Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
Foram encontradas 140.263 questões
Reproduzimos aqui, alguns personagens do romance O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Relacione as colunas e destaque a alternativa pertinente.
Coluna I.
A- Jerônimo.
B- Libório.
C- Rita.
D- Pombinha.
Coluna II.
1- Mas, ninguém como ela, só ela, só aquele demônio, tinha o mágico segredo daqueles momentos de cobra amaldiçoada...
2- “... porque a Rita Baiana era o prazer, a volúpia, era o fruto dourado e acre destes sertões americanos, onde a alma dele aprendeu lascivas de macaco e onde seu corpo porejou o cheiro sensual dos bodes...”
3- “... estava muito ocupada, aviando a correspondência dos trabalhadores e das lavadeiras: serviço este que ela deixava para os domingos...”
4- Na estalagem diziam todavia que ele tinha dinheiro aferrolhado, contra o que ele protestava ressentido, jurando a sua extrema penúria. E era tão feroz o demônio naquela fome de cão sem dono, que as mães recomendavam às suas crianças todo o cuidado com ele...”
Leia o texto para responder à próxima questão.
Soneto a tua volta. (J.G. de Araújo Jorge).
Voltaste, meu amor... enfim voltaste!
Como fez frio aqui sem teu carinho....
A flor de outrora refloresce na haste
que pendia sem vida em meu caminho.
Obrigado... Eu vivia tão sozinho...
Que infinita alegria, e que contraste!
Volta a antiga embriaguez porque voltaste
e é doce o amor, porque é mais velho o vinho!
Voltaste... E dou-te logo este poema
simples e humilde repetindo um tema
da alma humana esgotada e envelhecida...
Mil poetas outras voltas celebraram,
mas, que importa? – se tantas já voltaram
só tu voltaste para a minha vida...
Leia o texto para responder à próxima questão.
Soneto a tua volta. (J.G. de Araújo Jorge).
Voltaste, meu amor... enfim voltaste!
Como fez frio aqui sem teu carinho....
A flor de outrora refloresce na haste
que pendia sem vida em meu caminho.
Obrigado... Eu vivia tão sozinho...
Que infinita alegria, e que contraste!
Volta a antiga embriaguez porque voltaste
e é doce o amor, porque é mais velho o vinho!
Voltaste... E dou-te logo este poema
simples e humilde repetindo um tema
da alma humana esgotada e envelhecida...
Mil poetas outras voltas celebraram,
mas, que importa? – se tantas já voltaram
só tu voltaste para a minha vida...
Leia o texto para responder à próxima questão.
A beleza da simplicidade. (Isaías Costa).

https://www.google.com.br/search?q
Eu li um pequeno texto de autoria desconhecida e fiquei refletindo a respeito da simplicidade, algo que está sendo cada vez mais posto de lado no mundo de hoje, um mundo consumista, que coloca a felicidade nas coisas e na conta bancária, mas será que a felicidade está nisso? Eu vejo que nós buscamos tanta coisa que não é essencial, mas supérflua, nem nos damos conta que aquilo poderia não ser buscado e a nossa vida ainda assim continuaria a mesma, ou até melhor. Acho que devemos parar para refletir. O que é realmente essencial na minha vida? Será que eu realmente preciso do produto x para ser mais feliz? Será que eu não estou me sacrificando por algo que não vai me satisfazer de verdade? Será que eu não estou deixando de valorizar as pequenas coisas da vida em detrimento do meu trabalho? Pense sobre isso… Eis então o texto.
“O simples é aquele que não simula ser o que não é, que não dá demasiada importância a sua imagem, ao que os outros dizem ou pensam dele.
A pessoa simples não calcula os resultados de cada gesto, não tem artimanhas e nem segundas intenções. Ela experimenta a alegria de ser, apenas. Não se trata de levar uma vida inconsciente, mas de reencontrar a própria infância. Mas uma infância como virtude, não como estágio da vida. Uma infância que não se angustia com as dúvidas de quem ainda tem tudo por fazer e conhecer. A simplicidade não ignora, apenas aprendeu a valorizar o essencial.”
