Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3678355 Português
Ela

(Machado de Assis.)

Seus olhos que brilham tanto,
Que prendem tão doce encanto,
Que prendem um casto amor
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza
Com meiguice e com primor.
Suas faces purpurinas
De rubras cores divinas
De mago brilho e condão;
Meigas faces que harmonia
Inspira em doce poesia
Ao meu terno coração!
Sua boca meiga e breve,
Onde um sorriso de leve
Com doçura se desliza,
Ornando purpúrea cor,
Celestes lábios de amor
Que com neve se harmoniza.
Com sua boca mimosa
Solta voz harmoniosa
Que inspira ardente paixão,
Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um -sim
P’ra alívio do coração!
Vem, ó anjo de candura,
Fazer a dita, a ventura
De minh’alma, sem vigor;
Donzela, vem dar-lhe alento,
“Dá-lhe um suspiro de amor!” 
A temática do poema gira em torno da exaltação da figura feminina. Qual estratégia o poeta utiliza para tornar o amor idealizado e etéreo?
Alternativas
Q3678354 Português
Ela

(Machado de Assis.)

Seus olhos que brilham tanto,
Que prendem tão doce encanto,
Que prendem um casto amor
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza
Com meiguice e com primor.
Suas faces purpurinas
De rubras cores divinas
De mago brilho e condão;
Meigas faces que harmonia
Inspira em doce poesia
Ao meu terno coração!
Sua boca meiga e breve,
Onde um sorriso de leve
Com doçura se desliza,
Ornando purpúrea cor,
Celestes lábios de amor
Que com neve se harmoniza.
Com sua boca mimosa
Solta voz harmoniosa
Que inspira ardente paixão,
Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um -sim
P’ra alívio do coração!
Vem, ó anjo de candura,
Fazer a dita, a ventura
De minh’alma, sem vigor;
Donzela, vem dar-lhe alento,
“Dá-lhe um suspiro de amor!” 
Observa-se no poema o uso frequente de hipérbatos e inversões sintáticas, alterando a ordem usual das palavras. A principal função desse recurso no texto é:
Alternativas
Q3678252 Português
As três experiências

(Autor desconhecido.)

        Um menino pobre encontrou um pedaço de espelho no chão e ficou encantado com o brinquedo. Era o primeiro espelho que via. Brincou de mostrar o céu, as nuvens, o sol e as árvores aos amigos, e todos riram muito.   

        Depois, brincando sozinho, ele resolveu mostrar o próprio rosto no espelho. Levou um susto. Viu aquele menino pobre, sujo, de cabelos desgrenhados, e ficou muito sério. Era ele mesmo.
    
        Correu para casa, chamou a mãe e mostrou o espelho. A mulher, cansada e triste, olhou o rosto, deu um sorriso breve e disse: “É, parece comigo”.
   
        O menino guardou o espelho num canto, com certo respeito, e de vez em quando o tirava para ver as coisas e as pessoas. O tempo passou, e o espelho foi esquecido.
   
        Muitos anos depois, o homem — já adulto — encontrou por acaso aquele mesmo pedaço de espelho. Estava velho e opaco. Limpou-o um pouco, olhou, e viu de novo seu rosto, agora cansado e marcado pelos anos.
   
        Pensou na infância, na mãe, nos amigos, e ficou olhando o espelho, em silêncio.
   
        Então entendeu que aquele pequeno objeto lhe mostrara, três vezes na vida, três rostos diferentes — o da infância, o da juventude e o da maturidade — e em todos eles havia o mesmo olhar, o mesmo espanto diante da vida.
    
        Guardou o espelho outra vez, com o cuidado de quem guarda uma lembrança. 
No trecho da crônica, lê-se: “Quando sinto saudades daquela cidade, abro a janela e deixo o vento do mar entrar.” Nesse contexto, a oração “Quando sinto saudades daquela cidade” expressa uma relação semântica de tempo com a ação principal “abro a janela e deixo o vento do mar entrar”. Essa relação é estabelecida por meio de uma conjunção que indica condição temporal de ocorrência da ação. Assinale a alternativa em que a reescrita preserva a correção sintática, a coerência semântica e o mesmo valor temporal da oração destacada
Alternativas
Q3678243 Português
As três experiências

(Autor desconhecido.)

        Um menino pobre encontrou um pedaço de espelho no chão e ficou encantado com o brinquedo. Era o primeiro espelho que via. Brincou de mostrar o céu, as nuvens, o sol e as árvores aos amigos, e todos riram muito.   

        Depois, brincando sozinho, ele resolveu mostrar o próprio rosto no espelho. Levou um susto. Viu aquele menino pobre, sujo, de cabelos desgrenhados, e ficou muito sério. Era ele mesmo.
    
        Correu para casa, chamou a mãe e mostrou o espelho. A mulher, cansada e triste, olhou o rosto, deu um sorriso breve e disse: “É, parece comigo”.
   
        O menino guardou o espelho num canto, com certo respeito, e de vez em quando o tirava para ver as coisas e as pessoas. O tempo passou, e o espelho foi esquecido.
   
