Questões de Concurso Sobre fonologia em português

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Q3622130 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.


TEXTO II


A Canoa


Em um largo rio, de difícil travessia, havia um

barqueiro que atravessava

as pessoas de um lado para o outro.

Em uma das viagens, iam um advogado e uma

professora. Como quem gosta de

falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro:

- Companheiro, você entende de leis?

- Não, respondeu o barqueiro.

E o advogado, compadecido: – É uma pena, você

perdeu metade da vida.

- A professora, muito social, entra na conversa:

- Seu barqueiro, você sabe ler e escrever?

- Também não, respondeu o barqueiro.

- Que pena! Condói-se a mesma – Você perdeu

metade de sua vida!

Nisso chega uma onda bastante forte e vira o barco. 

O barqueiro, preocupado, pergunta :

- Vocês sabem nadar?

- Não !!!! Responderam o advogado e a professora,

rapidamente.

- Então…disse o barqueiro… é uma pena – Vocês perderam toda a vida !!!!!

moral da história:

” Não há saber maior ou menor “.

” Há saberes diferentes”.

- Pense nisso e valorize todas as pessoas com as quais

tenha contato -

cada uma delas tem algo de diferente a nos ensinar.


Texto atribuído à Paulo Freire

Disponível em: https://atividadesparaeja.blogspot.com/2013/11/atividadereflexiva-canoa-paulo-freire.html


Assinale a alternativa cuja palavra possua mais de três sílabas:
Alternativas
Q3621365 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Por Que a Paciência É a Chave para o Seu Bem-Estar


Se você nasceu antes da avalanche digital e tecnológica − celulares, smartphones, internet, redes sociais, streamings, IA -, certamente vai se lembrar de como o mundo corria em um ritmo mais lento. A paciência era uma habilidade obrigatória: era preciso esperar uma semana para ver o novo capítulo da sua série favorita, ou buscar o orelhão mais próximo para combinar um programa. Caso contrário, poderíamos ser tomados pela ansiedade, ficando "malucos".


O problema é que o mundo digital virou tudo de cabeça para baixo, tornando-nos extremamente impacientes. Para se ter uma ideia, há quem desista de uma compra online em apenas 22 segundos, e mais da metade dos que buscam algo no Google abandonam a página encontrada se ela não carrega em 3 segundos. Três segundos! Nos acostumamos à velocidade da luz, e agora queremos que tudo aconteça no mesmo ritmo.


Mas aqui vai uma verdade que é possível que você não goste de saber: a impaciência não nos traz conforto algum. Primeiro, porque o mundo não vai acelerar só porque você deseja. Segundo, porque impõe uma dose extra e desnecessária de estresse. Se você lida com a ansiedade, manter esse senso de urgência ligado 24 horas por dia, sem uma válvula de escape, faz nosso motor interno começar a falhar: coração, respiração e mente ficam mais acelerados, e o cansaço toma conta. Em resumo: a impaciência sabota o nosso bem-estar


O Caminho para a Calma: Como Cultivar a Paciência


Como cultivar a paciência em um mundo que parece conspirar contra ela? Paciência diz respeito, essencialmente, ao controle das nossas emoções e à forma como respondemos às frustrações da vida: se de modo impulsivo, emocional e descontrolado (típico de quem é impaciente) ou de maneira mais refletida e racional.


Cultivar paciência não é algo que se faz da noite para o dia. Ao contrário, é uma competência vital que conquistamos dia após dia, incorporando pequenos (mas poderosos) gestos na nossa rotina.


1. Respire


Essa é das dicas das mais óbvias, mas com efeitos profundos. Pare por alguns minutos, feche os olhos e inspire e expire profundamente. A respiração lenta e consciente acalma a mente, permitindo que os pensamentos lógicos retornem ao primeiro plano, relegando as reações emocionais a um segundo plano.


2. Identifique a Raiz da Sua Impaciência


Pare por alguns segundos e faça a si mesmo essa pergunta: será que é realmente o trânsito parado que o está levando ao limite, a buzinar sem parar e a gritar pela janela? Ou, ao contrário, é possível que você tenha tantas entregas importantes a fazer que apenas alguns minutos parados na rua já foram suficientes para descontrolá-lo? Se a segunda opção for a resposta, que tal conversar com sua liderança para evitar que tantas tarefas não fiquem acumuladas em um único? dia


3. Aceite o Que Não Está em Suas Mãos


O trânsito é um exemplo clássico, assim como o atraso inevitável em uma consulta médica. Que tal virar o jogo e aproveitar esse momento em seu benefício? Escute um podcast, leia algo ou até adiante trabalho. Transforme o que seria uma fonte de estresse em uma oportunidade de relaxamento ou de produtividade.


