Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

Foram encontradas 130.580 questões

Q3923072 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:

 

O Brasil que Dom Pedro II sonhou e ainda não construímos

 

Duzentos anos depois, seguimos fortes no campo e frágeis na ciência. Falta ao país o projeto que o imperador já enxergava

Por Gustavo Diniz Junqueira

 

Em 2 de dezembro de 1825 nascia Dom Pedro II, o imperador que fez do saber um projeto de Estado. Duzentos anos depois, o Brasil vive daquilo que ele intuiu: a força do território, da agricultura e da ciência como fundamentos do desenvolvimento. Mas também padece do que ele temia, a incapacidade de transformar conhecimento em projeto nacional.

Dom Pedro II foi um soberano singular. Poliglota, leitor voraz, curioso das ciências naturais, foi o primeiro chefe de Estado a visitar o laboratório de Pasteur, a financiar a fotografia no país e a investir em pesquisa agrícola. Criou, em 1887, o embrião do Instituto Agronômico de Campinas, ordenou o reflorestamento da Floresta da Tijuca e estimulou a imigração para povoar e modernizar o campo. Defendia a abolição da escravidão e acreditava que o progresso de uma nação dependia da educação e da ciência, não da retórica.

O Brasil que ele governou ainda era uma promessa. O de hoje é um gigante agrícola, responsável por alimentar o mundo tropical. Tornamo-nos potência em soja, carne, açúcar e café. Mas, paradoxalmente, continuamos pequenos onde deveríamos ser grandes: na pesquisa, na tecnologia e na visão estratégica de longo prazo. O agronegócio brasileiro é produtivo, mas não suficientemente inteligente. Temos volume, mas carecemos de sistema.

Enquanto a China multiplica por cinco seus investimentos públicos em pesquisa agrícola desde o início do século, somando hoje mais que Estados Unidos e Brasil juntos, nossas instituições históricas, como Embrapa e Instituto Agronômico de Campinas, sobrevivem com orçamentos restritos, defasagem de pessoal e pouca coordenação entre si. O setor privado, embora vigoroso, pensa em safras, não em décadas. O governo, por sua vez, não coordena uma política nacional que una ciência, financiamento, mercado e território. Cada um faz o seu melhor, mas o resultado coletivo é disperso. Falta projeto.

A consequência é clara: exportamos commodities e importamos tecnologia. Criamos riqueza, mas não produzimos conhecimento suficiente para sustentá-la.

Somos o maior produtor agrícola do mundo tropical, mas não lideramos o debate global sobre segurança alimentar, biotecnologia e clima, que é o debate definidor deste século.

O bicentenário de Dom Pedro II, celebrado em 2025, permanece como um ponto de inflexão na história nacional. Mais do que uma data comemorativa, é um espelho do país que fomos e do que poderíamos ser. O Brasil precisa de uma política pública ativa que volte a colocar a pesquisa e a inteligência territorial no centro da estratégia nacional. Não se trata de saudosismo imperial, mas de um imperativo moderno. Sem integração entre ciência, agricultura, educação e sustentabilidade, não haverá protagonismo.

A Conferência do Clima de 2025, a COP30, sediada pelo Brasil, simbolizou a oportunidade de reposicionar o país no debate global sobre clima e alimentação. O desafio agora é transformar essa energia em programa permanente, com instituições fortalecidas, financiamento estável e coordenação nacional. O Brasil deve continuar a se apresentar ao mundo não apenas como celeiro verde, mas como laboratório vivo da agricultura do futuro, tropical, regenerativa, digital e socialmente inclusiva.

Duzentos anos depois, Dom Pedro II continua a ensinar que o poder mais duradouro de uma nação não está em suas riquezas naturais, mas em sua capacidade de gerar conhecimento e distribuir oportunidades. O Brasil do século vinte e um precisa resgatar esse espírito e pensar o futuro como quem governa o tempo.

 

Fonte: Junqueira, Gustavo Diniz. Revista Veja. 3 dez 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/cenario-global/o-brasil-que-dom-pedro-ii-sonhou-e-ainda-naoconstruimos/ Acesso em: 07 de dezembro de 2025.

