Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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l. O termo "pessoas do cortisol" refere-se àqueles que, por estarem constantemente estressados, provocam reações emocionais e fisiológicas nos que estão ao seu redor.
ll. A presença contínua de uma pessoa ansiosa pode transformar o ambiente em um espaço regido por medo e insegurança, mesmo entre pessoas emocionalmente estáveis.
III. O texto sugere que o estresse é sempre um fator negativo, sem reconhecer sua função original como mecanismo de defesa e sobrevivência.
lV. A comparação com o guarda-chuva ilustra como indivíduos em estado de alerta constante mantêm reações defensivas mesmo na ausência real de perigo.
Estão CORRETAS:
A revolução discreta da cidade italiana que virou alternativa ao turismo excessivo de Veneza
O ar está impregnado de sal e manteiga quando uma tigela de tagliatelle com anchovas e ovas de bacalhau chega à mesa junto ao canal. A garçonete serve vinho branco e elogia a Primiero Botìro, manteiga alpina feita com leite cru, "mais saborosa nesta época".
É setembro em Treviso, cidade encantadora e discreta do norte da Itália, muitas vezes apenas ponto de passagem rumo à vizinha Veneza. Cercada por muralhas e cortada por canais, é berço do tiramissu e símbolo do vinho pró seco.
Recentemente, Treviso tornou-se a primeira cidade italiana a conquistar o European Green Leaf Award, da União Europeia, que reconhece o compromisso ambiental de cidades médias. Com cerca de noventa e quatro mil habitantes, transformou um aterro em parque solar, recuperou canais e criou projetos de biodiversidade que melhoraram a qualidade do ar.
A iniciativa se estende às Colinas de Prosecco, tombadas pela Unesco, onde produtores adotam práticas sustentáveis. O contraste com Veneza é evidente: enquanto a vizinha ainda sofre com turismo excessivo e poluição, Treviso cresce com equilíbrio. A taxa cobrada de visitantes em Veneza arrecada milhões, mas não reduziu significativamente o fluxo diário de turistas.
"Temos muito orgulho da nossa cidade", afirma o vice-prefeito Alessandro Manera. "O prêmio mostra quem está melhorando, não quem é mais bonita." Desde o início da missão sustentável, há sete anos, Treviso ampliou ciclovias, implantou reciclagem escolar e plantou seis mil árvores — essenciais para purificar o ar do Vale do Pó. O sistema de esgoto, antes restrito a 27% da população, já atende 64% e deve alcançar 80%.
Conhecida como "pequena Veneza", Treviso tem nos canais sua alma. "Eles são os protagonistas", diz a guia Ilaria Barbon. "A água moldou a cidade desde o século 16." Hoje, a qualidade hídrica é excelente, e o aplicativo Free Aqua permite monitorar o abastecimento. A prefeitura distribui garrafas de alumínio nas escolas para atingir a meta de plástico zero.
Antigos moinhos do século 16 voltaram a gerar energia, e um deles abastece o mercado central de peixes. Outro projeto, de vinte e cinco milhões de euros, substituirá toda a iluminação pública por LED, reduzindo o consumo em 70%.
A guia Annalisa De Martin conduz passeios de bicicleta pelos canais e termina com tiramissu, sobremesa criada ali no século 18. Treviso também é famosa pelo radicchio, usado em risotos, molhos, doces e até em uma versão inusitada da sobremesa durante a "Copa do Mundo do Tiramissu".
Nas colinas de Prosecco, o enólogo Sandro Bottega relata os efeitos das mudanças climáticas: verões secos e granizo fora de época reduziram as colheitas. Para reagir, os produtores adotam adubação verde, energia solar e climatização geotérmica.
Assim, Treviso consolida-se como exemplo de harmonia entre tradição e inovação — uma cidade que une história, sustentabilidade e os prazeres simples da boa comida, da água limpa e da consciência ambiental.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgk71mjnz2o.adaptado.