        Muitos anos depois, o homem — já adulto — encontrou por acaso aquele mesmo pedaço de espelho. Estava velho e opaco. Limpou-o um pouco, olhou, e viu de novo seu rosto, agora cansado e marcado pelos anos.
   
        Pensou na infância, na mãe, nos amigos, e ficou olhando o espelho, em silêncio.
   
        Então entendeu que aquele pequeno objeto lhe mostrara, três vezes na vida, três rostos diferentes — o da infância, o da juventude e o da maturidade — e em todos eles havia o mesmo olhar, o mesmo espanto diante da vida.
    
        Guardou o espelho outra vez, com o cuidado de quem guarda uma lembrança. 
O espelho, elemento central da crônica, adquire um valor simbólico que ultrapassa sua função literal. Considerando o texto, o espelho pode ser interpretado como:
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Q3677513 Português
Assinalar a alternativa em que a frase se encontra no sentido denotativo:
Alternativas
Q3677505 Português
Outro de elevador

    "Ascende" dizia o ascensorista. Depois: "Eleva-se". "Para cima". "Para o alto". "Escalando". Quando perguntavam "Sobe ou desce?" respondia "A primeira alternativa". Depois dizia "Descende", "Ruma para baixo", "Cai controladamente", "A segunda alternativa"... "Gosto de improvisar", justificava-se. Mas como toda arte tende para o excesso, chegou ao preciosismo. Quando perguntavam "Sobe?" respondia "É o que veremos..." ou então "Como a Virgem Maria". Desce? "Dei" Nem todo o mundo compreendia, mas alguns o instigavam. Quando comentavam que devia ser uma chatice trabalhar em elevador ele não respondia "tem seus altos e baixos", como esperavam, respondia, criticamente, que era melhor do que trabalhar em escada, ou que não se importava embora o seu sonho fosse, um dia, comandar alguma coisa que andasse para os lados... E quando ele perdeu o emprego porque substituíram o elevador antigo do prédio por um moderno, automático, daqueles que têm música ambiental, disse: "Era só me pedirem — eu também canto!"

Fonte: Luis Fernando Verissimo.
De acordo com o texto, o ascensorista perdeu o emprego porque:
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Q3677404 Português
Outro de elevador

     "Ascende" dizia o ascensorista. Depois: "Eleva-se". "Para cima". "Para o alto". "Escalando". Quando perguntavam "Sobe ou desce?" respondia "A primeira alternativa". Depois dizia "Descende", "Ruma para baixo", "Cai controladamente", "A segunda alternativa"... "Gosto de improvisar", justificava-se. Mas como toda arte tende para o excesso, chegou ao preciosismo. Quando perguntavam "Sobe?" respondia "É o que veremos..." ou então "Como a Virgem Maria". Desce? "Dei" Nem todo o mundo compreendia, mas alguns o instigavam. Quando comentavam que devia ser uma chatice trabalhar em elevador ele não respondia "tem seus altos e baixos", como esperavam, respondia, criticamente, que era melhor do que trabalhar em escada, ou que não se importava embora o seu sonho fosse, um dia, comandar alguma coisa que andasse para os lados... E quando ele perdeu o emprego porque substituíram o elevador antigo do prédio por um moderno, automático, daqueles que têm música ambiental, disse: "Era só me pedirem — eu também canto!"

Fonte: Luis Fernando Verissimo.
No trecho “Nem todo o mundo compreendia, mas alguns o instigavam”, o termo sublinhado refere-se:
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Q3677356 Português
O poeta Paulo Leminski, habitualmente, é visualizado como um representante da tendência contemporânea da poesia marginal. No entanto, além de se filiar a essa estética, Leminski transitou por outros movimentos como a poesia concreta e o tropicalismo. Esse último movimento firmou uma forte relação do artista curitibano com a música popular brasileira. Em decorrência disso, Leminski compôs diversas canções que hoje fazem parte do repertório de artistas conhecidos da MPB. Na música, um dos principais parceiros de Leminski foi o compositor Moraes Moreira. Juntos, eles compuseram a canção Pernambuco “meu”, lançada no álbum de Moraes Moreira Coisa acesa, de 1982, e reproduzida a seguir. 



Pernambuco “meu” 

(Paulo Leminski)


Um frevo em ré
Pra deixar você fora de si
Não tem
Frevo de fé
Como lá, feito lá em Recife
Ninguém
Cidade velha e bonita
Assim já nem há
Já tá pra lá
Bem pra lá de maduro
O araçá
O que é que há meu bem
O que haverá não sei
Essa é a lei
Virá, virá 


Repouso em ré
Nessa pauta e por falta
De assunto escrevo 
Oh, minha Dora me adora
Dorinha, rainha do frevo
Um frevo em fá 
Bem falado pra ser
Chamuscado ao Sol
Não tenha dó 
Natural sustenido ou bemol
Não tenha dó de mim 
Vai ser pior assim
Não tenha dó de mim 
Vai ser pior assim
Não tenha dó
Vai ser pior
Pernambuco, eu te quero
Não me deixe maluco
Pernambuco, eu espero 
Que eu nunca fique caduco


     Disponível em: https://open.spotify.com/intlpt/track/6704THmXZvRbxVI8u3K1o1?si=c417125d8e0a430a. Acesso em: 20 ago. 2025.  

