Questões de Concurso Sobre funções morfossintáticas da palavra que em português

Foram encontradas 2.632 questões

Q3283350 Português
Texto 1


Como cuidar da saúde do coração?

Por Sabin – Diagnóstico e Saúde


   As doenças cardíacas se referem a um grupo de doenças que afetam a saúde do coração. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardíacas são a principal causa de morte no mundo, representando um grave problema de saúde pública. Doenças do coração são consideradas multifatoriais, pois diversos fatores podem influenciar o seu desenvolvimento. Esses fatores incluem predisposição genética, obesidade, fatores ambientais e questões relacionadas a hábitos de vida e alimentação.

   O sedentarismo e o consumo de alimentos ricos em gorduras são um dos principais vilões para a saúde do coração. Dessa forma, fica evidente que cultivar uma rotina de vida saudável, incluindo atividades físicas e uma alimentação equilibrada, pode ajudar na prevenção de doenças cardíacas. É essencial conscientizar a população acerca dos riscos das doenças cardiovasculares.

[...]

   As doenças cardíacas englobam um grupo de distúrbios, como os ataques cardíacos (infarto), que podem afetar o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos que o irrigam. No entanto, existem outros tipos de doenças cardíacas.

[...]

   Mais conhecido como ataque cardíaco, o infarto agudo do miocárdio é causado pela falta ou redução da irrigação sanguínea em partes do músculo cardíaco. Isso compromete a chegada de nutrientes e oxigênio para as células do coração, levando à morte dessas células e danificando o tecido cardíaco.

   A causa mais comum do infarto é a doença arterial coronariana, ocasionada pelo bloqueio dos vasos sanguíneos que irrigam o coração, devido à formação e acúmulo de placas gordurosas nas paredes dos vasos, impedindo o fluxo sanguíneo. Essas placas são formadas a partir de vários fatores de risco cardiovascular, que “agridem” as paredes (endotélio) das artérias, iniciando um grandioso processo inflamatório de disfunção endotelial. As placas de “entupimento” são formadas, principalmente, por colesterol, e o acúmulo delas faz com que o interior das artérias se estreite ao longo do tempo, o que pode bloquear parcial ou totalmente o fluxo sanguíneo, em um processo chamado aterosclerose.

  Outros eventos também podem desencadear um infarto, como o deslocamento de coágulos (ou trombos) pela circulação. Os principais sintomas do infarto são: dor intensa no peito (também conhecida como angina); sensação de fraqueza, tontura ou desmaio; dor ou desconforto no braço esquerdo (ou ambos), ombros ou mandíbula. Além disso, podem ocorrer: cansaço súbito, falta de ar (dispneia), náuseas, vômitos ou dor na altura do estômago (epigástrio).

   Em casos de infarto, é muito importante reconhecer os sintomas e encaminhar o paciente o mais rápido possível para um serviço de saúde de emergência. O atraso (perda de tempo) pode resultar em maior perda de músculo cardíaco!

[...]


Adaptado de: https://blog.sabin.com.br/saude/como-cuidar-dasaude-do-coracao/. Acesso em: 30 jul. 2024. 




Texto 2





Adaptado de: https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/55091/OPASNMHMH210032_por.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 30 jul. 2024.
Analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).

I. Em “As placas de “entupimento” são formadas [...] por colesterol, e o acúmulo delas [...]” (Texto 1), “delas” pode ser substituída por “das mesmas” para preservar uma função anafórica, de modo a retomar “placas de entupimento”.

II. Em “[...] englobam um grupo de distúrbios [...] que podem afetar o funcionamento do coração [...]” (Texto 1), “que”, conjunção subordinativa consecutiva, liga a oração principal (englobam um grupo de distúrbios) à subordinada adverbial consecutiva (podem afetar o funcionamento do cérebro).

III. Em “Os principais sintomas do infarto são: [...]” (Texto 1), se houver o acréscimo da expressão “estes” antes do sinal de dois-pontos, a função catafórica em contexto de escrita será preservada.

IV. Em “Quanto maior o consumo médio de álcool [...]” (Texto 2), se houver o acréscimo do verbo “for” após “maior”, o sentido de gradação evidenciado pela conjunção subordinativa proporcional “Quanto” ficará comprometido.
Alternativas
Q3269349 Português

Leia o texto a seguir para responder à questao.


 Seu Afredo


    Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu criado...”) tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador. Como encerador, não ia muito lá das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava passeando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro. Mas, como linguista, cultor do vernáculo e aplicador de sutilezas gramaticais, seu Afredo estava sozinho.

    Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação pronominal. Um dia, numa fila de ônibus, minha mãe ficou ligeiramente ressabiada quando seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular:

    – Onde vais assim tão elegante?

    Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a fio, no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedantismos que já me foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à lide caseira, queixou-se do fatigante ramerrão do trabalho doméstico. Seu Afredo virou-se para ela e disse:

    – Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão.

    De outra feita, minha tia Graziela, recémchegada de fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado perto dela, esfregava cera no soalho. Seu Afredo nunca tinha visto minha tia mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e perguntou-lhe:

    – Cantas?

    Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo:

    – É, canto às vezes, de brincadeira…

    Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe, que lhe explicou o temperamento do nosso encerador:

    - Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito, não. É excesso de... gramática.

    Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou:

    – Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina, sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio com essa voz, tá redondamente enganada. Nem em programa de calouro!

    E, a seguir, ponderou:

    – Agora, piano é diferente. Pianista ela é!

     E acrescentou:

    – Eximinista pianista! 

    

MORAES, V. Seu Afredo. In: Para uma menina com uma flor. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 65-66.

Em “[...] porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador.”, a palavra “que” é empregada como um(a):
Alternativas
Q3268766 Português
Vilas olímpicas: transformação urbana ou gentrificação?



