Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q4051658 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O pavão


Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor. Oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.


Rubem Braga. https://www.culturagenial.com/cronicas-curtas-com-interpretacao/
Acerca da crônica O pavão de Rubem Braga, julgue as afirmações que seguem:
A crônica parte de uma descoberta curiosa acerca do pavão, animal conhecido pela sua beleza.

I.Na verdade, as cores dos pavões não dependeriam das suas penas, mas do modo como a luz é refletida por elas.
II.Isso leva o autor a fazer considerações sobre a criação artística e a importância da simplicidade. Logo depois, utiliza a metáfora para se dirigir à mulher que ama e se compara ao próprio animal.
III.Declarando que o seu brilho depende da forma como é olhado por ela, sublinha a delícia de ser amado, a felicidade e a confiança que isso traz às nossas vidas.

Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4051616 Português
Todos os anos são registrados no Brasil milhares de casos de (X), seja pela ingestão de alimentos contaminados, de medicamentos, uso de agrotóxicos, produtos de limpeza doméstica, de uso veterinário e outras substâncias químicas. No ano de 2003, foram 82.716 casos, dos quais apenas 15,1 mil tiveram cura confirmada; outros 416 deixaram sequelas e 530 terminaram em óbito. O maior número de (X) foi provocada por medicamentos, com 28% dos casos registrados. Em segundo lugar estavam os produtos usados na higiene doméstica (os chamados saneantes), como água sanitária e desinfetantes, com 6,8 mil casos; e na sequência vinham os agrotóxicos, com 5,9 mil casos; e os produtos químicos industriais, com 4,5 mil.
Fonte: Vigilância Sanitária - Guia Didático.
De acordo com o contexto, marque a alternativa que substitui corretamente o (X) do texto. 
Alternativas
Q4051302 Português
O Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) de pneus passou a valer oficialmente em abril de 2018, instituído pela Portaria nº 544 do Inmetro e tem como objetivo fornecer ao consumidor informações sobre o desempenho dos pneus por meio de uma etiqueta colada ao produto. Visto isso quais são os critérios avaliados pelo PBE em relação a pneus, marque as alternativas CORRETAS.

I.Resistência ao rolamento.
II.Aderência em pista molhada.
III.Ruído externo.
IV.Vibração excessiva.

É CORRETO o que afirma em:
Alternativas
Q4051201 Português
O criar pontes entre os corações me parece uma maneira simples de compreender a questão. Quanto mais pontes criamos, mais opções teremos por onde transitar. Lembrando sempre que cada qual passeia pelas pontes sem aprisionar ninguém em seu "território" e nem abandonar o seu em detrimento do outro. Este ir e vir entre o coração das pessoas é, em verdade, a base do movimento social autêntico. Quando as pessoas convivem dentro deste trânsito parece haver naturalmente harmonia e entendimento. A conversa, é o meio do qual dispomos a nos fazer entender e possui regras que asseguram um bom desempenho.

Fonte: Escola Estadual de Educação Profissional - EEEP. Ensino Médio Integrado à Educação Profissional. Curso Técnico em Secretaria Escolar. Governo do Estado do Ceará (modificado).

Sobre qual tema do presente certame, o texto acima discorre? Marque a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4051190 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Paula Mendonça, coordenadora de educação e cidades do programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, reforça as potências do espaço escolar como lugar de relação com a natureza e seus aprendizados. "A gente chama atenção para dois aspectos que é o aprender com a natureza e na natureza. Este primeiro está muito no campo das investigações e aprendizados da própria ciência da natureza. É quando o próprio espaço é por si só potente para o aprendizado. A natureza como objeto de pesquisa com as plantas, os micro-organismos, enfim. E tem uma segunda possibilidade que é onde temos chamado à atenção das escolas que é para o uso como ambiente para aulas, um espaço com possibilidade para aprender qualquer tipo de conteúdo", ressalta.


Por Carolina Delboni. 09/08/2021. Aulas presenciais: uso de espaços abertos é recurso nas escolas. Disponível em: 
O texto acima descreve os ambientes externos como locais de recreação e de aprendizagem. Identifique abaixo, a frase que expressa corretamente essa relação.
Alternativas
Q4051098 Português

Leia o texto abaixo.


Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil


Em “Vidas secas”, obra literária de Graciliano Ramos, Fabiano e sua família vivem uma situação degradante marcada pela miséria. Na trama, os filhos do protagonista não recebem nomes, sendo chamados apenas como o “mais velho” e o “mais novo”, recurso usado pelo autor para evidenciar a desumanização do indivíduo. Ao sair da ficção, sem desconsiderar o contexto histórico da obra, nota-se que a problemática apresentada ainda percorre a atualidade: a não garantia de cidadania pela invisibilidade da falta de registro civil. A partir desse contexto, não se pode hesitar: é imprescindível compreender os impactos gerados pela falta de identificação oficial da população.


Com efeito, é nítido que o deficitário registro civil repercute, sem dúvida, na persistente falta de pertencimento como cidadão brasileiro. Isso acontece, porque, como já estudado pelo historiador José Murilo de Carvalho, para que haja uma cidadania completa no Brasil é necessária a coexistência dos direitos sociais, políticos e civis. Sob essa ótica, percebe-se que, quando o pilar civil não é garantido – em outras palavras, a não efetivação do direito devido à falta do registro em cartório –, não é possível fazer com que a cidadania seja alcançada na sociedade. Dessa forma, da mesma maneira que o “mais novo” e o “mais velho” de Graciliano Ramos, quase 3 milhões de brasileiros continuam por ser invisibilizados: sem nome oficial, sem reconhecimento pelo Estado e, por fim, sem a dignidade de um cidadão.


(...)


Portanto, ao entender que a falta de cidadania gerada pela invisibilidade do não registro está diretamente ligada à exclusão social, é preciso de um combate efetivo a esse grave problema. Assim, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, ampliar o acesso aos cartórios de registro civil. Tal ação deverá ocorrer por meio da implantação de um Projeto Nacional de Incentivo à Identidade Civil, o qual irá articular, junto aos gestores dos municípios brasileiros, campanhas, divulgadas pela mídia socialmente engajada, que expliquem sobre a importância do registro oficial para garantia da cidadania, além de instruções para realizar o processo, a fim de mitigar as desigualdades geradas pela falta dessa documentação. Afinal, assim como os meninos em “Vidas secas”, toda a população merece ter a garantia e o reconhecimento do seu nome e identidade.


Autora: Fernanda Quaresma, 20, Iguaracy (PE).
Adaptado

Fonte: https://guiadoestudante.abril.com.br

Tendo em vista o sentido global do texto, o seu PRINCIPAL objetivo comunicativo é:
Alternativas
Q4051097 Português

Leia o texto abaixo.


Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil


Em “Vidas secas”, obra literária de Graciliano Ramos, Fabiano e sua família vivem uma situação degradante marcada pela miséria. Na trama, os filhos do protagonista não recebem nomes, sendo chamados apenas como o “mais velho” e o “mais novo”, recurso usado pelo autor para evidenciar a desumanização do indivíduo. Ao sair da ficção, sem desconsiderar o contexto histórico da obra, nota-se que a problemática apresentada ainda percorre a atualidade: a não garantia de cidadania pela invisibilidade da falta de registro civil. A partir desse contexto, não se pode hesitar: é imprescindível compreender os impactos gerados pela falta de identificação oficial da população.


Com efeito, é nítido que o deficitário registro civil repercute, sem dúvida, na persistente falta de pertencimento como cidadão brasileiro. Isso acontece, porque, como já estudado pelo historiador José Murilo de Carvalho, para que haja uma cidadania completa no Brasil é necessária a coexistência dos direitos sociais, políticos e civis. Sob essa ótica, percebe-se que, quando o pilar civil não é garantido – em outras palavras, a não efetivação do direito devido à falta do registro em cartório –, não é possível fazer com que a cidadania seja alcançada na sociedade. Dessa forma, da mesma maneira que o “mais novo” e o “mais velho” de Graciliano Ramos, quase 3 milhões de brasileiros continuam por ser invisibilizados: sem nome oficial, sem reconhecimento pelo Estado e, por fim, sem a dignidade de um cidadão.


(...)


Portanto, ao entender que a falta de cidadania gerada pela invisibilidade do não registro está diretamente ligada à exclusão social, é preciso de um combate efetivo a esse grave problema. Assim, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, ampliar o acesso aos cartórios de registro civil. Tal ação deverá ocorrer por meio da implantação de um Projeto Nacional de Incentivo à Identidade Civil, o qual irá articular, junto aos gestores dos municípios brasileiros, campanhas, divulgadas pela mídia socialmente engajada, que expliquem sobre a importância do registro oficial para garantia da cidadania, além de instruções para realizar o processo, a fim de mitigar as desigualdades geradas pela falta dessa documentação. Afinal, assim como os meninos em “Vidas secas”, toda a população merece ter a garantia e o reconhecimento do seu nome e identidade.


