Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q3157724 Português

AS QUESTÕES SE REFEREM AO TEXTO A SEGUIR.


Sobre pizzas e vacas


Comer é uma atividade social que vai muito além de saciar o apetite e tem provocado observações nem sempre sólidas sobre o caráter dos povos


Jaime Pinsky — Historiador e escritor, professor titular aposentado da Unicamp | 05/01/2025  


Fim de ano é aquele período em que a roupa começa a encolher, dizia minha mãe, rindo de suas amigas ao ouvi-las reclamar que não era justo existir um mês em que se come muito (dezembro), seguido de outro (janeiro, férias escolares) em que se coloca roupa de banho e os quilos adquiridos se revelam de modo inequívoco. Comer é uma atividade social que vai muito além de saciar o apetite e tem provocado observações nem sempre sólidas sobre o caráter dos povos. A cultura da pizza, comida encarregada de resolver o problema de grande parte dos habitantes deste planeta, é um exemplo de como uma generalização superficial pode estar equivocada. Claro, pois a pizza, ao que tudo indica, não é a melhor representação gastronômica da Itália, mesmo porque sua origem está na Índia ou no Oriente Médio, já que é nessas regiões do planeta em que o pão tem esse formato, redondo e chato, provável inspiração dos inventores da pizza. 

O mais fascinante, contudo, é a hipótese de um sociólogo brasileiro, já falecido, Gabriel Bolaffi, para o qual a pizza era um produto consumido apenas no sul da península, e sua expansão pela Itália toda teve a ver com a invasão dos americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Os soldados ianques, à medida que avançavam para o norte, solicitavam aqueles discos práticos e saborosos, mas que não eram produzidos em outras regiões. Como os soldados tinham apetite, dólares e armas, donos de bares e pequenos restaurantes trataram de preparar as próprias pizzas, para alegria dos americanos. Assim, graças aos soldados estrangeiros, a pizza deixou de ser uma comida regional e tornou-se um verdadeiro símbolo nacional. Com a volta dos exércitos vencedores ao continente americano, a pizza tornou-se uma necessidade gastronômica também nos Estados Unidos, devidamente adaptada ao duvidoso gosto dos "gringos", que a devoram em pé, na rua, sem o uso de talheres, acompanhada de refrigerante em vez de vinho e preparada com queijo com sabor de plástico... Mas, de qualquer forma, baseada naquela encontrada pelos soldados em solo italiano.  

O fato é que "comidas típicas" não são tão típicas assim, mas, por se apresentarem como tal, representam com dignidade, maior ou menor, seus supostos criadores. As famosas alheiras portuguesas, por exemplo, foram criadas por necessidade, não por prazer, alegria ou fome. Conta-se que o governo português, aliado da Igreja, desconfiava das pessoas que não comiam linguiça — provável indício de que mantinham clandestinamente práticas judaicas ou muçulmanas. Portugal, é importante ressaltar, estava preocupado em fazer uma espécie de "limpeza religiosa", acabando com resquícios não cristãos na sua população (século 16). E o governo morria de medo de avanços econômicos que pudessem ameaçar a estrutura de poder arcaica existente. Os judeus consumiam as alheiras e ostentavam fileiras de carne de aves e legumes temperados com alho para mostrar sua suposta adesão ao cristianismo quando, na verdade, não passavam de cristãos novos mal resolvidos, que tinham nojo da carne de porco, mas fingiam comê-la para não serem executados nas fogueiras da Inquisição e do retrógrado governo lusitano após terríveis torturas. Assim teria surgido essa linguiça sem carne de porco …

Vindo para o nosso continente, vale a pena recordar a história que o jornalista Ariel Palácios nos conta sobre a carne de vaca, símbolo gastronômico dos nossos vizinhos, em seu delicioso livro “Os argentinos”. Para início de conversa, Ariel nos lembra que a vaca não é argentina, nem sequer americana, mas foi trazida para a Argentina, via Brasil, várias décadas após a chegada de Cabral. Durante anos, os bovinos passearam sossegados entre os Andes e o Atlântico, sem que suas virtudes alimentícias fossem percebidas. Só então a vaca se tornaria um verdadeiro símbolo nacional. Segundo Palacios, os argentinos estão dispostos até a discutir se Pelé foi melhor do que Maradona, mas não admitem colocar em questão a superioridade de suas vacas. Para dizer a verdade, e que me perdoem os ótimos criadores que temos no Brasil, muitos brasileiros, como eu, concordam com eles.


