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Questões de Concurso Sobre funções morfossintáticas da palavra que em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 2.231 questões

Q3828555 Português
A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)


Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe. A mulher levantou-se, foi até a lareira e começou a fumar o cachimbo, quando dois homens surgiram à janela e a chamaram para acompanhá-los. Jane relataria depois que a mãe parecia esperá-los. Antes de sair, sussurrou à filha que ficasse deitada e que voltaria pela manhã. Não voltou: foi assassinada naquela noite, e o crime jamais foi esclarecido.

No início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch encontrou o depoimento de Jane no Escritório de Registros Públicos de Londres, ao pesquisar a história das horas noturnas. Ele via nos registros judiciais fontes privilegiadas para compreender hábitos cotidianos. Até então, acreditava que o sono fosse uma constante biológica, sem grandes variações históricas. O testemunho de Jane o fez rever essa ideia: ela mencionava ter acordado do primeiro sono como algo absolutamente normal, o que sugeria uma noite dividida em duas partes.

A partir daí, Ekirch encontrou inúmeras referências ao chamado sono bifásico. Não era exclusivo da Inglaterra: na França e na Itália também. Há indícios do hábito na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil. Um registro do Rio de Janeiro, de 1555, relata que os tupinambás comiam após o primeiro sono; no século 19, textos de Mascate, em Omã, descrevem o recolhimento antes das vinte e duas horas. Para Ekirch, o sono em dois períodos foi dominante por milênios, com referências desde A Odisseia, do século 8 a.C., até o início do século 20.

No século 17, a rotina noturna começava cedo. Entre vinte e uma e vinte e três horas, quem podia, deitava-se em colchões simples; os mais pobres dormiam sobre plantas ou no chão. Dormir em conjunto era comum, exigindo regras de conduta e posições definidas na cama. Após cerca de duas horas, muitos despertavam naturalmente para a vigília, que se estendia da noite até por volta de uma hora da manhã. Esse intervalo era usado para diversas tarefas: alimentar o fogo, cuidar de animais, remendar roupas, preparar materiais domésticos. Também havia espaço para práticas religiosas, reflexões, conversas e intimidade entre casais, quando a exaustão do trabalho já havia diminuído.

Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer. Ekirch aponta referências ao sistema desde a Antiguidade, em autores como Plutarco, Pausânias, Lívio e Virgílio. Entre cristãos, a vigília ganhou importância: no século 6, São Bento  determinava que monges se levantassem à meia-noite para orações, prática que se difundiu para além dos mosteiros.

A divisão do sono também ocorre no mundo animal. Muitas espécies repousam em períodos separados, adaptando-se às condições ambientais. O lêmure-de-cauda-anelada, por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais. Para o pesquisador David Samson, da Universidade de Toronto, essa diversidade entre primatas levanta a hipótese de que humanos também tenham evoluído para um sono segmentado.

Ekirch encontrou respaldo científico ao conhecer, em 1995, um experimento conduzido por Thomas Wehr, nos Estados Unidos. Quinze homens, submetidos a redução da exposição à luz, passaram a dormir em dois períodos separados por vigília após algumas semanas. A melatonina indicou ajuste biológico do ritmo circadiano. Mais tarde, Samson observou padrão semelhante em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar, sugerindo que o sono bifásico persiste em regiões remotas.

Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial. A expansão da iluminação artificial permitiu ficar acordado até mais tarde, sem alterar a exigência de acordar cedo, comprimindo o descanso. O primeiro sono se prolongou, o segundo se reduziu, até desaparecer. Embora experimentos indiquem que a luz artificial, isoladamente, talvez não explique tudo, no fim do século 20 o sono segmentado havia sido esquecido.

Essa mudança também alterou comportamentos e expectativas. Acordar cedo passou a ser sinônimo de produtividade, e despertares noturnos se tornaram fonte de ansiedade. Ekirch observa que saber que acordar no meio da noite já foi normal pode aliviar parte desse pânico, sem minimizar os distúrbios do sono atuais. Ele ressalta que o abandono do sono bifásico não implica, necessariamente, pior qualidade de descanso. Em muitos aspectos, o século 21 oferece condições mais seguras e confortáveis: menos riscos, mais conforto, menos ameaças físicas. Assim, embora possamos ter perdido conversas noturnas e reflexões da vigília, ganhamos noites mais protegidas e previsíveis.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjnpv845dxo.adaptado.
Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer.
Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial.
Em relação aos mecanismos de coesão textual, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3827425 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.

Como aprender qualquer coisa do zero

Tom Vanderbilt despertou para a importância do aprendizado ao perceber a contradição entre incentivar a filha a explorar novas habilidades e, ao mesmo tempo, não se envolver em nenhum processo semelhante. Decidiu, então, dedicar um ano a aprender diversas competências — xadrez, canto, desenho, malabarismo e surfe — não para se tornar especialista, mas para redescobrir o prazer genuíno de aprender. Em seu livro denominado Principiantes, ele narra essa experiência unindo relatos pessoais a pesquisas científicas sobre aquisição de habilidades e sobre os benefícios da chamada mentalidade de principiante, especialmente relevante na vida adulta.

