Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

Foram encontradas 127.510 questões

Q4049670 Português
Plágio & intertextualidade

    Não há ideias novas. Nada se cria, tudo se copia – já dizia Chacrinha, o gênio da televisão. Segundo Lavoisier, nada se perde, tudo se transforma. Na arte, tudo se come. É a Antropofagia de Oswald de Andrade: deglute-se o velho para se fazer o novo. Camões deglutiu “Sôbolos rios que vão...”, de São João da Cruz, grandíssimo poeta seu contemporâneo, além de santo. “Sôbolos rios...” tem todo o sabor camoniano, apesar de nascer de outra mente e coração.      Como “Alma minha gentil...” nasceu do estro de Lope de Vega, para a obscuridade das excelentes obras perdidas nos desvãos do tempo, não fosse Camões se apropriar dela, degluti-la, fazê-la sua. Um poema delicadíssimo sobre o amor perdido. Um poema conhecidíssimo de todos nós graças a Camões, que o tirou do limbo para a glória. Camões virou Vergílio do avesso, tomou o seu “arma virumque cano” e tornou-o “as armas e os barões assinalados”, tomou a história de Roma e cantou a história de Portugal. Foi só um ponto de partida, devorou a Eneida para parir “Os Lusíadas”.      Hoje, damos esses nomes elegantes – intertextualidade, diálogo com outras obras, citações – a processos antigamente naturais, que depois foram chamados de puro plágio, roubo, crime intelectual. A arte, afinal, nasceu anônima. Era propriedade humana. Existia para ser fruída pelo homem. Não importava quem tinha feito.      Por isso a dúvida se Homero teria existido, embora alguém certamente tenha escrito as histórias fabulosas que aquele cego cantava de cidade em cidade. Até de Shakespeare, muito mais próximo de nós, há gente que chegou a negar-lhe a existência.      Claro que alguém escreveu aquelas peças essenciais que elevaram a literatura a seu nível mais alto, mas ainda se questiona: Quem foi Shakespeare? Teria um outro nome? Cervantes, seu contemporâneo, chega a brincar com essa história de autoria. No segundo volume do seu “Quixote”, inventa um árabe que teria escrito as aventuras do fidalgo nascido num lugar da Mancha e seu escudeiro Sancho Pança, dizendo ser ele mesmo, o autor, apenas um tradutor.     Hoje, com a Internet, embaralha-se outra vez a questão da autoria. Não se sabe mais quem é quem, vivemos num mundo virtual em que tudo é de todo mundo. Os antigos praticavam a intertextualidade – com uma certa antropofagia oswaldiana – a seu bel prazer, sem citar os nomes das obras ou autores citados, como uma homenagem. Estaria firmado um acordo de cavalheiros do espírito: todos saberiam a propriedade da obra copiada com engenho e arte, para se tornar nova e com nova autoria. Depois, banalizou-se o processo e surgiu o problema do plágio, como crime. Mas hoje o autor se tornou ninguém, uma entidade virtual.      Embaralham-se os autores, cita-se uma obra atribuindo-se sua propriedade intelectual a esse ou àquele aleatoriamente, tanto faz, ninguém é ninguém. Voltaremos ao estágio primitivo em que a arte não tinha dono, era criada para a fruição estética de todos, para o prazer, a elevação do  homem? Não se criava por dinheiro, fama, nem por nenhum motivo torpe ou nobre que foi surgindo ao longo dos séculos. O criador era, como diria Borges, um amanuense do Espírito. Quem dera estivéssemos regredindo a esse mundo ideal...
(José Carlos Brandão. Professor, poeta e cronista. Disponível em: https://www.jcnet.com.br/opiniao/tribuna_do_leitor/2014/01/283764- plagio---intertextualidade.html.)


Sobre o emprego da intertextualidade, pode-se afirmar que o texto apresentado:
Alternativas
Q4049669 Português
Considere o trecho do poema a seguir de Machado de Assis para responder à questão proposta.

O dilúvio
E caiu a chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.
(Gênesis 7, 12.)
Do sol ao raio esplêndido, Fecundo, abençoado, A terra exausta e úmida Surge, revive já; Que a morte inteira e rápida Dos filhos do pecado Pôs termo à imensa cólera Do imenso Jeová!
Que mar não foi! Que túmidas As águas não rolavam! Montanhas e planícies Tudo tornou-se um mar; E nesta cena lúgubre Os gritos que soavam Era um clamor uníssono Que a terra ia acabar
Em vão, ó pai atônito, Ao seio o filho estreitas; Filhos, esposos, míseros, Em vão tentais fugir! Que as águas do dilúvio Crescidas e refeitas, Vão da planície aos píncaros Subir, subir, subir!
Só, como a ideia única De um mundo que se acaba, Erma, boiava intrépida, A arca de Noé; Pura das velhas nódoas De tudo o que desaba, Leva no seio incólumes A virgindade e a fé.
(Machado de Assis. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/ 7017/o-diluvio.)