Na letra da canção Pernambuco “meu”, observa-se que  
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Q3677353 Português

Considere o poema reproduzido a seguir.



DESCREVE O QUE ERA REALMENTE NAQUELLE TEMPO A CIDADE DA BAHIA DE MAIS ENREDADA POR MENOS CONFUSA. 



(Gregório de Matos) 



A cada canto um grande conselheiro,

Que nos quer governar a cabana, e vinha,

Não sabem governar sua cozinha,

E podem governar o mundo inteiro. 


Em cada porta um frequentado olheiro,

Que a vida do vizinho, e da vizinha

Pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,

Para a levar à Praça, e ao Terreiro.  


Muitos Mulatos desavergonhados,

Trazidos pelos pés os homens nobres,

Posta nas palmas toda a picardia.  


Estupendas usuras nos mercados,

Todos, os que não furtam, muito pobres,

E eis aqui a cidade da Bahia. 



     MATOS, Gregório de. Crônica do viver baiano seiscentistaobra poética completa (volume 1). Organização: James Amado. 4. ed., 

Rio de Janeiro: Record, 1999. (p. 33). 

Nesse poema, entre os aspectos da sociedade baiana do século XVII satirizados por Gregório de Matos,  
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Q3677350 Português
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.  

A raposa e as uvas

Uma contrafábula


(Jô Soares)

    Passava certo dia uma raposa perto de uma videira. Apesar de normalmente nunca se alimentar de uvas, pois se trata de um animal carnívoro e não vegetariano, sua atenção foi chamada pela beleza dos cachos que reluziam ao sol. Fenômeno estranhíssimo, uma vez que, geralmente, toda fruta cultivada é revestida por uma fina camada protetora de inseticida e dificilmente pode refletir a luz solar com tal intensidade. 

    Sendo curiosa e matreira, como toda raposa matreira e curiosa, aproximou-se para melhor observar a videira. Os cachos estavam colocados muito acima de sua cabeça, e o animal (sem insulto) não teve oportunidade de prová-los, mas, sendo grande conhecedor de frutas, bastou-lhe um olhar para perceber que as uvas não estavam maduras.

    — Estão verdes — disse a raposa, deixando estupefatos dois coelhos que estavam ali perto e que nunca tinham visto uma raposa falar. Seu comentário foi ainda mais espantoso, uma vez que as uvas não eram do tipo moscatel e sim pequenininhas e pretas, podendo facilmente ser confundidas, à primeira vista, com jabuticabas. Note-se por este pequeno detalhe o profundo conhecimento que a raposa tinha de uvas, ao afirmar com convicção que apesar de pretas, elas eram verdes. Dito isto, afastou-se daquele local. 

    Horas depois, passa em frente à mesma videira outra Canis vulpes (nome mais sofisticado do mesmo bicho), mais alta do que a primeira. Sua cabeça alcança os cachos e ela os devora avidamente. No dia seguinte ao frutífero festim, o pobre bicho acorda com lancinantes dores estomacais. Seu veterinário, chamado imediatamente, diagnostica uma intoxicação provocada por farta ingestão de uvas verdes. 

    MORAL: Nem todas as raposas são despeitadas.


SOARES. Jô. O astronauta sem regime. São Paulo: Círculo do Livro, 2013. 
Em relação ao título do texto, é correto afirmar: 
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Q3677347 Português
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.  

A raposa e as uvas

Uma contrafábula


(Jô Soares)

    Passava certo dia uma raposa perto de uma videira. Apesar de normalmente nunca se alimentar de uvas, pois se trata de um animal carnívoro e não vegetariano, sua atenção foi chamada pela beleza dos cachos que reluziam ao sol. Fenômeno estranhíssimo, uma vez que, geralmente, toda fruta cultivada é revestida por uma fina camada protetora de inseticida e dificilmente pode refletir a luz solar com tal intensidade. 

    Sendo curiosa e matreira, como toda raposa matreira e curiosa, aproximou-se para melhor observar a videira. Os cachos estavam colocados muito acima de sua cabeça, e o animal (sem insulto) não teve oportunidade de prová-los, mas, sendo grande conhecedor de frutas, bastou-lhe um olhar para perceber que as uvas não estavam maduras.

    — Estão verdes — disse a raposa, deixando estupefatos dois coelhos que estavam ali perto e que nunca tinham visto uma raposa falar. Seu comentário foi ainda mais espantoso, uma vez que as uvas não eram do tipo moscatel e sim pequenininhas e pretas, podendo facilmente ser confundidas, à primeira vista, com jabuticabas. Note-se por este pequeno detalhe o profundo conhecimento que a raposa tinha de uvas, ao afirmar com convicção que apesar de pretas, elas eram verdes. Dito isto, afastou-se daquele local. 