PINSKY, Jaime. Sobre pizzas e vacas. Correio Braziliense, 05 de janeiro de 2025. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/01/7026305-sobrepizzas-e-vacas.html. Acesso em: 05 jan. 2025. Adaptado.

 

Segundo as informações do texto,  
Alternativas
Q3157572 Português
“[...] Todo texto pertence a algum gênero textual. Gêneros são padrões sociais de uso da língua, determinados principalmente por seus objetivos comunicativos. É esse objetivo comunicativo que determina o estilo de linguagem de cada texto, incluindo “correção gramatical e ortográfica”. O anúncio de classificados é um gênero e tem como propósito comunicativo central apresentar ao leitor um produto a venda. Linguisticamente, nesses textos, é comum a omissão das marcas de coesão, já que eles surgem nos jornais impressos e, nesses veículos, o valor do anúncio é cobrado por caracteres. [...]
Um bom texto, portanto, resulta de um processo de textualização e cumpre bem o objetivo comunicativo do gênero ao qual pertence. Um bom texto não é aquele que tem “correção gramatical e ortográfica”. Da mesma forma, não existe uma pessoa que “escreve bem”, genericamente. Pessoas produzem bem e com facilidade textos em gêneros com os quais estão familiarizadas, conforme suas necessidades comunicativas. [...]”
Disponível em: http://www.roseta.org.br/2020/08/26/a-formula-magica-para-o-texto-perfeito-so-que-nao/. Acesso em: 15 set 2024.

No excerto acima, defende-se que um bom texto
Alternativas
Q3157571 Português
     A Inteligência Artificial (IA) está no centro de muitas discussões atuais, e em diversas reuniões e eventos em que participo, observo que especialistas frequentemente recorrem a analogias para esclarecer suas perspectivas sobre essa tecnologia. Uma das mais comuns é compará-la a uma ferramenta. [...] Com essa lógica em mente, proponho uma analogia própria: a IA é como um automóvel. [...] Meu ponto é que ambos exigem uma compreensão profunda de seus impactos para garantir que seus benefícios sejam acessíveis e seus riscos minimizados. Portanto, ambos exigem qualificação. Um motorista não qualificado se torna um risco para si e para os outros, aumentando o perigo de acidentes. De modo semelhante, quem utiliza IA precisa entender os fundamentos da tecnologia, incluindo a forma como os modelos são treinados, a avaliação dos resultados e as questões éticas envolvidas. Em ambos os casos, os impactos negativos afetam não apenas indivíduos, mas também a sociedade como um todo. Assim como aprender a dirigir requer prática e atualização constante, utilizar a IA de forma responsável demanda formação contínua; exige mais esforço e conhecimento, e não menos.
Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/automatus-analogia-de-ia-para-o-uso-responsavel/. Acesso em 29 nov. 2024.

No trecho do artigo de opinião, a Inteligência Artificial (IA) é
Alternativas
Q3157570 Português
“[...] A melhor forma de prevenir a Síndrome de Burnout são estratégias que diminuam o estresse e a pressão no trabalho. Condutas saudáveis evitam o desenvolvimento da doença, assim como ajudam a tratar sinais e sintomas logo no início. As principais formas de prevenir a Síndrome de Burnout são:

 Defina pequenos objetivos na vida profissional e pessoal;
 Participe de atividades de lazer com amigos e familiares;
 Faça atividades que "fujam" à rotina diária, como passear, comer em restaurante ou ir ao cinema;
 Evite o contato com pessoas "negativas", especialmente aquelas que reclamam do trabalho ou dos outros;
 Converse com alguém de confiança sobre o que se está sentindo;
 Faça atividades físicas regulares. Pode ser academia, caminhada, corrida, bicicleta, remo, natação etc;
 Evite consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou outras drogas, porque só vai piorar a confusão mental;
Não se automedique nem tome remédios sem prescrição médica. [...]”

Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sindrome-deburnout#:~:text=A%20S%C3%ADndrome%20de%20Burnout%20envolve,indicar%20o%20in%C3%ADcio%20da%20do en%C3%A7a. Acesso em: 15 set. 2024.

O texto traz uma lista de sugestões a partir das quais conclui-se que
Alternativas
Q3157569 Português
“[...] Jovens negras(os), jovens periféricas(os), construindo e ocupando bibliotecas comunitárias nas bordas do país, passaram a contribuir ativamente para que os livros continuassem vivos e revelando autoras(es) colocadas(os) à margem. Contrariando as perspectivas mais pessimistas sobre o fim dos livros físicos e da espécie de “jovens leitores” com a imaginária presença maciça dos celulares em suas mãos, vemos o crescimento dos saraus e dos slams, das editoras independentes e das livrarias de rua. Qual seria o segredo? [...]”
MAYER, Bel Santos. “Unindo o discurso à prática: não basta ser antirracista. É preciso ler o que as autoras e autores negros escrevem.” In: Na Ponta do Lápis, Ano XVIII, n. 39, Novembro 2022, p. 37.

No texto, 
Alternativas
Q3157567 Português

Os cartazes reproduzidos na sequência foram veiculados em duas campanhas nacionais.


Texto 1

Imagem associada para resolução da questão

Disponível em: https://www.gov.br/transportes/pt-br/assuntos/transito/maio-amarelo-2024. Acesso em: 14 set. 2024.


Texto 2

Imagem associada para resolução da questão

Disponível em: https://www.gov.br/dnocs/pt-br/assuntos/noticias/19-de-outubro-dia-mundial-de-combate-ao-cancer-demama. Acesso em 28 nov. 2024.


Ao comparar o Texto 1 com o Texto 2, observa-se 


Alternativas
Q3157564 Português
“Crianças e adultos prolongam a cada dia o tempo de uso da internet. O excesso de exposição ao mundo digital tem afetado tanto a saúde física quanto a emocional, nas diferentes fases da vida. As crianças com menos tempo ao ar livre e às interações sociais e intergeracionais apresentam problemas de ergonomia, mudanças nos hábitos alimentares, dificuldades socioemocionais, ansiedade, intolerância a frustrações e redução da qualidade do sono. Além disso, estão mais propensas a receberem conteúdos inadequados à idade, a comportamentos prejudiciais e de risco ou potencialmente traumatizantes. São exemplos brincadeiras que estimulam autolesões ou a banalização do próprio corpo ou do corpo do outro, exposição publicitária e sem controle parental, violências digitais, além da adolescência precoce, decorrente de estilos, comportamentos ou modos de ser de crianças influenciadas pela cultura digital, antes das transformações orgânicas propriamente acontecerem.” [...].
Disponível em: https://www.comciencia.br/saude-mental-na-esfera-digital/. Acesso em: 14 set. 2024.

No texto acima, o termo exemplos, em negrito, explica o trecho
Alternativas
Q3157485 Português


Modo Avião

Por Pedro Guerra


(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2024/12/modoaviao-cm4mwzdin019r0126jgaqd169.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise a charge, as asserções a seguir e a relação proposta entre elas e o texto-base desta prova. 


Imagem associada para resolução da questão


I. O texto critica o fato de uma moça ter se tornado celebridade por se negar a ceder seu assento para uma criança.


PORÉM 


II.A charge mostra que a criança pode ter problemas psicológicos no futuro por não poder realizar um desejo simples: pilotar um avião.


A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q3157484 Português


Modo Avião

Por Pedro Guerra


(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2024/12/modoaviao-cm4mwzdin019r0126jgaqd169.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Com base no texto apresentado, analise as assertivas a seguir:
I. O autor apresenta uma crítica ao fato de que hoje tudo parece ser feito para durar pouco.
II. O autor acredita que, de fato, a moça do avião foi uma heroína e merece ser famosa por sua sólida carreira como influencer. 
III. Para o autor, a atriz Fernanda Montenegro é um exemplo de subcelebridade que ganhou  fama instantaneamente.
Quais estão corretas? 
Alternativas
Q3157246 Português
"Era uma vez uma mulher que olhava a sua própria vida como quem olha para uma paisagem distante. Ela sabia, mas não sentia, que as horas passavam, que as coisas aconteciam. Tudo se resumia a um lento deslizamento sem nada de novo."