Dentre os recursos utilizados pelo autor, pode-se afirmar que em sua linguagem literária:
Alternativas
Q4049667 Português
“Os materiais a serem adquiridos e distribuídos às escolas públicas de educação básica do país por meio do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) devem ser inscritos em editais do programa e submetidos à avaliação pedagógica e à seleção do acervo, realizada por esta Secretaria, em parceria com universidades públicas do país.”

(Disponível em: http://portal.mec.gov.br/programa-nacionalbiblioteca-da-escola.)

O trecho anterior remete a uma divulgação que:
Alternativas
Q4049664 Português
Em relação aos gêneros literários, analise as proposições a seguir.

I. Sua finalidade é estética e artística, utilizando, predominantemente, a linguagem utilitária.
II. Em algumas situações específicas, os gêneros literários podem ter como finalidade apenas informar o leitor.
III. Estão entre os gêneros discursivos, mas limitam-se àqueles que são próprios da esfera artística e cultural.


Está correto o que se afirma em 
Alternativas
Q4049663 Português
“[...] o Parque Tecnológico Itaipu-Brasil (PTI-BR) é um ecossistema de inovação que integra entidades como instituições de ensino, empresas e órgãos governamentais e promove a sinergia e a troca de conhecimentos em prol do desenvolvimento de soluções para a sociedade.”
(Disponível em: https://www.pti.org.br/quem-somos/.)

O objetivo desse texto é: 
Alternativas
Q4049660 Português
2022 será de inovação e transformação no Parque Tecnológico Itaipu



    De olhos bem atentos aos resultados que virão em 2022, o Parque Tecnológico Itaipu (PTI-BR) inicia o novo ano focando cada vez mais em seu propósito de integrar e transformar conhecimentos e tecnologias em soluções para o progresso da sociedade.
    O general Eduardo Garrido, diretor superintendente do Parque Tecnológico, estima que em 2022 o respeito e a cooperação permaneçam sempre presentes nas ações do PTI e em todos os colaboradores. “Valorizemos cada vez mais quem está ao nosso lado em cada desafio”, comenta o diretor. “Juntos, somos um PTI de pessoas que transformam”.
    Em 2021 foram gerados 140 empregos diretos, além da contratação de 157 bolsistas, 42 estagiários e 8 aprendizes. Para 2022, o diretor administrativo-financeiro do PTI, Flaviano Masnik, comenta que novas oportunidades estão por vir. “Vamos além neste novo ano, e como um time, construiremos um ano incrível”.
     Há um ano haviam muitas incertezas e preocupações, por conta da pandemia, mas 2022 inicia com superação de dificuldades e celebração de vitórias. Para o novo ano, a meta é expandir o nome do Parque Tecnológico para além da região, portanto, a instituição prevê participação em mais de dez eventos nacionais, atuando sempre em suas quatro linhas temáticas: agronegócio, energias, turismo e cidades inteligentes, e segurança de infraestruturas críticas. Para o  diretor técnico do Parque, Rafael Deitos, isso é reflexo de excelentes entregas, “cada atividade é importante para o resultado final, por isso, em 2022, sinta orgulho de ser uma pessoa que valoriza cada passo desta jornada”.


(Disponível em: https://www.pti.org.br/2022-sera-de-inovacao-etransformacao-no-parque-tecnologico-itaipu/. Adaptado.)
Considerando as escolhas linguísticas e a organização textual, analise as afirmativas a seguir.

I. Para sustentar, embasar algumas informações, a citação literal de falas de diretores do Parque foi usada como recurso argumentativo de modo inadequado, ou seja, entre aspas.

II. O texto projeta, desde o título, expectativas para o ano de 2022. Para torná-las mais plausíveis, são apresentados dados relacionados ao ano de 2021 e previsões já estabelecidas para o ano de 2022.

III. Em dois momentos do texto, há adjuntos adverbiais temporais descolados que não foram isolados com vírgulas. Isso, porém, não implica em desvio da norma padrão, já que não há critérios nitidamente estabelecidos para o emprego da vírgula com os adjuntos adverbiais. Em geral, preocupa-se com a clareza da informação ou com a ênfase que se procura dar ao adjunto. 



Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q4049657 Português
Parque Tecnológico Itaipu apresenta o primeiro bairro público inteligente do país


     O primeiro bairro inteligente público do país está sendo implantado em Foz do Iguaçu, por meio de uma parceria entre a Prefeitura Municipal, Itaipu Binacional, Parque Tecnológico Itaipu e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
    A população da Vila A, de 11 mil habitantes, passa a ser a primeira a vivenciar tecnologias inovadoras de uma cidade inteligente, com a ideia de modificar a estrutura do local que promova melhorias na qualidade de vida e no desenvolvimento.
      O bairro, que está localizado nas proximidades do Parque Tecnológico Itaipu e conta com mais de 3 mil residências e estabelecimentos comerciais, está recebendo a adoção de soluções para mobilidade urbana, como semáforos e pontos de ônibus inteligentes, câmeras com reconhecimento facial e  iluminação pública com telegestão, por exemplo. “Trabalhávamos com um ambiente vivo, mas aqui no PTI é uma zona restrita. A nossa ideia de ir para um bairro da cidade era justamente testar em ambientes reais”, explica o gerente do Centro de Tecnologias Abertas e IoT do PTI, Willbur Rogers de Souza.
      O início efetivo do programa, com as primeiras tecnologias sendo implantadas, aconteceu em julho deste ano. O marco inicial do projeto foi o decreto municipal que estabelece um comitê gestor para acompanhamento e aprovação para o início das propostas a serem implantadas, conforme observa o gerente.

(Sharlene Sarti. Rede Cidade Digital, 01/11/2021. Disponível em: https://redecidadedigital.com.br/noticias/parque-tecnologico-itaipuapresenta-o-primeiro-bairro-publico-inteligente-do-pais/9541. Adaptado.)
De acordo com o texto, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q4049656 Português
Parque Tecnológico Itaipu apresenta o primeiro bairro público inteligente do país


     O primeiro bairro inteligente público do país está sendo implantado em Foz do Iguaçu, por meio de uma parceria entre a Prefeitura Municipal, Itaipu Binacional, Parque Tecnológico Itaipu e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
    A população da Vila A, de 11 mil habitantes, passa a ser a primeira a vivenciar tecnologias inovadoras de uma cidade inteligente, com a ideia de modificar a estrutura do local que promova melhorias na qualidade de vida e no desenvolvimento.
      O bairro, que está localizado nas proximidades do Parque Tecnológico Itaipu e conta com mais de 3 mil residências e estabelecimentos comerciais, está recebendo a adoção de soluções para mobilidade urbana, como semáforos e pontos de ônibus inteligentes, câmeras com reconhecimento facial e  iluminação pública com telegestão, por exemplo. “Trabalhávamos com um ambiente vivo, mas aqui no PTI é uma zona restrita. A nossa ideia de ir para um bairro da cidade era justamente testar em ambientes reais”, explica o gerente do Centro de Tecnologias Abertas e IoT do PTI, Willbur Rogers de Souza.
      O início efetivo do programa, com as primeiras tecnologias sendo implantadas, aconteceu em julho deste ano. O marco inicial do projeto foi o decreto municipal que estabelece um comitê gestor para acompanhamento e aprovação para o início das propostas a serem implantadas, conforme observa o gerente.

(Sharlene Sarti. Rede Cidade Digital, 01/11/2021. Disponível em: https://redecidadedigital.com.br/noticias/parque-tecnologico-itaipuapresenta-o-primeiro-bairro-publico-inteligente-do-pais/9541. Adaptado.)
Em relação ao texto, analise as afirmativas a seguir.

I. O texto informa quem está envolvido no projeto e quem são os beneficiados com ele.
II. Ao progredir com as informações, são explicitadas algumas inovações tecnológicas implantadas no local.
III. O projeto ainda não foi iniciado, mas a prefeitura já regulamentou, por meio de um decreto, o comitê responsável pela implantação das novas tecnologias.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q4049321 Português
As estações perplexas



      Naturalmente, por culpa desses engenhos clandestinos que gregos e troianos estão atirando ao espaço, as estações se equivocaram, e o inverno, de barbas brancas, insiste com a primavera em que o seu tempo ainda não passou, enquanto a primavera, com suas coroas desmanchadas, vê avançar o verão, de roupas de fogo, e não sabe o que fazer de flores e pássaros.

        As estações perplexas, mas bem‐educadas, apresentam suas razões com bons modos, não por desejarem estar no cartaz, mas pela disciplina do próprio ofício. Elas, antigamente, executavam suas danças com grande acerto e, enquanto uma andava no primeiro plano, com seus véus e outros acessórios, as outras, com muita elegância, evoluíam em planos sucessivos, esperando o momento de se apresentarem, com todo o seu brilho e poder.

        Mas com os tais engenhos que perfuram o espaço, embora tão miseráveis, em relação ao universo como um espinho no pé de um elefante, creio que sempre há distúrbios: e só assim me parece explicável que neste mês de novembro possamos ainda trazer roupas de lã.

     Pelo jardim há numerosos estragos. As plantas andam meio loucas: gardênias, que costumam desabrochar em dezembro, abriram repentinamente em outubro e agora estão secas e caem melancolicamente, querendo ainda conservar o perfume e o aveludado nas pétalas queimadas. Qualquer flor que aparece, por saber que estamos na primavera, vem o vento e a desfolha, vem o frio e a faz murchar, vem a chuva e arrasta‐a para o chão. Que aconteceu? Pensam as flores. (Sim, porque as flores pensam.) E logo desaparecem, tristes. (Porque as flores também entristecem).

        Quanto aos passarinhos, nesta região de sabiás e pardais, pintassilgos e cambaxirras, nesta região onde, o dia inteiro, o ar está cheio de pios, de cantos, de lamentos, de beijinhos d’água e risadinhas verdes e azuis, os passarinhos não sabem mais onde fazer seus ninhos e, por acharem tão fria esta primavera, abandonam as árvores de ar condicionado e metem‐se pelo vão das telhas e pelos canos dos aquecedores.

