Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3921604 Português

O nome da rapsódia é Macunaíma, mas não é só Macunaíma. Mário de Andrade quis dizer alguma coisa do seu protagonista e acrescentou ao título um atributo paradoxal: o herói sem nenhum caráter.


(Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crítica literária e ideológica, 2003.)


No contexto da obra, o atributo “o herói sem nenhum caráter” justifica-se em razão da

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Q3921602 Português

Para responder à questão, leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.


   

      E foi obedecendo a essa ordem de ideias que [Policarpo Quaresma] comprou aquele sítio, cujo nome — Sossego — cabia tão bem à nova vida que adotara, após a tempestade que o sacudira durante quase um ano. [...]


    Ele foi contente. Como era tão simples viver na nossa terra! Quatro contos de réis por ano, tirados da terra, facilmente, docemente, alegremente! Oh! terra abençoada! Como é que toda a gente queria ser empregado público, apodrecer numa banca, sofrer na sua independência e no seu orgulho? Como é que se preferia viver em casas apertadas, sem ar, sem luz, respirar um ambiente epidêmico, sustentar-se de maus alimentos, quando se podia tão facilmente obter uma vida feliz, farta, livre, alegre e saudável?


    E era agora que ele chegava a essa conclusão, depois de ter sofrido a miséria da cidade e o emasculamento1 da repartição pública, durante tanto tempo! Chegara tarde, mas não a ponto de que não pudesse, antes da morte, travar conhecimento com a doce vida campestre e a feracidade2 das terras brasileiras. Então pensou que foram vãos aqueles seus desejos de reformas capitais nas instituições e costumes: o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola, um culto pelo seu solo ubérrimo3, para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.


(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2011.)


1emasculamento: perda da virilidade, perda da força ou do vigor.

2feracidade: fertilidade.

3ubérrimo: extremamente úbere (ou seja, fértil).

“o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola [...] para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.” (3º parágrafo)


Em relação ao trecho que o antecede, o trecho sublinhado expressa ideia de

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Q3921601 Português

Para responder à questão, leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.


   

      E foi obedecendo a essa ordem de ideias que [Policarpo Quaresma] comprou aquele sítio, cujo nome — Sossego — cabia tão bem à nova vida que adotara, após a tempestade que o sacudira durante quase um ano. [...]


    Ele foi contente. Como era tão simples viver na nossa terra! Quatro contos de réis por ano, tirados da terra, facilmente, docemente, alegremente! Oh! terra abençoada! Como é que toda a gente queria ser empregado público, apodrecer numa banca, sofrer na sua independência e no seu orgulho? Como é que se preferia viver em casas apertadas, sem ar, sem luz, respirar um ambiente epidêmico, sustentar-se de maus alimentos, quando se podia tão facilmente obter uma vida feliz, farta, livre, alegre e saudável?


    E era agora que ele chegava a essa conclusão, depois de ter sofrido a miséria da cidade e o emasculamento1 da repartição pública, durante tanto tempo! Chegara tarde, mas não a ponto de que não pudesse, antes da morte, travar conhecimento com a doce vida campestre e a feracidade2 das terras brasileiras. Então pensou que foram vãos aqueles seus desejos de reformas capitais nas instituições e costumes: o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola, um culto pelo seu solo ubérrimo3, para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.


(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2011.)


1emasculamento: perda da virilidade, perda da força ou do vigor.

2feracidade: fertilidade.

3ubérrimo: extremamente úbere (ou seja, fértil).

“Como era tão simples viver na nossa terra!” (2º parágrafo)


“Como é que toda a gente queria ser empregado público, apodrecer numa banca, sofrer na sua independência e no seu orgulho?” (2º parágrafo)


“o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola [...] para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.” (3º parágrafo)


Os termos sublinhados estão empregados, respectivamente, em sentido

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Q3921600 Português

Para responder à questão, leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.


   

      E foi obedecendo a essa ordem de ideias que [Policarpo Quaresma] comprou aquele sítio, cujo nome — Sossego — cabia tão bem à nova vida que adotara, após a tempestade que o sacudira durante quase um ano. [...]


    Ele foi contente. Como era tão simples viver na nossa terra! Quatro contos de réis por ano, tirados da terra, facilmente, docemente, alegremente! Oh! terra abençoada! Como é que toda a gente queria ser empregado público, apodrecer numa banca, sofrer na sua independência e no seu orgulho? Como é que se preferia viver em casas apertadas, sem ar, sem luz, respirar um ambiente epidêmico, sustentar-se de maus alimentos, quando se podia tão facilmente obter uma vida feliz, farta, livre, alegre e saudável?


    E era agora que ele chegava a essa conclusão, depois de ter sofrido a miséria da cidade e o emasculamento1 da repartição pública, durante tanto tempo! Chegara tarde, mas não a ponto de que não pudesse, antes da morte, travar conhecimento com a doce vida campestre e a feracidade2 das terras brasileiras. Então pensou que foram vãos aqueles seus desejos de reformas capitais nas instituições e costumes: o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola, um culto pelo seu solo ubérrimo3, para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.


