo na hora de comprar a minha próxima leitura?

Quando trago esse tipo de reflexão nas minhas redes sociais, sempre recebo comentários como "eu escolho uma obra pela história e não pela autoria" ou "não me importa se o autor é homem ou branco". De acordo com essas pessoas, os espaços vazios na estante não passariam de uma mera coincidência. Eu não tenho dúvidas de que muita gente não faz essa escolha de forma proposital e realmente se deixa levar pelo automático. Mas o problema está justamente aí: se eu não estou comprando livros de forma consciente, atento para o perfil dos autores e das temáticas que consumo, alguém está tomando essa decisão por mim.

E a resposta é simples, já que, quando entro em grandes livrarias ou nas listas de mais vendidos, a tendência é que os autores em destaque sigam um mesmo padrão. O que chega com mais facilidade para o consumidor não é diverso. E isso é o resultado de anos e anos de um mercado editorial que privilegiou e abriu mais portas para um certo perfil de autores e narrativas. Ou seja, o que aprendemos a enxergar como literatura universal nada mais era do que um recorte específico de um certo grupo.

Para que se tenha ideia, uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília, em 2017, revelou que, entre os anos de 1965 e 2014, mais de 70% dos romances lançados foram escritos por homens, 90% por brancos e mais da metade com origem em São Paulo ou Rio de Janeiro. Ainda que na última década a preocupação com a diversidade no mercado editorial tenha crescido, a situação ainda está longe de ser equilibrada.

Por outro lado, a recente pesquisa "Panorama do consumo de livros" no Brasil concluiu que as mulheres pretas e pardas da classe C formam o maior grupo consumidor de livros no país (15% do total do público que adquiriu um livro em 2025). Ou seja, há um desencontro entre quem mais consome livros e quem mais vende.

A proposta não é ignorar o enredo da história, mas sim prestar atenção também em quem a escreveu ou na diversidade das temáticas consumidas, para que a sua estante não reflita a decisão de um sistema que pensa diferente de você. Acreditar em uma ideia de neutralidade no consumo cultural é ignorar que escolha consciente e escolha automática vão produzir estantes muito diferentes, e só você pode escolher qual será a sua.


Texto de: Jornal O Globo. "Tire os homens da estante". Publicado em
Ao afirmar que, se não escolhe seus livros de forma consciente, "alguém está tomando essa decisão por mim", o autor defende a ideia de que:
Alternativas
Q4229197 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Tire os homens da estante


Se não compro livros de forma consciente, atento para o perfil dos autores e das temáticas que consumo, alguém está tomando essa decisão por mim

Eu te proponho um desafio: retire todos os livros escritos por homens da sua estante. Preste atenção no resultado. Provavelmente, há grandes lacunas, espaços em branco que refletem a falta de diversidade na escolha das nossas leituras. Se essa tarefa te parece muito desafiadora, fique tranquilo, porque eu já fiz isso com a minha estante há alguns anos. E, realmente, restou muito mais parede do que livros naquele cenário.

Agora imagina se a gente começar a fazer isso pensando em autoras e autores negros ou obras escritas por pessoas da comunidade LGBTQIA+. Vamos além: deixar apenas livros de autores do Norte e do Nordeste do Brasil. O resultado chega a ser assustador. Será, então, que eu preciso começar a prestar atenção em quem estou lendo na hora de comprar a minha próxima leitura?

Quando trago esse tipo de reflexão nas minhas redes sociais, sempre recebo comentários como "eu escolho uma obra pela história e não pela autoria" ou "não me importa se o autor é homem ou branco". De acordo com essas pessoas, os espaços vazios na estante não passariam de uma mera coincidência. Eu não tenho dúvidas de que muita gente não faz essa escolha de forma proposital e realmente se deixa levar pelo automático. Mas o problema está justamente aí: se eu não estou comprando livros de forma consciente, atento para o perfil dos autores e das temáticas que consumo, alguém está tomando essa decisão por mim.