O texto apresenta Treviso como exemplo de cidade que alia desenvolvimento e sustentabilidade, mostrando como políticas locais e tradições culturais podem conviver em harmonia.
Com base nas informações e ideias do texto, assinale a alternativa correta.
A foto do príncipe William aos pés do Cristo Redentor que imita cena histórica de sua mãe, Diana
O príncipe de Gales repetiu os passos da mãe ao visitar o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. William posou no mesmo ponto em que Diana, princesa de Gales, foi fotografada há trinta e quatro anos. Ele está no terceiro dia de sua viagem de cinco dias ao Brasil, onde apresentará o Earthshot Prize, prêmio anual criado por sua instituição de caridade.
O evento, que reunirá celebridades, será realizado no Museu do Amanhã, no Rio, na noite desta quarta-feira. As apresentações incluirão Kylie Minogue e Shawn Mendes, e cinco projetos receberão o valor de sete milhões de reais cada um. Além disso, o príncipe fará um discurso na COP30, conferência anual da ONU sobre mudanças climáticas, que ocorrerá em Belém, no Pará.
Em um dia de céu limpo, o futuro rei permaneceu sozinho por alguns instantes, contemplando o Rio de Janeiro do alto do Corcovado, em um momento de reflexão diante da imponente estátua do Cristo Redentor, uma das maiores esculturas Art Déco do mundo, com trinta metros de altura e vinte e oito metros de largura entre os braços abertos.
Diana havia posado no mesmo local em abril de 1991, durante visita de seis dias ao Brasil ao lado do então príncipe Charles. Durante os passeios de William pelo Rio, muitas pessoas relembraram a presença da princesa, falecida em agosto de 1997. Segundo um porta-voz, o príncipe ficou sensibilizado com o carinho dos brasileiros e com as lembranças que ainda cercam a memória de sua mãe.
William também reservou um momento de privacidade na capela localizada sob a estátua, enquanto a segurança reforçada restringia temporariamente o acesso público ao monumento. A visita permitiu que ele se reunisse com os quinze finalistas do prêmio Earthshot, antes da cerimônia de entrega.
Entre os finalistas deste ano estão a cidade de Guangzhou, na China, por sua rede de transporte público elétrico; a Lagos Fashion Week, na Nigéria, reconhecida pela transformação sustentável da indústria da moda; e Barbados, pela liderança ambiental. O prêmio concede anualmente prêmios em dinheiro em cinco categorias distintas a projetos que buscam restaurar o equilíbrio climático do planeta.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, participará da cerimônia ao lado de William, antes de ambos seguirem para Belém, onde líderes mundiais discutirão estratégias de contenção e adaptação às mudanças climáticas.
Durante os primeiros dias no Brasil, o príncipe participou de um jogo de futebol no Maracanã e praticou vôlei de praia em Copacabana. Na terça-feira, concentrou-se em temas ambientais — foco principal de sua visita —, criticando crimes ligados ao desmatamento da Amazônia durante a conferência United for Wildlife.
William também visitou a ilha de Paquetá, onde conversou com moradores, aprendeu sobre a preservação de manguezais e plantou mudas de árvores, encerrando mais um dia de uma viagem que une simbolismo, memória e compromisso com o futuro do planeta.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwykry022p0o.adaptado
O texto relata a viagem do príncipe William ao Brasil, destacando episódios de sua passagem pelo Rio de Janeiro, compromissos oficiais ligados a questões ambientais e encontros com finalistas de um prêmio internacional voltado ao clima.
Com base no texto-base, a propósito do conjunto de informações apresentadas sobre a viagem do príncipe William ao Brasil, assinale a alternativa correta.
(__)A pressão da escova ou disco deve ser regulada conforme o tipo de piso.
(__)A injeção de solução deve permanecer ligada durante toda a operação.
(__)Verificar o melhor percurso antes de iniciar é uma etapa correta do procedimento.
