Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3718992 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Você teria um tempinho?

    — Não? Nem quinze minutos para tomarmos um café? Ah, entendo, o trabalho te chama, apesar de ter terminado o expediente. Fica para outro momento, então. Tchau!

    Diálogos do gênero passaram a fazer parte das conversas entre amigos. Querem-se bem, sentem saudade, adorariam partilhar o que está acontecendo... mas ausentam-se. Qualquer eventual disponibilidade será para colocar algumas coisas em dia, pois seu chefe insiste para você pôr de lado o que lhe parece não ter importância: sua vida pessoal. O adiantado da noite parece um bom horário para enviar um whats. Na expectativa de resposta rápida, claro. E assim tudo vai seguindo e ficamos cada vez mais pobres interiormente, por nos desfazermos do saudável propósito de gastar como desejamos o que nos pertence de fato e de direito.

    No extremo da escala econômica, a dos ricos, o luxo maior passou a ser a ostentação de longos períodos sem fazer nada. Importante: o silêncio faz parte do pacote. Mostrar poder passou a incluir a chance de continuar inserido no sistema; porém, com largos intervalos dedicados a si. Considero-me afortunado por ter amigos receptivos, acostumados a acolher os meus convites. Finais de tarde geralmente são destinados para garimpar os seres que me são queridos e estão dispostos a sentar ao meu lado, se possível sem olhar de maneira obsessiva para o celular. Atribuo a tal escolha um bom percentual da minha saúde mental. Dar-se de presente isso é uma declaração de amor próprio. Uma ideia revolucionária em um mundo utilitarista. É possível abrir essas brechas, apesar da agenda estar abarrotada. A ideia não é original e nem pretende ser. Aliás, tem-me parecido cada vez mais importante resgatar o natural, como nossos pais e avós faziam. Seguir o fluxo. O corpo e a mente darão o norte.

    Mudar é simples e complexo, ao mesmo tempo. Pode-se começar com modestas doses semanais, dando ________ a um projeto que qualifica a existência. Pense em alguém ausente há muito e o surpreenda, manifestando a vontade de saber como está. Depois virão outros, numa sucessão repleta de abraços, agregada ____ delicadeza da escuta atenta, bem como do acolhimento das suas experiências. Chama-se a isso educação para os sentidos. Reformular o que causa desconforto, ajustando, em doses iguais, compromisso e prazer. Não quero parecer simplista, mas repousa nas mãos de cada um a possibilidade de abrir _______ no calendário pessoal. Liste o essencial e mantenha-se fiel a ele. O dia só é curto quando mal aproveitado.

    A sabedoria está em encontrar boas soluções, sem brigar com aquilo que nos é oferecido. A serenidade não precisa ser buscada no topo de uma montanha. O caos vai tentar te alcançar. Caminhe por ele, deixando-se afetar o mínimo possível. Ao agir dessa forma, estará na companhia dos melhores. E ainda vão lhe sobrar horas para fazer o que bem entender.

    Desfrute sem culpa.

Autor: Gilmar Marcílio – GZH (adaptado).
O texto de Gilmar Marcílio reflete sobre a forma como o tempo tem sido utilizado nas relações humanas contemporâneas. O narrador observa que, diante da rotina acelerada e das exigências profissionais, as pessoas acabam abrindo mão de momentos simples de convivência e descanso. Nesse contexto, o autor associa a “pobreza interior” à atitude de quem:
Alternativas
Q3718974 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Teleamigos, telepiadas, hora certa

     As pessoas são receosas de emprestar o celular ao marido ou à esposa — e mesmo aos filhos, como passatempo para distraí-los. Enfrentam o medo da invasão de privacidade.

      Somos viciados e compulsivos em nossas individualidades.

      Imagine um único telefone de uso comum para a família inteira. Nos anos 70 e 80, partilhava-se um fixo.

      Havia um só número, com um aparelho na sala e outro no quarto dos pais, que mantinham o controle de tudo.

     Se meus irmãos e eu atendíamos um colega da escola, eles chegavam ao despudor de nos ouvir na extensão: arapongas afetivos, espiões de nossos romances, auditores de nossas amizades. Escutavam nossas confidências secretas, proibidas, passionais.

    Descobríamos a presença deles pela respiração pesada. Ou porque, no fim, tossiam ou espirravam em seus grampos domésticos.

      Gritávamos:

      — Baixe o fone aí, está ocupado!

      Não devíamos nos estender demais na prosa.

    Forçavam interrupções de seu esconderijo, girando números no disco de vidro como se quisessem fazer uma ligação. Tratavase do aviso para desocupar imediatamente: um ultimato, um constrangimento.

     O mandamento mais corriqueiro vinha na forma de reprimenda:

     — Telefone é para dar recado, não para bobagens.

     Naquela época, era preciso permanecer parado no corredor para conversar, no aparato constituído pela mesinha, a toalhinha de crochê, a lista telefônica e a cadeira. O cabo preso à tomada não nos permitia ir para longe.

     Abstraíamo-nos do lugar. Enrolávamos o fio espiralado entre os dedos, como um terço.

