Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3414412 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


" ... Esse nome de Pasárgada, que significa 'campo dos persas' ou 'tesouro dos persas', suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias [...]. Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo (Rio de Janeiro), num momento de fundo desânimo, da mais aguda sensação de tudo o que eu não tinha feito na minha vida por motivo da doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: 'Vou-me embora p'ra Pasárgada!' Senti na redondilha a primeira célula de um poema, e tentei realizá-lo, mas fracassei [...]. Alguns anos depois, em idênticas circunstâncias de desalento e tédio, me ocorreu o mesmo desabafo de evasão da 'vida besta'. Desta vez o poema saiu sem esforço como se já estivesse pronto dentro de mim. Gosto desse poema porque vejo nele, em escorço, toda a minha vida; e, também, porque parece que nele soube transmitir a tantas outras pessoas a visão e promessa da minha adolescência, essa Pasárgada onde podemos viver pelo sonho o que a vida madrasta não nos quis dar. Não sou arquiteto, como meu pai desejava, não fiz nenhuma casa, mas reconstruí e 'não como forma imperfeita neste mundo de aparências', uma cidade ilustre, que hoje não é mais a Pasárgada de Ciro, e sim a minha "Pasárgada".


(Manuel Bandeira. Itinerário de Pasárgada. Rio de Janeiro. Nova Fronteira; Brasília, INL, 1984) 
Analise as afirmativas e assinale a alternativa correta.

I. Pasárgada de Ciro, o adjunto se justifica já que a tumba de Ciro, o Grande, é o monumento mais importante do local.
lI. "Senti na redondilha a primeira célula de um poema" inspiração a partir da escansão.
IlI. O poeta, por problema de saúde, que o impediram de viver, posta-se como um fracassado.
IV. "e sim a 'minha Pasárgada" tem relação semântica antagônica à frase de Machado de Assis: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria".
Alternativas
Q3414411 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Leia o texto "Canção de Exílio", de José Paulo Paes, e responda o que se pede no comando da questão.


Canção do Exílio

José Paulo Paes (1926-98)


Um dia segui viagem

sem olhar sobre meu ombro.


Não vi terras de passagem

Não vi glórias nem escombros.


Guardei no fundo da mala

Um raminho de alecrim.


Apaguei a luz da sala

Que ainda brilhava por mim.


Fechei a porta da rua

a chave joguei no mar.


Andei tanto nesta rua

que já não sei mais voltar.


(PAES, José Paulo. Prosas Seguidas de Odes Mínimas) 
Leia o excerto seguinte e analise o que se pede.

"Guardei no fundo da mala
Um raminho de alecrim."

Todas as afirmativas estão corretas, com exceção de: 
Alternativas
Q3414408 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Leia o texto "Canção de Exílio", de José Paulo Paes, e responda o que se pede no comando da questão.


Canção do Exílio

José Paulo Paes (1926-98)


Um dia segui viagem

sem olhar sobre meu ombro.


Não vi terras de passagem

Não vi glórias nem escombros.


Guardei no fundo da mala

Um raminho de alecrim.


Apaguei a luz da sala

Que ainda brilhava por mim.


Fechei a porta da rua

a chave joguei no mar.


Andei tanto nesta rua

que já não sei mais voltar.


(PAES, José Paulo. Prosas Seguidas de Odes Mínimas) 
Analise as afirmativas, julgue-as com C(Certo) e E(Errado) e marque a alternativa na sequência correta.

(...) O poema é uma paródia da obra homônima de Gonçalves Dias.
(...) Os dois poemas são metricamente iguais.
(...) Há, em ambos, forte nacionalismo ufanista.
(...) O poeta moderno avalia positiva sua mudança existencial.
(...) Constata que, mesmo se quisesse. não haveria retorno, pois se perdeu no caminho. 
Alternativas
Q3414407 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Leia o texto "Canção de Exílio", de José Paulo Paes, e responda o que se pede no comando da questão.


Canção do Exílio

José Paulo Paes (1926-98)


Um dia segui viagem

sem olhar sobre meu ombro.


Não vi terras de passagem

Não vi glórias nem escombros.


Guardei no fundo da mala

Um raminho de alecrim.


Apaguei a luz da sala

Que ainda brilhava por mim.


Fechei a porta da rua

a chave joguei no mar.


Andei tanto nesta rua

que já não sei mais voltar.


(PAES, José Paulo. Prosas Seguidas de Odes Mínimas) 
Não identifica corretamente as figuras da estrofe: 
Alternativas
Q3414283 Português
Como se forma um oásis no deserto?

