Questões de Concurso Sobre flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) em português

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Q3233080 Português

Poesia e ciência

 

É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão científica prevalecente na época.

 

Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente 96 e 55 a.C.e Em um mundo completamente dominado por religiões politeístas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência cega à autoridade O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:

 

“Quando a vida humana, arrastando-se pela Terra, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhos mortais contra esses tormentos |...) Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e, desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.

 

Dois mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, posta da ciência e da lucidez apaixonada.

 

* Este texto foi publicado em 1988.

 

(Adaptado de GLEISER, Marcela. Retalhos cósmicos. São Paulo. Companhia das Letras, 1999, p. 21-22)

As palavras de Lucrécio podem liberar as criaturas do medo supersticioso se elas reconhecem sua corajosa lucidez.

 

A correlação entre os tempos e os modos verbais do período acima manter-se-á plenamente adequada caso se substituam as formas sublinhadas, na ordem dada, por.

Alternativas
Q3232680 Português
A não-aceitação

    Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer ficar em casa. Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas.
    Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava.
    Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 291.)
“[...] e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho.” (3º§) Sem mudar o sentido da frase, a expressão destacada pode ser substituída por
Alternativas
Q3232595 Português
Leia a tira.
Captura_de tela 2025-03-10 080717.png (432×557)
(O Estado de S.Paulo, 7 de outubro de 2024. Adaptado)

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, os espaços.
Alternativas
Q3231642 Português

Considere as frases.


•  Quando os cartórios ___________ as informações exigidas na AEDO, enviarão os dados para o Ministério da Saúde.


•  Se os pais da criança __________ a autorização imediata da família do falecido, a situação clínica do filho não teria se agravado.


•  Nossos vizinhos ____________ para a filha o transplante de coração tão aguardado por todos.



Assinale a alternativa cujos verbos preenchem, respectivamente e atendendo à norma-padrão, as lacunas das frases.

Alternativas
Q3230743 Português

Nos versos da música de Chico Buarque, os verbos destacados, podem ser classificados como:



 Quando você me deixou, meu bem


Me disse pra ser feliz e passar bem


Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci


Mas depois, como era de costume, obedeci


[...]


Quando talvez precisar de mim


'Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim


Olhos nos olhos, quero ver o que você diz


Quero ver como suporta me ver tão feliz

Alternativas
Q3227793 Português


Internet:: <sema.df.gov.br>  (com adaptações).

Quanto aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item.


As formas verbais “ficamos” (linha 16) e “pôde” (linha 28) estão conjugadas no mesmo tempo e modo verbal. 

Alternativas
Q3203310 Português

Para enfrentar queimadas, especialistas cobram recursos para órgãos ambientais

Por Agência Senado

https://qcon-assets-production.s3.amazonaws.com/images/provas/127090/Q_01_a_Q_07.png

Na frase “Ele ___ os impactos para a fauna e para a flora” (l. 07-08), a lacuna tracejada deve ser preenchida com o verbo “apontar” no presente do indicativo. Qual alternativa corresponde a essa conjugação?
Alternativas
Q3198921 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



'Bolha de calor' pode causar um dos setembros mais quentes da história do Brasil?


Uma forte onda de calor atinge o Brasil na primeira quinzena de setembro, segundo alguns dos principais institutos de meteorologia do Brasil. A previsão é de que os termômetros registrem temperaturas máximas entre 40°C e 45°C em alguns Estados nesse período.


Isso poderia elevar a média da temperatura para a época e pode tornar este um dos meses de setembro mais quentes já registrados no país. Mas por que isso acontece?


A BBC News Brasil ouviu especialistas para entender se isso é algo atípico e quais fenômenos estão causando esse calor fora do comum.


Segundo o MetSul Meteorologia, uma massa de ar quente está cobrindo boa parte do Brasil e vai ganhar ainda mais força nos próximos dias. A previsão é que ela se expanda e leve altas temperaturas inclusive para o sul do país, onde as temperaturas são mais amenas nesta época do ano.


De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para os próximos em São Paulo é de temperaturas máximas de 33°C e 34°C até pelo menos a próxima sexta-feira. Cuiabá deve registrar máxima de 42°C na quinta e sexta.


