Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3860855 Português
A denotação e a conotação são conceitos fundamentais para a interpretação textual, sendo a denotação o sentido figurado das palavras e a conotação o sentido literal, conforme o uso em verbetes de dicionário.
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Q3860108 Português
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A Bruxa dos Bell é uma das lendas mais famosas do folclore americano, originária do condado de Robertson, no Tennessee, no início do século XIX. Tudo começou em 1817, quando a família Bell, liderada pelo fazendeiro John Bell, passou a sofrer assombrações inexplicáveis em sua propriedade rural. Relatos iniciais incluem avistamentos de uma criatura estranha, com corpo de cão e cabeça de coelho, que escapou de tiros e deu início a fenômenos sobrenaturais.

Os eventos escalaram rapidamente com poltergeists: batidas nas paredes, vozes sussurrantes, objetos voando e ataques físicos invisíveis, especialmente contra a filha Betsy Bell. A entidade se autodenominava "Kate", em referência a uma vizinha idosa com quem os Bell disputavam terras, e demonstrava inteligência ao falar, cantar hinos religiosos e prever eventos futuros com precisão assustadora. Vizinhos e até o general Andrew Jackson visitaram a fazenda, testemunhando fenômenos que os deixaram atônitos.

Em 1820, John Bell caiu gravemente doente, com sintomas de envenenamento, morrendo após a entidade prometer sua morte e celebrar com risadas macabras. Antes de falecer, Bell deixou uma garrafa de líquido que a "bruxa" destruiu, alegando ser o veneno. A família enterrou o frasco vazio, e a assombração prometeu retornar em 1828 e 107 anos depois, em 1935, marcando o fim do primeiro ciclo de terror.

A lenda persiste até hoje, atraindo turistas à caverna da Bruxa Bell, onde vozes e presenças ainda são relatadas. Inspirou livros, como a "História de Tennessee" de 1887, e filmes como "An American Haunting", consolidando-se como um marco do sobrenatural nos Estados Unidos, misturando folclore local com elementos de vingança e mistério eterno.
No segmento "Os eventos escalaram rapidamente com poltergeists", o verbo em destaque é empregado em sentido figurado (conotativo), derivado de sua acepção original de "subir" ou "galgar". No contexto específico da narrativa, essa propriedade lexical (polissemia) é mobilizada para expressar a ideia de:
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Q3860107 Português
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A Bruxa dos Bell é uma das lendas mais famosas do folclore americano, originária do condado de Robertson, no Tennessee, no início do século XIX. Tudo começou em 1817, quando a família Bell, liderada pelo fazendeiro John Bell, passou a sofrer assombrações inexplicáveis em sua propriedade rural. Relatos iniciais incluem avistamentos de uma criatura estranha, com corpo de cão e cabeça de coelho, que escapou de tiros e deu início a fenômenos sobrenaturais.

Os eventos escalaram rapidamente com poltergeists: batidas nas paredes, vozes sussurrantes, objetos voando e ataques físicos invisíveis, especialmente contra a filha Betsy Bell. A entidade se autodenominava "Kate", em referência a uma vizinha idosa com quem os Bell disputavam terras, e demonstrava inteligência ao falar, cantar hinos religiosos e prever eventos futuros com precisão assustadora. Vizinhos e até o general Andrew Jackson visitaram a fazenda, testemunhando fenômenos que os deixaram atônitos.

Em 1820, John Bell caiu gravemente doente, com sintomas de envenenamento, morrendo após a entidade prometer sua morte e celebrar com risadas macabras. Antes de falecer, Bell deixou uma garrafa de líquido que a "bruxa" destruiu, alegando ser o veneno. A família enterrou o frasco vazio, e a assombração prometeu retornar em 1828 e 107 anos depois, em 1935, marcando o fim do primeiro ciclo de terror.

A lenda persiste até hoje, atraindo turistas à caverna da Bruxa Bell, onde vozes e presenças ainda são relatadas. Inspirou livros, como a "História de Tennessee" de 1887, e filmes como "An American Haunting", consolidando-se como um marco do sobrenatural nos Estados Unidos, misturando folclore local com elementos de vingança e mistério eterno.
No texto, os termos "assombração", "entidade", "poltergeist" e "bruxa" são utilizados para referenciar o mesmo fenômeno sobrenatural. Do ponto de vista das relações de sentido hierárquicas, o vocábulo "fenômenos" (presente no trecho "deu início a fenômenos sobrenaturais") funciona, em relação a "batidas nas paredes" e "vozes sussurrantes", como um:
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Q3860102 Português
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A Bruxa dos Bell é uma das lendas mais famosas do folclore americano, originária do condado de Robertson, no Tennessee, no início do século XIX. Tudo começou em 1817, quando a família Bell, liderada pelo fazendeiro John Bell, passou a sofrer assombrações inexplicáveis em sua propriedade rural. Relatos iniciais incluem avistamentos de uma criatura estranha, com corpo de cão e cabeça de coelho, que escapou de tiros e deu início a fenômenos sobrenaturais.

Os eventos escalaram rapidamente com poltergeists: batidas nas paredes, vozes sussurrantes, objetos voando e ataques físicos invisíveis, especialmente contra a filha Betsy Bell. A entidade se autodenominava "Kate", em referência a uma vizinha idosa com quem os Bell disputavam terras, e demonstrava inteligência ao falar, cantar hinos religiosos e prever eventos futuros com precisão assustadora. Vizinhos e até o general Andrew Jackson visitaram a fazenda, testemunhando fenômenos que os deixaram atônitos.

Em 1820, John Bell caiu gravemente doente, com sintomas de envenenamento, morrendo após a entidade prometer sua morte e celebrar com risadas macabras. Antes de falecer, Bell deixou uma garrafa de líquido que a "bruxa" destruiu, alegando ser o veneno. A família enterrou o frasco vazio, e a assombração prometeu retornar em 1828 e 107 anos depois, em 1935, marcando o fim do primeiro ciclo de terror.

A lenda persiste até hoje, atraindo turistas à caverna da Bruxa Bell, onde vozes e presenças ainda são relatadas. Inspirou livros, como a "História de Tennessee" de 1887, e filmes como "An American Haunting", consolidando-se como um marco do sobrenatural nos Estados Unidos, misturando folclore local com elementos de vingança e mistério eterno.
A coesão referencial muitas vezes depende da situação de enunciação. No segmento final "A lenda persiste até hoje", a expressão destacada constitui um elemento dêitico temporal. Sua interpretação plena depende do contexto extralinguístico, pois ancora a validade da afirmação:
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Q3860101 Português
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A Bruxa dos Bell é uma das lendas mais famosas do folclore americano, originária do condado de Robertson, no Tennessee, no início do século XIX. Tudo começou em 1817, quando a família Bell, liderada pelo fazendeiro John Bell, passou a sofrer assombrações inexplicáveis em sua propriedade rural. Relatos iniciais incluem avistamentos de uma criatura estranha, com corpo de cão e cabeça de coelho, que escapou de tiros e deu início a fenômenos sobrenaturais.