    Horas depois, passa em frente à mesma videira outra Canis vulpes (nome mais sofisticado do mesmo bicho), mais alta do que a primeira. Sua cabeça alcança os cachos e ela os devora avidamente. No dia seguinte ao frutífero festim, o pobre bicho acorda com lancinantes dores estomacais. Seu veterinário, chamado imediatamente, diagnostica uma intoxicação provocada por farta ingestão de uvas verdes. 

    MORAL: Nem todas as raposas são despeitadas.


SOARES. Jô. O astronauta sem regime. São Paulo: Círculo do Livro, 2013. 
Para o leitor depreender a crítica do texto de Jô Soares, é condição imprescindível 
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Q3677346 Português
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.  

A raposa e as uvas

Uma contrafábula


(Jô Soares)

    Passava certo dia uma raposa perto de uma videira. Apesar de normalmente nunca se alimentar de uvas, pois se trata de um animal carnívoro e não vegetariano, sua atenção foi chamada pela beleza dos cachos que reluziam ao sol. Fenômeno estranhíssimo, uma vez que, geralmente, toda fruta cultivada é revestida por uma fina camada protetora de inseticida e dificilmente pode refletir a luz solar com tal intensidade. 

    Sendo curiosa e matreira, como toda raposa matreira e curiosa, aproximou-se para melhor observar a videira. Os cachos estavam colocados muito acima de sua cabeça, e o animal (sem insulto) não teve oportunidade de prová-los, mas, sendo grande conhecedor de frutas, bastou-lhe um olhar para perceber que as uvas não estavam maduras.

    — Estão verdes — disse a raposa, deixando estupefatos dois coelhos que estavam ali perto e que nunca tinham visto uma raposa falar. Seu comentário foi ainda mais espantoso, uma vez que as uvas não eram do tipo moscatel e sim pequenininhas e pretas, podendo facilmente ser confundidas, à primeira vista, com jabuticabas. Note-se por este pequeno detalhe o profundo conhecimento que a raposa tinha de uvas, ao afirmar com convicção que apesar de pretas, elas eram verdes. Dito isto, afastou-se daquele local. 

    Horas depois, passa em frente à mesma videira outra Canis vulpes (nome mais sofisticado do mesmo bicho), mais alta do que a primeira. Sua cabeça alcança os cachos e ela os devora avidamente. No dia seguinte ao frutífero festim, o pobre bicho acorda com lancinantes dores estomacais. Seu veterinário, chamado imediatamente, diagnostica uma intoxicação provocada por farta ingestão de uvas verdes. 

    MORAL: Nem todas as raposas são despeitadas.


SOARES. Jô. O astronauta sem regime. São Paulo: Círculo do Livro, 2013. 
Considerando as sequências textuais presentes no texto,
Alternativas
Q3677345 Português
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.  

A raposa e as uvas

Uma contrafábula


(Jô Soares)

    Passava certo dia uma raposa perto de uma videira. Apesar de normalmente nunca se alimentar de uvas, pois se trata de um animal carnívoro e não vegetariano, sua atenção foi chamada pela beleza dos cachos que reluziam ao sol. Fenômeno estranhíssimo, uma vez que, geralmente, toda fruta cultivada é revestida por uma fina camada protetora de inseticida e dificilmente pode refletir a luz solar com tal intensidade. 

    Sendo curiosa e matreira, como toda raposa matreira e curiosa, aproximou-se para melhor observar a videira. Os cachos estavam colocados muito acima de sua cabeça, e o animal (sem insulto) não teve oportunidade de prová-los, mas, sendo grande conhecedor de frutas, bastou-lhe um olhar para perceber que as uvas não estavam maduras.

    — Estão verdes — disse a raposa, deixando estupefatos dois coelhos que estavam ali perto e que nunca tinham visto uma raposa falar. Seu comentário foi ainda mais espantoso, uma vez que as uvas não eram do tipo moscatel e sim pequenininhas e pretas, podendo facilmente ser confundidas, à primeira vista, com jabuticabas. Note-se por este pequeno detalhe o profundo conhecimento que a raposa tinha de uvas, ao afirmar com convicção que apesar de pretas, elas eram verdes. Dito isto, afastou-se daquele local. 

    Horas depois, passa em frente à mesma videira outra Canis vulpes (nome mais sofisticado do mesmo bicho), mais alta do que a primeira. Sua cabeça alcança os cachos e ela os devora avidamente. No dia seguinte ao frutífero festim, o pobre bicho acorda com lancinantes dores estomacais. Seu veterinário, chamado imediatamente, diagnostica uma intoxicação provocada por farta ingestão de uvas verdes. 

    MORAL: Nem todas as raposas são despeitadas.


SOARES. Jô. O astronauta sem regime. São Paulo: Círculo do Livro, 2013. 
O referente textual “raposa” é objeto discursivo ao longo do texto. Quanto às anáforas que estabelecem a relação coesiva, 
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Q3677343 Português
 A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.

