Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Não há vagas.
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
— porque o poema, senhores
está fechado:
“não há vagas”
Só cabem no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
Ferreira Gullar
Em uma sala de aula:
— Um, dois, três de Oliveira, venha ao quatro negro.
— Cinco muito, mas não seis!
— Então sete-se. Venha o oitavo!
— Ah! Novemente!
— Ah! Desisto (pronunciado “désisto”).
autor desconhecido
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ).
( ) O autor da piada faz uma brincadeira com os numerais cardinais, usando-os de 1 a 10.
( ) A professora chamou apenas dois alunos.
( ) Todos os verbos, na piada, foram usados no modo imperativo.
( ) A frase: “Sinto muito, mas não sei” permaneceria com o mesmo sentido, se no lugar de “mas” estivesse “porém”.
( ) O verbo da primeira oração da piada indica que um suposto aluno tinha como prenome “Um, dois, três”.
( ) É optativa a vírgula em: “Cinco muito, mas não seis!”
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Não há vagas.
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
— porque o poema, senhores
está fechado:
“não há vagas”
Só cabem no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
Ferreira Gullar
1. Segundo o autor, a dura realidade em que vivem as pessoas não cabe no poema.
2. A voz que fala no poema aparentemente se dirige a uma plateia.
3. Se na frase “não há vagas” (verso 24), o verbo estivesse no passado (havia), deveria estar no plural, para a correta concordância verbal.
4. O texto se vale da linguagem figurada.
5. Dizer que o operário “esmerila a vida” em oficinas escuras é incoerente, já que essa ação (esmerilar) requer claridade.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.





















Leia o texto para responder a questão
O Navio Negreiro
Castro Alves
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...
(...)
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d’amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
Leia o texto para responder a questão
O Navio Negreiro
Castro Alves
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...
(...)
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d’amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