Leia mais em: https://forbes.com.br/coluna/2025/07/por-que-a-paciencia-e-a-chave-para-o-seu-bem-estar/
Com base na acentuação dos vocábulos extraídos do texto, julgue as afirmativas a seguir:

(__)Os vocábulos 'há' e 'três' são monossílabos tônicos acentuados; no entanto, o acento em 'há' é classificado como diferencial.
(__)A supressão dos acentos nos vocábulos 'médica' e 'trânsito' ocasiona mudança em sua classe gramatical, configurando uma alteração morfológica.
(__)Os vocábulos 'paciência' e 'contrário' são exemplos de palavras que podem ter duas classificações quanto à posição da sílaba tônica.
(__)O vocábulo 'ideia' não é mais acentuado, assim como os vocábulos: baiuca, heroico, abençoo e arguo.

A sequência que preenche corretamente os espaços é:
Alternativas
Q3620858 Português
Assinale a alternativa em que as palavras estão corretamente separadas em sílabas dentro dos parênteses. 
Alternativas
Q3620855 Português
Frase 1


Leia a frase retirada do texto 2 e responda à questão.

“Veja no índice, a página correspondente ao assunto do seu interesse.”
Assinale a alternativa correta de acordo com o número de sílabas das palavras da frase 1. 
Alternativas
Q3620708 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Animais reagem a sons 'secretos' de plantas, revela pesquisa


Uma nova pesquisa sugere que os animais reagem aos sons emitidos pelas plantas, abrindo a possibilidade de que exista um ecossistema invisível entre eles.

Na primeira evidência desse tipo, uma equipe da Universidade de Tel Aviv, em Israel, descobriu que mariposas fêmeas evitavam botar ovos em pés de tomate se eles emitissem ruídos que elas associavam ao estresse, indicando que poderiam não estar saudáveis.

A equipe foi a primeira a mostrar, há dois anos, que as plantas gritam quando estão sob estresse ou não estão saudáveis.

Os sons estão fora do alcance da audição humana, mas podem ser percebidos por muitos insetos, morcegos e alguns mamíferos.

"É especulação nesta fase, mas pode ser que todos os tipos de animais tomem decisões com base nos sons que ouvem das plantas, como se devem polinizar, se esconder dentro delas ou comer a planta."

Os pesquisadores realizaram uma série de experimentos cuidadosamente controlados para garantir que as mariposas estavam respondendo ao som, e não à aparência das plantas.

Eles agora vão investigar os sons que diferentes plantas emitem, e se outras espécies tomam decisões com base neles.

"É possível pensar que pode haver muitas interações complicadas, e este é o primeiro passo", diz Yovel.

Outra área de pesquisa é se as plantas podem transmitir informações umas às outras por meio do som e agir em resposta — conservando água, por exemplo, em condições de seca, de acordo com Lilach Hadany, também professora da Universidade de Tel Aviv.

"Essa é uma questão interessante", diz ela à BBC News.

"Se uma planta está estressada, o organismo mais preocupado com isso são outras plantas, e elas podem responder de várias maneiras."

Os pesquisadores enfatizam que as plantas não são sencientes. Os sons são produzidos por meio de efeitos físicos causados por uma mudança em suas condições locais. O que a descoberta de hoje mostra é que esses sons podem ser úteis para outros animais, e possivelmente outras plantas, capazes de perceber esses sons.

Se for este o caso, então plantas e animais desenvolveram a capacidade de produzir e ouvir os sons para benefício mútuo, de acordo com Hadany.

"As plantas poderiam evoluir para produzir mais sons ou sons mais altos se isso fosse benéfico para elas, e a audição dos animais poderia evoluir de acordo para que eles pudessem captar essa enorme quantidade de informações."

"Esse é um campo vasto e inexplorado um mundo inteiro à espera de ser descoberto."

No experimento, os pesquisadores se concentraram nas mariposas fêmeas, que normalmente botam seus ovos em tomateiros para que as larvas possam se alimentar deles assim que saírem da casca.

O pressuposto era que as mariposas procuram o melhor local possível para botar seus ovos — uma planta saudável que possa nutrir adequadamente as larvas. Então, quando a planta sinaliza que está desidratada e sob estresse, a questão era: será que as mariposas dariam atenção ao aviso, e evitariam colocar ovos nela?

A resposta foi que elas não botaram ovos, devido ao som que as plantas estavam produzindo.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c77v50515lro
"Os pesquisadores enfatizam que as plantas não são sencientes. Os sons são produzidos por meio de efeitos físicos causados por uma mudança em suas condições locais."
No que diz respeito à fonologia, à ortoepia e à prosódia, marque com (V) as afirmativas verdadeiras e com (F) as falsas.

(__)A palavra 'que' apresenta um dígrafo consonantal, assim como ocorre com os vocábulos: chave, olho e corro.
(__)A palavra 'enfatizam' apresenta dígrafo vocálico, encontro de uma vogal seguida de uma consoante, que resulta num fonema vocálico.
(__)A palavra 'físicos' é pronunciada como proparoxítona, assim como a palavra 'rúbrica', que leva acento por esta razão.
(__)O vocábulo 'meio' apresenta um tritongo, por esse motivo o encontro vocálico não pode ser separado.

A sequência que preenche corretamente os parênteses é:
Alternativas
Q3618875 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Houve um tempo em que a Terra sofria com a falta de alimentos. Humanos e outros animais passavam fome. Havia, porém, uma única espécie que continuava robusta, como se tivesse sempre o que comer, a cotia! A aparência do animal chamou a atenção de Makunaíma, um jovem indígena.