A ideia central desse texto é sobre o ESSENCIAL. Acho que todos devem conhecer a frase mais famosa do livro O pequeno príncipe, que diz: “O essencial é invisível aos olhos”. Linda frase, mas que a maior parte das pessoas não põe em prática na vida. Por que o essencial é invisível aos olhos? Porque o essencial são os relacionamentos interpessoais, o amor pelos pais, pelos irmãos, pela família, pelo marido, pela esposa, pelos filhos. O essencial é aquele aconchego de uma bela casa, aquela caminha macia que você se deita todas as noites para dormir, aquele café da manhã com cheirinho de orvalho, aquele sorriso no rosto da pessoa amada etc. Isso é o essencial, que faz a nossa vida ter sentido e alegria. Os que ficam achando que o essencial é aquele belo carro importado, ou aquele casarão de frente pro mar, ou aquele restaurante chique que se paga até para espirrar, ou aquele computador, iphone, smartphone e o diabo a quatro de parafernálias eletrônicas que se vendem por aí, vão ficar velhos gagás e vão continuar infelizes, buscando a felicidade em lugares e coisas que nunca vão achar. Portanto, amigos, vamos colocar essa linda frase do pequeno príncipe na nossa vida e deixar de ficar apenas no discurso bonito, apenas ficar repetindo essa frase por aí não quer dizer muita coisa. É a vida que diz o que é essencial ou não.

Leia o texto para responder à próxima questão.
A beleza da simplicidade. (Isaías Costa).

https://www.google.com.br/search?q
Eu li um pequeno texto de autoria desconhecida e fiquei refletindo a respeito da simplicidade, algo que está sendo cada vez mais posto de lado no mundo de hoje, um mundo consumista, que coloca a felicidade nas coisas e na conta bancária, mas será que a felicidade está nisso? Eu vejo que nós buscamos tanta coisa que não é essencial, mas supérflua, nem nos damos conta que aquilo poderia não ser buscado e a nossa vida ainda assim continuaria a mesma, ou até melhor. Acho que devemos parar para refletir. O que é realmente essencial na minha vida? Será que eu realmente preciso do produto x para ser mais feliz? Será que eu não estou me sacrificando por algo que não vai me satisfazer de verdade? Será que eu não estou deixando de valorizar as pequenas coisas da vida em detrimento do meu trabalho? Pense sobre isso… Eis então o texto.
“O simples é aquele que não simula ser o que não é, que não dá demasiada importância a sua imagem, ao que os outros dizem ou pensam dele.
A pessoa simples não calcula os resultados de cada gesto, não tem artimanhas e nem segundas intenções. Ela experimenta a alegria de ser, apenas. Não se trata de levar uma vida inconsciente, mas de reencontrar a própria infância. Mas uma infância como virtude, não como estágio da vida. Uma infância que não se angustia com as dúvidas de quem ainda tem tudo por fazer e conhecer. A simplicidade não ignora, apenas aprendeu a valorizar o essencial.”
A ideia central desse texto é sobre o ESSENCIAL. Acho que todos devem conhecer a frase mais famosa do livro O pequeno príncipe, que diz: “O essencial é invisível aos olhos”. Linda frase, mas que a maior parte das pessoas não põe em prática na vida. Por que o essencial é invisível aos olhos? Porque o essencial são os relacionamentos interpessoais, o amor pelos pais, pelos irmãos, pela família, pelo marido, pela esposa, pelos filhos. O essencial é aquele aconchego de uma bela casa, aquela caminha macia que você se deita todas as noites para dormir, aquele café da manhã com cheirinho de orvalho, aquele sorriso no rosto da pessoa amada etc. Isso é o essencial, que faz a nossa vida ter sentido e alegria. Os que ficam achando que o essencial é aquele belo carro importado, ou aquele casarão de frente pro mar, ou aquele restaurante chique que se paga até para espirrar, ou aquele computador, iphone, smartphone e o diabo a quatro de parafernálias eletrônicas que se vendem por aí, vão ficar velhos gagás e vão continuar infelizes, buscando a felicidade em lugares e coisas que nunca vão achar. Portanto, amigos, vamos colocar essa linda frase do pequeno príncipe na nossa vida e deixar de ficar apenas no discurso bonito, apenas ficar repetindo essa frase por aí não quer dizer muita coisa. É a vida que diz o que é essencial ou não.

Texto CB1A1
Podemos atribuir a origem do dinheiro às transações que eram feitas há milhares de anos com cereais, gramas de prata, objetos de argila, conchas do mar ou grãos de cacau, até serem criadas as moedas metálicas cunhadas oficialmente pelos reis do antigo Iraque. Mas quando as cédulas de papel apareceram oficialmente?