Assinale a alternativa CORRETA quanto a ideia principal apresentada no texto:
Alternativas
Q3923071 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:

 

O Brasil que Dom Pedro II sonhou e ainda não construímos

 

Duzentos anos depois, seguimos fortes no campo e frágeis na ciência. Falta ao país o projeto que o imperador já enxergava

Por Gustavo Diniz Junqueira

 

Em 2 de dezembro de 1825 nascia Dom Pedro II, o imperador que fez do saber um projeto de Estado. Duzentos anos depois, o Brasil vive daquilo que ele intuiu: a força do território, da agricultura e da ciência como fundamentos do desenvolvimento. Mas também padece do que ele temia, a incapacidade de transformar conhecimento em projeto nacional.

Dom Pedro II foi um soberano singular. Poliglota, leitor voraz, curioso das ciências naturais, foi o primeiro chefe de Estado a visitar o laboratório de Pasteur, a financiar a fotografia no país e a investir em pesquisa agrícola. Criou, em 1887, o embrião do Instituto Agronômico de Campinas, ordenou o reflorestamento da Floresta da Tijuca e estimulou a imigração para povoar e modernizar o campo. Defendia a abolição da escravidão e acreditava que o progresso de uma nação dependia da educação e da ciência, não da retórica.

O Brasil que ele governou ainda era uma promessa. O de hoje é um gigante agrícola, responsável por alimentar o mundo tropical. Tornamo-nos potência em soja, carne, açúcar e café. Mas, paradoxalmente, continuamos pequenos onde deveríamos ser grandes: na pesquisa, na tecnologia e na visão estratégica de longo prazo. O agronegócio brasileiro é produtivo, mas não suficientemente inteligente. Temos volume, mas carecemos de sistema.

Enquanto a China multiplica por cinco seus investimentos públicos em pesquisa agrícola desde o início do século, somando hoje mais que Estados Unidos e Brasil juntos, nossas instituições históricas, como Embrapa e Instituto Agronômico de Campinas, sobrevivem com orçamentos restritos, defasagem de pessoal e pouca coordenação entre si. O setor privado, embora vigoroso, pensa em safras, não em décadas. O governo, por sua vez, não coordena uma política nacional que una ciência, financiamento, mercado e território. Cada um faz o seu melhor, mas o resultado coletivo é disperso. Falta projeto.

A consequência é clara: exportamos commodities e importamos tecnologia. Criamos riqueza, mas não produzimos conhecimento suficiente para sustentá-la.

Somos o maior produtor agrícola do mundo tropical, mas não lideramos o debate global sobre segurança alimentar, biotecnologia e clima, que é o debate definidor deste século.

O bicentenário de Dom Pedro II, celebrado em 2025, permanece como um ponto de inflexão na história nacional. Mais do que uma data comemorativa, é um espelho do país que fomos e do que poderíamos ser. O Brasil precisa de uma política pública ativa que volte a colocar a pesquisa e a inteligência territorial no centro da estratégia nacional. Não se trata de saudosismo imperial, mas de um imperativo moderno. Sem integração entre ciência, agricultura, educação e sustentabilidade, não haverá protagonismo.

A Conferência do Clima de 2025, a COP30, sediada pelo Brasil, simbolizou a oportunidade de reposicionar o país no debate global sobre clima e alimentação. O desafio agora é transformar essa energia em programa permanente, com instituições fortalecidas, financiamento estável e coordenação nacional. O Brasil deve continuar a se apresentar ao mundo não apenas como celeiro verde, mas como laboratório vivo da agricultura do futuro, tropical, regenerativa, digital e socialmente inclusiva.

Duzentos anos depois, Dom Pedro II continua a ensinar que o poder mais duradouro de uma nação não está em suas riquezas naturais, mas em sua capacidade de gerar conhecimento e distribuir oportunidades. O Brasil do século vinte e um precisa resgatar esse espírito e pensar o futuro como quem governa o tempo.

 

Fonte: Junqueira, Gustavo Diniz. Revista Veja. 3 dez 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/cenario-global/o-brasil-que-dom-pedro-ii-sonhou-e-ainda-naoconstruimos/ Acesso em: 07 de dezembro de 2025.

