Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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No desfecho do conto “São Marcos”, o protagonista chega à casa de João Mangolô e, após lutar contra o feiticeiro, lhe dá uma nota de dez mil-réis e assim se dirige a ele: “Olha, Mangolô: você viu que não arranja nada contra mim, porque eu tenho anjo bom, santo bom e reza-brava... Em todo o caso, mais serve não termos briga...”(p. 217.)
De acordo com o trecho do conto, assinale a alternativa correta.
I. A infelicidade conjugal pode ensejar o tom grave, sério e triste que percorre o conto “Sarapalha”, como pode ser observado no trecho “Só sei que se ela, por um falar, desse de chegar aqui de repente, até a febre sumia...”, mas, na crônica de Verissimo, se soma aos episódios de humor como mais um caso de engano entre os tantos relatados.
II. No conto “A volta do marido pródigo”, há o seguinte trecho: “E, vai então pois então, Lalino teve um momento de fraqueza, e pediu a seu Oscar que procurasse a Ritinha e falasse, e dissesse, mas não dissesse isso, e calasse aquilo, mas dando a entender que... mas sem deixar que ela pensasse que... e aquil’outro, e também etc., e pronto.” O trecho é carregado de humor obtido com um arranjo de linguagem também encontrado no jogo entre engano e desengano, na crônica.
III. No trecho do conto “São Marcos” – “Pé por p... Outra árvore que não me vê, ai!” –, o protagonista está cego e acerta a cabeça em uma árvore pela segunda vez. As circunstâncias em que o autor se manifesta poderiam desencadear a compaixão no leitor, mas é o humor que se sobrepõe, assim como nas desventuras da crônica.
IV. No conto “A hora e vez de Augusto Matraga”, Nhô Augusto dirige-se a Joãozinho Bem-Bem, chefe do bando de jagunços: “se o senhor não se acanha de entrar em casa de pobre, eu lhe convido para passar mal e se arranchar comigo...”. O humor do trecho revela-se no convite para “passar mal” e na ironia do protagonista, que preparara tocaia para o bando, assim como a enfermeira é cruel para o protagonista da crônica.
Assinale a alternativa correta.
“É claro que, como todo escritor, tenho a tentação de usar termos suculentos: conheço adjetivos esplendorosos, carnudos substantivos...” (p. 21.)
“Agora não é confortável: para falar da moça tenho que não fazer a barba durante dias...” (p. 26.)
“Além de vestir-me com roupa rasgada.” (p. 26.)
“E a palavra não pode ser enfeitada e artisticamente vã, tem que ser apenas ela.” (p. 26.)
“Vejo agora que esqueci de dizer que por enquanto nada leio para não contaminar com luxos a simplicidade de minha linguagem.” (p. 29.)
“Tudo isso eu disse tão longamente por medo de ter prometido demais e dar apenas o simples e o pouco. Pois esta história é quase nada.” (p. 31.)
Com base nos trechos, assinale a alternativa correta.
lá ia eu toda exposta àquele olhar de garfo e faca vendo a mesa posta minhas postas em fatias ouvindo dos convivas piadas macarrônicas
(RUIZ S, Alice. Dois em um. São Paulo: Iluminuras, 2018. p. 179.)
Com base no poema, assinale a alternativa correta.
I. Os pares de termos “grama/relva” e “geladeira/frigorífico” podem ser considerados sinônimos do ponto de vista do texto.
II. O trecho do texto “ficaram a saber mais sobre a sua língua” apresenta um exemplo de conjugação perifrástica com o verbo no infinitivo, típico do português europeu.
III. A conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio configura falta de conhecimento das normas gramaticais.
IV. No fragmento de texto “Se os garotos tivessem começado a falar”, há um exemplo de conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio.
Assinale a alternativa correta.
O Texto 5 é um infográfico que revela o racismo ao apresentar, em dados, a diferença de letalidade na abordagem policial a negros e brancos em São Paulo. Para dar destaque a essa diferença, são utilizados alguns recursos visuais que orientam a leitura das informações. O destaque, então, para a diferença nas mortes e prisões entre negros e brancos é visualmente obtido pelo(a)
Após o ardor da reconquista não caíram manás sobre os nossos campos
E na dura travessia do deserto aprendemos que a terra prometida era aqui
Ainda aqui e sempre aqui. Duas ilhas indómitas a desbravar. O padrão a ser erguido pela nudez insepulta dos nossos punhos. Emergiremos do canto como do chão emerge o milho jovem e nus, inteiros recuperaremos a transparência do tempo inicial Puros reabitaremos o poema e a claridade para que a palavra amanheça e o sonho não se perca.
LIMA, Conceição. Após o ardor da reconquista... In: DÁSKALOS, Maria Alexandre; APA, Lívia; BARBEITOS, Arlindo (Org.). Poesia africana de língua portuguesa (antologia). Rio de Janeiro: Lacerda, 2003.
O Texto 4, um poema da escritora são-tomense Conceição Lima, faz referência a um momento de independência, de conquista de liberdade que, mesmo depois de concretizada, não resolve todos os problemas do país. Apesar disso, ela constrói também uma mensagem positiva de um futuro diferente. Que referência figurativa é utilizada para simbolizar esse futuro?
1) O Texto 2 cumpre seu caráter promocional ao situar e contextualizar, para o leitor, o tema da obra, a história da escravidão em determinado período da sociedade brasileira.
2) Funcionalmente, há diálogos entre os gêneros quarta-capa e resenha, como se pode perceber no Texto 2, que apresenta uma espécie de avaliação da obra, neste caso, positiva, principalmente no último período do texto.
3) Uma marca do gênero quarta-capa, ou contracapa, é a possibilidade de citações de leitores famosos do livro, que funcionam como uma avaliação positiva da obra e cumprem o papel de promovê-la. No Texto 2, essas citações aparecem de maneira implícita, na descrição dos fatos históricos.
4) Percebe-se uma aproximação entre os gêneros contracapa e sinopse, tendo em vista que ambos trazem uma síntese das ideias de uma obra, o que pode ser observado, no Texto 2, no relato dos fatos históricos sobre a escravidão no Brasil setecentista.
Estão corretas as proposições
Um sistema como o escravismo moderno só se enraíza com o exercício da violência. Da parte dos proprietários, a sanha contínua que visava à sujeição e obediência cegas para o trabalho. Da parte dos escravos, a reação se dava a partir de gradações que iam das pequenas insubordinações diárias e persistentes até as grandes revoltas e os quilombos.