Qual a principal ideia expressa pelo trecho acima? 
Alternativas
Q3157158 Português

LOUCURA MANSA



    Para mim é difícil falar simplesmente de gosto pelos livros, porque em matéria de livros meu caso é muito mais grave: é um amor que vem desde a infância, que me tem proporcionado a vida inteira e, ainda acima disso, é incurável. Não se trata por isso de um interesse periférico, e o prazer que me tem acompanhado em todo este longo percurso faz com que tenha procurado, permanentemente, desejar que muito mais pessoas possam também desfrutá-lo. Daí eu aproveitar qualquer oportunidade que me surja (e esta espero que seja uma delas) para inocular o vírus do amor ao livro em todos os possíveis leitores que já não o tenham adquirido anteriormente.


    O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspetos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro informa, distrai, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção; é, enfim, um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja.


    Brincadeira à parte, creio que a utilidade do livro é indiscutível, pois dá permanência ao pensamento humano. Sem o livro, não teríamos chegado a conhecer a obra dos filósofos, dramaturgos e cientistas da Antiguidade e da Idade Média. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg no século XV, permitindo o surgimento do livro impresso, foi uma revolução comparável, e diria mesmo até superior, à que resultou da informática, pelo menos até agora.


    De lá para cá, foram se formando as grandes bibliotecas, e aí surge o segundo prazer: possuir o livro, que, além do conteúdo, também pode ser apreciado como objeto de arte, pela ilustração, diagramação, papel, tipografia ou encadernação. O primeiro que se adquire provoca a busca de outros, e, em pouco tempo, começa a formar-se a biblioteca, em que por sua vez se formam as mais variadas coleções: autores, assuntos, edições, raridades, manuscritos, e muitos et ceteras.


    Há o prazer intelectual da leitura, e o prazer físico do contato com o livro. Falo sempre de loucura mansa, e posso assegurar que não é só mansa: é também prazerosa. Sugiro a quem ainda não a tenha que procure contraí-la.


(José Mindlin. In: Júlio Silveira e Martha Ribas, Org. A paixão pelos livros. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2004. P. 15-6.)

Qual é a diferença entre os dois prazeres mencionados no texto em relação ao livro?
Alternativas
Q3157157 Português

LOUCURA MANSA



    Para mim é difícil falar simplesmente de gosto pelos livros, porque em matéria de livros meu caso é muito mais grave: é um amor que vem desde a infância, que me tem proporcionado a vida inteira e, ainda acima disso, é incurável. Não se trata por isso de um interesse periférico, e o prazer que me tem acompanhado em todo este longo percurso faz com que tenha procurado, permanentemente, desejar que muito mais pessoas possam também desfrutá-lo. Daí eu aproveitar qualquer oportunidade que me surja (e esta espero que seja uma delas) para inocular o vírus do amor ao livro em todos os possíveis leitores que já não o tenham adquirido anteriormente.


    O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspetos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro informa, distrai, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção; é, enfim, um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja.


    Brincadeira à parte, creio que a utilidade do livro é indiscutível, pois dá permanência ao pensamento humano. Sem o livro, não teríamos chegado a conhecer a obra dos filósofos, dramaturgos e cientistas da Antiguidade e da Idade Média. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg no século XV, permitindo o surgimento do livro impresso, foi uma revolução comparável, e diria mesmo até superior, à que resultou da informática, pelo menos até agora.


    De lá para cá, foram se formando as grandes bibliotecas, e aí surge o segundo prazer: possuir o livro, que, além do conteúdo, também pode ser apreciado como objeto de arte, pela ilustração, diagramação, papel, tipografia ou encadernação. O primeiro que se adquire provoca a busca de outros, e, em pouco tempo, começa a formar-se a biblioteca, em que por sua vez se formam as mais variadas coleções: autores, assuntos, edições, raridades, manuscritos, e muitos et ceteras.


