Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3865914 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.


Da arte de falar mal


    Durante anos, mantive no Correio da Manhã, num canto da capa do segundo caderno, um espaço assim intitulado: "Da arte de falar mal". Até hoje me perguntam a razão de uma rubrica que, entre outras coisas, me levou para a prisão seis vezes por delito de opinião. Num dos interrogatórios a que fui submetido, o coronel que presidia o IPM (Inquérito Policial Militar) quis saber por que eu falava tão mal do regime militar que então se instalava. Eu respondi que não podia mudar o título da minha coluna, falando bem de qualquer coisa.

    Mas a ideia do título não foi minha. Devo-a a Maura Cançado Lopes, colega no suplemento dominical do Jornal do Brasil, um caderno dedicado às artes, que, depois de algum tempo, já em sua fase terminal, saía pontualmente aos sábados. Ela escrevia contos maravilhosos, chamou a atenção das editoras, teve dois livros publicados, que receberam crítica consagradora. Hospício É Deus foi colocado à altura de Clarice Lispector, que aliás a admirava. Escreveu também O Sofredor do Ver – um dos melhores que já li em minha vida.

    Maura namorava Luiz Reis, o Cabeleira, parceiro de Haroldo Barbosa em "Cara de Palhaço" e "Momentos São", dois sucessos absolutos daquela época, gravados por Elizeth Cardoso. Um dia, quis sair comigo. Eu tinha uma Hudson conversível, ela me perguntou se eu era rico, se eu podia comprar um navio. Respondi que sim – e ela colocou essa cena em seu romance, com meu nome e tudo.

    Mas foi nessa mesma tarde que ela me fez parar na Urca, diante da baía que entardecia, e me explicou: "Chamei você para falarmos mal de todo mundo. Falar mal é uma arte".

    Nem lembro mais de quem falamos mal. Creio que não tenha escapado ninguém, a começar pelo pessoal do JB: Décio Pignatari, Reynaldo Jardim, Ferreira Gullar, Oliveira Bastos, Walmir Ayala, Mário Pedrosa, Carlinhos de Oliveira, os irmãos Campos, José Lino Grünewald, Assis Brasil, José Louzeiro, não abrimos exceção nem para o doce Mário Faustino, que havia morrido dias antes. Todos nossos amigos, amigos queridos por sinal.

    Mais ou menos na mesma época, recebi recado de um vizinho do Posto 6 que estava gripado, ardendo em febre, mas queria me ver. Ele não tinha carro e eu guardava o meu na vaga de sua garagem; nunca me cobrou aluguel nem carona, pois adorava andar de ônibus.

    Fui. Encontrei-o na cama, lendo um troço complicado que depois vim a saber que era a gramática de um dialeto do Vietnã. Embaixador aposentado, escritor de sucesso, ele gostava de aprender coisas inúteis e com elas escrevia obras-primas. –

    Estou aqui – disse. – Algum recado?

    – Não. Há dias que não falo mal de ninguém. Chamei-o para isso.

    Três horas depois, já sem febre, ele me levou até a porta de seu apartamento. Com os olhos de gato acesos, olhou-me severamente e, com o orgulho que lhe era próprio (referia-se a si mesmo sempre na terceira pessoa), admitiu:

    – Puxa! Como falamos mal de todo mundo!

    Morreria em breve, poucas horas depois de um discurso que levou mais de três anos para ter coragem de fazer e no qual só falou bem dos outros. Acho que o sacrifício lhe custou a vida.

    Foi ele que me ensinou a regra fundamental da arte de falar mal: "Só fale mal dos ausentes, nunca dos presentes". Pode parecer uma obviedade. Mas o meu amigo e vizinho era também acusado de obviedades geniais em sua obra literária. Uma de suas frases mais famosas ainda é citada: "Viver é muito perigoso".

    Pulando no tempo que pulou sobre todos. Morreu o jornal em que trabalhava, morreu a Maura, morreu o meu amigo ex-embaixador, morreu até o doce Mário Faustino num desastre de avião. Ninguém é imortal, com exceção de uma amiga famosa, romancista histórica, que me quis tornar imortal como ela.

    Hoje, não mais se fazem aquelas constrangedoras visitas aos imortais, antes que eles morram. Pelo contrário, a afobação de um candidato à imortalidade é letal. Adoentada, sem poder sair de casa, ela me pediu pela sobrinha e secretária que fosse à sua casa buscar o seu voto. É evidente que fui, pois muito queria vê-la.

    Ela me recebeu nordestinamente afável. Sentada em sua cadeira de palhinha, com ares de senhora-deengenho, esticou-me o envelope branco: 

    – Toma. Aqui estão os meus votos. Agora não falemos mais em literatura. Vamos falar mal de todo mundo! Também saí tarde de sua casa. Não deixamos pedra sobre pedra e, seguindo o conselho do exembaixador, só falamos mal dos ausentes, que era o restante da humanidade, pois em sua sala só havia a visitada e o visitante.

    Por essas e outras, sempre admirei o Antônio Callado, que definia os personagens do nosso tempo em duas categorias: os que tinham boa presença e os que tinham péssima ausência. Boa presença era quando todos falavam bem de um sujeito presente. Péssima ausência era quando, ausente, o sujeito monopolizava a conversa, cada qual juntando um graveto para queimar na alegre pira da maledicência.

    E, com aquele jeito de único inglês da vida real, Callado completava a sua frase: "O mais gostoso de tudo isso é que o bom presente e o mau ausente são sempre a mesma pessoa".