Os eventos escalaram rapidamente com poltergeists: batidas nas paredes, vozes sussurrantes, objetos voando e ataques físicos invisíveis, especialmente contra a filha Betsy Bell. A entidade se autodenominava "Kate", em referência a uma vizinha idosa com quem os Bell disputavam terras, e demonstrava inteligência ao falar, cantar hinos religiosos e prever eventos futuros com precisão assustadora. Vizinhos e até o general Andrew Jackson visitaram a fazenda, testemunhando fenômenos que os deixaram atônitos.

Em 1820, John Bell caiu gravemente doente, com sintomas de envenenamento, morrendo após a entidade prometer sua morte e celebrar com risadas macabras. Antes de falecer, Bell deixou uma garrafa de líquido que a "bruxa" destruiu, alegando ser o veneno. A família enterrou o frasco vazio, e a assombração prometeu retornar em 1828 e 107 anos depois, em 1935, marcando o fim do primeiro ciclo de terror.

A lenda persiste até hoje, atraindo turistas à caverna da Bruxa Bell, onde vozes e presenças ainda são relatadas. Inspirou livros, como a "História de Tennessee" de 1887, e filmes como "An American Haunting", consolidando-se como um marco do sobrenatural nos Estados Unidos, misturando folclore local com elementos de vingança e mistério eterno.
Na construção da verossimilhança interna do texto, a menção à visita do general Andrew Jackson e o registro do caso no livro "História de Tennessee" de 1887 não são meros detalhes narrativos. Do ponto de vista da retórica, esses elementos funcionam como um Argumento de Autoridade e Validação Histórica, cujo objetivo discursivo principal é:
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Q3860100 Português
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A Bruxa dos Bell é uma das lendas mais famosas do folclore americano, originária do condado de Robertson, no Tennessee, no início do século XIX. Tudo começou em 1817, quando a família Bell, liderada pelo fazendeiro John Bell, passou a sofrer assombrações inexplicáveis em sua propriedade rural. Relatos iniciais incluem avistamentos de uma criatura estranha, com corpo de cão e cabeça de coelho, que escapou de tiros e deu início a fenômenos sobrenaturais.

Os eventos escalaram rapidamente com poltergeists: batidas nas paredes, vozes sussurrantes, objetos voando e ataques físicos invisíveis, especialmente contra a filha Betsy Bell. A entidade se autodenominava "Kate", em referência a uma vizinha idosa com quem os Bell disputavam terras, e demonstrava inteligência ao falar, cantar hinos religiosos e prever eventos futuros com precisão assustadora. Vizinhos e até o general Andrew Jackson visitaram a fazenda, testemunhando fenômenos que os deixaram atônitos.

Em 1820, John Bell caiu gravemente doente, com sintomas de envenenamento, morrendo após a entidade prometer sua morte e celebrar com risadas macabras. Antes de falecer, Bell deixou uma garrafa de líquido que a "bruxa" destruiu, alegando ser o veneno. A família enterrou o frasco vazio, e a assombração prometeu retornar em 1828 e 107 anos depois, em 1935, marcando o fim do primeiro ciclo de terror.

A lenda persiste até hoje, atraindo turistas à caverna da Bruxa Bell, onde vozes e presenças ainda são relatadas. Inspirou livros, como a "História de Tennessee" de 1887, e filmes como "An American Haunting", consolidando-se como um marco do sobrenatural nos Estados Unidos, misturando folclore local com elementos de vingança e mistério eterno.
No trecho "ataques físicos invisíveis, especialmente contra a filha Betsy Bell", o operador discursivo em destaque desempenha uma função semântico-argumentativa específica. Ele não apenas adiciona uma informação, mas atua sobre a classe dos "ataques físicos", estabelecendo uma relação de: 
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Q3860099 Português
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A Bruxa dos Bell é uma das lendas mais famosas do folclore americano, originária do condado de Robertson, no Tennessee, no início do século XIX. Tudo começou em 1817, quando a família Bell, liderada pelo fazendeiro John Bell, passou a sofrer assombrações inexplicáveis em sua propriedade rural. Relatos iniciais incluem avistamentos de uma criatura estranha, com corpo de cão e cabeça de coelho, que escapou de tiros e deu início a fenômenos sobrenaturais.

Os eventos escalaram rapidamente com poltergeists: batidas nas paredes, vozes sussurrantes, objetos voando e ataques físicos invisíveis, especialmente contra a filha Betsy Bell. A entidade se autodenominava "Kate", em referência a uma vizinha idosa com quem os Bell disputavam terras, e demonstrava inteligência ao falar, cantar hinos religiosos e prever eventos futuros com precisão assustadora. Vizinhos e até o general Andrew Jackson visitaram a fazenda, testemunhando fenômenos que os deixaram atônitos.

Em 1820, John Bell caiu gravemente doente, com sintomas de envenenamento, morrendo após a entidade prometer sua morte e celebrar com risadas macabras. Antes de falecer, Bell deixou uma garrafa de líquido que a "bruxa" destruiu, alegando ser o veneno. A família enterrou o frasco vazio, e a assombração prometeu retornar em 1828 e 107 anos depois, em 1935, marcando o fim do primeiro ciclo de terror.

A lenda persiste até hoje, atraindo turistas à caverna da Bruxa Bell, onde vozes e presenças ainda são relatadas. Inspirou livros, como a "História de Tennessee" de 1887, e filmes como "An American Haunting", consolidando-se como um marco do sobrenatural nos Estados Unidos, misturando folclore local com elementos de vingança e mistério eterno.
A leitura interpretativa do texto, para além das informações explícitas, exige a capacidade de estabelecer nexos causais implícitos. Ao considerar a informação de que a entidade se autodenominava "Kate" em referência a uma vizinha com quem John Bell disputava terras, infere-se logicamente que a natureza da assombração, na diegese da lenda, não é aleatória ou puramente espiritual, mas sim uma manifestação de:
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Q3859385 Português
As palavras 'casa' e 'cão' no contexto 'A casa de meu amigo' e 'O cão latiu', respectivamente, exemplificam o uso denotativo da linguagem, enquanto em 'Ele é uma casa de sabedoria' e 'Você é um cão sem dono', a função conotativa se manifesta, atribuindo sentidos figurados aos termos.
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Q3859384 Português
A compreensão leitora, na perspectiva do ensino de língua portuguesa, difere fundamentalmente da interpretação textual, uma vez que a primeira se restringe ao reconhecimento literal do que está explícito no texto, enquanto a segunda envolve inferências e a atribuição de sentidos mais profundos e subjetivos. 
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Q3859382 Português
A relação entre ler, escrever e as diversas áreas do conhecimento deve ser estabelecida pela mera aplicação de técnicas de leitura e escrita a conteúdos específicos, sem que haja uma integração profunda que explore a dimensão epistêmica dessas práticas na construção do saber em cada disciplina.
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Q3859381 Português
A oralidade no ambiente escolar, diferentemente da escrita, não exige um trabalho pedagógico sistemático, uma vez que o domínio da fala se desenvolve naturalmente na interação diária, sem a necessidade de estratégias de ensino específicas para aprimorar a expressão e compreensão oral formal.
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Q3859380 Português
Os gêneros textuais orais e escritos, por serem formas fixas e estáveis de organização da linguagem, devem ser ensinados de modo prescritivo, com foco primordial na memorização de suas estruturas, de forma a garantir a proficiência do estudante em qualquer situação comunicativa.
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Q3859379 Português
A concepção da linguagem como interação, em contraste com a visão instrumental ou representacional, preconiza que a língua não é apenas um instrumento para transmitir informações ou um espelho da realidade, mas sim uma forma de ação social que constitui os sujeitos e as relações, sendo indissociável dos contextos de uso.
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Q3859297 Português

Leia o texto e responda as dez questões seguintes.