Com base na leitura do texto, assinale a alternativa CORRETA quanto a classificação do gênero textual e sua finalidade: 
Alternativas
Q3922564 Português





ALMEIDA, P.O recado de Davos sobre inteligência artificial. Correio Brasilienze. 24 fev. 2026. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/02/7360879-o-recado-de-davos-sobre-inteligencia-artificial.html 

Segundo o texto, as discussões do Fórum consideram que a inteligência artificial: 
Alternativas
Q3922561 Português





ALMEIDA, P.O recado de Davos sobre inteligência artificial. Correio Brasilienze. 24 fev. 2026. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/02/7360879-o-recado-de-davos-sobre-inteligencia-artificial.html 

O propósito comunicativo central do texto é:
Alternativas
Q3922449 Português
Imagem associada para resolução da questão

BECK, Alexandre. Tiras de Armandinho. Disponível em .

Na tirinha acima, a “tristeza” é empregada sob qual figura de linguagem?
Alternativas
Q3922443 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


A solidão dentro dos elevadores


   Os elevadores modernos são máquinas deslumbrantes. Reluzentes em seus metais polidos, em seus números iluminados, acompanhando setinhas que sobem e descem, enquanto uma voz diz o andar e quem está nele...

   São máquinas que mostram a arrogância dos homens e seu poder quase ilimitado no trato das coisas físicas. Máquinas que são incenso e altar para a arrogância quase infinita dos homens que se esquecem do exemplo da Torre de Babel (...).

   E, no entanto, nada é mais contraditório do que um elevador, na primeira hora da jornada de trabalho, numa manhã de inverno, fria e úmida, cinza e triste, como as ruas da cidade.

   Nada é mais triste do que ele, ou melhor, do que vê-lo transportando os mesmos seres humanos que se julgam tão superiores, encolhidos dentro de seu frio interno, muito mais frio do que o frio das ruas que o vento assola e a garoa tortura.

   É quase constrangedor entrar numa destas máquinas às 8 ou 9 da manhã de um dia de trabalho e ver as pessoas dentro, normalmente olhando para o lado ou para o chão, como que com medo de encarar os outros, ou com medo de que os outros olhem para elas.

   E é mais triste ainda entrar no elevador e dar bom dia para os que já estão dentro.

   É quase certo que tomarão um susto, e se sentirão completamente desnorteados, sem saber que atitude tomar, se respondem ou continuam olhando para o chão, ou se sorriem, ou sabe-se lá o quê...

   É triste, triste como a solidão das ruas, que é a mesma, mas que dentro de um elevador pode ser mais dura e mais cinza. 

   A solidão de quem vive na cidade grande, cercado por milhões de outros seres humanos, todos estranhos e distantes, todos com medo de não ter medo, todos apavorados ante a possibilidade de um simples bom dia.


MENDONÇA, Antonio Penteado. A solidão dentro dos
elevadores. Crônicas da cidade. Disponível em
<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2024/07/06/asolidao-dentro-dos-elevadores/>. . 

“muito mais frio do que o frio das ruas que o vento assola e a garoa tortura.”


A palavra destacada no trecho acima é sinônima de: 

Alternativas
Q3922442 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


A solidão dentro dos elevadores


   Os elevadores modernos são máquinas deslumbrantes. Reluzentes em seus metais polidos, em seus números iluminados, acompanhando setinhas que sobem e descem, enquanto uma voz diz o andar e quem está nele...

   São máquinas que mostram a arrogância dos homens e seu poder quase ilimitado no trato das coisas físicas. Máquinas que são incenso e altar para a arrogância quase infinita dos homens que se esquecem do exemplo da Torre de Babel (...).

   E, no entanto, nada é mais contraditório do que um elevador, na primeira hora da jornada de trabalho, numa manhã de inverno, fria e úmida, cinza e triste, como as ruas da cidade.

   Nada é mais triste do que ele, ou melhor, do que vê-lo transportando os mesmos seres humanos que se julgam tão superiores, encolhidos dentro de seu frio interno, muito mais frio do que o frio das ruas que o vento assola e a garoa tortura.

   É quase constrangedor entrar numa destas máquinas às 8 ou 9 da manhã de um dia de trabalho e ver as pessoas dentro, normalmente olhando para o lado ou para o chão, como que com medo de encarar os outros, ou com medo de que os outros olhem para elas.

   E é mais triste ainda entrar no elevador e dar bom dia para os que já estão dentro.