         A cena até parece uma praia artificial: água clara, altas árvores e areia. Na verdade, são oásis, regiões no meio do deserto onde o lençol freático é mais raso e a vegetação é possível. Comerciantes e povos nômades da África que precisam cruzar o deserto já criam um roteiro em que os oásis estarão no caminho. Afinal, é o momento de poder descansar debaixo de uma sombra fresca. Sem eles, a viagem poderia ser impossível.
         O oásis surge quando, em uma determinada região do deserto, o lençol freático está mais próximo à superfície. Um dos principais motivos para a água aparecer é o desgaste do solo causado pelo vento. As fortes ventanias podem mover até 260 milhões de toneladas de areia por ano. A região fica rasa, e aí a água vinda dos lençóis aparece. Em alguns locais do deserto, governos locais perfuram poços bem profundos para encontrar água e, assim, forçar o surgimento desse tipo de sistema.
         Nem toda água dos lagos dos oásis são potáveis. Dependendo da composição do solo, são salgadas e, se forem ricas em potássio, por exemplo, podem funcionar como laxante. A tamareira, conhecida como a palmeira do oásis, é muito resistente ao calor e cresce rápido mesmo sob o sol escaldante. As raízes são poderosas, capazes de sugar a água de depósitos subterrâneos.

(Fonte: Revista Recreio — adaptado.)
Na frase “Oba! Amanhã é feriado!”, os pontos de exclamação são utilizados para expressar: 
Alternativas
Q3414276 Português
Como se forma um oásis no deserto?

         A cena até parece uma praia artificial: água clara, altas árvores e areia. Na verdade, são oásis, regiões no meio do deserto onde o lençol freático é mais raso e a vegetação é possível. Comerciantes e povos nômades da África que precisam cruzar o deserto já criam um roteiro em que os oásis estarão no caminho. Afinal, é o momento de poder descansar debaixo de uma sombra fresca. Sem eles, a viagem poderia ser impossível.
         O oásis surge quando, em uma determinada região do deserto, o lençol freático está mais próximo à superfície. Um dos principais motivos para a água aparecer é o desgaste do solo causado pelo vento. As fortes ventanias podem mover até 260 milhões de toneladas de areia por ano. A região fica rasa, e aí a água vinda dos lençóis aparece. Em alguns locais do deserto, governos locais perfuram poços bem profundos para encontrar água e, assim, forçar o surgimento desse tipo de sistema.
         Nem toda água dos lagos dos oásis são potáveis. Dependendo da composição do solo, são salgadas e, se forem ricas em potássio, por exemplo, podem funcionar como laxante. A tamareira, conhecida como a palmeira do oásis, é muito resistente ao calor e cresce rápido mesmo sob o sol escaldante. As raízes são poderosas, capazes de sugar a água de depósitos subterrâneos.

(Fonte: Revista Recreio — adaptado.)
Em relação ao texto e às suas informações, assinalar a alternativa INCORRETA: 
Alternativas
Q3414172 Português
Como as pérolas são formadas

        Um grão de areia ou um bichinho que habita os oceanos, como um camarão, entra na concha da ostra. Ele segue direto para uma região do corpo do animal conhecida como manto.
        O manto é especialista em defesa. Assim que identifica a invasão, ele gera uma irritação. A seguir, dobra-se sobre o intruso, como se fizesse um embrulho. Isso evita que a visita indesejada se mova.
        O sistema de defesa da ostra é ativado e libera uma substância brilhante, chamada de nácar ou madrepérola. O material é depositado em camadas sobre o invasor e endurece depressa, formando uma bolota – é a pérola! Ela cresce sem parar, pois a ostra nunca para de enviar madrepérola ao local.
        A reação que _____ uma pérola acontece aos poucos. Por isso, a pedra leva cerca de três anos para se _______, dependendo da espécie da ostra. Depois de tanto tempo, se o que ________ o molusco foi um bicho, ele acaba desaparecendo.
        As ostras têm um sistema muito eficiente de defesa: a própria concha. É muito difícil que algo consiga invadi-la e formar uma pérola. Na natureza, isso acontece em uma a cada 10 mil ostras. Por isso, a pedra é rara e cara.
        O formato da pérola depende do invasor e do local onde ele se instala. Quando o visitante gruda no manto, fica preso e se torna irregular. Mas, se ele se descola, o nácar o reveste por inteiro e a pedra fica redonda. As cores variam: branco, creme, rosa, cinza, preta, entre outras. Depende da espécie de ostra e de substâncias na água.

(Fonte: Recreio — adaptado.)
Assinalar a alternativa que apresenta um sinônimo da palavra sublinhada no trecho abaixo:
"O manto é especialista em defesa." 
Alternativas
Q3414171 Português
Como as pérolas são formadas

        Um grão de areia ou um bichinho que habita os oceanos, como um camarão, entra na concha da ostra. Ele segue direto para uma região do corpo do animal conhecida como manto.
        O manto é especialista em defesa. Assim que identifica a invasão, ele gera uma irritação. A seguir, dobra-se sobre o intruso, como se fizesse um embrulho. Isso evita que a visita indesejada se mova.
        O sistema de defesa da ostra é ativado e libera uma substância brilhante, chamada de nácar ou madrepérola. O material é depositado em camadas sobre o invasor e endurece depressa, formando uma bolota – é a pérola! Ela cresce sem parar, pois a ostra nunca para de enviar madrepérola ao local.
        A reação que _____ uma pérola acontece aos poucos. Por isso, a pedra leva cerca de três anos para se _______, dependendo da espécie da ostra. Depois de tanto tempo, se o que ________ o molusco foi um bicho, ele acaba desaparecendo.
        As ostras têm um sistema muito eficiente de defesa: a própria concha. É muito difícil que algo consiga invadi-la e formar uma pérola. Na natureza, isso acontece em uma a cada 10 mil ostras. Por isso, a pedra é rara e cara.
        O formato da pérola depende do invasor e do local onde ele se instala. Quando o visitante gruda no manto, fica preso e se torna irregular. Mas, se ele se descola, o nácar o reveste por inteiro e a pedra fica redonda. As cores variam: branco, creme, rosa, cinza, preta, entre outras. Depende da espécie de ostra e de substâncias na água.