Assinale a alternativa com a sequência CORRETA de cima para baixo.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O atendimento ao público é uma fonte de inspiração
Eu estava tranquilamente registrando as compras de uma senhora que estava acompanhada de uma moça, provavelmente sua filha. Cada uma tinha uma sacola e, conforme eu passava os produtos, elas iam embalando.
Em certo momento, a senhora me disse:
"Não precisa ter pressa, viu? Eu vou guardar as coisas no meu ritmo!"
Respondi: "Desculpe?"
E ela repetiu: "Não precisa ter pressa, eu vou arrumar as coisas no meu ritmo, tudo bem?"
Eu disse: "Tudo bem."
Ela, em tom altivo, respondeu: "Obrigada!"
Ora, uma coisa que eu sempre procuro fazer é registrar as compras de acordo com o ritmo do cliente. Nunca fui de passar os produtos apressadamente ou jogá-los, porque, quando fazem isso comigo (e há lugares que fazem), eu não gosto — e acredito que ninguém goste. Acelero um pouco apenas quando percebo que o cliente está com pressa e acompanha meu ritmo.
Mas, enfim, aquela senhora provavelmente já tinha saído de casa de mau humor e acabou descontando em mim. Paciência!
Texto Adaptado
Fonte: MEC (2007) apud SANTOS, Adriana Prado Santana; GOES, Ricardo Schers de. Língua Brasileira de Sinais − Libras. UNIASSELVI, 2016.
Diante do texto e dos seus conhecimentos sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), assinale a opção CORRETA.
Com base no estudo de caso, analise as afirmativas a seguir e assinale V (verdadeiro) ou F (falso):
(__)Os mitos funcionam apenas como explicações de fenômenos naturais, sem influência sobre normas sociais ou espirituais.
(__)As narrativas míticas servem como instrumentos de transmissão de valores, ética e conhecimento cultural de geração em geração.
(__)A espiritualidade presente nos mitos está vinculada à relação entre seres humanos, elementos da natureza e entidades espirituais.
(__)A função educativa dos mitos se limita a transmitir conteúdos religiosos e não envolve aspectos sociais ou culturais.
Assinale a sequência correta de cima para baixo:
Em muitas mitologias, a narrativa sobre deuses e heróis reflete a tentativa de sociedades antigas de explicar fenômenos naturais, estabelecer normas sociais ou transmitir valores éticos. A imagem apresentada ilustra uma cena mitológica em que diferentes figuras simbólicas representam forças da natureza e atributos humanos.
Com base na imagem e no contexto das mitologias comparadas, assinale a alternativa que corretamente identifica o significado simbólico da ação retratada e sua função social ou moral:
Trecho 2: O acesso ao Tibete é "restrito" e a circulação de informações é rigidamente controlada pelo governo, o que torna mais difícil acompanhar a situação em tempo real.
Em relação à significação das palavras destacadas, é correto afirmar que:
De acordo com o texto base, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta.
Texto 1
Educação Ambiental: o caminho para a conscientização
Por Recicloteca
Para entendermos o que é Educação Ambiental, temos de voltar um pouquinho no tempo a fim de compreendermos a sua importância na nossa vida atual. No mundo pós Segunda Guerra Mundial, ocorreu uma explosão econômica, muito em virtude das novas tecnologias advindas das pesquisas militares para o conflito. A relativa paz e prosperidade econômica, sobretudo nos países mais desenvolvidos, trouxe um aumento populacional e, por conseguinte, uma explosão demográfica e urbana, gerando uma constante necessidade de abastecimento dessa população. Ao longo dos anos, o aumento da exploração das reservas naturais, bem como o aumento exponencial do consumo traduzido na nova sociedade, começou a resultar em problemas ambientais graves, criando, assim, um alerta nos líderes mundiais em relação ao meio ambiente, principalmente na relação homem versus natureza.
Em 1972, temos a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, conhecida, também, por Conferência de Estocolmo, em que, pela primeira vez, a comunidade internacional se reuniu sob a coordenação das Nações Unidas para discutir a degradação ambiental e formas de minimizar esse impacto para o desenvolvimento econômico racional e equilibrado; surgem, nesse contexto, os primórdios do que conhecemos hoje sobre sustentabilidade.