A raposa e as uvas

(Reginaldo Rossi)


Lembro com muita saudade daquele bailinho
quando a gente dançava bem agarradinho
Onde a gente ia mesmo é pra se abraçar
você com laquê no cabelo e um vestido rodado
E aquelas anáguas com tantos babados
e você se sentava só pra me mostrar 


E tudo o que a gente transava
eram três quatro cubas 
Eu era a raposa e você era as uvas
eu sempre querendo teu beijo roubar 
e por mais que você se esquivasse
Eu tinha certeza que no fim do baile
na minha lambreta aquele broto bonito
ia me abraçar


Quando a orquestra tocava "Besame mucho"
eu lhe apertava e olhava seu busto
Dentro do corpete querendo pular
Eu todo cheiroso a ''Lancaster" e você a "Chanel" 
Eu era menino mas fazia o papel
do homem terrível só pra lhe guardar


E tudo o que a gente transava
eram três quatro cubas 
Eu era a raposa e você era as uvas
eu sempre querendo teu beijo roubar
e por mais que você se esquivasse
Eu tinha certeza que no fim do baile  
na minha lambreta
Contente pra casa eu ia te levar 


E ao chegar em tua casa em frente ao portão
um beijo um abraço minha mão tua mão 
com medo que o velho pudesse acordar
A pílula já existia mas nem se falava
nos muitos conselhos que tua mãe te dava
Tinha um que dizia: "só depois de casar"


E tudo o que a gente transava
eram três quatro cubas 
Eu era a raposa e você era as uvas
eu sempre querendo teu beijo roubar
e por mais que você se esquivasse
Eu tinha certeza que no fim do baile
na minha lambreta aquele corpo bonito ia me abraçar


Disponível em: https://www.vagalume.com.br/reginaldo-rossi/a-raposa-e-as-uvas.html. Acesso em: 22 ago. 2025. 
Ao utilizar a composição de Reginaldo Rossi, em sala de aula, o professor deve enfatizar que 
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Q3677342 Português
 A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.

A raposa e as uvas

(Reginaldo Rossi)


Lembro com muita saudade daquele bailinho
quando a gente dançava bem agarradinho
Onde a gente ia mesmo é pra se abraçar
você com laquê no cabelo e um vestido rodado
E aquelas anáguas com tantos babados
e você se sentava só pra me mostrar 


E tudo o que a gente transava
eram três quatro cubas 
Eu era a raposa e você era as uvas
eu sempre querendo teu beijo roubar 
e por mais que você se esquivasse
Eu tinha certeza que no fim do baile
na minha lambreta aquele broto bonito
ia me abraçar


Quando a orquestra tocava "Besame mucho"
eu lhe apertava e olhava seu busto
Dentro do corpete querendo pular
Eu todo cheiroso a ''Lancaster" e você a "Chanel" 
Eu era menino mas fazia o papel
do homem terrível só pra lhe guardar


E tudo o que a gente transava
eram três quatro cubas 
Eu era a raposa e você era as uvas
eu sempre querendo teu beijo roubar
e por mais que você se esquivasse
Eu tinha certeza que no fim do baile  
na minha lambreta
Contente pra casa eu ia te levar 


E ao chegar em tua casa em frente ao portão
um beijo um abraço minha mão tua mão 
com medo que o velho pudesse acordar
A pílula já existia mas nem se falava
nos muitos conselhos que tua mãe te dava
Tinha um que dizia: "só depois de casar"


E tudo o que a gente transava
eram três quatro cubas 
Eu era a raposa e você era as uvas
eu sempre querendo teu beijo roubar
e por mais que você se esquivasse
Eu tinha certeza que no fim do baile
na minha lambreta aquele corpo bonito ia me abraçar


Disponível em: https://www.vagalume.com.br/reginaldo-rossi/a-raposa-e-as-uvas.html. Acesso em: 22 ago. 2025. 
Considerando o processo de construção de sentidos, o texto, por meio da imitação por
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Q3677335 Português
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir. 


Linguagem e educação linguística

Evanildo Bechara


    O título educação linguística não é novo nem cedo conseguiu impor-se tal como hoje se procura entender. Começou por merecer certa preocupação entre os linguistas, passando depois a ser considerado, entre pedagogos e professores, um domínio puramente técnico-didático. Hoje constitui um promissor campo de pesquisa e de resultados para a linguística e a educação, pondo claro, como bem disse o professor italiano Raffaele Simone, que a linguagem não é apenas uma “matéria” escolar entre as outras, mas um dos fatores decisivos ao desenvolvimento integral do indivíduo e, seguramente, do cidadão.

    Lá fora, os resultados desses estudos empreendidos por conhecidos representantes da pesquisa linguística e educacional já repercutiram nos programas e currículos das universidades e das escolas de ensino médio.  

    Entre nós, onde tem sido tênue o fluxo de influência científica dessas pesquisas, explodiu uma reação ao que se convencionou chamar pejorativamente “tradicionalismo”, e a mudança — que se fazia necessária em vários pontos — acabou por produzir resultados desastrosos. 