  O bocal emanava um chulé das nossas bocas. Requeria limpeza mensal para a remoção do mofo dos perdigotos. Desenroscávamos a peça de plástico cheia de furinhos.

     Ainda sofríamos com as linhas cruzadas: uma voz desconhecida entrava do além.

    As ondas eletromagnéticas de dois aparelhos se sobrepunham, especialmente quando os fios estavam muito próximos ou danificados.

    Estranhava-se o timbre intruso surgido do nada: “quem é você?”. Convencíamos o sujeito a desligar. Às vezes, ele insistia e não arredava o pé. A saída que nos restava era bater o gancho, temendo que fosse um psicopata.

    Quem se sentia sozinho recorria ao 138, que apresentava a oportunidade do teleamigos, em que você interagia com usuários dos mais diferentes Estados.

     A conta aumentava astronomicamente no fim do mês.

    Vai parecer loucura para as gerações digitais, mas pagávamos pelo serviço da hora certa da CRT no 130, que oferecia uma singela gravação do horário em segundos.

    Também colecionávamos taxas de aproximadamente R$ 0,20 com telepiadas, horóscopo ou meteorologia.

    Quem tem mais de 40 anos desfruta de uma espartana paciência. Passou por cada uma que ninguém acredita.


Autor: Fabrício Carpinejar – GZH (adaptado). 

No texto, o autor explora um vocabulário que mescla nostalgia e humor, recriando expressões típicas do cotidiano familiar das décadas de 1970 e 1980. As palavras e expressões selecionadas a seguir revelam diferentes efeitos de sentido dentro do contexto narrativo. Analise-as e assinale a alternativa incorreta quanto à interpretação literal de seus significados.

Alternativas
Q3718973 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Teleamigos, telepiadas, hora certa

     As pessoas são receosas de emprestar o celular ao marido ou à esposa — e mesmo aos filhos, como passatempo para distraí-los. Enfrentam o medo da invasão de privacidade.

      Somos viciados e compulsivos em nossas individualidades.

      Imagine um único telefone de uso comum para a família inteira. Nos anos 70 e 80, partilhava-se um fixo.

      Havia um só número, com um aparelho na sala e outro no quarto dos pais, que mantinham o controle de tudo.

     Se meus irmãos e eu atendíamos um colega da escola, eles chegavam ao despudor de nos ouvir na extensão: arapongas afetivos, espiões de nossos romances, auditores de nossas amizades. Escutavam nossas confidências secretas, proibidas, passionais.

    Descobríamos a presença deles pela respiração pesada. Ou porque, no fim, tossiam ou espirravam em seus grampos domésticos.

      Gritávamos:

      — Baixe o fone aí, está ocupado!

      Não devíamos nos estender demais na prosa.

    Forçavam interrupções de seu esconderijo, girando números no disco de vidro como se quisessem fazer uma ligação. Tratavase do aviso para desocupar imediatamente: um ultimato, um constrangimento.

     O mandamento mais corriqueiro vinha na forma de reprimenda:

     — Telefone é para dar recado, não para bobagens.

     Naquela época, era preciso permanecer parado no corredor para conversar, no aparato constituído pela mesinha, a toalhinha de crochê, a lista telefônica e a cadeira. O cabo preso à tomada não nos permitia ir para longe.

     Abstraíamo-nos do lugar. Enrolávamos o fio espiralado entre os dedos, como um terço.

  O bocal emanava um chulé das nossas bocas. Requeria limpeza mensal para a remoção do mofo dos perdigotos. Desenroscávamos a peça de plástico cheia de furinhos.

     Ainda sofríamos com as linhas cruzadas: uma voz desconhecida entrava do além.

    As ondas eletromagnéticas de dois aparelhos se sobrepunham, especialmente quando os fios estavam muito próximos ou danificados.

    Estranhava-se o timbre intruso surgido do nada: “quem é você?”. Convencíamos o sujeito a desligar. Às vezes, ele insistia e não arredava o pé. A saída que nos restava era bater o gancho, temendo que fosse um psicopata.

    Quem se sentia sozinho recorria ao 138, que apresentava a oportunidade do teleamigos, em que você interagia com usuários dos mais diferentes Estados.

     A conta aumentava astronomicamente no fim do mês.

    Vai parecer loucura para as gerações digitais, mas pagávamos pelo serviço da hora certa da CRT no 130, que oferecia uma singela gravação do horário em segundos.

    Também colecionávamos taxas de aproximadamente R$ 0,20 com telepiadas, horóscopo ou meteorologia.

    Quem tem mais de 40 anos desfruta de uma espartana paciência. Passou por cada uma que ninguém acredita.


Autor: Fabrício Carpinejar – GZH (adaptado). 
O texto retrata de forma nostálgica o uso do telefone fixo nas décadas passadas. A partir da leitura literal do trecho, analise as assertivas:

I. Os pais exerciam vigilância constante sobre as conversas telefônicas dos filhos.
II. As ligações eram limitadas pela presença física do aparelho e pelo comprimento do fio.
III. O serviço de “teleamigos” representava uma alternativa de interação para quem se sentia solitário.

Das assertivas acima, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3718972 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.