CONY, Carlos Heitor. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As cem melhores crônicas brasileiras (org. e int.). Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 332-334.
Considere as afirmativas a seguir, a respeito da construção de sentido no texto:
I. A recorrência da morte de personagens e instituições reforça a ideia de transitoriedade da vida e da memória cultural.
II. A noção de “imortalidade” é tratada de modo irônico, especialmente no contexto das academias e do desejo de consagração literária.
III. O narrador assume postura distanciada e impessoal, evitando envolver-se emocionalmente com os episódios narrados.
IV. A crônica sugere que falar mal pode funcionar como mecanismo de sociabilidade e de afirmação de laços afetivos.
Assinale a alternativa que indica a(s) afirmativa(s) CORRETA(S):
Alternativas
Q3865913 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.


Da arte de falar mal


    Durante anos, mantive no Correio da Manhã, num canto da capa do segundo caderno, um espaço assim intitulado: "Da arte de falar mal". Até hoje me perguntam a razão de uma rubrica que, entre outras coisas, me levou para a prisão seis vezes por delito de opinião. Num dos interrogatórios a que fui submetido, o coronel que presidia o IPM (Inquérito Policial Militar) quis saber por que eu falava tão mal do regime militar que então se instalava. Eu respondi que não podia mudar o título da minha coluna, falando bem de qualquer coisa.

    Mas a ideia do título não foi minha. Devo-a a Maura Cançado Lopes, colega no suplemento dominical do Jornal do Brasil, um caderno dedicado às artes, que, depois de algum tempo, já em sua fase terminal, saía pontualmente aos sábados. Ela escrevia contos maravilhosos, chamou a atenção das editoras, teve dois livros publicados, que receberam crítica consagradora. Hospício É Deus foi colocado à altura de Clarice Lispector, que aliás a admirava. Escreveu também O Sofredor do Ver – um dos melhores que já li em minha vida.

    Maura namorava Luiz Reis, o Cabeleira, parceiro de Haroldo Barbosa em "Cara de Palhaço" e "Momentos São", dois sucessos absolutos daquela época, gravados por Elizeth Cardoso. Um dia, quis sair comigo. Eu tinha uma Hudson conversível, ela me perguntou se eu era rico, se eu podia comprar um navio. Respondi que sim – e ela colocou essa cena em seu romance, com meu nome e tudo.

    Mas foi nessa mesma tarde que ela me fez parar na Urca, diante da baía que entardecia, e me explicou: "Chamei você para falarmos mal de todo mundo. Falar mal é uma arte".

    Nem lembro mais de quem falamos mal. Creio que não tenha escapado ninguém, a começar pelo pessoal do JB: Décio Pignatari, Reynaldo Jardim, Ferreira Gullar, Oliveira Bastos, Walmir Ayala, Mário Pedrosa, Carlinhos de Oliveira, os irmãos Campos, José Lino Grünewald, Assis Brasil, José Louzeiro, não abrimos exceção nem para o doce Mário Faustino, que havia morrido dias antes. Todos nossos amigos, amigos queridos por sinal.

    Mais ou menos na mesma época, recebi recado de um vizinho do Posto 6 que estava gripado, ardendo em febre, mas queria me ver. Ele não tinha carro e eu guardava o meu na vaga de sua garagem; nunca me cobrou aluguel nem carona, pois adorava andar de ônibus.

    Fui. Encontrei-o na cama, lendo um troço complicado que depois vim a saber que era a gramática de um dialeto do Vietnã. Embaixador aposentado, escritor de sucesso, ele gostava de aprender coisas inúteis e com elas escrevia obras-primas. –

    Estou aqui – disse. – Algum recado?

    – Não. Há dias que não falo mal de ninguém. Chamei-o para isso.

    Três horas depois, já sem febre, ele me levou até a porta de seu apartamento. Com os olhos de gato acesos, olhou-me severamente e, com o orgulho que lhe era próprio (referia-se a si mesmo sempre na terceira pessoa), admitiu:

    – Puxa! Como falamos mal de todo mundo!

    Morreria em breve, poucas horas depois de um discurso que levou mais de três anos para ter coragem de fazer e no qual só falou bem dos outros. Acho que o sacrifício lhe custou a vida.

    Foi ele que me ensinou a regra fundamental da arte de falar mal: "Só fale mal dos ausentes, nunca dos presentes". Pode parecer uma obviedade. Mas o meu amigo e vizinho era também acusado de obviedades geniais em sua obra literária. Uma de suas frases mais famosas ainda é citada: "Viver é muito perigoso".

    Pulando no tempo que pulou sobre todos. Morreu o jornal em que trabalhava, morreu a Maura, morreu o meu amigo ex-embaixador, morreu até o doce Mário Faustino num desastre de avião. Ninguém é imortal, com exceção de uma amiga famosa, romancista histórica, que me quis tornar imortal como ela.

    Hoje, não mais se fazem aquelas constrangedoras visitas aos imortais, antes que eles morram. Pelo contrário, a afobação de um candidato à imortalidade é letal. Adoentada, sem poder sair de casa, ela me pediu pela sobrinha e secretária que fosse à sua casa buscar o seu voto. É evidente que fui, pois muito queria vê-la.

    Ela me recebeu nordestinamente afável. Sentada em sua cadeira de palhinha, com ares de senhora-deengenho, esticou-me o envelope branco: 

    – Toma. Aqui estão os meus votos. Agora não falemos mais em literatura. Vamos falar mal de todo mundo! Também saí tarde de sua casa. Não deixamos pedra sobre pedra e, seguindo o conselho do exembaixador, só falamos mal dos ausentes, que era o restante da humanidade, pois em sua sala só havia a visitada e o visitante.

