Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
Foram encontradas 93.497 questões
TEXTO I
Tom Jobim estava errado: é possível ser feliz sozinho, diz estudo
Pessoas que evitam conflitos são mais felizes fora de relacionamentos
Ao contrário do que cantou Tom Jobim, aparentemente é possível, sim, ser feliz sozinho – e isso quem diz é um estudo da Universidade deAuckland, não algum sucesso qualquer de funk ou pagode. Feita com neozelandeses de 18 a 94 anos, a pesquisa revelou que, diferentemente das pessoas que buscam intimidade, aquelas que preferem evitar conflitos são mais felizes solteiras, independentemente do gênero ou do período da vida em que se encontram.
Até agora, estudos sobre relacionamentos costumavam indicar que os comprometidos são ligeiramente mais felizes e saudáveis que os solteiros. A lógica parece simples: o apoio de um parceiro ajudaria a lidar com o estresse cotidiano, o que provocaria maior sensação de bem-estar. “Mas mesmo as melhores relações podem ser difíceis e expor o indivíduo a mágoas e decepções”, explica a autora do estudo, a psicóloga Yuthika Girme. Em alguns casos, são motivo inclusive de ansiedade e depressão. E, para certas pessoas, passar por isso simplesmente não vale a pena.
Segundo a psicóloga, existem duas maneiras de construir relacionamentos: buscando intimidade ou evitando conflitos. Enquanto pessoas do primeiro grupo buscam oportunidades de tornar os vínculos mais intensos e se sentem mais satisfeitas quando estão comprometidas, aquelas que preferem evitar desentendimentos ou brigas costumam ser mais felizes solteiras.
Em contrapartida, explica a autora, estar solteiro aumenta a possibilidade de melhorar a relação com parentes e amigos e de dedicar-se a hobbies, à carreira e a outras atividades que podem proporcionar bem-estar. “Embora ainda exista pressão para você namorar ou casar, a solteirice está se tornando cada vez mais comum e nem sempre é sinônimo de insatisfação ou tristeza”, diz Girme.
Disponível em: www.revistagalileu.globo.com.
Acesso em: 27 out. 2021.
I. A violência psicológica contra a mulher pode incluir ações como a submissão da vítima ao isolamento, à perseguição contumaz, ao insulto, à chantagem, à vigilância constante ou à violação de sua intimidade, por exemplo, como se pode inferir do texto da Lei nº 11.340, de 2006.
II. De acordo com o texto da Lei nº 11.340, de 2006, causar algum dano emocional e diminuição da autoestima é uma forma de violência psicológica contra a mulher.
Marque a alternativa CORRETA:
I. À luz do texto da Lei nº 11.340, de 2006, promover a retenção, a subtração, a destruição parcial ou total dos objetos, dos instrumentos de trabalho, dos documentos pessoais, dos bens ou dos valores de uma mulher constitui um exemplo de violência psicológica contra a mulher.
II. Controlar as ações, os comportamentos, as crenças e as decisões de uma mulher, mediante ameaça, constrangimento, humilhação ou manipulação, é um exemplo de prática que caracteriza a violência psicológica contra a mulher, conforme pode ser entendido a partir do texto da Lei nº 11.340, de 2006.
Marque a alternativa CORRETA:
I. Em caso de óbito da vítima de um acidente, serão necessárias testemunhas do ocorrido. Assim, deve-se obter a colaboração de outras pessoas dando ordens claras e concisas, como é possível concluir a partir da leitura do texto.
II. O texto defende a ideia de que, quando a causa de lesão for um choque violento, deve-se pressupor a existência de lesão interna. O trato com as vítimas de trauma requer técnicas específicas de manipulação, pois qualquer movimento errado pode piorar o seu estado.
III. De acordo com o texto, durante o atendimento de primeiros socorros, apenas um profissional de saúde qualificado deve realizar ações como contatar o atendimento de emergência ou buscar material para auxiliar no atendimento, como talas e gaze.
Marque a alternativa CORRETA:
I. É possível inferir, a partir da leitura do texto, que, ao prestar primeiros socorros, deve-se procurar tranquilizar o acidentado, evitando comunicar-lhe o que será feito antes de executar qualquer ação, para que não se tenha algum estímulo aos sentimentos de medo e de ansiedade.