(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2011.)


1emasculamento: perda da virilidade, perda da força ou do vigor.

2feracidade: fertilidade.

3ubérrimo: extremamente úbere (ou seja, fértil).

No contexto do romance, “a tempestade” a que o narrador se refere no primeiro parágrafo relaciona-se ao seguinte tópico:
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Q3921598 Português

Para responder à questão, leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.


   

      E foi obedecendo a essa ordem de ideias que [Policarpo Quaresma] comprou aquele sítio, cujo nome — Sossego — cabia tão bem à nova vida que adotara, após a tempestade que o sacudira durante quase um ano. [...]


    Ele foi contente. Como era tão simples viver na nossa terra! Quatro contos de réis por ano, tirados da terra, facilmente, docemente, alegremente! Oh! terra abençoada! Como é que toda a gente queria ser empregado público, apodrecer numa banca, sofrer na sua independência e no seu orgulho? Como é que se preferia viver em casas apertadas, sem ar, sem luz, respirar um ambiente epidêmico, sustentar-se de maus alimentos, quando se podia tão facilmente obter uma vida feliz, farta, livre, alegre e saudável?


    E era agora que ele chegava a essa conclusão, depois de ter sofrido a miséria da cidade e o emasculamento1 da repartição pública, durante tanto tempo! Chegara tarde, mas não a ponto de que não pudesse, antes da morte, travar conhecimento com a doce vida campestre e a feracidade2 das terras brasileiras. Então pensou que foram vãos aqueles seus desejos de reformas capitais nas instituições e costumes: o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola, um culto pelo seu solo ubérrimo3, para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.


(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2011.)


1emasculamento: perda da virilidade, perda da força ou do vigor.

2feracidade: fertilidade.

3ubérrimo: extremamente úbere (ou seja, fértil).

O trecho evidencia uma característica central do personagem Policarpo Quaresma, a saber, sua personalidade
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Q3918162 Português
O GRUPO DE MENSAGENS DA ESCOLA E A AVALANCHE DE ÁUDIOS



    O grupo de mensagens da escola tinha um nome que prometia serenidade: “Famílias 2026”. O diretor Miguel até acreditou, no começo. Salvou o contato, fixou no topo e pensou que, agora, a comunicação ia fluir como água em bebedouro novo. Durou duas manhãs.

    Na terceira, às 6h12, apareceu o primeiro áudio. Era curto, só oito segundos, e começava com aquela frase que sempre vinha antes de um terremoto: “Bom dia, gente, rapidinho…”. O assunto era simples, um lembrete sobre a reunião pedagógica que, por algum motivo, tinha virado tema de famílias. Alguém respondeu com um emoji de polegar. Outro mandou “Ok”. Aí nasceu o efeito dominó. Às 6h18, surgiu um áudio de 1 minuto e 47 segundos, com ruído de panela ao fundo, explicando que a reunião não podia ser na quarta porque “na quarta tem natação, e natação é saúde”.

    Às 6h21, um áudio de 2 minutos e 10 segundos, com o cachorro participando, avisou que “não é reclamação, é só uma observação”, seguida de uma reclamação bem organizada, em tópicos, sem a parte dos tópicos. Às 6h24, alguém perguntou se “reunião pedagógica” envolvia os alunos, porque “pedagógico” parecia coisa de criança. Às 6h30, a mesma dúvida voltou, só que agora em caixa alta, como se a letra maior ajudasse a tirar a confusão do caminho.

    Miguel olhava aquilo com o café esfriando e um pensamento insistente: a escola tinha sinal de internet melhor do que de bom senso, e isso era uma descoberta dolorosa. Tentou ser racional. Escreveu um texto curto, com três linhas, bem objetivo. Antes de enviar, chegou mais um áudio, de 3 minutos e 52 segundos, explicando que textos “dão margem” e que áudio “é mais humano”. Miguel respirou fundo, porque, se aquilo era humano, ele estava pronto para virar planta.

    Às 7h05, um pai novo no grupo mandou “bom dia” e perguntou qual era o tema. Recebeu, em resposta, vinte mensagens, quatro áudios e uma figurinha de um gato digitando furioso. A partir daí, a conversa começou a se dividir em subgrupos invisíveis. Um falava de uniforme. Outro falava de lanche. Um terceiro tinha certeza de que tudo era sobre a saída mais cedo na sexta, embora ninguém tivesse mencionado sexta.

    Miguel decidiu que precisava salvar o dia sem brigar com ninguém. Gravou, então, um único áudio. Colocou o celular perto da janela, para o vento não entrar, e falou devagar, com calma de quem tenta apagar incêndio com um copo d’água. Explicou o que era a reunião, para quem era, por que existia e o que mudava na rotina. No fim, prometeu enviar um resumo por escrito, com tópicos, data e horário. 