As crianças agora vão poder falar e escrever errado?


    É comum ouvir que há alguns anos ou em outro momento da história brasileira, o ensino da Língua Portuguesa era mais “puxado”, com maior rigor na gramática, com sua escrita, pronúncia e formalidade. A preocupação com uma suposta flexibilização da norma culta já virou até tema de campanha política e discussões em redes sociais. Será que as escolas estão mais tolerantes com as variações linguísticas presentes no país e nas salas de aula? Realmente há um menor apego com a norma culta no ensino brasileiro?


    Marcos Bagno é doutor em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro "Preconceito linguístico: o que é, como se faz” e ressalta que ainda persiste um senso comum a respeito do ensino da língua: o de que só é possível aprender pelo estudo sistemático e minucioso da gramática, pela apreensão dos termos e conceitos elaborados para descrever a língua e, principalmente, que tal estudo garantiria um uso “correto” da língua. “Mas séculos de ensino baseados nessa tradição já demonstraram a ineficácia dessa metodologia”, destaca. Para o autor, campanhas contra uma suposta flexibilização da norma culta ensinada nas aulas de Língua Portuguesa podem revelar projetos político-ideológicos em que a Educação apareceria apenas em segundo plano, sem aprofundamento da questão.


    Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) auxiliavam os conhecimentos em Língua Portuguesa e outras disciplinas a serem passados no Ensino Fundamental e Médio, desde 1997 até aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em 2017 e neste ano. Além do novo documento trazer ao processo de ensino-aprendizado da Língua Portuguesa as especificidades da leitura e da escrita em ambientes digitais, a BNCC inclui, agora, alguns determinantes sociais da escrita, como por exemplo, a articulação da produção textual com a situação de comunicação, levando em conta o interlocutor e a variação linguística.


    A norma culta é uma dessas variantes, porém a que possui o maior prestígio social, de acordo com Bruno Pereira, doutor em Ensino de Língua e Literatura pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). “O fato de apresentarmos aos alunos diversas variações linguísticas o auxilia na comunicação de contextos socioculturais plurais, atentando-os à adequação pragmática da língua”, explica.


    De acordo com Bruno, é importante ressaltar que o aluno brasileiro de agora não é o mesmo aluno de 20 anos atrás. “É necessário incentivar uma postura reflexiva acerca do uso da língua em nossos alunos e, para isso, devemos apresentar a ele as diversas variações linguísticas que existem no mesmo idioma, bem como suas especificidades e funcionalidades”, ressalta.


    Ao falar em ensino mais, ou menos, “rigoroso”, Maria Helena Moreira professora da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) destaca outro possível engano. “Todo ensino tem de ser ‘rigoroso’, mas no sentido de rastrear rigorosamente aquilo que é pertinente na tarefa em questão, e, no nosso caso, não no sentido de dosar para mais ou para menos o policiamento da linguagem”, afirma.


    Alguns educadores, o preconceito linguístico é um preconceito social. “Não é por acaso, então, que são as pessoas mais pobres, em sua maioria negras, as que mais sofrem a acusação de ‘falar errado’ ou ‘não saber português’", afirma Marcos Bagno. Ele tem pesquisado textos do período pós-independência que apresentam essa característica. "É um discurso que se repete no Brasil há duzentos anos, deixando bem manifesto este preconceito”, diz. Para o doutor pela USP, o fundamental e necessário nas propostas políticas e discussões é o foco no letramento das pessoas, isto é, a inserção crescente de cidadãos na cultura escrita. “E isso se faz por meio da leitura e da escrita de todos os tipos e gêneros textuais possíveis, desde os mais marginalizados, como letras de funk e hip-hop, até os mais prestigiados, como a literatura canonizada”, enfatiza.


    Os números dão ênfase à preocupação de Marcos Bagno. Três em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no Brasil – 29% do total, o equivalente a cerca de 38 milhões de pessoas – são considerados analfabetos funcionais, de acordo com o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2018.


    Diante desse cenário, o pensamento sobre o que é "certo" e "errado" na Língua Portuguesa está mudando no país. “Isso não quer dizer que, como professor de Língua Portuguesa, eu não vá apresentar preceitos da norma culta durante as aulas”, pondera Bruno Pereira, afirmando que a dicotomia “certo vs errado” tornou-se obsoleta hoje. “Prefiro utilizar ‘adequado’ ou ‘inadequado’, pois acredito que devemos formar alunos que saibam fazer uso da língua de maneira consciente e adequada, e não de maneira mecanizada, como sugere a concepção de ‘erro’, destaca.


    Ou seja, o trabalho escolar com a língua que se fala só tem sentido se apreendido na vivência efetiva da língua. “As diferenças linguísticas dentro da sala de aula constituem o melhor possível tudo aquilo que há para ser dito sobre língua, linguagem, gramática e norma: ora, são exatamente as diferenças que ilustram a real natureza da linguagem”, explica Maria Helena, mostrando que é exatamente a variação que caracteriza a linguagem. O que menos há, nessa realidade de diferenças existentes e observáveis, é lugar para preconceito.


    O doutor pela UFT demonstra que a língua é como mecanismo viva, dinâmico e carregado de intencionalidades e isso, para ele, precisa se refletir no ensino atualmente. Segundo Bruno, a compreensão da norma culta deixa de ter perfil unilateral e passa a dialogar com as outras variantes na rotina escolar, que deve estar focada no letramento e no desenvolvimento de habilidades de lei tura, escrita e interpretação de textos de maneira catalisadora. “O aluno passa a entender a função e aplicação social da língua, não é algo mecânico. Por isso, acredito na construção de uma língua igualitária”, conclui.


(Fonte: Paula Calçade. https://novaescola.org.br/con teudo/12459/as-criancas-agora-vao-poder-falar-e-escre ver-errado. Acesso em 29.12.2025) 

Ao integrar depoimentos de especialistas, dados estatísticos e referências a documentos normativos, o texto constrói um efeito de autoridade discursiva que se explica, sobretudo, pela função: 
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Q3859296 Português

Leia o texto e responda as dez questões seguintes.


As crianças agora vão poder falar e escrever errado?


    É comum ouvir que há alguns anos ou em outro momento da história brasileira, o ensino da Língua Portuguesa era mais “puxado”, com maior rigor na gramática, com sua escrita, pronúncia e formalidade. A preocupação com uma suposta flexibilização da norma culta já virou até tema de campanha política e discussões em redes sociais. Será que as escolas estão mais tolerantes com as variações linguísticas presentes no país e nas salas de aula? Realmente há um menor apego com a norma culta no ensino brasileiro?