Certo dia, Makunaíma seguiu a cotia e descobriu que seu alimento vinha da Wazaká, a árvore de todos os frutos. Assim que o segredo foi descoberto, os deuses da natureza anunciaram que somente os frutos caídos no chão poderiam alimentar quem tivesse fome.

Makunaíma achou injusto não poder retirar os frutos do pé e decidiu cortar a árvore. Ao tombar, seus frutos se espalharam e fizeram germinar todas as árvores que conhecemos hoje, mas nenhuma como Wazaká, a árvore da vida, de onde brotavam todos os tipos de frutos ao mesmo tempo.

*Entre os indígenas brasileiros, há muitas versões dessa história, que explica a origem de diferentes árvores. Esta versão, adaptada pela CHC, tem origem entre os Macuxi, indígenas da região Norte do Brasil.


https://chc.org.br/artigo/a-arvore-da-vida/ 
"Houve um tempo em que a Terra sofria com a falta de alimentos. Humanos e outros animais passavam fome."

Com base na fonética, identifique a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3617406 Português
O jabuti e o leopardo

Curiosamente, aquele jabuti andava depressa. Mas era descuidado. Caminhando sobre as folhas caídas no chão na floresta, não viu um buraco e − ploft! − foi parar lá no fundo. Por sorte, seu casco o protegeu da queda e ele não se machucou. Enquanto espanava a poeira do corpo, suspeitou que aquele não era um buraco qualquer, e tinha razão. Era uma armadilha feita por caçadores.

O jabuti ficou desesperado. Suas patinhas curtas não facilitavam a escalada e ele se deu conta de que estava mesmo preso no buraco. A noite caía, veio a escuridão e com ela o medo de virar comida de caçador.

− E agora? Quem vai me ajudar? − pensou alto o jabuti. Tão alto que, mal terminou a frase e... − ploft! −, um leopardo caiu no mesmo buraco.

Ainda meio tonto com a poeira levantada pelo felino na queda, o jabuti passou suas curtas patinhas nos olhos e viu que não estava sonhando. Era um leopardo mesmo, dos grandes! Seu desespero agora era duplo: estava preso no buraco e tinha a companhia de um leopardo que poderia devorá-lo a qualquer momento.

− Pensa, pensa, pensa... − repetia mentalmente o jabuti.

Que nervoso! Não lhe ocorria nada muito genial. Com o leopardo olhando fixamente na sua direção, o jabuti resolveu gritar, falar alto, irritado, com a raiva de quem tem muita coragem, embora fosse puro medo por dentro.

− O que é isso? O que é isso? Como você, leopardo, ousa invadir o meu território? Será que um jabuti não pode ter um minuto de privacidade que logo um bicho sem permissão invade a sua toca? O que você está fazendo aqui sem pedir licença? − berrava o jabuti, disfarçando a tremedeira.

O leopardo parecia atordoado, não entendia direito o que estava acontecendo. O jabuti percebeu que seu chilique era convincente e continuou:

− Não vou admitir que leopardo nenhum venha aqui, na minha casa, atrapalhar o meu descanso. Ponha-se daqui para fora agora mesmo − arriscou o jabuti, fazendo a cara mais feia que tinha para um momento de terror.

Ao que tudo indica, leopardos não gostam de receber ordens. Sem paciência, o felino agarrou o jabuti pelo casco e o arremessou para fora do buraco.

Empoeirado, aliviado e feliz, o jabuti apertou o passo, correu o mais depressa que pôde e foi para a sua verdadeira toca na floresta.

Às vezes, a gente tira coragem de onde nem imagina.


https://chc.org.br/artigo/o-jabuti-e-o-leopardo/
"Ao que tudo indica, leopardos não gostam de receber ordens. Sem paciência, o felino agarrou o jabuti pelo casco e o arremessou para fora do buraco." Com base na fonética, marque com (V) as afirmativas verdadeiras e (F) as falsas:
(__)A palavra 'não' apresenta um encontro vocálico inseparável, classificado como ditongo nasal.
(__)A palavra 'arremessou' apresenta dois dígrafos consonantais e um ditongo, sendo considerado uma palavra polissílaba.
(__)O vocábulo 'que' apresenta dígrafo consonantal, já que o 'qu' representa um único fonema.
(__)A palavra 'leopardos' apresenta um ditongo, um encontro consonantal e é considerada uma palavra trissílaba.

A sequência que preenche corretamente os parênteses é:
Alternativas
Q3617325 Português
Houve um tempo em que a Terra sofria com a falta de alimentos. Humanos e outros animais passavam fome. Havia, porém, uma única espécie que continuava robusta, como se tivesse sempre o que comer, a cotia! A aparência do animal chamou a atenção de Makunaíma, um jovem indígena.

Certo dia, Makunaíma seguiu a cotia e descobriu que seu alimento vinha da Wazaká, a árvore de todos os frutos. Assim que o segredo foi descoberto, os deuses da natureza anunciaram que somente os frutos caídos no chão poderiam alimentar quem tivesse fome.