       Quanto aos pobres humanos, uns andam com gripes invernais muito prolongadas, outros não sabem o que fazer do seu belo guarda‐roupa de verão. Todas as manhãs, olha-se para o céu: onde estamos? Na Holanda? Em Paris? Na Suíça? Vem o vento ríspido misturar os nossos papéis, sacudir as trepadeiras, estremecer as portas e distribuir lumbagos e torcicolos. A lama respinga por toda a parte. Nunca se sabe se o pé vai entrar numa poça ou num bueiro... E a primavera, primadona, espera no seu camarim, um pouco rouca, enquanto gregos e troianos jogam para o alto seus engenhos, que valem palácios, museus, hospitais, universidades, teatros, pacíficas habitações terrenas que seriam felizes com um pouco de graça e amor.


(Cecília Meireles. Crônicas para jovens; seleção, prefácio e notas biobibliográficas. Antonieta Cunha. São Paulo: Global, 2012. Adaptado.)
Assinale a afirmativa transcrita do texto que denota uma ação habitual. 
Alternativas
Q4049320 Português
As estações perplexas



      Naturalmente, por culpa desses engenhos clandestinos que gregos e troianos estão atirando ao espaço, as estações se equivocaram, e o inverno, de barbas brancas, insiste com a primavera em que o seu tempo ainda não passou, enquanto a primavera, com suas coroas desmanchadas, vê avançar o verão, de roupas de fogo, e não sabe o que fazer de flores e pássaros.

        As estações perplexas, mas bem‐educadas, apresentam suas razões com bons modos, não por desejarem estar no cartaz, mas pela disciplina do próprio ofício. Elas, antigamente, executavam suas danças com grande acerto e, enquanto uma andava no primeiro plano, com seus véus e outros acessórios, as outras, com muita elegância, evoluíam em planos sucessivos, esperando o momento de se apresentarem, com todo o seu brilho e poder.

        Mas com os tais engenhos que perfuram o espaço, embora tão miseráveis, em relação ao universo como um espinho no pé de um elefante, creio que sempre há distúrbios: e só assim me parece explicável que neste mês de novembro possamos ainda trazer roupas de lã.

     Pelo jardim há numerosos estragos. As plantas andam meio loucas: gardênias, que costumam desabrochar em dezembro, abriram repentinamente em outubro e agora estão secas e caem melancolicamente, querendo ainda conservar o perfume e o aveludado nas pétalas queimadas. Qualquer flor que aparece, por saber que estamos na primavera, vem o vento e a desfolha, vem o frio e a faz murchar, vem a chuva e arrasta‐a para o chão. Que aconteceu? Pensam as flores. (Sim, porque as flores pensam.) E logo desaparecem, tristes. (Porque as flores também entristecem).

        Quanto aos passarinhos, nesta região de sabiás e pardais, pintassilgos e cambaxirras, nesta região onde, o dia inteiro, o ar está cheio de pios, de cantos, de lamentos, de beijinhos d’água e risadinhas verdes e azuis, os passarinhos não sabem mais onde fazer seus ninhos e, por acharem tão fria esta primavera, abandonam as árvores de ar condicionado e metem‐se pelo vão das telhas e pelos canos dos aquecedores.

       Quanto aos pobres humanos, uns andam com gripes invernais muito prolongadas, outros não sabem o que fazer do seu belo guarda‐roupa de verão. Todas as manhãs, olha-se para o céu: onde estamos? Na Holanda? Em Paris? Na Suíça? Vem o vento ríspido misturar os nossos papéis, sacudir as trepadeiras, estremecer as portas e distribuir lumbagos e torcicolos. A lama respinga por toda a parte. Nunca se sabe se o pé vai entrar numa poça ou num bueiro... E a primavera, primadona, espera no seu camarim, um pouco rouca, enquanto gregos e troianos jogam para o alto seus engenhos, que valem palácios, museus, hospitais, universidades, teatros, pacíficas habitações terrenas que seriam felizes com um pouco de graça e amor.


(Cecília Meireles. Crônicas para jovens; seleção, prefácio e notas biobibliográficas. Antonieta Cunha. São Paulo: Global, 2012. Adaptado.)
No excerto “Que aconteceu? Pensam as flores. (Sim, porque as flores pensam.) E logo desaparecem, tristes. (Porque as flores também entristecem).” (4º§), a autora faz uma pausa na narrativa para: 
Alternativas
Q4049317 Português
As estações perplexas



      Naturalmente, por culpa desses engenhos clandestinos que gregos e troianos estão atirando ao espaço, as estações se equivocaram, e o inverno, de barbas brancas, insiste com a primavera em que o seu tempo ainda não passou, enquanto a primavera, com suas coroas desmanchadas, vê avançar o verão, de roupas de fogo, e não sabe o que fazer de flores e pássaros.