    Por essas e outras, sempre admirei o Antônio Callado, que definia os personagens do nosso tempo em duas categorias: os que tinham boa presença e os que tinham péssima ausência. Boa presença era quando todos falavam bem de um sujeito presente. Péssima ausência era quando, ausente, o sujeito monopolizava a conversa, cada qual juntando um graveto para queimar na alegre pira da maledicência.

    E, com aquele jeito de único inglês da vida real, Callado completava a sua frase: "O mais gostoso de tudo isso é que o bom presente e o mau ausente são sempre a mesma pessoa".

CONY, Carlos Heitor. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As cem melhores crônicas brasileiras (org. e int.). Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 332-334.
A respeito da figura do ex-embaixador mencionada na crônica, é INCORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3865912 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.


Da arte de falar mal


    Durante anos, mantive no Correio da Manhã, num canto da capa do segundo caderno, um espaço assim intitulado: "Da arte de falar mal". Até hoje me perguntam a razão de uma rubrica que, entre outras coisas, me levou para a prisão seis vezes por delito de opinião. Num dos interrogatórios a que fui submetido, o coronel que presidia o IPM (Inquérito Policial Militar) quis saber por que eu falava tão mal do regime militar que então se instalava. Eu respondi que não podia mudar o título da minha coluna, falando bem de qualquer coisa.

    Mas a ideia do título não foi minha. Devo-a a Maura Cançado Lopes, colega no suplemento dominical do Jornal do Brasil, um caderno dedicado às artes, que, depois de algum tempo, já em sua fase terminal, saía pontualmente aos sábados. Ela escrevia contos maravilhosos, chamou a atenção das editoras, teve dois livros publicados, que receberam crítica consagradora. Hospício É Deus foi colocado à altura de Clarice Lispector, que aliás a admirava. Escreveu também O Sofredor do Ver – um dos melhores que já li em minha vida.

    Maura namorava Luiz Reis, o Cabeleira, parceiro de Haroldo Barbosa em "Cara de Palhaço" e "Momentos São", dois sucessos absolutos daquela época, gravados por Elizeth Cardoso. Um dia, quis sair comigo. Eu tinha uma Hudson conversível, ela me perguntou se eu era rico, se eu podia comprar um navio. Respondi que sim – e ela colocou essa cena em seu romance, com meu nome e tudo.

    Mas foi nessa mesma tarde que ela me fez parar na Urca, diante da baía que entardecia, e me explicou: "Chamei você para falarmos mal de todo mundo. Falar mal é uma arte".

    Nem lembro mais de quem falamos mal. Creio que não tenha escapado ninguém, a começar pelo pessoal do JB: Décio Pignatari, Reynaldo Jardim, Ferreira Gullar, Oliveira Bastos, Walmir Ayala, Mário Pedrosa, Carlinhos de Oliveira, os irmãos Campos, José Lino Grünewald, Assis Brasil, José Louzeiro, não abrimos exceção nem para o doce Mário Faustino, que havia morrido dias antes. Todos nossos amigos, amigos queridos por sinal.

    Mais ou menos na mesma época, recebi recado de um vizinho do Posto 6 que estava gripado, ardendo em febre, mas queria me ver. Ele não tinha carro e eu guardava o meu na vaga de sua garagem; nunca me cobrou aluguel nem carona, pois adorava andar de ônibus.

    Fui. Encontrei-o na cama, lendo um troço complicado que depois vim a saber que era a gramática de um dialeto do Vietnã. Embaixador aposentado, escritor de sucesso, ele gostava de aprender coisas inúteis e com elas escrevia obras-primas. –

    Estou aqui – disse. – Algum recado?

    – Não. Há dias que não falo mal de ninguém. Chamei-o para isso.

    Três horas depois, já sem febre, ele me levou até a porta de seu apartamento. Com os olhos de gato acesos, olhou-me severamente e, com o orgulho que lhe era próprio (referia-se a si mesmo sempre na terceira pessoa), admitiu:

    – Puxa! Como falamos mal de todo mundo!

    Morreria em breve, poucas horas depois de um discurso que levou mais de três anos para ter coragem de fazer e no qual só falou bem dos outros. Acho que o sacrifício lhe custou a vida.

    Foi ele que me ensinou a regra fundamental da arte de falar mal: "Só fale mal dos ausentes, nunca dos presentes". Pode parecer uma obviedade. Mas o meu amigo e vizinho era também acusado de obviedades geniais em sua obra literária. Uma de suas frases mais famosas ainda é citada: "Viver é muito perigoso".

    Pulando no tempo que pulou sobre todos. Morreu o jornal em que trabalhava, morreu a Maura, morreu o meu amigo ex-embaixador, morreu até o doce Mário Faustino num desastre de avião. Ninguém é imortal, com exceção de uma amiga famosa, romancista histórica, que me quis tornar imortal como ela.

    Hoje, não mais se fazem aquelas constrangedoras visitas aos imortais, antes que eles morram. Pelo contrário, a afobação de um candidato à imortalidade é letal. Adoentada, sem poder sair de casa, ela me pediu pela sobrinha e secretária que fosse à sua casa buscar o seu voto. É evidente que fui, pois muito queria vê-la.

    Ela me recebeu nordestinamente afável. Sentada em sua cadeira de palhinha, com ares de senhora-deengenho, esticou-me o envelope branco: 

    – Toma. Aqui estão os meus votos. Agora não falemos mais em literatura. Vamos falar mal de todo mundo! Também saí tarde de sua casa. Não deixamos pedra sobre pedra e, seguindo o conselho do exembaixador, só falamos mal dos ausentes, que era o restante da humanidade, pois em sua sala só havia a visitada e o visitante.

