Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3864982 Português
TEXTO I

A língua é uma construção viva, moldada pelo uso cotidiano e pelas transformações históricas que atravessam a sociedade. Ela não permanece estática, pois acompanha as mudanças culturais, tecnológicas e sociais de cada época, incorporando novos sentidos, palavras e formas de expressão.

No entanto, apesar dessa dinamicidade, a língua também se organiza por regras e convenções que possibilitam a comunicação entre os falantes. A gramática, a ortografia e os princípios sintáticos funcionam como instrumentos de estabilidade, garantindo que a mensagem seja compreendida de maneira relativamente uniforme.

Entre o uso espontâneo da linguagem e suas normas, surge um espaço de tensão equilibrada: ao mesmo tempo em que o falante cria, adapta e ressignifica, ele também precisa reconhecer limites impostos pelo sistema linguístico. É nesse equilíbrio que se constrói a eficácia comunicativa.

Assim, compreender a língua vai além de memorizar regras. Exige interpretar sentidos, reconhecer intenções, perceber escolhas vocabulares e entender como cada elemento linguístico contribui para a construção do significado no texto.
A expressão “espaço de tensão equilibrada”, presente no terceiro parágrafo, contribui para o desenvolvimento argumentativo do texto. Do ponto de vista interpretativo, essa expressão indica:
Alternativas
Q3864981 Português
TEXTO I

A língua é uma construção viva, moldada pelo uso cotidiano e pelas transformações históricas que atravessam a sociedade. Ela não permanece estática, pois acompanha as mudanças culturais, tecnológicas e sociais de cada época, incorporando novos sentidos, palavras e formas de expressão.

No entanto, apesar dessa dinamicidade, a língua também se organiza por regras e convenções que possibilitam a comunicação entre os falantes. A gramática, a ortografia e os princípios sintáticos funcionam como instrumentos de estabilidade, garantindo que a mensagem seja compreendida de maneira relativamente uniforme.

Entre o uso espontâneo da linguagem e suas normas, surge um espaço de tensão equilibrada: ao mesmo tempo em que o falante cria, adapta e ressignifica, ele também precisa reconhecer limites impostos pelo sistema linguístico. É nesse equilíbrio que se constrói a eficácia comunicativa.

Assim, compreender a língua vai além de memorizar regras. Exige interpretar sentidos, reconhecer intenções, perceber escolhas vocabulares e entender como cada elemento linguístico contribui para a construção do significado no texto.
No trecho “a língua é uma construção viva”, a palavra “viva” não se limita ao seu sentido literal. Considerando o contexto em que está inserida, essa expressão assume valor semântico predominantemente:
Alternativas
Q3864980 Português
TEXTO I

A língua é uma construção viva, moldada pelo uso cotidiano e pelas transformações históricas que atravessam a sociedade. Ela não permanece estática, pois acompanha as mudanças culturais, tecnológicas e sociais de cada época, incorporando novos sentidos, palavras e formas de expressão.

No entanto, apesar dessa dinamicidade, a língua também se organiza por regras e convenções que possibilitam a comunicação entre os falantes. A gramática, a ortografia e os princípios sintáticos funcionam como instrumentos de estabilidade, garantindo que a mensagem seja compreendida de maneira relativamente uniforme.

Entre o uso espontâneo da linguagem e suas normas, surge um espaço de tensão equilibrada: ao mesmo tempo em que o falante cria, adapta e ressignifica, ele também precisa reconhecer limites impostos pelo sistema linguístico. É nesse equilíbrio que se constrói a eficácia comunicativa.

Assim, compreender a língua vai além de memorizar regras. Exige interpretar sentidos, reconhecer intenções, perceber escolhas vocabulares e entender como cada elemento linguístico contribui para a construção do significado no texto.
Ao longo do Texto I, o autor desenvolve uma reflexão que articula a relação entre mudança e estabilidade na língua. A partir dessa abordagem, é possível inferir que o texto defende a ideia de que a língua de forma integrada:
Alternativas
Q3864891 Português
Qual das opções abaixo apresenta o sentido figurado:
Alternativas
Q3864847 Português

Leia o Texto 3 para responder à questão.