Até mesmo a cidade de Curitiba, no Sul, pode registrar, segundo o Inmet, máximas de 33°C na terça e na quarta.


Guilherme Borges, meteorologista do Climatempo, diz que ele e seus colegas de trabalho avaliam que não é possível fazer projeções de que possamos ter recordes históricos.


"Vai ser forte, mas não é possível dizer que vai bater temperatura. Não temos como afirmar isso com base nos modelos que usamos. O que enxergamos são temperaturas entre 40 e 44°C nos próximos dias. Será uma onda de calor importante", diz.


Guilherme explica que essa onda de calor, chamada pelo MetSul de "bolha de calor", é causada pela estabilização de uma massa de ar quente e alta pressão atmosférica em boa parte do país.


"Ela intensifica a formação do ar quente de cima para baixo dificultando a formação de nuvens de chuva e deixando o tempo mais seco.


Ele explica que é normal esse calor no mês de setembro e que em 2023 também houve uma onda de calor semelhante, mas que ocorreu na segunda quinzena do mês e não na primeira como agora.


"Isso é culpa das mudanças climáticas, que têm um papel significativo nesses extremos de calor e chuva. Isso ocorre porque nosso planeta tem que dimensionalisar energia. Essas ondas de calor e chuva extremos ocorrem para compensar esse aquecimento", diz.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c049yknxxwlo#:~:text=De%20 acordo%20com%20o%20MetSul,7%C2%B0C%20em%202005

"Isso poderia elevar a média da temperatura para a época e pode tornar este um dos meses de setembro mais quentes já registrados no país."

Identifique a alternativa que apresenta um verbo no mesmo tempo e modo do destacado no texto.
Alternativas
Q3190778 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

     Quando retirei a faca da mala de roupas, embrulhada em um pedaço de tecido antigo e encardido, com nódoas escuras e um nó no meio, tinha pouco mais de sete anos. Minha irmã, Belonísia, que estava comigo, era mais nova um ano. Pouco antes daquele evento estávamos no terreiro da casa antiga, brincando com bonecas feitas de espigas de milho colhidas na semana anterior. Aproveitávamos as palhas que já amarelavam para vestir feito roupas nos sabugos. Falávamos que as bonecas eram nossas filhas, filhas de Bibiana e Belonísia. Ao percebermos nossa avó se afastar da casa pela lateral do terreiro, nos olhamos em sinal de que o terreno estava livre, para em seguida dizer que era a hora de descobrir o que Donana escondia na mala de couro, em meio as roupas surradas com cheiro de gordura rançosa. Donana notava que crescíamos e, curiosas, invadíamos seu quarto para perguntar sobre as conversas que escutávamos e sobre as coisas de que nada sabíamos, como os objetos no interior de sua mala. A todo instante éramos repreendidas por nosso pai ou nossa mãe. Minha avó, em particular, só precisava nos olhar com firmeza para sentirmos a pele arrepiar e arder, como se tivéssemos nos aproximado de uma fogueira.

Excerto extraído da obra Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior.
No trecho "Aproveitávamos as palhas que já amarelavam para vestir feito roupas nos sabugos", a palavra "amarelavam" é um verbo flexionado no:
Alternativas
Q3182639 Português

O texto a seguir servirá de base para responder à questão.



Escrever as emoções: o sentido de dar palavras à ebulição interior


Julián Fuks



Às vezes sinto que minha filha tem escrito mais do que eu, ou tem sido mais verdadeira no que escreve. Mais imediata, talvez, no desembaraço de seus sete anos de idade. Criou agora seu caderno de sentimentos, algo como um diário ilustrado onde ela registra cada emoção forte que a acomete. Eu olho a urgência com que ela corre para o caderno, o vigor com que empunha o lápis, a concentração com que passa a ignorar tudo o que a cerca. Nada mais lhe importa nesse momento, a escrita toma toda a sua existência, e assim cada emoção turbulenta de origem se faz satisfação e leveza. Escreveu algo de essencial, traçou em linhas exatas seu sentimento, deu a uma vaga abstração sua forma concreta. Quisera eu escrever dessa maneira.