Teleamigos, telepiadas, hora certa

     As pessoas são receosas de emprestar o celular ao marido ou à esposa — e mesmo aos filhos, como passatempo para distraí-los. Enfrentam o medo da invasão de privacidade.

      Somos viciados e compulsivos em nossas individualidades.

      Imagine um único telefone de uso comum para a família inteira. Nos anos 70 e 80, partilhava-se um fixo.

      Havia um só número, com um aparelho na sala e outro no quarto dos pais, que mantinham o controle de tudo.

     Se meus irmãos e eu atendíamos um colega da escola, eles chegavam ao despudor de nos ouvir na extensão: arapongas afetivos, espiões de nossos romances, auditores de nossas amizades. Escutavam nossas confidências secretas, proibidas, passionais.

    Descobríamos a presença deles pela respiração pesada. Ou porque, no fim, tossiam ou espirravam em seus grampos domésticos.

      Gritávamos:

      — Baixe o fone aí, está ocupado!

      Não devíamos nos estender demais na prosa.

    Forçavam interrupções de seu esconderijo, girando números no disco de vidro como se quisessem fazer uma ligação. Tratavase do aviso para desocupar imediatamente: um ultimato, um constrangimento.

     O mandamento mais corriqueiro vinha na forma de reprimenda:

     — Telefone é para dar recado, não para bobagens.

     Naquela época, era preciso permanecer parado no corredor para conversar, no aparato constituído pela mesinha, a toalhinha de crochê, a lista telefônica e a cadeira. O cabo preso à tomada não nos permitia ir para longe.

     Abstraíamo-nos do lugar. Enrolávamos o fio espiralado entre os dedos, como um terço.

  O bocal emanava um chulé das nossas bocas. Requeria limpeza mensal para a remoção do mofo dos perdigotos. Desenroscávamos a peça de plástico cheia de furinhos.

     Ainda sofríamos com as linhas cruzadas: uma voz desconhecida entrava do além.

    As ondas eletromagnéticas de dois aparelhos se sobrepunham, especialmente quando os fios estavam muito próximos ou danificados.

    Estranhava-se o timbre intruso surgido do nada: “quem é você?”. Convencíamos o sujeito a desligar. Às vezes, ele insistia e não arredava o pé. A saída que nos restava era bater o gancho, temendo que fosse um psicopata.

    Quem se sentia sozinho recorria ao 138, que apresentava a oportunidade do teleamigos, em que você interagia com usuários dos mais diferentes Estados.

     A conta aumentava astronomicamente no fim do mês.

    Vai parecer loucura para as gerações digitais, mas pagávamos pelo serviço da hora certa da CRT no 130, que oferecia uma singela gravação do horário em segundos.

    Também colecionávamos taxas de aproximadamente R$ 0,20 com telepiadas, horóscopo ou meteorologia.

    Quem tem mais de 40 anos desfruta de uma espartana paciência. Passou por cada uma que ninguém acredita.


Autor: Fabrício Carpinejar – GZH (adaptado). 
O texto de Fabrício Carpinejar descreve mudanças de comportamento social provocadas pela evolução das tecnologias de comunicação. O autor recorda hábitos da época do telefone fixo, em contraste com a atual relação das pessoas com o celular. Nesse contexto, o narrador menciona o temor de emprestar o aparelho telefônico a familiares como reflexo de um traço contemporâneo marcado pela:
Alternativas
Q3718695 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Professores gastam mais de 20% da aula para manter a ordem dos alunos em sala, mostra estudo

Tempo gasto pelos docentes brasileiros é acima da média dos países da OCDE, que é de 15%


O tempo dos docentes brasileiros está acima da média dos países da OCDE, em que os professores disseram gastar 15% do tempo de aula para manter a ordem dos alunos.

Segundo o relatório, entre 2018 e 2024, a parcela do tempo de aula dedicada à manutenção da ordem aumentou 2 pontos percentuais — a média da OCDE também aumentou 2 pontos percentuais.

Ainda de acordo com o estudo, 44% dos docentes brasileiros afirmam perder bastante tempo porque os alunos interrompem as aulas. O número também é acima da média da OCDE, que é de 18%. A mesma proporção de brasileiros diz também perder muito tempo esperando os alunos ficarem quietos (a média da OCDE é de 15%).

Comportamento na sala de aula

No estudo, a percepção dos professores sobre a disciplina em sala de aula é medida pela frequência relatada de quatro situações:

"Perco muito tempo porque os alunos interrompem a aula";

"Tenho que esperar muito tempo para que os alunos se acalmem";

"Há muito barulho e desordem disruptivos";

"Muitos alunos só começam a trabalhar muito tempo depois do início da aula".

Conforme a pesquisa, cerca de um em cada cinco professores afirmam sofrer com ruído e desordem significativos em suas salas de aula, em média.

No Brasil, mais de 50% dos professores relataram os desafios. No Chile, Finlândia, Portugal e África do Sul, esse percentual fica em cerca de 33%.

Já na Albânia, Japão e Xangai, por outro lado, menos de 5% dos professores apontam essas questões disciplinares.

Professores iniciantes

A pesquisa também mostra que os professores em começo de carreira relatam mais interrupções em sala de aula do que os seus colegas mais experientes em quase todos os sistemas educacionais.