    Há o prazer intelectual da leitura, e o prazer físico do contato com o livro. Falo sempre de loucura mansa, e posso assegurar que não é só mansa: é também prazerosa. Sugiro a quem ainda não a tenha que procure contraí-la.


(José Mindlin. In: Júlio Silveira e Martha Ribas, Org. A paixão pelos livros. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2004. P. 15-6.)

Segundo o texto, qual foi o impacto da invenção dos tipos móveis por Gutenberg?
Alternativas
Q3157156 Português

LOUCURA MANSA



    Para mim é difícil falar simplesmente de gosto pelos livros, porque em matéria de livros meu caso é muito mais grave: é um amor que vem desde a infância, que me tem proporcionado a vida inteira e, ainda acima disso, é incurável. Não se trata por isso de um interesse periférico, e o prazer que me tem acompanhado em todo este longo percurso faz com que tenha procurado, permanentemente, desejar que muito mais pessoas possam também desfrutá-lo. Daí eu aproveitar qualquer oportunidade que me surja (e esta espero que seja uma delas) para inocular o vírus do amor ao livro em todos os possíveis leitores que já não o tenham adquirido anteriormente.


    O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspetos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro informa, distrai, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção; é, enfim, um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja.


    Brincadeira à parte, creio que a utilidade do livro é indiscutível, pois dá permanência ao pensamento humano. Sem o livro, não teríamos chegado a conhecer a obra dos filósofos, dramaturgos e cientistas da Antiguidade e da Idade Média. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg no século XV, permitindo o surgimento do livro impresso, foi uma revolução comparável, e diria mesmo até superior, à que resultou da informática, pelo menos até agora.


    De lá para cá, foram se formando as grandes bibliotecas, e aí surge o segundo prazer: possuir o livro, que, além do conteúdo, também pode ser apreciado como objeto de arte, pela ilustração, diagramação, papel, tipografia ou encadernação. O primeiro que se adquire provoca a busca de outros, e, em pouco tempo, começa a formar-se a biblioteca, em que por sua vez se formam as mais variadas coleções: autores, assuntos, edições, raridades, manuscritos, e muitos et ceteras.


    Há o prazer intelectual da leitura, e o prazer físico do contato com o livro. Falo sempre de loucura mansa, e posso assegurar que não é só mansa: é também prazerosa. Sugiro a quem ainda não a tenha que procure contraí-la.


(José Mindlin. In: Júlio Silveira e Martha Ribas, Org. A paixão pelos livros. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2004. P. 15-6.)

Indique, nas opções a seguir, qual é a principal utilidade do livro, segundo o autor?
Alternativas
Q3157155 Português

LOUCURA MANSA



    Para mim é difícil falar simplesmente de gosto pelos livros, porque em matéria de livros meu caso é muito mais grave: é um amor que vem desde a infância, que me tem proporcionado a vida inteira e, ainda acima disso, é incurável. Não se trata por isso de um interesse periférico, e o prazer que me tem acompanhado em todo este longo percurso faz com que tenha procurado, permanentemente, desejar que muito mais pessoas possam também desfrutá-lo. Daí eu aproveitar qualquer oportunidade que me surja (e esta espero que seja uma delas) para inocular o vírus do amor ao livro em todos os possíveis leitores que já não o tenham adquirido anteriormente.


    O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspetos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro informa, distrai, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção; é, enfim, um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja.


    Brincadeira à parte, creio que a utilidade do livro é indiscutível, pois dá permanência ao pensamento humano. Sem o livro, não teríamos chegado a conhecer a obra dos filósofos, dramaturgos e cientistas da Antiguidade e da Idade Média. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg no século XV, permitindo o surgimento do livro impresso, foi uma revolução comparável, e diria mesmo até superior, à que resultou da informática, pelo menos até agora.