Makunaíma achou injusto não poder retirar os frutos do pé e decidiu cortar a árvore. Ao tombar, seus frutos se espalharam e fizeram germinar todas as árvores que conhecemos hoje, mas nenhuma como Wazaká, a árvore da vida, de onde brotavam todos os tipos de frutos ao mesmo tempo.

*Entre os indígenas brasileiros, há muitas versões dessa história, que explica a origem de diferentes árvores. Esta versão, adaptada pela CHC, tem origem entre os Macuxi, indígenas da região Norte do Brasil.

https://chc.org.br/artigo/a-arvore-da-vida/
"Houve um tempo em que a Terra sofria com a falta de alimentos. Humanos e outros animais passavam fome."
Com base na fonética, identifique a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3616690 Português
A divisão silábica correta da palavra INSTRUÇÕES é:
Alternativas
Q3616197 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

E se...

        E se eu não tivesse brigado, discutido, me entregue? E se eu tivesse feito diferente, dito de outra forma, me retirado em silêncio? E se eu não tivesse aceitado o conselho, tivesse tomado uma decisão por mim mesmo ou ainda, se tivesse escutado o que me diziam, talvez hoje fosse diferente? Talvez eu não estaria aqui escrevendo e você não estivesse aí lendo. Não nos damos conta de que se não tivéssemos feito o que fizemos, dentro do possível que éramos na época, não teríamos chegado até aqui do jeito que chegamos. O “e se” é suspenso. O agitamos feito um papel manteiga que se dobra diante do vento. Tentar prever algo, saber de antemão é congelar a vida.

        Construímos tensões ao longo do tempo. Ficamos tristes, desapontados, frustrados. Somos uma espécie de taças sendo preenchidas e esvaziadas constante e silenciosamente. Talvez pudéssemos pensar que o “e se” funciona como ruínas que carregamos dentro de nós. Somos tão cheios de impossibilidades e nos demoramos nelas feito crianças birrentas que insistem em algo que já passou. Pensar no que poderia ter acontecido se tivéssemos feito de outro modo é ficar velando ossos. O tempo revira a vida todos os dias. Precisamos aprender a passar por nossas ruínas internas sabendo por onde pisamos, aceitando o que se perdeu. Temos tanto medo de morrer, mas nem nos damos conta de que ao ficarmos fixados no “e se”, flertamos com o que já não tem mais vida alguma e nos assombra feito fantasmas. Alimentamos fantasmas pela escuridão que projetamos.

        Estar vivo é errar. Ninguém nasce com o mapa do caminho. Vamos inventando aos poucos. Acertando aqui, nos queimando logo ali. Pisando em falso numa memória, tropeçando numa escolha equivocada, correndo atrás dos sonhos. Se conseguirmos olhar para traz e pensar que hoje faríamos de outro jeito, eis a constatação de que estamos nos movimentando. Mesmo que estejamos andando em círculos, repetindo, repetindo. Até que um dia nos damos conta de que já passamos por esta mesma paisagem muitas vezes. Agora podemos reconhecer por onde andam os buracos que nos machucam.

        Invocar o “e se” é permanecer voltado para trás. É ficar olhando para lápides e estátuas trincadas cobertas de musgo. Talvez pudéssemos nos permitir a perguntar: “e agora”? Todos carregamos coisas mal resolvidas dentro de si, mas para quê? Nossos cacos da infância, restos de histórias interrompidas compõem nosso chão, é fato, mas mais do que sermos metamorfoses ambulantes, somos trajetórias e trajetos que se fazem e desfazem e se refazem o tempo todo

Autora: Adriana Antunes - GZH (adaptado).
A fonologia estuda a relação entre letras e sons na Língua Portuguesa, diferenciando grafemas, fonemas e dígrafos. Na palavra birrentas, há:
Alternativas
Q3616195 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

E se...

        E se eu não tivesse brigado, discutido, me entregue? E se eu tivesse feito diferente, dito de outra forma, me retirado em silêncio? E se eu não tivesse aceitado o conselho, tivesse tomado uma decisão por mim mesmo ou ainda, se tivesse escutado o que me diziam, talvez hoje fosse diferente? Talvez eu não estaria aqui escrevendo e você não estivesse aí lendo. Não nos damos conta de que se não tivéssemos feito o que fizemos, dentro do possível que éramos na época, não teríamos chegado até aqui do jeito que chegamos. O “e se” é suspenso. O agitamos feito um papel manteiga que se dobra diante do vento. Tentar prever algo, saber de antemão é congelar a vida.

        Construímos tensões ao longo do tempo. Ficamos tristes, desapontados, frustrados. Somos uma espécie de taças sendo preenchidas e esvaziadas constante e silenciosamente. Talvez pudéssemos pensar que o “e se” funciona como ruínas que carregamos dentro de nós. Somos tão cheios de impossibilidades e nos demoramos nelas feito crianças birrentas que insistem em algo que já passou. Pensar no que poderia ter acontecido se tivéssemos feito de outro modo é ficar velando ossos. O tempo revira a vida todos os dias. Precisamos aprender a passar por nossas ruínas internas sabendo por onde pisamos, aceitando o que se perdeu. Temos tanto medo de morrer, mas nem nos damos conta de que ao ficarmos fixados no “e se”, flertamos com o que já não tem mais vida alguma e nos assombra feito fantasmas. Alimentamos fantasmas pela escuridão que projetamos.