Texto 3


Uma palavra pode ser usada em sentido próprio, quando mantém seu significado literal, ou em sentido figurado, quando expressa ideia ampliada, subjetiva ou metafórica. No diálogo da tirinha, a fala “tenho quase certeza de que ela é selvagem” representa caso de sentido figurado porque 
Alternativas
Q3864846 Português

Leia o Texto 3 para responder à questão.


Texto 3


A tirinha apresenta um diálogo entre duas crianças sobre a profissão da mãe de um colega. O efeito de humor que há nesse diálogo é produzido por
Alternativas
Q3864843 Português

Leia o Texto 2 para responder à questão.


Texto 2



Falta de saneamento básico causa internação de mais de 300 mil cidadãos em 2024, diz estudo



Um estudo divulgado nesta quarta-feira, dia 19/11, comprovou o tamanho de um dos maiores desafios para o Brasil: a falta de saneamento básico causou a internação de mais de 300 mil cidadãos em 2024.

O caminho da água que abastece alguns moradores de Heliópolis é tortuoso. Começa em um gato e segue com emendas cruzando córregos, ziguezagueando por muros, subindo paredes. Já o que leva os dejetos para fora das casas é bem mais direto: do cano na parede do banheiro para dentro do córrego a cada descarga. Essa arquitetura do improviso ou da necessidade resolve um problema imediato dos moradores, mas vai espalhando pelo bairro um problema ainda maior: de saúde.

O levantamento do Instituto Trata Brasil mostra que diarreias, verminoses, doenças de pele e as causadas pela proliferação de mosquitos, como dengue e Chikungunya, internaram 344 mil brasileiros só em 2024. A melhora do saneamento no Brasil se arrasta. Em 16 anos, no período de 2006 a 2022, o abastecimento de água tratada cresceu apenas 4,6 pontos percentuais. A coleta de esgoto avançou 1 ponto percentual por ano. O tratamento de esgoto nem isso: 14 pontos percentuais em 16 anos. E o Brasil chegou a 2025 com quase metade da população sem coleta ou tratamento de esgoto.



Disponível em: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/03/19/falta-desaneamento-basico-causa-internacao-de-mais-de-300-mil-cidadaos-em-2024- diz-estudo.ghtml. Acesso em: 26 nov. 2025. [Adaptado]. 


A notícia descreve a infraestrutura improvisada usada por moradores de Heliópolis. Entre as consequências dessa situação mencionadas no texto, encontra-se 
Alternativas
Q3864842 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!



ANDRADE, Carlos Drummond de. Furto de flor. In: ANDRADE, C. D. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 85.


A crônica apresenta ações e transformações relacionadas à flor retirada do jardim. No trecho “a flor empalidecia”, o verbo empregado expressa
Alternativas
Q3864841 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!



ANDRADE, Carlos Drummond de. Furto de flor. In: ANDRADE, C. D. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 85.


O narrador menciona que a flor tinha uma “delicada composição”. Um sinônimo adequado para o termo “delicada” nesse contexto é
Alternativas
Q3864840 Português

Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!



ANDRADE, Carlos Drummond de. Furto de flor. In: ANDRADE, C. D. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 85.


A crônica é um texto breve que apresenta acontecimentos do cotidiano com tom reflexivo. Na crônica de Carlos Drummond de Andrade, o narrador relata o que ocorre após retirar uma flor do jardim de um edifício. A ideia principal desse relato é
Alternativas
Q3864684 Português

Leia o Texto IV e responda a questão.



Texto IV



O QUE É UM RIO?  


Rio é um curso natural de água, geralmente doce, que flui sobre a superfície da terra, em direção a um corpo de água maior, como um oceano, mar, lago ou outro rio. Os rios são fundamentais para os ecossistemas e para as atividades humanas, fornecendo água potável, irrigação, transporte e energia hidrelétrica. 