        As estações perplexas, mas bem‐educadas, apresentam suas razões com bons modos, não por desejarem estar no cartaz, mas pela disciplina do próprio ofício. Elas, antigamente, executavam suas danças com grande acerto e, enquanto uma andava no primeiro plano, com seus véus e outros acessórios, as outras, com muita elegância, evoluíam em planos sucessivos, esperando o momento de se apresentarem, com todo o seu brilho e poder.

        Mas com os tais engenhos que perfuram o espaço, embora tão miseráveis, em relação ao universo como um espinho no pé de um elefante, creio que sempre há distúrbios: e só assim me parece explicável que neste mês de novembro possamos ainda trazer roupas de lã.

     Pelo jardim há numerosos estragos. As plantas andam meio loucas: gardênias, que costumam desabrochar em dezembro, abriram repentinamente em outubro e agora estão secas e caem melancolicamente, querendo ainda conservar o perfume e o aveludado nas pétalas queimadas. Qualquer flor que aparece, por saber que estamos na primavera, vem o vento e a desfolha, vem o frio e a faz murchar, vem a chuva e arrasta‐a para o chão. Que aconteceu? Pensam as flores. (Sim, porque as flores pensam.) E logo desaparecem, tristes. (Porque as flores também entristecem).

        Quanto aos passarinhos, nesta região de sabiás e pardais, pintassilgos e cambaxirras, nesta região onde, o dia inteiro, o ar está cheio de pios, de cantos, de lamentos, de beijinhos d’água e risadinhas verdes e azuis, os passarinhos não sabem mais onde fazer seus ninhos e, por acharem tão fria esta primavera, abandonam as árvores de ar condicionado e metem‐se pelo vão das telhas e pelos canos dos aquecedores.

       Quanto aos pobres humanos, uns andam com gripes invernais muito prolongadas, outros não sabem o que fazer do seu belo guarda‐roupa de verão. Todas as manhãs, olha-se para o céu: onde estamos? Na Holanda? Em Paris? Na Suíça? Vem o vento ríspido misturar os nossos papéis, sacudir as trepadeiras, estremecer as portas e distribuir lumbagos e torcicolos. A lama respinga por toda a parte. Nunca se sabe se o pé vai entrar numa poça ou num bueiro... E a primavera, primadona, espera no seu camarim, um pouco rouca, enquanto gregos e troianos jogam para o alto seus engenhos, que valem palácios, museus, hospitais, universidades, teatros, pacíficas habitações terrenas que seriam felizes com um pouco de graça e amor.


(Cecília Meireles. Crônicas para jovens; seleção, prefácio e notas biobibliográficas. Antonieta Cunha. São Paulo: Global, 2012. Adaptado.)
Considerando que a língua é um “potencial de significado” e, neste caso particular, há entre os falantes uma troca e uma negociação do significado a partir de “uma coleção harmoniosa de significados apropriados ao seu contexto, com um objetivo comunicativo”, no excerto “As plantas andam meio loucas: gardênias, que costumam desabrochar em dezembro, abriram repentinamente em outubro (...)” (4º§), o termo “repentinamente” significa:
Alternativas
Q4049316 Português
As estações perplexas



      Naturalmente, por culpa desses engenhos clandestinos que gregos e troianos estão atirando ao espaço, as estações se equivocaram, e o inverno, de barbas brancas, insiste com a primavera em que o seu tempo ainda não passou, enquanto a primavera, com suas coroas desmanchadas, vê avançar o verão, de roupas de fogo, e não sabe o que fazer de flores e pássaros.

        As estações perplexas, mas bem‐educadas, apresentam suas razões com bons modos, não por desejarem estar no cartaz, mas pela disciplina do próprio ofício. Elas, antigamente, executavam suas danças com grande acerto e, enquanto uma andava no primeiro plano, com seus véus e outros acessórios, as outras, com muita elegância, evoluíam em planos sucessivos, esperando o momento de se apresentarem, com todo o seu brilho e poder.

        Mas com os tais engenhos que perfuram o espaço, embora tão miseráveis, em relação ao universo como um espinho no pé de um elefante, creio que sempre há distúrbios: e só assim me parece explicável que neste mês de novembro possamos ainda trazer roupas de lã.

     Pelo jardim há numerosos estragos. As plantas andam meio loucas: gardênias, que costumam desabrochar em dezembro, abriram repentinamente em outubro e agora estão secas e caem melancolicamente, querendo ainda conservar o perfume e o aveludado nas pétalas queimadas. Qualquer flor que aparece, por saber que estamos na primavera, vem o vento e a desfolha, vem o frio e a faz murchar, vem a chuva e arrasta‐a para o chão. Que aconteceu? Pensam as flores. (Sim, porque as flores pensam.) E logo desaparecem, tristes. (Porque as flores também entristecem).

        Quanto aos passarinhos, nesta região de sabiás e pardais, pintassilgos e cambaxirras, nesta região onde, o dia inteiro, o ar está cheio de pios, de cantos, de lamentos, de beijinhos d’água e risadinhas verdes e azuis, os passarinhos não sabem mais onde fazer seus ninhos e, por acharem tão fria esta primavera, abandonam as árvores de ar condicionado e metem‐se pelo vão das telhas e pelos canos dos aquecedores.