    Por essas e outras, sempre admirei o Antônio Callado, que definia os personagens do nosso tempo em duas categorias: os que tinham boa presença e os que tinham péssima ausência. Boa presença era quando todos falavam bem de um sujeito presente. Péssima ausência era quando, ausente, o sujeito monopolizava a conversa, cada qual juntando um graveto para queimar na alegre pira da maledicência.

    E, com aquele jeito de único inglês da vida real, Callado completava a sua frase: "O mais gostoso de tudo isso é que o bom presente e o mau ausente são sempre a mesma pessoa".

CONY, Carlos Heitor. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As cem melhores crônicas brasileiras (org. e int.). Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 332-334.
A crônica de Carlos Heitor Cony articula memória pessoal, crítica cultural e ironia. Considerando os recursos discursivos e temáticos mobilizados pelo autor, assinale a alternativa que NÃO condiz com uma interpretação adequada do texto.
Alternativas
Q3865911 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.


Da arte de falar mal


    Durante anos, mantive no Correio da Manhã, num canto da capa do segundo caderno, um espaço assim intitulado: "Da arte de falar mal". Até hoje me perguntam a razão de uma rubrica que, entre outras coisas, me levou para a prisão seis vezes por delito de opinião. Num dos interrogatórios a que fui submetido, o coronel que presidia o IPM (Inquérito Policial Militar) quis saber por que eu falava tão mal do regime militar que então se instalava. Eu respondi que não podia mudar o título da minha coluna, falando bem de qualquer coisa.

    Mas a ideia do título não foi minha. Devo-a a Maura Cançado Lopes, colega no suplemento dominical do Jornal do Brasil, um caderno dedicado às artes, que, depois de algum tempo, já em sua fase terminal, saía pontualmente aos sábados. Ela escrevia contos maravilhosos, chamou a atenção das editoras, teve dois livros publicados, que receberam crítica consagradora. Hospício É Deus foi colocado à altura de Clarice Lispector, que aliás a admirava. Escreveu também O Sofredor do Ver – um dos melhores que já li em minha vida.

    Maura namorava Luiz Reis, o Cabeleira, parceiro de Haroldo Barbosa em "Cara de Palhaço" e "Momentos São", dois sucessos absolutos daquela época, gravados por Elizeth Cardoso. Um dia, quis sair comigo. Eu tinha uma Hudson conversível, ela me perguntou se eu era rico, se eu podia comprar um navio. Respondi que sim – e ela colocou essa cena em seu romance, com meu nome e tudo.

    Mas foi nessa mesma tarde que ela me fez parar na Urca, diante da baía que entardecia, e me explicou: "Chamei você para falarmos mal de todo mundo. Falar mal é uma arte".

    Nem lembro mais de quem falamos mal. Creio que não tenha escapado ninguém, a começar pelo pessoal do JB: Décio Pignatari, Reynaldo Jardim, Ferreira Gullar, Oliveira Bastos, Walmir Ayala, Mário Pedrosa, Carlinhos de Oliveira, os irmãos Campos, José Lino Grünewald, Assis Brasil, José Louzeiro, não abrimos exceção nem para o doce Mário Faustino, que havia morrido dias antes. Todos nossos amigos, amigos queridos por sinal.

    Mais ou menos na mesma época, recebi recado de um vizinho do Posto 6 que estava gripado, ardendo em febre, mas queria me ver. Ele não tinha carro e eu guardava o meu na vaga de sua garagem; nunca me cobrou aluguel nem carona, pois adorava andar de ônibus.

    Fui. Encontrei-o na cama, lendo um troço complicado que depois vim a saber que era a gramática de um dialeto do Vietnã. Embaixador aposentado, escritor de sucesso, ele gostava de aprender coisas inúteis e com elas escrevia obras-primas. –

    Estou aqui – disse. – Algum recado?

    – Não. Há dias que não falo mal de ninguém. Chamei-o para isso.

    Três horas depois, já sem febre, ele me levou até a porta de seu apartamento. Com os olhos de gato acesos, olhou-me severamente e, com o orgulho que lhe era próprio (referia-se a si mesmo sempre na terceira pessoa), admitiu:

    – Puxa! Como falamos mal de todo mundo!

    Morreria em breve, poucas horas depois de um discurso que levou mais de três anos para ter coragem de fazer e no qual só falou bem dos outros. Acho que o sacrifício lhe custou a vida.

    Foi ele que me ensinou a regra fundamental da arte de falar mal: "Só fale mal dos ausentes, nunca dos presentes". Pode parecer uma obviedade. Mas o meu amigo e vizinho era também acusado de obviedades geniais em sua obra literária. Uma de suas frases mais famosas ainda é citada: "Viver é muito perigoso".

    Pulando no tempo que pulou sobre todos. Morreu o jornal em que trabalhava, morreu a Maura, morreu o meu amigo ex-embaixador, morreu até o doce Mário Faustino num desastre de avião. Ninguém é imortal, com exceção de uma amiga famosa, romancista histórica, que me quis tornar imortal como ela.

    Hoje, não mais se fazem aquelas constrangedoras visitas aos imortais, antes que eles morram. Pelo contrário, a afobação de um candidato à imortalidade é letal. Adoentada, sem poder sair de casa, ela me pediu pela sobrinha e secretária que fosse à sua casa buscar o seu voto. É evidente que fui, pois muito queria vê-la.