    Apareceu uma mensagem: “Diretor, obrigada. Só uma coisa: pode mandar em áudio também? Fica mais fácil.” Miguel sorriu, daquela maneira de quem ri para não chorar, e pensou que liderança, às vezes, é escolher qual barulho vale a pena organizar.


Fonte: Banca Examinadora
No texto, a frase “não é reclamação, é só uma observação” aparece como um jeito comum de suavizar uma crítica antes de fazê-la. Do ponto de vista dos vícios de linguagem, isso se aproxima de:
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Q3918161 Português
O GRUPO DE MENSAGENS DA ESCOLA E A AVALANCHE DE ÁUDIOS



    O grupo de mensagens da escola tinha um nome que prometia serenidade: “Famílias 2026”. O diretor Miguel até acreditou, no começo. Salvou o contato, fixou no topo e pensou que, agora, a comunicação ia fluir como água em bebedouro novo. Durou duas manhãs.

    Na terceira, às 6h12, apareceu o primeiro áudio. Era curto, só oito segundos, e começava com aquela frase que sempre vinha antes de um terremoto: “Bom dia, gente, rapidinho…”. O assunto era simples, um lembrete sobre a reunião pedagógica que, por algum motivo, tinha virado tema de famílias. Alguém respondeu com um emoji de polegar. Outro mandou “Ok”. Aí nasceu o efeito dominó. Às 6h18, surgiu um áudio de 1 minuto e 47 segundos, com ruído de panela ao fundo, explicando que a reunião não podia ser na quarta porque “na quarta tem natação, e natação é saúde”.

    Às 6h21, um áudio de 2 minutos e 10 segundos, com o cachorro participando, avisou que “não é reclamação, é só uma observação”, seguida de uma reclamação bem organizada, em tópicos, sem a parte dos tópicos. Às 6h24, alguém perguntou se “reunião pedagógica” envolvia os alunos, porque “pedagógico” parecia coisa de criança. Às 6h30, a mesma dúvida voltou, só que agora em caixa alta, como se a letra maior ajudasse a tirar a confusão do caminho.

    Miguel olhava aquilo com o café esfriando e um pensamento insistente: a escola tinha sinal de internet melhor do que de bom senso, e isso era uma descoberta dolorosa. Tentou ser racional. Escreveu um texto curto, com três linhas, bem objetivo. Antes de enviar, chegou mais um áudio, de 3 minutos e 52 segundos, explicando que textos “dão margem” e que áudio “é mais humano”. Miguel respirou fundo, porque, se aquilo era humano, ele estava pronto para virar planta.

    Às 7h05, um pai novo no grupo mandou “bom dia” e perguntou qual era o tema. Recebeu, em resposta, vinte mensagens, quatro áudios e uma figurinha de um gato digitando furioso. A partir daí, a conversa começou a se dividir em subgrupos invisíveis. Um falava de uniforme. Outro falava de lanche. Um terceiro tinha certeza de que tudo era sobre a saída mais cedo na sexta, embora ninguém tivesse mencionado sexta.

    Miguel decidiu que precisava salvar o dia sem brigar com ninguém. Gravou, então, um único áudio. Colocou o celular perto da janela, para o vento não entrar, e falou devagar, com calma de quem tenta apagar incêndio com um copo d’água. Explicou o que era a reunião, para quem era, por que existia e o que mudava na rotina. No fim, prometeu enviar um resumo por escrito, com tópicos, data e horário. 

    Apareceu uma mensagem: “Diretor, obrigada. Só uma coisa: pode mandar em áudio também? Fica mais fácil.” Miguel sorriu, daquela maneira de quem ri para não chorar, e pensou que liderança, às vezes, é escolher qual barulho vale a pena organizar.


Fonte: Banca Examinadora
Quando “a mesma dúvida voltou, só que agora em caixa alta”, o uso de letras maiúsculas cumpre, principalmente, a função de:
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Q3918159 Português
O GRUPO DE MENSAGENS DA ESCOLA E A AVALANCHE DE ÁUDIOS



    O grupo de mensagens da escola tinha um nome que prometia serenidade: “Famílias 2026”. O diretor Miguel até acreditou, no começo. Salvou o contato, fixou no topo e pensou que, agora, a comunicação ia fluir como água em bebedouro novo. Durou duas manhãs.

    Na terceira, às 6h12, apareceu o primeiro áudio. Era curto, só oito segundos, e começava com aquela frase que sempre vinha antes de um terremoto: “Bom dia, gente, rapidinho…”. O assunto era simples, um lembrete sobre a reunião pedagógica que, por algum motivo, tinha virado tema de famílias. Alguém respondeu com um emoji de polegar. Outro mandou “Ok”. Aí nasceu o efeito dominó. Às 6h18, surgiu um áudio de 1 minuto e 47 segundos, com ruído de panela ao fundo, explicando que a reunião não podia ser na quarta porque “na quarta tem natação, e natação é saúde”.