Internet:<www.brasildefato.com.br>  (com adaptações).
No último período do texto, “A parceria entre incorporadoras privadas e arquitetos resultou em uma nova área residencial próxima ao centro e à praia, que hoje abriga moradias, hotéis, bares, restaurantes, parques e outras áreas públicas” (linhas de 24 a 28), a palavra “que” funciona como um(a)
Alternativas
Q3264903 Português
Focar numa pegada com resiliência (Ruy Castro)
Mas só se você 'subir o sarrafo', for 'assertivo' e tiver uma visão 'imersiva' da coisa 

        Já reparou que, a todo momento, lê-se ou se escuta que alguém "bateu o martelo"? Um desavisado achará que, pela quantidade de gente que "bate o martelo", vivemos sob uma sinfonia de marteladas. Mas é claro que, ao "bater o martelo", o sujeito apenas se decidiu por isto ou aquilo. É um martelo simbólico. E quando se diz que fulano "apostou todas as suas fichas" em alguma coisa? Significa somente que o cidadão botou suas esperanças nessa alguma coisa. Não é como no tempo dos cassinos, em que se garantia que eles tinham uma sala dos suicidas, um lugar discreto onde o jogador que perdera de verdade suas últimas fichas podia dar um tiro no ouvido sem ser incomodado. "Apostar as fichas" sem meter a mão no bolso é mole. 

        E "subir o sarrafo"? Até há pouco, usava-se "baixar o sarrafo" — ou seja, dar uma surra em alguém. O sarrafo podia ser um porrete, uma vara, um relho, quem sabe até uma cadeira. Hoje, ao contrário, o normal é "subir o sarrafo", ou seja, estabelecer uma meta mais difícil do que a que se vinha praticando. O curioso é que, quando se "sobe o sarrafo" numa prova de salto em altura, e o atleta não consegue saltá-lo, o sarrafo cai lá de cima e ninguém diz que ele "baixou o sarrafo". [...]

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2024/10/focar numa-pegada-com-resiliencia.shtml. Acesso em 09/10/2024) 
Os pronomes relativos exercem função sintática nas orações a que pertencem. Assinale a alternativa que apresenta a função exercida pelo pronome relativo no trecho “em que se garantia” (1º§).  
Alternativas
Q3258966 Português



(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/tulio-milman/noticia/2024/08/modo-repouso-html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa na qual a palavra “que” tenha sido empregada como pronome relativo, introduzindo uma caracterização da palavra que a antecede.
Alternativas
Q3257662 Português

Uma em quatro pessoas já vive em países que atingiram pico populacional

As estimativas atualizadas da divisão de população das Nações Unidas aumentaram as chances de que o mundo chegue ao pico demográfico ainda neste século, um cenário ainda mais pronunciado de declínio agregado da população mundial.
As estimativas atualizadas da divisão de população das Nações Unidas aumentaram as chances de que o mundo chegue ao pico demográfico ainda neste século, um cenário ainda mais pronunciado de declínio agregado da população mundial.
A chance de que a humanidade atinja seu pico populacional ainda neste século e, em seguida, entre em um processo gradual de declínio ficou maior: a ONU fala em 80% de chances de que isso ocorra, contra 30% de probabilidade há dez anos.
Isso deve ocorrer em meados de 2080, quando seremos 10,3 bilhões. A partir daí, a humanidade deve entrar em declínio demográfico e terminar o século 21 com 10,2 bilhões − 700 milhões a menos do que o estimado há uma década.  
Os resultados das estimativas divulgados nesta quinta-feira (11) fazem parte das projeções anuais produzidas pela ONU desde 1950, calculadas com base nos censos nacionais e em estatísticas vitais de todos os países, além de centenas de pesquisas amostrais com representatividade nacional. As projeções tratam de informações gerais relativas aos grandes fatores que influenciam tamanho e composição das populações: natalidade, fecundidade, mortalidade, migração, idade média ao ter filhos, entre outros.
"O cenário demográfico evoluiu muito nos últimos anos. Em alguns países, a taxa de natalidade agora é ainda mais baixa do que anteriormente previsto, e também estamos vendo declínios ligeiramente mais rápidos em algumas regiões de alta fecundidade", diz Li Junhua, subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, em comunicado.
Um dos principais fatores foi a fecundidade ainda menor do que a estimada na China, que já vem há décadas em trajetória de redução das taxas de fecundidade e viu seu primeiro declínio populacional em 62 anos em 2022.
Foram 850 mil pessoas a menos no país em 2022, segundo dados oficiais, resultado de um número de mortes maior que o de nascimentos.
Um resultado divulgado pela ONU que reforça a tendência é o número de nascimentos por mulher, que registra uma criança a menos do que em 1990. São 2,3 filhos em média por mulher no mundo atualmente, em comparação a 3,3 em 1990.
Cerca de metade dos países registram taxas de fecundidade abaixo de 2,1 nascimentos por mulher, patamar que hipoteticamente manteria populações em tamanho constante a longo prazo em cenário em que não ocorre migração.
Há ainda países que experienciam taxas de fecundidade chamadas de ultrabaixas pela ONU, ou seja, abaixo de 1,4 nascimento por mulher, casos de China, Espanha, Itália e Coreia do Sul, por exemplo. Para os 24 países nesse patamar, segundo a organização, o retorno ao nível de reposição de 2,1 filhos por mulher nos próximos 30 anos é altamente improvável.
O impacto desse cenário demográfico já é sentido em termos econômicos, com discussões que vão da cultura ao mercado de trabalho, e também preocupa pelo efeito inercial na estrutura etária das populações. Isto é: décadas de baixas taxas de fecundidade resultam em décadas de populações proporcionalmente mais envelhecidas no presente e no futuro, que não conseguirão retomar em pouco tempo os níveis experimentados antes.
No momento de pico da população mundial no fim do século, as estimativas sugerem que a fatia da humanidade com 65 anos ou mais será maior do que a de pessoas com menos de 18 anos. A diferença nos extremos da estrutura etária acontecerá bem antes: em meados de 2030, pessoas com 80 anos ou mais serão mais numerosas do que os recém-nascidos (1 ano ou menos). 
 Para Li Junhua, da ONU, há um lado positivo nesse cenário de redução demográfica. "O pico mais cedo e mais baixo é um sinal esperançoso. Isso poderia significar pressões ambientais reduzidas dos impactos humanos devido a um consumo agregado menor", diz. Ele ressalta, por outro lado, que "um crescimento populacional mais lento não eliminará a necessidade de reduzir o impacto médio atribuível às atividades de cada pessoa".
 A Índia, que ultrapassou a China como país mais populoso do mundo e tem mais de 1,4 bilhão de habitantes, ainda tem uma janela de crescimento relativamente grande. Segundo as estimativas da ONU, o ano em que o país deve atingir seu pico populacional é 2062.
A migração deve seguir sendo um fator determinante para a composição demográfica dos países. Em 50 deles a imigração projetada será importante para atenuar o declínio populacional; por outro lado, 13 países com a fecundidade ultrabaixa devem sofrer com a emigração e aprofundar a redução de sua população.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