No Canadá, Áustria, Chile, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Itália e Espanha, por exemplo, mais de 40% dos professores iniciantes afirmam "ruído perturbador frequente". Já em Portugal e no Brasil, esses percentuais aumentam para 59% e 66%, respectivamente.

Entre os professores experientes, essas taxas são mais baixas, abaixo de um terço em todos os sistemas educacionais, exceto em Portugal (33%) e no Brasil (53%).

O estudo foi realizado em 2024 e entrevistou cerca de 280 mil professores e diretores escolares em 17 mil escolas de ensino fundamental II em 55 sistemas educacionais. O Talis tem como objetivo auxiliar na elaboração de estratégias para melhorar a qualidade do ensino e os ambientes de aprendizagem.


https://www.terra.com.br/noticias/educacao/professores-gastam-mais-d e-20-da-aula-para-manter-a-ordem-dos-alunos-em-sala-mostra-estudo, ea20b81839e46ed5ad3f54c718b3bcdaz697ywnm.html?utm_source=cli pboard
O tempo dos docentes brasileiros está acima da média dos países da OCDE, em que os professores disseram gastar 15% do tempo de aula para manter a ordem dos alunos.
Segundo o relatório, entre 2018 e 2024, a parcela do tempo de aula dedicada à manutenção da ordem aumentou 2 pontos percentuais — a média da OCDE também aumentou 2 pontos percentuais. Ainda de acordo com o estudo, 44% dos docentes brasileiros afirmam perder bastante tempo porque os alunos interrompem as aulas. O número também é acima da média da OCDE, que é de 18%.
O emprego das expressões 'segundo o relatório', 'ainda de acordo com o estudo' e 'o número também' é um elemento linguístico que:
Alternativas
Q3718692 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Professores gastam mais de 20% da aula para manter a ordem dos alunos em sala, mostra estudo

Tempo gasto pelos docentes brasileiros é acima da média dos países da OCDE, que é de 15%


O tempo dos docentes brasileiros está acima da média dos países da OCDE, em que os professores disseram gastar 15% do tempo de aula para manter a ordem dos alunos.

Segundo o relatório, entre 2018 e 2024, a parcela do tempo de aula dedicada à manutenção da ordem aumentou 2 pontos percentuais — a média da OCDE também aumentou 2 pontos percentuais.

Ainda de acordo com o estudo, 44% dos docentes brasileiros afirmam perder bastante tempo porque os alunos interrompem as aulas. O número também é acima da média da OCDE, que é de 18%. A mesma proporção de brasileiros diz também perder muito tempo esperando os alunos ficarem quietos (a média da OCDE é de 15%).

Comportamento na sala de aula

No estudo, a percepção dos professores sobre a disciplina em sala de aula é medida pela frequência relatada de quatro situações:

"Perco muito tempo porque os alunos interrompem a aula";

"Tenho que esperar muito tempo para que os alunos se acalmem";

"Há muito barulho e desordem disruptivos";

"Muitos alunos só começam a trabalhar muito tempo depois do início da aula".

Conforme a pesquisa, cerca de um em cada cinco professores afirmam sofrer com ruído e desordem significativos em suas salas de aula, em média.

No Brasil, mais de 50% dos professores relataram os desafios. No Chile, Finlândia, Portugal e África do Sul, esse percentual fica em cerca de 33%.

Já na Albânia, Japão e Xangai, por outro lado, menos de 5% dos professores apontam essas questões disciplinares.

Professores iniciantes

A pesquisa também mostra que os professores em começo de carreira relatam mais interrupções em sala de aula do que os seus colegas mais experientes em quase todos os sistemas educacionais.

No Canadá, Áustria, Chile, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Itália e Espanha, por exemplo, mais de 40% dos professores iniciantes afirmam "ruído perturbador frequente". Já em Portugal e no Brasil, esses percentuais aumentam para 59% e 66%, respectivamente.

Entre os professores experientes, essas taxas são mais baixas, abaixo de um terço em todos os sistemas educacionais, exceto em Portugal (33%) e no Brasil (53%).

O estudo foi realizado em 2024 e entrevistou cerca de 280 mil professores e diretores escolares em 17 mil escolas de ensino fundamental II em 55 sistemas educacionais. O Talis tem como objetivo auxiliar na elaboração de estratégias para melhorar a qualidade do ensino e os ambientes de aprendizagem.


https://www.terra.com.br/noticias/educacao/professores-gastam-mais-d e-20-da-aula-para-manter-a-ordem-dos-alunos-em-sala-mostra-estudo, ea20b81839e46ed5ad3f54c718b3bcdaz697ywnm.html?utm_source=cli pboard
"Professores gastam mais de 20% da aula para manter a ordem dos alunos em sala, mostra estudo."

Considerando o texto-base, analise as afirmativas a seguir e identifique a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3718634 Português

A segunda vida da saudade 


A saudade é uma repescagem. Pela saudade, você descobre que ama alguém mais do que imaginava: é uma necessidade de companhia despertada pela solidão mais funda.


A saudade é um GPS do coração. Você se vê desorientado, longe de um destino, e percebe o valor de uma presença que completa o seu humor, acolhe seus defeitos e ilumina seus dias.


