Questões de Concurso
Sobre funções morfossintáticas da palavra que em português
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A responsabilidade dos CEOs pela cibersegurança.
Alberto Jorge | Especialista em segurança
cibernética e CEO da Trust Control |
21/05/2024
Um estudo realizado em 2023 pela revista Forbes consultou grandes executivos norte-americanos a respeito das políticas de segurança cibernética das suas respectivas companhias. De acordo com a pesquisa, 75% dos CEOs acreditam que a falta de conscientização sobre cibersegurança entre os colaboradores é o principal risco para a empresa. Esse resultado demonstra que há uma via de mão dupla quando se pensa nas estratégias corporativas para a segurança de dados - as responsabilidades que cabem aos gestores maiores e o papel a ser desempenhado pelos demais colaboradores.
No entanto1, pela relevância do cargo que ocupa, o CEO deve assumir a liderança na promoção da cultura de segurança cibernética, incorporando-a como parte central da estratégia de negócios.
Além disso2, as ações e palavras do CEO têm um impacto significativo no comportamento dos demais funcionários e colaboradores. Dessa forma, o líder deve demonstrar seu compromisso com a cibersegurança, o que se traduz em ações práticas, como a alocação de recursos adequados para iniciativas de proteção, investimento em treinamentos para os colaboradores e implementação de políticas rigorosas de segurança de dados.
Porém3, como evidencia o estudo feito pela revista Forbes, a responsabilidade pela proteção de dados da companhia não se limita aos gestores maiores na escala hierárquica: essa prática deve permear toda a organização, desde a alta gerência até os integrantes de gerências, departamentos e grupos de trabalho. Criar e participar ativamente de uma cultura de segurança cibernética é fundamental, conscientizando todos os usuários sobre os riscos e responsabilidades em relação à segurança da informação, promovendo a educação continuada e incentivando a comunicação aberta e imediata sobre possíveis incidentes.
Com esses parâmetros em pauta, a cibersegurança jamais será vista como custo adicional, mas um investimento estratégico que protege a empresa de perdas financeiras, danos à reputação e interrupções operacionais. Ao integrar a segurança cibernética à estratégia de negócios, o CEO demonstra a importância de proteger os ativos digitais da empresa[,] e os colaboradores, por sua vez, se sentem mais motivados a ajudar a preservar a confidencialidade das informações.
Glossário:
- CEO – presidente-executivo
JORGE, Alberto. A responsabilidade dos CEOs pela cibersegurança. Diário de Pernambuco, 21 de maio de 2024. Disponível em: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/ 2024/05/a-responsabilidade-dos-ceos-pelaciberseguranca.html. Acesso em: 23 mai. 2024.
Adaptado.
• – Os Sistemas Agroalimentares Alternativos surgiram nos anos 2000 e correspondem a diferentes iniciativas que se caracterizam por práticas agrícolas… – (2o parágrafo)
• – … os Sistemas Agroalimentares Alternativos propõem a construção social de um mercado orgânico agroecológico, que privilegia agricultores locais… – (4o parágrafo)
Os vocábulos em destaque podem ser, correta e respectivamente, substituídos por:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Ciência, um processo em que trabalhamos coletivamente para explorar o universo, expandindo nosso conhecimento, é por natureza uma prática colaborativa e mundial. Por isso, é importante para o bom cientista ter experiência internacional durante sua formação. Trabalhar em projetos científicos no exterior permite que o jovem cientista aprenda novas técnicas e novos modos de pensar. Trabalhar no exterior, e junto a diferentes grupos, também permite estabelecer amplas redes de contatos e colaborações, que propiciarão maior criatividade e avanço do conhecimento quando esses cientistas estabelecerem suas próprias linhas de pesquisa.
Por esses motivos, e pela importância que trabalhar fora do Brasil teve em minha formação, sempre incentivei os jovens cientistas a realizarem estágios internacionais. Sair do ninho faz com que amadureçam, juntamente com a ciência que produzem. E até recentemente não havia perda de cientistas com isso. Os números indicavam claramente que a grande maioria voltava ao país. Essa situação mudou bastante nos últimos anos, em que vi crescer o número de pesquisadores que decidiram ficar no exterior. Ocorre em todo o país uma diáspora científica.
(Alicia Kowaltowski. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/ para-repatriar-cerebros-respeite-os-cientistas-nacionais. Acesso em 09.07.2024. Adaptado)
Considere as seguintes passagens do texto.