    Ela me recebeu nordestinamente afável. Sentada em sua cadeira de palhinha, com ares de senhora-deengenho, esticou-me o envelope branco: 

    – Toma. Aqui estão os meus votos. Agora não falemos mais em literatura. Vamos falar mal de todo mundo! Também saí tarde de sua casa. Não deixamos pedra sobre pedra e, seguindo o conselho do exembaixador, só falamos mal dos ausentes, que era o restante da humanidade, pois em sua sala só havia a visitada e o visitante.

    Por essas e outras, sempre admirei o Antônio Callado, que definia os personagens do nosso tempo em duas categorias: os que tinham boa presença e os que tinham péssima ausência. Boa presença era quando todos falavam bem de um sujeito presente. Péssima ausência era quando, ausente, o sujeito monopolizava a conversa, cada qual juntando um graveto para queimar na alegre pira da maledicência.

    E, com aquele jeito de único inglês da vida real, Callado completava a sua frase: "O mais gostoso de tudo isso é que o bom presente e o mau ausente são sempre a mesma pessoa".

CONY, Carlos Heitor. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As cem melhores crônicas brasileiras (org. e int.). Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 332-334.
No texto “Da arte de falar mal”, Carlos Heitor Cony reflete sobre a prática da maledicência a partir de experiências pessoais e de convivência intelectual. Considerando o texto como um todo, pode-se afirmar, EXCETO:
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Ano: 2026 Banca: Avança SP Órgão: Prefeitura de Vinhedo - SP Provas: Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Cardiologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Plantonista de Pronto-Atendimento - Pediatra | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Pneumologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Reumatologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Vascular | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Contador | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Dentista Clínico Geral | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Psicólogo | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Fonoaudiólogo | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Preparador Físico | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Dermatologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Oftalmologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico do Trabalho | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Endocrinologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Geriatra | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Ginecologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Infectologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Neurologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Ortopedista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Otorrinolaringologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Pediatra | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Plantonista de Pronto-Atendimento - Clínico Geral |
Q3865868 Português

Q8.png (328×341)


BECK, Alexandre. Tiras de Armandinho. Disponível em .<https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/27431-tirasde-armandinho>. 


A palavra “só”, empregada no último quadro da tirinha acima, possui o sentido de: 

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Assinale a alternativa cuja expressão destacada está sendo empregada em seu sentido próprio, não se relacionando a uma frase-feita ou clichê em Língua Portuguesa.
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Q3865863 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Saint-Exupéry e o mundo deserto 


    Nos confins da Líbia, no centro do deserto, um avião ainda bastante primitivo toca o chão a uma velocidade de 270 quilômetros por hora. Dentro dele, o navegador André Prévot e o piloto Antoine de Saint-Exupéry, que ainda não havia escrito O Pequeno Príncipe. Milagrosamente, sobrevivem à queda, mas agora precisam enfrentar a sede e caminhar muito em busca da salvação. Se fossem sozinhos no mundo, desistiriam e esperariam a morte. Mas os gritos que vão dar as pessoas que esperam por eles são motivos para que não cruzem os braços: é preciso continuar. 

    São quatro dias caminhando, fazendo rastros com os pés para não perder o caminho de volta até o avião, estendendo um pano para tentar conseguir alguma gota de orvalho para beber, delirando com miragens e temendo que os olhos se enchessem de luz (último estágio antes do fim), até finalmente encontrar um beduíno que os livrará de uma morte certa. 

    Esta é uma das histórias que SaintExupéry conta ao longo do comovente Terra dos Homens, livro que, mais do que contar algumas das suas experiências como aviador, fala da sua relação com a humanidade. Aos seus olhos, há no mundo agonias maiores do que a de padecer em um deserto. Ali, ele está em contato com o vento, as estrelas, a noite, a areia e o mar, lutando com as forças naturais e tendo preocupações de ser humano. Bem mais amargo ele julgava o sofrimento das pessoas dos trens do subúrbio, pessoas que pensam que são pessoas, mas estão reduzidas ao uso que delas se faz. Sem a consciência do nosso papel no mundo, mesmo o mais obscuro, não somos felizes, não vivemos e tampouco morremos em paz – assim reflete o aviador, feliz na sua profissão de camponês do ar, porque sentia que ela estava ligada ao restante da humanidade.

    Afinal, foi o mundo que se fez deserto e nos deu a sede de encontrar companheiros. Um homem a dois passos de nós é como se habitasse nas solidões do Tibete, longe, tão longe que nenhum avião os levaria até lá, nunca. E a alma de uma simples mocinha é melhor protegida pelo silêncio do que os oásis do Saara pela extensão das areias. Saint-Exupéry parece fazer um apelo para que tomemos consciência e procuremos um fim que nos ligue a todos, ao que é essencial ao ser humano e que está além de ideologias, além do raciocínio que nos divide: a verdade é o que simplifica o mundo, e não o que gera o caos. (...) 


FENDRICH, Henrique. Saint-Exupéry e o mundo deserto. Escotilha. Disponível em <https://escotilha.com.br/cronicas/henriquefendrich/saint-exupery-e-o-mundo-deserto/>. 
“Aos seus olhos, há no mundo agonias maiores do que a de padecer em um deserto.”