    De lá para cá, foram se formando as grandes bibliotecas, e aí surge o segundo prazer: possuir o livro, que, além do conteúdo, também pode ser apreciado como objeto de arte, pela ilustração, diagramação, papel, tipografia ou encadernação. O primeiro que se adquire provoca a busca de outros, e, em pouco tempo, começa a formar-se a biblioteca, em que por sua vez se formam as mais variadas coleções: autores, assuntos, edições, raridades, manuscritos, e muitos et ceteras.


    Há o prazer intelectual da leitura, e o prazer físico do contato com o livro. Falo sempre de loucura mansa, e posso assegurar que não é só mansa: é também prazerosa. Sugiro a quem ainda não a tenha que procure contraí-la.


(José Mindlin. In: Júlio Silveira e Martha Ribas, Org. A paixão pelos livros. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2004. P. 15-6.)

O que o autor quer alcançar com o seu discurso?
Alternativas
Q3157154 Português

LOUCURA MANSA



    Para mim é difícil falar simplesmente de gosto pelos livros, porque em matéria de livros meu caso é muito mais grave: é um amor que vem desde a infância, que me tem proporcionado a vida inteira e, ainda acima disso, é incurável. Não se trata por isso de um interesse periférico, e o prazer que me tem acompanhado em todo este longo percurso faz com que tenha procurado, permanentemente, desejar que muito mais pessoas possam também desfrutá-lo. Daí eu aproveitar qualquer oportunidade que me surja (e esta espero que seja uma delas) para inocular o vírus do amor ao livro em todos os possíveis leitores que já não o tenham adquirido anteriormente.


    O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspetos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro informa, distrai, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção; é, enfim, um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja.


    Brincadeira à parte, creio que a utilidade do livro é indiscutível, pois dá permanência ao pensamento humano. Sem o livro, não teríamos chegado a conhecer a obra dos filósofos, dramaturgos e cientistas da Antiguidade e da Idade Média. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg no século XV, permitindo o surgimento do livro impresso, foi uma revolução comparável, e diria mesmo até superior, à que resultou da informática, pelo menos até agora.


    De lá para cá, foram se formando as grandes bibliotecas, e aí surge o segundo prazer: possuir o livro, que, além do conteúdo, também pode ser apreciado como objeto de arte, pela ilustração, diagramação, papel, tipografia ou encadernação. O primeiro que se adquire provoca a busca de outros, e, em pouco tempo, começa a formar-se a biblioteca, em que por sua vez se formam as mais variadas coleções: autores, assuntos, edições, raridades, manuscritos, e muitos et ceteras.


    Há o prazer intelectual da leitura, e o prazer físico do contato com o livro. Falo sempre de loucura mansa, e posso assegurar que não é só mansa: é também prazerosa. Sugiro a quem ainda não a tenha que procure contraí-la.


(José Mindlin. In: Júlio Silveira e Martha Ribas, Org. A paixão pelos livros. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2004. P. 15-6.)

De acordo como texto, assinale a alternativa que corresponde qual é o principal sentimento do autor em relação aos livros? 
Alternativas
Q3156604 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Carlos Chagas: há 90 anos morria o único cientista a descrever completamente uma doença