II. O texto afirma que, ao prestar atendimento de primeiros socorros, jamais deve-se expor a riscos, utilizar luvas descartáveis ou ter contato direto com sangue, secreções, excreções ou outros líquidos do acidentado, pois existem várias doenças que são transmitidas através deste contato.
III. O texto recomenda que o acidentado deve ser mantido afastado dos olhares de curiosos, preservando a sua integridade física e moral. É importante identificar pessoas que se encarreguem de desviar o trânsito ou construir uma proteção provisória.
Marque a alternativa CORRETA:
I. O texto deixa claro para o leitor que é recomendável que as vítimas de traumas não sejam manuseadas até a chegada do atendimento emergencial. Os acidentados presos em ferragens, por exemplo, só devem ser retirados pela equipe de atendimento emergencial.
II. O texto apresenta ao leitor a ideia de que, no caso de o acidentado ter sede, não se deve oferecer líquidos para ele beber, devendo, apenas, molhar a boca da vítima com gaze ou com um algodão umedecido. Deve-se, ainda, de acordo com o texto, cobrir o acidentado para conservar o seu corpo quente e protegê-lo do frio ou da chuva.
III. Fica claro, na leitura do texto, que qualquer ferimento ou doença súbita dará origem a uma grande mudança no ritmo da vida do acidentado, pois o coloca repentinamente em uma situação para a qual não está preparado e que foge a seu controle.
Marque a alternativa CORRETA:
I. O texto sugere que, ao prestar os primeiros socorros, o indivíduo atue de maneira tranquila e hábil. Assim, afirma o texto, o acidentado sentirá que está sendo bem cuidado e não entrará em pânico. Isto é muito importante, pois a intranquilidade pode piorar muito o estado da vítima.
II. O texto sugere que, antes de qualquer procedimento de primeiros socorros, deve-se avaliar a cena do acidente e observar se ela pode oferecer riscos para quem está oferecendo socorro ou para o acidentado. Em hipótese alguma, ressalta o texto, o indivíduo que presta o socorro deve pôr sua própria vida em risco.
III. O texto apresenta ao leitor a ideia de que as reações e comportamentos da vítima de um acidente são diferentes do normal, não permitindo que ela possa avaliar as próprias condições de saúde e as consequências do acidente.
Marque a alternativa CORRETA:
I. O texto deixa claro que as Guardas Municipais demonstram que os municípios exercem um papel de protagonismo na área de segurança pública no Brasil, sendo as principais responsáveis pela execução de políticas públicas abrangentes.
II. O texto deixa claro que as guardas municipais têm competência geral de proteger os bens, os serviços e os logradouros públicos municipais além das instalações do município.
III. De acordo com o texto, a palavra “competência” tem origem latina e significa “estar em busca” ou “a procura de alguma coisa”. Ainda conforme o texto, essa palavra pode ser utilizada para qualificar um agente público que transgrediu a lei.
Marque a alternativa CORRETA:
. Fica claro, após a leitura do texto, que, inicialmente, o termo “competência” significa faculdade, aptidão para exercer, manter ou proteger um direito ou poder de exercer atribuição legal a respeito de certos atos jurídicos.
II. O texto defende a ideia de que a competência sobre a gestão da segurança pública cabe aos agentes públicos concursados e designados para tais funções, independentemente do cargo que ocupam ou da instituição a que estão vinculados.
III. A partir do texto, pode-se afirmar que, no Brasil, a área de segurança pública é administrada prioritariamente por órgãos federais, como a Polícia Federal e o Ministério Público.
Marque a alternativa CORRETA:
I. Após ler atentamente ao texto, pode-se inferir que a participação dos governos municipais em ações de segurança pública é determinada pela Constituição Federal e fiscalizada pelos Tribunais de Contas estaduais.
II. O texto permite inferir que o termo “competência” também é entendido como o poder que é conferido à pessoa, à instituição ou à autoridade jurisdicional para deliberação e decisão acerca de assuntos determinados, de acordo com as regras que a conferem este mesmo poder.
III. O texto defende a ideia de que a competência administrativa se fundamenta na Constituição Federal. Cada esfera de governo tem, assim, a sua própria competência.
Marque a alternativa CORRETA:
Efeitos da poluição sonora sobre a saúde
Publicado em 08/20/2019 (disponível em https://bit.ly/3pd6Sx5). Adaptado.