A palavra destacada no trecho acima é sinônima de: 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: Avança SP Órgão: Prefeitura de Vinhedo - SP Provas: Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Cardiologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Plantonista de Pronto-Atendimento - Pediatra | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Pneumologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Reumatologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Vascular | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Contador | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Dentista Clínico Geral | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Psicólogo | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Fonoaudiólogo | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Preparador Físico | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Dermatologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Oftalmologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico do Trabalho | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Endocrinologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Geriatra | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Ginecologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Infectologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Neurologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Ortopedista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Otorrinolaringologista | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Pediatra | Avança SP - 2026 - Prefeitura de Vinhedo - SP - Médico Plantonista de Pronto-Atendimento - Clínico Geral |
Q3865861 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Saint-Exupéry e o mundo deserto 


    Nos confins da Líbia, no centro do deserto, um avião ainda bastante primitivo toca o chão a uma velocidade de 270 quilômetros por hora. Dentro dele, o navegador André Prévot e o piloto Antoine de Saint-Exupéry, que ainda não havia escrito O Pequeno Príncipe. Milagrosamente, sobrevivem à queda, mas agora precisam enfrentar a sede e caminhar muito em busca da salvação. Se fossem sozinhos no mundo, desistiriam e esperariam a morte. Mas os gritos que vão dar as pessoas que esperam por eles são motivos para que não cruzem os braços: é preciso continuar. 

    São quatro dias caminhando, fazendo rastros com os pés para não perder o caminho de volta até o avião, estendendo um pano para tentar conseguir alguma gota de orvalho para beber, delirando com miragens e temendo que os olhos se enchessem de luz (último estágio antes do fim), até finalmente encontrar um beduíno que os livrará de uma morte certa. 

    Esta é uma das histórias que SaintExupéry conta ao longo do comovente Terra dos Homens, livro que, mais do que contar algumas das suas experiências como aviador, fala da sua relação com a humanidade. Aos seus olhos, há no mundo agonias maiores do que a de padecer em um deserto. Ali, ele está em contato com o vento, as estrelas, a noite, a areia e o mar, lutando com as forças naturais e tendo preocupações de ser humano. Bem mais amargo ele julgava o sofrimento das pessoas dos trens do subúrbio, pessoas que pensam que são pessoas, mas estão reduzidas ao uso que delas se faz. Sem a consciência do nosso papel no mundo, mesmo o mais obscuro, não somos felizes, não vivemos e tampouco morremos em paz – assim reflete o aviador, feliz na sua profissão de camponês do ar, porque sentia que ela estava ligada ao restante da humanidade.

    Afinal, foi o mundo que se fez deserto e nos deu a sede de encontrar companheiros. Um homem a dois passos de nós é como se habitasse nas solidões do Tibete, longe, tão longe que nenhum avião os levaria até lá, nunca. E a alma de uma simples mocinha é melhor protegida pelo silêncio do que os oásis do Saara pela extensão das areias. Saint-Exupéry parece fazer um apelo para que tomemos consciência e procuremos um fim que nos ligue a todos, ao que é essencial ao ser humano e que está além de ideologias, além do raciocínio que nos divide: a verdade é o que simplifica o mundo, e não o que gera o caos. (...) 


FENDRICH, Henrique. Saint-Exupéry e o mundo deserto. Escotilha. Disponível em <https://escotilha.com.br/cronicas/henriquefendrich/saint-exupery-e-o-mundo-deserto/>. 
Em relação ao texto “Saint-Exupéry e o mundo deserto”, é correto afirmar que o autor:
Alternativas
Q3865708 Português
Imagem associada para resolução da questão

BECK, Alexandre. Tiras de Armandinho. Disponível em <https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/27431-tirasde-armandinho>. 


A frase “Mais uma? Por quê?”, empregada na tirinha acima, pode ser reescrita corretamente da seguinte forma: 
Alternativas
Q3865703 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Magia da criação 



     Muitas vezes tento escrever, mas as ideias somem da minha mente, resolvo tomar um café, que é a bebida que mais aprecio, volto ao meu “canto de escrita”, ligo o som com as minhas músicas preferidas, de repente... fluem palavras e mais palavras, percebo que é o momento da criação, e desenrola a crônica com muita fluidez, há mesmo uma ligação superior da nossa mente com a divina criação, a arte é sempre natural, há uma sequência de fatores que interferem em nosso comportamento e nos permite dar início à obra literária.


    Sabemos que há uma ansiedade em falarmos sobre um assunto qualquer, mas não temos a certeza do que seria mais interessante para o leitor, pois, quando escrevemos, temos a necessidade de que muitas pessoas nos leiam e que a nossa mensagem seja bem compreendida, clara e precisa.  


    Escrever é mesmo colocar em movimento sentimentos muitas vezes contidos no peito, na pele, nos olhos, é maravilhoso poder dizer ao mundo que somos pessoas sensíveis a todos os acontecimentos mundiais, que não estamos estáticos, caminhamos em plena mutação humana, pois somos mortais e as transformações são necessárias para crescermos, evoluirmos junto com a natureza que nos rodeia. Sentir e escrever caminham lado a lado na plataforma da literatura humana, não há palavras, caso não haja um movimento, uma sensação, um amor, um beijo, uma troca de olhares. 


   Somos movidos pela motivação, há dentro de cada um uma chave a ser ligada, e a mágica do sucesso acontece, como o nascer do Sol! 


    De repente, percebemos que acabamos concluindo uma crônica e não demos nem conta, pois os dedos rolaram no teclado e a mente foi soltando muito rapidamente todas as palavras a serem ditas.


Escrever é fascinante!  



LACERDA, Eliane. Magia da criação. Disponível em

<https://www.avl.org.br/uploads/78d7147f47d250f93eae8

ba243db8505magiadacriacao_el.pdf> 

O texto “Magia da criação” é caracterizado como um tipo de: 
Alternativas
Q3865702 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Magia da criação 



     Muitas vezes tento escrever, mas as ideias somem da minha mente, resolvo tomar um café, que é a bebida que mais aprecio, volto ao meu “canto de escrita”, ligo o som com as minhas músicas preferidas, de repente... fluem palavras e mais palavras, percebo que é o momento da criação, e desenrola a crônica com muita fluidez, há mesmo uma ligação superior da nossa mente com a divina criação, a arte é sempre natural, há uma sequência de fatores que interferem em nosso comportamento e nos permite dar início à obra literária.