E a resposta é simples, já que, quando entro em grandes livrarias ou nas listas de mais vendidos, a tendência é que os autores em destaque sigam um mesmo padrão. O que chega com mais facilidade para o consumidor não é diverso. E isso é o resultado de anos e anos de um mercado editorial que privilegiou e abriu mais portas para um certo perfil de autores e narrativas. Ou seja, o que aprendemos a enxergar como literatura universal nada mais era do que um recorte específico de um certo grupo.

Para que se tenha ideia, uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília, em 2017, revelou que, entre os anos de 1965 e 2014, mais de 70% dos romances lançados foram escritos por homens, 90% por brancos e mais da metade com origem em São Paulo ou Rio de Janeiro. Ainda que na última década a preocupação com a diversidade no mercado editorial tenha crescido, a situação ainda está longe de ser equilibrada.

Por outro lado, a recente pesquisa "Panorama do consumo de livros" no Brasil concluiu que as mulheres pretas e pardas da classe C formam o maior grupo consumidor de livros no país (15% do total do público que adquiriu um livro em 2025). Ou seja, há um desencontro entre quem mais consome livros e quem mais vende.

A proposta não é ignorar o enredo da história, mas sim prestar atenção também em quem a escreveu ou na diversidade das temáticas consumidas, para que a sua estante não reflita a decisão de um sistema que pensa diferente de você. Acreditar em uma ideia de neutralidade no consumo cultural é ignorar que escolha consciente e escolha automática vão produzir estantes muito diferentes, e só você pode escolher qual será a sua.


Texto de: Jornal O Globo. "Tire os homens da estante". Publicado em
A reflexão proposta pelo autor sobre a composição das estantes de livros aproxima-se das discussões contemporâneas sobre formação de leitores, sobretudo porque destaca a importância de:
Alternativas
Q4229194 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A remada viking e a herança cultural da Noruega


Na Copa do Mundo de 2026, a seleção da Noruega chamou a atenção por uma comemoração que rapidamente se tornou uma marca registrada de seus jogadores e torcedores. Após as vitórias, os atletas se sentavam no gramado e simulavam movimentos de remada em perfeita sincronia, enquanto o capitão Martin Ødegaard comandava um tambor. O gesto fazia referência aos antigos navegadores escandinavos conhecidos como vikings.

Os vikings eram povos originários da Escandinávia — especialmente das regiões que hoje correspondem à Noruega, à Suécia e à Dinamarca. Entre os séculos VIII e XI, eles se destacaram por suas viagens marítimas, atividades comerciais e expedições por diversas partes da Europa e até da América do Norte.

A tecnologia naval desenvolvida por esse povo permitia a construção de embarcações rápidas e resistentes, capazes de navegar em mares e rios. Por isso, os navios vikings tornaram-se símbolos de exploração, mobilidade e expansão cultural.

Durante muito tempo, a cultura popular difundiu a imagem dos vikings como guerreiros loiros, de olhos azuis e pertencentes a um povo homogêneo. Entretanto, estudos genéticos recentes demonstraram que eles possuíam grande diversidade étnica, com ascendência proveniente de diferentes regiões da Europa e da Ásia.

As pesquisas também indicam que a identidade viking não dependia da origem genética, mas de um modo de vida compartilhado. Segundo os cientistas, havia vikings que sequer possuíam genes escandinavos, o que reforça a ideia de que as identidades culturais são construções históricas e sociais, frequentemente mais diversas do que os estereótipos sugerem.

Por essa razão, a remada viking adotada pela torcida norueguesa durante a Copa do Mundo de 2026 ultrapassa uma simples comemoração esportiva. O gesto representa a valorização de uma herança cultural que, à luz das pesquisas atuais, revela-se mais plural e diversa do que tradicionalmente se imaginava.