        Estar vivo é errar. Ninguém nasce com o mapa do caminho. Vamos inventando aos poucos. Acertando aqui, nos queimando logo ali. Pisando em falso numa memória, tropeçando numa escolha equivocada, correndo atrás dos sonhos. Se conseguirmos olhar para traz e pensar que hoje faríamos de outro jeito, eis a constatação de que estamos nos movimentando. Mesmo que estejamos andando em círculos, repetindo, repetindo. Até que um dia nos damos conta de que já passamos por esta mesma paisagem muitas vezes. Agora podemos reconhecer por onde andam os buracos que nos machucam.

        Invocar o “e se” é permanecer voltado para trás. É ficar olhando para lápides e estátuas trincadas cobertas de musgo. Talvez pudéssemos nos permitir a perguntar: “e agora”? Todos carregamos coisas mal resolvidas dentro de si, mas para quê? Nossos cacos da infância, restos de histórias interrompidas compõem nosso chão, é fato, mas mais do que sermos metamorfoses ambulantes, somos trajetórias e trajetos que se fazem e desfazem e se refazem o tempo todo

Autora: Adriana Antunes - GZH (adaptado).
A ortoépia estuda a correta separação das sílabas e a acentuação da sílaba tônica nas palavras. Nesse sentido, analise as assertivas:
I. A palavra fantasmas separa-se em fan-tas-mas e tem a sílaba tônica em tas, classificando-se como paroxítona.
II. O vocábulo equivocada divide-se em e-qui-vo-ca-da e apresenta tonicidade em ca, sendo, portanto, paroxítona.
III. A palavra impossibilidades separa-se em im-pos-si-bi-li-da-des e tem como sílaba tônica da, classificando-se como paroxítona.
Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3615826 Português

Texto para responder à questão.


Sabiá-laranjeira totalmente branco é avistado em propriedade rural no Paraná


    Um sabiá-laranjeira com plumagem completamente branca foi avistado por um agricultor em uma área rural de Mangueirinha, no sudoeste do Paraná. O registro é considerado raro por especialistas, já que a espécie normalmente apresenta coloração marrom e alaranjada.

    Segundo Ben Phalan, gerente de conservação do Parque das Aves, a coloração incomum do animal pode ser causada por leucismo ou albinismo, condições genéticas que afetam a produção de melanina, pigmento responsável por cores como marrom e preto nas penas das aves. “O sabiá-laranjeira é uma espécie comum no estado. Normalmente tem coloração marrom com barriga alaranjada, mas esse indivíduo tem uma mutação que pode ser leucismo ou albinismo”, explica Phalan.

    A diferença entre leucismo e albinismo é que no leucismo, a ave perde parcial ou totalmente a coloração das penas, mas mantém a pigmentação dos olhos. Já no albinismo, a ausência de melanina é completa, inclusive nos olhos, que adquirem tonalidade avermelhada por conta dos vasos sanguíneos. Como não foi possível observar os olhos da ave, os especialistas não puderam confirmar com certeza qual é a condição genética do animal.

    Apesar de a mutação não afetar a saúde do sabiá, ela pode representar desvantagens no ambiente natural. “É um indivíduo que se desenvolveu normalmente, mas por ser branco, fica mais visível para predadores. Além disso, há estudos que sugerem que aves com essa coloração podem ter mais dificuldade para encontrar um parceiro”, explica Phalan. “É possível que leve uma vida normal, mas com mais obstáculos do que um sabiá com coloração padrão.”


(Disponível em: https://g1.globo.com/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)

Assinale a palavra cuja divisão silábica está INCORRETA.
Alternativas
Q3615494 Português

Uma velhinha é uma velhinha


    Não sei se os outros pensam assim, mas, quando vejo uma velhinha e procuro imaginar que ela já tenha sido jovem, e tido um namorado, e feito todas as coisas a que o amor obriga, por mais que eu queira, não acredito. Ou, se acredito, não entendo. Porque uma velhinha é uma velhinha, tal qual uma rosa, que é uma rosa. Dá-me uma ideia do ser humano eterno, que sempre houve e não deixará de haver, com sua golinha de rendas, seu chapéu com aplicação de jasmins, seu guarda-chuva, seus sapatos de fivelas. As de Paris passeiam, de manhã, em Auteuil, comprando carne para os gatos, queijos e legumes para si. Passeiam seus cães, à tardinha, no bois e, enquanto dão-lhes folga, discutem, umas com as outras, sobre a última e a próxima guerra. Queixam-se do frio, da bruma constante e, se um sinal de luz aponta para os lados de Versailles, dizem todas, ao mesmo tempo, numa felicíssima esperança: “Il va faire beau!” Adoram o sol. Que engraçado vê-las ao sol! Ficam mexeriqueiras, rigorosas e bisbilhotam a vida de todas as velhinhas ausentes. Voltam à humildade de antes, quando o sol se cobre e a praça esfria outra vez, mandando-as para casa. Passava horas vendo as velhinhas de Paris. Na Ferme d'Auteuil, entre cinco e seis da tarde, tomavam seu chá, lentamente, e era uma delícia ouvi-las conversar. Mas nunca me consenti acreditar que houvessem sido mocinhas, ou que houvessem tirado aquela espécie de farda, um dia sequer, em suas vidas.