Autora: Fernanda Quaresma, 20, Iguaracy (PE).
Adaptado

Fonte: https://guiadoestudante.abril.com.br

O texto “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil” é predominantemente: 
Alternativas
Q4051096 Português

Leia o texto abaixo e marque a afirmação incorreta:


Queremos rir


Um mágico trabalhava em um navio. Como o público era diferente a cada semana, ele sempre repetia os mesmos números. O papagaio do capitão, que assistia a todos os shows, começou a descobrir os truques do mágico.


Durante as apresentações, o papagaio dizia:


– Ele está escondendo as flores debaixo da mesa!
– Ei, por que todas as cartas são ases de espadas?
– Atenção, não olhem para a mesma cartola!


O mágico ficava fulo da vida, mas não podia fazer nada – afinal, o papagaio era do capitão.


Um dia o navio afundou. O mágico se salvou, agarrando-se a um pedaço de madeira. Por um capricho do destino, viu-se junto do papagaio. Os dois passaram dois dias boiando no mar, olhando-se com desprezo e sem dizer uma palavra.


Finalmente, no terceiro dia, o papagaio não se conteve e disse para o mágico:


– O.k., seu safado! Eu desisto! Onde você enfiou a porcaria do navio?


Otávio Praxedes, Revista Época, 05/06/2006, p. 15.

Alternativas
Q4051094 Português

Leia o texto “O problema ecológico


Se uma nave extraterrestre invadisse o espaço aéreo da Terra, com certeza seus tripulantes diriam que neste planeta não habita uma civilização inteligente, tamanho é o grau de destruição dos recursos naturais. Essas são palavras de um renomado cientista americano. Apesar dos avanços ___________, a humanidade ainda não descobriu os valores fundamentais da existência. O que chamamos orgulhosamente de civilização nada mais é do que uma _____________ às coisas naturais. A grosso modo, a tal civilização significa a devastação das florestas, a poluição dos rios, o envenenamento das terras e a deterioração da qualidade do ar. O que chamamos de progresso não passa de uma degradação deliberada e sistemática que o homem vem promovendo há muito tempo, uma autêntica guerra contra a natureza.


Afrânio Primo. Jornal Madhva (adaptado)


Assinale a afirmativa incorreta:


Alternativas
Q4051087 Português

Prova falsa


            Quem teve a ideia foi o padrinho do caçula – ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

            – Mas o cachorro era um chato – desabafou.


            Desses cachorrinhos de raça, cheios de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.


            – Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas quando eu entrava em casa vinha logo com aquele latido fininho e antipático, de cachorro de francesa.


            Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

– Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o “pobrezinho”.


            Num rápido balanço, poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.


            – Você é um desalmado – disse ela, uma vez.


            Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos do caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.


            – Aí mandaram o cachorro embora? – perguntei.


            – Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.


            – Ué... mas você não o detestava? Como é que ainda arranjou essa sopa para ele?


            – Problema de consciência – explicou. – O pipi não era dele.

             E suspirou cheio de remorso.



(PONTE PRETA, Stanislaw. Gol de padre e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1997)

Leia as seguintes afirmações:


I- A “guerra fria” foi vencida de fato graças a uma artimanha do dono da cassa.


II- De acordo com o significado no texto, um chato de galocha” é alguém que detesta o convívio com as pessoas.


III- Pelo texto, percebe-se que, ao ser “várias vezes exemplado”, o cachorro não corrigia os seus péssimos hábitos.


IV- No final do texto percebemos que o cachorro foi embora da casa injustamente, pois na realidade o pipi encontrado em lugares indevidos não era dele.


Estão corretas apenas:

Alternativas
Q4051086 Português

Prova falsa


            Quem teve a ideia foi o padrinho do caçula – ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

            – Mas o cachorro era um chato – desabafou.


            Desses cachorrinhos de raça, cheios de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.


            – Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas quando eu entrava em casa vinha logo com aquele latido fininho e antipático, de cachorro de francesa.


            Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

– Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o “pobrezinho”.


            Num rápido balanço, poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.


            – Você é um desalmado – disse ela, uma vez.


            Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos do caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.