Texto adaptado de: BBC News Brasil. "Quem eram os vikings e por que a Noruega celebra a 'remada viking' na Copa do Mundo". Publicado em 23 jun. 2026. 
A leitura do texto permite compreender que a associação entre a remada viking, adotada pela torcida norueguesa na Copa do Mundo de 2026, e as pesquisas sobre a diversidade dos povos vikings contribui para a formação cidadã, sobretudo por favorecer o questionamento de estereótipos culturais, ao:
Alternativas
Q4229190 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


De quem são os meninos de rua?

Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora.

Talvez não fosse um Menino De Família, mas também não era um Menino De Rua. É assim que a gente divide. Menino De Família é aquele bem-vestido com tênis da moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por um Menino De Rua. Menino De Rua é aquele que quando a gente passa perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão.

Ouvindo essas expressões tem-se a impressão de que as coisas se passam muito naturalmente, uns nascendo De Família, outros nascendo De Rua. Como se a rua, e não uma família, não um pai e uma mãe, ou mesmo apenas uma mãe os tivesse gerado, sendo eles filhos diretos dos paralelepípedos e das calçadas, diferentes, portanto, das outras crianças, e excluídos das preocupações que temos com elas. É por isso, talvez, que, se vemos uma criança bem-vestida chorando sozinha num shopping center ou num supermercado, logo nos acercamos protetores, perguntando se está perdida, ou precisando de alguma coisa. Mas se vemos uma criança maltrapilha chorando num sinal com uma caixa de chicletes na mão, engrenamos a primeira no carro e nos afastamos pensando vagamente no seu abandono.

Na verdade, não existem meninos de Rua. Existem meninos na Rua. E toda vez que um menino está na rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo, durante muitos anos também são postos onde quer que estejam. Resta ver quem os põe na rua e por quê.

Quando eu era criança, ouvi contar muitas vezes a história de João e Maria, dois irmãos filhos de pobres lenhadores, em cuja casa a fome chegou a um ponto em que, não havendo mais comida nenhuma, foram levados pelo pai ao bosque, e ali abandonados. Não creio que os 7 milhões de crianças brasileiras abandonadas conheçam a história de João e Maria. Se conhecessem talvez nem vissem a semelhança. Pois João e Maria tinham uma casa de verdade, um casal de pais, roupas e sapatos. João e Maria tinham começado a vida como Meninos de Família, e pelas mãos do pai foram levados ao abandono.

Quem leva nossas crianças ao abandono? Quando dizemos "crianças abandonadas" subentendemos que foram abandonadas pela família, pelos pais. E, embora penalizados, circunscrevemos o problema ao âmbito familiar, de uma família gigantesca e generalizada, à qual não pertencemos e com a qual não queremos nos meter. Apaziguamos assim nossa consciência, enquanto tratamos, isso sim, de cuidar amorosamente de nossos próprios filhos, aqueles que "nos pertencem".

Mas, embora uma criança possa ser abandonada pelos pais, ou duas ou dez crianças possam ser abandonadas pela família, 7 milhões de crianças só podem ser abandonadas pela coletividade. Até recentemente, tínhamos o direito de atribuir esse abandono ao governo e responsabilizá-Io. Mas, em tempos de Nova República, quando queremos que os cidadãos sejam o governo, já não podemos apenas passar adiante a responsabilidade. A hora chegou, portanto, de irmos ao bosque, buscar as crianças brasileiras que ali foram deixadas.


Marina Colasanti. Revista Manchete, 1986. 
Ao inserir a narrativa de João e Maria em sua crônica, Marina Colasanti não pretende apenas estabelecer uma comparação temática entre crianças abandonadas. O recurso intertextual contribui, sobretudo, para:
Alternativas
Q4229189 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


De quem são os meninos de rua?

Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora.

