Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
Foram encontradas 140.297 questões
• – Se a gente desse uma de pescador? (2o parágrafo)
• – Falou. (3o parágrafo)
• – Tem importância não. (6o parágrafo)
No contexto da narrativa, as frases expressam, correta e respectivamente, sentidos de
Tolerância humana a ondas de calor pode estar próxima ao limite

(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/tolerancia-humana-a-ondas-de-calor-pode-estar-proximaao-limite/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
I. Em “É justamente por funcionar como a transpiração humana que esse experimento é importante para determinar a nossa resistência ao calor” (l. 28-29), estabelece-se um efeito de comparação.
II. Em “alguém ficar perdido no deserto do Saara é apenas mais um dia comum, não é mesmo?” (l. 16-17), tem-se um efeito de sentido denominado ironia.
III. Em “Uma estimativa publicada na Nature falou em 60 mil mortes por calor no continente entre maio e setembro” (l. 04-05), é possível observar um argumento histórico, visto que o continente europeu é mencionado.
Quais estão corretas?
Tolerância humana a ondas de calor pode estar próxima ao limite

(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/tolerancia-humana-a-ondas-de-calor-pode-estar-proximaao-limite/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Tolerância humana a ondas de calor pode estar próxima ao limite

(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/tolerancia-humana-a-ondas-de-calor-pode-estar-proximaao-limite/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
( ) Na linha 08, o referente da expressão “as quatro” é “serras”, na linha 07.
( ) Na linha 23, a palavra “percurso” substitui “caminho” (l. 22), a fim de evitar a repetição de termos.
( ) Na linha 28, o pronome demonstrativo “isso” introduz o trecho subsequente: “sempre disposta ___ abraçar um pedaço do coração de cada cidade”.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
I. A autora elabora sua crônica em torno de uma noção abstrata e subjetiva de distância.
II. A fim de dar suporte à ideia que pretende desenvolver, a autora usa reminiscências da infância de um grande autor gaúcho.
III. A origem multiétnica da autora é algo que, para ela, possivelmente lhe faz capaz de adotar para si um pouco das localidades pelas quais passa.
Quais estão corretas?
Sobre os gêneros discursivos na perspectiva de Magda Soares (2004), analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. A apropriação dos gêneros discursivos permite articular, no processo de ensino, a aprendizagem do sistema de escrita e o desenvolvimento de práticas sociais de leitura e escrita.
II. Os gêneros discursivos são formas textuais invariáveis, com estruturas determinadas apenas por regras linguísticas formais.
III. Os gêneros discursivos atuam como ferramentas comunicativas de caráter essencialmente técnico e isento de influências sociais.
IV. A estrutura dos gêneros discursivos mantém-se uniforme e constante em todas as culturas e épocas históricas.

(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/cerebros-de-bebes-reconhecem-linguas-estrangeiras-queouviram-antes-do-nascimento/– texto adaptado especialmente para esta prova).
As palavras “constante” (l. 09), “contrastes” (l. 21) e “inequívoco” (l. 28) poderiam ser substituídas, respectivamente e sem alteração do sentido original do trecho em que ocorrem, por:

(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/cerebros-de-bebes-reconhecem-linguas-estrangeiras-queouviram-antes-do-nascimento/– texto adaptado especialmente para esta prova).
Com base no texto, analise as assertivas seguir:
I. A afirmação de que “o cérebro humano não é uma ‘tábula rasa’” (l. 09) não pode ser classificada como um fato empírico provado diretamente pelo experimento (como a ativação do lobo temporal esquerdo), mas sim como uma conclusão interpretativa que a equipe utiliza como principal recurso argumentativo para explicar o significado dos dados de neuroimagem obtidos com o fNIRS.
II. A menção inicial à dificuldade e frustração dos adultos em aprender línguas é uma ideia secundária empregada com a intencionalidade discursiva de estabelecer um contraste, servindo como uma premissa argumentativa para destacar e justificar a relevância do estudo sobre a capacidade de aprendizado intrauterino.
III. A descrição do contraste sonoro entre o francês (ritmo silábico) e o alemão/hebraico (padrão tônico) é um recurso técnico que, na cadeia argumentativa do texto, tem a função de reforçar o subentendido de que o aprendizado fetal envolve o reconhecimento de padrões linguísticos complexos e específicos (estrutura e ritmo) e não apenas de uma percepção genérica de ruído.