Seu caderno se inicia com a mais simples e expressiva das páginas. Tutu triste, vê-se em letras pequenas, e embaixo seu autorretrato de olhos pesados e duas lágrimas gordas sobre as bochechas. Segue ainda por afetos límpidos: Tutu animada, raivosa, impaciente, sonolenta, Tutu sem acreditar no que está acontecendo, neste caso um desenho de si boquiaberta e de olhos vidrados. Depois disso ela parece ter percebido a necessidade de explorar as causas subjacentes aos sentimentos, como Balzac alguma vez decidiu dar as raízes ocultas de cada fato. Passou a anotar coisas como "Tutu empolgada com o acampamento", e "Tutu aliviada porque um homem horrível não ganhou as eleições".


"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador". Leio essa frase em Clarice Lispector e acredito entender algo sobre minha filha, e algo sobre mim. Clarice emenda que talvez por isso tome tantos anos entre um verdadeiro escrever e outro, ainda que se empunhe o lápis todos os dias por uma vida inteira. Para mim dá-se o mesmo, alinhavo palavras sempre que me visita o caderno de sentimentos. Ali, se o tivesse, talvez me fosse mais sincero dizer: "Julián embevecido de admiração por sua filha."


Não posso, no entanto, encerrar meu comentário sobre o caso nesse ponto, porque há um acontecimento recente muito mais digno de nota do que tudo isso que contei. Lê-se numa das páginas do caderno: "Tutu infeliz porque a Peps não está sendo uma boa pessoa". Não sei qual conflito a levou a registrar palavras tão acerbas contra a irmã, decerto alguma dessas pequenezas que diariamente trovejam na relação entre as duas, precedidas e sucedidas de risos desabridos e abraços enérgicos.


Penélope não deixou passar sem vingança a acusação insolente. Enquanto folheava o caderno da irmã e tentava decifrar as palavras escritas com que já começa a se familiarizar — começa a se irmanar, eu poderia dizer — acabou calhando de rasgar uma folha, digamos sem querer. Foi tal a indignação da irmã com o gesto destrutivo que me pareceu razoável mostrar a ela a página em que Tulipa descrevera sua decepção primeira e indagar com veemência: é isso o que você deseja? Essa é a emoção que você quer provocar na sua irmã, a infelicidade? Não seria preferível criar nela uma impressão mais positiva, e constar numa página que falasse de entusiasmo, carinho, alegria?


Penélope então me encarou com olhos indecifráveis, ainda um tanto severos, e respondeu com segurança e presteza: claro que sim, dou um jeito nisso. Correu até seu quarto, fechou-se ali por alguns minutos, criou entre os que a esperávamos um momento palpável de apreensão e suspense. Retornou com o semblante desanuviado, plena de satisfação e leveza. Numa folha avulsa ela desenhara a irmã com seu inseparável caderninho nas mãos, com um largo sorriso a lhe cruzar o rosto inteiro, e delineara na ortografia atrevida de seus quatro anos: "Tutu feliz porque a Peps se comportou bem."


Não pude senão me espantar com sua intrepidez, com sua decisão de se fazer autora da página que gostaria de ver. Sua sagacidade buscara um atalho: não era preciso suscitar na irmã o devido sentimento, a ficção poderia suprir bem esse seu desejo, e ainda expor o ridículo da bronca que o pai lhe dera. Ela é uma escritora diferente de nós, foi o que pensei, talvez mais inventiva, mais livre, menos submissa às insignificâncias da realidade e às suas emoções correspondentes. E ao pensá-lo entendi que, se tivesse afinal meu próprio caderno de sentimentos, também anotaria em página nova minha profunda admiração por ela.