Embora crianças captem padrões e relações com mais facilidade, adultos ainda preservam um grau significativo de neuroplasticidade, permitindo que o cérebro se reorganize diante de novos desafios.
Vanderbilt constatou que aprender com os próprios erros — por meio da prática deliberada — é fundamental, assim como variar os treinos para tornar o aprendizado mais flexível e adaptável. Ele também descobriu que a expectativa de ensinar alguém aumenta foco, curiosidade e retenção de informações. Ao observar tanto especialistas quanto outros iniciantes, ampliou sua compreensão das habilidades em estudo. Cantar, inicialmente sua maior barreira emocional, acabou se transformando na atividade mais recompensadora.

Vanderbilt recomenda iniciar algo que se encaixe facilmente no cotidiano, lembrando que o progresso pode ser surpreendentemente rápido quando há constância. Estudos mostram que adultos mais velhos que se dedicam a múltiplas habilidades apresentam avanços expressivos em testes cognitivos, aproximando-se do desempenho de pessoas décadas mais jovens. Além disso, cultivar interesses variados tende a estimular a criatividade, como indicam pesquisas sobre ganhadores do Prêmio Nobel, frequentemente envolvidos com atividades artísticas. Para Vanderbilt, a frustração e os tropeços fazem parte do processo, e a humildade intelectual — reconhecer limitações e aceitar novas perspectivas — é essencial em um mundo que exige adaptação constante.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl64y4xglgo.adaptado. 
Vanderbilt recomenda iniciar algo "que" se encaixe facilmente no cotidiano, lembrando "que" o progresso pode ser surpreendentemente rápido quando há constância.
Morfologicamente, os termos destacados são, respectivamente, 
Alternativas
Q3827422 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.

Como aprender qualquer coisa do zero

Tom Vanderbilt despertou para a importância do aprendizado ao perceber a contradição entre incentivar a filha a explorar novas habilidades e, ao mesmo tempo, não se envolver em nenhum processo semelhante. Decidiu, então, dedicar um ano a aprender diversas competências — xadrez, canto, desenho, malabarismo e surfe — não para se tornar especialista, mas para redescobrir o prazer genuíno de aprender. Em seu livro denominado Principiantes, ele narra essa experiência unindo relatos pessoais a pesquisas científicas sobre aquisição de habilidades e sobre os benefícios da chamada mentalidade de principiante, especialmente relevante na vida adulta.

Embora crianças captem padrões e relações com mais facilidade, adultos ainda preservam um grau significativo de neuroplasticidade, permitindo que o cérebro se reorganize diante de novos desafios.
Vanderbilt constatou que aprender com os próprios erros — por meio da prática deliberada — é fundamental, assim como variar os treinos para tornar o aprendizado mais flexível e adaptável. Ele também descobriu que a expectativa de ensinar alguém aumenta foco, curiosidade e retenção de informações. Ao observar tanto especialistas quanto outros iniciantes, ampliou sua compreensão das habilidades em estudo. Cantar, inicialmente sua maior barreira emocional, acabou se transformando na atividade mais recompensadora.

Vanderbilt recomenda iniciar algo que se encaixe facilmente no cotidiano, lembrando que o progresso pode ser surpreendentemente rápido quando há constância. Estudos mostram que adultos mais velhos que se dedicam a múltiplas habilidades apresentam avanços expressivos em testes cognitivos, aproximando-se do desempenho de pessoas décadas mais jovens. Além disso, cultivar interesses variados tende a estimular a criatividade, como indicam pesquisas sobre ganhadores do Prêmio Nobel, frequentemente envolvidos com atividades artísticas. Para Vanderbilt, a frustração e os tropeços fazem parte do processo, e a humildade intelectual — reconhecer limitações e aceitar novas perspectivas — é essencial em um mundo que exige adaptação constante.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl64y4xglgo.adaptado. 
Ele também descobriu "que" a expectativa de ensinar alguém aumenta foco, curiosidade e retenção de informações.
O termo destacado na frase, em se tratando de classe gramatical, denomina-se 
Alternativas
Q3818925 Português

O cuidado e a desolação


Por José Henrique Bortoluci



(Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/geracao-democracia-parte-v_o-cuidado-e-a-desolacao/ – texto adaptado especialmente para esta prova).  

Com base no trecho abaixo, retirado do texto, e considerando os recursos de coesão e coerência, o vocábulo sublinhado refere-se a qual termo?
“Como a figura da tia solteira, que assumia os cuidados dos pais”. 
Alternativas
Q3817790 Português
Assinale a alternativa em que a palavra destacada introduz uma oração com o sentido de explicação.
Alternativas
Q3816118 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


O leito


Mares, de espúmeo albor de rendas revestidos!

Vagas, cheias de aroma, e de torpor fecundas!

Para a febre lenir, que esvaíra-me os sentidos,

Quero nestes lençóis mergulha-los, vencidos,

Num mar de sensações letárgicas, profundas!


Aqui, de regiões apostas, climas vários

Vieram se encontrar, por diversos caminhos,

Para depor, fiéis, submissos tributários,

Os prodígios do gosto, árduos, imaginários,

Em perfume, em cetins, em sedas, em arminhos.


Despenhada do teto, em turbilhão se entorna,

Muda, imóvel cascata, a cortina nitente,

Derramando no ar uma preguiça morna,

Que os músculos distende e os nervos amadorna,

Em íntima volúpia, estranha, inconsciente.


Repassa, embebe a alcova, em toda a plenitude,

A emanação sutil, que enleva, que extasia,

De um corpo virginal e cheio de saúde,

Grato eflúvio do sangue, em plena juventude,

Que do olfato a avidez satura, e não sacia.