    Às 6h21, um áudio de 2 minutos e 10 segundos, com o cachorro participando, avisou que “não é reclamação, é só uma observação”, seguida de uma reclamação bem organizada, em tópicos, sem a parte dos tópicos. Às 6h24, alguém perguntou se “reunião pedagógica” envolvia os alunos, porque “pedagógico” parecia coisa de criança. Às 6h30, a mesma dúvida voltou, só que agora em caixa alta, como se a letra maior ajudasse a tirar a confusão do caminho.

    Miguel olhava aquilo com o café esfriando e um pensamento insistente: a escola tinha sinal de internet melhor do que de bom senso, e isso era uma descoberta dolorosa. Tentou ser racional. Escreveu um texto curto, com três linhas, bem objetivo. Antes de enviar, chegou mais um áudio, de 3 minutos e 52 segundos, explicando que textos “dão margem” e que áudio “é mais humano”. Miguel respirou fundo, porque, se aquilo era humano, ele estava pronto para virar planta.

    Às 7h05, um pai novo no grupo mandou “bom dia” e perguntou qual era o tema. Recebeu, em resposta, vinte mensagens, quatro áudios e uma figurinha de um gato digitando furioso. A partir daí, a conversa começou a se dividir em subgrupos invisíveis. Um falava de uniforme. Outro falava de lanche. Um terceiro tinha certeza de que tudo era sobre a saída mais cedo na sexta, embora ninguém tivesse mencionado sexta.

    Miguel decidiu que precisava salvar o dia sem brigar com ninguém. Gravou, então, um único áudio. Colocou o celular perto da janela, para o vento não entrar, e falou devagar, com calma de quem tenta apagar incêndio com um copo d’água. Explicou o que era a reunião, para quem era, por que existia e o que mudava na rotina. No fim, prometeu enviar um resumo por escrito, com tópicos, data e horário. 

    Apareceu uma mensagem: “Diretor, obrigada. Só uma coisa: pode mandar em áudio também? Fica mais fácil.” Miguel sorriu, daquela maneira de quem ri para não chorar, e pensou que liderança, às vezes, é escolher qual barulho vale a pena organizar.


Fonte: Banca Examinadora
Considerando a organização do texto e o modo como o cotidiano escolar é narrado com humor, o gênero é:
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Q3918158 Português
O GRUPO DE MENSAGENS DA ESCOLA E A AVALANCHE DE ÁUDIOS



    O grupo de mensagens da escola tinha um nome que prometia serenidade: “Famílias 2026”. O diretor Miguel até acreditou, no começo. Salvou o contato, fixou no topo e pensou que, agora, a comunicação ia fluir como água em bebedouro novo. Durou duas manhãs.

    Na terceira, às 6h12, apareceu o primeiro áudio. Era curto, só oito segundos, e começava com aquela frase que sempre vinha antes de um terremoto: “Bom dia, gente, rapidinho…”. O assunto era simples, um lembrete sobre a reunião pedagógica que, por algum motivo, tinha virado tema de famílias. Alguém respondeu com um emoji de polegar. Outro mandou “Ok”. Aí nasceu o efeito dominó. Às 6h18, surgiu um áudio de 1 minuto e 47 segundos, com ruído de panela ao fundo, explicando que a reunião não podia ser na quarta porque “na quarta tem natação, e natação é saúde”.

    Às 6h21, um áudio de 2 minutos e 10 segundos, com o cachorro participando, avisou que “não é reclamação, é só uma observação”, seguida de uma reclamação bem organizada, em tópicos, sem a parte dos tópicos. Às 6h24, alguém perguntou se “reunião pedagógica” envolvia os alunos, porque “pedagógico” parecia coisa de criança. Às 6h30, a mesma dúvida voltou, só que agora em caixa alta, como se a letra maior ajudasse a tirar a confusão do caminho.

    Miguel olhava aquilo com o café esfriando e um pensamento insistente: a escola tinha sinal de internet melhor do que de bom senso, e isso era uma descoberta dolorosa. Tentou ser racional. Escreveu um texto curto, com três linhas, bem objetivo. Antes de enviar, chegou mais um áudio, de 3 minutos e 52 segundos, explicando que textos “dão margem” e que áudio “é mais humano”. Miguel respirou fundo, porque, se aquilo era humano, ele estava pronto para virar planta.

    Às 7h05, um pai novo no grupo mandou “bom dia” e perguntou qual era o tema. Recebeu, em resposta, vinte mensagens, quatro áudios e uma figurinha de um gato digitando furioso. A partir daí, a conversa começou a se dividir em subgrupos invisíveis. Um falava de uniforme. Outro falava de lanche. Um terceiro tinha certeza de que tudo era sobre a saída mais cedo na sexta, embora ninguém tivesse mencionado sexta.

    Miguel decidiu que precisava salvar o dia sem brigar com ninguém. Gravou, então, um único áudio. Colocou o celular perto da janela, para o vento não entrar, e falou devagar, com calma de quem tenta apagar incêndio com um copo d’água. Explicou o que era a reunião, para quem era, por que existia e o que mudava na rotina. No fim, prometeu enviar um resumo por escrito, com tópicos, data e horário. 