    Marcos Bagno é doutor em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro "Preconceito linguístico: o que é, como se faz” e ressalta que ainda persiste um senso comum a respeito do ensino da língua: o de que só é possível aprender pelo estudo sistemático e minucioso da gramática, pela apreensão dos termos e conceitos elaborados para descrever a língua e, principalmente, que tal estudo garantiria um uso “correto” da língua. “Mas séculos de ensino baseados nessa tradição já demonstraram a ineficácia dessa metodologia”, destaca. Para o autor, campanhas contra uma suposta flexibilização da norma culta ensinada nas aulas de Língua Portuguesa podem revelar projetos político-ideológicos em que a Educação apareceria apenas em segundo plano, sem aprofundamento da questão.


    Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) auxiliavam os conhecimentos em Língua Portuguesa e outras disciplinas a serem passados no Ensino Fundamental e Médio, desde 1997 até aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em 2017 e neste ano. Além do novo documento trazer ao processo de ensino-aprendizado da Língua Portuguesa as especificidades da leitura e da escrita em ambientes digitais, a BNCC inclui, agora, alguns determinantes sociais da escrita, como por exemplo, a articulação da produção textual com a situação de comunicação, levando em conta o interlocutor e a variação linguística.


    A norma culta é uma dessas variantes, porém a que possui o maior prestígio social, de acordo com Bruno Pereira, doutor em Ensino de Língua e Literatura pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). “O fato de apresentarmos aos alunos diversas variações linguísticas o auxilia na comunicação de contextos socioculturais plurais, atentando-os à adequação pragmática da língua”, explica.


    De acordo com Bruno, é importante ressaltar que o aluno brasileiro de agora não é o mesmo aluno de 20 anos atrás. “É necessário incentivar uma postura reflexiva acerca do uso da língua em nossos alunos e, para isso, devemos apresentar a ele as diversas variações linguísticas que existem no mesmo idioma, bem como suas especificidades e funcionalidades”, ressalta.


    Ao falar em ensino mais, ou menos, “rigoroso”, Maria Helena Moreira professora da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) destaca outro possível engano. “Todo ensino tem de ser ‘rigoroso’, mas no sentido de rastrear rigorosamente aquilo que é pertinente na tarefa em questão, e, no nosso caso, não no sentido de dosar para mais ou para menos o policiamento da linguagem”, afirma.


    Alguns educadores, o preconceito linguístico é um preconceito social. “Não é por acaso, então, que são as pessoas mais pobres, em sua maioria negras, as que mais sofrem a acusação de ‘falar errado’ ou ‘não saber português’", afirma Marcos Bagno. Ele tem pesquisado textos do período pós-independência que apresentam essa característica. "É um discurso que se repete no Brasil há duzentos anos, deixando bem manifesto este preconceito”, diz. Para o doutor pela USP, o fundamental e necessário nas propostas políticas e discussões é o foco no letramento das pessoas, isto é, a inserção crescente de cidadãos na cultura escrita. “E isso se faz por meio da leitura e da escrita de todos os tipos e gêneros textuais possíveis, desde os mais marginalizados, como letras de funk e hip-hop, até os mais prestigiados, como a literatura canonizada”, enfatiza.


    Os números dão ênfase à preocupação de Marcos Bagno. Três em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no Brasil – 29% do total, o equivalente a cerca de 38 milhões de pessoas – são considerados analfabetos funcionais, de acordo com o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2018.


    Diante desse cenário, o pensamento sobre o que é "certo" e "errado" na Língua Portuguesa está mudando no país. “Isso não quer dizer que, como professor de Língua Portuguesa, eu não vá apresentar preceitos da norma culta durante as aulas”, pondera Bruno Pereira, afirmando que a dicotomia “certo vs errado” tornou-se obsoleta hoje. “Prefiro utilizar ‘adequado’ ou ‘inadequado’, pois acredito que devemos formar alunos que saibam fazer uso da língua de maneira consciente e adequada, e não de maneira mecanizada, como sugere a concepção de ‘erro’, destaca.


    Ou seja, o trabalho escolar com a língua que se fala só tem sentido se apreendido na vivência efetiva da língua. “As diferenças linguísticas dentro da sala de aula constituem o melhor possível tudo aquilo que há para ser dito sobre língua, linguagem, gramática e norma: ora, são exatamente as diferenças que ilustram a real natureza da linguagem”, explica Maria Helena, mostrando que é exatamente a variação que caracteriza a linguagem. O que menos há, nessa realidade de diferenças existentes e observáveis, é lugar para preconceito.


    O doutor pela UFT demonstra que a língua é como mecanismo viva, dinâmico e carregado de intencionalidades e isso, para ele, precisa se refletir no ensino atualmente. Segundo Bruno, a compreensão da norma culta deixa de ter perfil unilateral e passa a dialogar com as outras variantes na rotina escolar, que deve estar focada no letramento e no desenvolvimento de habilidades de lei tura, escrita e interpretação de textos de maneira catalisadora. “O aluno passa a entender a função e aplicação social da língua, não é algo mecânico. Por isso, acredito na construção de uma língua igualitária”, conclui.


(Fonte: Paula Calçade. https://novaescola.org.br/con teudo/12459/as-criancas-agora-vao-poder-falar-e-escre ver-errado. Acesso em 29.12.2025) 

A progressão temática do texto não se dá por linearidade informativa simples, mas por encadeamento argumentativo cumulativo. Tendo em vista a organização da macroestrutura, é correto afirmar que o texto se constrói por meio de:
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Q3859294 Português

Leia o texto e responda as dez questões seguintes.


As crianças agora vão poder falar e escrever errado?


    É comum ouvir que há alguns anos ou em outro momento da história brasileira, o ensino da Língua Portuguesa era mais “puxado”, com maior rigor na gramática, com sua escrita, pronúncia e formalidade. A preocupação com uma suposta flexibilização da norma culta já virou até tema de campanha política e discussões em redes sociais. Será que as escolas estão mais tolerantes com as variações linguísticas presentes no país e nas salas de aula? Realmente há um menor apego com a norma culta no ensino brasileiro?


    Marcos Bagno é doutor em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro "Preconceito linguístico: o que é, como se faz” e ressalta que ainda persiste um senso comum a respeito do ensino da língua: o de que só é possível aprender pelo estudo sistemático e minucioso da gramática, pela apreensão dos termos e conceitos elaborados para descrever a língua e, principalmente, que tal estudo garantiria um uso “correto” da língua. “Mas séculos de ensino baseados nessa tradição já demonstraram a ineficácia dessa metodologia”, destaca. Para o autor, campanhas contra uma suposta flexibilização da norma culta ensinada nas aulas de Língua Portuguesa podem revelar projetos político-ideológicos em que a Educação apareceria apenas em segundo plano, sem aprofundamento da questão.


    Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) auxiliavam os conhecimentos em Língua Portuguesa e outras disciplinas a serem passados no Ensino Fundamental e Médio, desde 1997 até aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em 2017 e neste ano. Além do novo documento trazer ao processo de ensino-aprendizado da Língua Portuguesa as especificidades da leitura e da escrita em ambientes digitais, a BNCC inclui, agora, alguns determinantes sociais da escrita, como por exemplo, a articulação da produção textual com a situação de comunicação, levando em conta o interlocutor e a variação linguística.