Perfumados lençóis! vós sois as brancas tendas,

Onde, árabes do amor, meus vagos pensamentos

Nas solidões da noite ouvem estranhas lendas,

Enquanto sob um céu enublado de rendas

Enerva-me o luar de uns olhos sonolentos!



Autor: Teófilo Dias - Fanfarras.

No trecho “A emanação sutil, que enleva, que extasia”, as palavras exercem funções morfológicas distintas, contribuindo para a caracterização expressiva do enunciado poético. Considerando a classificação gramatical dos termos destacados, assinale a alternativa INCORRETA. 
Alternativas
Q3814737 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Sistema Nacional de Educação busca equilíbrio entre autonomia e colaboração

    Com a Lei Complementar 220, sancionada pelo presidente Lula no dia 31 de outubro passado, o Brasil deu o passo decisivo para a criação do Sistema Nacional de Educação (SNE). Apelidado de “SUS da Educação”, o SNE tem como objetivo articular os sistemas de ensino da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios. A perspectiva é que o trabalho conjunto dos entes federativos possa contribuir para a melhoria da educação de todo o País.
    O que essa nova lei faz, na prática, é criar instâncias de interação entre União, Estados e municípios. A primeira delas é a Comissão Intergestores Tripartite da Educação (Cite). Essa comissão reúne cinco membros ligados ao governo federal – entre eles o ministro da Educação, como presidente, e integrantes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) – cinco dos Estados e cinco dos municípios, representando cada uma das regiões do País.
    Como explica o professor José Fernandes de Lima, docente da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e expresidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), a Cite terá competência para decidir o repasse de verbas da União para Estados e municípios e suas contrapartidas, os parâmetros de qualidade e de avaliação geral e a maneira como Estados e municípios deverão interagir. De acordo com Lima, a ideia é reunir todas as instâncias para estabelecer as regras gerais.
    Para a professora Bernardete Angelina Gatti, titular da Cátedra Alfredo Bosi de Educação Básica do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, a novidade que o SNE traz é canalizar discussões a respeito da educação que até hoje estavam dispersas. “Como não conseguimos fazer uma regulação do regime de colaboração que está previsto desde a Constituição, esse sistema vem fazer isso”, explica a professora. Segundo Bernardete, a lei não define nenhum poder vinculante, o que garante flexibilidade para as ações. “A ideia é ter alguns consensos básicos, sem perder a autonomia dos Estados e dos municípios.”
    De acordo com a catedrática, o que se pretende com o SNE é garantir algum consenso nacional. “Afinal, nós somos uma federação, mas também somos uma nação integral. É nessa perspectiva que o SNE faz sentido.” Outros países federativos também contam com sistemas que articulam os diferentes níveis da educação, lembra a professora.
    A busca por esse consenso e essa colaboração é mais antiga do que a Constituição e conta com quase 100 anos, explica Bernardete. Remete ao Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, que já falava de um sistema nacional. Mas, como aconteceu durante todo o século 20 e nas primeiras décadas do 21, a sugestão dos pioneiros ficou de lado. “O Manifesto foi um grito de alerta que os governos não atenderam”, indica Bernardete.

Fonte: https://jornal.usp.br/cultura/sistema-nacional-de-educacao-buscaequilibrio-entre-autonomia-e-colaboracao.
No trecho “canalizar discussões a respeito da educação que até hoje estavam dispersas”, o termo destacado estabelece relação sintática entre o substantivo antecedente e a oração subsequente, exercendo função específica na estrutura do período. Considerando esse uso, assinale a alternativa correta quanto à classe gramatical do termo “que”. 
Alternativas
Q3814343 Português
Mounjaro emagrece mesmo?


Medicamento emagrecedor, o Mounjaro deve ser lançado no Brasil em agosto e promete ser mais eficiente do que o Ozempic para perda de peso


   “Primo-irmão” do Ozempic (semaglutida), o medicamento Mounjaro virou trend nas redes sociais após celebridades relatarem o uso para o emagrecimento rápido. O professor de Enfermagem do Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Danilo Avelar, responde as quatro principais dúvidas sobre o remédio.

Qual é o principal mecanismo de ação do Mounjaro? Emagrece?

   “Ele atua como um análogo do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon) e GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose). Esses hormônios são responsáveis por estimular receptores que aumentam a produção de insulina em resposta à glicose. Além disso, o medicamento retarda o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de saciedade e contribuindo para o controle glicêmico”, explica.

Como o remédio contribui para uma melhor adesão ao tratamento pelos pacientes?

   “O Mounjaro tem administração por via subcutânea, geralmente em uma dose inicial baixa, ajustada conforme a resposta do paciente ao tratamento. Esse regime de administração oferece conveniência e flexibilidade aos pacientes, o que pode melhorar significativamente a adesão ao tratamento”, comenta.

Quais efeitos colaterais comuns e como gerenciar?

   “Os efeitos colaterais mais frequentes incluem distúrbios gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e desconforto abdominal. Além disso, esses sintomas podem ser gerenciados com ajustes na dieta, como aumento na ingestão de fibras e líquidos, além de orientação médica para minimizar o impacto dos efeitos adversos”, respondeu.

Existem precauções específicas?

   “É importante que os pacientes compreendam os potenciais efeitos colaterais do Mounjaro, como distúrbios gastrointestinais e mudanças na pressão arterial. O uso do medicamento deve ter acompanhamento de profissionais de saúde, especialmente no ajuste da dosagem inicial e na monitorização contínua dos efeitos terapêuticos e adversos”, encerrou Danilo Avelar.