Os rios nascem, quase sempre, em áreas elevadas, como montanhas, seguindo um curso em direção a áreas mais baixas. 


Além de sua função vital para a vida, os rios desempenham um papel crucial na modelagem da paisagem, no transporte de sedimentos e na manutenção do ciclo hidrológico. Essenciais para o ecossistema, além de fornecerem água para consumo humano, são habitats para diversas espécies de animais.


Existem rios perenes, que nunca secam, e rios intermitentes, que secam em determinadas épocas do ano, especialmente em áreas áridas.


Um rio pode ser dividido nestas em três partes: o curso superior (nascente), o curso médio (transporte de sedimentos) e o curso inferior (foz)


A área de drenagem de um rio, incluindo seus afluentes, é chamada de bacia hidrográfica.


Os rios são fontes de água doce para consumo humano e animal, bem como para atividades agrícolas e industriais.


A força da água dos rios pode ser aproveitada para gerar energia hidrelétrica.


Em muitas regiões, os rios são importantes vias de transporte para pessoas e mercadorias. 


Além disso, oferecem oportunidades para atividades de lazer, como pesca, natação e passeios de barco. Os rios têm um papel significativo na cultura e história de muitas comunidades, sendo, muitas vezes, considerados sagrados.


(Adaptado do site Brasil Escola)  

A comunicação especializada se realiza através de termos, e a inteligibilidade desses termos garante o bom fluxo da informação. A estrutura do texto especializado depende do seu autor, dos seus objetivos e da sua estratégia de comunicação, apresentando peculiaridades que podem aparecer na macroestrutura textual, na relação de coerência e coesão estabelecidas entre os elementos linguísticos do texto e na utilização de determinadas estruturas sintáticas, lexicais e morfológicas.


Essas peculiaridades são observadas na estrutura do histórico de um Boletim de Ocorrência (BO), EXCETO aquelas elencadas em:  

Alternativas
Q3864683 Português

Leia o Texto IV e responda a questão.



Texto IV



O QUE É UM RIO?  


Rio é um curso natural de água, geralmente doce, que flui sobre a superfície da terra, em direção a um corpo de água maior, como um oceano, mar, lago ou outro rio. Os rios são fundamentais para os ecossistemas e para as atividades humanas, fornecendo água potável, irrigação, transporte e energia hidrelétrica. 


Os rios nascem, quase sempre, em áreas elevadas, como montanhas, seguindo um curso em direção a áreas mais baixas. 


Além de sua função vital para a vida, os rios desempenham um papel crucial na modelagem da paisagem, no transporte de sedimentos e na manutenção do ciclo hidrológico. Essenciais para o ecossistema, além de fornecerem água para consumo humano, são habitats para diversas espécies de animais.


Existem rios perenes, que nunca secam, e rios intermitentes, que secam em determinadas épocas do ano, especialmente em áreas áridas.


Um rio pode ser dividido nestas em três partes: o curso superior (nascente), o curso médio (transporte de sedimentos) e o curso inferior (foz)


A área de drenagem de um rio, incluindo seus afluentes, é chamada de bacia hidrográfica.


Os rios são fontes de água doce para consumo humano e animal, bem como para atividades agrícolas e industriais.


A força da água dos rios pode ser aproveitada para gerar energia hidrelétrica.


Em muitas regiões, os rios são importantes vias de transporte para pessoas e mercadorias. 


Além disso, oferecem oportunidades para atividades de lazer, como pesca, natação e passeios de barco. Os rios têm um papel significativo na cultura e história de muitas comunidades, sendo, muitas vezes, considerados sagrados.


(Adaptado do site Brasil Escola)  

O Texto IV retoma o tema já tratado nos textos anteriores, entretanto, se diferencia dos demais por uma característica, que consiste em:  
Alternativas
Q3864682 Português

Leia o Texto III e responda a questão.