(Fonte: Recreio — adaptado.)
De acordo com as informações do texto, assinalar a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q3414128 Português

O texto seguinte servira de base para responder a questão.


"As gerações mais velhas ensinam as mais novas as receitas que funcionam.". 

As figuras de linguagem presentes no excerto respectivamente: 
Alternativas
Q3414125 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As receitas


Quando eu era menino, na escola, as professoras me ensinaram que o Brasil estava destinado a um futuro grandioso porque as suas terras estavam cheias de riquezas: ferro, ouro, diamantes, florestas e coisas semelhantes. Ensinaram errado. O que me disseram equivale a predizer que um homem será um grande pintor por ser dono de uma loja de tintas. Mas o que faz um quadro não é a tinta: são as ideias que moram na cabeça do pintor. São as ideias dançantes na cabeça que fazem as tintas dançar sobre a tela.


Por isso, sendo um país tão rico, somos um povo tão pobre. Somos pobres em idéias. Não sabemos pensar. Nisto nos parecemos com os dinossauros, que tinham excesso de massa muscular e cérebros de galinha. Hoje, nas relações de troca entre os países, o bem mais caro, o bem mais cuidadosamente guardado, o bem que não se vende, são as ideias. É com as ideias que o mundo é feito. Prova disso são os tigres asiáticos, Japão, Coreia, Formosa que, pobres de recursos naturais, se enriqueceram por ter se especializado na arte de pensar.


Minha filha me fez uma pergunta: "O que é pensar?" Disse-me que 'esta era uma pergunta que o professor de filosofia havia proposto à classe. Pelo que lhe dou os parabéns. Primeiro por ter ido diretamente à questão essencial. Segundo, por ter tido a sabedoria de fazer a pergunta, sem dar a resposta. Porque, se tivesse dado a resposta, teria com ela cortado as asas do pensamento. O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.


E, no entanto, não podemos viver sem as respostas. As asas, para o impulso inicial do vôo, dependem de pés apoiados na terra firme. Os pássaros, antes de saber voar, aprendem a se apoiar sobre os seus pés. Também as crianças, antes de aprender a voar, tém que aprender a caminhar sobre a terra firme. Terra firme: as milhares de perguntas para as quais as gerações passadas já descobriram as respostas. O primeiro momento da educação é a transmissão deste saber. Nas palavras de Roland Barthes: "Há um momento em que se ensina o que se sabe..." E o curioso é que este aprendizado é justamente para nos poupar da necessidade de pensar.


As gerações mais velhas ensinam as mais novas as receitas que funcionam. Sei amarrar os meus sapatos automaticamente, sei dar o né na minha gravata automaticamente: as mãos fazem o seu trabalho com destreza enquanto as ideias andam por outros lugares. Aquilo que um dia eu não sabia me foi ensinado; eu aprendi com o corpo e esqueci com a cabeça. E a condição para que minhas mãos saibam bem é que a cabeça não pense sobre o que elas estão fazendo. Um pianista que, na hora da execução, pensa sobre os caminhos que seus dedos deverão seguir, tropeçará fatalmente. Há a estória de uma centopeia que andava feliz pelo jardim, quando foi interpelada por um grilo: "Dona Centopeia, sempre tive curiosidade sobre uma coisa: quando a senhora anda, qual, dentre as suas cem pernas, é aquela que a senhora movimenta primeiro?" "Curioso", ela respondeu. "Sempre andei, mas nunca me propus esta questão. Da próxima vez, prestarei atenção." Termina a estória dizendo que a centopéia nunca mais conseguiu andar.


Todo mundo fala, e fala bem. Ninguém sabe como a linguagem foi ensinada e nem como ela foi aprendida. A despeito disto, o ensino foi tão eficiente que não preciso pensar para falar. Ao falar não sei se estou usando um substantivo, um verbo ou um adjetivo, e nem me lembro das regras da gramatica. Quem, para falar, tem de se lembrar destas coisas, não sabe falar. Há um nível de aprendizado em que o pensamento é um estorvo. Só se sabe bem com o corpo aquilo que a cabeça esqueceu. E assim escrevemos, lemos, andamos de bicicleta, nadamos, pregamos pregos, guiamos carros: sem saber com a cabeça, porque o corpo sabe melhor. É um conhecimento que se tornou parte inconsciente de mim mesmo. E isso me poupa do trabalho de pensar o já sabido. Ensinar aqui, é inconscientizar.