• Ciência, um processo em que trabalhamos coletivamente... (1º parágrafo)
• ... vi crescer o número de pesquisadores que decidiram ficar no exterior. (2º parágrafo)
Os vocábulos destacados podem ser, correta e respectivamente, substituídos por:

Na produção da campanha, o autor empregou a oração “QUE SE CUIDA”. Essa oração expressa valor semântico de:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Calor humano
Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.
Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.
Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito.
Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.
E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.
“era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça.” 2º§” e “Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar.” 5º§
Sobre as palavras sublinhadas nessa frase, pode-se afirmar corretamente:
Mas não me deixe sentar na poltrona no dia
de domingo, domingo
Procurando novas drogas de aluguel
Nesse vídeo coagido
É pela paz que eu não quero seguir admitindo
O termo em destaque introduz uma ideia de
Sintaticamente, nesta frase, o termo destacado exerce a função de:


Deus foi tão criativo Que nos fez unicamente A beleza sem padrão Só nos torna mais valentes
A palavra “que” possui a classificação morfossintática de:
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.
Texto 01
Vale a pena superar barreiras
Rossandro Klinjev
Viver é, sem dúvida, um convite para uma viagem ao mais íntimo de nós mesmos. Enquanto planejamos roteiros fascinantes, buscamos paisagens dignas de milhares de curtidas ou degustamos sabores exóticos das Blue Zones, conhecidas por sua longevidade, descobrimos que nenhuma jornada é mais reveladora do que aquela que fazemos para dentro do nosso próprio ser. Nem mesmo a Odisseia de Dante ao centro da Terra rivaliza com o desafio de confrontar emoções escondidas, lágrimas não derramadas, dores sufocadas ou alegrias não celebradas.
Podemos ter um passaporte repleto de carimbos e um acúmulo impressionante de milhas aéreas, mas, se não explorarmos o território do nosso coração, permaneceremos estagnados. Nossas dores, sejam elas à vista ou parceladas, nos conduzem a caminhos de transformação e cura ou nos arrastam para ciclos de mágoa e arrependimento interminável. A escolha é nossa e, como canta Beto Guedes, “a lição já sabemos de cor, só nos resta aprender”.
Quando a dor chega, o desejo de desaparecer ou de sucumbir ao cansaço pode ser avassalador.
Porém, é importante lembrar que essa fase é transitória. Pode parecer insuperável, mas é apenas um trecho íngreme na estrada da vida. Se, mesmo dirigindo um carro, a subida é desafiante, imagine enfrentá-la a pé. É nesse momento que precisamos praticar a autocompaixão. Falar de auto-amor pode soar grandioso, mas talvez comece com gestos simples, como dormir um pouco mais, como nos lembra a canção “Amor de Índio”: “Lembra que o sono é sagrado e alimenta de horizontes o tempo acordado de viver.”
Então, sente-se à beira do caminho, respire fundo, entre numa pequena loja e compre um chocolate ou um sorvete, apenas para adoçar a vida. É hora de encontrar amigos, amores, familiares; de caminhar pelo bairro, ouvir sua música preferida ou se encontrar com o divino. Essas são artimanhas para provar a si mesmo que vale a pena superar mais uma barreira – aquela que reside dentro do coração –, ao descobrir que é capaz de seguir adiante e chegar ao fim da rua longa e íngreme. E, ao alcançar o topo, perceber quão gratificante é enfrentar novos desafios, compreendendo que nunca foi o caminho, mas como você o percebe.
Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/ vale-a-pena-superar-barreiras/. Acesso em: 20 set. 2024. Adaptado.
Considere a passagem do texto “Essas são artimanhas para provar a si mesmo que vale a pena superar mais uma barreira – aquela que reside dentro do coração –, ao descobrir que é capaz de seguir adiante e chegar ao fim da rua longa e íngreme.” para responder a esta questão.
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista a estrutura de composição dessa passagem.
I - O termo “que”, nas três ocorrências, foi usado como pronome relativo, já que retoma substantivos referidos anteriormente.
II - Os travessões foram usados para inserir um esclarecimento sobre o substantivo anteposto “barreira”.
III - O termo “que”, usado no trecho “aquela que reside dentro do coração”, é um pronome relativo, pois, como elemento de coesão, retoma o pronome substantivo “aquela”.