    Sabemos que há uma ansiedade em falarmos sobre um assunto qualquer, mas não temos a certeza do que seria mais interessante para o leitor, pois, quando escrevemos, temos a necessidade de que muitas pessoas nos leiam e que a nossa mensagem seja bem compreendida, clara e precisa.  


    Escrever é mesmo colocar em movimento sentimentos muitas vezes contidos no peito, na pele, nos olhos, é maravilhoso poder dizer ao mundo que somos pessoas sensíveis a todos os acontecimentos mundiais, que não estamos estáticos, caminhamos em plena mutação humana, pois somos mortais e as transformações são necessárias para crescermos, evoluirmos junto com a natureza que nos rodeia. Sentir e escrever caminham lado a lado na plataforma da literatura humana, não há palavras, caso não haja um movimento, uma sensação, um amor, um beijo, uma troca de olhares. 


   Somos movidos pela motivação, há dentro de cada um uma chave a ser ligada, e a mágica do sucesso acontece, como o nascer do Sol! 


    De repente, percebemos que acabamos concluindo uma crônica e não demos nem conta, pois os dedos rolaram no teclado e a mente foi soltando muito rapidamente todas as palavras a serem ditas.


Escrever é fascinante!  



LACERDA, Eliane. Magia da criação. Disponível em

<https://www.avl.org.br/uploads/78d7147f47d250f93eae8

ba243db8505magiadacriacao_el.pdf> 

“Escrever é mesmo colocar em movimento sentimentos muitas vezes contidos no peito”
A palavra destacada no trecho acima é sinônima de: 
Alternativas
Q3865701 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Magia da criação 



     Muitas vezes tento escrever, mas as ideias somem da minha mente, resolvo tomar um café, que é a bebida que mais aprecio, volto ao meu “canto de escrita”, ligo o som com as minhas músicas preferidas, de repente... fluem palavras e mais palavras, percebo que é o momento da criação, e desenrola a crônica com muita fluidez, há mesmo uma ligação superior da nossa mente com a divina criação, a arte é sempre natural, há uma sequência de fatores que interferem em nosso comportamento e nos permite dar início à obra literária.


    Sabemos que há uma ansiedade em falarmos sobre um assunto qualquer, mas não temos a certeza do que seria mais interessante para o leitor, pois, quando escrevemos, temos a necessidade de que muitas pessoas nos leiam e que a nossa mensagem seja bem compreendida, clara e precisa.  


    Escrever é mesmo colocar em movimento sentimentos muitas vezes contidos no peito, na pele, nos olhos, é maravilhoso poder dizer ao mundo que somos pessoas sensíveis a todos os acontecimentos mundiais, que não estamos estáticos, caminhamos em plena mutação humana, pois somos mortais e as transformações são necessárias para crescermos, evoluirmos junto com a natureza que nos rodeia. Sentir e escrever caminham lado a lado na plataforma da literatura humana, não há palavras, caso não haja um movimento, uma sensação, um amor, um beijo, uma troca de olhares. 


   Somos movidos pela motivação, há dentro de cada um uma chave a ser ligada, e a mágica do sucesso acontece, como o nascer do Sol! 


    De repente, percebemos que acabamos concluindo uma crônica e não demos nem conta, pois os dedos rolaram no teclado e a mente foi soltando muito rapidamente todas as palavras a serem ditas.


Escrever é fascinante!  



LACERDA, Eliane. Magia da criação. Disponível em

<https://www.avl.org.br/uploads/78d7147f47d250f93eae8

ba243db8505magiadacriacao_el.pdf> 

A fluidez da escrita e do pensamento se manifesta, no primeiro parágrafo do texto “Magia da criação”, através do(a): 
Alternativas
Q3865673 Português

Leia a tirinha a seguir para responder à questão.




Disponível em: <https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/27431-tiras-de-armandinho>.

Na tirinha acima, qual a justificativa do menino para ter desobedecido e quebrado um objeto na sala?
Alternativas
Q3865613 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Mendigo


    Eu estava diante duma banca de jornais na Avenida, quando a mão do mendigo se estendeu. Dei-lhe uma nota tão suja e tão amassada quanto ele. Guardou-a no bolso, agradeceu com um seco obrigado e começou a ler as manchetes dos vespertinos. Depois me disse:

   — Não acredito um pingo em jornalistas. São muito mentirosos. Mas tá certo: mentem para ganhar a vida. O importante é o homem ganhar a vida, o resto é besteira.

    Calou-se e continuou a ler notícias eleitorais:

   — O Brasil ainda não teve um governo que prestasse. Nem rei, nem presidente. Tudo uma cambada só.

   Reconheceu algumas qualidades nessa ou naquela figura (aliás, com invulgar pertinência para um mendigo), mas isso, a seu ver, não queria dizer nada:

   — O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas. A natureza humana é que é de barro ordinário. Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim.

   Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros:

   — O senhor não vê? Estou aqui pedindo esmola, quando poderia estar trabalhando. Eu não tenho defeito físico nenhum e até que não posso me queixar da saúde.

   Tirei do bolso uma nota de cinquenta e lhe ofereci pela sua franqueza. (...)