O sabido é o não-pensado, que fica guardado, pronto para ser usado como receita, na memória desse computador que se chama cérebro. Basta apertar a tecla adequada para que a receita apareça no vídeo da consciência. Aperto a tecla moqueca. A receita aparece no meu vídeo cerebral: panela de barro, azeite, peixe, tomate, cebola, coentro, cheiro verde, urucum, sal, pimenta, seguidos de uma se série de instruções sobre o que fazer. Não é coisa que eu tenha inventado. Me foi ensinado. Não precisei pensar. Gostei. Foi para a memória. Esta é a regra fundamental desse computador que vive no corpo humano: só vai para a memória aquilo que e objeto do desejo.

A tarefa primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda. E o saber fica memorizado de cor — etimologicamente, no coração -, a espera de que a tecla do desejo de novo o chame do seu lugar de esquecimento. Mem: um saber que o passado sedimentou. Indispensável para se repetir as receitas que os mortos nos legaram. E elas são boas.


Tão boas que elas nos fazem esquecer que é preciso voar. Permitem que andemos pelas trilhas batidas. Mas nada têm a dizer sobre mares desconhecidos. Muitas pessoas, de tanto repetir as receitas, metamorfosearam-se de águias em tartarugas. E não são poucas as tartarugas que possuem diplomas universitários. Aqui se encontra o perigo das escolas: de tanto ensinar o que o passado legou - e ensinar bem — fazem os alunos se esquecer de que o seu destino não é o passado cristalizado em saber, mas um futuro que se abre como vazio, um não saber que somente pode ser explorado com as asas do pensamento. Compreende-se então que Barthes tenha dito que, seguindo-se ao tempo em que se ensina o que se sabe, deve chegar o tempo quando se ensina o que não se sabe. -



(Rubem Alves, no livro "A alegria de ensinar". São Paulo: Ars Poetica Editora Ltda, 1994.)

A crônica não apresenta como orientação.  
Alternativas
Q3414115 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As receitas


Quando eu era menino, na escola, as professoras me ensinaram que o Brasil estava destinado a um futuro grandioso porque as suas terras estavam cheias de riquezas: ferro, ouro, diamantes, florestas e coisas semelhantes. Ensinaram errado. O que me disseram equivale a predizer que um homem será um grande pintor por ser dono de uma loja de tintas. Mas o que faz um quadro não é a tinta: são as ideias que moram na cabeça do pintor. São as ideias dançantes na cabeça que fazem as tintas dançar sobre a tela.


Por isso, sendo um país tão rico, somos um povo tão pobre. Somos pobres em idéias. Não sabemos pensar. Nisto nos parecemos com os dinossauros, que tinham excesso de massa muscular e cérebros de galinha. Hoje, nas relações de troca entre os países, o bem mais caro, o bem mais cuidadosamente guardado, o bem que não se vende, são as ideias. É com as ideias que o mundo é feito. Prova disso são os tigres asiáticos, Japão, Coreia, Formosa que, pobres de recursos naturais, se enriqueceram por ter se especializado na arte de pensar.


Minha filha me fez uma pergunta: "O que é pensar?" Disse-me que 'esta era uma pergunta que o professor de filosofia havia proposto à classe. Pelo que lhe dou os parabéns. Primeiro por ter ido diretamente à questão essencial. Segundo, por ter tido a sabedoria de fazer a pergunta, sem dar a resposta. Porque, se tivesse dado a resposta, teria com ela cortado as asas do pensamento. O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.


E, no entanto, não podemos viver sem as respostas. As asas, para o impulso inicial do vôo, dependem de pés apoiados na terra firme. Os pássaros, antes de saber voar, aprendem a se apoiar sobre os seus pés. Também as crianças, antes de aprender a voar, tém que aprender a caminhar sobre a terra firme. Terra firme: as milhares de perguntas para as quais as gerações passadas já descobriram as respostas. O primeiro momento da educação é a transmissão deste saber. Nas palavras de Roland Barthes: "Há um momento em que se ensina o que se sabe..." E o curioso é que este aprendizado é justamente para nos poupar da necessidade de pensar.


As gerações mais velhas ensinam as mais novas as receitas que funcionam. Sei amarrar os meus sapatos automaticamente, sei dar o né na minha gravata automaticamente: as mãos fazem o seu trabalho com destreza enquanto as ideias andam por outros lugares. Aquilo que um dia eu não sabia me foi ensinado; eu aprendi com o corpo e esqueci com a cabeça. E a condição para que minhas mãos saibam bem é que a cabeça não pense sobre o que elas estão fazendo. Um pianista que, na hora da execução, pensa sobre os caminhos que seus dedos deverão seguir, tropeçará fatalmente. Há a estória de uma centopeia que andava feliz pelo jardim, quando foi interpelada por um grilo: "Dona Centopeia, sempre tive curiosidade sobre uma coisa: quando a senhora anda, qual, dentre as suas cem pernas, é aquela que a senhora movimenta primeiro?" "Curioso", ela respondeu. "Sempre andei, mas nunca me propus esta questão. Da próxima vez, prestarei atenção." Termina a estória dizendo que a centopéia nunca mais conseguiu andar.