ADAPTADO. Guilherme Faber. www. sportlife.com.br/especialista-responde-as-quatro-principais-duvidas-sobremounjaro/?utm_source=Metrópoles. 8 jul. 2024.
Observe o enunciado abaixo, em seguida marque a alternativa correta.
“É importante que os pacientes compreendam os potenciais efeitos colaterais do Mounjaro”.
Alternativas
Q3813545 Português
Cansaço no fim de ano


(Disponível em https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/noticia/2025/12 – texto adaptado especialmente para esta prova).
Sobre o trecho “fatores que contribuem para o esgotamento”, analise as assertivas a seguir:

I. O pronome “que” retoma “fatores”.
II. “que” poderia ser substituído por “os quais” sem prejuízo à estrutura da frase.
III. A substituição de “contribuem” por “concorrem” manteria a correção gramatical do fragmento.

Quais estão corretas?
Alternativas
Q4135635 Português
“O texto é uma máquina preguiçosa que(1) exige que(2) os leitores façam a sua parte.” (Umberto Eco)
Considere as afirmativas a seguir, preenchendo as lacunas com 1 ou 2, de acordo com a identificação das palavras destacadas no pensamento apresentado. Em seguida, assinale a alternativa com a sequência correta.
- ___ introduz uma oração objetiva direta.
- ___ introduz uma oração de valor adjetivo.
- ___ é uma palavra de natureza pronominal.
- ___ é uma palavra de natureza conjuntiva.
- ___ exerce a função de sujeito.
Alternativas
Q4112667 Português
A luavezinha


Minha filha tem um adormecer difícil. Sempre imagina algo antes de dormir e me pede histórias. Certa noite, quis saber se o mundo inteiro dormia com ela. Disse-lhe que muitos fazem isso: procuram um sonho e o encontram no sono. A menina decidiu que queria ver a lua; as tradições antigas diziam que ela lamenta a perda da luz solar, e isso a encantou.

Deitada, pediu que eu soprasse um sonho para ela. Encostou a cabeça no meu peito e adormeceu. Sonhou que buscava a lua e que, ao alcançá-la, ambas se olhavam como quem se reconhece. Mas algo a assustou: a lua não tinha nome, apenas um brilho preso a um medo antigo. Ao ouvir o choro da menina, a lua também chorou, revelando que temia ser esquecida.

No sonho, choraram juntas, e uma pequena ave surgiu, feita de ecos da própria lua. A ave pediu que a menina cantasse para espantar o silêncio. A menina cantou, e a lua, aos poucos, recuperou sua luz. Era o canto mais lindo que alguém já ouvira em todo o universo. Então, libertou a ave que saíra dela mesma e que agora voava sobre a noite renovada.

Quando acordou, minha filha me contou que tinha visto a lua mais bonita do mundo. Disse que a canção que sonhara ainda ecoava dentro dela. Sorriu com a certeza simples das crianças: a de que algumas belezas só aparecem para quem as sonha primeiro.



COUTO, Mia. A luavezinha. Texto adaptado a partir de: COUTO, Mia. Contos do nascer da Terra. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
No trecho do texto "A luavezinha" − "Disse que a canção que sonhara ainda ecoava dentro dela" −, há duas orações subordinadas introduzidas pela conjunção "que". Com base na análise sintática e na relação entre as orações, assinale a alternativa que classifica corretamente cada uma delas.
Alternativas
Q4111491 Português
Relação conturbada

Embarco com muitas dúvidas. Não sei direito quem são essas pessoas que vou ver; sei seus nomes, de onde as conheço, e tenho uma imagem vaga de alguns deles, mas não sei como são nem como vou chegar até eles. Tudo que sei é que tenho oito horas e uma cadeira para pensar sobre isso.

Por oito horas o mundo se torna aquela poltrona. Você tenta se distrair, mas, no fim, é ela quem rouba sua atenção. Mesmo sentado, quase sem se mover, o corpo definha: a postura trava, o pescoço endurece, a espinha se desconcerta, os músculos enrijecem. De tempos em tempos você tenta esticar as pernas, preso num minúsculo cativeiro. Quem diria que ficar sentado cansa?

Desde que comecei a faculdade, tenho me habituado à fadiga da viagem, o estar aqui, ser de lá, pertencer a lugar algum. Três horas de ônibus já bastam para vilanizar a cadeira: vibração constante, nervos amortecidos, a memória chacoalhada. Perguntas se sentam e empedram: Devia voltar mais vezes? Devia ligar? Devia mudar?

Desta vez o ônibus é diferente; a viagem, mais longa; a cadeira, mais abusada. Estou indo para uma terra desconhecida ver gente que não vejo há uns seis, sete anos. Por pouco não falamos mais a mesma língua, mas ainda assim é família. Alguns caminhos são mais tortuosos que outros — e umas cadeiras, mais macias que outras. Mas não essa. Oito horas depois, me sinto carne moída. Não aguento mais ficar sentado.

Texto Adaptado

SALMAR, Ian. Relação conturbada. In: Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 512/1378/5380 . Acesso em: 16 nov. 2025.
No contexto da frase "Quem diria que ficar sentado cansa?", a palavra "que" desempenha qual função morfossintática e pertence a qual classe gramatical?
Alternativas
Q4111280 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Entrevista de emprego


Os ponteiros marcavam três e quinze. José Neto encarava a maçaneta à sua frente. Sentado numa poltrona estofada, balançava a perna; o suor lustrava-lhe a testa. Ajeitou-se na poltrona, sentindo o couro colar-lhe à pele. A sala parecia encolher enquanto sua ansiedade crescia.