Um último ato encerra a história, mostrando as intrincadas relações entre ficção e realidade, ou o modo como a escrita das emoções pode alterar nossa existência no mundo, cuidando estranhamente de nos aproximar dos outros. Tulipa viu a página que a irmã depositara sobre a mesa, e sentiu que um sorriso largo lhe cruzava o rosto inteiro, sentiu uma comoção que lhe dominava o peito. Correu nesse mesmo instante para registrar o sentimento novo em seu caderno, para criar com suas mãos a exata correspondência com o desenho da irmã. Deu assim testemunho de uma ficção que se fez emoção tão verdadeira que foi capaz de coincidir com a vida. Também assim eu desejaria a minha escrita.


Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2024/10/12/escrever-as-emocoes-o-sentido-de-dar-palavras-a-ebulicao-interior.htm. Acesso em 18 out. 2024.

Leia o trecho que segue:
"Retornou com o semblante desanuviado, plena de satisfação e leveza. Numa folha avulsa ela desenhara a irmã com seu inseparável caderninho nas mãos, com um largo sorriso a lhe cruzar o rosto inteiro, e delineara na ortografia atrevida de seus quatro anos: 'Tutu feliz porque a Peps se comportou bem.'"
A respeito dos verbos em destaque:
Alternativas
Q3182374 Português
Escrever as emoções: o sentido de dar palavras à
ebulição interior

Julián Fuks


Às vezes sinto que minha filha tem escrito mais do que eu, ou tem sido mais verdadeira no que escreve. Mais imediata, talvez, no desembaraço de seus sete anos de idade. Criou agora seu caderno de sentimentos, algo como um diário ilustrado onde ela registra cada emoção forte que a acomete. Eu olho a urgência com que ela corre para o caderno, o vigor com que empunha o lápis, a concentração com que passa a ignorar tudo o que a cerca. Nada mais lhe importa nesse momento, a escrita toma toda a sua existência, e assim cada emoção turbulenta de origem se faz satisfação e leveza. Escreveu algo de essencial, traçou em linhas exatas seu sentimento, deu a uma vaga abstração sua forma concreta. Quisera eu escrever dessa maneira.

Seu caderno se inicia com a mais simples e expressiva das páginas. Tutu triste, vê-se em letras pequenas, e embaixo seu autorretrato de olhos pesados e duas lágrimas gordas sobre as bochechas. Segue ainda por afetos límpidos: Tutu animada, raivosa, impaciente, sonolenta, Tutu sem acreditar no que está acontecendo, neste caso um desenho de si boquiaberta e de olhos vidrados. Depois disso ela parece ter percebido a necessidade de explorar as causas subjacentes aos sentimentos, como Balzac alguma vez decidiu dar as raízes ocultas de cada fato. Passou a anotar coisas como "Tutu empolgada com o acampamento", e "Tutu aliviada porque um homem horrível não ganhou as eleições".

"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador". Leio essa frase em Clarice Lispector e acredito entender algo sobre minha filha, e algo sobre mim. Clarice emenda que talvez por isso tome tantos anos entre um verdadeiro escrever e outro, ainda que se empunhe o lápis todos os dias por uma vida inteira. Para mim dá-se o mesmo, alinhavo palavras sempre que me visita o caderno de sentimentos. Ali, se o tivesse, talvez me fosse mais sincero dizer: "Julián embevecido de admiração por sua filha."

Não posso, no entanto, encerrar meu comentário sobre o caso nesse ponto, porque há um acontecimento recente muito mais digno de nota do que tudo isso que contei. Lê-se numa das páginas do caderno: "Tutu infeliz porque a Peps não está sendo uma boa pessoa". Não sei qual conflito a levou a registrar palavras tão acerbas contra a irmã, decerto alguma dessas pequenezas que diariamente trovejam na relação entre as duas, precedidas e sucedidas de risos desabridos e abraços enérgicos.

Penélope não deixou passar sem vingança a acusação insolente. Enquanto folheava o caderno da irmã e tentava decifrar as palavras escritas com que já começa a se familiarizar — começa a se irmanar, eu poderia dizer — acabou calhando de rasgar uma folha, digamos sem querer. Foi tal a indignação da irmã com o gesto destrutivo que me pareceu razoável mostrar a ela a página em que Tulipa descrevera sua decepção primeira e indagar com veemência: é isso o que você deseja? Essa é a emoção que você quer provocar na sua irmã, a infelicidade? Não seria preferível criar nela uma impressão mais positiva, e constar numa página que falasse de entusiasmo, carinho, alegria?