    Apareceu uma mensagem: “Diretor, obrigada. Só uma coisa: pode mandar em áudio também? Fica mais fácil.” Miguel sorriu, daquela maneira de quem ri para não chorar, e pensou que liderança, às vezes, é escolher qual barulho vale a pena organizar.


Fonte: Banca Examinadora
No trecho “se aquilo era humano, ele estava pronto para virar planta”, a intenção principal do narrador é:
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Q3918157 Português
O GRUPO DE MENSAGENS DA ESCOLA E A AVALANCHE DE ÁUDIOS



    O grupo de mensagens da escola tinha um nome que prometia serenidade: “Famílias 2026”. O diretor Miguel até acreditou, no começo. Salvou o contato, fixou no topo e pensou que, agora, a comunicação ia fluir como água em bebedouro novo. Durou duas manhãs.

    Na terceira, às 6h12, apareceu o primeiro áudio. Era curto, só oito segundos, e começava com aquela frase que sempre vinha antes de um terremoto: “Bom dia, gente, rapidinho…”. O assunto era simples, um lembrete sobre a reunião pedagógica que, por algum motivo, tinha virado tema de famílias. Alguém respondeu com um emoji de polegar. Outro mandou “Ok”. Aí nasceu o efeito dominó. Às 6h18, surgiu um áudio de 1 minuto e 47 segundos, com ruído de panela ao fundo, explicando que a reunião não podia ser na quarta porque “na quarta tem natação, e natação é saúde”.

    Às 6h21, um áudio de 2 minutos e 10 segundos, com o cachorro participando, avisou que “não é reclamação, é só uma observação”, seguida de uma reclamação bem organizada, em tópicos, sem a parte dos tópicos. Às 6h24, alguém perguntou se “reunião pedagógica” envolvia os alunos, porque “pedagógico” parecia coisa de criança. Às 6h30, a mesma dúvida voltou, só que agora em caixa alta, como se a letra maior ajudasse a tirar a confusão do caminho.

    Miguel olhava aquilo com o café esfriando e um pensamento insistente: a escola tinha sinal de internet melhor do que de bom senso, e isso era uma descoberta dolorosa. Tentou ser racional. Escreveu um texto curto, com três linhas, bem objetivo. Antes de enviar, chegou mais um áudio, de 3 minutos e 52 segundos, explicando que textos “dão margem” e que áudio “é mais humano”. Miguel respirou fundo, porque, se aquilo era humano, ele estava pronto para virar planta.

    Às 7h05, um pai novo no grupo mandou “bom dia” e perguntou qual era o tema. Recebeu, em resposta, vinte mensagens, quatro áudios e uma figurinha de um gato digitando furioso. A partir daí, a conversa começou a se dividir em subgrupos invisíveis. Um falava de uniforme. Outro falava de lanche. Um terceiro tinha certeza de que tudo era sobre a saída mais cedo na sexta, embora ninguém tivesse mencionado sexta.

    Miguel decidiu que precisava salvar o dia sem brigar com ninguém. Gravou, então, um único áudio. Colocou o celular perto da janela, para o vento não entrar, e falou devagar, com calma de quem tenta apagar incêndio com um copo d’água. Explicou o que era a reunião, para quem era, por que existia e o que mudava na rotina. No fim, prometeu enviar um resumo por escrito, com tópicos, data e horário. 

    Apareceu uma mensagem: “Diretor, obrigada. Só uma coisa: pode mandar em áudio também? Fica mais fácil.” Miguel sorriu, daquela maneira de quem ri para não chorar, e pensou que liderança, às vezes, é escolher qual barulho vale a pena organizar.


Fonte: Banca Examinadora
Quando Miguel ouve que textos “dão margem” e áudio “é mais humano”, a expressão “dão margem”, no contexto, significa:
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Q3918156 Português
O GRUPO DE MENSAGENS DA ESCOLA E A AVALANCHE DE ÁUDIOS



    O grupo de mensagens da escola tinha um nome que prometia serenidade: “Famílias 2026”. O diretor Miguel até acreditou, no começo. Salvou o contato, fixou no topo e pensou que, agora, a comunicação ia fluir como água em bebedouro novo. Durou duas manhãs.

    Na terceira, às 6h12, apareceu o primeiro áudio. Era curto, só oito segundos, e começava com aquela frase que sempre vinha antes de um terremoto: “Bom dia, gente, rapidinho…”. O assunto era simples, um lembrete sobre a reunião pedagógica que, por algum motivo, tinha virado tema de famílias. Alguém respondeu com um emoji de polegar. Outro mandou “Ok”. Aí nasceu o efeito dominó. Às 6h18, surgiu um áudio de 1 minuto e 47 segundos, com ruído de panela ao fundo, explicando que a reunião não podia ser na quarta porque “na quarta tem natação, e natação é saúde”.