Todo mundo fala, e fala bem. Ninguém sabe como a linguagem foi ensinada e nem como ela foi aprendida. A despeito disto, o ensino foi tão eficiente que não preciso pensar para falar. Ao falar não sei se estou usando um substantivo, um verbo ou um adjetivo, e nem me lembro das regras da gramatica. Quem, para falar, tem de se lembrar destas coisas, não sabe falar. Há um nível de aprendizado em que o pensamento é um estorvo. Só se sabe bem com o corpo aquilo que a cabeça esqueceu. E assim escrevemos, lemos, andamos de bicicleta, nadamos, pregamos pregos, guiamos carros: sem saber com a cabeça, porque o corpo sabe melhor. É um conhecimento que se tornou parte inconsciente de mim mesmo. E isso me poupa do trabalho de pensar o já sabido. Ensinar aqui, é inconscientizar.


O sabido é o não-pensado, que fica guardado, pronto para ser usado como receita, na memória desse computador que se chama cérebro. Basta apertar a tecla adequada para que a receita apareça no vídeo da consciência. Aperto a tecla moqueca. A receita aparece no meu vídeo cerebral: panela de barro, azeite, peixe, tomate, cebola, coentro, cheiro verde, urucum, sal, pimenta, seguidos de uma se série de instruções sobre o que fazer. Não é coisa que eu tenha inventado. Me foi ensinado. Não precisei pensar. Gostei. Foi para a memória. Esta é a regra fundamental desse computador que vive no corpo humano: só vai para a memória aquilo que e objeto do desejo.

A tarefa primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda. E o saber fica memorizado de cor — etimologicamente, no coração -, a espera de que a tecla do desejo de novo o chame do seu lugar de esquecimento. Mem: um saber que o passado sedimentou. Indispensável para se repetir as receitas que os mortos nos legaram. E elas são boas.


Tão boas que elas nos fazem esquecer que é preciso voar. Permitem que andemos pelas trilhas batidas. Mas nada têm a dizer sobre mares desconhecidos. Muitas pessoas, de tanto repetir as receitas, metamorfosearam-se de águias em tartarugas. E não são poucas as tartarugas que possuem diplomas universitários. Aqui se encontra o perigo das escolas: de tanto ensinar o que o passado legou - e ensinar bem — fazem os alunos se esquecer de que o seu destino não é o passado cristalizado em saber, mas um futuro que se abre como vazio, um não saber que somente pode ser explorado com as asas do pensamento. Compreende-se então que Barthes tenha dito que, seguindo-se ao tempo em que se ensina o que se sabe, deve chegar o tempo quando se ensina o que não se sabe. -



(Rubem Alves, no livro "A alegria de ensinar". São Paulo: Ars Poetica Editora Ltda, 1994.)

Analise o excerto e assinale a alternativa que não contempla as ideias expostas.


"Muitas pessoas, de tanto repetir as receitas, metamorfosearam-se de águias em tartarugas. E não são poucas as tartarugas que possuem diplomas universitarios."  

Alternativas
Q3414084 Português

Como os cânions são formados?



    Os cânions são extensos vales escavados entre paredões, pela ação da água no decorrer de milhões de anos. O desgaste do solo e das rochas realizado por estes agentes é chamado de erosão. Os cânions são esculpidos em regiões onde a força dos rios consegue vencer camadas mais duras e resistentes das rochas. Com a ação da água dos rios, as rochas são desfeitas e levadas pela correnteza, produzindo esses vales.

    Além das águas, a formação dos cânions pode surgir de um processo que ocorre no interior da Terra. O movimento da crosta terrestre pode comprimir e elevar o relevo. Com a inclinação no terreno, a velocidade das águas é maior, e os vales que se formam são cada vez mais profundos.

    O cânion mais famoso do mundo é o Grand Canyon, localizado no estado do Arizona, nos Estados Unidos. Ele tem 29 quilômetros de largura e 446 quilômetros de extensão. Alguns penhascos do Grand Canyon atingem 1600 metros de profundidade. A paisagem foi esculpida pelas águas do Rio Colorado, além da chuva e vento.



(Fonte: Abril — adaptado.)

Em relação às informações presentes no texto, assinalar a alternativa INCORRETA:
Alternativas
Q3414023 Português

Ser organizado pode melhorar a sua saúde mental


    A melhoria da saúde mental está na agenda de muitas pessoas em 2024 e, para muitas delas, a organização é o método preferido para conseguir isso.

    Um dos motivos pelos quais a desorganização é tão frequentemente associada ______ saúde mental é o fato de que ela pode ter um impacto negativo na maneira como nos vemos e na vida que levamos. ______ desvantagens estudadas de viver em um ambiente desorganizado ou desordenado incluem dificuldades de memória, hábitos alimentares ruins, maiores chances de desenvolver transtornos de humor e menor controle de impulsos.

    _______ também uma ligação entre o hormônio do estresse, cortisol, e a vida em um espaço desorganizado e a probabilidade de que "a bagunça e a desorganização possam levar a transtornos de ansiedade crônica em algumas pessoas", diz Daniel Levitin, neurocientista comportamental.

    Um estudo do Journal of Environmental Psychology também mostra que "a desordem pode diminuir a sensação de bem-estar, felicidade e a segurança que uma pessoa obtém ao estar em seus espaços pessoais", afirma Catherine Roster, coautora do estudo.