É uma lembrança a dois. Diferente da nostalgia, que é pessoal e intransferível, a saudade se partilha, sofre junto. A nostalgia é encerrada; a saudade é um sentimento em progresso.


Pela saudade, você revisa seus atos e reconhece suas limitações. Não é julgamento do outro, mas de si mesmo com o outro. Uma justiça emocional que tenta consertar omissões e faltas de gentileza.


Ela começa no medo para vencer o medo. Ensina coragem para defender sua autenticidade, enfrentando preconceitos e opiniões alheias. Fortalece vínculos, aponta quem merece permanecer.


A saudade não deixa ninguém para trás. Emparelha almas, sincroniza pensamentos. Consegue ser perdão e gratidão ao mesmo tempo.


É a memória, no período de escassez, de tudo o que foi bom. Um trailer do fim que não queremos assistir. Uma despedida dentro do encontro. Um adeus ensaiado que vira vínculo duradouro e definitivo.


Texto Adaptado


CARPINEJAR, Fabrício. A segunda vida da saudade. O Tempo, 26 set. 2025. Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2025/9/26/a-seg unda-vida-da-saudade . Acesso em: 26 out. 2025.

Considerando a construção expressiva do texto e os princípios teóricos que regem as figuras de linguagem, assinale a alternativa que apresenta a correta identificação das figuras predominantes no texto, à luz da classificação tradicional e da análise estilística.
Alternativas
Q3718584 Português

A Vida nos Pequenos Instantes 



Viver, para mim, é mais do que simplesmente existir. É sentir o vento bagunçar os cabelos, fechar os olhos para ouvir o som das ondas, encontrar beleza num café quente entre as mãos. É rir de algo bobo, receber um olhar que aquece por dentro, caminhar sem pressa, sabendo que a felicidade não está no destino, mas no percurso. 


Não quero uma vida grandiosa aos olhos do mundo, quero uma que me transborde por dentro. Que me permita sentir, com toda a intensidade, a beleza do simples. Porque é nisso que mora o verdadeiro encanto da vida.


BORGES, Jorgeane. A vida nos pequenos instantes. Disponível em: https://www.pensador.com/pequenos_textos/2/ . Acesso em: 26 out. 2025.

Leia o trecho do texto:


"receber um olhar que aquece por dentro"


Sobre o trecho destacado, assinale a alternativa que apresenta a interpretação adequada:

Alternativas
Q3718583 Português

A Vida nos Pequenos Instantes 



Viver, para mim, é mais do que simplesmente existir. É sentir o vento bagunçar os cabelos, fechar os olhos para ouvir o som das ondas, encontrar beleza num café quente entre as mãos. É rir de algo bobo, receber um olhar que aquece por dentro, caminhar sem pressa, sabendo que a felicidade não está no destino, mas no percurso. 


Não quero uma vida grandiosa aos olhos do mundo, quero uma que me transborde por dentro. Que me permita sentir, com toda a intensidade, a beleza do simples. Porque é nisso que mora o verdadeiro encanto da vida.


BORGES, Jorgeane. A vida nos pequenos instantes. Disponível em: https://www.pensador.com/pequenos_textos/2/ . Acesso em: 26 out. 2025.

Com a afirmação "A felicidade não está no destino, mas no percurso", a autora demonstra que:
Alternativas
Q3718392 Português

Arabutã recebeu, ao longo de sua história, imigrantes de diferentes lugares, que trouxeram costumes, religiões e festas típicas. Esses costumes ainda podem ser vistos em celebrações, na culinária e na arquitetura do município. 


O que esse tipo de tradição representa para a cultura de Arabutã?

Alternativas
Q3718340 Português
A beleza total


   A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.

   A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.

  O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto de Gertrudes sobre o peito.

   Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. A beleza total. In.: Contos Plausíveis. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2002.)
Sobre os efeitos de sentido construídos por meio da escolha vocabular, do uso de figuras de linguagem e do estilo adotado pelo autor, considerando os recursos semânticos e estilísticos do conto, analise as afirmativas a seguir.

I. A expressão “[...] cerrou os olhos para sempre.” (4º§) é um exemplo de eufemismo, que suaviza a referência à morte de forma estilisticamente elegante.

II. O uso do verbo “pasmavam” (1º§), para descrever o comportamento dos espelhos, constitui uma metáfora, e não personificação.

III. A escolha lexical de termos como “imortal”, “cintilando” e “fechado a sete chaves” (4º§) contribui para uma atmosfera mítica e simbólica, que intensifica o valor estilístico do texto.

IV. A adjetivação exagerada e o tom hiperbólico em diversos trechos do texto são marcas de estilo que produzem humor e crítica social ao mesmo tempo.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q3718339 Português
A beleza total


   A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.

   A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.

  O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto de Gertrudes sobre o peito.

   Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. A beleza total. In.: Contos Plausíveis. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2002.)
Em relação aos efeitos de sentido gerados por diferentes usos das palavras, além do domínio das classes gramaticais, de acordo com o conto de Carlos Drummond de Andrade, analise as afirmativas a seguir.