    Há pouco tempo, em um café de Friburgo, sentou-se uma velhinha para conversar. Precisava de um dinheiro, para caiar a casa e ajudar no casamento de uma neta. Aceitou uma xícara, beliscou de uns doces, e foram tantas as perguntas, que acabou contando sua vida. Tivera um namorado, andara fazendo suas facilidades com ele. Depois, casou com outro. Por fim, morreu-lhe o marido e, na campanha por um novo casamento, dera-se a duas ou três fantasias pouco recomendáveis, em senhoras viúvas. Isso representou para mim um choque muito grande. De repente, as velhinhas de Auteuil deixaram de ser os seres eternos que eu, sabiamente, imaginara. Todas se transformaram, violentamente, em gente igual a mim, que comete dos meus erros e, como eu, de felicidade em felicidade, de abraço em abraço, de ilusão em ilusão, inebriadamente, envelhece...


(MARIA, Antônio. Benditas sejam as moças: as crônicas de Antônio Maria. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.) 

A separação silábica possui grande importância em diferentes situações; ela é fundamental para leitura e escrita, bem como para pronúncia, compreensão de estruturas sintáticas e regras de acentuação das palavras. Assinale a alternativa que apresenta correta divisão silábica. 
Alternativas
Q3615394 Português

Quem me dera (mas Deus me livre)


    Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.

    Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.

    Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.

    Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.

    Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.

    O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.

    E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.

    Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.

    Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!

    Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.

    O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.

    Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.

    Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.


(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)

Assinale a palavra cuja divisão silábica está correta.
Alternativas
Q3615389 Português

Quem me dera (mas Deus me livre)


    Sempre que volto de férias, penso: é isso! É assim que a vida tem que ser. Leve, sem pressa, sem pressão. Tem que ter descobertas diárias de lugares novos – também dentro de nós. Antes de colocar o pé na rotina, me prometo que agora vai. Trarei comigo aquela mulher plena, serena, livre. Não depende do lugar, dá para fazer da vida real o paraíso possível.

    Imagino, então, uma vida assim. Uma eternidade de dias bons. Sem tempo feio: se calor, tem praia; se frio, lareira. Ao meu lado, um homem que me entende sem precisar de legendas, e que nunca erra a hora do silêncio e do carinho. Que me ama do jeito que eu queria ser amada antes de entender que isso não existe.

    Filhos comportados e felizes, como são nas férias. Solidários, sem telas, sem chiliques. Me olham com o fascínio de quando mamavam no peito: aceitando, agradecendo. E que dormem. Dormem muito.

    Uma casa minimalista, autolimpante, com cheirinho de madeira. Não tem elevador, vizinhos, carros. Nenhum barulho humano. Só o canto da natureza e a sinfonia do mar batendo nas pedras (sim, paraíso tem que ter mar). A vista da janela é o meu quintal, o sol e a lua na minha frente, se revezando só para mim.

    Estarei rodeada de um círculo seleto de amigos sinceros, sofisticados e espiritualmente evoluídos. Que só aparecem na hora certa, com uma boa garrafa de vinho. Meu corpo aguenta as três taças. Acorda disposto com a pele bonita, como fica nas férias: dourada, sem pregas na testa, natural. O corpo dança, corre, nada e me obedece como se fosse meu. A alma, curada. Centrada e grata. Capaz de perdoar tudo, até a minha própria plenitude.

    O mundo finalmente terá entendido meu ritmo. Me adaptarei tão bem, que começarei a suspeitar que esse, afinal, seria meu estado natural.

    E uma manhã, sem motivo nenhum, sinto falta. Não sei de quê. Talvez da bagunça. De alguma voz mais alta, alguma cobrança, decepção, insônia. Do ruído da vida real. Da fumaça da cidade que eu tanto amaldiçoo.

    Começo a desconfiar da calmaria e da segurança. Desconfio da vista. Desconfio daquele homem que me entende demais – e, por isso mesmo, me cansa. Estranho minhas sobrancelhas relaxadas. O sorriso constante começa a doer os músculos da face. A doçura dos filhos me enjoa. Me canso do sono profundo de todas as noites e dos sonhos tão limpos. Me irrito com a pelinha da cutícula, os pés descalços, a histeria insuportável dos passarinhos das manhãs. Fico irritada, enfim, com a plenitude; intimidada com a perfeição da natureza que escancara o quanto sou pequena. Sinto falta do que faz mal, da gordura, do descontrole, do Wi-Fi, de mentiras.

    Para quem tem uma alma inquieta, uma existência sem desvio é apenas uma linha reta – e linhas retas são as mais fáceis de derrubar. A tragédia da felicidade é que ela dura pouco. Alívio!