       Quanto aos pobres humanos, uns andam com gripes invernais muito prolongadas, outros não sabem o que fazer do seu belo guarda‐roupa de verão. Todas as manhãs, olha-se para o céu: onde estamos? Na Holanda? Em Paris? Na Suíça? Vem o vento ríspido misturar os nossos papéis, sacudir as trepadeiras, estremecer as portas e distribuir lumbagos e torcicolos. A lama respinga por toda a parte. Nunca se sabe se o pé vai entrar numa poça ou num bueiro... E a primavera, primadona, espera no seu camarim, um pouco rouca, enquanto gregos e troianos jogam para o alto seus engenhos, que valem palácios, museus, hospitais, universidades, teatros, pacíficas habitações terrenas que seriam felizes com um pouco de graça e amor.


(Cecília Meireles. Crônicas para jovens; seleção, prefácio e notas biobibliográficas. Antonieta Cunha. São Paulo: Global, 2012. Adaptado.)
No trecho “As estações perplexas, mas bem‐educadas, apresentam suas razões com bons modos, não por desejarem estar no cartaz, (...)” (2º§), a expressão destacada confere ideia de: 
Alternativas
Q4049315 Português
As estações perplexas



      Naturalmente, por culpa desses engenhos clandestinos que gregos e troianos estão atirando ao espaço, as estações se equivocaram, e o inverno, de barbas brancas, insiste com a primavera em que o seu tempo ainda não passou, enquanto a primavera, com suas coroas desmanchadas, vê avançar o verão, de roupas de fogo, e não sabe o que fazer de flores e pássaros.

        As estações perplexas, mas bem‐educadas, apresentam suas razões com bons modos, não por desejarem estar no cartaz, mas pela disciplina do próprio ofício. Elas, antigamente, executavam suas danças com grande acerto e, enquanto uma andava no primeiro plano, com seus véus e outros acessórios, as outras, com muita elegância, evoluíam em planos sucessivos, esperando o momento de se apresentarem, com todo o seu brilho e poder.

        Mas com os tais engenhos que perfuram o espaço, embora tão miseráveis, em relação ao universo como um espinho no pé de um elefante, creio que sempre há distúrbios: e só assim me parece explicável que neste mês de novembro possamos ainda trazer roupas de lã.

     Pelo jardim há numerosos estragos. As plantas andam meio loucas: gardênias, que costumam desabrochar em dezembro, abriram repentinamente em outubro e agora estão secas e caem melancolicamente, querendo ainda conservar o perfume e o aveludado nas pétalas queimadas. Qualquer flor que aparece, por saber que estamos na primavera, vem o vento e a desfolha, vem o frio e a faz murchar, vem a chuva e arrasta‐a para o chão. Que aconteceu? Pensam as flores. (Sim, porque as flores pensam.) E logo desaparecem, tristes. (Porque as flores também entristecem).

        Quanto aos passarinhos, nesta região de sabiás e pardais, pintassilgos e cambaxirras, nesta região onde, o dia inteiro, o ar está cheio de pios, de cantos, de lamentos, de beijinhos d’água e risadinhas verdes e azuis, os passarinhos não sabem mais onde fazer seus ninhos e, por acharem tão fria esta primavera, abandonam as árvores de ar condicionado e metem‐se pelo vão das telhas e pelos canos dos aquecedores.

       Quanto aos pobres humanos, uns andam com gripes invernais muito prolongadas, outros não sabem o que fazer do seu belo guarda‐roupa de verão. Todas as manhãs, olha-se para o céu: onde estamos? Na Holanda? Em Paris? Na Suíça? Vem o vento ríspido misturar os nossos papéis, sacudir as trepadeiras, estremecer as portas e distribuir lumbagos e torcicolos. A lama respinga por toda a parte. Nunca se sabe se o pé vai entrar numa poça ou num bueiro... E a primavera, primadona, espera no seu camarim, um pouco rouca, enquanto gregos e troianos jogam para o alto seus engenhos, que valem palácios, museus, hospitais, universidades, teatros, pacíficas habitações terrenas que seriam felizes com um pouco de graça e amor.


(Cecília Meireles. Crônicas para jovens; seleção, prefácio e notas biobibliográficas. Antonieta Cunha. São Paulo: Global, 2012. Adaptado.)
A narrativa desenvolvida pela autora apresenta como elemento motivador: 
Alternativas
Q4049314 Português
As estações perplexas



      Naturalmente, por culpa desses engenhos clandestinos que gregos e troianos estão atirando ao espaço, as estações se equivocaram, e o inverno, de barbas brancas, insiste com a primavera em que o seu tempo ainda não passou, enquanto a primavera, com suas coroas desmanchadas, vê avançar o verão, de roupas de fogo, e não sabe o que fazer de flores e pássaros.