I. No trecho “Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, [...]” (1º§), o verbo “pasmavam” está empregado com valor conotativo, atribuindo comportamento humano a objetos inanimados.

II. A expressão “[...] cerrou os olhos para sempre.” (4º§) é exemplo de linguagem denotativa, pois descreve objetivamente a morte da personagem.

III. No segmento “[...] o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.” (1º§), o uso do verbo “partiu-se” está relacionado à classe dos verbos pronominais e apresenta sentido literal.

IV. O adjetivo “incomparável” (4º§), atribuído a Gertrudes, reforça uma valorização extrema da personagem e está empregado com valor conotativo.


Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q3718338 Português
A beleza total


   A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.

   A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.

  O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto de Gertrudes sobre o peito.

   Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. A beleza total. In.: Contos Plausíveis. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2002.)
A fim de identificar suas camadas de sentido e recursos de construção simbólica, dado o texto “A beleza total”, analise as afirmativas a seguir, com base na interpretação textual e inferência crítica.

I. O texto apresenta uma crítica simbólica aos padrões estéticos impostos pela sociedade, sugerindo que a obsessão pela beleza pode gerar isolamento e até destruição.

II. A linguagem fantástica e hiperbólica usada na narrativa reforça o caráter cômico da história, anulando qualquer possibilidade de leitura crítica ou simbólica.

III. A personagem Gertrudes é retratada como uma figura mitificada, cuja beleza transcende o corpo físico e permanece viva após sua morte.

IV. O desfecho do texto evidencia a efemeridade da beleza, mostrando que, após a morte de Gertrudes, toda sua beleza desaparece junto com o corpo.

Está correto o que se afirma apenas em
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Q3718336 Português
A beleza total


   A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.

   A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.

  O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto de Gertrudes sobre o peito.

   Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. A beleza total. In.: Contos Plausíveis. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2002.)
Considerando o texto “A beleza total”, sobre a tipologia textual predominante, assinale a afirmativa INCORRETA.
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Q3718335 Português
Pelé: 1000


    O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé. Aquele gol que gostaríamos tanto de fazer, que nos sentimos maduros para fazer, mas que, diabolicamente, não se deixa fazer. O gol.

   Que adianta escrever mil livros, como simples resultado de aplicação mecânica, mãos batendo máquina de manhã à noite, traseiro posto na almofada, palavras dóceis e resignadas ao uso incolor? O livro único, este não há condições, regras, receitas, códigos, cólicas que o façam existir, e só ele conta – negativamente – em nossa bibliografia. Romancistas que não capturam o romance, poetas de que o poema está-se rindo a distância, pensadores que palmilham o batido pensamento alheio, em vão circulamos na pista durante 50 anos. O muito papel que sujamos continua alvo, alheio às letras que nele se imprimem, pois aquela não era a combinação de letras que ele exigia de nós. E quantos metros cúbicos de suor, para chegar a esse não- -resultado!

   Então o gol independe de nossa vontade, formação e mestria? Receio que sim. Produto divino, talvez? Mas, se não valem exortações, apelos cabalísticos, bossas mágicas para que ele se manifeste... Se é de Deus, Deus se diverte negando-o aos que o imploram, e, distribuindo-o a seu capricho, Deus sabe a quem, às vezes um mau elemento. A obra de arte, em forma de gol ou de texto, casa, pintura, som, dança e outras mais, parece antes coisa-em-ser da natureza, revelada arbitrariamente, quase que à revelia do instrumento humano usado para a revelação. Se a obrigação é aprender, por que todos que aprendem não a realizam? Por que só este ou aquele chega a realizá-la? Por que não há 11 Pelés em cada time? Ou 10, para dar uma chance ao time adversário?

    O Rei chega ao milésimo gol (sem pressa, até se permitindo o charme de retificar para menos a contagem) por uma fatalidade à margem do seu saber técnico e artístico. Na realidade, está lavrando sempre o mesmo tento perfeito, pois outros tentos menos apurados não são de sua competência. Sabe apenas fazer o máximo, e quando deixa de destacar-se no campo é porque até ele tem instantes de não-Pelé, como os não-Pelés que somos todos.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. O poder ultrajovem. 9. ed. Rio de Janeiro: Record, 1986. p. 133. Fragmento.)
Ao empregar a expressão “[...] palavras dóceis e resignadas ao uso incolor?” (2º§), o autor atribui à linguagem o sentido de:
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Q3718334 Português
Pelé: 1000


    O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé. Aquele gol que gostaríamos tanto de fazer, que nos sentimos maduros para fazer, mas que, diabolicamente, não se deixa fazer. O gol.

   Que adianta escrever mil livros, como simples resultado de aplicação mecânica, mãos batendo máquina de manhã à noite, traseiro posto na almofada, palavras dóceis e resignadas ao uso incolor? O livro único, este não há condições, regras, receitas, códigos, cólicas que o façam existir, e só ele conta – negativamente – em nossa bibliografia. Romancistas que não capturam o romance, poetas de que o poema está-se rindo a distância, pensadores que palmilham o batido pensamento alheio, em vão circulamos na pista durante 50 anos. O muito papel que sujamos continua alvo, alheio às letras que nele se imprimem, pois aquela não era a combinação de letras que ele exigia de nós. E quantos metros cúbicos de suor, para chegar a esse não- -resultado!