Texto III



O RIO DA MINHA ALDEIA  


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha

aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.  


O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêm em tudo o que lá não está,

A memória das naus.


O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.  


Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem. 

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia. 


Pelo Tejo vai-se para o mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.


O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.  


Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa 

Nos versos “O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. /Quem está ao pé dele está só ao pé dele”, o eu lírico deseja alcançar a: 
Alternativas
Q3864680 Português

Leia o Texto III e responda a questão.



Texto III



O RIO DA MINHA ALDEIA  


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha

aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.  


O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêm em tudo o que lá não está,

A memória das naus.


O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.  


Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem. 

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia. 


Pelo Tejo vai-se para o mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.


O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.  


Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa 

Após a leitura do Texto III, é legítimo estabelecer uma relação com os dois textos anteriores. Em cada situação, há a possibilidade de leituras alternativas da mesma realidade, o que nos leva a dizer que:  
Alternativas
Q3864679 Português

Leia o Texto II para responder a questão.



Texto II



A TERCEIRA MARGEM DO RIO (fragmentos)  


Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia e que ralhava no diário com a gente ─ minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. 


Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a ideia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso do dia em que a canoa ficou pronta.


Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!”. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?”. Ele só retornou o olhar em mim e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.


Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos se reuniram, tomaram juntamente conselho. [...]


Guimarães Rosa  

Que figura de linguagem ocorre em: “E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa”? 
Alternativas
Q3864676 Português

Leia o Texto II para responder a questão.



Texto II



A TERCEIRA MARGEM DO RIO (fragmentos)  


Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia e que ralhava no diário com a gente ─ minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. 


Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a ideia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso do dia em que a canoa ficou pronta.


Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!”. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?”. Ele só retornou o olhar em mim e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.


Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos se reuniram, tomaram juntamente conselho. [...]


Guimarães Rosa  

No enunciado: “Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais.
A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente”, o emprego de quais classes gramaticais garante a coesão textual? 
Alternativas
Q3864675 Português

Leia o Texto II para responder a questão.



Texto II



A TERCEIRA MARGEM DO RIO (fragmentos)  


Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia e que ralhava no diário com a gente ─ minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. 


Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a ideia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso do dia em que a canoa ficou pronta.


Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!”. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?”. Ele só retornou o olhar em mim e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.


Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos se reuniram, tomaram juntamente conselho. [...]


Guimarães Rosa  

A linguagem literária é plurissignificativa e possibilita múltiplas leituras e diferentes interpretações. A partir dessa premissa e do título do conto, que tipo de espaço é o rio desse texto? 
Alternativas
Q3864671 Português

Leia o Texto I para responder a questão.



Texto I



NO BARCO COR DE SANGUE  


Ah! a placidez das águas turvas que nada revelam e nada exigem. Para isso havia alugado o barco, para ser plácido como a água, ainda que por breve tempo. Um barco pequeno no pequeno lago do parque rodeado de cidade por todos os lados. Remou com falta de jeito, mais para ver o afundar e erguer-se dos remos do que propriamente para avançar. Os ruídos, os ruídos tantos que das ruas se alçavam escalando os canyons dos prédios, lhe chegavam abafados pela distância pouca e pelas copas das árvores. Deixavam de ser buzina, freada, alarme, sirene, para tornar-se pasta sonora amalgamada, quase uma outra natureza do ar. Um barco pequeno pintado de vermelho denso, vermelho sangue, que, descascado aqui e acolá, entregava um idêntico vermelho subjacente, como se vermelha fosse a madeira de que era feito. Um barco em que caberia exato, se deitasse. Deitou-se. Recolheu os remos. Um barco, pensou, embora desejasse tanto não pensar em nada, um barco, pensou, não fica parado, mesmo que não haja vento.


Um barco ondula. Sentia o esquife balançar de leve sob seu corpo, e a água, aquela água turva, cuja superfície pareceria intocada não estivesse ele a navegar, agia discreta por baixo do casco, como se suavemente roçando o dorso contra a quilha. Peito aberto sem a defesa dos braços cruzados, olhar afundado no infinito azul do alto, sentiu uma sombra aflorar lhe a testa, passar pelas pálpebras, a boca, lamber-lhe aos poucos o corpo até abandoná-lo pelos pés. Viu a copa de uma árvore deslizar acima e ficar para trás. O leve, levíssimo ondular repousava-lhe o corpo, devolvia-lhe a antiga segurança do berço. Indo e voltando entre palavras que nem bem escolhia, pensou que alugaria o barco no verão, quando pudesse tirar a camisa e ficar quase seminu ao sol, como se nadasse. E porque o havia pensado sentiu o súbito frio da roupa molhada nas costas, naquela mínima água que todo barco guarda ao fundo. Cochilou, talvez. Certamente fechou os olhos. Da pasta de sons, uma sirene destacou-se aguda. O barco pareceu estremecer. Abriu os olhos. Sem pressa, perguntou-se onde estaria, se próximo ou distante de onde havia embarcado. O ar passou mais fino ou mais rápido sobre o seu rosto, o fundo do barco vibrava, quem sabe, tangido pelos arrepios do seu corpo agora gelado.


O doce bambolear que o havia embalado fazia-se descompassado. Pensou que o tempo do aluguel estaria se esgotando, era hora de voltar. Ainda estendeu a mão preguiçosa para fora da borda, mas, sentindo-a molhada por respingos, retraiu-a surpreso e, agarrando-se dos dois lados, ergueu o tronco. Nada do que viu era o que esperava ver. Nenhuma serenidade mais aplanava o lago, se lago era aquele em que o barco ia à deriva, flancos apertados pela água escura que se acavalava em correnteza e espuma, estilhaçando-se contra as rochas das margens, avançando cada vez mais voraz até onde o olhar alcançava. Olhou para trás procurando o embarcadouro, os outros barcos iguais ao seu, a ponte vagamente japonesa que ligava a beira cimentada à ilhota artificial, os elementos todos que o haviam levado a alugar esse barco, a deitar-se no fundo do esquife cor de sangue em busca de placidez. Distante ou perdida estava aquela realidade. A sombra de uma copa deslizou veloz sobre o seu rosto lívido, a boca contraída não conseguiu articular as palavras do medo. Um rugido surdo havia-se acrescentado aos sons da mata que subiam entre os troncos, e o rugido lhe dizia que, à frente, ondas rápidas se faziam mais intensas, uma cachoeira o aguardava.


Marina Colasanti  

A expressão em destaque “Um rugido surdo havia-se acrescentado aos sons da mata que subiam entre os troncos”, associa-se a qual das alternativas?   
Alternativas
Q3864670 Português

Leia o Texto I para responder a questão.



Texto I



NO BARCO COR DE SANGUE  


Ah! a placidez das águas turvas que nada revelam e nada exigem. Para isso havia alugado o barco, para ser plácido como a água, ainda que por breve tempo. Um barco pequeno no pequeno lago do parque rodeado de cidade por todos os lados. Remou com falta de jeito, mais para ver o afundar e erguer-se dos remos do que propriamente para avançar. Os ruídos, os ruídos tantos que das ruas se alçavam escalando os canyons dos prédios, lhe chegavam abafados pela distância pouca e pelas copas das árvores. Deixavam de ser buzina, freada, alarme, sirene, para tornar-se pasta sonora amalgamada, quase uma outra natureza do ar. Um barco pequeno pintado de vermelho denso, vermelho sangue, que, descascado aqui e acolá, entregava um idêntico vermelho subjacente, como se vermelha fosse a madeira de que era feito. Um barco em que caberia exato, se deitasse. Deitou-se. Recolheu os remos. Um barco, pensou, embora desejasse tanto não pensar em nada, um barco, pensou, não fica parado, mesmo que não haja vento.