Um resultado divulgado pela ONU que reforça a tendência é o número de nascimentos por mulher, que registra uma criança a menos do que em 1990.

As ocorrências do QUE no período acima se classificam, respectivamente, como
Alternativas
Q3255435 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Comida é dinheiro vivo

Mineiro não joga comida fora. Sempre acredita que o resto pode ser usado de noite ou completar o próximo cardápio. É um ser feito de esperança. Mesmo que tenha apenas duas colheradas de um alimento, faz questão de guardar. Só se livra das migalhas, e com o coração apertado.

Geladeira de mineiro não é geladeira, mas um purgatório. Haverá a convivência de potes transparentes de diferentes dias, esperando o arremate final. Comida é dinheiro em Minas Gerais. É dinheiro vivo.

O zelo já começa com a fiscalização da refeição. Todos cuidam de todos, com um canto da mirada atenta às reações dos demais comensais.

Mãe e pai não admitem que o filho não limpe o seu prato. Mas limpar de verdade, a ponto de facilitar a vida para quem lavar as vasilhas. É uma ofensa se servir à toa. Cria-se na criança, desde cedo, uma consciência do tamanho do apetite. Não se brinca com a fome. Se esnobar uma vez pode faltar depois.

Existe o compromisso social no ato de repetir, não devendo jamais acrescentar algo que não conseguirá terminar. Aqui não se come com os olhos, mas a partir do senso de responsabilidade.

Em caso de viagem da família, o extra não vai para o lixo − a lixeira mal conhece os resíduos orgânicos. Prepara-se uma marmita ao porteiro do prédio ou ao porteiro do prédio vizinho ou a algum segurança do bairro. O povo de casa não se aquietará até encontrar alguém para levar a comidinha. Se acha que quando cai comida no chão, da boca ou do garfo, é sinal de parente passando necessidade, pense na gravidade do ato intencional de colocar fora? Será uma maldição de penúria para três gerações de sua árvore genealógica.

Nos restaurantes, a superstição mantém a escrita. A diferença é que, comendo na rua, o mineiro prefere que falte boia do que sobre. Nem é avareza, é desconfiança de que a porção para um dará para dois. Mineiro acha que o garçom está mentindo ou exagerando quando avisa que a porção é para só uma pessoa. Decide pagar para ver, e acaba tendo que completar. Nunca deixa à mesa porque sempre tem um pedido feito atrasado. Aliás, a porção para uma pessoa é, na verdade, para uma pessoa e meia.

Para se vingar da matemática injusta dos estabelecimentos, carregará tudo o que permanecer sobre a mesa, é capaz de reivindicar o embrulho de uma folha de alface, de uma azeitona, de quatro palitos de batata frita, porém não deixa nada de nada para contar a história. Apesar do gosto extravagante do pacote, como desculpa, alegará que é para o cachorro.


Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/comida-e-dinheiro-vivo-1.2223796 
Analise as funções desempenhadas pela palavra "que" na frase: "Sempre acredita que o resto pode ser usado de noite ou completar o próximo cardápio" e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3253427 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Comida é dinheiro vivo


Mineiro não joga comida fora. Sempre acredita que o resto pode ser usado de noite ou completar o próximo cardápio. É um ser feito de esperança. Mesmo que tenha apenas duas colheradas de um alimento, faz questão de guardar. Só se livra das migalhas, e com o coração apertado.

Geladeira de mineiro não é geladeira, mas um purgatório. Haverá a convivência de potes transparentes de diferentes dias, esperando o arremate final. Comida é dinheiro em Minas Gerais. É dinheiro vivo.

Mãe e pai não admitem que o filho não limpe o seu prato. Mas limpar de verdade, a ponto de facilitar a vida para quem lavar as vasilhas. É uma ofensa se servir à toa. Cria-se na criança, desde cedo, uma consciência do tamanho do apetite. Não se brinca com a fome. Se esnobar uma vez pode faltar depois.

Existe o compromisso social no ato de repetir, não devendo jamais acrescentar algo que não conseguirá terminar. Aqui não se come com os olhos, mas a partir do senso de responsabilidade.
O zelo já começa com a fiscalização da refeição. Todos cuidam de todos, com um canto da mirada atenta às reações dos demais comensais.

Em caso de viagem da família, o extra não vai para o lixo − a lixeira mal conhece os resíduos orgânicos. Prepara-se uma marmita ao porteiro do prédio ou ao porteiro do prédio vizinho ou a algum segurança do bairro. O povo de casa não se aquietará até encontrar alguém para levar a comidinha. Se acha que quando cai comida no chão, da boca ou do garfo, é sinal de parente passando necessidade, pense na gravidade do ato intencional de colocar fora? Será uma maldição de penúria para três gerações de sua árvore genealógica.