Contornou o batente de madeira com o olhar e voltou à maçaneta imóvel. Deixou a pasta ao lado: dentro dela, o currículo que poderia decidir seus próximos meses e anos. Criava, por instantes, cenários de melhora de vida, mas a maçaneta seguia imóvel.

Mudou de posição várias vezes, tenso. Ajustou a camisa, ergueu o cinto e tentou respirar alguma confiança. Encarou novamente a maçaneta, certo de que abriria logo. Suspirou.

Então, a porta abriu. Dois homens saíram sorridentes, apertando mãos com a segurança de quem sabe o que diz. Um deles consultou o relógio, virou-se para o próximo candidato e disse: "Opa, João Neto? Então, aquele homem que acabou de sair nos agradou muito. Nada contra você... Boa sorte da próxima vez." Fechou a porta.

José Neto sentou-se de volta na poltrona, buscando conforto no estofamento de couro — desta vez, sem pressa de levantar.

Texto Adaptado

GONZAGA, Túlio. Entrevista de emprego. In: Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 512/1378/5380 . Acesso em: 16 nov. 2025.
No trecho "Encarou novamente a maçaneta, certo de que abriria logo", e na frase "Então, aquele homem que acabou de sair nos agradou muito", temos dois tipos distintos de orações subordinadas. Com base na análise sintática e semântica das estruturas, assinale a alternativa correta quanto à classificação dessas orações.
Alternativas
Q4107864 Português

Considere o texto a seguir para responder à questão.



Texto 2


Série ‘A Mulher da Casa Abandonada’ ganha data

de estreia no streaming


Documentário chega ao Prime Video no segundo

semestre, trazendo luz ao caso que chocou o Brasil

em 2022


    Em junho deste ano, o Prime Video havia anunciado o lançamento da série documental A Mulher da Casa Abandonada, que conta a história completa de Margarida Bonetti, uma rica moradora de um casarão antigo no bairro Higienópolis, em São Paulo. O caso veio à tona em 2022 pelo podcast homônimo apresentado por Chico Felitti em plataformas de áudio como o Spotify. Agora, a produção ganha data de estreia no streaming da Amazon: 15 de agosto. A mansão suntuosa estava gasta e precisando de reparos e sua dona uma figura um tanto quanto peculiar frequentemente vista pela vizinhança usando um creme facial branco por todo o rosto discutia com agentes da prefeitura. O encontro de Margarida com Chico Felitti aconteceu enquanto a mulher tentava impedir a poda de uma árvore.


    Conforme Chico se aproximava da mulher e descobria mais sobre sua vida, ele descobriu que ela havia fugido dos Estados Unidos com o marido após manter uma pessoa em situação análoga a escravidão por 20 anos dentro de sua própria casa, trabalhando como empregada doméstica. O podcast é resultado da investigação de Felitti sobre a história bizarra da mulher, apelidada de “a mulher da casa abandonada”. Ao longo de três episódios, a série do Prime Video trará novos detalhes sobre o caso, bem como declarações do FBI e de novas testemunhas. Na época em que o caso repercutiu, Margarida Bonetti deixou a residência no Higienópolis, largando para trás dois cachorros de estimação, que posteriormente foram resgatados pela ativista Luisa Mell, que relatou a insalubridade do local após fazer o resgate.


Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/serie-a-mulher-da-casa-abandonada-ganha-data-de-estreia-no-streaming/. Acesso em: 22 jul. 2025.

Considerando as habilidades de leitura e produção textual previstas na BNCC (EM13LP02), a partir do excerto a seguir, assinale a alternativa correta.


“Na época em que o caso repercutiu, Margarida Bonetti deixou a residência no Higienópolis, largando para trás dois cachorros de estimação, que posteriormente foram resgatados pela ativista Luisa Mell, que relatou a insalubridade do local após fazer o resgate.”. 

Alternativas
Q4100726 Português
De mover carros para mover água: o próximo século do desenho urbano

Assim como fizemos para acomodar os automóveis, podemos redesenhar as cidades para lidar de forma mais inteligente com a chuva

Pedro Henrique de Christo e Alexandros Washburn


   Nos últimos cem anos, desenhamos nossas cidades para mover carros. Alargamos ruas, construímos estradas e remodelamos bairros para acomodar automóveis. Por qualquer medida, nós conseguimos. A cidade moderna é otimizada para veículos, comumente ao custo das pessoas que vivem nela. Entretanto, os próximos cem anos devem focar algo muito mais urgente: mover água.

   A crise climática está remodelando nossas cidades, trazendo tempestades mais intensas, aumento do nível do mar e ondas de calor. A volatilidade hidroclimática tem levado ao aumento de enchentes relâmpagos, secas prolongadas e incêndios, a chamada "chicotada climática". Porto Alegre passou por uma das piores secas do mundo em 2023 e, em seguida, por enchentes devastadoras em 2024. [...]

   No Brasil, a frequência de eventos climáticos extremos vem subindo dramaticamente. Entre 2014 e 2023, grandes enchentes aumentaram de 182 para 314 e secas de 92 para 406 se comparadas à década anterior. São Paulo exemplifica essa tendência com sua seca severa de 2014-15 seguida por enchentes relâmpagos que se intensificaram no último verão. Estas são todas crises d’água, o elemento mais fundamental para a cidade e sua população. [...]