    Parte da razão para isso é que muitos de nós reconhecemos que "nossas casas podem estar bagunçadas e desorganizadas porque nos sentimos sobrecarregados e desorganizados mentalmente", explica Natalie Christine Dattilo, psicóloga clínica.

    A desorganização também pode diminuir a capacidade de concentração e tomada de decisões. Trabalhar em um ambiente desorganizado pode levar rapidamente à sensação de exaustão. "A bagunça e a desorganização geram uma perda de produtividade difícil de quantificar", diz Levitin. Ele aponta a quantidade de tempo que as pessoas perdem procurando itens perdidos, faltando a compromissos ou ficando para trás no trabalho ou na escola por causa da vida desordenada.

    Uma casa arrumada é um indicador de saúde física. Parte disso se deve ao fato de as pessoas organizadas gerenciarem melhor seu tempo, mas também porque as pesquisas demonstram que a falta de bagunça pode ajudar a melhorar a dieta. Também foi demonstrado que diminui os níveis de estresse, aumenta a eficiência pessoal e até melhora o sono.


(Fonte: National Geographic — adaptado.)

A polissemia é um fenômeno semântico cuja marca mais notável é a utilização de uma mesma palavra em diferentes contextos, mudando seu significado, mas sem alterar sua classe gramatical original. Pensando nisso, entre as alternativas, assinalar aquela em que a palavra sublinhada poderia ser empregada em outra situação, mas sem mudar sua classe gramatical:

Alternativas
Q3414016 Português

Ser organizado pode melhorar a sua saúde mental


    A melhoria da saúde mental está na agenda de muitas pessoas em 2024 e, para muitas delas, a organização é o método preferido para conseguir isso.

    Um dos motivos pelos quais a desorganização é tão frequentemente associada ______ saúde mental é o fato de que ela pode ter um impacto negativo na maneira como nos vemos e na vida que levamos. ______ desvantagens estudadas de viver em um ambiente desorganizado ou desordenado incluem dificuldades de memória, hábitos alimentares ruins, maiores chances de desenvolver transtornos de humor e menor controle de impulsos.

    _______ também uma ligação entre o hormônio do estresse, cortisol, e a vida em um espaço desorganizado e a probabilidade de que "a bagunça e a desorganização possam levar a transtornos de ansiedade crônica em algumas pessoas", diz Daniel Levitin, neurocientista comportamental.

    Um estudo do Journal of Environmental Psychology também mostra que "a desordem pode diminuir a sensação de bem-estar, felicidade e a segurança que uma pessoa obtém ao estar em seus espaços pessoais", afirma Catherine Roster, coautora do estudo.

    Parte da razão para isso é que muitos de nós reconhecemos que "nossas casas podem estar bagunçadas e desorganizadas porque nos sentimos sobrecarregados e desorganizados mentalmente", explica Natalie Christine Dattilo, psicóloga clínica.

    A desorganização também pode diminuir a capacidade de concentração e tomada de decisões. Trabalhar em um ambiente desorganizado pode levar rapidamente à sensação de exaustão. "A bagunça e a desorganização geram uma perda de produtividade difícil de quantificar", diz Levitin. Ele aponta a quantidade de tempo que as pessoas perdem procurando itens perdidos, faltando a compromissos ou ficando para trás no trabalho ou na escola por causa da vida desordenada.

    Uma casa arrumada é um indicador de saúde física. Parte disso se deve ao fato de as pessoas organizadas gerenciarem melhor seu tempo, mas também porque as pesquisas demonstram que a falta de bagunça pode ajudar a melhorar a dieta. Também foi demonstrado que diminui os níveis de estresse, aumenta a eficiência pessoal e até melhora o sono.


(Fonte: National Geographic — adaptado.)

Segundo as informações do texto, assinalar a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q3413468 Português
Com a chegada de 2024, direcionamos nossa atenção aos desafios inerentes aos antigos costumes entre Empresa (essa eficiente máquina corporativa privada com SEUS regulamentos contrários ao bom-senso) e a sociedade. Ou seja, enquanto um novo ano se inicia, enfrentamos as complexidades decorrentes dos desequilíbrios entre a eficiência corporativa e as necessidades da sociedade. NÓS, os cidadãos comuns QUE não recebemos generosos bônus salariais, não temos licença remunerada ou gratificações a receber e nem fomos designados para alguma posição executiva com o propósito de usá-LA para obtermos privilégios e, melhor que ISSO, escaparmos das responsabilidades legais. Nós, os comuns, não somos apenas encarregados de tarefas, mas enfrentamos desafios diários com dedicação e resiliência, buscando um equilíbrio mais justo entre as demandas corporativas e as necessidades da comunidade que se renova a cada ano.
Levando em conta as relações de coesão estabelecidas pelas palavras destacadas nas alternativas abaixo, assinale a afirmativa incorreta:
Alternativas
Q3413441 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão que a ele se refere.
Texto 01
A metamorfose
Luís Fernando Veríssimo
Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: “Que horror... Preciso acabar com essas baratas...”
Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto com a cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa e encontrou um armário num quarto, e nele, roupa de baixo e um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquiou-se. Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia?... Tinha educação?... Referências?... Conseguiu a muito custo um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas. Era uma boa faxineira.
Difícil era ser gente... Precisava comprar comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Conhecem-se, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. Vandirene casou-se, teve filhos. Lutou muito, coitada. Filas no Instituto Nacional de Previdência Social. Pouco leite. O marido desempregado... Finalmente acertou na loteria. Quase quatro milhões! Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer bem, a cuidar onde põe o pronome. Subiu de classe. Contratou babás e entrou na Pontifícia Universidade Católica.
Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado em barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: “Meu Deus!... A casa foi dedetizada há dois dias!...”. Seu último pensamento humano foi para seu dinheiro rendendo na financeira e que o safado do marido, seu herdeiro legal, o usaria. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu cinco minutos depois, mas foram os cinco minutos mais felizes de sua vida.
Disponível em: https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-de-luis-fernando-verissimo-comentadas/. Acesso em: 20 fev. 2024. Adaptado.
Analise as afirmativas tendo em vista as ideias veiculadas no texto.
I. O ato de pensar traz demandas complexas à vida das pessoas.
II. A capacidade de raciocinar é sempre facilitadora e libertadora.
III. O cotidiano das pessoas é livre de preocupações e obrigações.
IV. A questão financeira é uma preocupação na vida das pessoas.
V. O ato de pensar pode ser o causador de angústia e sofrimento.
Estão CORRETAS as alternativas
Alternativas
Q3413398 Português