IV - O termo “que”, nos trechos “provar a si mesmo que vale a pena” e “ao descobrir que é capaz”, foram usados como conjunção integrante para inserir complementos oracionais.
V - O verbo “chegar” foi usado regido pela preposição “a”, a qual, de acordo com a norma, poderia ser substituída pela contração de preposição “no” (“em”+“o”).
Estão CORRETAS as afirmativas
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.
Texto 01
A sabedoria e a fragilidade do envelhecimento
O relógio da vida modela o corpo. As estações da natureza desenham seus ciclos. Com isso, nutrem-se de dias, semanas, meses e anos. E, quando menos esperamos, o envelhecimento se instala na pele, na altura, no peso, podendo influenciar a disposição do ser. Caminhar pela rua se confunde com perambular pelas memórias. Os passos ora pisam em nostalgias, ora em passados adormecidos.
O envelhecimento traz consigo um misto de sabedoria e fragilidade. As linhas no rosto são como marcas de batalhas vencidas, histórias contadas e vivências acumuladas. No entanto, junto com a experiência, vêm os problemas físicos e emocionais. A artrite, que dificulta o movimento, a memória, que falha em momentos cruciais, a visão, que já não é a mesma. E sobretudo o isolamento, que abate, numa sociedade que relega os velhos para segundo plano. Tudo isso nos lembra que, apesar de termos vivido tanto, o corpo humano é finito e frágil. [...]
Disponível em: https://vidasimples.co/longevidade/. Acesso em: 15 set. 2024. Adaptado.
Considere a seguinte passagem do texto “A artrite, que dificulta o movimento, a memória, que falha em momentos cruciais, a visão, que já não é a mesma.”
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista a estrutura de construção da passagem apresentada.
I. A palavra “que”, em todos os usos, é um elemento de coesão, pois retoma, na passagem, substantivos expressos anteriormente.
II. As vírgulas têm a função de separar as orações que inserem, na passagem, ideias com valor de explicação.
III. A palavra “que”, em todos os seus usos, classifica-se como conjunção, que insere, na passagem, ideia de causa.
IV. A palavra “que”, em todos os seus usos, pode ser substituída por “a qual” sem alteração de sentido da passagem.
V. As vírgulas foram usadas facultativamente e inserem, na passagem, orações com ideia de contraste.
Estão CORRETAS as afirmativas
Entrevistei há tempos, num almoço, importante empresário do setor de celulose, que, em certo momento, em meio a uma digressão sobre a beleza e a utilidade dessa ferramenta que levou a humanidade ao estágio de civilização que conhecemos, deu uma espécie de brado retumbante: “O papel nunca vai acabar!”.
Analise as afirmativas abaixo sobre o trecho, do ponto de vista coesivo.
1. A palavra que na primeira ocorrência (sublinhada) retoma o substantivo almoço e é classificada morfologicamente de conjunção integrante.
2. A expressão dessa ferramenta funciona como hiperônimo de celulose ou de papel.
3. A palavra que, na última ocorrência (sublinhada), retoma o substantivo humanidade e é morfologicamente pronome relativo.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Assinale a opção correta quanto à classe de palavras do vocábulo destacado.
I. Em: “Especial, pois desde o advento da economia mineradora – início do século XVIII – na região Sul (hoje correspondente ao Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste) o Norte (hoje as Regiões Norte e Nordeste) não fora o mesmo no campo político e econômico”, a conjunção “pois” introduz a causa das informações expostas anteriormente.
II. Em: “praças e ruas que outrora foram inspiração para muitos poetas locais e que hoje pouco de seu passado arquitetônico se encontra em preservação.”, o pronome relativo destacado, “que” substitui o trecho “praças e ruas”, evitando uma repetição desnecessária.
Marque a alternativa correta:
Assinale a opção correta quanto à classe de palavras do vocábulo destacado.
“Os caminhos por que trilhei foram muitos, e todos eles me apresentaram as mais diversas aventuras.”
A casa em que moro é própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia, há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga Rua de Mata-cavalos, dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra, que desapareceu.
(Dom Casmurro — Machado de Assis).
Sintaticamente, nesta frase, o termo destacado exerce a função de:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs
Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.
Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.
Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?
Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!
Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.
A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.
A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").
Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".
Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.
A tolerância às falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br
Assinale a alternativa que indique, correta e respectivamente, a classificação das ocorrências do QUE no período acima.