   É quase certo que tomarão um susto, e se sentirão completamente desnorteados, sem saber que atitude tomar, se respondem ou continuam olhando para o chão, ou se sorriem, ou sabe-se lá o quê...

   É triste, triste como a solidão das ruas, que é a mesma, mas que dentro de um elevador pode ser mais dura e mais cinza. 

   A solidão de quem vive na cidade grande, cercado por milhões de outros seres humanos, todos estranhos e distantes, todos com medo de não ter medo, todos apavorados ante a possibilidade de um simples bom dia.


MENDONÇA, Antonio Penteado. A solidão dentro dos
elevadores. Crônicas da cidade. Disponível em
<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2024/07/06/asolidao-dentro-dos-elevadores/>. . 
Assinale a alternativa em que a palavra ou expressão destacada no trecho está sendo empregada em seu sentido próprio, real.
Alternativas
Q3922441 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


A solidão dentro dos elevadores


   Os elevadores modernos são máquinas deslumbrantes. Reluzentes em seus metais polidos, em seus números iluminados, acompanhando setinhas que sobem e descem, enquanto uma voz diz o andar e quem está nele...

   São máquinas que mostram a arrogância dos homens e seu poder quase ilimitado no trato das coisas físicas. Máquinas que são incenso e altar para a arrogância quase infinita dos homens que se esquecem do exemplo da Torre de Babel (...).

   E, no entanto, nada é mais contraditório do que um elevador, na primeira hora da jornada de trabalho, numa manhã de inverno, fria e úmida, cinza e triste, como as ruas da cidade.

   Nada é mais triste do que ele, ou melhor, do que vê-lo transportando os mesmos seres humanos que se julgam tão superiores, encolhidos dentro de seu frio interno, muito mais frio do que o frio das ruas que o vento assola e a garoa tortura.

   É quase constrangedor entrar numa destas máquinas às 8 ou 9 da manhã de um dia de trabalho e ver as pessoas dentro, normalmente olhando para o lado ou para o chão, como que com medo de encarar os outros, ou com medo de que os outros olhem para elas.

   E é mais triste ainda entrar no elevador e dar bom dia para os que já estão dentro.

   É quase certo que tomarão um susto, e se sentirão completamente desnorteados, sem saber que atitude tomar, se respondem ou continuam olhando para o chão, ou se sorriem, ou sabe-se lá o quê...

   É triste, triste como a solidão das ruas, que é a mesma, mas que dentro de um elevador pode ser mais dura e mais cinza. 

   A solidão de quem vive na cidade grande, cercado por milhões de outros seres humanos, todos estranhos e distantes, todos com medo de não ter medo, todos apavorados ante a possibilidade de um simples bom dia.


MENDONÇA, Antonio Penteado. A solidão dentro dos
elevadores. Crônicas da cidade. Disponível em
<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2024/07/06/asolidao-dentro-dos-elevadores/>. . 
O texto “A solidão dentro dos elevadores” é predominantemente: 
Alternativas
Q3922407 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Captura_de tela 2026-03-09 171941.png (258×644)

DAVIS, Jim. Disponível em:
<https://portalconteudoaberto.com.br/enem-evestibular/tirinha-uma-narrativa-em-tres-quadros-e-seupapel-fundamental-na-educacao/ > 
Analise a tirinha acima e assinale a alternativa que apresenta uma interpretação correta desse texto.
Alternativas
Q3922401 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Captura_de tela 2026-03-09 171514.png (739×229)

BROWNE, Dik. Hagar, O Horrível: Tiras Diárias Completas (1973-1974). Porto Alegre: L&PM Editores, 2016. p. 15. (Coleção L&PM Infantojuvenil). 
Na tirinha acima, a fala de Hagar e a imagem demonstram que ele está:
Alternativas
Q3922369 Português

Imagem associada para resolução da questão




BECK, Alexandre. Tiras de Armandinho. Disponível em <https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/27431-tiras-dearmandinho>. 




Na tirinha acima, para o menino, o sentido da palavra “já vou”:

Alternativas
Q3922363 Português
Férias em família



    Crianças são seres engraçados e peculiares. Eu adoro criança, acho engraçado como cada uma tem seus medos bobos, sua forma de chamar a atenção, suas birras, etc. Eu fui uma criança chatinha. Não que eu me lembre da minha infância toda, mas a minha família faz questão de não me deixar esquecer.

