Um menino pobre encontrou um pedaço de espelho no
chão e ficou encantado com o brinquedo. Era o primeiro
espelho que via. Brincou de mostrar o céu, as nuvens, o sol e
as árvores aos amigos, e todos riram muito.
Depois, brincando sozinho, ele resolveu mostrar o
próprio rosto no espelho. Levou um susto. Viu aquele menino
pobre, sujo, de cabelos desgrenhados, e ficou muito sério. Era
ele mesmo.
Correu para casa, chamou a mãe e mostrou o espelho. A
mulher, cansada e triste, olhou o rosto, deu um sorriso breve
e disse: “É, parece comigo”.
O menino guardou o espelho num canto, com certo respeito, e de vez em quando o tirava para ver as coisas e as
pessoas. O tempo passou, e o espelho foi esquecido.
Muitos anos depois, o homem — já adulto — encontrou
por acaso aquele mesmo pedaço de espelho. Estava velho e
opaco. Limpou-o um pouco, olhou, e viu de novo seu rosto,
agora cansado e marcado pelos anos.
Pensou na infância, na mãe, nos amigos, e ficou olhando
o espelho, em silêncio.
Então entendeu que aquele pequeno objeto lhe mostrara, três vezes na vida, três rostos diferentes — o da infância,
o da juventude e o da maturidade — e em todos eles havia o
mesmo olhar, o mesmo espanto diante da vida.
Guardou o espelho outra vez, com o cuidado de quem
guarda uma lembrança.
No trecho da crônica, lê-se: “Quando sinto saudades daquela
cidade, abro a janela e deixo o vento do mar entrar.” Nesse
contexto, a oração “Quando sinto saudades daquela cidade”
expressa uma relação semântica de tempo com a ação
principal “abro a janela e deixo o vento do mar entrar”. Essa
relação é estabelecida por meio de uma conjunção que indica
condição temporal de ocorrência da ação. Assinale a alternativa em que a reescrita preserva a correção sintática, a coerência semântica e o mesmo valor temporal da oração destacada
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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