   Ainda assim, nossa infraestrutura urbana se mantém presa numa mentalidade do século 20, tratando a água como uma inconveniência – em vez de uma força fundamental que deve ser gerida com o mesmo nível de planejamento e investimento que o automóvel já demandou.

   A tarefa não é fácil, mas não é mais difícil do que nós realizamos no último século. A transformação das cidades para os carros requisitou feitos de engenharia massivos: rodovias elevadas, túneis subterrâneos, estruturas vastas de estacionamento, monitoramento do tráfego da malha urbana e um sistema de comando e controle – o semáforo. Se fizemos tudo isso, podemos redesenhar nossos territórios urbanos para lidar inteligentemente com a água.

   Em vez de ruas desenhadas para carros, precisamos de vias e superfícies que absorvam, canalizem e armazenem água. Em vez de vastos espaços de asfalto impermeável, precisamos de parques grandes e pequenos. É o que chamamos de infraestrutura verde: biovales, pavimentos permeáveis e espaços públicos alagáveis acoplados a sistemas de dados para controlá-los. Não podemos tratar a chuva como um incômodo, mas sim aproveitá-la para reúso como uma parte integral do que chamamos de urbanismo climático. [...]

   Essa mudança não só nos protegerá de desastres climáticos: também fará nossas cidades mais habitáveis. Ruas desenhadas para água tendem a ser mais frescas, verdes e amigáveis ao pedestre. Vizinhanças desenhadas ao redor do fluxo natural da água podem reduzir ilhas de calor, melhorar a qualidade do ar e criar novos espaços públicos.

   A cidade centrada no carro é congestionada e barulhenta; a cidade centrada na água será resiliente e agradável. Passamos um século remodelando nossas cidades para os automóveis. Agora, precisamos do mesmo nível de ambição e urgência para remodelá-las para a água. Nosso futuro depende disso.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/06/demover-carros-para-mover-agua-o-proximo-seculo-do-desenhourbano.shtml. Acesso em: 03 jul. 2025. 1
Referente às funções exercidas por “que” e “se” no Texto 2, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4100716 Português
Do descarte à transformação

Economia circular pode virar o jogo contra a poluição plástica

Fabrício Fonseca


   A poluição plástica é uma das maiores ameaças ambientais globais, com impactos profundos na biodiversidade, na saúde humana e na economia. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a sujeira por meio de plásticos é o segundo maior problema ambiental do planeta, atrás apenas das mudanças climáticas.

   No Brasil, geramos 3,4 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, mas só uma pequena fração é reciclada de forma efetiva. Isso exige resposta urgente. É neste cenário que a economia circular se apresenta como estratégia fundamental para transformar resíduos em recursos, mitigar danos ambientais e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

   Diferentemente do modelo linear tradicional – extrair, produzir, consumir e descartar –, a economia circular propõe um ciclo contínuo de aproveitamento dos materiais. No caso do plástico, significa estender sua vida útil por meio da reutilização, reciclagem e reinserção na cadeia produtiva. Mas essa mudança de paradigma vai além do ambiental. Ela representa uma oportunidade de inovação, geração de empregos e inclusão social.

   Dados recentes de organizações como Oceana e WWF-Brasil indicam que substituir plásticos descartáveis por alternativas sustentáveis pode evitar milhões de toneladas de resíduos plásticos e reduzir significativamente as emissões de CO₂. Mais que isso, a economia circular tem potencial para impulsionar o crescimento econômico e a geração de renda no país, um casamento entre sustentabilidade e desenvolvimento que não podemos ignorar.

   Para ilustrar a urgência e o potencial dessa transformação, vale destacar estudo da Fundação Dom Cabral (FDC) com o Instituto Atmosfera (Atmos). Segundo a pesquisa, o Brasil recicla só cerca de 13% dos resíduos sólidos urbanos, retratando um desperdício gigantesco e uma enorme oportunidade perdida em termos econômicos e sociais. Ampliar essa taxa não só reduziria o impacto ambiental, como poderia gerar centenas de milhares de empregos diretos em setores ligados à coleta e triagem, o que promoveria inclusão social e dignidade para milhares de famílias.

   Por outro lado, a pesquisa alerta para riscos importantes, como a flexibilização da importação de resíduos sólidos, o chamado “lixo importado”, que ameaça a cadeia nacional de reciclagem e desvaloriza o trabalho das cooperativas. Para avançar, o Brasil precisa de políticas públicas claras e adequadas à realidade do país, incentivos adequados e investimentos em infraestrutura e tecnologia.

   Apesar dos avanços, os desafios são enormes e anseiam urgentemente por soluções. O Brasil precisa ampliar a coleta seletiva, investir em tecnologias inovadoras e, sobretudo, construir uma cultura de corresponsabilidade. A sociedade deve consumir e descartar de forma consciente, o setor privado precisa garantir a rastreabilidade dos resíduos e o poder público tem o papel fundamental de criar marcos legais consistentes e efetivos. [...]


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/06/dodescarte-a-transformacao.shtml. Acesso em: 03 jul. 2025.
Assinale a alternativa que analisa corretamente o excerto. 
Alternativas
Q4095433 Português
Assinale a alternativa em que a junção das duas orações num único período está de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q4095431 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Estado de graça


    Quem já conheceu o estado de graça reconhecerá o que vou dizer. Não me refiro à inspiração, que é uma graça especial que tantas vezes acontece aos que lidam com arte.