    Normalmente as famílias, quando se reúnem, lembram nostalgicamente o quão lindos eram os netos e filhos quando eram pequenos, contam história engraçadas e se divertem. Se eu disser que minha família não faz isso eu estaria mentindo; ela até faz, mas só até chegar a hora de lembrar a minha infância. Ninguém tem pudor, eles não medem palavras pra dizer o tanto de escândalo que eu fiz, o quanto eu nunca precisei de motivos pra começar a chorar como se o mundo estivesse acabando, o quanto eles tinham certeza de que eu nunca na vida teria amigos, e assim por diante.

    Recentemente, em uma dessas reuniões, eu fui apresentada a uma história nova da minha infância. Enquanto lembrávamos saudosamente o meu falecido avô, minha prima solta o nada amigável comentário: "Não sei como sou sua amiga até hoje, você é culpada pela única bronca que eu levei do nosso avô!"

    Esse tipo de comentário já nem me surpreende mais, mas confesso que fiquei curiosa pra saber o motivo da bronca. Em um estilo bem dramático, típico de novelas mexicanas, ela me contou que, em uma das férias que passávamos juntos no Rio de Janeiro, ela estava conversando com meu irmão sobre os ossos do corpo humano, quando teve a infelicidade de dizer: "Por exemplo, todo mundo tem fêmur, não é Clara? Você tem um fêmur!"

    Eu, que estava por perto sem a menor pretensão de participar dessa conversa chata, que nem entender eu conseguia, fui incluída no assunto da pior forma possível! O que diabos no mundo é um fêmur? É o sucessor do bicho-papão ou do boi da cara preta? Não tive dúvidas, fui correndo e chorando (como em todas as histórias da minha infância) contar pro meu avô que minha prima estava me acusando de ter um fêmur sem eu ter feito nada! Não deu outra, meu avô deu uma bronca nela, afinal, ela é a mais velha, tinha que tomar conta de mim e não ficar me assuntando com essas palavras que parecem que vão te engolir! (...)


BRAGA, Clara. Férias em família. Crônica do dia.
Disponível em
<https://www.cronicadodia.com.br/2010/07/ferias-emfamilia-clara-braga.html>. 
Assinale a alternativa em que a palavra destacada está sendo empregada em sentido figurado. 
Alternativas
Q3922362 Português
Férias em família



    Crianças são seres engraçados e peculiares. Eu adoro criança, acho engraçado como cada uma tem seus medos bobos, sua forma de chamar a atenção, suas birras, etc. Eu fui uma criança chatinha. Não que eu me lembre da minha infância toda, mas a minha família faz questão de não me deixar esquecer.

    Normalmente as famílias, quando se reúnem, lembram nostalgicamente o quão lindos eram os netos e filhos quando eram pequenos, contam história engraçadas e se divertem. Se eu disser que minha família não faz isso eu estaria mentindo; ela até faz, mas só até chegar a hora de lembrar a minha infância. Ninguém tem pudor, eles não medem palavras pra dizer o tanto de escândalo que eu fiz, o quanto eu nunca precisei de motivos pra começar a chorar como se o mundo estivesse acabando, o quanto eles tinham certeza de que eu nunca na vida teria amigos, e assim por diante.

    Recentemente, em uma dessas reuniões, eu fui apresentada a uma história nova da minha infância. Enquanto lembrávamos saudosamente o meu falecido avô, minha prima solta o nada amigável comentário: "Não sei como sou sua amiga até hoje, você é culpada pela única bronca que eu levei do nosso avô!"

    Esse tipo de comentário já nem me surpreende mais, mas confesso que fiquei curiosa pra saber o motivo da bronca. Em um estilo bem dramático, típico de novelas mexicanas, ela me contou que, em uma das férias que passávamos juntos no Rio de Janeiro, ela estava conversando com meu irmão sobre os ossos do corpo humano, quando teve a infelicidade de dizer: "Por exemplo, todo mundo tem fêmur, não é Clara? Você tem um fêmur!"