Talvez não fosse um Menino De Família, mas também não era um Menino De Rua. É assim que a gente divide. Menino De Família é aquele bem-vestido com tênis da moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por um Menino De Rua. Menino De Rua é aquele que quando a gente passa perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão.

Ouvindo essas expressões tem-se a impressão de que as coisas se passam muito naturalmente, uns nascendo De Família, outros nascendo De Rua. Como se a rua, e não uma família, não um pai e uma mãe, ou mesmo apenas uma mãe os tivesse gerado, sendo eles filhos diretos dos paralelepípedos e das calçadas, diferentes, portanto, das outras crianças, e excluídos das preocupações que temos com elas. É por isso, talvez, que, se vemos uma criança bem-vestida chorando sozinha num shopping center ou num supermercado, logo nos acercamos protetores, perguntando se está perdida, ou precisando de alguma coisa. Mas se vemos uma criança maltrapilha chorando num sinal com uma caixa de chicletes na mão, engrenamos a primeira no carro e nos afastamos pensando vagamente no seu abandono.

Na verdade, não existem meninos de Rua. Existem meninos na Rua. E toda vez que um menino está na rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo, durante muitos anos também são postos onde quer que estejam. Resta ver quem os põe na rua e por quê.

Quando eu era criança, ouvi contar muitas vezes a história de João e Maria, dois irmãos filhos de pobres lenhadores, em cuja casa a fome chegou a um ponto em que, não havendo mais comida nenhuma, foram levados pelo pai ao bosque, e ali abandonados. Não creio que os 7 milhões de crianças brasileiras abandonadas conheçam a história de João e Maria. Se conhecessem talvez nem vissem a semelhança. Pois João e Maria tinham uma casa de verdade, um casal de pais, roupas e sapatos. João e Maria tinham começado a vida como Meninos de Família, e pelas mãos do pai foram levados ao abandono.

Quem leva nossas crianças ao abandono? Quando dizemos "crianças abandonadas" subentendemos que foram abandonadas pela família, pelos pais. E, embora penalizados, circunscrevemos o problema ao âmbito familiar, de uma família gigantesca e generalizada, à qual não pertencemos e com a qual não queremos nos meter. Apaziguamos assim nossa consciência, enquanto tratamos, isso sim, de cuidar amorosamente de nossos próprios filhos, aqueles que "nos pertencem".

Mas, embora uma criança possa ser abandonada pelos pais, ou duas ou dez crianças possam ser abandonadas pela família, 7 milhões de crianças só podem ser abandonadas pela coletividade. Até recentemente, tínhamos o direito de atribuir esse abandono ao governo e responsabilizá-Io. Mas, em tempos de Nova República, quando queremos que os cidadãos sejam o governo, já não podemos apenas passar adiante a responsabilidade. A hora chegou, portanto, de irmos ao bosque, buscar as crianças brasileiras que ali foram deixadas.


Marina Colasanti. Revista Manchete, 1986. 
No trecho: "Na verdade, não existem meninos de rua. Existem meninos na rua." é possível inferir que a autora: 
Alternativas
Q4229173 Português
Educação Ambiental e Sustentabilidade no Século XXI


     O avanço industrial e o crescimento populacional intensificaram significativamente os impactos ambientais nas últimas décadas. Problemas como desmatamento, poluição dos rios, mudanças climáticas e produção excessiva de resíduos demonstram que o modelo tradicional de desenvolvimento econômico, baseado no consumo desenfreado dos recursos naturais, tornou-se insustentável em diversos aspectos.

     Nesse contexto, a educação ambiental surge como importante instrumento de conscientização social e transformação coletiva. Mais do que transmitir informações sobre preservação da natureza, ela busca desenvolver nos indivíduos valores, atitudes e práticas voltadas à responsabilidade socioambiental. Dessa forma, a formação de cidadãos críticos e conscientes torna-se essencial para a construção de sociedades mais equilibradas e sustentáveis.