Nos restaurantes, a superstição mantém a escrita. A diferença é que, comendo na rua, o mineiro prefere que falte boia do que sobre. Nem é avareza, é desconfiança de que a porção para um dará para dois. Mineiro acha que o garçom está mentindo ou exagerando quando avisa que a porção é para só uma pessoa. Decide pagar para ver, e acaba tendo que completar. Nunca deixa à mesa porque sempre tem um pedido feito atrasado. Aliás, a porção para uma pessoa é, na verdade, para uma pessoa e meia.

Para se vingar da matemática injusta dos estabelecimentos, carregará tudo o que permanecer sobre a mesa, é capaz de reivindicar o embrulho de uma folha de alface, de uma azeitona, de quatro palitos de batata frita, porém não deixa nada de nada para contar a história. Apesar do gosto extravagante do pacote, como desculpa, alegará que é para o cachorro.


Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/comida-e-dinheir o-vivo-1.2223796 
Analise as funções desempenhadas pela palavra "que" na frase: "Sempre acredita que o resto pode ser usado de noite ou completar o próximo cardápio" e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3252986 Português
Foi nesse momento que os Estados Unidos e os demais países ricos fizeram a “virada neoliberal” e perceberam que as instituições eram uma forma muito mais cômoda de explicar o atraso da periferia. (L.27-29)

A palavra QUE, em destaque no período acima, classifica-se nele como 
Alternativas
Q3252849 Português
A bênção infindável

Os mineiros têm um cuidado especial com seus pais. Nunca os deixam a sós com suas lembranças. Levam-nos para jantar, festas e praças, com orgulho do carinho público no braço dado e no beijo na cabeça grisalha. Aqui, não há idade para sair. Os idosos seguem frequentando bares e shows, enquanto há vida e esperança.

Ser adulto em Minas não significa deixar de ser filho. Os mineiros cedem espaço ao passado, envaidecidos por ajudar. Estão presentes até o último suspiro dos pais, traduzindo suas últimas palavras como tradutores da transcendência. E, mesmo após a partida, os filhos mineiros não se despedem de imediato; choram ao longo dos anos, com lágrimas que saciam a saudade.

As casas mineiras guardam relíquias familiares − móveis, quadros, livros − como um museu de amor. Mais que decoração, esses objetos carregam a alma da família. Nada é descartado: um radinho, um relógio parado, pratos de porcelana, ou uma cadeira de varanda. Tudo mantém viva a memória.

Para os mineiros, o passado é uma bênção. A cidade natal não é só onde nasceram, mas onde repousam os mortos. É comum desejar ser enterrado junto aos pais, sangue do mesmo sangue, no interior, perpetuando o laço familiar.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/a-bencao-infinda vel-1.2229260
Na frase "E, mesmo após a partida, os filhos mineiros não se despedem de imediato; choram ao longo dos anos, com lágrimas que saciam a saudade.", o termo "que" exerce qual função?
Alternativas
Q3252814 Português
Tudo joia?

Em Minas Gerais, cumprimentar é mais que educação, é um código de conduta. Não importa o humor ou as circunstâncias; deixar de saudar alguém é uma ofensa grave. Desejar bom dia, boa tarde ou boa noite, olhando nos olhos, é indispensável. Mineiros não economizam nas palavras; gostam de pronunciar com ênfase, quase como no Gênesis, celebrando o início de cada encontro.

Na capital mineira, os cumprimentos se dividem em três grupos. O "Tudo bom?" é prático e direto, típico de quem está com pressa e prefere evitar longas interações. Já o "Beleza?"é descontraído e reflete uma vida leve, com foco no prazer e na arte, geralmente usado pelos descolados e amantes de uma rotina essencial.

O "Tudo joia?", por sua vez, é o mais popular, remetendo à tradição mineradora e ao valor das pepitas de ouro. Esse cumprimento é carregado de afeto e intimidade. Quem o utiliza prioriza os laços familiares, valoriza as histórias e adora prolongar as conversas, mesmo com infinitas saideiras. Para o mineiro do "Tudo joia?", falar com alguém é a verdadeira riqueza da vida. E você, qual deles é o seu?

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/tudo-joia-1.2220 508
Analise as frases abaixo e identifique aquela onde o "que" é utilizado como conjunção integrante.
Alternativas
Q3252735 Português
Os mineiros são invencíveis em festa de casamento

Quando organizei meu casamento em Belo Horizonte, o choque cultural foi imediato: eu, gaúcho, e ela, mineira, tínhamos duas tradições muito diferentes para festas de casamento. Como os convidados estavam divididos entre os dois Estados, tivemos que escolher um único modelo.

O dilema não era escolher padrinhos ou organizar os assentos no salão, mas definir a sequência da festa. No Rio Grande do Sul, o bufê é servido no início, para que as pessoas comam antes de beber e evitem exageros. Já em Minas, a comida é servida no final, como o auge da celebração.

Travei um debate com minha noiva. Argumentei que os mais velhos precisavam comer cedo para não passarem mal. Ela discordou, dizendo que isso deixaria os convidados sonolentos e a festa terminaria antes do tempo.

Beatriz explicou com convicção: em Minas, até os mais velhos lideram a dança e ninguém abandona a festa cedo. A música abre a recepção, e a comida só aparece no final, quando os mineiros "ressuscitam" e renovam a energia. Além disso, mineiros felizes comem por três e repetem o prato várias vezes, garantindo que a festa tenha um segundo pico à meia-noite.

Cedi, é claro. E ela estava certa: nenhum mineiro caiu de bêbado ou foi embora antes do fim. Às 4h30 da manhã, eles ainda estavam dançando, contrariados por terem que sair. Enquanto isso, meus amigos gaúchos não resistiram: seis deles estavam abraçados ao vaso sanitário, já sonhando com o voo de volta.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/os-mineiros-sao-i nvenciveis-em-festa-de-casamento-1.2226330 
No trecho " Ela discordou, dizendo que isso deixaria os convidados sonolentos e a festa terminaria antes do tempo" o termo "que" desempenha, neste contexto, uma função gramática específica. Assinale a alternativa que identifica corretamente essa função na frase em estudo.
Alternativas
Q3249476 Português
A Flor e a Náusea



Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?


Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre,
o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse


Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.
(...)


Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
(...)



(ANDRADE, Carlos Drummond de. A Rosa do Povo. 1ª
ed. — São Paulo: Companhia das Letras, 2012. )
No trecho "As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.", identifique a função da palavra "que". 
Alternativas
Q3235769 Português
Mancha de poluição no Tietê atinge 207 km


A mancha de poluição no Rio Tietê aumentou 47 km entre 2023 e 2024, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica. Agora já são 207 km de rio poluído, a maior extensão desde 2012, quando a mancha chegou a 240 km. No ano passado era de 160 km, o que dá um aumento de 29%. A qualidade da água foi monitorada em 576 km do rio, da nascente, em Salesópolis, Grande São Paulo, até Barra Bonita, no interior. A extensão total do rio é de 1.100 km. A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natalia Resende, disse ao Estadão que a piora na condição de rios como o Tietê já era esperada por causa da estiagem prolongada que afetou o Estado e todo o País. "Tivemos diminuição nos volumes de água, o que traz menos oxigenação, menos movimentação da água e maior concentração de nutrientes e esgoto na água", afirmou a secretária. A aposta do governo para reverter esse quadro, disse ela, é o programa Integra Tietê, lançado no ano passado, com o objetivo de, até 2029, ter R$ 23 bilhões investidos na ampliação da rede de saneamento básico, desassoreamento, melhorias no monitoramento da qualidade da água, recuperação de fauna e flora, entre outras medidas. O programa prevê a universalização do saneamento - toda a população atendida com água e esgoto até 2029.


José Maria Tomazela

Jornal O Estado de São Paulo, 21 de setembro de 2024.
Algumas palavras da língua portuguesa podem pertencer a diferentes classes gramaticais, dependendo do contexto em que são empregadas. É o que ocorre com a forma "que". No texto em análise temos o trecho "A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natalia Resende, disse ao Estadão que a piora na condição de rios como o Tietê já era esperada por causa da estiagem prolongada que afetou o Estado e todo o País."
Neste trecho, as duas ocorrências da forma "que" se classificam, respectivamente, como
Alternativas
Q3233548 Português
Por que Amazônia virou 'barril de pólvora' e queimadas batem recordes


Depois do Pantanal e do Cerrado, a Amazônia também bate recorde de queimadas no primeiro semestre deste ano.

Até domingo (07/07), foram detectados pelo Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 14.250 focos de calor no bioma. É o maior número em duas décadas para o primeiro semestre, e um aumento de 60% em relação ao mesmo período do ano passado.

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, explica que os focos de calor geram um alerta, mas, para mensurar o estrago, é preciso saber o tamanho da área queimada. 

Ainda assim, alguns Estados estão sob alerta maior. Roraima, de acordo com Agostinho, é o que se encontra em situação mais crítica dentro do bioma amazônico hoje.

Das detecções de fogo por satélites, 33% estão ali, ou 4.627 focos, o maior número desde o início da série histórica medida pelo Inpe, em 1998.

“A temporada seca lá ocorre em novembro e dezembro, mas se arrastou até março deste ano”, explica o presidente do Ibama.

Na mesma esteira, o Mato Grosso, que abriga os biomas da Amazônia, Cerrado e Pantanal, apresentou o maior número de focos de incêndio de todo o país, batendo um recorde de vinte anos.

A Secretaria do Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema-MT) afirmou em nota que "o Estado sofre com estiagem severa e baixa umidade desde o fim do ano passado e, com isso, o material orgânico seco oriundo da vegetação se acumula, o que tem facilitado a combustão". A secretaria também apontou que o governo do Estado investe, neste ano, R$ 74 milhões na execução do Plano de Ação de Combate ao Desmatamento Ilegal e Incêndios Florestais.

A capacitação de brigadistas e bombeiros, monitoramento em tempo real dos focos de queimadas, a construção de açudes e perfurações de poços, assim como a substituição de pontes de madeira por concreto, são parte das ações do plano. A BBC News Brasil procurou também a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (FEMARH) de Roraima, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.

Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), explica que o déficit hídrico do ano passado no bioma junto à antecipação da estação seca ocorrida neste ano deixaram a vegetação muito inflamável.

"Passei por algumas regiões do Mato Grosso recentemente e pude perceber que a vegetação já formou aquela cama de folhas secas no chão, algo que costuma ocorrer no final de julho, início de agosto", explica Alencar.

"A região de Santarém [no Pará] também. E ali começa a secar geralmente em setembro, outubro".

Diante do cenário de antecipação da seca, Agostinho afirma que as operações para o segundo semestre estão sendo intensificadas.

No caso da Amazônia, de acordo com o presidente do Ibama, as ações serão voltadas principalmente para o cinturão do desmatamento, "onde a área degradada é propícia para os incêndios".

O cinturão (ou arco) do desmatamento é o nome dado a uma extensão de cerca de 500 km2 de terras que vão desde o leste e o sul do Pará em direção a oeste, passando pelo Mato Grosso, Rondônia e Acre.

É nesta região onde ocorre a maioria dos desmatamentos na Amazônia.

O governo federal anunciou na semana passada uma queda de 38% no desmatamento da Amazônia no primeiro semestre deste ano.

Entre 2022 e 2023, a redução havia sido ainda mais significativa, de 50%, segundo dados oficiais.

Ao fazer o anúncio, na quarta-feira (4/7), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), disse ter “esperança” de chegar ao desmatamento zero no bioma até 2030, uma promessa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A preservação da floresta é fundamental para mitigar os estragos causados pelo fogo, de acordo com Ane Alencar.

“Percebemos que, onde houve a redução do desmatamento também houve queda nas queimadas e nos incêndios no ano passado”, diz a diretora do Ipam. “Ainda bem que houve um esforço forte para reduzir o desmatamento no ano passado. Essa redução impediu que a área afetada por incêndios fosse muito maior.” 

Além das questões climáticas, que podem ser incontroláveis, mas já podem ser, em grande parte, previstas, o desmatamento é considerado pelos ambientalistas peça fundamental para o alastramento do fogo.