Penélope então me encarou com olhos indecifráveis, ainda um tanto severos, e respondeu com segurança e presteza: claro que sim, dou um jeito nisso. Correu até seu quarto, fechou-se ali por alguns minutos, criou entre os que a esperávamos um momento palpável de apreensão e suspense. Retornou com o semblante desanuviado, plena de satisfação e leveza. Numa folha avulsa ela desenhara a irmã com seu inseparável caderninho nas mãos, com um largo sorriso a lhe cruzar o rosto inteiro, e delineara na ortografia atrevida de seus quatro anos: "Tutu feliz porque a Peps se comportou bem."

Não pude senão me espantar com sua intrepidez, com sua decisão de se fazer autora da página que gostaria de ver. Sua sagacidade buscara um atalho: não era preciso suscitar na irmã o devido sentimento, a ficção poderia suprir bem esse seu desejo, e ainda expor o ridículo da bronca que o pai lhe dera. Ela é uma escritora diferente de nós, foi o que pensei, talvez mais inventiva, mais livre, menos submissa às insignificâncias da realidade e às suas emoções correspondentes. E ao pensá-lo entendi que, se tivesse afinal meu próprio caderno de sentimentos, também anotaria em página nova minha profunda admiração por ela.

Um último ato encerra a história, mostrando as intrincadas relações entre ficção e realidade, ou o modo como a escrita das emoções pode alterar nossa existência no mundo, cuidando estranhamente de nos aproximar dos outros. Tulipa viu a página que a irmã depositara sobre a mesa, e sentiu que um sorriso largo lhe cruzava o rosto inteiro, sentiu uma comoção que lhe dominava o peito. Correu nesse mesmo instante para registrar o sentimento novo em seu caderno, para criar com suas mãos a exata correspondência com o desenho da irmã. Deu assim testemunho de uma ficção que se fez emoção tão verdadeira que foi capaz de coincidir com a vida. Também assim eu desejaria a minha escrita.


Disponível em:
https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2024/10/12/escrever-as
-emocoes-o-sentido-de-dar-palavras-a-ebulicao-interior.htm. Acesso
em 18 out. 2024.

Leia o trecho que segue:

"Retornou com o semblante desanuviado, plena de satisfação e leveza. Numa folha avulsa ela desenhara a irmã com seu inseparável caderninho nas mãos, com um largo sorriso a lhe cruzar o rosto inteiro, e delineara na ortografia atrevida de seus quatro anos: 'Tutu feliz porque a Peps se comportou bem.'"

A respeito dos verbos em destaque: 
Alternativas
Q3181803 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão de 1 a 10.


Escrever as emoções: o sentido de dar palavras à ebulição interior


Julián Fuks


Às vezes sinto que minha filha tem escrito mais do que eu, ou tem sido mais verdadeira no que escreve. Mais imediata, talvez, no desembaraço de seus sete anos de idade. Criou agora seu caderno de sentimentos, algo como um diário ilustrado onde ela registra cada emoção forte que a acomete. Eu olho a urgência com que ela corre para o caderno, o vigor com que empunha o lápis, a concentração com que passa a ignorar tudo o que a cerca. Nada mais lhe importa nesse momento, a escrita toma toda a sua existência, e assim cada emoção turbulenta de origem se faz satisfação e leveza. Escreveu algo de essencial, traçou em linhas exatas seu sentimento, deu a uma vaga abstração sua forma concreta. Quisera eu escrever dessa maneira.


Seu caderno se inicia com a mais simples e expressiva das páginas. Tutu triste, vê-se em letras pequenas, e embaixo seu autorretrato de olhos pesados e duas lágrimas gordas sobre as bochechas. Segue ainda por afetos límpidos: Tutu animada, raivosa, impaciente, sonolenta, Tutu sem acreditar no que está acontecendo, neste caso um desenho de si boquiaberta e de olhos vidrados. Depois disso ela parece ter percebido a necessidade de explorar as causas subjacentes aos sentimentos, como Balzac alguma vez decidiu dar as raízes ocultas de cada fato. Passou a anotar coisas como "Tutu empolgada com o acampamento", e "Tutu aliviada porque um homem horrível não ganhou as eleições".