Quais estão corretas?

(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/cerebros-de-bebes-reconhecem-linguas-estrangeiras-queouviram-antes-do-nascimento/– texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando a estrutura e a intencionalidade discursiva do texto, qual é a principal implicação que o trabalho de neuropsicologia da Universidade de Montreal reforça?

(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/cerebros-de-bebes-reconhecem-linguas-estrangeiras-queouviram-antes-do-nascimento/– texto adaptado especialmente para esta prova).
Que elemento é importante para garantir a coerência argumentativa e a credibilidade científica do texto, conforme as características do gênero predominante?
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
A IA como curadora do saber acadêmico
e o risco da superficialidade
Desde o conto A Biblioteca de Babel, escrito em 1941 por Jorge Luis Borges — escritor argentino que transformou labirintos, espelhos e bibliotecas em metáforas do infinito —, a ideia de uma biblioteca interminável vive como um fantasma luminoso na imaginação: corredores sem fim, estantes que se multiplicam até o horizonte, o murmúrio incessante de páginas que se respondem através dos séculos. Agora, esse sonho parece ter encontrado corpo — não em pedra, papel ou poeira, mas em linhas de código. A inteligência artificial generativa, com sua pressa eletrônica, atravessa em segundos o que equivaleria a anos de leitura. Não se limita a encontrar: seleciona, resume, organiza e até reescreve. O pesquisador, que antes percorria pacientemente rios de referências, tem diante de si um oceano que se deixa atravessar num sopro. Há algo de embriagante nessa promessa: conceitos densos surgem destilados, revisões bibliográficas se resolvem num clique e o labirinto do conhecimento se apresenta com um mapa pronto.
Mas mapas mentem. A bússola que a IA oferece aponta para direções já traçadas, não para territórios por descobrir. É um saber filtrado por modelos treinados em bases enviesadas, guiados por critérios invisíveis e pela lógica da predição — que não é a da compreensão. Ao assumir o papel de “curadora”, a IA decide o que merece ser visto. A seleção, antes fruto do olhar crítico do pesquisador, é terceirizada a um mecanismo que opera segundo estatísticas de co-ocorrência, padrões de popularidade e frequência de citações. O que não aparece nessa paisagem algorítmica evapora como se nunca tivesse existido. É um “epistemicídio” silencioso: não se queima o livro, apenas se apaga sua presença.
O perigo maior talvez seja a ilusão de completude. As respostas da IA, coesas e repletas de referências plausíveis, transmitem a sensação de que tudo foi coberto, que não resta brecha no campo investigado. Mas o que elas contêm não é o universo do saber, e sim o recorte que o capital digital lhes permitiu ver. Essa completude falsa é terreno fértil para uma ciência rasa, que replica consensos e esquece o que não cabe na moldura. A “biblioteca infinita” pode degenerar numa prateleira giratória de lugares-comuns.
[...]
A biblioteca infinita é sedutora, mas não inocente. Pode ser portal ou jaula, abertura ou repetição. A pesquisa como prática emancipadora exige desconfiar das respostas fáceis, recusar o conforto da completude e reivindicar o direito de errar de corredor, tropeçar em prateleiras invisíveis, surpreender-se pelo que não se procurava. Porque, no fim, o valor de uma biblioteca não está em caber inteira na palma da mão, mas em continuar sendo um território onde a busca transforma quem busca.
TELES, Gabriel. A IA como curadora do saber acadêmico e
o risco da superficialidade. Jornal da USP. Disponível em:
https://jornal.usp.br/?p=931123. Acesso em: 9 set. 2025.
Releia o trecho a seguir.
“A pesquisa como prática emancipadora exige desconfiar das respostas fáceis, recusar o conforto da completude e reivindicar o direito de errar de corredor.”
Para defender sua tese, o autor emprega no trecho uma estratégia argumentativa pautada pela
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
A IA como curadora do saber acadêmico
e o risco da superficialidade
Desde o conto A Biblioteca de Babel, escrito em 1941 por Jorge Luis Borges — escritor argentino que transformou labirintos, espelhos e bibliotecas em metáforas do infinito —, a ideia de uma biblioteca interminável vive como um fantasma luminoso na imaginação: corredores sem fim, estantes que se multiplicam até o horizonte, o murmúrio incessante de páginas que se respondem através dos séculos. Agora, esse sonho parece ter encontrado corpo — não em pedra, papel ou poeira, mas em linhas de código. A inteligência artificial generativa, com sua pressa eletrônica, atravessa em segundos o que equivaleria a anos de leitura. Não se limita a encontrar: seleciona, resume, organiza e até reescreve. O pesquisador, que antes percorria pacientemente rios de referências, tem diante de si um oceano que se deixa atravessar num sopro. Há algo de embriagante nessa promessa: conceitos densos surgem destilados, revisões bibliográficas se resolvem num clique e o labirinto do conhecimento se apresenta com um mapa pronto.
Mas mapas mentem. A bússola que a IA oferece aponta para direções já traçadas, não para territórios por descobrir. É um saber filtrado por modelos treinados em bases enviesadas, guiados por critérios invisíveis e pela lógica da predição — que não é a da compreensão. Ao assumir o papel de “curadora”, a IA decide o que merece ser visto. A seleção, antes fruto do olhar crítico do pesquisador, é terceirizada a um mecanismo que opera segundo estatísticas de co-ocorrência, padrões de popularidade e frequência de citações. O que não aparece nessa paisagem algorítmica evapora como se nunca tivesse existido. É um “epistemicídio” silencioso: não se queima o livro, apenas se apaga sua presença.
O perigo maior talvez seja a ilusão de completude. As respostas da IA, coesas e repletas de referências plausíveis, transmitem a sensação de que tudo foi coberto, que não resta brecha no campo investigado. Mas o que elas contêm não é o universo do saber, e sim o recorte que o capital digital lhes permitiu ver. Essa completude falsa é terreno fértil para uma ciência rasa, que replica consensos e esquece o que não cabe na moldura. A “biblioteca infinita” pode degenerar numa prateleira giratória de lugares-comuns.
[...]
A biblioteca infinita é sedutora, mas não inocente. Pode ser portal ou jaula, abertura ou repetição. A pesquisa como prática emancipadora exige desconfiar das respostas fáceis, recusar o conforto da completude e reivindicar o direito de errar de corredor, tropeçar em prateleiras invisíveis, surpreender-se pelo que não se procurava. Porque, no fim, o valor de uma biblioteca não está em caber inteira na palma da mão, mas em continuar sendo um território onde a busca transforma quem busca.
TELES, Gabriel. A IA como curadora do saber acadêmico e
o risco da superficialidade. Jornal da USP. Disponível em:
https://jornal.usp.br/?p=931123. Acesso em: 9 set. 2025.
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
A IA como curadora do saber acadêmico
e o risco da superficialidade
Desde o conto A Biblioteca de Babel, escrito em 1941 por Jorge Luis Borges — escritor argentino que transformou labirintos, espelhos e bibliotecas em metáforas do infinito —, a ideia de uma biblioteca interminável vive como um fantasma luminoso na imaginação: corredores sem fim, estantes que se multiplicam até o horizonte, o murmúrio incessante de páginas que se respondem através dos séculos. Agora, esse sonho parece ter encontrado corpo — não em pedra, papel ou poeira, mas em linhas de código. A inteligência artificial generativa, com sua pressa eletrônica, atravessa em segundos o que equivaleria a anos de leitura. Não se limita a encontrar: seleciona, resume, organiza e até reescreve. O pesquisador, que antes percorria pacientemente rios de referências, tem diante de si um oceano que se deixa atravessar num sopro. Há algo de embriagante nessa promessa: conceitos densos surgem destilados, revisões bibliográficas se resolvem num clique e o labirinto do conhecimento se apresenta com um mapa pronto.
Mas mapas mentem. A bússola que a IA oferece aponta para direções já traçadas, não para territórios por descobrir. É um saber filtrado por modelos treinados em bases enviesadas, guiados por critérios invisíveis e pela lógica da predição — que não é a da compreensão. Ao assumir o papel de “curadora”, a IA decide o que merece ser visto. A seleção, antes fruto do olhar crítico do pesquisador, é terceirizada a um mecanismo que opera segundo estatísticas de co-ocorrência, padrões de popularidade e frequência de citações. O que não aparece nessa paisagem algorítmica evapora como se nunca tivesse existido. É um “epistemicídio” silencioso: não se queima o livro, apenas se apaga sua presença.
O perigo maior talvez seja a ilusão de completude. As respostas da IA, coesas e repletas de referências plausíveis, transmitem a sensação de que tudo foi coberto, que não resta brecha no campo investigado. Mas o que elas contêm não é o universo do saber, e sim o recorte que o capital digital lhes permitiu ver. Essa completude falsa é terreno fértil para uma ciência rasa, que replica consensos e esquece o que não cabe na moldura. A “biblioteca infinita” pode degenerar numa prateleira giratória de lugares-comuns.
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A biblioteca infinita é sedutora, mas não inocente. Pode ser portal ou jaula, abertura ou repetição. A pesquisa como prática emancipadora exige desconfiar das respostas fáceis, recusar o conforto da completude e reivindicar o direito de errar de corredor, tropeçar em prateleiras invisíveis, surpreender-se pelo que não se procurava. Porque, no fim, o valor de uma biblioteca não está em caber inteira na palma da mão, mas em continuar sendo um território onde a busca transforma quem busca.
TELES, Gabriel. A IA como curadora do saber acadêmico e
o risco da superficialidade. Jornal da USP. Disponível em:
https://jornal.usp.br/?p=931123. Acesso em: 9 set. 2025.
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
A IA como curadora do saber acadêmico
e o risco da superficialidade
Desde o conto A Biblioteca de Babel, escrito em 1941 por Jorge Luis Borges — escritor argentino que transformou labirintos, espelhos e bibliotecas em metáforas do infinito —, a ideia de uma biblioteca interminável vive como um fantasma luminoso na imaginação: corredores sem fim, estantes que se multiplicam até o horizonte, o murmúrio incessante de páginas que se respondem através dos séculos. Agora, esse sonho parece ter encontrado corpo — não em pedra, papel ou poeira, mas em linhas de código. A inteligência artificial generativa, com sua pressa eletrônica, atravessa em segundos o que equivaleria a anos de leitura. Não se limita a encontrar: seleciona, resume, organiza e até reescreve. O pesquisador, que antes percorria pacientemente rios de referências, tem diante de si um oceano que se deixa atravessar num sopro. Há algo de embriagante nessa promessa: conceitos densos surgem destilados, revisões bibliográficas se resolvem num clique e o labirinto do conhecimento se apresenta com um mapa pronto.
Mas mapas mentem. A bússola que a IA oferece aponta para direções já traçadas, não para territórios por descobrir. É um saber filtrado por modelos treinados em bases enviesadas, guiados por critérios invisíveis e pela lógica da predição — que não é a da compreensão. Ao assumir o papel de “curadora”, a IA decide o que merece ser visto. A seleção, antes fruto do olhar crítico do pesquisador, é terceirizada a um mecanismo que opera segundo estatísticas de co-ocorrência, padrões de popularidade e frequência de citações. O que não aparece nessa paisagem algorítmica evapora como se nunca tivesse existido. É um “epistemicídio” silencioso: não se queima o livro, apenas se apaga sua presença.
O perigo maior talvez seja a ilusão de completude. As respostas da IA, coesas e repletas de referências plausíveis, transmitem a sensação de que tudo foi coberto, que não resta brecha no campo investigado. Mas o que elas contêm não é o universo do saber, e sim o recorte que o capital digital lhes permitiu ver. Essa completude falsa é terreno fértil para uma ciência rasa, que replica consensos e esquece o que não cabe na moldura. A “biblioteca infinita” pode degenerar numa prateleira giratória de lugares-comuns.
[...]
A biblioteca infinita é sedutora, mas não inocente. Pode ser portal ou jaula, abertura ou repetição. A pesquisa como prática emancipadora exige desconfiar das respostas fáceis, recusar o conforto da completude e reivindicar o direito de errar de corredor, tropeçar em prateleiras invisíveis, surpreender-se pelo que não se procurava. Porque, no fim, o valor de uma biblioteca não está em caber inteira na palma da mão, mas em continuar sendo um território onde a busca transforma quem busca.
TELES, Gabriel. A IA como curadora do saber acadêmico e
o risco da superficialidade. Jornal da USP. Disponível em:
https://jornal.usp.br/?p=931123. Acesso em: 9 set. 2025.
Releia o trecho a seguir.
“[...] a ideia de uma biblioteca interminável vive como um fantasma luminoso na imaginação: corredores sem fim, estantes que se multiplicam até o horizonte, o murmúrio incessante de páginas que se respondem através dos séculos.”
O autor emprega diferentes figuras de linguagem nesse trecho para
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A IA como curadora do saber acadêmico
e o risco da superficialidade
Desde o conto A Biblioteca de Babel, escrito em 1941 por Jorge Luis Borges — escritor argentino que transformou labirintos, espelhos e bibliotecas em metáforas do infinito —, a ideia de uma biblioteca interminável vive como um fantasma luminoso na imaginação: corredores sem fim, estantes que se multiplicam até o horizonte, o murmúrio incessante de páginas que se respondem através dos séculos. Agora, esse sonho parece ter encontrado corpo — não em pedra, papel ou poeira, mas em linhas de código. A inteligência artificial generativa, com sua pressa eletrônica, atravessa em segundos o que equivaleria a anos de leitura. Não se limita a encontrar: seleciona, resume, organiza e até reescreve. O pesquisador, que antes percorria pacientemente rios de referências, tem diante de si um oceano que se deixa atravessar num sopro. Há algo de embriagante nessa promessa: conceitos densos surgem destilados, revisões bibliográficas se resolvem num clique e o labirinto do conhecimento se apresenta com um mapa pronto.
Mas mapas mentem. A bússola que a IA oferece aponta para direções já traçadas, não para territórios por descobrir. É um saber filtrado por modelos treinados em bases enviesadas, guiados por critérios invisíveis e pela lógica da predição — que não é a da compreensão. Ao assumir o papel de “curadora”, a IA decide o que merece ser visto. A seleção, antes fruto do olhar crítico do pesquisador, é terceirizada a um mecanismo que opera segundo estatísticas de co-ocorrência, padrões de popularidade e frequência de citações. O que não aparece nessa paisagem algorítmica evapora como se nunca tivesse existido. É um “epistemicídio” silencioso: não se queima o livro, apenas se apaga sua presença.
O perigo maior talvez seja a ilusão de completude. As respostas da IA, coesas e repletas de referências plausíveis, transmitem a sensação de que tudo foi coberto, que não resta brecha no campo investigado. Mas o que elas contêm não é o universo do saber, e sim o recorte que o capital digital lhes permitiu ver. Essa completude falsa é terreno fértil para uma ciência rasa, que replica consensos e esquece o que não cabe na moldura. A “biblioteca infinita” pode degenerar numa prateleira giratória de lugares-comuns.
[...]
A biblioteca infinita é sedutora, mas não inocente. Pode ser portal ou jaula, abertura ou repetição. A pesquisa como prática emancipadora exige desconfiar das respostas fáceis, recusar o conforto da completude e reivindicar o direito de errar de corredor, tropeçar em prateleiras invisíveis, surpreender-se pelo que não se procurava. Porque, no fim, o valor de uma biblioteca não está em caber inteira na palma da mão, mas em continuar sendo um território onde a busca transforma quem busca.
TELES, Gabriel. A IA como curadora do saber acadêmico e
o risco da superficialidade. Jornal da USP. Disponível em:
https://jornal.usp.br/?p=931123. Acesso em: 9 set. 2025.
Releia o trecho a seguir.
“É um ‘epistemicídio’ silencioso: não se queima o livro, apenas se apaga sua presença.”
A palavra em destaque assume, no trecho, um sentido conotativo, porque
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A IA como curadora do saber acadêmico
e o risco da superficialidade
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Mas mapas mentem. A bússola que a IA oferece aponta para direções já traçadas, não para territórios por descobrir. É um saber filtrado por modelos treinados em bases enviesadas, guiados por critérios invisíveis e pela lógica da predição — que não é a da compreensão. Ao assumir o papel de “curadora”, a IA decide o que merece ser visto. A seleção, antes fruto do olhar crítico do pesquisador, é terceirizada a um mecanismo que opera segundo estatísticas de co-ocorrência, padrões de popularidade e frequência de citações. O que não aparece nessa paisagem algorítmica evapora como se nunca tivesse existido. É um “epistemicídio” silencioso: não se queima o livro, apenas se apaga sua presença.
O perigo maior talvez seja a ilusão de completude. As respostas da IA, coesas e repletas de referências plausíveis, transmitem a sensação de que tudo foi coberto, que não resta brecha no campo investigado. Mas o que elas contêm não é o universo do saber, e sim o recorte que o capital digital lhes permitiu ver. Essa completude falsa é terreno fértil para uma ciência rasa, que replica consensos e esquece o que não cabe na moldura. A “biblioteca infinita” pode degenerar numa prateleira giratória de lugares-comuns.
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A biblioteca infinita é sedutora, mas não inocente. Pode ser portal ou jaula, abertura ou repetição. A pesquisa como prática emancipadora exige desconfiar das respostas fáceis, recusar o conforto da completude e reivindicar o direito de errar de corredor, tropeçar em prateleiras invisíveis, surpreender-se pelo que não se procurava. Porque, no fim, o valor de uma biblioteca não está em caber inteira na palma da mão, mas em continuar sendo um território onde a busca transforma quem busca.
TELES, Gabriel. A IA como curadora do saber acadêmico e
o risco da superficialidade. Jornal da USP. Disponível em:
https://jornal.usp.br/?p=931123. Acesso em: 9 set. 2025.
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
A IA como curadora do saber acadêmico
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Desde o conto A Biblioteca de Babel, escrito em 1941 por Jorge Luis Borges — escritor argentino que transformou labirintos, espelhos e bibliotecas em metáforas do infinito —, a ideia de uma biblioteca interminável vive como um fantasma luminoso na imaginação: corredores sem fim, estantes que se multiplicam até o horizonte, o murmúrio incessante de páginas que se respondem através dos séculos. Agora, esse sonho parece ter encontrado corpo — não em pedra, papel ou poeira, mas em linhas de código. A inteligência artificial generativa, com sua pressa eletrônica, atravessa em segundos o que equivaleria a anos de leitura. Não se limita a encontrar: seleciona, resume, organiza e até reescreve. O pesquisador, que antes percorria pacientemente rios de referências, tem diante de si um oceano que se deixa atravessar num sopro. Há algo de embriagante nessa promessa: conceitos densos surgem destilados, revisões bibliográficas se resolvem num clique e o labirinto do conhecimento se apresenta com um mapa pronto.
Mas mapas mentem. A bússola que a IA oferece aponta para direções já traçadas, não para territórios por descobrir. É um saber filtrado por modelos treinados em bases enviesadas, guiados por critérios invisíveis e pela lógica da predição — que não é a da compreensão. Ao assumir o papel de “curadora”, a IA decide o que merece ser visto. A seleção, antes fruto do olhar crítico do pesquisador, é terceirizada a um mecanismo que opera segundo estatísticas de co-ocorrência, padrões de popularidade e frequência de citações. O que não aparece nessa paisagem algorítmica evapora como se nunca tivesse existido. É um “epistemicídio” silencioso: não se queima o livro, apenas se apaga sua presença.
O perigo maior talvez seja a ilusão de completude. As respostas da IA, coesas e repletas de referências plausíveis, transmitem a sensação de que tudo foi coberto, que não resta brecha no campo investigado. Mas o que elas contêm não é o universo do saber, e sim o recorte que o capital digital lhes permitiu ver. Essa completude falsa é terreno fértil para uma ciência rasa, que replica consensos e esquece o que não cabe na moldura. A “biblioteca infinita” pode degenerar numa prateleira giratória de lugares-comuns.
[...]
A biblioteca infinita é sedutora, mas não inocente. Pode ser portal ou jaula, abertura ou repetição. A pesquisa como prática emancipadora exige desconfiar das respostas fáceis, recusar o conforto da completude e reivindicar o direito de errar de corredor, tropeçar em prateleiras invisíveis, surpreender-se pelo que não se procurava. Porque, no fim, o valor de uma biblioteca não está em caber inteira na palma da mão, mas em continuar sendo um território onde a busca transforma quem busca.
TELES, Gabriel. A IA como curadora do saber acadêmico e
o risco da superficialidade. Jornal da USP. Disponível em:
https://jornal.usp.br/?p=931123. Acesso em: 9 set. 2025.