“Quando alguém derruba uma floresta, na sequência põe fogo”, diz Agostinho. “Mas, muitas vezes, o sujeito derruba 100 hectares, põe fogo, mas o fogo se alastra e queima outros 500 hectares.”

Além disso, a área desmatada, muitas vezes, é uma terra pública, o que dificulta a identificação e punição dos responsáveis do local, segundo o presidente do Ibama A relação do El Niño com o fogo.

No ano passado, a Amazônia sofreu uma seca histórica, em decorrência das mudanças climáticas em um ano de El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal e persistente das águas do Pacífico na linha do Equador.

“A mudança na temperatura do oceano Pacífico Equatorial acarreta efeitos globais nos padrões de circulação atmosférica, transporte de umidade, temperatura e precipitação”, disse o Inpe em um comunicado.

Ou seja, seus impactos são diferentes para cada região do país: no Rio Grande do Sul, causou altos volumes de chuva. Na Amazônia, foi o contrário. “É importante destacar que não tivemos só o El Niño”, lembra Alencar.

“O El Niño foi potencializado por uma onda de aquecimento do globo que também impactou o oceano Atlântico e potencializou seus efeitos.”

Neste cenário, a seca do ano passado já havia deixado a região vulnerável aos incêndios. Em 2023, o bioma perdeu para o fogo uma área de extensão pouco maior que Portugal. No total, foram queimados 10,7 milhões de hectares, um aumento de 35% em relação a 2022, de acordo com os dados da plataforma do Inpe.

A  Agência Nacional Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos previa que o El Niño terminaria em junho deste ano, já que, normalmente, o fenômeno dura entre 9 e 12 meses.

 Suas consequências, no entanto, devem se estender na Amazônia, já que ele termina quando a estação seca, de fato, deveria começar. Alencar lembra que, embora a mistura das mudanças climáticas com o El Niño contribuam para a condição de um solo altamente inflamável, a Amazônia não é um bioma que queima naturalmente.

“A resposta do fogo, principalmente na Amazônia, onde o fogo deveria ser algo raro, deve-se a uma fonte de ignição primordialmente humana”, explica.

“E, para combatê-la é preciso estabelecer uma estratégia de comando e controle, com operações conjuntas de vários órgãos, instituições, e multas e responsabilizações cada vez mais sofisticadas."

Crime ambiental.

De acordo com o Código Florestal, o uso do fogo é permitido em situações bem específicas.

Dentre elas, estão a agricultura de subsistência exercida por populações tradicionais e indígenas, as atividades de pesquisas científicas ou de produção e manejo em atividades agropastoris ou florestais.

Neste caso, a prática é chamada de queima controlada e requer autorização prévia, além de exigir uma série de requisitos, como a delimitação da área que será queimada e do acompanhamento por uma equipe treinada.

Cabe aos Estados emitir a autorização e, se necessário, determinar um período proibitivo para a prática, considerando fatores que favorecem a disseminação do fogo, como umidade do ar, temperatura e ventos.

No Mato Grosso do Sul, por exemplo, onde está presente 65% do Pantanal, as queimas controladas estão proibidas desde o início de junho.

Por meio de uma portaria, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), vinculado ao governo estadual, tornou sem efeito todas as autorizações emitidas e ainda não executadas para queima controlada. 

A tramitação de processos de licenciamento e a emissão de novas autorizações do gênero também foram suspensas.

Já o incêndio florestal é caracterizado pelo fogo descontrolado que avança sobre qualquer forma de vegetação e pode resultar em autuações, caso os responsáveis sejam identificados.

De acordo com a Lei dos Crimes Ambientais, as queimadas e incêndios florestais podem render uma multa de até R$ 7,5 mil por hectare queimado e até seis anos de prisão.

Além de conter o fogo, identificar os criminosos é um ponto nevrálgico da crise que se instalou no Pantanal. O bioma tem enfrentado incêndios em proporções recordes nos últimos anos, incluindo em 2024. De acordo com o presidente do Ibama, ao menos 5% do bioma foi queimado até o momento, em um ano de seca e incêndios históricos.

Na semana passada, o Ministério Público do Mato Grosso do Sul anunciou que doze fazendeiros são alvo de um inquérito por serem proprietários de imóveis rurais onde podem ter iniciado focos de incêndio no Pantanal.

"Mas identificar os agentes causadores de um incêndio é muito difícil", reconhece Agostinho.

Isso porque, como apontam especialistas, é preciso identificar onde o incêndio teve início e o responsável por aquela terra que, muitas vezes, é pública e está sendo ilegalmente ocupada.

"Esse tipo de desmatamento [com fogo], feito com base na ilegalidade, na exploração de recursos, é muito mais difícil de combater", completa Ane Alencar. Entre 2019 e 2021, mais da metade (51%) do desmatamento da Amazônia ocorreu em terras públicas, as chamadas Florestas Públicas não Destinadas (FPNDs).

São áreas que ainda aguardam destinação do Estado para conservação ou uso sustentável.

Os números foram levantados pelo Projeto Amazônia 2030, uma iniciativa do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, do Centro de Empreendedorismo da Amazônia, da Climate Policy Initiative (CPI) e do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio.

Por isso, as mudanças climáticas, o El Niño e a criminalidade tornam a Amazônia um lugar bastante propício a incêndios neste momento.

"A Amazônia está um barril de pólvora por causa da seca, politicamente em alvoroço por causa das eleições municipais e, além disso, está dominada pelo crime", resume Alencar.

"Os esforços e as etratégias para combater o desmatamento, portanto, têm que ser muito mais inovadores do que antes".

Para Agostinho, o incêndio ainda é tratado como um crime de menor potencial ofensivo. "Precisamos aperfeiçoar isso", diz.

Ele aponta a obrigatoriedade de brigadas próprias de combate imediato nas propriedades em áreas sensíveis, revisão de atos normativos, preparo da comunidade para uma pronta resposta e maior controle dos Estados como parte desse aperfeiçoamento.