Um barco ondula. Sentia o esquife balançar de leve sob seu corpo, e a água, aquela água turva, cuja superfície pareceria intocada não estivesse ele a navegar, agia discreta por baixo do casco, como se suavemente roçando o dorso contra a quilha. Peito aberto sem a defesa dos braços cruzados, olhar afundado no infinito azul do alto, sentiu uma sombra aflorar lhe a testa, passar pelas pálpebras, a boca, lamber-lhe aos poucos o corpo até abandoná-lo pelos pés. Viu a copa de uma árvore deslizar acima e ficar para trás. O leve, levíssimo ondular repousava-lhe o corpo, devolvia-lhe a antiga segurança do berço. Indo e voltando entre palavras que nem bem escolhia, pensou que alugaria o barco no verão, quando pudesse tirar a camisa e ficar quase seminu ao sol, como se nadasse. E porque o havia pensado sentiu o súbito frio da roupa molhada nas costas, naquela mínima água que todo barco guarda ao fundo. Cochilou, talvez. Certamente fechou os olhos. Da pasta de sons, uma sirene destacou-se aguda. O barco pareceu estremecer. Abriu os olhos. Sem pressa, perguntou-se onde estaria, se próximo ou distante de onde havia embarcado. O ar passou mais fino ou mais rápido sobre o seu rosto, o fundo do barco vibrava, quem sabe, tangido pelos arrepios do seu corpo agora gelado.


O doce bambolear que o havia embalado fazia-se descompassado. Pensou que o tempo do aluguel estaria se esgotando, era hora de voltar. Ainda estendeu a mão preguiçosa para fora da borda, mas, sentindo-a molhada por respingos, retraiu-a surpreso e, agarrando-se dos dois lados, ergueu o tronco. Nada do que viu era o que esperava ver. Nenhuma serenidade mais aplanava o lago, se lago era aquele em que o barco ia à deriva, flancos apertados pela água escura que se acavalava em correnteza e espuma, estilhaçando-se contra as rochas das margens, avançando cada vez mais voraz até onde o olhar alcançava. Olhou para trás procurando o embarcadouro, os outros barcos iguais ao seu, a ponte vagamente japonesa que ligava a beira cimentada à ilhota artificial, os elementos todos que o haviam levado a alugar esse barco, a deitar-se no fundo do esquife cor de sangue em busca de placidez. Distante ou perdida estava aquela realidade. A sombra de uma copa deslizou veloz sobre o seu rosto lívido, a boca contraída não conseguiu articular as palavras do medo. Um rugido surdo havia-se acrescentado aos sons da mata que subiam entre os troncos, e o rugido lhe dizia que, à frente, ondas rápidas se faziam mais intensas, uma cachoeira o aguardava.


Marina Colasanti  

Qual é a representação do barco que conduz o personagem do texto?  
Alternativas
Q3864478 Português
Leia o texto a seguir.

Deslocamentos caracterizam os ímpetos da concepção urbana de Anápolis, com os tropeiros que ali passavam, instalavam-se nessas localidades e, consequentemente, geravam trocas de mercadorias favoráveis ao comércio. Outro fator relevante foi a construção da Capela em honra a Sant’Ana, por Gomes de Sousa Ramos, em 1871. Isso potencializa o adensamento populacional na região de Anápolis, já que em 1871 existiam apenas sete casas, no ano seguinte esse número foi para 20 moradias, com uma população estimada em 120 pessoas só no povoado.

Amaral, L. F.; Lopes Filho, J. J. Estranhar e reconhecer: um processo de descontinuidades na paisagem urbana de Anápolis-GO (1870-2022). Paranoá, v. 17, e45325, 2024, p. 6. [Adaptado].

O crescimento populacional se associa com qual característica da população mencionada? 
Alternativas
Respostas
8261: D
8262: C
8263: A
8264: D
8265: D
8266: C
8267: C
8268: D
8269: C
8270: B
8271: E
8272: D
8273: B
8274: B
8275: D
8276: B
8277: E
8278: B
8279: D
8280: A