   O estado de graça de que falo não é usado para nada. É como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se existe. Neste estado, além da tranquila felicidade que se irradia de pessoas e coisas, há uma lucidez que só chamo de leve, porque na graça tudo é tão, tão leve. É uma lucidez de quem não adivinha mais: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Não perguntem o quê, porque só posso responder do mesmo modo infantil: sem esforço, sabe-se.

   E há uma bem-aventurança física que a nada se compara. O corpo se transforma num dom. E se sente que é um dom, porque se está experimentando, numa fonte direta, a dádiva indubitável de existir materialmente.

   No estado de graça, vê-se às vezes a profunda beleza, antes inatingível, de outra pessoa. Tudo, aliás, ganha uma espécie de nimbo que não é imaginário: vem do esplendor da irradiação quase matemática das coisas e das pessoas. Passa-se a sentir que tudo o que existe – pessoa ou coisa – respira e exala uma espécie de finíssimo resplendor de energia. Na verdade, o mundo é impalpável.

   Não é nem de longe o que mal imagino deva ser o estado de graça dos santos. Esse estado jamais conheci e nem sequer consigo adivinhá-lo. É apenas o estado de graça de uma pessoa comum que, de súbito, se torna totalmente real, porque é comum e humana e reconhecível.

   As descobertas nesse estado são indizíveis e incomunicáveis. É por isso que, em estado de graça, mantenho-me sentada, quieta, silenciosa. É como numa anunciação. Não sendo, porém, precedida pelos anjos que, suponho, antecedem o estado de graça dos santos, é como se o anjo da vida viesse me anunciar o mundo.

   Depois, lentamente, se sai. Não como se estivesse estado em transe – não há nenhum transe –, sai-se devagar, com um suspiro de quem teve o mundo como este é. Também já é um suspiro de saudade. Pois tendo experimentado ganhar um corpo e uma alma e a terra, quer-se mais e mais. Inútil querer: só vem quando quer e espontaneamente. (...)


LISPECTOR, Clarice. Estado de graça. Portal da crônica brasileira. Disponível em
<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12666/estado-de-graca-trecho>.
“É como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se existe.”

Assinale a alternativa que apresenta, na mesma ordem, a função de cada palavra destacada no trecho acima.
Alternativas
Q4089758 Português
O cuidado com a saúde mental na atualidade

Por FMUSP


    O século XXI, junto a tantas novidades em diversos setores da sociedade, trouxe também um aumento significativo das doenças mentais – a depressão, por exemplo, é considerada o mal desse período. No Brasil, durante o primeiro ano da pandemia da covid-19, os casos de ansiedade e depressão aumentaram cerca de 25%. Dessa forma, a saúde mental se tornou tema corriqueiro na vida dos brasileiros. Se antes ela não estava entre as preocupações, hoje tem um protagonismo e é mais discutida abertamente. Em quatro anos, houve um aumento de 2,7 vezes na quantidade de pessoas que a consideram uma inquietude.
[...]

    Segundo a Organização Mundial de Saúde, a saúde mental não é só a ausência de doenças, mas, sim, o perfeito equilíbrio entre saúde física, mental, social e espiritual. Além de estar bem fisicamente, a pessoa precisa ter boas relações sociais e se entender como ser humano, por meio do autoconhecimento. Sendo assim, o fundamento da saúde mental se encontra em seus três pilares: o lado espiritual, físico e mental. Nesse sentido, há uma diferença entre ela e a saúde emocional, que está relacionada com o desequilíbrio momentâneo: “Você pode ser uma pessoa que não tem transtorno psiquiátrico, no entanto não está bem emocionalmente. Por exemplo, está em um processo de separação e está muito mexido e, com isso, não tem mecanismos internos para lidar no campo das emoções diante de um conflito. E aí adoece mentalmente naquele momento”, pontua o Coordenador da Pós-Graduação Multiprofissional em Saúde Mental e Psiquiatria do HCFMUSP, Dr. José Gilberto Prates, especialista em saúde mental e doutor em ciências da saúde.
[...]

    Para que a saúde mental esteja sempre em dia, é preciso se conhecer e estabelecer alguns hábitos, como se alimentar bem, dormir o suficiente e ter relações sociais e afetivas de maneira saudável. Para os profissionais da saúde, que estiveram na linha de frente da covid-19 e tiveram de lidar com situações delicadas ao longo desse tempo, o cuidado é redobrado. Segundo o Dr. José Gilberto, a negligência com a saúde mental sempre existiu nessa classe, já que muitos trabalham em mais de dois ou três hospitais, o que prejudica os afazeres da vida pessoal, como praticar esportes, ler um livro e aproveitar a família. “Como cuidamos de outras pessoas, é necessário entender que precisamos cuidar da gente também. Tudo o que ajuda na qualidade de vida, ajuda na saúde mental”, afirma.
[...]

    Hodiernamente, a sociedade passa por um período de vulnerabilidade no campo das emoções e no seu tempo de equilíbrio. Para que esse cenário comece a mudar, é importante que as pessoas comecem a adquirir hábitos saudáveis para uma melhor qualidade de vida. Com a quantidade de trabalho e uma vida mais frenética, não há autocuidado, nem atenção com o que está acontecendo ao redor, inclusive com a família. Resgatar a espiritualidade, até mesmo no campo religioso, faz com que a saúde mental fique protegida: “Quando eu vejo um jovem entrando em uma escola e praticando violência contra todo mundo… Eu acho que ele está muito freneticamente adoecido, e ninguém viu. Onde estamos falhando?”, pergunta Dr. José Gilberto.