    Às 6h21, um áudio de 2 minutos e 10 segundos, com o cachorro participando, avisou que “não é reclamação, é só uma observação”, seguida de uma reclamação bem organizada, em tópicos, sem a parte dos tópicos. Às 6h24, alguém perguntou se “reunião pedagógica” envolvia os alunos, porque “pedagógico” parecia coisa de criança. Às 6h30, a mesma dúvida voltou, só que agora em caixa alta, como se a letra maior ajudasse a tirar a confusão do caminho.

    Miguel olhava aquilo com o café esfriando e um pensamento insistente: a escola tinha sinal de internet melhor do que de bom senso, e isso era uma descoberta dolorosa. Tentou ser racional. Escreveu um texto curto, com três linhas, bem objetivo. Antes de enviar, chegou mais um áudio, de 3 minutos e 52 segundos, explicando que textos “dão margem” e que áudio “é mais humano”. Miguel respirou fundo, porque, se aquilo era humano, ele estava pronto para virar planta.

    Às 7h05, um pai novo no grupo mandou “bom dia” e perguntou qual era o tema. Recebeu, em resposta, vinte mensagens, quatro áudios e uma figurinha de um gato digitando furioso. A partir daí, a conversa começou a se dividir em subgrupos invisíveis. Um falava de uniforme. Outro falava de lanche. Um terceiro tinha certeza de que tudo era sobre a saída mais cedo na sexta, embora ninguém tivesse mencionado sexta.

    Miguel decidiu que precisava salvar o dia sem brigar com ninguém. Gravou, então, um único áudio. Colocou o celular perto da janela, para o vento não entrar, e falou devagar, com calma de quem tenta apagar incêndio com um copo d’água. Explicou o que era a reunião, para quem era, por que existia e o que mudava na rotina. No fim, prometeu enviar um resumo por escrito, com tópicos, data e horário. 

    Apareceu uma mensagem: “Diretor, obrigada. Só uma coisa: pode mandar em áudio também? Fica mais fácil.” Miguel sorriu, daquela maneira de quem ri para não chorar, e pensou que liderança, às vezes, é escolher qual barulho vale a pena organizar.


Fonte: Banca Examinadora
No trecho “Aí nasceu o efeito dominó”, a expressão “efeito dominó” indica que:
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Q3918155 Português
O GRUPO DE MENSAGENS DA ESCOLA E A AVALANCHE DE ÁUDIOS



    O grupo de mensagens da escola tinha um nome que prometia serenidade: “Famílias 2026”. O diretor Miguel até acreditou, no começo. Salvou o contato, fixou no topo e pensou que, agora, a comunicação ia fluir como água em bebedouro novo. Durou duas manhãs.

    Na terceira, às 6h12, apareceu o primeiro áudio. Era curto, só oito segundos, e começava com aquela frase que sempre vinha antes de um terremoto: “Bom dia, gente, rapidinho…”. O assunto era simples, um lembrete sobre a reunião pedagógica que, por algum motivo, tinha virado tema de famílias. Alguém respondeu com um emoji de polegar. Outro mandou “Ok”. Aí nasceu o efeito dominó. Às 6h18, surgiu um áudio de 1 minuto e 47 segundos, com ruído de panela ao fundo, explicando que a reunião não podia ser na quarta porque “na quarta tem natação, e natação é saúde”.

    Às 6h21, um áudio de 2 minutos e 10 segundos, com o cachorro participando, avisou que “não é reclamação, é só uma observação”, seguida de uma reclamação bem organizada, em tópicos, sem a parte dos tópicos. Às 6h24, alguém perguntou se “reunião pedagógica” envolvia os alunos, porque “pedagógico” parecia coisa de criança. Às 6h30, a mesma dúvida voltou, só que agora em caixa alta, como se a letra maior ajudasse a tirar a confusão do caminho.

    Miguel olhava aquilo com o café esfriando e um pensamento insistente: a escola tinha sinal de internet melhor do que de bom senso, e isso era uma descoberta dolorosa. Tentou ser racional. Escreveu um texto curto, com três linhas, bem objetivo. Antes de enviar, chegou mais um áudio, de 3 minutos e 52 segundos, explicando que textos “dão margem” e que áudio “é mais humano”. Miguel respirou fundo, porque, se aquilo era humano, ele estava pronto para virar planta.

    Às 7h05, um pai novo no grupo mandou “bom dia” e perguntou qual era o tema. Recebeu, em resposta, vinte mensagens, quatro áudios e uma figurinha de um gato digitando furioso. A partir daí, a conversa começou a se dividir em subgrupos invisíveis. Um falava de uniforme. Outro falava de lanche. Um terceiro tinha certeza de que tudo era sobre a saída mais cedo na sexta, embora ninguém tivesse mencionado sexta.

    Miguel decidiu que precisava salvar o dia sem brigar com ninguém. Gravou, então, um único áudio. Colocou o celular perto da janela, para o vento não entrar, e falou devagar, com calma de quem tenta apagar incêndio com um copo d’água. Explicou o que era a reunião, para quem era, por que existia e o que mudava na rotina. No fim, prometeu enviar um resumo por escrito, com tópicos, data e horário. 