A audição é um sentido evolutivo fundamental, em que a percepção de sons e ruídos nos ajuda na comunicação e identificação de fontes de perigo. Atualmente, a audição tem sofrido cada dia mais com um efeito capaz de prejudicar a saúde e diminuir a capacidade auditiva, a poluição sonora.
A poluição sonora é um dos maiores problemas ambientais dos grandes centros urbanos, sendo menos frequente em regiões mais afastadas. Ela representa todo e qualquer ruído que possa causar danos à saúde e inclui situações que provocam desconforto acústico, desde uma pessoa falando alto, até o ruído de um avião decolando.
A poluição sonora acontece quando o som altera a condição normal da audição em um espaço. Diferente de outros tipos de poluição, não se acumula no meio ambiente, entretanto, ocasiona diversos dados à saúde, à qualidade de vida e à fauna, sendo considerada um problema de saúde pública em todo o mundo.
A poluição sonora foi reconhecida como um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde por seus efeitos sobre crianças e adolescentes. Nessas fases da vida, os ruídos aumentam os efeitos da irritabilidade, causam dificuldade de concentração e frustração, prejudicando diretamente o desempenho escolar e cognitivo.
A poluição sonora pode causar a perda auditiva, provocar alterações no sono, irritação, depressão, zumbido, agressividade, perda de desempenho cognitivo e outras doenças.
A poluição sonora é a causa mais comum de perda auditiva. A surdez causada pelos danos por meio da poluição sonora pode acontecer a longo prazo, como em exposição prolongada a um ambiente de nível de ruído médio, como indústrias e trânsito, ou imediato, como um tiro de revólver próximo ao ouvido.
A irritação aparece quando o ruído interfere nas atividades diárias, no convívio social sono e momentos de descanso, provocando reações negativas como raiva, cansaço, e outros sintomas de estresse.
A poluição sonora também pode ser relacionada com doenças, como infarto, hipertensão arterial e acidente vascular encefálico. Devido à exposição constante, ocorre maior estímulo no sistema nervoso autônomo, elevando a pressão, e contribuindo para processos como a aterosclerose.
A qualidade do sono interfere de forma direta na saúde.
Mesmo enquanto dormimos, percebemos e reagimos aos
ruídos, que impedem o efeito restaurador de diversas
funções, mantendo o nível de estresse elevado de forma
inconsciente
I. Após a leitura atenta do texto, é possível inferir que, quando o ruído interfere nas atividades diárias, no convívio social, no sono e nos momentos de descanso, a irritação aparece para o indivíduo, provocando reações negativas, como a raiva, o cansaço, e outros sintomas de estresse.
II. As informações presentes no texto deixam claro que a poluição sonora também pode ser relacionada com doenças como o infarto, a hipertensão arterial e o acidente vascular encefálico. Devido à exposição constante, ocorre maior estímulo no sistema nervoso autônomo, elevando a pressão, e contribuindo para processos como a aterosclerose, afirma o texto.
III. De acordo com o texto, a poluição sonora acontece quando o som altera a condição normal da audição em um espaço, por se acumular no meio ambiente, ocasionando diversos dados à saúde e sendo considerada um problema de saúde pública.
Marque a alternativa CORRETA
Efeitos da poluição sonora sobre a saúde
Publicado em 08/20/2019 (disponível em https://bit.ly/3pd6Sx5). Adaptado.
A audição é um sentido evolutivo fundamental, em que a percepção de sons e ruídos nos ajuda na comunicação e identificação de fontes de perigo. Atualmente, a audição tem sofrido cada dia mais com um efeito capaz de prejudicar a saúde e diminuir a capacidade auditiva, a poluição sonora.
A poluição sonora é um dos maiores problemas ambientais dos grandes centros urbanos, sendo menos frequente em regiões mais afastadas. Ela representa todo e qualquer ruído que possa causar danos à saúde e inclui situações que provocam desconforto acústico, desde uma pessoa falando alto, até o ruído de um avião decolando.
A poluição sonora acontece quando o som altera a condição normal da audição em um espaço. Diferente de outros tipos de poluição, não se acumula no meio ambiente, entretanto, ocasiona diversos dados à saúde, à qualidade de vida e à fauna, sendo considerada um problema de saúde pública em todo o mundo.