    É oportuno lembrar que, de todos os componentes dos currículos das escolas de ensino médio, foram os textos destinados ao ensino de língua portuguesa os que mais sofreram com a onda novidadeira, introduzindo, além da doutrina discutível, figuras e desenhos coloridos tão extemporâneos e desajustados, que aviltaram o tradicionalismo e insultaram a dignidade por que sempre se pautaram os textos escolares entre nós. A comparação entre um livro para ensino de língua portuguesa e outro para ensino da matemática, da história ou da geografia quase nos leva a retirar o primeiro da linha do que se costuma chamar compêndio didático, para incluí-lo no rol dos antigos e coloridos almanaques distribuídos ao início de cada ano, como os tornados célebres Almanaques do Capivarol, esquecido produto farmacêutico. Muito lucrariam os alunos se esses produtos de uma pretendida revolução educacional guardassem a dignidade e a soma de boas informações que caracterizaram o Almanaque Garnier, por exemplo. 

    Já que estamos fazendo uma crítica a certas inovações perturbadoras e pouco producentes que muitos compêndios, à luz de uma didática formal ou informal, pretenderam introduzir no ensino da língua portuguesa, na década de 1960, cabe um comentário acerca do privilegiamento da língua oral, espontânea, em relação à língua escrita. 

    Deveu-se o fenômeno, cremos nós, a duas ordens de fatores: uma de natureza linguística, outra de natureza política. As ciências da linguagem vieram patentear que as línguas históricas são fenômenos eminentemente orais, e que o código escrito outra coisa não é senão um equivalente visível do código oral, que, de falado ou ouvido, passa a ser escrito e lido. Assim sendo, a linguística norte-americana, especialmente ela, pôde desenvolver rígidos e precisos modelos de descrição de línguas indígenas que jamais conheceram, de modo sistemático, a transposição escrita do discurso falado. 

    Esta possibilidade de uma metodologia com rigor científico aplicado a línguas ágrafas parece que estimulou em muitos estudiosos bloomfieldianos certa desatenção ao código escrito, considerando-o até campo que extrapola a investigação linguística. Tal atitude chegou a provocar a crítica de Gleason, autor de um dos melhores manuais de linguística descritiva de orientação norte-americana. 

    Essa visão distorcida da realidade incentivou outro passo adiante dado por alguns linguistas, também, em geral, norte-americanos: a crítica à natureza normativa da gramática tradicional, com a defesa de que se deve deixar a língua livre de qualquer imposição. Um desses linguistas, Robert Hall, em 1950, chegou a intitular ou a aceitar esse título proposto pela editora a um livro seu de divulgação linguística: Leave your language alone (Deixe a sua língua em paz), título que foi alterado na segunda edição. 

    Portanto, vieram pela porta da própria linguística e se instalaram nas salas de aula de língua portuguesa esse privilegiamento do código oral em relação ao escrito e certa desatenção a normas estabelecidas pela tradição e conservadas ou recomendadas no uso do código escrito-padrão. 

    Por isso, assistiu-se entre nós, na década de 1960, a um insurgimento contra o ensino da gramática em sala de aula; em vez de dotá-la de recursos e medidas que a tornassem um instrumento operativo e de maior resistência às críticas que justamente lhe eram endereçadas desde há séculos, resolveram muitos professores e até sistemas estaduais de ensino aboli-la, sem que trouxessem, à sala de aula, nenhum outro sucedâneo que, apesar das falhas, pudesse sustentar-se pelo espaço curto de uma única geração. 

    A bem da verdade, cabe-nos dizer que já se assiste a uma reação a esse estado de coisas, e os livros didáticos mais recentes voltam a insistir no padrão culto da linguagem, quer nas recomendações da gramática normativa, quer através da inclusão e seleção de textos, literários ou não, a que refletem esse padrão. 

    Ainda insistindo nessa ordem de ideias, é interessante lembrar a indulgência e até certo elogio com que Ferdinand de Saussure comenta a tarefa da gramática tradicional, de inspiração grega. Logo na introdução do Cours de linguistique générale, ao referir-se à polissemia do termo gramática, diz que essa gramática tradicional está “fundada na lógica e desprovida de toda a visão científica e desinteressada da própria língua”, portanto o que se pretende é “unicamente dar regras para distinguir as formas corretas das incorretas; é uma disciplina normativa, muito distante da observação pura, o seu ponto de vista é necessariamente restrito”. 

    A outra ordem de fatores procede da política, ou para não desmerecer uma atividade nobre, de certas teses populistas e demagógicas, especialmente no que concerne à educação linguística de adultos, segundo as quais devem os “oprimidos” ficar com sua própria língua e não aceitar a da classe dominante.