"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador". Leio essa frase em Clarice Lispector e acredito entender algo sobre minha filha, e algo sobre mim. Clarice emenda que talvez por isso tome tantos anos entre um verdadeiro escrever e outro, ainda que se empunhe o lápis todos os dias por uma vida inteira. Para mim dá-se o mesmo, alinhavo palavras sempre que me visita o caderno de sentimentos. Ali, se o tivesse, talvez me fosse mais sincero dizer: "Julián embevecido de admiração por sua filha."


Não posso, no entanto, encerrar meu comentário sobre o caso nesse ponto, porque há um acontecimento recente muito mais digno de nota do que tudo isso que contei. Lê-se numa das páginas do caderno: "Tutu infeliz porque a Peps não está sendo uma boa pessoa". Não sei qual conflito a levou a registrar palavras tão acerbas contra a irmã, decerto alguma dessas pequenezas que diariamente trovejam na relação entre as duas, precedidas e sucedidas de risos desabridos e abraços enérgicos.


Penélope não deixou passar sem vingança a acusação insolente. Enquanto folheava o caderno da irmã e tentava decifrar as palavras escritas com que já começa a se familiarizar — começa a se irmanar, eu poderia dizer — acabou calhando de rasgar uma folha, digamos sem querer. Foi tal a indignação da irmã com o gesto destrutivo que me pareceu razoável mostrar a ela a página em que Tulipa descrevera sua decepção primeira e indagar com veemência: é isso o que você deseja? Essa é a emoção que você quer provocar na sua irmã, a infelicidade? Não seria preferível criar nela uma impressão mais positiva, e constar numa página que falasse de entusiasmo, carinho, alegria?


Penélope então me encarou com olhos indecifráveis, ainda um tanto severos, e respondeu com segurança e presteza: claro que sim, dou um jeito nisso. Correu até seu quarto, fechou-se ali por alguns minutos, criou entre os que a esperávamos um momento palpável de apreensão e suspense. Retornou com o semblante desanuviado, plena de satisfação e leveza. Numa folha avulsa ela desenhara a irmã com seu inseparável caderninho nas mãos, com um largo sorriso a lhe cruzar o rosto inteiro, e delineara na ortografia atrevida de seus quatro anos: "Tutu feliz porque a Peps se comportou bem."


Não pude senão me espantar com sua intrepidez, com sua decisão de se fazer autora da página que gostaria de ver. Sua sagacidade buscara um atalho: não era preciso suscitar na irmã o devido sentimento, a ficção poderia suprir bem esse seu desejo, e ainda expor o ridículo da bronca que o pai lhe dera. Ela é uma escritora diferente de nós, foi o que pensei, talvez mais inventiva, mais livre, menos submissa às insignificâncias da realidade e às suas emoções correspondentes. E ao pensá-lo entendi que, se tivesse afinal meu próprio caderno de sentimentos, também anotaria em página nova minha profunda admiração por ela.


Um último ato encerra a história, mostrando as intrincadas relações entre ficção e realidade, ou o modo como a escrita das emoções pode alterar nossa existência no mundo, cuidando estranhamente de nos aproximar dos outros. Tulipa viu a página que a irmã depositara sobre a mesa, e sentiu que um sorriso largo lhe cruzava o rosto inteiro, sentiu uma comoção que lhe dominava o peito. Correu nesse mesmo instante para registrar o sentimento novo em seu caderno, para criar com suas mãos a exata correspondência com o desenho da irmã. Deu assim testemunho de uma ficção que se fez emoção tão verdadeira que foi capaz de coincidir com a vida. Também assim eu desejaria a minha escrita.


Disponível em:

https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2024/10/12/escrever-as-emocoes-o-sentido-de-dar-palavras-a-ebulicao-interior.htm. Acesso em 18 out. 2024.