    A norma culta é uma dessas variantes, porém a que possui o maior prestígio social, de acordo com Bruno Pereira, doutor em Ensino de Língua e Literatura pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). “O fato de apresentarmos aos alunos diversas variações linguísticas o auxilia na comunicação de contextos socioculturais plurais, atentando-os à adequação pragmática da língua”, explica.


    De acordo com Bruno, é importante ressaltar que o aluno brasileiro de agora não é o mesmo aluno de 20 anos atrás. “É necessário incentivar uma postura reflexiva acerca do uso da língua em nossos alunos e, para isso, devemos apresentar a ele as diversas variações linguísticas que existem no mesmo idioma, bem como suas especificidades e funcionalidades”, ressalta.


    Ao falar em ensino mais, ou menos, “rigoroso”, Maria Helena Moreira professora da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) destaca outro possível engano. “Todo ensino tem de ser ‘rigoroso’, mas no sentido de rastrear rigorosamente aquilo que é pertinente na tarefa em questão, e, no nosso caso, não no sentido de dosar para mais ou para menos o policiamento da linguagem”, afirma.


    Alguns educadores, o preconceito linguístico é um preconceito social. “Não é por acaso, então, que são as pessoas mais pobres, em sua maioria negras, as que mais sofrem a acusação de ‘falar errado’ ou ‘não saber português’", afirma Marcos Bagno. Ele tem pesquisado textos do período pós-independência que apresentam essa característica. "É um discurso que se repete no Brasil há duzentos anos, deixando bem manifesto este preconceito”, diz. Para o doutor pela USP, o fundamental e necessário nas propostas políticas e discussões é o foco no letramento das pessoas, isto é, a inserção crescente de cidadãos na cultura escrita. “E isso se faz por meio da leitura e da escrita de todos os tipos e gêneros textuais possíveis, desde os mais marginalizados, como letras de funk e hip-hop, até os mais prestigiados, como a literatura canonizada”, enfatiza.


    Os números dão ênfase à preocupação de Marcos Bagno. Três em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no Brasil – 29% do total, o equivalente a cerca de 38 milhões de pessoas – são considerados analfabetos funcionais, de acordo com o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2018.


    Diante desse cenário, o pensamento sobre o que é "certo" e "errado" na Língua Portuguesa está mudando no país. “Isso não quer dizer que, como professor de Língua Portuguesa, eu não vá apresentar preceitos da norma culta durante as aulas”, pondera Bruno Pereira, afirmando que a dicotomia “certo vs errado” tornou-se obsoleta hoje. “Prefiro utilizar ‘adequado’ ou ‘inadequado’, pois acredito que devemos formar alunos que saibam fazer uso da língua de maneira consciente e adequada, e não de maneira mecanizada, como sugere a concepção de ‘erro’, destaca.


    Ou seja, o trabalho escolar com a língua que se fala só tem sentido se apreendido na vivência efetiva da língua. “As diferenças linguísticas dentro da sala de aula constituem o melhor possível tudo aquilo que há para ser dito sobre língua, linguagem, gramática e norma: ora, são exatamente as diferenças que ilustram a real natureza da linguagem”, explica Maria Helena, mostrando que é exatamente a variação que caracteriza a linguagem. O que menos há, nessa realidade de diferenças existentes e observáveis, é lugar para preconceito.


    O doutor pela UFT demonstra que a língua é como mecanismo viva, dinâmico e carregado de intencionalidades e isso, para ele, precisa se refletir no ensino atualmente. Segundo Bruno, a compreensão da norma culta deixa de ter perfil unilateral e passa a dialogar com as outras variantes na rotina escolar, que deve estar focada no letramento e no desenvolvimento de habilidades de lei tura, escrita e interpretação de textos de maneira catalisadora. “O aluno passa a entender a função e aplicação social da língua, não é algo mecânico. Por isso, acredito na construção de uma língua igualitária”, conclui.


(Fonte: Paula Calçade. https://novaescola.org.br/con teudo/12459/as-criancas-agora-vao-poder-falar-e-escre ver-errado. Acesso em 29.12.2025) 

Embora o texto não apresente imagens explícitas, sua organização gráfica (títulos interrogativos, fragmentação em blocos e destaque de dados estatísticos) cumpre função discursiva específica, qual seja: 
Alternativas
Q3859293 Português

Leia o texto e responda as dez questões seguintes.


As crianças agora vão poder falar e escrever errado?


    É comum ouvir que há alguns anos ou em outro momento da história brasileira, o ensino da Língua Portuguesa era mais “puxado”, com maior rigor na gramática, com sua escrita, pronúncia e formalidade. A preocupação com uma suposta flexibilização da norma culta já virou até tema de campanha política e discussões em redes sociais. Será que as escolas estão mais tolerantes com as variações linguísticas presentes no país e nas salas de aula? Realmente há um menor apego com a norma culta no ensino brasileiro?


    Marcos Bagno é doutor em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro "Preconceito linguístico: o que é, como se faz” e ressalta que ainda persiste um senso comum a respeito do ensino da língua: o de que só é possível aprender pelo estudo sistemático e minucioso da gramática, pela apreensão dos termos e conceitos elaborados para descrever a língua e, principalmente, que tal estudo garantiria um uso “correto” da língua. “Mas séculos de ensino baseados nessa tradição já demonstraram a ineficácia dessa metodologia”, destaca. Para o autor, campanhas contra uma suposta flexibilização da norma culta ensinada nas aulas de Língua Portuguesa podem revelar projetos político-ideológicos em que a Educação apareceria apenas em segundo plano, sem aprofundamento da questão.


    Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) auxiliavam os conhecimentos em Língua Portuguesa e outras disciplinas a serem passados no Ensino Fundamental e Médio, desde 1997 até aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em 2017 e neste ano. Além do novo documento trazer ao processo de ensino-aprendizado da Língua Portuguesa as especificidades da leitura e da escrita em ambientes digitais, a BNCC inclui, agora, alguns determinantes sociais da escrita, como por exemplo, a articulação da produção textual com a situação de comunicação, levando em conta o interlocutor e a variação linguística.


    A norma culta é uma dessas variantes, porém a que possui o maior prestígio social, de acordo com Bruno Pereira, doutor em Ensino de Língua e Literatura pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). “O fato de apresentarmos aos alunos diversas variações linguísticas o auxilia na comunicação de contextos socioculturais plurais, atentando-os à adequação pragmática da língua”, explica.


    De acordo com Bruno, é importante ressaltar que o aluno brasileiro de agora não é o mesmo aluno de 20 anos atrás. “É necessário incentivar uma postura reflexiva acerca do uso da língua em nossos alunos e, para isso, devemos apresentar a ele as diversas variações linguísticas que existem no mesmo idioma, bem como suas especificidades e funcionalidades”, ressalta.


    Ao falar em ensino mais, ou menos, “rigoroso”, Maria Helena Moreira professora da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) destaca outro possível engano. “Todo ensino tem de ser ‘rigoroso’, mas no sentido de rastrear rigorosamente aquilo que é pertinente na tarefa em questão, e, no nosso caso, não no sentido de dosar para mais ou para menos o policiamento da linguagem”, afirma.