    Ora, a educação linguística põe em relevo a necessidade de que deve ser respeitado o saber linguístico prévio de cada um, garantindo-lhe o curso da intercomunicação social, mas também não lhe furta o direito de ampliar, enriquecer e variar esse patrimônio inicial. As normas da classe dita “opressora” e “dominante” não serão nem melhores nem piores do que as usadas na língua coloquial. Como bem lembrou o professor Raffaele Simone, “enquanto a posição populista perpetua a segregação linguística das classes subalternas, a educação linguística deverá ajudar a sua libertação”. 

    A tese populista do ponto de vista democrático é tão falha quanto a tese que combate, pois ambas insistem num velho erro da antiga educação linguística, já que ambas são de natureza “monolíngue”, isto é, só privilegiam uma variedade do código verbal, ou da modalidade dita “culta” (da classe dita “dominante” ou “opressora”), ou a modalidade coloquial (da classe dita “oprimida”). 


In: Fato e dúvidas da linguagem. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021. 

     (texto publicado originalmente no jornal Mundo Português e na revista Na Ponta da Língua, em 15/04/1994). 

Além da voz do autor, outras vozes são trazidas para o texto, sob forma de citações. Essas citações ilustram um recurso de intertextualidade
Alternativas
Q3677334 Português
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir. 


Linguagem e educação linguística

Evanildo Bechara


    O título educação linguística não é novo nem cedo conseguiu impor-se tal como hoje se procura entender. Começou por merecer certa preocupação entre os linguistas, passando depois a ser considerado, entre pedagogos e professores, um domínio puramente técnico-didático. Hoje constitui um promissor campo de pesquisa e de resultados para a linguística e a educação, pondo claro, como bem disse o professor italiano Raffaele Simone, que a linguagem não é apenas uma “matéria” escolar entre as outras, mas um dos fatores decisivos ao desenvolvimento integral do indivíduo e, seguramente, do cidadão.

    Lá fora, os resultados desses estudos empreendidos por conhecidos representantes da pesquisa linguística e educacional já repercutiram nos programas e currículos das universidades e das escolas de ensino médio.  

    Entre nós, onde tem sido tênue o fluxo de influência científica dessas pesquisas, explodiu uma reação ao que se convencionou chamar pejorativamente “tradicionalismo”, e a mudança — que se fazia necessária em vários pontos — acabou por produzir resultados desastrosos. 

    É oportuno lembrar que, de todos os componentes dos currículos das escolas de ensino médio, foram os textos destinados ao ensino de língua portuguesa os que mais sofreram com a onda novidadeira, introduzindo, além da doutrina discutível, figuras e desenhos coloridos tão extemporâneos e desajustados, que aviltaram o tradicionalismo e insultaram a dignidade por que sempre se pautaram os textos escolares entre nós. A comparação entre um livro para ensino de língua portuguesa e outro para ensino da matemática, da história ou da geografia quase nos leva a retirar o primeiro da linha do que se costuma chamar compêndio didático, para incluí-lo no rol dos antigos e coloridos almanaques distribuídos ao início de cada ano, como os tornados célebres Almanaques do Capivarol, esquecido produto farmacêutico. Muito lucrariam os alunos se esses produtos de uma pretendida revolução educacional guardassem a dignidade e a soma de boas informações que caracterizaram o Almanaque Garnier, por exemplo. 

    Já que estamos fazendo uma crítica a certas inovações perturbadoras e pouco producentes que muitos compêndios, à luz de uma didática formal ou informal, pretenderam introduzir no ensino da língua portuguesa, na década de 1960, cabe um comentário acerca do privilegiamento da língua oral, espontânea, em relação à língua escrita. 

    Deveu-se o fenômeno, cremos nós, a duas ordens de fatores: uma de natureza linguística, outra de natureza política. As ciências da linguagem vieram patentear que as línguas históricas são fenômenos eminentemente orais, e que o código escrito outra coisa não é senão um equivalente visível do código oral, que, de falado ou ouvido, passa a ser escrito e lido. Assim sendo, a linguística norte-americana, especialmente ela, pôde desenvolver rígidos e precisos modelos de descrição de línguas indígenas que jamais conheceram, de modo sistemático, a transposição escrita do discurso falado. 

    Esta possibilidade de uma metodologia com rigor científico aplicado a línguas ágrafas parece que estimulou em muitos estudiosos bloomfieldianos certa desatenção ao código escrito, considerando-o até campo que extrapola a investigação linguística. Tal atitude chegou a provocar a crítica de Gleason, autor de um dos melhores manuais de linguística descritiva de orientação norte-americana. 

    Essa visão distorcida da realidade incentivou outro passo adiante dado por alguns linguistas, também, em geral, norte-americanos: a crítica à natureza normativa da gramática tradicional, com a defesa de que se deve deixar a língua livre de qualquer imposição. Um desses linguistas, Robert Hall, em 1950, chegou a intitular ou a aceitar esse título proposto pela editora a um livro seu de divulgação linguística: Leave your language alone (Deixe a sua língua em paz), título que foi alterado na segunda edição. 

    Portanto, vieram pela porta da própria linguística e se instalaram nas salas de aula de língua portuguesa esse privilegiamento do código oral em relação ao escrito e certa desatenção a normas estabelecidas pela tradição e conservadas ou recomendadas no uso do código escrito-padrão. 