CAMPOS, Paulo Mendes. Mendigo. In: Para Gostar de Ler. 12 ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 70-71. (Volume 2 - Crônicas)
No primeiro parágrafo, o termo “seco” no trecho “Guardou-a no bolso, agradeceu com um seco obrigado e começou a ler as manchetes dos vespertinos.” NÃO é um sinônimo de: 
Alternativas
Q3865611 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Mendigo


    Eu estava diante duma banca de jornais na Avenida, quando a mão do mendigo se estendeu. Dei-lhe uma nota tão suja e tão amassada quanto ele. Guardou-a no bolso, agradeceu com um seco obrigado e começou a ler as manchetes dos vespertinos. Depois me disse:

   — Não acredito um pingo em jornalistas. São muito mentirosos. Mas tá certo: mentem para ganhar a vida. O importante é o homem ganhar a vida, o resto é besteira.

    Calou-se e continuou a ler notícias eleitorais:

   — O Brasil ainda não teve um governo que prestasse. Nem rei, nem presidente. Tudo uma cambada só.

   Reconheceu algumas qualidades nessa ou naquela figura (aliás, com invulgar pertinência para um mendigo), mas isso, a seu ver, não queria dizer nada:

   — O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas. A natureza humana é que é de barro ordinário. Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim.

   Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros:

   — O senhor não vê? Estou aqui pedindo esmola, quando poderia estar trabalhando. Eu não tenho defeito físico nenhum e até que não posso me queixar da saúde.

   Tirei do bolso uma nota de cinquenta e lhe ofereci pela sua franqueza. (...)


CAMPOS, Paulo Mendes. Mendigo. In: Para Gostar de Ler. 12 ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 70-71. (Volume 2 - Crônicas)
Qual é a teoria do mendigo para explicar por que o Brasil não teria tido nenhum governo que prestasse? 
Alternativas
Q3865584 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Disponível em: <https://clubedamafalda.blogspot.com//> 

Assinale a alternativa que apresenta um sinônimo correto para o termo “pôr”, no trecho da tirinha: “Vou buscar terra pra depois pôr água e brincar com barro”:
Alternativas
Q3865581 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Disponível em: <https://clubedamafalda.blogspot.com//> 

Na tirinha acima, por que Miguelito pede que lembrem dele em sua versão original? 
Alternativas
Q3865538 Português
texto8.png (655×335)

Disponível em: https://www.facebook.com/linguaportuguesa07/posts/n%C3%A3o-deixem-de-assistir-essa-reportagem-asitua%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-realmente-complicada/312698425466854/. Acesso em: 30 dez. 2025 
Sobre as informações presentes no post, analise as afirmações a seguir:

I. À expressão “não sabem usar corretamente a língua portuguesa”, subjaz uma visão de língua calcada na prescrição e no dialogismo, que desconsidera os contextos de uso.
II. Matérias como essa, publicada pelo g1, acabam por veicular preconceito linguístico ao não se darem conta de que o português no Brasil apresenta um alto grau de diversidade e de variabilidade.
III. O trecho “Não deixem de assistir essa reportagem” apresenta, segundo a prescrição gramatical, um erro de regência, o que revela uma contradição em relação ao que se preconiza como “usar corretamente a língua portuguesa”.

Está INCORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q3865537 Português
Leia este poema.

E as margens

Respira mansa a superfície do lago
silêncio e lágrimas pesam-lhe as margens.

Uma mulher quieta
enche as mãos de sangue
cortando o azul
da superfície de vidro.


Tavares, Ana Paula. As margens. In: Amargos como os frutos: poesia reunida. Rio de Janeiro: Pallas, 2011. p. 130.
A poesia da angolana Ana Paula Ribeiro Tavares, autora do texto, é marcada por um lirismo intenso e se apresenta como uma voz singular, construída a partir de uma concepção feminina e intimista.
No contexto do poema “E as margens”, avalie as afirmações a seguir e marque V para as verdadeiras e F para as falsas.

(__) A relação entre os vocábulos “superfície” e “margens”, nos dois primeiros versos, é de aquiescência entre a mansuetude da superfície do lago e o peso das margens provocado pelo silêncio e pelas lágrimas do eu lírico.
(__) “Estar na margem”, metaforicamente, pode significar “não estar no centro”, considerando-se que o eu lírico se trata de uma personagem afrofeminina, o que enfatiza a perspectiva dessa voz poética, seus desafios e sua (re)existência.
(__) O lago, no poema, simboliza nascimento, fonte de vida, sacralidade, ancestralidade. O eu lírico está diante de uma superfície espelhada, que reflete sua imagem e sua condição de existência, com suas dores e seus desafios.
(__) A mansidão do lago, apresentada na primeira estrofe, é quebrada pelos três últimos versos do poema, sugerindo que o eu lírico, ao tocar a água, rompe com a própria imagem e provoca desequilíbrios pessoais e sociais.

A sequência que preenche os parênteses CORRETAMENTE é: 
Alternativas
Q3865536 Português
Leia a tirinha de Armandinho.

texto6.png (657×195)

Disponível em: https://www.tumblr.com/tirasarmandinho. Acesso em: 28 dez. 2025. 
O fenômeno da variação linguística é inerente a todas as línguas humanas, o que significa dizer que elas variam no tempo, no espaço, em diferentes classes sociais, nos variados contextos de uso.
A tirinha de Armandinho exemplifica esse fenômeno linguístico, salientando que: 
Alternativas
Respostas
8181: B
8182: D
8183: D
8184: D
8185: A
8186: B
8187: B
8188: E
8189: D
8190: C
8191: D
8192: B
8193: E
8194: E
8195: D
8196: D
8197: E
8198: A
8199: A
8200: B