Considere o excerto a seguir para responder à questão:


Tanto o ‘anel’ quanto o Arco Gigante no Céu desafiam o Princípio Cosmológico devido aos seus tamanhos. Este princípio assume que o universo que podemos enxergar é uma ‘amostra justa’ do que esperamos que o restante dos cosmos seja, segundo explica a pesquisadora.

No contexto apresentado, a expressão tanto… quanto exprime um sentido de:
Alternativas
Q3413293 Português

TEXTO I

Pais e filhos: tão perto, tão longe


    A sociedade contemporânea se assenta, segundo vários pensadores das ciências humanas, por uma polaridade: de um lado o excesso, de outro a falta. No entanto, há muitos anos a psicanálise nos ensina: todo excesso esconde uma falta.

    Vivemos um momento sócio-histórico de excessos de trabalho, compromissos, desejos, expectativas e estímulos que atingem indistintamente crianças, adolescentes e adultos. Vivemos ocupados, com agendas cheias de cursos, reuniões, compromissos e atividades extracurriculares. Não há tempo a perder e nunca antes tivemos tanto a sensação de estarmos correndo em busca do tempo perdido. A excelência de desempenho acompanha a todos na escola, no trabalho, nos demais ambientes em que estamos inseridos. Estamos conectados permanentemente e devemos estar disponíveis todo o tempo.

    Esse ambiente de estimulação e exigências constantes, no qual às vezes damos conta das demandas que nos são impostas por nós mesmos ou pelo outro, e outras vezes não, tem uma única consequência a todos: a exaustão.

    Exaustos, ao chegarmos a casa, só queremos ficar mergulhados no nosso mundo, para de certa forma termos (ainda que na nossa fantasia) uma compensação pelas frustrações enfrentadas ao longo do dia. E é nesse ponto que começamos a nos distanciar do nosso parceiro e dos nossos filhos, porque passamos a nos tornar indisponíveis ao outro.

    Educar filhos, formá-los, é tarefa para a vida inteira e exige disposição, tempo, vitalidade e dedicação, e o fato é que, embora na teoria estejamos todos comprometidos com isso, na prática nem sempre estamos dispostos. Terceirizamos essas tarefas para professores, psicólogos, avós e babás. E, quando não temos essas pessoas à disposição, silenciamos as crianças dando-lhes a possibilidade de passar horas diante de alguma telinha: se antes era a televisão, hoje vemos crianças em idades cada vez mais precoces com um Ipad na mão. Não queremos ser perturbados no nosso mundo, no nosso silêncio e, sem percebermos, vamos criando abismos nas nossas relações.



(Valdeli Vieira Pais e filhos: tão perto, tão longe (adaptado) REVISTA E: https://www.sescsp.org.br/online/artigo/13291_PAISEFILHOS.)

“A excelência de desempenho acompanha a todos na escola, no trabalho, nos demais ambientes em que estamos inseridos.” A partir da leitura do texto I, pode-se afirmar que a expressão em destaque tem como significado equivalente:
Alternativas
Q3413291 Português

TEXTO I

Pais e filhos: tão perto, tão longe


    A sociedade contemporânea se assenta, segundo vários pensadores das ciências humanas, por uma polaridade: de um lado o excesso, de outro a falta. No entanto, há muitos anos a psicanálise nos ensina: todo excesso esconde uma falta.

    Vivemos um momento sócio-histórico de excessos de trabalho, compromissos, desejos, expectativas e estímulos que atingem indistintamente crianças, adolescentes e adultos. Vivemos ocupados, com agendas cheias de cursos, reuniões, compromissos e atividades extracurriculares. Não há tempo a perder e nunca antes tivemos tanto a sensação de estarmos correndo em busca do tempo perdido. A excelência de desempenho acompanha a todos na escola, no trabalho, nos demais ambientes em que estamos inseridos. Estamos conectados permanentemente e devemos estar disponíveis todo o tempo.