      Além disso, especialistas defendem que a sustentabilidade não depende apenas de ações governamentais ou empresariais, mas também de mudanças de comportamento da população em relação ao consumo, ao descarte de resíduos e ao uso racional dos recursos naturais. Pequenas atitudes cotidianas, quando realizadas de maneira coletiva, podem contribuir significativamente para a redução dos impactos ambientais e para a melhoria da qualidade de vida das futuras gerações.

      Entretanto, apesar do aumento das discussões sobre sustentabilidade, muitos desafios ainda permanecem. A ausência de políticas públicas eficientes, a desigualdade social e a falta de conscientização ambiental dificultam a implementação de práticas sustentáveis em diferentes setores da sociedade. Assim, torna-se necessário fortalecer ações educativas e incentivar a participação social na busca por soluções ambientais mais eficazes e duradouras.


Educação Ambiental: Princípios e Práticas. São Paulo: Gaia, 2004. (Adaptado)
De acordo com o texto, a sustentabilidade depende:
Alternativas
Q4229171 Português
Educação Ambiental e Sustentabilidade no Século XXI


     O avanço industrial e o crescimento populacional intensificaram significativamente os impactos ambientais nas últimas décadas. Problemas como desmatamento, poluição dos rios, mudanças climáticas e produção excessiva de resíduos demonstram que o modelo tradicional de desenvolvimento econômico, baseado no consumo desenfreado dos recursos naturais, tornou-se insustentável em diversos aspectos.

     Nesse contexto, a educação ambiental surge como importante instrumento de conscientização social e transformação coletiva. Mais do que transmitir informações sobre preservação da natureza, ela busca desenvolver nos indivíduos valores, atitudes e práticas voltadas à responsabilidade socioambiental. Dessa forma, a formação de cidadãos críticos e conscientes torna-se essencial para a construção de sociedades mais equilibradas e sustentáveis.

      Além disso, especialistas defendem que a sustentabilidade não depende apenas de ações governamentais ou empresariais, mas também de mudanças de comportamento da população em relação ao consumo, ao descarte de resíduos e ao uso racional dos recursos naturais. Pequenas atitudes cotidianas, quando realizadas de maneira coletiva, podem contribuir significativamente para a redução dos impactos ambientais e para a melhoria da qualidade de vida das futuras gerações.

      Entretanto, apesar do aumento das discussões sobre sustentabilidade, muitos desafios ainda permanecem. A ausência de políticas públicas eficientes, a desigualdade social e a falta de conscientização ambiental dificultam a implementação de práticas sustentáveis em diferentes setores da sociedade. Assim, torna-se necessário fortalecer ações educativas e incentivar a participação social na busca por soluções ambientais mais eficazes e duradouras.


Educação Ambiental: Princípios e Práticas. São Paulo: Gaia, 2004. (Adaptado)
A expressão “Nesse contexto”, utilizada no segundo parágrafo, exerce no texto a função de:
Alternativas
Q4229170 Português
Educação Ambiental e Sustentabilidade no Século XXI


     O avanço industrial e o crescimento populacional intensificaram significativamente os impactos ambientais nas últimas décadas. Problemas como desmatamento, poluição dos rios, mudanças climáticas e produção excessiva de resíduos demonstram que o modelo tradicional de desenvolvimento econômico, baseado no consumo desenfreado dos recursos naturais, tornou-se insustentável em diversos aspectos.

     Nesse contexto, a educação ambiental surge como importante instrumento de conscientização social e transformação coletiva. Mais do que transmitir informações sobre preservação da natureza, ela busca desenvolver nos indivíduos valores, atitudes e práticas voltadas à responsabilidade socioambiental. Dessa forma, a formação de cidadãos críticos e conscientes torna-se essencial para a construção de sociedades mais equilibradas e sustentáveis.