    Por isso, assistiu-se entre nós, na década de 1960, a um insurgimento contra o ensino da gramática em sala de aula; em vez de dotá-la de recursos e medidas que a tornassem um instrumento operativo e de maior resistência às críticas que justamente lhe eram endereçadas desde há séculos, resolveram muitos professores e até sistemas estaduais de ensino aboli-la, sem que trouxessem, à sala de aula, nenhum outro sucedâneo que, apesar das falhas, pudesse sustentar-se pelo espaço curto de uma única geração. 

    A bem da verdade, cabe-nos dizer que já se assiste a uma reação a esse estado de coisas, e os livros didáticos mais recentes voltam a insistir no padrão culto da linguagem, quer nas recomendações da gramática normativa, quer através da inclusão e seleção de textos, literários ou não, a que refletem esse padrão. 

    Ainda insistindo nessa ordem de ideias, é interessante lembrar a indulgência e até certo elogio com que Ferdinand de Saussure comenta a tarefa da gramática tradicional, de inspiração grega. Logo na introdução do Cours de linguistique générale, ao referir-se à polissemia do termo gramática, diz que essa gramática tradicional está “fundada na lógica e desprovida de toda a visão científica e desinteressada da própria língua”, portanto o que se pretende é “unicamente dar regras para distinguir as formas corretas das incorretas; é uma disciplina normativa, muito distante da observação pura, o seu ponto de vista é necessariamente restrito”. 

    A outra ordem de fatores procede da política, ou para não desmerecer uma atividade nobre, de certas teses populistas e demagógicas, especialmente no que concerne à educação linguística de adultos, segundo as quais devem os “oprimidos” ficar com sua própria língua e não aceitar a da classe dominante.

    Ora, a educação linguística põe em relevo a necessidade de que deve ser respeitado o saber linguístico prévio de cada um, garantindo-lhe o curso da intercomunicação social, mas também não lhe furta o direito de ampliar, enriquecer e variar esse patrimônio inicial. As normas da classe dita “opressora” e “dominante” não serão nem melhores nem piores do que as usadas na língua coloquial. Como bem lembrou o professor Raffaele Simone, “enquanto a posição populista perpetua a segregação linguística das classes subalternas, a educação linguística deverá ajudar a sua libertação”. 

    A tese populista do ponto de vista democrático é tão falha quanto a tese que combate, pois ambas insistem num velho erro da antiga educação linguística, já que ambas são de natureza “monolíngue”, isto é, só privilegiam uma variedade do código verbal, ou da modalidade dita “culta” (da classe dita “dominante” ou “opressora”), ou a modalidade coloquial (da classe dita “oprimida”). 


In: Fato e dúvidas da linguagem. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2021. 

     (texto publicado originalmente no jornal Mundo Português e na revista Na Ponta da Língua, em 15/04/1994). 

O texto, de forma global, propõe-se a,
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Q3677198 Português
Networking Estratégico
Por Luanda Moraes 


(Disponível em: https://exame.com/carreira/guia-de-carreira/networking-estrategico-o-que-e-como-funcionae-como-aplicar-no-seu-negocio/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 

São trechos em que há o emprego de linguagem figurada no texto:


I. “O primeiro passo é mapear quem são as pessoas” (l. 20).

II. “As redes sociais também entram no jogo” (l. 22-23).

III. “Relacionamento profissional sólido não se constrói da noite para o dia” (l. 39-40).

IV. “mas que paga dividendos em oportunidades” (l. 40-41).


Quais estão corretos?

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Q3677196 Português
Networking Estratégico
Por Luanda Moraes 


(Disponível em: https://exame.com/carreira/guia-de-carreira/networking-estrategico-o-que-e-como-funcionae-como-aplicar-no-seu-negocio/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 
Assinale a alternativa que indica palavras que poderiam substituir, correta e respectivamente, os vocábulos “perspectiva” (l. 18), “partes” (l. 18) e “sólido” (l. 39) sem causar alterações significativas ao sentido dos trechos em que ocorrem. Desconsidere eventuais divergências de gênero e número.
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Q3677194 Português
Networking Estratégico
Por Luanda Moraes 


(Disponível em: https://exame.com/carreira/guia-de-carreira/networking-estrategico-o-que-e-como-funcionae-como-aplicar-no-seu-negocio/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Analise as assertivas a seguir a respeito do significado de algumas palavras e expressões do texto e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) Na linha 03, a expressão “muita gente trava” significa que muita gente para e não consegue seguir adiante.

( ) Na linha 08, “pode ser a chave” significa dizer que “pode ser o empecilho”.

( ) Na linha 12, a expressão “por acaso” tem o mesmo significado de “acidentalmente”.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Alternativas
Respostas
16481: C
16482: B
16483: B
16484: B
16485: A
16486: B
16487: C
16488: A
16489: A
16490: D
16491: E
16492: A
16493: B
16494: C
16495: B
16496: B
16497: C
16498: E
16499: C
16500: A