    Alguns educadores, o preconceito linguístico é um preconceito social. “Não é por acaso, então, que são as pessoas mais pobres, em sua maioria negras, as que mais sofrem a acusação de ‘falar errado’ ou ‘não saber português’", afirma Marcos Bagno. Ele tem pesquisado textos do período pós-independência que apresentam essa característica. "É um discurso que se repete no Brasil há duzentos anos, deixando bem manifesto este preconceito”, diz. Para o doutor pela USP, o fundamental e necessário nas propostas políticas e discussões é o foco no letramento das pessoas, isto é, a inserção crescente de cidadãos na cultura escrita. “E isso se faz por meio da leitura e da escrita de todos os tipos e gêneros textuais possíveis, desde os mais marginalizados, como letras de funk e hip-hop, até os mais prestigiados, como a literatura canonizada”, enfatiza.


    Os números dão ênfase à preocupação de Marcos Bagno. Três em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no Brasil – 29% do total, o equivalente a cerca de 38 milhões de pessoas – são considerados analfabetos funcionais, de acordo com o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2018.


    Diante desse cenário, o pensamento sobre o que é "certo" e "errado" na Língua Portuguesa está mudando no país. “Isso não quer dizer que, como professor de Língua Portuguesa, eu não vá apresentar preceitos da norma culta durante as aulas”, pondera Bruno Pereira, afirmando que a dicotomia “certo vs errado” tornou-se obsoleta hoje. “Prefiro utilizar ‘adequado’ ou ‘inadequado’, pois acredito que devemos formar alunos que saibam fazer uso da língua de maneira consciente e adequada, e não de maneira mecanizada, como sugere a concepção de ‘erro’, destaca.


    Ou seja, o trabalho escolar com a língua que se fala só tem sentido se apreendido na vivência efetiva da língua. “As diferenças linguísticas dentro da sala de aula constituem o melhor possível tudo aquilo que há para ser dito sobre língua, linguagem, gramática e norma: ora, são exatamente as diferenças que ilustram a real natureza da linguagem”, explica Maria Helena, mostrando que é exatamente a variação que caracteriza a linguagem. O que menos há, nessa realidade de diferenças existentes e observáveis, é lugar para preconceito.


    O doutor pela UFT demonstra que a língua é como mecanismo viva, dinâmico e carregado de intencionalidades e isso, para ele, precisa se refletir no ensino atualmente. Segundo Bruno, a compreensão da norma culta deixa de ter perfil unilateral e passa a dialogar com as outras variantes na rotina escolar, que deve estar focada no letramento e no desenvolvimento de habilidades de lei tura, escrita e interpretação de textos de maneira catalisadora. “O aluno passa a entender a função e aplicação social da língua, não é algo mecânico. Por isso, acredito na construção de uma língua igualitária”, conclui.


(Fonte: Paula Calçade. https://novaescola.org.br/con teudo/12459/as-criancas-agora-vao-poder-falar-e-escre ver-errado. Acesso em 29.12.2025) 

A substituição dos termos “certo” e “errado” por “adequado” e “inadequado”, defendida no texto, constitui um procedimento metalinguístico que evidencia: 
Alternativas
Q3859292 Português

Leia o texto e responda as dez questões seguintes.


As crianças agora vão poder falar e escrever errado?


    É comum ouvir que há alguns anos ou em outro momento da história brasileira, o ensino da Língua Portuguesa era mais “puxado”, com maior rigor na gramática, com sua escrita, pronúncia e formalidade. A preocupação com uma suposta flexibilização da norma culta já virou até tema de campanha política e discussões em redes sociais. Será que as escolas estão mais tolerantes com as variações linguísticas presentes no país e nas salas de aula? Realmente há um menor apego com a norma culta no ensino brasileiro?


    Marcos Bagno é doutor em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro "Preconceito linguístico: o que é, como se faz” e ressalta que ainda persiste um senso comum a respeito do ensino da língua: o de que só é possível aprender pelo estudo sistemático e minucioso da gramática, pela apreensão dos termos e conceitos elaborados para descrever a língua e, principalmente, que tal estudo garantiria um uso “correto” da língua. “Mas séculos de ensino baseados nessa tradição já demonstraram a ineficácia dessa metodologia”, destaca. Para o autor, campanhas contra uma suposta flexibilização da norma culta ensinada nas aulas de Língua Portuguesa podem revelar projetos político-ideológicos em que a Educação apareceria apenas em segundo plano, sem aprofundamento da questão.


    Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) auxiliavam os conhecimentos em Língua Portuguesa e outras disciplinas a serem passados no Ensino Fundamental e Médio, desde 1997 até aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em 2017 e neste ano. Além do novo documento trazer ao processo de ensino-aprendizado da Língua Portuguesa as especificidades da leitura e da escrita em ambientes digitais, a BNCC inclui, agora, alguns determinantes sociais da escrita, como por exemplo, a articulação da produção textual com a situação de comunicação, levando em conta o interlocutor e a variação linguística.


    A norma culta é uma dessas variantes, porém a que possui o maior prestígio social, de acordo com Bruno Pereira, doutor em Ensino de Língua e Literatura pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). “O fato de apresentarmos aos alunos diversas variações linguísticas o auxilia na comunicação de contextos socioculturais plurais, atentando-os à adequação pragmática da língua”, explica.


    De acordo com Bruno, é importante ressaltar que o aluno brasileiro de agora não é o mesmo aluno de 20 anos atrás. “É necessário incentivar uma postura reflexiva acerca do uso da língua em nossos alunos e, para isso, devemos apresentar a ele as diversas variações linguísticas que existem no mesmo idioma, bem como suas especificidades e funcionalidades”, ressalta.


    Ao falar em ensino mais, ou menos, “rigoroso”, Maria Helena Moreira professora da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) destaca outro possível engano. “Todo ensino tem de ser ‘rigoroso’, mas no sentido de rastrear rigorosamente aquilo que é pertinente na tarefa em questão, e, no nosso caso, não no sentido de dosar para mais ou para menos o policiamento da linguagem”, afirma.


    Alguns educadores, o preconceito linguístico é um preconceito social. “Não é por acaso, então, que são as pessoas mais pobres, em sua maioria negras, as que mais sofrem a acusação de ‘falar errado’ ou ‘não saber português’", afirma Marcos Bagno. Ele tem pesquisado textos do período pós-independência que apresentam essa característica. "É um discurso que se repete no Brasil há duzentos anos, deixando bem manifesto este preconceito”, diz. Para o doutor pela USP, o fundamental e necessário nas propostas políticas e discussões é o foco no letramento das pessoas, isto é, a inserção crescente de cidadãos na cultura escrita. “E isso se faz por meio da leitura e da escrita de todos os tipos e gêneros textuais possíveis, desde os mais marginalizados, como letras de funk e hip-hop, até os mais prestigiados, como a literatura canonizada”, enfatiza.


    Os números dão ênfase à preocupação de Marcos Bagno. Três em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no Brasil – 29% do total, o equivalente a cerca de 38 milhões de pessoas – são considerados analfabetos funcionais, de acordo com o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2018.