[...]
A Educação Ambiental foi instituída e regulamentada pela Lei nº 9.795, de 1999, que definia como deveria ser trabalhada e incentivada pelo poder público, assim como instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental. Logo no primeiro artigo, temos a Educação ambiental definida: “Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”.
[...]
Atualmente, vivemos em um mundo cada vez mais globalizado, populoso e urbano, onde surgem, a todo momento, novas tecnologias que impulsionam todos os mercados. Todavia, essas indústrias necessitam cada vez mais de insumos à produção (fontes de energia e matérias-primas) para a ampliação do mercado consumidor e aumento da competitividade no setor.
O aumento de insumos gera uma demanda crescente em que o meio ambiente sofre com as explorações deveras desenfreadas, tendo, por fim, de abastecer essas indústrias. Assim, cria-se um desequilíbrio na balança da exploração do meio ambiente. Com a ampliação de produtos à disposição da população, aumenta-se, também a nível exponencial a todo ano, o descarte de lixo, acarretando o manejo, o tratamento e a destinação incorreta desse material, sobretudo em áreas mais periféricas.
A Educação Ambiental é inserida nesse contexto como instrumento de conscientização para minimizar o impacto das ações antrópicas no meio ambiente, ao mesmo tempo em que desperta o interesse para a questão ambiental e busca novas reflexões sobre a relação entre o homem e a natureza.
Adaptado de: https://www.recicloteca.org.br/educacao-ambiental/o-que-e-educacao-ambiental/. Acesso em: 3 jun. 2025.
Texto 2

Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/17521886046407954/. Acesso em: 3 jun. 2025.
Colesterol alto é o grande culpado das doenças cardiovasculares?
Durante muito tempo, o colesterol foi tratado como um dos grandes vilões da saúde. As campanhas médicas e publicitárias reforçaram a ideia de que ele deveria ser combatido a qualquer custo. Hoje, porém, a ciência reconhece que a questão é mais complexa: o colesterol é uma substância essencial ao organismo, necessária para a produção de hormônios, vitamina D, membranas celulares e ácidos biliares. O problema está no excesso — especialmente quando há desequilíbrio entre o colesterol LDL e o HDL.
O LDL, chamado de “colesterol ruim”, transporta colesterol do fígado para os tecidos. Em excesso, pode se acumular nas artérias, aumentando o risco de doenças cardiovasculares. Já o HDL, conhecido como “colesterol bom”, ajuda a remover o excesso de gordura do sangue, levando-o de volta ao fígado. Por isso, não é o colesterol em si o responsável pelos problemas de saúde, mas o desequilíbrio entre suas frações e a presença de outros fatores de risco, como sedentarismo, tabagismo e hipertensão.
Segundo especialistas, a avaliação dos níveis de colesterol deve ser feita de maneira individualizada. Há pessoas com taxas elevadas que não apresentam risco aumentado de infarto, enquanto outras, mesmo com valores próximos do ideal, podem ter predisposição genética para a aterosclerose. Isso mostra que os exames laboratoriais não devem ser analisados de forma isolada, mas em conjunto com o histórico clínico e os hábitos de vida.
A alimentação continua a ter papel fundamental. O consumo exagerado de gorduras saturadas e trans eleva o LDL, enquanto uma dieta rica em frutas, legumes, fibras e gorduras boas — como as presentes no azeite, nas castanhas e no abacate — ajuda a aumentar o HDL. Praticar atividade física, manter o peso adequado e evitar o cigarro são atitudes que contribuem para evitar fissuras no endotélio (camada superficial que reveste vasos e artérias), local onde o colesterol LDL se deposita, iniciando o processo de aterosclerose.
Mais do que enxergar o colesterol como um inimigo, a medicina atual recomenda uma visão de equilíbrio. O colesterol é vital, mas requer controle. O cuidado contínuo com a alimentação, o estilo de vida e o acompanhamento médico regular são as melhores estratégias para manter a saúde do coração e compreender que o corpo humano depende de harmonia, não de extremos.
Adaptado de: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2022/10/20/colesterol-alto-e-vilao.htm. Acesso em: 20 out. 2022.
Tecnologia amplia papel das crianças como motores do conhecimento nas famílias
Por Jornal da USP
Estudo mostra como crianças nascidas após 2010 intensificaram a socialização do conhecimento com gerações anteriores, o que pode ser facilitado de acordo com a tecnologia, a escola e o tipo de interação entre pais e filhos
Uma pesquisa feita na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP investiga quais são os fatores que influenciam o processo de socialização reversa de famílias brasileiras. Tal socialização ocorre quando a criança cresce adquirindo mais conhecimento que seus pais, o que acaba por gerar neles o interesse em aprender com os filhos. O trabalho foi idealizado por Murilo Lima Araújo, com orientação do professor Andres Rodrigues Veloso, do Departamento de Administração.
“[Para o desenvolvimento do trabalho] me baseei na teoria da socialização do consumidor e da socialização reversa, que é um fenômeno estudado desde os anos 1970. Então, discorri sobre essa socialização nas características cotidianas: no futebol, na alimentação, viagens, roupas, sustentabilidade e tecnologia”, declarou o pesquisador. De acordo com Araújo, nas últimas décadas, as crianças têm desempenhado um papel dentro do contexto familiar diferente do que acontecia nas gerações anteriores. Esse cenário ocorre em virtude das mudanças na sociedade atual, por exemplo, as políticas garantidoras de educação e a alteração do currículo escolar. Além disso, a acessibilidade à tecnologia, proteção contra trabalho infantil, proteção contra abusos físicos, diminuição da fertilidade da população e alteração de estilos parentais mais restritivos para mais abertos desempenham um papel importante na geração atual.
Levando essas questões em consideração, o estudo focou a geração de indivíduos que nasceram a partir do ano de 2010, também denominada Geração Alfa, a qual possui um elevado potencial cognitivo (AV1), consequência de estarem sendo socializados em um ambiente com altos estímulos provocados pela revolução digital. “As gerações anteriores a essa [Alfa] tiveram menos oportunidade de estudo, nasceram no mundo analógico. E sabemos que isso impacta muito na comunicação das pessoas”, analisou.
A metodologia utilizada para o desenvolvimento do projeto se deu em uma pesquisa qualitativa em duas etapas: foram coletados desenhos feitos por crianças de 7 a 11 anos em uma escola estadual, bem como a realização de entrevistas em profundidade com as famílias. Já a análise dos dados ocorreu por meio de triangulação de ambas as coletas. Dessa forma, os desenhos foram analisados, conforme a literatura pesquisada, e as entrevistas foram transcritas verbatim e codificadas por meio do software Atlas.ti.
Dessa maneira, foi evidenciado que os fatores que facilitam a socialização reversa são: tecnologia, escola e estilo parental, isto é, a natureza da interação de pais e filhos. Com efeito, os resultados da pesquisa indicam que esse tipo de socialização é manifestado através do consumo de eletrônicos, consumo de roupas, atitudes pró-ambientais, atividade física, relações interpessoais e inteligência emocional.
Segundo Costa, os achados de seu trabalho podem auxiliar na elaboração de ações educacionais para gerações mais velhas no intuito de diminuir as lacunas geracionais. “Como contribuição social, é interessante para gestores públicos pensar em estratégias de marketing político, para, de repente, utilizar a criança como socializadora no combate à obesidade”. Ademais, a sociedade, em geral, poderá refletir sobre a educação que está propiciando aos seus filhos e suas possíveis consequências positivas e negativas.
Adaptado de: https://jornal.usp.br/ciencias/cienciashumanas/tecnologia-amplia-papel-das-criancas-como-motores-doconhecimento-nas-familias/. Acesso em: 10 jun. 2025
Tecnologia inspirada no cérebro pode acelerar diagnóstico de doenças raras
Por CNN Brasil
Sistema inovador cruza dados médicos e genéticos, identifica padrões ocultos e pode reduzir o tempo de espera para conclusão do quadro
Identificar doenças raras no Brasil e no mundo ainda é um desafio para médicos e uma angústia constante para milhares de famílias. Muitas dessas condições são genéticas, complexas e pouco conhecidas, o que dificulta o diagnóstico correto e pode levar anos de incerteza. No entanto, uma tecnologia inovadora, inspirada no funcionamento do cérebro humano, começa a mudar esse cenário e promete acelerar o processo diagnóstico: trata-se dos bancos de dados em grafos.
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São consideradas doenças raras um grupo de 6 mil a 8 mil condições que afetam até 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos. Mais de 13 milhões de pessoas convivem com uma dessas condições no Brasil, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. No mundo, estima-se que pelo menos 300 milhões tenham algum tipo de enfermidade do tipo. Apesar do número expressivo, o caminho até um diagnóstico correto costuma ser lento, confuso e exaustivo. Atualmente, ele é feito por meio de uma combinação de avaliação clínica, exames complementares (imagem e bioquímicos) e testes genéticos. “Muitas das síndromes raras apresentam sintomas variados e que se sobrepõem com o quadro clínico de doenças comuns, tornando o diagnóstico clínico ainda mais difícil”, explica Vanessa Montaleone, geneticista do Núcleo de Genética do Hospital Sírio-Libanês.
No Brasil, os desafios se tornam ainda maiores pelas complexidades intrínsecas ao país. Antoine Daher, presidente da Casa Hunter e da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras (Febrararas), destaca as principais dificuldades enfrentadas pelas famílias: demora no diagnóstico (em média, leva de 5 a 7 anos até se chegar a um diagnóstico correto); desinformação e falta de conhecimento adequado sobre o tema (inclusive pelos profissionais de saúde responsáveis pelo caso); custo elevado de exames genéticos, consultas especializadas e terapias de suporte; acesso desigual aos serviços de saúde para as famílias que dependem exclusivamente do SUS.
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Desenvolvida há quase 20 anos pela startup Neo4j, a tecnologia de banco de dados em grafos tem como objetivo identificar e armazenar a relação entre dados – e não apenas os dados em si. “A intenção é apresentar uma conexão visual dessas relações, que funcionam como as ligações promovidas pelas sinapses do cérebro. Assim, é possível descobrir padrões ocultos e obter insights altamente conectados em tempo real”, diz o VP Latam Paulo Farias da Neo4j. Diferentemente dos bancos tradicionais, que dependem de tabelas ou esquemas fixos, os bancos em grafos utilizam nós e conexões para representar, conectar e fornecer contexto às informações de maneira mais intuitiva e flexível. “Sendo até 1.000 vezes mais rápido e consumindo menos recursos de nuvem”, expõe Farias.
No contexto das doenças raras, a tecnologia se torna uma solução que permite a pesquisadores e médicos conectar sintomas, variantes genéticas, publicações científicas e históricos clínicos em uma rede dinâmica e consultável. Isso contribui para a formulação de diagnósticos mais precisos e em menor tempo. “Levando em consideração os mais de 3 bilhões de DNA presentes no corpo humano, analisar e mapear a relação de cada um com diagnósticos, exames e medicamentos seria humanamente impossível. Sem falar nas mais de 6 mil a 8 mil doenças raras catalogadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, analisa Farias. O recurso tem sido utilizado no Hospital Infantil Dr. von Hauner, na Alemanha. Para isso, foi criado o Grafo de Conhecimento Clínico (CKG), que combina tecnologia de grafos, inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina (ML), contendo dados de 2.500 pacientes pediátricos do país (até o momento).
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Adaptado de: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/tecnologiainspirada-no-cerebro-pode-acelerar-diagnostico-de-doencas-raras/. Acesso em: 10 jun. 2025.