    Apareceu uma mensagem: “Diretor, obrigada. Só uma coisa: pode mandar em áudio também? Fica mais fácil.” Miguel sorriu, daquela maneira de quem ri para não chorar, e pensou que liderança, às vezes, é escolher qual barulho vale a pena organizar.


Fonte: Banca Examinadora
No começo do texto, o nome do grupo “Famílias 2026” prometia serenidade, mas o que acontece depois vai na direção contrária. Esse contraste produz, principalmente, um efeito de: 
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Q3917639 Português
"O presidente Vladimir Putin diz que os Estados Unidos ignoraram as preocupações legítimas da Rússia sobre a ampliação da Otan no leste europeu. Putin informou que está aberto a discutir um acordo de paz na Ucrânia com Trump, mas descarta a possibilidade de fazer concessões territoriais importantes e insiste que Kiev abandone as ambições de se juntar à Otan.”

Adaptado de CNN Brasil. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/promessa-de-2008-de-uniao-daucrania-a-otan-deve-ser-desfeita-diz-russia/


Após a leitura do texto, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3917636 Português

Considere o poema a seguir, de Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola: 


(…)

Hoje somos

as crianças nuas das sanzalas do mato

os garotos sem escola a jogar a bola de trapos

nos areais ao meio-dia somos nós mesmos

os contratados a queimar vidas nos cafezais

os homens negros ignorantes

que devem respeitar o homem branco

e temer o rico

somos os teus filhos

dos bairros de pretos

além aonde não chega a luz elétrica

os homens bêbedos a cair

abandonados ao ritmo dum batuque de morte

teus filhos com fome

com sede com vergonha de te chamarmos Mãe

com medo de atravessar as ruas

com medo dos homens

nós mesmos



Amanhã

entoaremos hinos à liberdade

quando comemorarmos

a data da abolição desta escravatura

(…)


Neto, Agostinho. Sagrada Esperança. 9a ed. Lisboa: Sá da Costa, 1979, p. 9-10.

 O poema busca evocar o(a):


Alternativas
Q3917630 Português
 Analise as informações a seguir sobre a obra Quarto de despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, preenchendo a coluna da esquerda com V, se a afirmativa for VERDADEIRA, e F, se for FALSA:

( ) A favela, a partir da visão apresentada no livro e da sua escritora, é o “quarto de despejo” de uma cidade. 
( ) O livro é um diário, cujo narrador é autor e personagem; a narrativa não tem cunho autobiográfico.
( ) Em muitas partes do livro, há o rompimento com a formalidade da língua portuguesa, a norma padrão.
( ) O livro é um diário, pois quem escreve é a mesma pessoa que viveu as histórias contadas. Ele é narrado em primeira pessoa, portanto o ponto de vista apresentado é a do narrador.
( ) Quarto de despejo não pode ser considerado um livro que trata das desigualdades racial, de gênero e de classe.

Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA de V e F, de cima para baixo: 
Alternativas
Q3917629 Português
Leia o fragmento a seguir de Quarto de despejo, diário de uma favela, de Carolina Maria de Jesus, antes de responder à questão, elaboradas a partir dele:


     “Os meninos tomaram café e foram a aula. Eles estão alegres porque hoje teve café. Só quem passa fome é que dá valor a comida.

      Eu e a Vera fomos catar papel. Passei no Frigorífico para pegar linguiça. Contei 9 mulheres na fila. Eu tenho a mania de observar tudo, contar tudo, marcar os fatos.

    Encontrei muito papel nas ruas. Ganhei 20 cruzeiros. Fui no bar tomar uma média. Uma para mim e outra para a Vera. Gastei 11 cruzeiros. Fiquei catando papel até as 11 e meia. Ganhei 50 cruzeiros.

    [...]

    ... Nós somos pobres, viemos para as margens do rio. As margens do rio são os lugares do lixo e dos marginais. Gente da favela é considerado marginais. Não mais se vê os corvos voando as margens do rio, perto dos lixos. Os homens desempregados substituíram os corvos.

      Quando eu fui catar papel encontrei um preto. Estava rasgado e sujo que dava pena. Nos seus trajes rotos ele podia representar-se como diretor do sindicato dos miseráveis. O seu olhar era um olhar angustiado como se olhasse o mundo com desprezo. Indigno para um ser humano. Estava comendo uns doces que a fábrica havia jogado na lama. Ele limpava o barro e comia os doces. Não estava embriagado, mas vacilava no andar. Cambaleava. Estava tonto de fome!”