    Eu, que tanto busco a paz, sem um pouco de atrito não me acendo. O que me salva é exatamente aquilo que me inquieta. O tropeço, o caos, a carne viva da imperfeição. A dorzinha chata que lembra: você ainda está aqui. O que me salva é o desejo, esse bicho sedento que vive da procura e nunca quer encontrar.

    O paraíso talvez seja só uma boa ideia. E saber disso já é conquistar um pedaço dele na terra.

    Volto das férias com medo e preguiça da realidade. Já as querendo de volta.

    Quem me dera viver sempre no modo férias. Mas Deus me livre.


(Por: Becky S. Korich. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)

O vocábulo “pé” (1º§) é acentuado por ser um(a):
Alternativas
Q3615169 Português
Durante uma atividade de fonética, a professora pediu que os alunos identificassem corretamente os encontros vocálicos presentes em determinadas palavras da Língua Portuguesa. Para isso, apresentou uma lista de palavras e pediu a associação com o tipo de encontro vocálico correspondente.

Associe a Coluna I (tipos de encontros vocálicos) à Coluna II (palavras): 

Coluna I
I.Hiato.
II.Ditongo.
III.Tritongo.

Coluna II
(__)Papai.
(__)Navio.
(__)Paraguai.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3615080 Português

O conde e o passarinho


    Rubem Braga é, sabidamente, um conhecedor de passarinhos. Suas crônicas alegram-se e se entristecem com frequência de nomes de pássaros nacionais que eu só conheço de ouvir dizer – o que me dá um certo complexo de inferioridade. Já andei, certa vez, planejando estudar ornitologia por causa disto, e lembro-me de que na viagem que fiz com ele à sua Cachoeiro do Itapemirim, quando da homenagem que lhe prestou a cidade, foi com um sentimento de gula que recebi o maravilhoso disco de pios artificiais de passarinhos, feito pela família Coelho, que disso criou uma pequena indústria local. Tais projetos nunca foram adiante, como vários outros, entre os quais um de estudar carpintaria: e este, inclusive, concertado com o próprio Rubem – e que resultou em arrancarmos, ato contínuo, a porta da garagem da minha antiga casa, sairmos meia hora depois para matar o calor com uma cerveja gelada, e nunca mais voltarmos à dita porta, que se quedou jazente por dias a fio, vítima de nossa impostura.

    O Braga conhece bem sua passarada, isso ninguém lhe tira. O que não impede, porém, que tenha dado um “baixo” ornitológico que merece registro, segundo me conta minha irmã Lygia, testemunha ocular do mesmo. Pois o que se deduz da história é que o Braga pode conhecer muito bem tico-tico, curió, sanhaço, cardeal, tiê-sangue, sabiá, gaturamo, cambaxirra e até mesmo vira-bosta – mas em matéria de canário trata-se de um otário completo e acabado. Dito o quê, passemos à narrativa.

    Parece que o Braga vinha um dia assim muito bem pela Cinelândia, quando topou com um vendedor de passarinhos oferecendo a preço de ocasião um casal de canários dentro de uma gaiola cuja bossinha era ser dividida por uma separação levadiça em dois compartimentos, um para o macho, outro para a fêmea. A gracinha era abrir a portinhola do macho, deixá-lo fugir e depois vê-lo voltar docemente, no pio da fêmea.

    O Braguinha, que além de gostar de pássaros não é tolo, assistiu com o maior interesse a mais essa demonstração, entregou o dinheiro, meteu a gaiola debaixo do braço e tocou-se para o Leblon, sequioso de mostrar seu novo brinco ao aborígine. E deu-lhe a sorte de encontrar minha irmã Lygia, que além de ser uma esplêndida assistência para demonstrações desse teor, é pessoa mais de se apiedar que de caçoar da desdita alheia.

    O Braga colocou a gaiola em posição, abriu a porta e lá se foi o canarinho pelo azul afora, em lindas evoluções. A fêmea, como previsto, abriu o bico, e o canário, ao ouvi-la, fez direitinho como mandava o figurino: voltou e posou junto à porta aberta. Mas o divórcio entrou? Nem o canário. O bichinho ficou prudentemente à porta, mas entrar dentro mesmo da gaiola que é bom... ahn-ahn. O Braga animou a ave canora com milhões de piu-pius, fez-lhe mentalmente enérgicas perorações contra a sua calhordice – tudo isso, conta minha irmã Lygia, com olhos onde se começava a notar uma certa apreensão. O canário, nada.

    Quem sabe, ponderou minha irmã, um elemento verde qualquer colocado junto à porta, uma folha de alface, por exemplo, não animaria o bichinho? Foi trazida a folha de alface e colocada junto à porta. Durante essa operação, o canário levantou voo, e a canarinha, aproveitando-se da ocupação dos dois, fez força com o biquinho e acabou por erguer a portinhola da separação; dali para o Jardim Botânico, não teve nem graça.

    Diz minha irmã que o Braga ficou triste, triste. E como a esperança é a última que morre, antes de ir embora ainda ajeitou a gaiolinha para uma espera: quem sabe os pilantras não voltariam à noite...

    Canário, hein Braguinha?...