        As estações perplexas, mas bem‐educadas, apresentam suas razões com bons modos, não por desejarem estar no cartaz, mas pela disciplina do próprio ofício. Elas, antigamente, executavam suas danças com grande acerto e, enquanto uma andava no primeiro plano, com seus véus e outros acessórios, as outras, com muita elegância, evoluíam em planos sucessivos, esperando o momento de se apresentarem, com todo o seu brilho e poder.

        Mas com os tais engenhos que perfuram o espaço, embora tão miseráveis, em relação ao universo como um espinho no pé de um elefante, creio que sempre há distúrbios: e só assim me parece explicável que neste mês de novembro possamos ainda trazer roupas de lã.

     Pelo jardim há numerosos estragos. As plantas andam meio loucas: gardênias, que costumam desabrochar em dezembro, abriram repentinamente em outubro e agora estão secas e caem melancolicamente, querendo ainda conservar o perfume e o aveludado nas pétalas queimadas. Qualquer flor que aparece, por saber que estamos na primavera, vem o vento e a desfolha, vem o frio e a faz murchar, vem a chuva e arrasta‐a para o chão. Que aconteceu? Pensam as flores. (Sim, porque as flores pensam.) E logo desaparecem, tristes. (Porque as flores também entristecem).

        Quanto aos passarinhos, nesta região de sabiás e pardais, pintassilgos e cambaxirras, nesta região onde, o dia inteiro, o ar está cheio de pios, de cantos, de lamentos, de beijinhos d’água e risadinhas verdes e azuis, os passarinhos não sabem mais onde fazer seus ninhos e, por acharem tão fria esta primavera, abandonam as árvores de ar condicionado e metem‐se pelo vão das telhas e pelos canos dos aquecedores.

       Quanto aos pobres humanos, uns andam com gripes invernais muito prolongadas, outros não sabem o que fazer do seu belo guarda‐roupa de verão. Todas as manhãs, olha-se para o céu: onde estamos? Na Holanda? Em Paris? Na Suíça? Vem o vento ríspido misturar os nossos papéis, sacudir as trepadeiras, estremecer as portas e distribuir lumbagos e torcicolos. A lama respinga por toda a parte. Nunca se sabe se o pé vai entrar numa poça ou num bueiro... E a primavera, primadona, espera no seu camarim, um pouco rouca, enquanto gregos e troianos jogam para o alto seus engenhos, que valem palácios, museus, hospitais, universidades, teatros, pacíficas habitações terrenas que seriam felizes com um pouco de graça e amor.


(Cecília Meireles. Crônicas para jovens; seleção, prefácio e notas biobibliográficas. Antonieta Cunha. São Paulo: Global, 2012. Adaptado.)
Assinale a alternativa que melhor justifica o título do texto. 
Alternativas
Q4049203 Português
Tecendo a manhã
Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito que um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos.
(João Cabral de Melo Neto. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/11508/tecendo-a-manha.)


O poema de João Cabral de Melo Neto apresenta um expoente fundamental para as mobilizações e transformações sociais de forma atemporal. O termo que melhor traduz esse expoente é:
Alternativas
Q4049197 Português
O ano de 2022 irá celebrar o bicentenário de nossa independência (07/09/1822). Assim, na segunda metade do século XX, o artista brasileiro Nei Leandro de Castro produziu o poema-cartaz a seguir:


Imagem associada para resolução da questão



Atentando para os elementos gráficos da obra, bem como para os processos históricos brasileiros, depreende-se que a natureza principal da crítica é:
Alternativas
Q4049177 Português
Soluções para a sociedade


    O conceito de inovação é amplo e pode ser visto sob diferentes aspectos. Inovar é introduzir novidades ou mudanças em algo, transformando uma ideia em solução com criatividade.
    Sob o ponto de vista empresarial ou industrial, uma das melhores definições de inovação foi dada pelo escritor e professor austríaco Peter Drucker, um dos maiores pensadores sobre os efeitos da globalização na economia e nas organizações. Segundo ele, inovar é simplesmente a habilidade de transformar algo já existente em um recurso que gere riqueza.
     Numa visão mais aplicada, o superintendente de Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Jefferson Gomes, considera que as grandes inovações que surgiram e continuam surgindo no mundo são resultado da luta do ser humano contra três problemas: a fome, as pestes [doenças] e a falta de segurança. A partir daí nasceram a biotecnologia, a inteligência artificial, a bionanotecnologia e muitas outras inovações relacionadas às necessidades da sociedade atual, que naturalmente exige mais mudanças no mundo. [...]
    Especialistas acreditam que, nos próximos anos, inteligência artificial, Big Data e 5G impulsionarão, de vez, a Internet das Coisas, seja em nossos lares, em hospitais ou em cidades inteligentes. Entretanto, com isso, surgem outras preocupações, como a necessidade de regulamentar globalmente a proteção de dados e promover tecnologias mais sustentáveis para o planeta.