Leia o trecho que segue: "Retornou com o semblante desanuviado, plena de satisfação e leveza. Numa folha avulsa ela desenhara a irmã com seu inseparável caderninho nas mãos, com um largo sorriso a lhe cruzar o rosto inteiro, e delineara na ortografia atrevida de seus quatro anos: 'Tutu feliz porque a Peps se comportou bem.'"


A respeito dos verbos em destaque: 

Alternativas
Q3179972 Português
Na frase abaixo, observe o uso dos tempos verbais:
"Se o monitor organizar bem o ambiente, os alunos terão mais facilidade em participar das atividades."
Em relação ao verbo "terão", é correto afirmar que ele está conjugado no:
Alternativas
Q3179849 Português
Leia a frase a seguir e assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna com o verbo conjugado no futuro do presente do indicativo.
"Se o motorista prestar atenção ao trânsito, _________ acidentes."
Alternativas
Q3179833 Português
Analise a flexão dos verbos nas orações a seguir e assinale a alternativa em que o verbo está incorretamente flexionado:
Alternativas
Q3179832 Português
Em qual alternativa o verbo sublinhado está corretamente flexionado no tempo e modo para indicar uma ação futura e certa?
Alternativas
Q3177728 Português
Na oração "Se percebêssemos o valor das coisas que o dinheiro não compra, nos tornaríamos muito mais felizes", o termo em destaque é um verbo flexionado na 1ª pessoa do plural do
Alternativas
Q3177720 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

QUATRO SÉCULOS DE MUDANÇAS


Por José Pio Martins

Nos últimos 323 anos, desde o início do século 18, o mundo passou pelas maiores transformações de todos os tempos. O século 18 foi o mais revolucionário, o 19 foi o mais inventivo, o 20 foi o mais violento, e o 21 deve ser o de maiores transformações. Anteriormente ao século 18, houve a Revolução Inglesa, com ápice em 1688, que impôs o fim da soberania dos reis e passou a perseguir a ordem liberal, a economia capitalista e o regime político fundado na democracia. No ano de 1776, consolidou-se a Revolução Americana, que libertou os Estados Unidos do jugo da Inglaterra e, em 1789, o mundo viu a Revolução Francesa completar três eventos históricos suficientes para considerar o século 18 como o mais revolucionário.
Na sequência, o mundo adentrou o século 19, consolidando a Revolução Industrial, que, entre 1815 e 1840, produziu transformações econômicas iniciadas com a máquina a vapor, a estrada de ferro, o trem de ferro e o navio a vapor. Entre 1750 e 1840 houve a consagração da Revolução Industrial, que foi ampliada pela segunda revolução tecnológica moderna, com a invenção do motor a combustão interna, os veículos automotores, a indústria do petróleo, a água tratada encanada, o telefone e, principalmente, a maior de todas as invenções: a eletricidade; e o século 19 mereceu o título de o mais inventivo.
Seguindo, entramos no século 20, que, embora tenha sido um tempo de inovações e tecnologias disruptivas, foi o século mais sanguinário. Milhões de vidas humanas foram exterminadas em guerras e revoluções políticas. O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos na gestão de Jimmy Carter, entre 1977 e 1981, Zbigniew Brzezinski (1928-2017), publicou o relatório As Megamortes, no qual ele listou 243 conflitos militares no século 20, que resultaram em 187 milhões de mortes.
Esse número foi revisado para 237 milhões de mortes, pois inicialmente constavam 20 milhões de mortes no período de Mao Tsé-Tung de 1949 a 1976, dado este alterado para 70 milhões de mortes na China comunista de Mao. Apesar de violento, o século 20 foi inventivo com o rádio (1920), o avião a jato (1939), o computador (1945), o telefone celular (1973), a internet (1989) e outros tantos mais.
E chegamos ao século 21, atualmente em sua terceira década, e vemos a aceleração da quarta revolução tecnológica moderna em setores como biotecnologia, inteligência artificial, farmacologia, máquinas inteligentes, robôs cognitivos, metamateriais, cura de doenças etc. Ele caminha para ser o século de maiores transformações, inclusive na área demográfica, que pode levar a população mundial aos 9,4 bilhões de habitantes até 2050 e ver esse número cair para pouco mais da metade em 2100, ficando em torno de 4,7 bilhões. 0 assunto é complexo, mas o fato é que esses quatro últimos séculos dividiram-se em maravilhas cientificas criadoras de alegria e bem-estar, de um lado, e sofrimento e sangue, de outro lado. O mundo floresceu em riquezas sob a genialidade humana, mas também gerou enormes guetos de pobreza e morte sob a estupidez dessa mesma humanidade.