(DE MORAES, Vinicius. Para viver um grande amor. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 81-83. Crônica publicada, originalmente, no jornal “A noite”, de 02/04/1956. Adaptado.)

Assinale a alternativa cuja palavra apresenta a separação silábica corretamente indicada.
Alternativas
Q3614124 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Tô fraco!

Há muito tempo, na África, as aves viviam felizes, ciscando em liberdade. Mas um disse-me-disse e muita inveja interromperam a paz, transformando a boa convivência em uma grande confusão!

Tudo começou quando o melro, ave bela e vistosa, que arrancava suspiros das galinhas d'angola, começou a se exibir. Era, de fato, um macho de rara beleza. Tinha penas pretas brilhantes e o bico amarelo, cor de ovo de roça, quase laranja.

Todas as outras aves queriam ser como o melro. Sabendo disso, ele desfilava para cima e para baixo com ar de superioridade. Certo dia, tomado pela vaidade, prometeu que, se as galinhas d'angola o obedecessem, usaria seus poderes mágicos e as tornaria totalmente pretas, reluzentes, lindas como ele.

Ao contrário do que era esperado, as aves não deram muita bola para o melro. Continuaram ciscando aqui e ali como bem entendiam. Furioso, ele jurou vingança e rogou uma praga: 

− A partir de hoje, todas as galinhas d'angola serão magras e sentirão fraqueza constante! − disparou o melro com voz de trovão.

Dito e feito. A partir desse dia, as galinhas d'angola − que, apesar de suas pernas finas, correm bastante − vivem cacarejando sua fraqueza: "tô fraca... tô fraca..."

https://chc.org.br/artigo/to-fraco/
"A partir de hoje, todas as galinhas d'angola serão magras e sentirão fraqueza constante! − disparou o melro com voz de trovão." Com base na fonética, marque com (V) as afirmativas verdadeiras ou com (F) as falsas.
(__)A palavra 'galinha' possui um dígrafo inseparável e possui o mesmo número de sílabas da palavra 'ideia'.
(__)A palavra 'partir' possui encontro consonantal separável e é uma palavra dissílaba, assim como 'pneu'.
(__)As palavras 'hoje' e 'trovão' são palavras dissílabas e possuem encontros consonantais.
(__)A palavra 'magra' possui duas sílabas e um encontro consonantal inseparável.
A sequência que preenche corretamente os parênteses é: 
Alternativas
Q3614121 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Tô fraco!

Há muito tempo, na África, as aves viviam felizes, ciscando em liberdade. Mas um disse-me-disse e muita inveja interromperam a paz, transformando a boa convivência em uma grande confusão!

Tudo começou quando o melro, ave bela e vistosa, que arrancava suspiros das galinhas d'angola, começou a se exibir. Era, de fato, um macho de rara beleza. Tinha penas pretas brilhantes e o bico amarelo, cor de ovo de roça, quase laranja.

Todas as outras aves queriam ser como o melro. Sabendo disso, ele desfilava para cima e para baixo com ar de superioridade. Certo dia, tomado pela vaidade, prometeu que, se as galinhas d'angola o obedecessem, usaria seus poderes mágicos e as tornaria totalmente pretas, reluzentes, lindas como ele.

Ao contrário do que era esperado, as aves não deram muita bola para o melro. Continuaram ciscando aqui e ali como bem entendiam. Furioso, ele jurou vingança e rogou uma praga: 

− A partir de hoje, todas as galinhas d'angola serão magras e sentirão fraqueza constante! − disparou o melro com voz de trovão.

Dito e feito. A partir desse dia, as galinhas d'angola − que, apesar de suas pernas finas, correm bastante − vivem cacarejando sua fraqueza: "tô fraca... tô fraca..."

https://chc.org.br/artigo/to-fraco/
"Há muito tempo, na África, as aves viviam felizes, ciscando em liberdade. Mas um disse-me-disse e muita inveja interromperam a paz, transformando a boa convivência em uma grande confusão!" Com base na acentuação dos vocábulos utilizados no trecho, analise as afirmativas a seguir:
I.A palavra 'África' é uma palavra proparoxítona, por isso é acentuada graficamente.
II.A palavra 'há' é acentuada por ser uma monossílaba tônica terminada em 'a'.
III.A palavra 'confusão' é acentuada graficamente por ser uma oxítona terminada em ditongo.
IV.A palavra 'convivência' é uma paroxítona terminada em ditongo crescente.
É correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q3611755 Português

Considerando aspectos morfológicos, ortográficos e fonológicos da língua portuguesa, analisar os itens.


I. A palavra “rolha” pode flexionar-se em gênero e número.

II. Em “Ninguém questiona porque a cortiça preserva o vinho?”, o uso do “porque” está certo, pois equivale a “pela razão que”.

III. O encontro vocálico em “sobreiro” é classificado como ditongo decrescente.


Está CORRETO o que se afirma:

Alternativas
Respostas
1141: B
1142: D
1143: D
1144: A
1145: E
1146: D
1147: A
1148: B
1149: A
1150: B
1151: D
1152: B
1153: B
1154: A
1155: C
1156: D
1157: A
1158: C
1159: C
1160: C