   Então o gol independe de nossa vontade, formação e mestria? Receio que sim. Produto divino, talvez? Mas, se não valem exortações, apelos cabalísticos, bossas mágicas para que ele se manifeste... Se é de Deus, Deus se diverte negando-o aos que o imploram, e, distribuindo-o a seu capricho, Deus sabe a quem, às vezes um mau elemento. A obra de arte, em forma de gol ou de texto, casa, pintura, som, dança e outras mais, parece antes coisa-em-ser da natureza, revelada arbitrariamente, quase que à revelia do instrumento humano usado para a revelação. Se a obrigação é aprender, por que todos que aprendem não a realizam? Por que só este ou aquele chega a realizá-la? Por que não há 11 Pelés em cada time? Ou 10, para dar uma chance ao time adversário?

    O Rei chega ao milésimo gol (sem pressa, até se permitindo o charme de retificar para menos a contagem) por uma fatalidade à margem do seu saber técnico e artístico. Na realidade, está lavrando sempre o mesmo tento perfeito, pois outros tentos menos apurados não são de sua competência. Sabe apenas fazer o máximo, e quando deixa de destacar-se no campo é porque até ele tem instantes de não-Pelé, como os não-Pelés que somos todos.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. O poder ultrajovem. 9. ed. Rio de Janeiro: Record, 1986. p. 133. Fragmento.)
A progressão temática e a manutenção da coerência no texto são asseguradas, entre outros recursos, pelo uso de:
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Q3718332 Português
Pelé: 1000


    O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé. Aquele gol que gostaríamos tanto de fazer, que nos sentimos maduros para fazer, mas que, diabolicamente, não se deixa fazer. O gol.

   Que adianta escrever mil livros, como simples resultado de aplicação mecânica, mãos batendo máquina de manhã à noite, traseiro posto na almofada, palavras dóceis e resignadas ao uso incolor? O livro único, este não há condições, regras, receitas, códigos, cólicas que o façam existir, e só ele conta – negativamente – em nossa bibliografia. Romancistas que não capturam o romance, poetas de que o poema está-se rindo a distância, pensadores que palmilham o batido pensamento alheio, em vão circulamos na pista durante 50 anos. O muito papel que sujamos continua alvo, alheio às letras que nele se imprimem, pois aquela não era a combinação de letras que ele exigia de nós. E quantos metros cúbicos de suor, para chegar a esse não- -resultado!

   Então o gol independe de nossa vontade, formação e mestria? Receio que sim. Produto divino, talvez? Mas, se não valem exortações, apelos cabalísticos, bossas mágicas para que ele se manifeste... Se é de Deus, Deus se diverte negando-o aos que o imploram, e, distribuindo-o a seu capricho, Deus sabe a quem, às vezes um mau elemento. A obra de arte, em forma de gol ou de texto, casa, pintura, som, dança e outras mais, parece antes coisa-em-ser da natureza, revelada arbitrariamente, quase que à revelia do instrumento humano usado para a revelação. Se a obrigação é aprender, por que todos que aprendem não a realizam? Por que só este ou aquele chega a realizá-la? Por que não há 11 Pelés em cada time? Ou 10, para dar uma chance ao time adversário?

    O Rei chega ao milésimo gol (sem pressa, até se permitindo o charme de retificar para menos a contagem) por uma fatalidade à margem do seu saber técnico e artístico. Na realidade, está lavrando sempre o mesmo tento perfeito, pois outros tentos menos apurados não são de sua competência. Sabe apenas fazer o máximo, e quando deixa de destacar-se no campo é porque até ele tem instantes de não-Pelé, como os não-Pelés que somos todos.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. O poder ultrajovem. 9. ed. Rio de Janeiro: Record, 1986. p. 133. Fragmento.)
Pode-se afirmar que o texto de Carlos Drummond de Andrade se apresenta como um exemplo de crônica porque:
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Q3718331 Português
Pelé: 1000


    O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé. Aquele gol que gostaríamos tanto de fazer, que nos sentimos maduros para fazer, mas que, diabolicamente, não se deixa fazer. O gol.

   Que adianta escrever mil livros, como simples resultado de aplicação mecânica, mãos batendo máquina de manhã à noite, traseiro posto na almofada, palavras dóceis e resignadas ao uso incolor? O livro único, este não há condições, regras, receitas, códigos, cólicas que o façam existir, e só ele conta – negativamente – em nossa bibliografia. Romancistas que não capturam o romance, poetas de que o poema está-se rindo a distância, pensadores que palmilham o batido pensamento alheio, em vão circulamos na pista durante 50 anos. O muito papel que sujamos continua alvo, alheio às letras que nele se imprimem, pois aquela não era a combinação de letras que ele exigia de nós. E quantos metros cúbicos de suor, para chegar a esse não- -resultado!