(Disponível em: https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/inovacao-etecnologia/a-inovacao-nossa-de-cada-dia/. Adaptado. Acesso em: 11/10/2021.) 
No 3º§ do texto apresentado, o autor utiliza um recurso da argumentação que tem como objetivo: 
Alternativas
Q4049176 Português
Soluções para a sociedade


    O conceito de inovação é amplo e pode ser visto sob diferentes aspectos. Inovar é introduzir novidades ou mudanças em algo, transformando uma ideia em solução com criatividade.
    Sob o ponto de vista empresarial ou industrial, uma das melhores definições de inovação foi dada pelo escritor e professor austríaco Peter Drucker, um dos maiores pensadores sobre os efeitos da globalização na economia e nas organizações. Segundo ele, inovar é simplesmente a habilidade de transformar algo já existente em um recurso que gere riqueza.
     Numa visão mais aplicada, o superintendente de Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Jefferson Gomes, considera que as grandes inovações que surgiram e continuam surgindo no mundo são resultado da luta do ser humano contra três problemas: a fome, as pestes [doenças] e a falta de segurança. A partir daí nasceram a biotecnologia, a inteligência artificial, a bionanotecnologia e muitas outras inovações relacionadas às necessidades da sociedade atual, que naturalmente exige mais mudanças no mundo. [...]
    Especialistas acreditam que, nos próximos anos, inteligência artificial, Big Data e 5G impulsionarão, de vez, a Internet das Coisas, seja em nossos lares, em hospitais ou em cidades inteligentes. Entretanto, com isso, surgem outras preocupações, como a necessidade de regulamentar globalmente a proteção de dados e promover tecnologias mais sustentáveis para o planeta.


(Disponível em: https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/inovacao-etecnologia/a-inovacao-nossa-de-cada-dia/. Adaptado. Acesso em: 11/10/2021.) 
A correção do texto assim como o seu sentido original seriam preservados caso o trecho “Especialistas acreditam que, nos próximos anos, inteligência artificial, Big Data e 5G impulsionarão, de vez, a Internet das Coisas, seja em nossos lares, em hospitais ou em cidades inteligentes.” (4º§) apresentasse a seguinte reescrita:
Alternativas
Q4049174 Português
Soluções para a sociedade


    O conceito de inovação é amplo e pode ser visto sob diferentes aspectos. Inovar é introduzir novidades ou mudanças em algo, transformando uma ideia em solução com criatividade.
    Sob o ponto de vista empresarial ou industrial, uma das melhores definições de inovação foi dada pelo escritor e professor austríaco Peter Drucker, um dos maiores pensadores sobre os efeitos da globalização na economia e nas organizações. Segundo ele, inovar é simplesmente a habilidade de transformar algo já existente em um recurso que gere riqueza.
     Numa visão mais aplicada, o superintendente de Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Jefferson Gomes, considera que as grandes inovações que surgiram e continuam surgindo no mundo são resultado da luta do ser humano contra três problemas: a fome, as pestes [doenças] e a falta de segurança. A partir daí nasceram a biotecnologia, a inteligência artificial, a bionanotecnologia e muitas outras inovações relacionadas às necessidades da sociedade atual, que naturalmente exige mais mudanças no mundo. [...]
    Especialistas acreditam que, nos próximos anos, inteligência artificial, Big Data e 5G impulsionarão, de vez, a Internet das Coisas, seja em nossos lares, em hospitais ou em cidades inteligentes. Entretanto, com isso, surgem outras preocupações, como a necessidade de regulamentar globalmente a proteção de dados e promover tecnologias mais sustentáveis para o planeta.


(Disponível em: https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/inovacao-etecnologia/a-inovacao-nossa-de-cada-dia/. Adaptado. Acesso em: 11/10/2021.) 
Pode-se inferir do texto que:
Alternativas
Q4049151 Português
Quem sabe Deus está ouvindo 

        Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcando-a um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia. 

        Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

        – Você vai criar um cajueiro aí? 

        Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

        – Mas é melhor arrancar logo, não é? 

        Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso – mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isso a empregada não sabe; ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão – disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte. 

        Hoje pela manhã ela começou a me dizer qualquer coisa – “seu Rubem, o cajueirinho...” – mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. 

        Veio me mostrar: 

        – Eu comprei um vaso...

        – Ahn...

        Depois de um silêncio, eu disse:

        – Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...

        Ela olhou a plantinha e disse com convicção:

        – Esse aqui não vai morrer, não senhor. 

        Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá- -lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso, e ficara aliviada com a minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer: 

        – Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro.

        Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo com certa gravidade: 

        – É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo... 

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.

(BRAGA, Rubem. 1993-1990. 200 crônicas escolhidas – 31ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010.)
Assinale, a seguir, uma afirmativa transcrita do texto que denota uma ação regular, ou seja, uma situação permanente.
Alternativas
Respostas
48321: A
48322: A
48323: D
48324: C
48325: C
48326: D
48327: C
48328: B
48329: D
48330: A
48331: D
48332: C
48333: C
48334: B
48335: B
48336: D
48337: A
48338: D
48339: D
48340: C