    É preciso se perguntar para onde a vida está caminhando e o que você está fazendo com ela. Algumas perguntas que o especialista sugere são: “Eu tenho conversado com meus amigos?”, “Eu dou atenção o suficiente?”, “Eu falo com minha família?”. O contato das relações é importante para que haja essa manutenção, de forma que você e o outro possam ser percebidos: “A professora de enfermagem Maria Júlia Paes da Silva tem um texto, que diz: ‘comunicação tem remédio’. Eu conversei com ela recentemente e falei: ‘professora, eu acho que comunicação é o remédio’”, finaliza.
[...]


Adaptado de: https://hcxfmusp.org.br/portal/online/saude-mental/. Acesso em: 19 nov. 2024. 
Analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).

I. Em “[...] que estiveram na linha de frente da covid-19 [...]”, o “que” constitui um reforço à palavra “estiveram” e assegura uma posição livre na oração.
II. Em “A professora de enfermagem Maria Júlia Paes da Silva tem um texto, que diz [...]”, o “que” retoma o termo antecedente que exprime uma noção substantiva.
III. Em “[...] de forma que você e o outro [...]”, o “que” coopera com a introdução de uma ideia subordinada adverbial final por indicar uma consequência em relação à frase anterior. 
Alternativas
Q4089340 Português

Opine... não detone!


O direito de se expressar é uma conquista da

humanidade, o de se defender também



Ivone Zeger



    “A rua e a internet são os espaços dos embates democráticos”, disse a filha, e o pai rebate: “A internet é terra de ninguém. A rua também”. Diálogo que expressa certo conflito geracional, flagrei-o no elevador. 


   Sim, os jovens ocupam as ruas para expressar a insatisfação; eles flagram contradições e alavancam debates. Cidadãos de todas as idades têm se utilizado das redes sociais para expressar opiniões. Todos parecem conscientes da liberdade de expressão preconizada pela Constituição Federal. Mas, se nas ruas há os limites concretos – como as necessidades de mobilização envolvendo as distâncias, de coerência nas pautas reivindicatórias, de cartazes, das estratégias e eventual enfrentamento com a polícia se a ação é de desobediência civil –, na rede social o que separa a opinião pessoal do espaço público é um apertar de botão. Daí, provavelmente, a ideia do pai acerca da internet: “terra de ninguém”. 


   A ideia de liberdade de expressão trafega em bytes e bate lá onde garotos e garotas, boa parte deles ainda menor de idade, se sentem totalmente à vontade para postar opiniões pessoais, um exercício interessante não fosse a falta de limites, especialmente quando o tema das postagens são os outros. Fotos de garotas são tiradas às escondidas e postadas, expondo colegiais a situações constrangedoras. O bullying virtual se soma ao real, nas escolas, e provoca tragédias pessoais pouco difundidas pela imprensa. Afinal, será que os pais sabem até onde seus filhos podem ir nessa “terra de ninguém” ou, mais apropriadamente, no espaço virtual? 


   Encarar as estripulias virtuais como “coisas da idade” pode ser um equívoco. Se a liberdade de expressão está garantida pela Constituição, a moral e a honra das pessoas também estão. Discussões acirradas entre adultos nas redes sociais nem sempre oferecem parâmetros para os mais jovens, e até por isso, cabe o conhecimento da lei para prevenir que a falta de limites resulte em dores de cabeça para os pais. […]


   Existem leis estaduais e municipais que também caracterizam o bullying e preconizam atitudes preventivas nas escolas. Descobrir se na sua cidade ou estado há uma lei assim, conhecê-la e discuti-la com os filhos é uma atitude preventiva e necessária. […] 


   Vale lembrar, ainda, que o mercado de trabalho é exigente e, atualmente, textos e opiniões postados nas redes sociais são averiguados pelos empregadores. Não adianta enviar um currículo sóbrio e bem escrito e ter uma “persona” virtual que deixa má impressão. […]


   Já o artigo 932, em seu inciso II, aponta que “os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia” são os responsáveis pela reparação civil, que significa o pagamento de determinada importância como indenização por dano resultante de delito ou ato ilícito. Os delitos de injúria, difamação e calúnia estão descritos no Código Penal, bem como as respectivas punições, que incluem detenção. 


   Pode parecer exagero, mas os artigos citados provam que “liberdade de expressão” é um daqueles direitos que exige muita autocrítica e discernimento. Nunca será demais ensiná-los. Afinal, em um contexto civilizatório, não se pode falar em “terra de ninguém”.


Adaptado de: https://www.estadao.com.br/politica/blog-do-fausto-

macedo/opine-nao-detone/?srsltid=AfmBOoqf-

6Xj3oEgllsv49HuXhUHnnLPxwa2SgzQWetkUxk7dyfspDJj.

Assinale a alternativa cujo termo sublinhado exerça a mesma função que o destacado no seguinte excerto:
“Diálogo que expressa certo conflito geracional, flagrei-o no elevador.”.  
Alternativas
Respostas
241: A
242: C
243: C
244: B
245: C
246: D
247: A
248: D
249: E
250: E
251: C
252: C
253: C
254: A
255: D
256: E
257: D
258: A
259: B
260: C