      Além disso, especialistas defendem que a sustentabilidade não depende apenas de ações governamentais ou empresariais, mas também de mudanças de comportamento da população em relação ao consumo, ao descarte de resíduos e ao uso racional dos recursos naturais. Pequenas atitudes cotidianas, quando realizadas de maneira coletiva, podem contribuir significativamente para a redução dos impactos ambientais e para a melhoria da qualidade de vida das futuras gerações.

      Entretanto, apesar do aumento das discussões sobre sustentabilidade, muitos desafios ainda permanecem. A ausência de políticas públicas eficientes, a desigualdade social e a falta de conscientização ambiental dificultam a implementação de práticas sustentáveis em diferentes setores da sociedade. Assim, torna-se necessário fortalecer ações educativas e incentivar a participação social na busca por soluções ambientais mais eficazes e duradouras.


Educação Ambiental: Princípios e Práticas. São Paulo: Gaia, 2004. (Adaptado)
No primeiro parágrafo, o autor associa o modelo tradicional de desenvolvimento econômico principalmente:
Alternativas
Q4229169 Português
Educação Ambiental e Sustentabilidade no Século XXI


     O avanço industrial e o crescimento populacional intensificaram significativamente os impactos ambientais nas últimas décadas. Problemas como desmatamento, poluição dos rios, mudanças climáticas e produção excessiva de resíduos demonstram que o modelo tradicional de desenvolvimento econômico, baseado no consumo desenfreado dos recursos naturais, tornou-se insustentável em diversos aspectos.

     Nesse contexto, a educação ambiental surge como importante instrumento de conscientização social e transformação coletiva. Mais do que transmitir informações sobre preservação da natureza, ela busca desenvolver nos indivíduos valores, atitudes e práticas voltadas à responsabilidade socioambiental. Dessa forma, a formação de cidadãos críticos e conscientes torna-se essencial para a construção de sociedades mais equilibradas e sustentáveis.

      Além disso, especialistas defendem que a sustentabilidade não depende apenas de ações governamentais ou empresariais, mas também de mudanças de comportamento da população em relação ao consumo, ao descarte de resíduos e ao uso racional dos recursos naturais. Pequenas atitudes cotidianas, quando realizadas de maneira coletiva, podem contribuir significativamente para a redução dos impactos ambientais e para a melhoria da qualidade de vida das futuras gerações.

      Entretanto, apesar do aumento das discussões sobre sustentabilidade, muitos desafios ainda permanecem. A ausência de políticas públicas eficientes, a desigualdade social e a falta de conscientização ambiental dificultam a implementação de práticas sustentáveis em diferentes setores da sociedade. Assim, torna-se necessário fortalecer ações educativas e incentivar a participação social na busca por soluções ambientais mais eficazes e duradouras.


Educação Ambiental: Princípios e Práticas. São Paulo: Gaia, 2004. (Adaptado)
 Considerando as ideias desenvolvidas no texto, assinale a alternativa que apresenta corretamente sua tese central.
Alternativas
Q4228980 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O pavão, Rubem Braga



Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.


Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.



https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/11513/o-pavao

O texto começa observando um pavão, depois compara essa observação com a arte e com o amor. O narrador muda o jeito de ver o pavão quando aprende algo novo e passa a dar a ele novos significados.. Considerando essa progressão de ideias, assinale a alternativa que expressa a relação estabelecida entre o pavão e o amor. 
Alternativas
Q4228979 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O pavão, Rubem Braga



Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.


Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.



https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/11513/o-pavao

Embora o texto explique o fenômeno que produz as cores do pavão, essa não é sua ideia principal. A explicação científica é usada para ajudar o leitor a compreender a reflexão apresentada pelo narrador. Com base nisso, assinale a alternativa que mostra a função dessa explicação no texto.
Alternativas
Respostas
541: B
542: B
543: A
544: D
545: C
546: A
547: A
548: D
549: C
550: A
551: C
552: B
553: A
554: C
555: C
556: B
557: C
558: C
559: B
560: C