A poluição sonora foi reconhecida como um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde por seus efeitos sobre crianças e adolescentes. Nessas fases da vida, os ruídos aumentam os efeitos da irritabilidade, causam dificuldade de concentração e frustração, prejudicando diretamente o desempenho escolar e cognitivo.
A poluição sonora pode causar a perda auditiva, provocar alterações no sono, irritação, depressão, zumbido, agressividade, perda de desempenho cognitivo e outras doenças.
A poluição sonora é a causa mais comum de perda auditiva. A surdez causada pelos danos por meio da poluição sonora pode acontecer a longo prazo, como em exposição prolongada a um ambiente de nível de ruído médio, como indústrias e trânsito, ou imediato, como um tiro de revólver próximo ao ouvido.
A irritação aparece quando o ruído interfere nas atividades diárias, no convívio social sono e momentos de descanso, provocando reações negativas como raiva, cansaço, e outros sintomas de estresse.
A poluição sonora também pode ser relacionada com doenças, como infarto, hipertensão arterial e acidente vascular encefálico. Devido à exposição constante, ocorre maior estímulo no sistema nervoso autônomo, elevando a pressão, e contribuindo para processos como a aterosclerose.
A qualidade do sono interfere de forma direta na saúde.
Mesmo enquanto dormimos, percebemos e reagimos aos
ruídos, que impedem o efeito restaurador de diversas
funções, mantendo o nível de estresse elevado de forma
inconsciente
I. O texto deixa claro que a poluição sonora pode causar a perda auditiva, a alterações no sono, irritação, depressão, zumbido, agressividade, melhora do desempenho cognitivo e outras doenças.
II. É possível inferir a partir do texto que a surdez causada pelos danos por meio da poluição sonora pode acontecer de forma imediata, como em exposição prolongada a um ambiente de nível de ruído médio, como indústrias e trânsito, ou a longo prazo, como um tiro de revólver próximo ao ouvido.
III. O texto afirma que a poluição sonora foi reconhecida como um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde por seus efeitos sobre crianças e adultos. Nessa faixa etária, os ruídos amenizam os efeitos da irritabilidade, prejudicando diretamente o desempenho escolar e cognitivo.
Marque a alternativa CORRETA:
Muitos anos depois da publicação de Quarto de despejo, diário de uma favelada, novas escritoras negras brasileiras, inspiradas na obra de Carolina Maria de Jesus, formam o livro Carolinas: a nova geração de escritoras negras brasileiras, publicado em 2021, do qual se extrai o texto abaixo.
Entre a rua, este quarto e o ser
(Camila de Oliveira Silva)
Recebo a manhã de pé. Consciente da minha insone madrugada, eu estou à beira das 6h. Pressinto o dia longo, que vai arrastar esse corpo que sequer se esticou. Pronto o café, pronta uma manhã e nem importa que eu não esteja preparada para absolutamente nada hoje. Alguma vez já quis pedir ao dia que me levante. Não sei seguir por essa hora em chamas, nesse amarelo que cai sobre o dia, que não me socorre. Às vezes, antes de ir à rua, me pego querendo ir direto para a noite. Algo me vem em cheio nessas horas e não é a saudade que ontem, sem razão, me consumia de vida e morte.
E de repente já estou na rua, rumando, rearrumando e esfregando meus olhos secos. Esforçando em segurar lágrimas e sabendo que preciso, agora, despejar meu olhar sobre o mundo: o mais seco que eu quiser. Desejo despejar meu olhar dentro dos olhos de todo mundo. Ando, e sinto que os passos só escorrem para alcançar sentido. Quando estou aqui, parece que a rua é tudo o que tenho, sou e tudo o que sobrei. [...]
(LUDEMIR, Julio (org.). Carolinas: a nova geração
de escritoras negras brasileiras. Rio de Janeiro:
Bazar do Tempo: Flup, 2021)
Muitos anos depois da publicação de Quarto de despejo, diário de uma favelada, novas escritoras negras brasileiras, inspiradas na obra de Carolina Maria de Jesus, formam o livro Carolinas: a nova geração de escritoras negras brasileiras, publicado em 2021, do qual se extrai o texto abaixo.