   Então o gol independe de nossa vontade, formação e mestria? Receio que sim. Produto divino, talvez? Mas, se não valem exortações, apelos cabalísticos, bossas mágicas para que ele se manifeste... Se é de Deus, Deus se diverte negando-o aos que o imploram, e, distribuindo-o a seu capricho, Deus sabe a quem, às vezes um mau elemento. A obra de arte, em forma de gol ou de texto, casa, pintura, som, dança e outras mais, parece antes coisa-em-ser da natureza, revelada arbitrariamente, quase que à revelia do instrumento humano usado para a revelação. Se a obrigação é aprender, por que todos que aprendem não a realizam? Por que só este ou aquele chega a realizá-la? Por que não há 11 Pelés em cada time? Ou 10, para dar uma chance ao time adversário?

    O Rei chega ao milésimo gol (sem pressa, até se permitindo o charme de retificar para menos a contagem) por uma fatalidade à margem do seu saber técnico e artístico. Na realidade, está lavrando sempre o mesmo tento perfeito, pois outros tentos menos apurados não são de sua competência. Sabe apenas fazer o máximo, e quando deixa de destacar-se no campo é porque até ele tem instantes de não-Pelé, como os não-Pelés que somos todos.


(ANDRADE, Carlos Drummond de. O poder ultrajovem. 9. ed. Rio de Janeiro: Record, 1986. p. 133. Fragmento.)
Com base na leitura do texto, a metáfora do gol de Pelé, no texto, representa:
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Q3717817 Português
A trajetória histórica de Arabutã é marcada por diferentes nomes que simbolizam momentos distintos de sua formação. Cada mudança refletiu aspectos culturais, sociais e até políticos, desde o isolamento das primeiras famílias até a influência dos imigrantes europeus e a valorização das raízes indígenas.
O que as mudanças de nome do território que hoje é Arabutã revelam sobre sua história? 
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Q3717735 Português
O alerta das redes chega ao Congresso: o urgente debate sobre ameaças digitais à infância


    O paranaense Felipe Bressanim Pereira, 27 anos, já era bastante popular no ambiente digital. Felca, como ele é mais conhecido, havia publicado mais de 100 vídeos desde 2017 e amealhado quase 6 milhões de inscritos em seu canal do YouTube, basicamente falando de celebridades e acontecimentos do mundo da internet. Mas nada se compara em termos de alcance e repercussão ao que ocorreu no último dia 6, quando ele colocou o dedo em uma ferida que há tempos pedia para ser tratada com atenção. Em um vídeo de cinquenta minutos, longo para os padrões digitais, Felca explanou, de forma didática e incisiva, como crianças são usadas para gerar conteúdos que alimentam um universo movido pela pedofilia – e como isso não poderia acontecer sem a leniência dos pais, a ganância criminosa dos produtores e, principalmente, a dinâmica que sustenta o ecossistema lucrativo das redes sociais.

    O alerta foi visto por mais de 38 milhões de pessoas em uma semana, incendiou as redes sociais, mobilizou gente da esquerda à direita e foi bater forte no Congresso, onde atropelou pautas como anistia e foro privilegiado, indo parar no topo das prioridades. O alerta sobre o assunto veio na onda da escalada do problema. A Polícia Federal tem 2.359 inquéritos em andamento sobre pornografia infantil e aliciamento de menores. O Ministério dos Direitos Humanos registrou 5.800 denúncias apenas neste ano – número que teve um salto depois do alerta do youtuber. A ONG SaferNet, que há tempos monitora a questão, recebeu 1.651 novos relatos em apenas uma semana, mostrando como o vídeo serviu para reforçar junto à sociedade a urgência do combate a esse crime, cuja incidência não para de crescer, de forma preocupante. Desde que a PF criou, em 2023, uma área especializada nesses casos, foram realizadas 409 operações com foco na repressão à produção, armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantil. Na terça-feira, 12, a Operação Carcará, da PF, cumpriu mandados judiciais nas cidades de Teresina e Altos, no Piauí, onde encontraram vários arquivos com imagens e vídeos de crianças e adolescentes em cenas de sexo.

    A onda de indignação que tomou conta do Congresso a partir do vídeo de Felca denunciando o problema resultou em uma fúria legislativa sem precedentes. Em menos de três dias, já haviam sido protocolados 52 projetos de lei para proteger as crianças na internet.

    “As plataformas fazem vista grossa para conteúdos problemáticos que elas têm condição de detectar, desmonetizar e tirar do ar, mas não o fazem porque não são obrigadas”, afirma Débora Salles, coordenadora do NetLab UFRJ. Em junho, o STF avançou na regulação ao tornar as big techs responsáveis por pornografia infantil e sexualização de menores, mas a norma se restringe aos casos flagrantemente ilegais e não abrange práticas mais subjetivas, como a “adultização”, termo usado para definir a superexposição de uma criança na internet. “É necessária uma legislação mais explícita”, defende Alexandre Pacheco, doutor em política científica e tecnológica e professor da FGV.


(Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/. Acesso em: agosto de 2025. Adaptado.)
Como recurso estilístico, pode-se reconhecer o emprego de figura de linguagem em, EXCETO: 
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Respostas
15801: B
15802: B
15803: D
15804: C
15805: A
15806: A
15807: E
15808: A
15809: B
15810: B
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15814: C
15815: D
15816: B
15817: C
15818: A
15819: E
15820: A