    Eu, que estava por perto sem a menor pretensão de participar dessa conversa chata, que nem entender eu conseguia, fui incluída no assunto da pior forma possível! O que diabos no mundo é um fêmur? É o sucessor do bicho-papão ou do boi da cara preta? Não tive dúvidas, fui correndo e chorando (como em todas as histórias da minha infância) contar pro meu avô que minha prima estava me acusando de ter um fêmur sem eu ter feito nada! Não deu outra, meu avô deu uma bronca nela, afinal, ela é a mais velha, tinha que tomar conta de mim e não ficar me assuntando com essas palavras que parecem que vão te engolir! (...)


BRAGA, Clara. Férias em família. Crônica do dia.
Disponível em
<https://www.cronicadodia.com.br/2010/07/ferias-emfamilia-clara-braga.html>. 

“Crianças são seres engraçados e peculiares.”

A palavra destacada no trecho acima corresponde à qualidade de algo ou alguém que é: 

Alternativas
Q3922361 Português
Férias em família



    Crianças são seres engraçados e peculiares. Eu adoro criança, acho engraçado como cada uma tem seus medos bobos, sua forma de chamar a atenção, suas birras, etc. Eu fui uma criança chatinha. Não que eu me lembre da minha infância toda, mas a minha família faz questão de não me deixar esquecer.

    Normalmente as famílias, quando se reúnem, lembram nostalgicamente o quão lindos eram os netos e filhos quando eram pequenos, contam história engraçadas e se divertem. Se eu disser que minha família não faz isso eu estaria mentindo; ela até faz, mas só até chegar a hora de lembrar a minha infância. Ninguém tem pudor, eles não medem palavras pra dizer o tanto de escândalo que eu fiz, o quanto eu nunca precisei de motivos pra começar a chorar como se o mundo estivesse acabando, o quanto eles tinham certeza de que eu nunca na vida teria amigos, e assim por diante.

    Recentemente, em uma dessas reuniões, eu fui apresentada a uma história nova da minha infância. Enquanto lembrávamos saudosamente o meu falecido avô, minha prima solta o nada amigável comentário: "Não sei como sou sua amiga até hoje, você é culpada pela única bronca que eu levei do nosso avô!"

    Esse tipo de comentário já nem me surpreende mais, mas confesso que fiquei curiosa pra saber o motivo da bronca. Em um estilo bem dramático, típico de novelas mexicanas, ela me contou que, em uma das férias que passávamos juntos no Rio de Janeiro, ela estava conversando com meu irmão sobre os ossos do corpo humano, quando teve a infelicidade de dizer: "Por exemplo, todo mundo tem fêmur, não é Clara? Você tem um fêmur!"

    Eu, que estava por perto sem a menor pretensão de participar dessa conversa chata, que nem entender eu conseguia, fui incluída no assunto da pior forma possível! O que diabos no mundo é um fêmur? É o sucessor do bicho-papão ou do boi da cara preta? Não tive dúvidas, fui correndo e chorando (como em todas as histórias da minha infância) contar pro meu avô que minha prima estava me acusando de ter um fêmur sem eu ter feito nada! Não deu outra, meu avô deu uma bronca nela, afinal, ela é a mais velha, tinha que tomar conta de mim e não ficar me assuntando com essas palavras que parecem que vão te engolir! (...)


BRAGA, Clara. Férias em família. Crônica do dia.
Disponível em
<https://www.cronicadodia.com.br/2010/07/ferias-emfamilia-clara-braga.html>. 
“Recentemente, em uma dessas reuniões, eu fui apresentada a uma história nova da minha infância. (...) minha prima solta o nada amigável comentário: ‘Não sei como sou sua amiga até hoje (...)’”
O trecho acima, transcrito do texto “Férias em família”, é essencialmente:
Alternativas
Q3922327 Português
“O bom leitor deixa suas armas na entrada, deposita a bagagem num canto, se despe de expectativas, de ilusões, essas suas roupas préfabricadas.” (Julián Fuks)
O pensamento acima apresenta: 
Alternativas
Q3922322 Português
Deu pau no zodíaco


        De uma forma ou de outra, com mais ou menos fé, as pessoas acreditam nos signos e no horóscopo. Friamente, tem os que negam, mas no fundo, lá no fundo, os brasileiros e brasileiras fazem uma fezinha no próprio signo e jogam na loteria porque, tirando casar com pessoa rica ou nascer rico, é a melhor forma de ficar rico.