Durante muito tempo, a unidade monetária básica na China foram as moedas de cobre ou bronze com um orifício quadrado no centro, que permitia pendurá-las em um fio para formar uma corrente.
No entanto, à medida que as viagens e o comércio se expandiam, também aumentava a demanda por moedas para realizar transações. Houve uma época em que o cobre se tornou escasso, e os governantes perceberam que era essencial manter o controle das divisas.
Como não queriam que suas valiosas moedas escapassem para terras estrangeiras, eles estabeleceram uma regra: apenas moedas feitas de ferro poderiam ser usadas, só que as moedas de ferro eram tão pesadas que nem as mulas nem as carroças com bois resistiam a tanta carga quando era preciso fazer grandes transações. Imagine que, por um punhado de prata, dessem a você um saco gigante de moedas de ferro, do tamanho do corpo de uma pessoa.
Teriam sido os comerciantes as pessoas que começaram a experimentar instrumentos financeiros de papel para evitar o transporte de grandes quantidades de moedas. Foi durante a dinastia Song, por volta do ano 1.000 da nossa era, na província chinesa de Sichuan, que o império emitiu oficialmente o primeiro papel-moeda do mundo, o jiaozi, feito a partir da casca da amoreira.
Desde então, os comerciantes deixaram de usar suas próprias notas promissórias, e os governantes assumiram o controle do sistema, tornando o jiaozi uma nota oficial.
Internet: <www.bbc.com> (com adaptações).
Texto CB1A1
Podemos atribuir a origem do dinheiro às transações que eram feitas há milhares de anos com cereais, gramas de prata, objetos de argila, conchas do mar ou grãos de cacau, até serem criadas as moedas metálicas cunhadas oficialmente pelos reis do antigo Iraque. Mas quando as cédulas de papel apareceram oficialmente?
Durante muito tempo, a unidade monetária básica na China foram as moedas de cobre ou bronze com um orifício quadrado no centro, que permitia pendurá-las em um fio para formar uma corrente.
No entanto, à medida que as viagens e o comércio se expandiam, também aumentava a demanda por moedas para realizar transações. Houve uma época em que o cobre se tornou escasso, e os governantes perceberam que era essencial manter o controle das divisas.
Como não queriam que suas valiosas moedas escapassem para terras estrangeiras, eles estabeleceram uma regra: apenas moedas feitas de ferro poderiam ser usadas, só que as moedas de ferro eram tão pesadas que nem as mulas nem as carroças com bois resistiam a tanta carga quando era preciso fazer grandes transações. Imagine que, por um punhado de prata, dessem a você um saco gigante de moedas de ferro, do tamanho do corpo de uma pessoa.
Teriam sido os comerciantes as pessoas que começaram a experimentar instrumentos financeiros de papel para evitar o transporte de grandes quantidades de moedas. Foi durante a dinastia Song, por volta do ano 1.000 da nossa era, na província chinesa de Sichuan, que o império emitiu oficialmente o primeiro papel-moeda do mundo, o jiaozi, feito a partir da casca da amoreira.
Desde então, os comerciantes deixaram de usar suas próprias notas promissórias, e os governantes assumiram o controle do sistema, tornando o jiaozi uma nota oficial.
Internet: <www.bbc.com> (com adaptações).
Texto CB1A1
Podemos atribuir a origem do dinheiro às transações que eram feitas há milhares de anos com cereais, gramas de prata, objetos de argila, conchas do mar ou grãos de cacau, até serem criadas as moedas metálicas cunhadas oficialmente pelos reis do antigo Iraque. Mas quando as cédulas de papel apareceram oficialmente?
Durante muito tempo, a unidade monetária básica na China foram as moedas de cobre ou bronze com um orifício quadrado no centro, que permitia pendurá-las em um fio para formar uma corrente.
No entanto, à medida que as viagens e o comércio se expandiam, também aumentava a demanda por moedas para realizar transações. Houve uma época em que o cobre se tornou escasso, e os governantes perceberam que era essencial manter o controle das divisas.