    Diante desse cenário, o pensamento sobre o que é "certo" e "errado" na Língua Portuguesa está mudando no país. “Isso não quer dizer que, como professor de Língua Portuguesa, eu não vá apresentar preceitos da norma culta durante as aulas”, pondera Bruno Pereira, afirmando que a dicotomia “certo vs errado” tornou-se obsoleta hoje. “Prefiro utilizar ‘adequado’ ou ‘inadequado’, pois acredito que devemos formar alunos que saibam fazer uso da língua de maneira consciente e adequada, e não de maneira mecanizada, como sugere a concepção de ‘erro’, destaca.


    Ou seja, o trabalho escolar com a língua que se fala só tem sentido se apreendido na vivência efetiva da língua. “As diferenças linguísticas dentro da sala de aula constituem o melhor possível tudo aquilo que há para ser dito sobre língua, linguagem, gramática e norma: ora, são exatamente as diferenças que ilustram a real natureza da linguagem”, explica Maria Helena, mostrando que é exatamente a variação que caracteriza a linguagem. O que menos há, nessa realidade de diferenças existentes e observáveis, é lugar para preconceito.


    O doutor pela UFT demonstra que a língua é como mecanismo viva, dinâmico e carregado de intencionalidades e isso, para ele, precisa se refletir no ensino atualmente. Segundo Bruno, a compreensão da norma culta deixa de ter perfil unilateral e passa a dialogar com as outras variantes na rotina escolar, que deve estar focada no letramento e no desenvolvimento de habilidades de lei tura, escrita e interpretação de textos de maneira catalisadora. “O aluno passa a entender a função e aplicação social da língua, não é algo mecânico. Por isso, acredito na construção de uma língua igualitária”, conclui.


(Fonte: Paula Calçade. https://novaescola.org.br/con teudo/12459/as-criancas-agora-vao-poder-falar-e-escre ver-errado. Acesso em 29.12.2025) 

No tratamento da dicotomia “certo vs. errado”, o texto mobiliza simultaneamente as estratégias de: 
Alternativas
Q3859291 Português

Leia o texto e responda as dez questões seguintes.


As crianças agora vão poder falar e escrever errado?


    É comum ouvir que há alguns anos ou em outro momento da história brasileira, o ensino da Língua Portuguesa era mais “puxado”, com maior rigor na gramática, com sua escrita, pronúncia e formalidade. A preocupação com uma suposta flexibilização da norma culta já virou até tema de campanha política e discussões em redes sociais. Será que as escolas estão mais tolerantes com as variações linguísticas presentes no país e nas salas de aula? Realmente há um menor apego com a norma culta no ensino brasileiro?


    Marcos Bagno é doutor em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro "Preconceito linguístico: o que é, como se faz” e ressalta que ainda persiste um senso comum a respeito do ensino da língua: o de que só é possível aprender pelo estudo sistemático e minucioso da gramática, pela apreensão dos termos e conceitos elaborados para descrever a língua e, principalmente, que tal estudo garantiria um uso “correto” da língua. “Mas séculos de ensino baseados nessa tradição já demonstraram a ineficácia dessa metodologia”, destaca. Para o autor, campanhas contra uma suposta flexibilização da norma culta ensinada nas aulas de Língua Portuguesa podem revelar projetos político-ideológicos em que a Educação apareceria apenas em segundo plano, sem aprofundamento da questão.


    Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) auxiliavam os conhecimentos em Língua Portuguesa e outras disciplinas a serem passados no Ensino Fundamental e Médio, desde 1997 até aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em 2017 e neste ano. Além do novo documento trazer ao processo de ensino-aprendizado da Língua Portuguesa as especificidades da leitura e da escrita em ambientes digitais, a BNCC inclui, agora, alguns determinantes sociais da escrita, como por exemplo, a articulação da produção textual com a situação de comunicação, levando em conta o interlocutor e a variação linguística.


    A norma culta é uma dessas variantes, porém a que possui o maior prestígio social, de acordo com Bruno Pereira, doutor em Ensino de Língua e Literatura pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). “O fato de apresentarmos aos alunos diversas variações linguísticas o auxilia na comunicação de contextos socioculturais plurais, atentando-os à adequação pragmática da língua”, explica.


    De acordo com Bruno, é importante ressaltar que o aluno brasileiro de agora não é o mesmo aluno de 20 anos atrás. “É necessário incentivar uma postura reflexiva acerca do uso da língua em nossos alunos e, para isso, devemos apresentar a ele as diversas variações linguísticas que existem no mesmo idioma, bem como suas especificidades e funcionalidades”, ressalta.


    Ao falar em ensino mais, ou menos, “rigoroso”, Maria Helena Moreira professora da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) destaca outro possível engano. “Todo ensino tem de ser ‘rigoroso’, mas no sentido de rastrear rigorosamente aquilo que é pertinente na tarefa em questão, e, no nosso caso, não no sentido de dosar para mais ou para menos o policiamento da linguagem”, afirma.


    Alguns educadores, o preconceito linguístico é um preconceito social. “Não é por acaso, então, que são as pessoas mais pobres, em sua maioria negras, as que mais sofrem a acusação de ‘falar errado’ ou ‘não saber português’", afirma Marcos Bagno. Ele tem pesquisado textos do período pós-independência que apresentam essa característica. "É um discurso que se repete no Brasil há duzentos anos, deixando bem manifesto este preconceito”, diz. Para o doutor pela USP, o fundamental e necessário nas propostas políticas e discussões é o foco no letramento das pessoas, isto é, a inserção crescente de cidadãos na cultura escrita. “E isso se faz por meio da leitura e da escrita de todos os tipos e gêneros textuais possíveis, desde os mais marginalizados, como letras de funk e hip-hop, até os mais prestigiados, como a literatura canonizada”, enfatiza.


    Os números dão ênfase à preocupação de Marcos Bagno. Três em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no Brasil – 29% do total, o equivalente a cerca de 38 milhões de pessoas – são considerados analfabetos funcionais, de acordo com o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2018.


    Diante desse cenário, o pensamento sobre o que é "certo" e "errado" na Língua Portuguesa está mudando no país. “Isso não quer dizer que, como professor de Língua Portuguesa, eu não vá apresentar preceitos da norma culta durante as aulas”, pondera Bruno Pereira, afirmando que a dicotomia “certo vs errado” tornou-se obsoleta hoje. “Prefiro utilizar ‘adequado’ ou ‘inadequado’, pois acredito que devemos formar alunos que saibam fazer uso da língua de maneira consciente e adequada, e não de maneira mecanizada, como sugere a concepção de ‘erro’, destaca.


    Ou seja, o trabalho escolar com a língua que se fala só tem sentido se apreendido na vivência efetiva da língua. “As diferenças linguísticas dentro da sala de aula constituem o melhor possível tudo aquilo que há para ser dito sobre língua, linguagem, gramática e norma: ora, são exatamente as diferenças que ilustram a real natureza da linguagem”, explica Maria Helena, mostrando que é exatamente a variação que caracteriza a linguagem. O que menos há, nessa realidade de diferenças existentes e observáveis, é lugar para preconceito.