      Indicado duas vezes ao Prêmio Nobel, o cientista, médico sanitarista, infectologista, bacteriologista, professor e pesquisador Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas (1878 -1934) entrou para a história com uma marca até hoje não superada. Ele foi a primeira e até hoje única pessoa a descrever completamente uma doença infecciosa. Isso significa que ele, com suas pesquisas, detalhou o patógeno, o vetor, os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia da tripanossomíase americana, conhecida como doença de Chagas — em sua homenagem.
     Nesse processo de pesquisa, ele descobriu o protozoário causador da patologia e o batizou de Trypanosoma cruzi — em alusão laudatória ao seu amigo, o também médico Oswaldo Cruz.
      Chagas não levou o Nobel, mas acabou reconhecido com diversas outras honrarias nacionais e internacionais. Tornou-se membro honorário da Academia Nacional de Medicina e recebeu o doutorado honoris causa das universidades de Harvard e Paris.
     Nasceu em Oliveira, município de Minas Gerais, em uma família de cafeicultores. Formou-se em 1902 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro.
     Quando pesquisava para sua tese de conclusão de curso, acabou indo até o Instituto Soroterápico Federal, conhecido como Manguinhos, que era dirigido por Oswaldo Cruz. Foi o primeiro contato de ambos e o início de uma amizade. Chagas não só fez sua pesquisa de graduação, sobre o ciclo evolutivo da malária, como ganhou lá o seu primeiro emprego.
     A partir de 1905, a carreira de Carlos Chagas passou a se voltar para o combate a doenças em campanhas de saneamento. Cruz o convidou para atuar em trabalhos de controle da malária no interior paulista. Seu trabalho foi bem-sucedido e acabou servindo de protocolo para outras iniciativas pelo país.
     Quando trabalhava em Minas, em 1907, identificou um protozoário no sangue de um sagui, batizado por ele de Tripanosoma minasensis. Na mesma época, um engenheiro que trabalhava na construção de uma ferrovia na região da cidade de Lassance, perto do Rio São Francisco, contou a ele que havia ali a infestação de um inseto hematófago chamado de barbeiro. Após análises, o médico concluiu que se tratava de outro protozoário, parecido com o que atacava os macacos. Batizou o parasita de Trypanosoma cruzi. A descoberta do brasileiro foi publicada em uma revista acadêmica alemã, em 1909. A notícia repercutiu em todo o continente europeu.
    Nos anos seguintes, Chagas seguiu examinando pessoas atacadas pelo parasita, até compreender na totalidade o complexo ciclo da doença e suas consequências para os humanos. A enfermidade acabou chamada de doença de Chagas, mas o próprio cientista recusava o rótulo. Seguia denominando-a de tripanossomíase americana.
    Três dias após a morte de Oswaldo Cruz, Chagas foi nomeado seu sucessor na direção do instituto que hoje leva o nome do primeiro.
     Quando o Brasil foi acometido pela gripe espanhola, em 1918, a presidência da República o convidou para que ele dirigisse as ações de contenção da epidemia. Em 1919, foi nomeado pelo presidente Epitácio Pessoa (1865-1942) como diretor geral de Saúde Pública, acumulando este cargo com o do instituto que já dirigia. Ele centralizou os sistemas sanitários e focou esforços em campanhas para controle e erradicação de epidemias como a malária e o mal de Chagas.

VEIGA, E. BBC News Brasil. Adaptado. Disponível em <https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yp9re49m8o

Segundo a reportagem, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3156364 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Leonardo da Vinci: o maior procrastinador da história

Da Vinci quase nunca terminava seus trabalhos. Mas por trás da procrastinação intensa está o segredo da sua multidisciplinaridade


    Leonardo da Vinci pintou uma das obras mais emblemáticas da história: a Mona Lisa. Oficialmente, a moça do sorriso enigmático e olhar sedutor demorou 3 anos para ser pintada — entre 1503 e 1506 —, mas pesquisadores acreditam que Leonardo ficou finalizando o retrato até 1519, ano de sua morte. Segundo biógrafos, a pintura que hoje é o carro chefe do Louvre está inacabada. E esta é apenas uma das provas que indicam que Da Vinci era um procrastinador notório.

    Claro, ele era um gênio, e talvez apenas tivesse ideias demais para uma cabeça só. Mas meio milênio após sua morte, uma nova pesquisa identificou uma possível explicação por trás da série de projetos incompletos que o artista da Renascença deixou ao longo da carreira: Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, ou TDAH.

    Escrevendo no periódico inglês Brain, pesquisadores do King’s College London e da Universidade de Pavia, na Itália, consultaram evidências históricas, incluindo relatos de contemporâneos de Leonardo, e concluíram que seus problemas com administração do tempo, concentração e procrastinação poderiam ser atribuídos ao déficit.

    “Embora seja impossível fazer um diagnóstico post-mortem para alguém que viveu há 500 anos, estou confiante de que o TDAH é a hipótese mais convincente e cientificamente plausível para explicar a dificuldade de Leonardo em terminar suas obras”, disse Marco Catani, um dos autores do estudo.

    Os pesquisadores destacam a tendência de Leonardo de mudar constantemente de projeto, bem como seu hábito de trabalhar continuamente durante a noite, raramente dormindo profundamente — segundo biógrafos, ele alternava ciclos rápidos de cochilos curtos durante toda a noite.

    No estudo, há também outras características do renascentista que batem com o possível diagnóstico tardio. Os cientistas contam que Leonardo era canhoto – e também que sobreviveu a um derrame no hemisfério esquerdo aos 65 anos. Só que todas suas funções cognitivas (e geniais) ficaram intactas. Os pesquisadores acreditam que as duas coisas poderiam estar relacionadas. Da Vinci pode ter “concentrado” muitas de suas funções cerebrais em um hemisfério do cérebro, justamente o que não foi afetado pelo AVC. É uma característica rara, presente em menos de 5% da população.

    Além disso, diversas pesquisas sugerem que Da Vinci tinha dislexia, devido a erros de ortografia e escrita espelhada em seus cadernos. Essa dificuldade de aprendizagem é frequentemente diagnosticada ao lado do TDAH. “Dominância hemisférica atípica, canhoto e dislexia são mais prevalentes em crianças com desordens de aprendizado, incluindo TDAH”, escreveram os autores.

    Os cientistas ainda pontuam que a genialidade de Leonardo pode ter se beneficiado dessa condição. “Nos tempos modernos, um diagnóstico de TDAH prescinde do nível de habilidade intelectual e é cada vez mais reconhecido entre estudantes universitários e adultos com carreiras bem-sucedidas. Indiscutivelmente, se positivamente canalizado, algumas características do TDAH podem trazer uma vantagem: a mente vagando pode alimentar a criatividade e a originalidade; a inquietação pode mover-se para buscar novidades e ação pelas mudanças”, escreveram os autores.


Revista Superinteressante. Leonardo da Vinci: o maior procrastinador da história. Adaptado. Disponível em <https://super.abril.com.br/cultura/leonardo-da-vinci-omaior-procrastinador-da-historia/>.
Considere as seguintes afirmações:

I. Projetos inacabados de Leonardo da Vinci sugerem que o artista era procrastinador.
II. Há evidências de que a procrastinação de Leonardo da Vinci decorreu de seu AVC, aos 65 anos.
III. A procrastinação é uma das características atribuídas a Leonardo da Vinci relacionada ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pelos pesquisadores.

Aquela(s) que pode(m) ser concluída(s) a partir do texto apresentado é (são) apenas:
Alternativas
Q3155719 Português

Observe a charge a seguir:


Imagem associada para resolução da questão


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Assinale a alternativa que demonstra qual a ação que foi desencadeada pela hora de jantar.

Alternativas
Q3155717 Português
   Qualquer processo de mudança gera medos e ansiedades. Isso é previsível, peculiar e está presente com muita frequência nos processos de consultoria interna de RH. Os seres são humanos e agem como tal.

  Identificar essas emoções, compreendê-las e encará-las como elementos participantes de processo normal, como um sinal de que se atingiu um ponto crítico, apoiar o cliente interno para que se expresse e não deixar que sua crítica se torne pessoal ou um ataque à competência do consultor é um dos maiores desafios no processo de implantação de um modelo pautado na competência humana, em que a sensibilidade é considerada como o veículo principal desse processo.

   É bom lembrar que, em qualquer processo de mudança, existirá sempre uma resistência inata somada ao desejo de adentrar um universo ainda não explorado. Logo, é preciso aventurar-se e, consequentemente, implementar novas estratégias de ação, visando vencer a concorrência, trabalhar novos fornecedores e capacitar os gestores.

Fonte: Orlickas, E. Consultoria interna de recursos humanos. São Paulo: Makron, 2020.
Quais são os predicativos abaixo que melhor definem os medos e ansiedades gerados pelo processo de mudança?
Alternativas
Respostas
5121: D
5122: C
5123: B
5124: C
5125: A
5126: A
5127: C
5128: C
5129: A
5130: C
5131: B
5132: B
5133: B
5134: C
5135: C
5136: D
5137: E
5138: B
5139: C
5140: A