Entre a rua, este quarto e o ser
(Camila de Oliveira Silva)
Recebo a manhã de pé. Consciente da minha insone madrugada, eu estou à beira das 6h. Pressinto o dia longo, que vai arrastar esse corpo que sequer se esticou. Pronto o café, pronta uma manhã e nem importa que eu não esteja preparada para absolutamente nada hoje. Alguma vez já quis pedir ao dia que me levante. Não sei seguir por essa hora em chamas, nesse amarelo que cai sobre o dia, que não me socorre. Às vezes, antes de ir à rua, me pego querendo ir direto para a noite. Algo me vem em cheio nessas horas e não é a saudade que ontem, sem razão, me consumia de vida e morte.
E de repente já estou na rua, rumando, rearrumando e esfregando meus olhos secos. Esforçando em segurar lágrimas e sabendo que preciso, agora, despejar meu olhar sobre o mundo: o mais seco que eu quiser. Desejo despejar meu olhar dentro dos olhos de todo mundo. Ando, e sinto que os passos só escorrem para alcançar sentido. Quando estou aqui, parece que a rua é tudo o que tenho, sou e tudo o que sobrei. [...]
(LUDEMIR, Julio (org.). Carolinas: a nova geração
de escritoras negras brasileiras. Rio de Janeiro:
Bazar do Tempo: Flup, 2021)
Muitos anos depois da publicação de Quarto de despejo, diário de uma favelada, novas escritoras negras brasileiras, inspiradas na obra de Carolina Maria de Jesus, formam o livro Carolinas: a nova geração de escritoras negras brasileiras, publicado em 2021, do qual se extrai o texto abaixo.
Entre a rua, este quarto e o ser
(Camila de Oliveira Silva)
Recebo a manhã de pé. Consciente da minha insone madrugada, eu estou à beira das 6h. Pressinto o dia longo, que vai arrastar esse corpo que sequer se esticou. Pronto o café, pronta uma manhã e nem importa que eu não esteja preparada para absolutamente nada hoje. Alguma vez já quis pedir ao dia que me levante. Não sei seguir por essa hora em chamas, nesse amarelo que cai sobre o dia, que não me socorre. Às vezes, antes de ir à rua, me pego querendo ir direto para a noite. Algo me vem em cheio nessas horas e não é a saudade que ontem, sem razão, me consumia de vida e morte.
E de repente já estou na rua, rumando, rearrumando e esfregando meus olhos secos. Esforçando em segurar lágrimas e sabendo que preciso, agora, despejar meu olhar sobre o mundo: o mais seco que eu quiser. Desejo despejar meu olhar dentro dos olhos de todo mundo. Ando, e sinto que os passos só escorrem para alcançar sentido. Quando estou aqui, parece que a rua é tudo o que tenho, sou e tudo o que sobrei. [...]
(LUDEMIR, Julio (org.). Carolinas: a nova geração
de escritoras negras brasileiras. Rio de Janeiro:
Bazar do Tempo: Flup, 2021)
Muitos anos depois da publicação de Quarto de despejo, diário de uma favelada, novas escritoras negras brasileiras, inspiradas na obra de Carolina Maria de Jesus, formam o livro Carolinas: a nova geração de escritoras negras brasileiras, publicado em 2021, do qual se extrai o texto abaixo.
Entre a rua, este quarto e o ser
(Camila de Oliveira Silva)
Recebo a manhã de pé. Consciente da minha insone madrugada, eu estou à beira das 6h. Pressinto o dia longo, que vai arrastar esse corpo que sequer se esticou. Pronto o café, pronta uma manhã e nem importa que eu não esteja preparada para absolutamente nada hoje. Alguma vez já quis pedir ao dia que me levante. Não sei seguir por essa hora em chamas, nesse amarelo que cai sobre o dia, que não me socorre. Às vezes, antes de ir à rua, me pego querendo ir direto para a noite. Algo me vem em cheio nessas horas e não é a saudade que ontem, sem razão, me consumia de vida e morte.
E de repente já estou na rua, rumando, rearrumando e esfregando meus olhos secos. Esforçando em segurar lágrimas e sabendo que preciso, agora, despejar meu olhar sobre o mundo: o mais seco que eu quiser. Desejo despejar meu olhar dentro dos olhos de todo mundo. Ando, e sinto que os passos só escorrem para alcançar sentido. Quando estou aqui, parece que a rua é tudo o que tenho, sou e tudo o que sobrei. [...]
(LUDEMIR, Julio (org.). Carolinas: a nova geração
de escritoras negras brasileiras. Rio de Janeiro:
Bazar do Tempo: Flup, 2021)