            – Aí mandaram o cachorro embora? – perguntei.


            – Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.


            – Ué... mas você não o detestava? Como é que ainda arranjou essa sopa para ele?


            – Problema de consciência – explicou. – O pipi não era dele.

             E suspirou cheio de remorso.



(PONTE PRETA, Stanislaw. Gol de padre e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1997)

Assinale a alternativa em que o trecho transcrito justifica o título da história:  
Alternativas
Q4051085 Português

Prova falsa


            Quem teve a ideia foi o padrinho do caçula – ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

            – Mas o cachorro era um chato – desabafou.


            Desses cachorrinhos de raça, cheios de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.


            – Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas quando eu entrava em casa vinha logo com aquele latido fininho e antipático, de cachorro de francesa.


            Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

– Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o “pobrezinho”.


            Num rápido balanço, poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.


            – Você é um desalmado – disse ela, uma vez.


            Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos do caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.


            – Aí mandaram o cachorro embora? – perguntei.


            – Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.


            – Ué... mas você não o detestava? Como é que ainda arranjou essa sopa para ele?


            – Problema de consciência – explicou. – O pipi não era dele.

             E suspirou cheio de remorso.



(PONTE PRETA, Stanislaw. Gol de padre e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1997)

A palavra destacada no trecho “A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável” pode ser substituída, sem prejuízo do sentido da frase, por:  
Alternativas
Q4051084 Português

Prova falsa


            Quem teve a ideia foi o padrinho do caçula – ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

            – Mas o cachorro era um chato – desabafou.


            Desses cachorrinhos de raça, cheios de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.


            – Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas quando eu entrava em casa vinha logo com aquele latido fininho e antipático, de cachorro de francesa.


            Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

– Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o “pobrezinho”.


            Num rápido balanço, poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.


            – Você é um desalmado – disse ela, uma vez.


            Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos do caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.


            – Aí mandaram o cachorro embora? – perguntei.


            – Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.


            – Ué... mas você não o detestava? Como é que ainda arranjou essa sopa para ele?


            – Problema de consciência – explicou. – O pipi não era dele.

             E suspirou cheio de remorso.



(PONTE PRETA, Stanislaw. Gol de padre e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1997)

Assinale a afirmativa incorreta:  
Alternativas
Q4050903 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Bonitas mesmo


Quando é que uma mulher é realmente bonita? No momento em que sai do cabeleireiro? Quando está numa festa? Quando posa para uma foto? Clic, clic, clic. Sorriso amarelo, postura artificial, desempenho para o público. Bonitas mesmo somos quando ninguém está nos vendo.

Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Linda.

(...)

Saindo do banho, a toalha abandonada no chão, o corpo ainda úmido, as mãos desembaçando o espelho, creme hidratante nas pernas, desodorante, um último minuto de relaxamento, há um dia inteiro pra percorrer e assim que a porta do banheiro for aberta já não será mais dona de si mesma. Escovar os dentes, cuspir, enxugar a boca, respirar fundo. Espetacular.

(...)

O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas, um lenço de papel catado na bolsa, o nariz sendo assoado, os dedos limpando as pálpebras, o retrovisor acusando os olhos vermelhos e mesmo assim servindo de amparo, estou aqui com você, só eu estou te vendo. Encantadora.


Martha Medeiros. https://www.culturagenial.com/cronicas-curtas-com-interpretacao/
Acerca da crônica "Bonitas mesmo" de Martha Medeiros, julgue as afirmações que seguem:

I.Com um olhar atento e crítico, o texto começa por apontar e comentar as pressões estéticas a que as mulheres estão sujeitas e as diversas cobranças que existem em torno da sua aparência.
II.Apresentando sua definição da verdadeira beleza, a autora se distancia das imposições sociais e dos padrões redutores. Segundo ela, as mulheres são ainda mais bonitas quando estão confortáveis, quando nem estão preocupando com isso.
III.Observando e enaltecendo os gestos cotidianos e os atos mais comuns, a autora traça um elogio ao poder feminino que existe em todas as mulheres e vai muito além da imagem de cada uma.

Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4050857 Português
Leia as frases a seguir:

I. “Ele retirou três dentes do alho”.
II. “O braço da cadeira estava danificado”.

A figura de linguagem que aparece nas frases está corretamente indicada na alternativa:
Alternativas
Q4050856 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

Era uma vez um menino curioso e entediado. Começou assustando-se com as cadeiras, as mesas e os demais objetos domésticos. Apalpavaos, mordia-os e jogava-os no chão: esperava certamente uma resposta que os objetos não lhe davam. Descobriu alguns objetos mais interessantes que os sapatos: os copos – estes, quando atirados ao chão, quebravam-se. Já era alguma coisa, pelo menos não permaneciam os mesmos depois da ação. Mas logo o menino (que era profundamente entediado) cansou-se dos copos: no fim de tudo era vidro e só vidro. Mais tarde, pôde passar para o quintal e descobriu as galinhas e as plantas. Já eram mais interessantes, sobretudo as galinhas, que falavam uma língua incompreensível e bicavam a terra. Conheceu o peru, a galinha-d´Angola e o pavão. Mas logo se acostumou a todos eles, e continuou entediado como sempre. Não pensava, não indagava com palavras, mas explorava sem cessar a realidade. Quando pôde sair à rua, teve novas esperanças: um dia escapou e percorreu o maior espaço possível, ruas, praças, largos onde meninos jogavam futebol, viu igrejas, automóveis e um trator que modifica um terreno. Perdeu-se. Fugiu outra vez para ver o trator trabalhando. Mas eis que o trabalho do trator deu na banalidade: canteiros para flores convencionais, um coreto etc. E o menino cansou-se da rua, voltou para o seu quintal. O tédio levou o menino aos jogos de azar, aos banhos de mar e às viagens para a outra margem do rio. A margem de lá era igual à de cá. O menino cresceu e, no amor como no cinema, não encontrou o que procurava. Um dia, passando por um córrego, viu que as águas eram coloridas. Desceu pela margem, examinou: eram coloridas! Desde então, todos os dias dava um jeito de ir ver as cores do córrego. Mas quando alguém lhe disse que o colorido das águas provinha de uma lavanderia próxima, começou a gritar que não, que as águas vinham do arco-íris. Foi recolhido ao manicômio. E daí?

(GULLAR, Ferreira. O menino e o arco-íris. São Paulo: Ática, 2001. p. 5)
A frase “E daí?” encontrada no final do texto, traz uma ideia sobre o que o narrador pensa sobre o destino do menino. Que está corretamente indicada na alternativa: 
Alternativas
Q4050855 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

Era uma vez um menino curioso e entediado. Começou assustando-se com as cadeiras, as mesas e os demais objetos domésticos. Apalpavaos, mordia-os e jogava-os no chão: esperava certamente uma resposta que os objetos não lhe davam. Descobriu alguns objetos mais interessantes que os sapatos: os copos – estes, quando atirados ao chão, quebravam-se. Já era alguma coisa, pelo menos não permaneciam os mesmos depois da ação. Mas logo o menino (que era profundamente entediado) cansou-se dos copos: no fim de tudo era vidro e só vidro. Mais tarde, pôde passar para o quintal e descobriu as galinhas e as plantas. Já eram mais interessantes, sobretudo as galinhas, que falavam uma língua incompreensível e bicavam a terra. Conheceu o peru, a galinha-d´Angola e o pavão. Mas logo se acostumou a todos eles, e continuou entediado como sempre. Não pensava, não indagava com palavras, mas explorava sem cessar a realidade. Quando pôde sair à rua, teve novas esperanças: um dia escapou e percorreu o maior espaço possível, ruas, praças, largos onde meninos jogavam futebol, viu igrejas, automóveis e um trator que modifica um terreno. Perdeu-se. Fugiu outra vez para ver o trator trabalhando. Mas eis que o trabalho do trator deu na banalidade: canteiros para flores convencionais, um coreto etc. E o menino cansou-se da rua, voltou para o seu quintal. O tédio levou o menino aos jogos de azar, aos banhos de mar e às viagens para a outra margem do rio. A margem de lá era igual à de cá. O menino cresceu e, no amor como no cinema, não encontrou o que procurava. Um dia, passando por um córrego, viu que as águas eram coloridas. Desceu pela margem, examinou: eram coloridas! Desde então, todos os dias dava um jeito de ir ver as cores do córrego. Mas quando alguém lhe disse que o colorido das águas provinha de uma lavanderia próxima, começou a gritar que não, que as águas vinham do arco-íris. Foi recolhido ao manicômio. E daí?

