De acordo com o texto, assinale a alternativa incorreta.

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Q3737295 Português
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Dois mais dois. (Luís Fernando Veríssimo).


(Fonte Google.com).

O Rodrigo não entendia porque precisava aprender matemática, já que a sua minicalculadora faria todas as contas por ele, pelo resto da vida, e então, a professora resolveu contar uma história. Contou a história do Supercomputador. Um dia disse a professora, todos os computadores do mundo serão unificados num único sistema, e o centro do sistema será em alguma cidade do Japão. Todas as casas do mundo, todos os lugares do mundo terão terminais do Supercomputador. As pessoas usarão o Supercomputador para compras, para recados, para reservas de avião, para consultas sentimentais. Para tudo. Ninguém mais precisará de relógios individuais, de livros ou de calculadoras portáteis. Não precisará mais nem estudar. Tudo que alguém quiser saber sobre qualquer coisa estará na memória do Supercomputador, ao alcance de qualquer um. Em milésimos de segundo a resposta à consulta estará na tela mais próxima. E haverá bilhões de telas espalhadas por onde o homem estiver, desde lavatórios públicos até estações espaciais. Bastará ao homem apertar um botão para ter a informação que quiser.

Um dia, um garoto perguntará ao pai:

– Pai, quanto é dois mais dois?

– Não pergunte a mim – dirá o pai -, pergunte a Ele.

E o garoto digitará os botões apropriados e num milésimo de segundo a resposta aparecerá na tela. E então o garoto dirá:

– Como é que sei que a resposta é certa?

– Porque Ele disse que é certa – responderá o pai.

– E se Ele estiver errado?

– Ele nunca erra.

– Mas se estiver?

– Sempre podemos contar nos dedos.

– O quê?

– Contar nos dedos, como faziam os antigos. Levante dois dedos. Agora mais dois. Viu? Um, dois, três quatro. O computador está certo.

– Mas, pai, e 362 vezes 17? Não dá para contar nos dedos. A não ser reunindo muita gente e usando os dedos das mãos e dos pés. Como saber se a resposta d’ele está certa? Aí o pai suspirou e disse:

– Jamais saberemos...

O Rodrigo gostou da história, mas disse que, quando ninguém mais soubesse matemática e não pudesse pôr o Computador à prova, então não faria diferença se o Computador estava certo ou não, já que a sua resposta seria a única disponível e, portanto, a certa, mesmo que estivesse errada, e... Aí foi a vez da professora suspirar.







































De acordo com o texto, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central:
A questão exige interpretação de texto, abordando a capacidade do candidato de compreender o conteúdo explícito e implícito da narrativa de Luís Fernando Veríssimo, atento a detalhes, deduções e intenções do autor. Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), interpretar é identificar mensagens literais e subentendidas, além de reconhecer intencionalidades e ironias.

Justificativa da alternativa correta:
A alternativa A é a incorreta, pois afirma: “Segundo o texto, um dia, quando um filho perguntar ao pai quanto é dois mais dois, ele dirá quatro.” No texto, o pai NÃO responde “quatro” à pergunta. Ao contrário, orienta o filho a consultar o Supercomputador ("pergunte a Ele"). Mais adiante, só se chega à resposta certa ao contar nos dedos, num contexto de dúvida e dependência da máquina. Assim, a alternativa A está contrária ao que se lê efetivamente no enredo, pecando na fidelidade à narrativa/minúcia do texto.

Análise das alternativas incorretas:

B) Correta. O texto mostra mesmo uma narrativa criada por um adulto (a professora), que conta uma história inventada como estratégia para ensinar a importância da matemática. Isso está explícito logo no início do texto.

C) Correta. O texto revela crianças astutas e questionadoras, como na passagem em que Rodrigo sugere que, se ninguém souber matemática, a resposta da máquina passa a ser incontestável, mesmo se errada. Aqui há evidente crítica/reflexão, proposta pelo autor, sobre a inteligência e a perspicácia infantil diante da tecnologia.

D) Correta. A crônica realmente explora tanto a inocência quanto a sagacidade da criança. A inocência está na dúvida sobre como saber se o computador errou; a sagacidade, no raciocínio rápido acerca dos limites da dependência tecnológica.

Estratégias de leitura:
Sempre confira o trecho do texto ao julgar afirmações; busque palavras-chave que “entregam” o sentido ou intenção das falas, estando atento a possíveis inversões, exageros ou interpretações generalizadas. Nesta questão, a “pegadinha” está na alternativa A, que simplifica erroneamente o desfecho da história.

Resumo da regra:
A interpretação de texto, segundo Evanildo Bechara (Gramática Escolar da Língua Portuguesa), exige atenção aos fatos narrados e incoerências propostas nas alternativas.

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