Como não queriam que suas valiosas moedas escapassem para terras estrangeiras, eles estabeleceram uma regra: apenas moedas feitas de ferro poderiam ser usadas, só que as moedas de ferro eram tão pesadas que nem as mulas nem as carroças com bois resistiam a tanta carga quando era preciso fazer grandes transações. Imagine que, por um punhado de prata, dessem a você um saco gigante de moedas de ferro, do tamanho do corpo de uma pessoa.
Teriam sido os comerciantes as pessoas que começaram a experimentar instrumentos financeiros de papel para evitar o transporte de grandes quantidades de moedas. Foi durante a dinastia Song, por volta do ano 1.000 da nossa era, na província chinesa de Sichuan, que o império emitiu oficialmente o primeiro papel-moeda do mundo, o jiaozi, feito a partir da casca da amoreira.
Desde então, os comerciantes deixaram de usar suas próprias notas promissórias, e os governantes assumiram o controle do sistema, tornando o jiaozi uma nota oficial.
Internet: <www.bbc.com> (com adaptações).
Texto CB1A1
Podemos atribuir a origem do dinheiro às transações que eram feitas há milhares de anos com cereais, gramas de prata, objetos de argila, conchas do mar ou grãos de cacau, até serem criadas as moedas metálicas cunhadas oficialmente pelos reis do antigo Iraque. Mas quando as cédulas de papel apareceram oficialmente?
Durante muito tempo, a unidade monetária básica na China foram as moedas de cobre ou bronze com um orifício quadrado no centro, que permitia pendurá-las em um fio para formar uma corrente.
No entanto, à medida que as viagens e o comércio se expandiam, também aumentava a demanda por moedas para realizar transações. Houve uma época em que o cobre se tornou escasso, e os governantes perceberam que era essencial manter o controle das divisas.
Como não queriam que suas valiosas moedas escapassem para terras estrangeiras, eles estabeleceram uma regra: apenas moedas feitas de ferro poderiam ser usadas, só que as moedas de ferro eram tão pesadas que nem as mulas nem as carroças com bois resistiam a tanta carga quando era preciso fazer grandes transações. Imagine que, por um punhado de prata, dessem a você um saco gigante de moedas de ferro, do tamanho do corpo de uma pessoa.
Teriam sido os comerciantes as pessoas que começaram a experimentar instrumentos financeiros de papel para evitar o transporte de grandes quantidades de moedas. Foi durante a dinastia Song, por volta do ano 1.000 da nossa era, na província chinesa de Sichuan, que o império emitiu oficialmente o primeiro papel-moeda do mundo, o jiaozi, feito a partir da casca da amoreira.
Desde então, os comerciantes deixaram de usar suas próprias notas promissórias, e os governantes assumiram o controle do sistema, tornando o jiaozi uma nota oficial.
Internet: <www.bbc.com> (com adaptações).
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
Considerando a descrição realizada no 4º parágrafo do Texto III, bem como o trecho reproduzido na sequência, que finaliza o texto, deduz-se que:
“Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos”.
I- O texto traz uma crítica à personagem, dada a ingenuidade de pensar em milagre, pois estes não existem.
II- No momento de desespero, movida pela fé, a personagem faz um apelo e é atendida; e, atribuindo o estado de calmaria a uma concessão divina, agradece à Nossa Senhora.
III- Há um aviso às pessoas que não acreditam em milagres de que podem vir a ser punidas e morrerem, caso se exponham a situações de perigo, como a descrita no texto.
IV- Faz-se um alerta sobre a exposição à violência e, indiretamente, à falta de ações para proteger a sociedade, a ponto de as pessoas terem como alento a fé.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
A narrativa do Texto III se inicia fazendo menção a um anúncio que causa surpresa ao narrador. Trata-se do anúncio 29766.
Analise as proposições abaixo, acerca das possíveis razões do estranhamento.
I- A ausência de assinatura do remetente, que é uma exigência do gênero, para que o destinatário/interlocutor retorne o contato.
II- A vagueza do texto, que não esclarece o motivo do agradecimento, tornando a informação confusa para o leitor.
III- O destinatário da mensagem de agradecimento. A atitude de referir-se à Nossa Senhora denuncia a omissão dos órgãos responsáveis pela segurança e bem-estar dos moradores, a quem os moradores pediriam medidas protetivas.
IV- O teor conteudístico do texto, pois o evento comunicativo relatado não se adequa ao suporte de circulação em que o anuncio é exibido.
As razões do estranhamento estão indicadas CORRETAMENTE apenas em: