Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Leia o texto a seguir:
A chave do sótão
Naquela manhã de sábado, Miguel acordou antes do amanhecer e percebeu um ruído estranho vindo do sótão. A casa ainda estava silenciosa, e até o velho relógio da sala parecia marcar as horas mais devagar. Curioso, ele calçou os chinelos e subiu a escada com uma lanterna na mão.
Ao chegar lá em cima, encontrou sua irmã Helena ajoelhada diante de um baú antigo. Ela segurava uma pequena chave enferrujada e tentava, sem sucesso, abrir a fechadura. Miguel aproximou-se em silêncio, enquanto a chuva começava a bater nas telhas. Depois de alguns instantes, perguntou-lhe o que fazia ali tão cedo.
Helena explicou que, na noite anterior, havia encontrado a chave escondida entre as páginas de um livro pertencente ao avô. Os dois imaginaram que ela pudesse abrir o baú, guardado no sótão desde que se mudaram para aquela casa. Quando finalmente conseguiram girar a chave, ouviram um estalo seco e trocaram um olhar de surpresa.
Dentro do baú, porém, não havia joias nem objetos valiosos. Havia apenas fotografias antigas, cartas amareladas e um pequeno caderno. Miguel abriu o caderno e reconheceu a letra do avô, que havia morrido muitos anos antes. Na primeira página, encontrou uma frase curta: “Para que vocês nunca esqueçam de onde vieram”.
Fonte: Texto criado para fins didáticos, em 30/08/2026.
I - não devem ser utilizados na agricultura.
II - têm no seu uso um truque inestimável para a jardinagem e a agricultura.
III- favorecem o crescimento saudáveis de plantas. Pode-se afirmar que:
I. É um substantivo concreto.
II. É uma palavra que se encontra no grau diminutivo.
III. Ela é sinônima de “ribeiro” em “...enquanto se movimentava para o lado oposto do ribeiro.”
IV. Ela representa um local distante de onde ocorrem os fatos com os personagens.
Levando-se em consideração o texto I, pode-se dizer que se encontra correto o que foi dito apenas em:
( ) Em “Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutum, tinha dito: ‘É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre’.” – tal passagem, no início da narrativa, serve de prenúncio da condição visual limitada que Miguilim possuía na história, o que seria revelado na parte final com a observação e a ação precisas de José Lourenço.
( ) Em “Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...” – esta passagem é representativa da revelação que Miguilim tivera sobre a realidade objetiva do Mutum e, figurativamente, por outro lado, simboliza um “rito de passagem” promovida pela luz do conhecimento obtido.
( ) Passagens no texto I, como “Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha”; “Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando?”; “Miguilim espremia os olhos.”; “Este nosso rapazinho tem a vista curta.”; e “O Mutum era bonito! Agora ele sabia.” revelam, do início da narrativa, ao seu desfecho, a baixa acuidade visual do personagem Miguilim a qual comprometeu, na história, não apenas sua forma de enxergar a realidade física e objetiva do mundo, mas também a capacidade analítica do que este simboliza na realidade.
( ) Em “Por fim, disse. Pediu. O doutor entendeu e achou graça. Tirou os óculos, pôs na cara de Miguilim. E Miguilim olhou para todos, com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima do morro, aqui a casa, a cerca de feijãobravo e são-caetano; o céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo, florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia.” – esta descrição feita do Mutum representa metaforicamente o que este significava para Miguilim: um cenário especial cuja riqueza maior eram as pessoas queridas no seu convívio.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se dizer que se tem pela ordem a seguinte sequência.
E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito — Olha, agora!
Considerando-se o papel da Literatura quanto à exposição da realidade para os leitores, nota-se que o fato em evidência transmite um aspecto que vai além da boa ação do personagem. Nessa perspectiva de ambivalência das palavras no contexto literário, podem-se compreender os “óculos” ofertados a Miguilim como uma ferramenta representativa de:
“A mãe não lhe deu valor nenhum, mas mirou triste e apontou o morro; dizia: — Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver...”
Apesar de se mostrar um cenário belo e bravio, nota-se na fala da mãe de Miguilim um ar de decepção quanto ao que o espaço priva em termos de experiência de vida, o que gera a quebra da expectativa positiva do outro personagem. A partir da leitura do texto e da retratação do espaço do Mutum na vida dos personagens, pode-se dizer que este:
I. Representa um cenário de poucas perspectivas de ascensão intelectual e social, o que se evidencia nos modos descritos de cada personagem da narrativa.
II. Frustra a mãe de Miguilim na medida em que priva os personagens de experiências interpessoais significativas para sua própria evolução.
III. Simboliza um impedimento de contato dos personagens com uma dinâmica social favorável ao desenvolvimento humano e social.
IV. Prescinde de belezas naturais e condição climática favorável à existência humana no âmbito rural.
Pode-se dizer que se encontra correto o que foi dito apenas em: