Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
Foram encontradas 140.297 questões
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.
A IA como curadora do saber acadêmico
e o risco da superficialidade
Desde o conto A Biblioteca de Babel, escrito em 1941 por Jorge Luis Borges — escritor argentino que transformou labirintos, espelhos e bibliotecas em metáforas do infinito —, a ideia de uma biblioteca interminável vive como um fantasma luminoso na imaginação: corredores sem fim, estantes que se multiplicam até o horizonte, o murmúrio incessante de páginas que se respondem através dos séculos. Agora, esse sonho parece ter encontrado corpo — não em pedra, papel ou poeira, mas em linhas de código. A inteligência artificial generativa, com sua pressa eletrônica, atravessa em segundos o que equivaleria a anos de leitura. Não se limita a encontrar: seleciona, resume, organiza e até reescreve. O pesquisador, que antes percorria pacientemente rios de referências, tem diante de si um oceano que se deixa atravessar num sopro. Há algo de embriagante nessa promessa: conceitos densos surgem destilados, revisões bibliográficas se resolvem num clique e o labirinto do conhecimento se apresenta com um mapa pronto.
Mas mapas mentem. A bússola que a IA oferece aponta para direções já traçadas, não para territórios por descobrir. É um saber filtrado por modelos treinados em bases enviesadas, guiados por critérios invisíveis e pela lógica da predição — que não é a da compreensão. Ao assumir o papel de “curadora”, a IA decide o que merece ser visto. A seleção, antes fruto do olhar crítico do pesquisador, é terceirizada a um mecanismo que opera segundo estatísticas de co-ocorrência, padrões de popularidade e frequência de citações. O que não aparece nessa paisagem algorítmica evapora como se nunca tivesse existido. É um “epistemicídio” silencioso: não se queima o livro, apenas se apaga sua presença.
O perigo maior talvez seja a ilusão de completude. As respostas da IA, coesas e repletas de referências plausíveis, transmitem a sensação de que tudo foi coberto, que não resta brecha no campo investigado. Mas o que elas contêm não é o universo do saber, e sim o recorte que o capital digital lhes permitiu ver. Essa completude falsa é terreno fértil para uma ciência rasa, que replica consensos e esquece o que não cabe na moldura. A “biblioteca infinita” pode degenerar numa prateleira giratória de lugares-comuns.
[...]
A biblioteca infinita é sedutora, mas não inocente. Pode ser portal ou jaula, abertura ou repetição. A pesquisa como prática emancipadora exige desconfiar das respostas fáceis, recusar o conforto da completude e reivindicar o direito de errar de corredor, tropeçar em prateleiras invisíveis, surpreender-se pelo que não se procurava. Porque, no fim, o valor de uma biblioteca não está em caber inteira na palma da mão, mas em continuar sendo um território onde a busca transforma quem busca.
TELES, Gabriel. A IA como curadora do saber acadêmico e
o risco da superficialidade. Jornal da USP. Disponível em:
https://jornal.usp.br/?p=931123. Acesso em: 9 set. 2025.
Conheça mais sobre o hidrogênio, a promissora alternativa aos combustíveis fósseis

(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/conheca-mais-sobre-o-hidrogenio-a-promissora-alternativaaos-combustiveis-fosseis/– texto adaptado especialmente para esta prova)
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(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/conheca-mais-sobre-o-hidrogenio-a-promissora-alternativaaos-combustiveis-fosseis/– texto adaptado especialmente para esta prova)
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(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/conheca-mais-sobre-o-hidrogenio-a-promissora-alternativaaos-combustiveis-fosseis/– texto adaptado especialmente para esta prova)
“Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido”
( ) Pode-se afirmar que o texto se assemelha ao gênero carta, pois apresenta um interlocutor a quem o autor se dirige através de um vocativo, com o objetivo de responder algo.
( ) É possível identificar, pelo menos, uma sequência expositiva na resposta do Professor Moreno.
( ) Nota-se no texto um caso típico de intertextualidade intergêneros, pois tem-se sequências de diferentes tipos textuais compondo a resposta do Professor Moreno.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
I. O texto anterior configura-se como um texto multimodal, tendo em vista que emprega imagem e linguagem escrita a serviço da transmissão de uma mensagem.
II. Trata-se de um texto do tipo injuntivo, uma vez que incita o leitor a uma ação, no caso, a doação de sangue.
III. Percebe-se que a propaganda anterior é um texto tipologicamente heterogêneo, pois é perceptível a presença de sequências argumentativas em sua construção.
Quais estão corretas?


I. A expressão “pressionadas como flores contra um livro” (l. 02) configura a figura de linguagem conhecida como comparação, pois estabelece uma analogia explícita entre a forma como as criaturas foram fossilizadas e o ato de prensar uma flor, utilizando o conectivo comparativo “como”.
II. O adjetivo “prodigiosos” (l. 03), utilizado para qualificar os detalhes da preservação, é empregado com o sentido de extraordinários ou maravilhosos, realçando a qualidade e o grau de perfeição com que as características originais das criaturas foram mantidas ao longo do tempo.
III. Em “As imagens resultantes foram processadas com uma mãozinha de uma inteligência artificial” (l. 39-40), há, entre outras, a figura de linguagem conhecida como eufemismo.
Quais estão corretas?






I. A escolha lexical no fragmento "tiraram a plaquinha de aluga-se" atua como imagem metafórica que evoca a transição do estado de disponibilidade afetiva para uma possível reconfiguração existencial, sem contudo tornar explícita essa mutação, o que demanda leitura inferencial.
II. A forma como o tempo é abordado na expressão "sempre penso 'mês que vem faço contato com eles'. E se não tiver mês que vem?" evidencia uma oposição temporal entre desejo e ação, revelando uma crítica implícita à procrastinação afetiva e à ilusão de permanência do tempo disponível.
III. O uso reiterado da primeira pessoa e de verbos no passado justapõe elementos narrativos e descritivos, criando um percurso discursivo marcado por objetividade e distanciamento, próprio de textos com finalidade predominantemente informativa.
Está correto o que se afirma em:
Fonte: www.arionaurocartuns.com.br/2016/04/charge-consulta-com-falso-medico.html
I. A charge pretende criticar a prática médica por aqueles que não têm conhecimentos de Medicina.
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II. A charge corrobora o exposto pelo texto anterior, cujo autor também critica os profissionais que empregam apenas conhecimento empírico.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
I. A superficialidade das relações entre médico e paciente advém, muitas vezes, da aleatoriedade dos motivos que os colocam em uma mesma situação.
II. As reações das pessoas às situações não são padronizadas, sendo assim, momentos delicados podem resultar em laços afetivos posteriores ou serem experiências fugazes.
III. As relações que o autor do texto menciona, mesmo quando há um momento inicial afetuoso, acabam sendo infrutíferas em virtude da alta expectativa dos envolvidos.
IV. A capacidade de envolvimento com o próximo se sobrepôs às experiências e formações dos concorrentes à vaga mencionada do texto para fins de eliminação.
Quais estão corretas?