      Só que depois de 2500 anos funcionando de uma determinada maneira, inventada lá atrás pelos babilônios, deu pau no mapa astral, e o que valia naquela época não vale mais, o que deve complicar a vida das videntes e astrólogos de plantão.

         Segundo matéria publicada no Estadão, o que era virgem agora é leão. Tem uma explicação lógica para o que aconteceu, e a base dela é o movimento da terra em volta do sol e em volta de si mesma, somados ao caminho do sol pelo espaço e a colocação das constelações em relação a ele.

         O que serviu de base lá atrás não funciona mais. O céu visto pelos babilônios não é o mesmo céu que nós vemos, ou não vemos, depende da poluição e da iluminação noturna das cidades grandes.

        Quem vai redesenhar o céu e recolocar as constelações nos devidos lugares, de acordo com medições modernas, feitas com ajuda da inteligência artificial? Aliás, será que essa redefinição terá valor mágico ou o emprego das mais modernas técnicas científicas pode impactar de forma negativa o resultado final?

        O tema é complexo e levanta uma dúvida da maior importância. Até que ponto os mapas astrais continuam servindo de base para as respostas transcendentais nas quais baseamos nossos passos e o destino de nossas vidas?

      Ah, a complexidade do céu interferindo na complexidade da vida! 

MENDONÇA, Antonio Penteado. Deu pau no zodíaco.
Crônicas da cidade. Disponível em
<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2025/10/02/de
u-pau-no-zodiaco/>. 
A expressão “dar pau”, utilizada no texto, é sinônima de: 
Alternativas
Q3922321 Português
Deu pau no zodíaco


        De uma forma ou de outra, com mais ou menos fé, as pessoas acreditam nos signos e no horóscopo. Friamente, tem os que negam, mas no fundo, lá no fundo, os brasileiros e brasileiras fazem uma fezinha no próprio signo e jogam na loteria porque, tirando casar com pessoa rica ou nascer rico, é a melhor forma de ficar rico.

      Só que depois de 2500 anos funcionando de uma determinada maneira, inventada lá atrás pelos babilônios, deu pau no mapa astral, e o que valia naquela época não vale mais, o que deve complicar a vida das videntes e astrólogos de plantão.

         Segundo matéria publicada no Estadão, o que era virgem agora é leão. Tem uma explicação lógica para o que aconteceu, e a base dela é o movimento da terra em volta do sol e em volta de si mesma, somados ao caminho do sol pelo espaço e a colocação das constelações em relação a ele.

         O que serviu de base lá atrás não funciona mais. O céu visto pelos babilônios não é o mesmo céu que nós vemos, ou não vemos, depende da poluição e da iluminação noturna das cidades grandes.

        Quem vai redesenhar o céu e recolocar as constelações nos devidos lugares, de acordo com medições modernas, feitas com ajuda da inteligência artificial? Aliás, será que essa redefinição terá valor mágico ou o emprego das mais modernas técnicas científicas pode impactar de forma negativa o resultado final?

        O tema é complexo e levanta uma dúvida da maior importância. Até que ponto os mapas astrais continuam servindo de base para as respostas transcendentais nas quais baseamos nossos passos e o destino de nossas vidas?

      Ah, a complexidade do céu interferindo na complexidade da vida! 

MENDONÇA, Antonio Penteado. Deu pau no zodíaco.
Crônicas da cidade. Disponível em
<https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2025/10/02/de
u-pau-no-zodiaco/>. 
O texto “Deu pau no zodíaco” é predominantemente: 
Alternativas
Q3922274 Português
Assinale a alternativa em que a palavra “onda” está sendo empregada em sentido figurado.
Alternativas
Q3922273 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


A velocidade da história 


    Num de seus contos mais notáveis, Jorge Luis Borges fala de uma equipe de cartógrafos que imaginou um mapa tão perfeito e detalhado que, uma vez estendido sobre a plataforma geográfica, correspondia em extensão a cada milímetro da região cartografada. Ou seja, o gigantesco mapa era tão extraordinário quanto minucioso, mas não servia para grande coisa. 

    Era tão vasto que se tornava impraticável consultá-lo; e tão minudente que melhor seria percorrer a própria região a pé ou a cavalo, conferindo relevos, depressões, platôs e planícies.