Para Ane Alencar, do Ipam, além de seguir com a redução do desmatamento, diminuir o uso de fogo e controlar mais as queimadas são medidas que deveriam ser tomadas imediatamente.


(https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2x0dgjyl7 4o)
Em "É o maior número em duas décadas para o primeiro semestre, e um aumento de 60% em relação ao mesmo período do ano passado", a palavra "que" está ausente. Considerando seu possível uso, a palavra "que" exerceria a função de:
Alternativas
Q3233200 Português
A urgente necessidade de aumentar a resiliência cibernética do Brasil


        Nos últimos anos, o Brasil e o mundo têm enfrentado desafios significativos no que diz respeito à segurança cibernética, com ataques frequentes que expõem a premente necessidade de construirmos uma cultura de segurança no ambiente digital. A recente violação ao sistema de pagamentos da União (Sistema Integrado de Administração Financeira — Siafi), cujas suspeitas indicam que houve roubo e uso indevido de credenciais de servidores públicos, resultou no desvio de R$ 3,5 milhões em recursos da União, estimativa atual do governo, e é um dos casos que reforçam a importância de acelerar a implementação de uma política nacional de cibersegurança.

        Essa política deve não apenas estabelecer normas e regulamentações robustas para proteger os sistemas nacionais mas também garantir a construção de uma cultura nacional de proteção no ciberespaço e a rápida atualização das estratégias de defesa em resposta às ameaças emergentes. A resiliência cibernética do Brasil, no cenário digital, depende da capacidade de o país proteger suas infraestruturas críticas e dados sensíveis, como os que foram utilizados nessa violação, contra invasores mal-intencionados.

      Nesse contexto complexo, a atuação da sociedade civil organizada e dos setores produtivos é de extrema relevância, devendo colaborar estreitamente com o Estado em relação às principais demandas deste bem como às preocupações dos cidadãos e dos mais diversos segmentos da economia. A principal colaboração, neste momento, deve se concentrar em garantir insumos ao desenvolvimento da Estratégia Nacional de Cibersegurança. Esse trabalho está sendo realizado pelo Comitê Nacional de Cibersegurança, sob a coordenação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI).

     Essa prática, que países como EUA, Reino Unido e, mais recentemente, Chile já implementaram, visa fornecer um panorama detalhado dos desafios e das necessidades relacionados à segurança cibernética com olhar multissetorial e sistêmico bem como prioridades e medidas para atendê-los. O objetivo é assegurar que esse documento seja um verdadeiro compromisso nacional abrangente e alinhado com as necessidades reais do país, tanto nos aspectos econômicos e de segurança quanto no aspecto social, uma vez que todos esses ataques têm influência direta sobre os cidadãos.

      Além disso, a relevância do GSI e os investimentos realizados para o fortalecimento da ação da Polícia Federal (PF) são inquestionáveis. O GSI desempenha um papel crucial na coordenação das ações de defesa cibernética em nível nacional, enquanto a PF, com o trabalho imprescindível de investigação, necessita de recursos adicionais (e não de cortes) para expandir sua capacidade tecnológica e operacional. Investir na infraestrutura, capacitação e ferramentas necessárias para essas instituições é essencial para que possam, efetivamente, educar, prevenir, identificar e responder a incidentes cibernéticos.

     A proteção no espaço digital não é apenas uma questão tecnológica, mas, sim, de segurança aos ativos nacionais. O Brasil, ao fortalecer sua infraestrutura cibernética e criar políticas eficazes, não apenas aumenta a própria resiliência mas também contribui para a estabilidade e a busca da segurança global no combate aos cibercriminosos. Portanto, é imperativo que haja um compromisso contínuo e reforçado do governo e de toda a sociedade para enfrentar esses desafios com a seriedade e a urgência que eles requerem.

    Ao considerar o futuro da cibersegurança no Brasil, é fundamental que todas as medidas sejam tomadas não apenas reativamente, mas, principalmente, proativamente. Se queremos vencer essa batalha, precisamos estar sempre um passo à frente dos criminosos cibernéticos, com políticas e práticas que se adaptam, rapidamente, às novas tecnologias e aos métodos de ataque. Para tanto, devemos atuar na construção de uma cultura nacional nesse tema, com a implementação efetiva de uma política de cibersegurança. Só assim, o Brasil poderá assegurar a integridade de sua infraestrutura crítica e a proteção de seus cidadãos no ambiente digital. 

Disponível em: https ://www.correiobraz iliense.com.br. Aces so em: 07 maio 2024. [Adaptado] 
A recente violação ao sistema de pagamentos da União (Sistema Integrado de Administração Financeira — Siafi), cujas suspeitas indicam que[1] houve roubo e uso indevido de credenciais de servidores públicos, resultou no desvio de R$ 3,5 milhões em recursos da União, estimativa atual do governo, e é um dos casos que[2] reforçam a importância de acelerar a implementação de uma política nacional de cibersegurança.


No período,
Alternativas
Q3225744 Português
   Ninguém deveria ser obrigado a gostar de ler. Que cada um seja livre para preferir os trabalhos manuais, os esportes ou o pôquer à leitura e à escrita. Todavia, a apropriação da cultura escrita é desejável por pelo menos três motivos.

   O primeiro é que não estamos mais no tempo em que as exigências técnicas, requeridas por inúmeras tarefas, eram transmitidas pela imitação gestual, e não por uma explicitação verbal. Ser inábil com a escrita é hoje uma pesada desvantagem em uma grande quantidade de setores. E com a aceleração das mudanças pelas quais passamos, cada um, ao longo da vida, será sem dúvida chamado a exercer sucessivamente diversas profissões. A familiaridade com a escrita é um fator decisivo do devir social e, antes disso, do destino escolar, que condiciona em boa parte esse devir. Stéphane Beaud mostrou como a hostilidade diante da leitura, que muitos meninos manifestam, é prejudicial para o seu percurso escolar, e depois universitário. Ele observa que o bloqueio dos meninos em relação à leitura é uma questão fundamental, que condiciona não só o seu acesso aos estudos, mas também a sua relação com a política.