(GULLAR, Ferreira. O menino e o arco-íris. São Paulo: Ática, 2001. p. 5)
O texto “O menino e o arco íris" de Ferreira Gullar é:
Alternativas
Q4050854 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

Era uma vez um menino curioso e entediado. Começou assustando-se com as cadeiras, as mesas e os demais objetos domésticos. Apalpavaos, mordia-os e jogava-os no chão: esperava certamente uma resposta que os objetos não lhe davam. Descobriu alguns objetos mais interessantes que os sapatos: os copos – estes, quando atirados ao chão, quebravam-se. Já era alguma coisa, pelo menos não permaneciam os mesmos depois da ação. Mas logo o menino (que era profundamente entediado) cansou-se dos copos: no fim de tudo era vidro e só vidro. Mais tarde, pôde passar para o quintal e descobriu as galinhas e as plantas. Já eram mais interessantes, sobretudo as galinhas, que falavam uma língua incompreensível e bicavam a terra. Conheceu o peru, a galinha-d´Angola e o pavão. Mas logo se acostumou a todos eles, e continuou entediado como sempre. Não pensava, não indagava com palavras, mas explorava sem cessar a realidade. Quando pôde sair à rua, teve novas esperanças: um dia escapou e percorreu o maior espaço possível, ruas, praças, largos onde meninos jogavam futebol, viu igrejas, automóveis e um trator que modifica um terreno. Perdeu-se. Fugiu outra vez para ver o trator trabalhando. Mas eis que o trabalho do trator deu na banalidade: canteiros para flores convencionais, um coreto etc. E o menino cansou-se da rua, voltou para o seu quintal. O tédio levou o menino aos jogos de azar, aos banhos de mar e às viagens para a outra margem do rio. A margem de lá era igual à de cá. O menino cresceu e, no amor como no cinema, não encontrou o que procurava. Um dia, passando por um córrego, viu que as águas eram coloridas. Desceu pela margem, examinou: eram coloridas! Desde então, todos os dias dava um jeito de ir ver as cores do córrego. Mas quando alguém lhe disse que o colorido das águas provinha de uma lavanderia próxima, começou a gritar que não, que as águas vinham do arco-íris. Foi recolhido ao manicômio. E daí?

(GULLAR, Ferreira. O menino e o arco-íris. São Paulo: Ática, 2001. p. 5)
A expressão a seguir foi retirada do texto:

Mas logo se acostumou a todos eles

O termo destacado faz referência no texto a:
Alternativas
Q4049735 Português
"Em julgamento no plenário virtual, a votação terminou em 9 votos a 2 a favor da decisão de Fachin que negou pedido da PGR para que fossem declarados inconstitucionais trechos da medida, que aumentou poderes da Corte contra fake News"

Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/stf-tem-p lacar-a-favor-de-manter-resolucao-do-tse-contra-fake-news/

Um termo que circulou bastante durante as eleições foi o "Fake News" o que fez com que o TSE emitisse uma decisão sobre o tema, o termo oriundo da língua inglês é utilizado para caracterizar: 
Alternativas
Q4049672 Português
Considerando as características da linguagem do texto a seguir, leia e analise.
* Sentença de um processo de usucapião ajuizada pelo Governo de Minas na Comarca de Palma, na Zona da Mata mineira. O juiz Antonio Augusto Pavel Toledo foi o responsável pela sentença correspondente a um processo referente ao sobrado histórico localizado na Praça Getúlio Vargas, onde, há mais de 80 anos, funciona o Fórum Wilson Alvim Amaral. O documento formalizou a situação legal do espaço. 

“Pede o Estado de Minas Gerais Que se declare, por usucapião, Observados os termos legais, Em originária aquisição, A propriedade de um sobrado Onde se encontra instalado Todo o serviço judicial: O Fórum Wilson Alvim Amaral. E para tanto o Estado argumenta, Que desde a década de quarenta, No século próximo passado, Tem a posse do bem mencionado. Alega que o possui mansamente, De forma pacífica, inconteste, Ausente lapso de interrupção.” 
(Antônio Augusto Pavel Toledo – Juiz de Direito. Estado de Minas, 27/01/2022. Fragmento.)
Tendo em vista as informações anteriores, está correto o que se afirma em:
Alternativas
Respostas
48301: D
48302: D
48303: B
48304: B
48305: D
48306: C
48307: A
48308: D
48309: B
48310: E
48311: B
48312: C
48313: E
48314: C
48315: C
48316: A
48317: C
48318: C
48319: E
48320: A