Revista Humanitas. Nº 177 − agosto de 2024 (adaptado)
Sobre o emprego dos tempos e modos verbais na oração "A Revolução Inglesa, que iniciara no século XVII, foi um dos eventos que tornaram o século XVIII o mais revolucionário de todos os tempos", é correto afirmar que
Alternativas
Q3172463 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão



As drogas que pilotos tomam para ficarem acordados — e os dilemas que isso traz



As curiosas pastilhas estavam no bolso de um piloto nazista.


Ele foi abatido nos céus do Reino Unido durante um bombardeio na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Com ele, estava o seu estoque de metanfetamina.


Na época, esta substância era a preferida da Luftwaffe (a força aérea da Alemanha nazista) para combater a fadiga dos aviadores. Era chamada de "sal dos pilotos", porque seu consumo era liberado.


Os Aliados suspeitavam do seu uso, mas não tinham certeza − até então.


Aqueles souvenirs farmacológicos foram rapidamente enviados para testes e, logo depois, os britânicos já desenvolviam sua própria versão. O resultado foi um estimulante amplamente distribuído, que possibilitou centenas de missões noturnas em toda a Europa.


Mas era apenas o começo.


Durante a Guerra do Golfo (1990-1991), uma droga relacionada, a dextroanfetamina, voltou a ganhar popularidade. Ela foi consumida pela maioria dos pilotos combatentes que conduziram os bombardeios iniciais sobre as forças iraquianas no Kuwait.


Atualmente, os oficiais da aeronáutica americana ainda consomem a pílula para resolver o mesmo problema: a fadiga dos pilotos, que pode afetar os aviadores em missões longas e comprometer sua segurança.


Mas existe um porém. As anfetaminas podem ser altamente viciantes − e houve grandes abusos já nos anos 1940. Por isso, nos últimos anos, as organizações militares vêm procurando opções para substituí-las.


Uma delas é o modafinil, um estimulante desenvolvido originalmente para o tratamento de narcolepsia e excesso de sonolência diurna nos anos 1970.


Não levou muito tempo para as pessoas descobrirem que, além de ajudar a evitar que as pessoas adormeçam, a droga pode ter outros efeitos poderosos.


Demonstrou-se que a medicação melhora a orientação espacial, o reconhecimento de padrões e a memória de trabalho, além de aumentar o desempenho cognitivo geral, o estado de alerta e a vigilância em situações de fadiga extrema.


O modafinil também tem suas desvantagens. Seus efeitos colaterais podem incluir suor, dores de cabeça latejantes e até alucinações. Mesmo com esses riscos, em certas circunstâncias, a droga pode ser um auxiliar formidável para quem precisa ficar acordado.


Em um estudo inicial, o modafinil manteve pessoas acordadas por até 64 horas de atividade. Seus efeitos foram comparáveis a 20 xícaras de café.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/cxezzn82d4vo

Em: O resultado foi um estimulante amplamente distribuído, que possibilitou centenas de missões noturnas em toda a Europa. Ao passarmos os verbos do enunciado acima para o pretérito mais que perfeito do modo indicativo teremos:

Alternativas
Q3170904 Português

Texto para a questão.



BELTRÃO, Eliana Santos; GORDILHO, Tereza. A conquista - Língua Portuguesa. São Paulo: FTD – PNLD, 2024

No trecho “eu medi os cavalos” (linhas 12-13), a forma verbal “medi” está flexionada no tempo
Alternativas
Respostas
421: B
422: D
423: D
424: C
425: D
426: C
427: A
428: D
429: A
430: A
431: E
432: B
433: A
434: D
435: C
436: A
437: D
438: D
439: A
440: B