   Com efeito, é muito mais difícil ter voz ativa no espaço público quando se é inábil no uso da cultura escrita, e essa é a segunda razão pela qual ninguém deveria ser excluído dela. Ter familiaridade com a leitura, assim como com a escrita, não é suficiente e não garante nada, mas quem está distante dela corre todos os riscos de ficar fora do jogo. No momento em que a visibilidade midiática, os signos exteriores de riqueza, a cultura técnica ou o desempenho esportivo parecem prevalecer sobre os valores literários, o poder permanece, o que quer que digam, ligado à escrita. Se o atual presidente da república francesa se exibe muito mais em parques de diversões ou com cantores populares do que em livrarias, contrariamente a diversos de seus predecessores, é em uma biblioteca, ante os livros, que ele posa para a fotografia oficial. E, no cotidiano, ele se aconselha com homens de letras.

   O terceiro motivo é que o recurso à cultura escrita permite não apenas aceder ao campo do saber e da informação, mas ainda lançar mão das imensas reservas da literatura, sob todas as suas formas, cuja riqueza é indubitavelmente sem igual para que o ser humano possa se construir ou se reconstruir na adversidade. Certamente, não é o único meio e, em muitos casos, não é um recurso suficiente. Entretanto, somos seres de linguagem e seres de narrativas, e estas possuem um valor reparador.


(Michèle Petit. A arte de ler ou como resistir à adversidade, 2021. Adaptado)

Considere os seguintes trechos do 2º parágrafo.


•  ... com a aceleração das mudanças pelas quais passamos...

•  ... a hostilidade diante da leitura, que muitos meninos manifestam...


As expressões destacadas podem ser substituídas, correta e respectivamente, por: 

Alternativas
Q3225433 Português
Considere os seguintes trechos do 2º parágrafo.

•  ... com a aceleração das mudanças pelas quais passamos...
•  ... a hostilidade diante da leitura, que muitos meninos manifestam...

As expressões destacadas podem ser substituídas, correta e respectivamente, por:
Alternativas
Q3204129 Português

A reportagem a seguir se refere à questão.


POR QUE AS VACINAS CONTRA MPOX SÓ ESTÃO CHEGANDO AGORA NA ÁFRICA?


REUTERS

25/08/2024 – 11:03



As primeiras 10 mil vacinas para mpox deverão finalmente chegar na semana que vem na África, onde uma nova e perigosa estirpe do vírus – que afeta as pessoas há décadas – está causando um alarme global.

A lenta chegada das vacinas – que já foram disponibilizadas em mais de 70 países fora de África – mostrou que as lições aprendidas com a pandemia da Covid-19 sobre as desigualdades globais nos cuidados de saúde têm demorado a trazer mudanças, disseram autoridades de saúde pública e cientistas.

Entre os obstáculos está a demora da Organização Mundial da Saúde (OMS) em iniciar oficialmente o processo necessário para dar aos países pobres acesso fácil a grandes quantidades de vacinas através de agências internacionais, o que só aconteceu este mês.

Autoridades e cientistas disseram à Reuters que isso poderia ter começado anos atrás.

A mpox é uma infecção potencialmente mortal que causa sintomas semelhantes aos da gripe, além de lesões com pus que se espalham por contato físico. Em 14 de agosto, a OMS declarou a mpox uma emergência de saúde global depois que a nova cepa, conhecida como clado Ib, começou a se proliferar da República Democrática do Congo para os países africanos vizinhos.

Em resposta às perguntas da Reuters sobre os atrasos na distribuição da vacina, a agência de saúde da ONU disse na sexta-feira que iria flexibilizar alguns dos seus procedimentos neste caso, num esforço para acelerar o acesso dos países pobres às vacinas mpox.

A compra direta de vacinas caras é inviável para muitos países de baixa renda. Existem duas injeções principais de mpox, feitas pela Bavarian Nordic, da Dinamarca, e pela KM Biologics, do Japão. A Nordic Bavarian custa US$ 100 a dose e o preço da KM Biologics é desconhecido.

A longa espera pela aprovação da OMS para que as agências internacionais comprem e distribuam a vacina forçou os governos africanos individuais e a agência de saúde pública do continente – os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) – a solicitarem doações de vacinas aos países ricos. Esse processo complicado pode entrar em colapso, como já aconteceu antes, se os doadores sentirem que devem manter a vacina para proteger o seu próprio povo.


[...]


Fonte: REUTERS. Por que as vacinas contra mpox só estão chegando agora na África? Revista IstoÉ, 25 ago. 2024. Disponível em: https://istoe.com.br/por-que-as-Revista IstoÉ vacinas-contra-mpox-so-estao-chegando-agora-na-africa/. Acesso em: 27 ago. 2024. Adaptado.

Considere as seguintes afirmativas sobre o trecho da reportagem.


A lenta chegada das vacinas – que já foram disponibilizadas em mais de 70 países fora de África – mostrou que as lições aprendidas com a pandemia da Covid-19 sobre as desigualdades globais nos cuidados de saúde têm demorado a trazer mudanças, [...].


I- A palavra que exerce a mesma função sintática nas duas ocorrências.


II- Em sua primeira ocorrência, a palavra que se classifica como um pronome relativo.


III- Em sua segunda ocorrência, a palavra que se classifica como uma conjunção integrante.


IV- A oração entre hífens é subordinada adverbial causal.



É CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Q3193919 Português

De acordo com a frase a seguir, assinale a alternativa onde se encontra a correta classificação da palavra destacada.


“A menina que ganhou o prêmio ficou muito feliz.”

Alternativas
Respostas
941: D
942: D
943: C
944: B
945: B
946: B
947: C
948: D
949: B
950: C
951: B
952: D
953: B
954: B
955: A
956: A
957: C
958: C
959: E
960: C