    Esse ambiente de estimulação e exigências constantes, no qual às vezes damos conta das demandas que nos são impostas por nós mesmos ou pelo outro, e outras vezes não, tem uma única consequência a todos: a exaustão.

    Exaustos, ao chegarmos a casa, só queremos ficar mergulhados no nosso mundo, para de certa forma termos (ainda que na nossa fantasia) uma compensação pelas frustrações enfrentadas ao longo do dia. E é nesse ponto que começamos a nos distanciar do nosso parceiro e dos nossos filhos, porque passamos a nos tornar indisponíveis ao outro.

    Educar filhos, formá-los, é tarefa para a vida inteira e exige disposição, tempo, vitalidade e dedicação, e o fato é que, embora na teoria estejamos todos comprometidos com isso, na prática nem sempre estamos dispostos. Terceirizamos essas tarefas para professores, psicólogos, avós e babás. E, quando não temos essas pessoas à disposição, silenciamos as crianças dando-lhes a possibilidade de passar horas diante de alguma telinha: se antes era a televisão, hoje vemos crianças em idades cada vez mais precoces com um Ipad na mão. Não queremos ser perturbados no nosso mundo, no nosso silêncio e, sem percebermos, vamos criando abismos nas nossas relações.



(Valdeli Vieira Pais e filhos: tão perto, tão longe (adaptado) REVISTA E: https://www.sescsp.org.br/online/artigo/13291_PAISEFILHOS.)

Leia: “Não queremos ser perturbados no nosso mundo, no nosso silêncio e, sem percebermos, vamos criando abismos nas nossas relações.” Com base na leitura do texto I, a parte retirada do último parágrafo se relaciona com:



I- A delegação de responsabilidade de criação infantil para fatores externos à célula familiar.


II- O estreitamento da convivência paterna com os filhos.


III- O distanciamento da condição de afetividade nas famílias atuais.


IV- O protagonismo dado aos aparelhos tecnológicos que substituem, de modo profícuo, o papel dos pais.



Está correto o que se afirma em:

Alternativas
Q3413177 Português

Momentos fora de série


Há algo inegavelmente mágico em mergulhar nas profundezas do universo da adolescência. É uma espécie de caldeirão efervescente onde se misturam hormônios, sonhos, e aquela sensação inebriante de que tudo é possível — e ao mesmo tempo, absolutamente terrível. E é nesse turbilhão de emoções que a diretora Olivia Wilde (Não se Preocupe, Querida; Wake Up) decide nos lançar em seu filme Fora de Série (2019) - disponível no Prime. Uma obra que não é apenas comédia, mas sim um espelho perspicaz da juventude contemporânea. 


A trama nos guia através da vida de duas melhores amigas, Molly (Beanie Feldstein) e Amy (Kaitlyn Dever), que estão prestes a se formar no Ensino Médio - e determinadas a provar que não são apenas nerds - e, então, decidem extravasar em uma noite de festa antes da formatura. Elas subitamente se dão conta de que passaram os últimos anos tão focadas nos estudos, que perderam todas as experiências típicas da adolescência, e assim, embarcam numa jornada hilariante e tocante, repleta de reviravoltas e autoconhecimento.


Olivia Wilde captura com maestria a essência da juventude, com todas as suas contradições e complexidades, sem jamais perder de vista o humor e as emoções que tornam essa fase da vida tão única e inesquecível. Os típicos estereótipos desse gênero de filme são questionados e quebrados — uma refrescante surpresa.


Os ritos de passagem do amadurecimento são explorados sem subestimar a inteligência do público nem cair nos clichês habituais. Sexo e drogas estão presentes, mas não de forma glamorizada; ao contrário, são tratados com naturalidade, e é essa abordagem autêntica e despretensiosa que torna a obra cativante. Os adultos também têm o seu espaço na película, mas não como meros antagonistas unidimensionais - eles são retratados de maneira realista, com todas as suas falhas e inseguranças, mas também com amor e compreensão. É um lembrete para os adolescentes que criticam os mais velhos, como se não fossem envelhecer também. Todos nós enfrentamos desafios similares nessa fase da vida.


Cada personagem é como um fragmento de uma memória, uma lembrança dos momentos "que contando ninguém acredita" pelos quais todos já passamos ao deixar os livros de lado e sair para nos divertir. E se você não se identificar com pelo menos um desses personagens, então talvez não tenha realmente aproveitado sua adolescência.


O longa-metragem nos convida a relembrar nossos próprios dias de escola, repletos de sonhos e desafios e - é claro - muita diversão. Então, se você está pronto para uma dose de nostalgia e diversão sagaz, não deixe de assistir Fora de Série. E, lembre-se, que nunca é tarde para vivenciarmos momentos fora de série.



Laira Vieira (Revista Isto É. 05/04/2024)

O adjetivo que condensaria o título do texto é: 
Alternativas
Respostas
16541: C
16542: B
16543: D
16544: C
16545: B
16546: D
16547: B
16548: C
16549: D
16550: C
16551: A
16552: D
16553: A
16554: C
16555: E
16556: B
16557: E
16558: E
16559: D
16560: D