    O doutor pela UFT demonstra que a língua é como mecanismo viva, dinâmico e carregado de intencionalidades e isso, para ele, precisa se refletir no ensino atualmente. Segundo Bruno, a compreensão da norma culta deixa de ter perfil unilateral e passa a dialogar com as outras variantes na rotina escolar, que deve estar focada no letramento e no desenvolvimento de habilidades de lei tura, escrita e interpretação de textos de maneira catalisadora. “O aluno passa a entender a função e aplicação social da língua, não é algo mecânico. Por isso, acredito na construção de uma língua igualitária”, conclui.


(Fonte: Paula Calçade. https://novaescola.org.br/con teudo/12459/as-criancas-agora-vao-poder-falar-e-escre ver-errado. Acesso em 29.12.2025) 

No trecho em que se afirma que “a norma culta é uma dessas variantes”, o mecanismo de coesão responsável pela retomada do referente opera por meio de: 
Alternativas
Q3859290 Português

Leia o texto e responda as dez questões seguintes.


As crianças agora vão poder falar e escrever errado?


    É comum ouvir que há alguns anos ou em outro momento da história brasileira, o ensino da Língua Portuguesa era mais “puxado”, com maior rigor na gramática, com sua escrita, pronúncia e formalidade. A preocupação com uma suposta flexibilização da norma culta já virou até tema de campanha política e discussões em redes sociais. Será que as escolas estão mais tolerantes com as variações linguísticas presentes no país e nas salas de aula? Realmente há um menor apego com a norma culta no ensino brasileiro?


    Marcos Bagno é doutor em Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro "Preconceito linguístico: o que é, como se faz” e ressalta que ainda persiste um senso comum a respeito do ensino da língua: o de que só é possível aprender pelo estudo sistemático e minucioso da gramática, pela apreensão dos termos e conceitos elaborados para descrever a língua e, principalmente, que tal estudo garantiria um uso “correto” da língua. “Mas séculos de ensino baseados nessa tradição já demonstraram a ineficácia dessa metodologia”, destaca. Para o autor, campanhas contra uma suposta flexibilização da norma culta ensinada nas aulas de Língua Portuguesa podem revelar projetos político-ideológicos em que a Educação apareceria apenas em segundo plano, sem aprofundamento da questão.


    Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) auxiliavam os conhecimentos em Língua Portuguesa e outras disciplinas a serem passados no Ensino Fundamental e Médio, desde 1997 até aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em 2017 e neste ano. Além do novo documento trazer ao processo de ensino-aprendizado da Língua Portuguesa as especificidades da leitura e da escrita em ambientes digitais, a BNCC inclui, agora, alguns determinantes sociais da escrita, como por exemplo, a articulação da produção textual com a situação de comunicação, levando em conta o interlocutor e a variação linguística.


    A norma culta é uma dessas variantes, porém a que possui o maior prestígio social, de acordo com Bruno Pereira, doutor em Ensino de Língua e Literatura pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). “O fato de apresentarmos aos alunos diversas variações linguísticas o auxilia na comunicação de contextos socioculturais plurais, atentando-os à adequação pragmática da língua”, explica.


    De acordo com Bruno, é importante ressaltar que o aluno brasileiro de agora não é o mesmo aluno de 20 anos atrás. “É necessário incentivar uma postura reflexiva acerca do uso da língua em nossos alunos e, para isso, devemos apresentar a ele as diversas variações linguísticas que existem no mesmo idioma, bem como suas especificidades e funcionalidades”, ressalta.


    Ao falar em ensino mais, ou menos, “rigoroso”, Maria Helena Moreira professora da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) destaca outro possível engano. “Todo ensino tem de ser ‘rigoroso’, mas no sentido de rastrear rigorosamente aquilo que é pertinente na tarefa em questão, e, no nosso caso, não no sentido de dosar para mais ou para menos o policiamento da linguagem”, afirma.


    Alguns educadores, o preconceito linguístico é um preconceito social. “Não é por acaso, então, que são as pessoas mais pobres, em sua maioria negras, as que mais sofrem a acusação de ‘falar errado’ ou ‘não saber português’", afirma Marcos Bagno. Ele tem pesquisado textos do período pós-independência que apresentam essa característica. "É um discurso que se repete no Brasil há duzentos anos, deixando bem manifesto este preconceito”, diz. Para o doutor pela USP, o fundamental e necessário nas propostas políticas e discussões é o foco no letramento das pessoas, isto é, a inserção crescente de cidadãos na cultura escrita. “E isso se faz por meio da leitura e da escrita de todos os tipos e gêneros textuais possíveis, desde os mais marginalizados, como letras de funk e hip-hop, até os mais prestigiados, como a literatura canonizada”, enfatiza.


    Os números dão ênfase à preocupação de Marcos Bagno. Três em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no Brasil – 29% do total, o equivalente a cerca de 38 milhões de pessoas – são considerados analfabetos funcionais, de acordo com o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2018.


    Diante desse cenário, o pensamento sobre o que é "certo" e "errado" na Língua Portuguesa está mudando no país. “Isso não quer dizer que, como professor de Língua Portuguesa, eu não vá apresentar preceitos da norma culta durante as aulas”, pondera Bruno Pereira, afirmando que a dicotomia “certo vs errado” tornou-se obsoleta hoje. “Prefiro utilizar ‘adequado’ ou ‘inadequado’, pois acredito que devemos formar alunos que saibam fazer uso da língua de maneira consciente e adequada, e não de maneira mecanizada, como sugere a concepção de ‘erro’, destaca.


    Ou seja, o trabalho escolar com a língua que se fala só tem sentido se apreendido na vivência efetiva da língua. “As diferenças linguísticas dentro da sala de aula constituem o melhor possível tudo aquilo que há para ser dito sobre língua, linguagem, gramática e norma: ora, são exatamente as diferenças que ilustram a real natureza da linguagem”, explica Maria Helena, mostrando que é exatamente a variação que caracteriza a linguagem. O que menos há, nessa realidade de diferenças existentes e observáveis, é lugar para preconceito.


    O doutor pela UFT demonstra que a língua é como mecanismo viva, dinâmico e carregado de intencionalidades e isso, para ele, precisa se refletir no ensino atualmente. Segundo Bruno, a compreensão da norma culta deixa de ter perfil unilateral e passa a dialogar com as outras variantes na rotina escolar, que deve estar focada no letramento e no desenvolvimento de habilidades de lei tura, escrita e interpretação de textos de maneira catalisadora. “O aluno passa a entender a função e aplicação social da língua, não é algo mecânico. Por isso, acredito na construção de uma língua igualitária”, conclui.


(Fonte: Paula Calçade. https://novaescola.org.br/con teudo/12459/as-criancas-agora-vao-poder-falar-e-escre ver-errado. Acesso em 29.12.2025) 

O texto articula diferentes vozes (acadêmica, institucional e pedagógica), produzindo um efeito discursivo característico de determinado gênero. Essa articulação evidencia que o texto se insere predominantemente no gênero:
Alternativas
Respostas
8341: E
8342: B
8343: A
8344: B
8345: A
8346: C
8347: D
8348: C
8349: E
8350: E
8351: E
8352: E
8353: C
8354: A
8355: D
8356: A
8357: C
8358: D
8359: B
8360: B