Fonte: Jesus, 2020, p. 55-56.
 No trecho destacado em negrito, ocorre a palavra marginal, no plural. No contexto do livro e no que foi posto no fragmento, sobre “marginais”, na favela do Canindé, podemos afirmar que:

I. “Marginais” não se refere apenas ao local de pessoas marginalizadas pela miséria cotidiana, mas também a alguns que vivem à margem da lei.
II. Apesar de a narrativa se referir às pessoas que são marginalizadas em vários aspectos, na Favela do Canindé não há a presença de marginais.
III. Os “marginais” fazem referência apenas aos catadores de lixo da favela do Canindé.

Assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q3917628 Português
Leia o fragmento a seguir de Quarto de despejo, diário de uma favela, de Carolina Maria de Jesus, antes de responder à questão, elaboradas a partir dele:


     “Os meninos tomaram café e foram a aula. Eles estão alegres porque hoje teve café. Só quem passa fome é que dá valor a comida.

      Eu e a Vera fomos catar papel. Passei no Frigorífico para pegar linguiça. Contei 9 mulheres na fila. Eu tenho a mania de observar tudo, contar tudo, marcar os fatos.

    Encontrei muito papel nas ruas. Ganhei 20 cruzeiros. Fui no bar tomar uma média. Uma para mim e outra para a Vera. Gastei 11 cruzeiros. Fiquei catando papel até as 11 e meia. Ganhei 50 cruzeiros.

    [...]

    ... Nós somos pobres, viemos para as margens do rio. As margens do rio são os lugares do lixo e dos marginais. Gente da favela é considerado marginais. Não mais se vê os corvos voando as margens do rio, perto dos lixos. Os homens desempregados substituíram os corvos.

      Quando eu fui catar papel encontrei um preto. Estava rasgado e sujo que dava pena. Nos seus trajes rotos ele podia representar-se como diretor do sindicato dos miseráveis. O seu olhar era um olhar angustiado como se olhasse o mundo com desprezo. Indigno para um ser humano. Estava comendo uns doces que a fábrica havia jogado na lama. Ele limpava o barro e comia os doces. Não estava embriagado, mas vacilava no andar. Cambaleava. Estava tonto de fome!”


Fonte: Jesus, 2020, p. 55-56.
Sobre o fragmento e outras informações presentes no livro, é INCORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3917627 Português
Leia o texto a seguir, intitulado “O Padeiro”, de autoria de Rubem Braga:

      Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.
     Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
     – Não é ninguém, é o padeiro!
    Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
    "Então você não é ninguém?"
   Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "não é ninguém, não senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...
     Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
    Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, é o padeiro!"
   E assobiava pelas escadas.
Sobre o texto, considere as seguintes afirmativas:

I. O gênero textual é o expositivo, em virtude de expor a vida simples de um carteiro.
II. Por apresentar um texto curto, com linguagem simples e objetiva, a narrativa se caracteriza como um conto.
III. O texto tem um toque memorialístico, motivado pelo consumo de um pão do dia anterior.
IV.A ideologia implícita ao texto o coloca a favor das pessoas simples e sem poderes na sociedade.
V. Ao longo da vida, o padeiro foi humilhado por pessoas que não atentavam para a sua condição humana.
VI.Apresentam adjetivos e/ou locuções adjetivas os seguintes trechos: “jornais da véspera” e “ele abriu um sorriso largo”.

Assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3917624 Português
Leia a seguir três estrofes da música “Dia de festa (Borimbora)”, feita pelo compositor amazonense Torrinho, que é também coautor da famosa canção “Porto de lenha”:

Borimbora, maninha Hoje é dia da Padroeira Vai ter bingo de frango assado E forró de dar olheira Vai ter caboca assim Arrequebrando as cadeiras Que eu tenho até dó de mim Quando acabar a zoeira

Borimbora, maninha Que o recreio tá aí na beira Bota o vestido rendado Cordão, anel e pulseira Que é pra ver se um moço bom Pra tua ilharga se esgueira

Mas se acaso, maninha O moço te abordar Te levar da cumeeira Pra ouvir sapo coaxá Se avexe, maninhazinha Em logo fugir de lá Que ele pode ser o boto Que veio te encantar

    A letra da música, como é evidente, apresenta palavras típicas da fala regional amazonense. Essa forma de expressão caracteriza uma variação linguística, visto que o falar dos brasileiros não é homogêneo. A respeito da variação linguística constante da letra de Torrinho, podemos dizer que é:
Alternativas
Q3917619 Português
Considere as frases a seguir:

I. Como houve um ataque de abelhas, a partida de tênis foi interrompida.
II. Os professores terão sua reivindicação salarial atendida, exceto se mantiverem a greve.
III. Eu não consegui chegar a tempo ao show, porque chovia muito.
IV. João estava muito doente, contudo foi à aula de literatura.
V. Os nordestinos são tão trabalhadores quanto os sulistas.

As relações semânticas estabelecidas pelos conectivos nas frases são, respectivamente,
Alternativas
Respostas
6021: C
6022: B
6023: C
6024: D
6025: E
6026: B
6027: D
6028: A
6029: D
6030: B
6031: A
6032: C
6033: E
6034: B
6035: C
6036: A
6037: E
6038: E
6039: A
6040: C