    Borges não diz, mas é de se supor que durante a preparação do tal mapa passaram-se tantos e tantos anos que alguns dos cartógrafos terão sido surpreendidos pela morte; que os demais envelheceram a ponto de serem substituídos por cartógrafos da nova geração; que os estudantes que aguardavam a espantosa novidade concluíram seus cursos, receberam seus diplomas e decidiram conhecer a geografia que lhes era possível sem o concurso do mapa.

    Mas, principalmente, nesse entretempo, havia acontecido um sem número de revoluções e a geografia já era outra. As fronteiras tinham-se alargado aqui e estreitado ali, novas cidades haviam surgido, rios tinham sido desviados e grandes represas construídas na esteira da expansão industrial e da demanda urbana.

    Enfim, antes mesmo de dar-se por terminado e impresso, o grande mapa já era um documento de arquivo, uma relíquia do passado.

    Se tivesse sobrevivido à derrocada do sistema soviético a partir de 1989, Borges teria talvez sorrido à ideia quase surreal de que todos os mapas-múndi se desatualizavam de uma só vez, como o fantástico (porém inútil) mapa de seus cartógrafos. (...)

    A velocidade da história parece sugerir, muito borgianamente, que os novos mapas cheguem a seu destino – isto é, a seus leitores – no bojo de veículos que demonstrem ser tão rápidos quanto a própria história. (...)


MARTINS FILHO, José. A velocidade da história. Folha de S. Paulo. Disponível em <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/14/painel/2.ht
ml>. 
A visão sobre história repassada pelo texto “A velocidade da história” é a de que essa área do conhecimento humano:
Alternativas
Q3922272 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


A velocidade da história 


    Num de seus contos mais notáveis, Jorge Luis Borges fala de uma equipe de cartógrafos que imaginou um mapa tão perfeito e detalhado que, uma vez estendido sobre a plataforma geográfica, correspondia em extensão a cada milímetro da região cartografada. Ou seja, o gigantesco mapa era tão extraordinário quanto minucioso, mas não servia para grande coisa. 

    Era tão vasto que se tornava impraticável consultá-lo; e tão minudente que melhor seria percorrer a própria região a pé ou a cavalo, conferindo relevos, depressões, platôs e planícies.

    Borges não diz, mas é de se supor que durante a preparação do tal mapa passaram-se tantos e tantos anos que alguns dos cartógrafos terão sido surpreendidos pela morte; que os demais envelheceram a ponto de serem substituídos por cartógrafos da nova geração; que os estudantes que aguardavam a espantosa novidade concluíram seus cursos, receberam seus diplomas e decidiram conhecer a geografia que lhes era possível sem o concurso do mapa.

    Mas, principalmente, nesse entretempo, havia acontecido um sem número de revoluções e a geografia já era outra. As fronteiras tinham-se alargado aqui e estreitado ali, novas cidades haviam surgido, rios tinham sido desviados e grandes represas construídas na esteira da expansão industrial e da demanda urbana.

    Enfim, antes mesmo de dar-se por terminado e impresso, o grande mapa já era um documento de arquivo, uma relíquia do passado.

    Se tivesse sobrevivido à derrocada do sistema soviético a partir de 1989, Borges teria talvez sorrido à ideia quase surreal de que todos os mapas-múndi se desatualizavam de uma só vez, como o fantástico (porém inútil) mapa de seus cartógrafos. (...)

    A velocidade da história parece sugerir, muito borgianamente, que os novos mapas cheguem a seu destino – isto é, a seus leitores – no bojo de veículos que demonstrem ser tão rápidos quanto a própria história. (...)


MARTINS FILHO, José. A velocidade da história. Folha de S. Paulo. Disponível em <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/14/painel/2.ht
ml>. 
“Era (...) tão minudente que melhor seria percorrer a própria região a pé ou a cavalo”.

A palavra destacada no trecho acima é sinônima de:
Alternativas
Respostas
8341: A
8342: B
8343: A
8344: B
8345: B
8346: B
8347: D
8348: C
8349: C
8350: D
8351: B
8352: D
8353: E
8354: B
8355: C
8356: A
8357: B
8358: D
8359: C
8360: B