Questões de Concurso Sobre flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro) em português

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Q3357596 Português
O texto seguinte servirá de base para responder a questão.


Quando quebrei a Cara.


Quando iniciei a docência no ensino superior, atribuíram-me aulas de Sociologia e de Filosofia. Afastei-me das aulas de História, área em que concluíra o mestrado, mas continuei pensando numa maneira de facilitar a leitura de textos de ciências humanas e sociais. Esbocei projeto de extensão universitária: uma oficina de criação literária que indicaria o caminho da escrita clara, objetiva e coesa aos alunos e, em segundo momento, aos interessados da comunidade.


O projeto naufragou. Com ele, o desejo de apresentar escritores contemporâneos que seriam lidos, analisados, criticados e reescritos pelos eventuais alunos. Joguei os rabiscos na gaveta sem esperança de retomá-los. Até que, recebendo as aulas de Filosofia e de Sociologia no curso de Pedagogia em Presidente Epitácio (S.P), acrescentei nova atividade: seminários.


As alunas escolheriam um dos títulos. Fariam uma leitura superficial (posteriormente complementada de maneira mais profunda por mim), análise sociológica, reflexão filosófica, impressões pessoais. Os autores Luiz Antônio de Assis Brasil, Moacyr Scliar, Cyro dos Anjos, Autran Dourado, Josué Guimarães e Sérgio Faraco. Dezesseis romances resgataram minha paixão de trabalhar com Literatura, aplicando conceitos sociológicos e temas filosóficos discutidos nas aulas.


Os romancistas selecionados escrevem fluentemente. Guardam o máximo de significado na economia das frases. A opção pelos títulos considera a qualidade literária - comprovada por teses e prêmios -, o preço acessível, a diagramação, o convite gráfico, a disponibilidade nas redes de livrarias virtuais e o cuidado de possuir, no máximo, duzentas páginas. Cautelas indispensáveis na tentativa de convencer as alunas a efetivamente lerem os enredos. 


A possibilidade de resumos na internet tirou-me o sono. Preparei-me com unhas, dentes, falas e fúrias para desmontar as expositoras com arguições violentas. Entretanto, as arguições violentas cederam lugar ao espanto: as meninas não apenas leram os livros, mas também recorreram a filmes e críticas literárias, comprovando pormenorizadamente a análise sociológica (grupos sociais, processos de aproximação, de distanciamento e de isolamento, fato Social, Papéis Sociais) e a reflexão filosófica (felicidade de Epicuro, questionamentos socráticos, ideias platônicas, aquisição aristotélica da virtude, interpretações de Santo Agostinho e de Santo Tomás de Aquino, niilismo de Nietzsche).


Compartilhei minhas intenções malignas e reconheci-lhes a capacidade: uma felicidade indizível me invadiu quando, nas comemorações festivas de encerramento do semestre, confessei que - ainda bem! quebrara a cara em meus objetivos perversos.

(Vicentônio Regis do Nascimento Silva, 66 Conhecimento Prático Literatura)



Classifica a forma verbal de “(...) quebrara a cara em meus objetivos perversos.”:
Alternativas
Q3355130 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Furto de flor


      Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.

       Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

      Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:

      – Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!


Andrade, C. D. Contos plausíveis. Rio de Janeiro, José Olympio, 1985. p. 80.
A forma verbal “assumira”, em – eu assumira a obrigação de conservá-la –, poderia ser substituída, sem prejuízo de valor, pela construção verbal:
Alternativas
Q3354639 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Qual é o alimento mais saudável do mundo? Nutricionistas respondem


Pergunta divide opinião entre especialistas, mas ingredientes como ovo, abacate e leite materno são listados como extremamente benéficos

Quando pensamos em comidas saudáveis, a primeira coisa que vem na cabeça são alimentos com baixa quantidade de calorias. Opções de frutas, legumes e verduras dividem as opiniões de nutricionistas, e a pergunta "Qual o alimento mais saudável do mundo?" não possui consenso entre especialistas, nem de perto.

Segundo a nutricionista Michele Abreu, o alimento mais saudável e completo do mundo é o leite materno. Porém, para Larissa Monteiro, pós-graduanda em nutrição materno infantil, o leite só pode ser considerado o principal alimento para crianças de até 6 meses de vida. "Este é o único alimento possível para eles, pois é completo e dispensa qualquer suplemento, até mesmo de água", explica. Entretanto, Larissa explica que a comida deixa de suprir as necessidades do organismo após o sexto mês, deixando de ser suficiente e, por isso, ela não o considera o mais saudável.

Na opinião de Amanda Maffei, também nutricionista, o abacate pode ser o alimento mais saudável do mundo, pois é repleto em compostos bioativos. "Rico em vitamina, A, C, E, B6, ferro e magnésio, a fruta possui gorduras consideradas boas e que ajudam a nutrir a nossa microbiota intestinal. O abacate também é um grande aliado para melhorar o perfil de alto colesterol e açúcar no sangue", explica a especialista.

Michele também acredita que o ovo possa ser incluído nesta lista, pois ele é uma reserva energética de vitaminas e minerais e que pode, inclusive, garantir o crescimento e desenvolvimento de um filhote. Os ovos são um dos alimentos mais consumidos no mundo, e estão presente diariamente no cardápio do brasileiro, sendo ótimos para prevenção de diabetes e doenças cardiovasculares, tal como diminuição de risco de osteoporose e envelhecimento precoce.

Há vários alimentos extremamente benéficos para a saúde, mas as especialistas concordam que nenhum ingrediente, por si só, satisfaz todas as necessidades do organismo, sendo o equilíbrio de grupos alimentares a melhor opção para uma vida saudável. Michele explica que todas as opções citadas não são insubstituíveis, então, caso não goste do ovo, por exemplo, ou tenha intolerância, existem outros alimentos com cargas nutricionais equivalentes para poder substituí-lo.

Para Larissa, uma alimentação saudável vai muito além do que a lista de ingredientes e seus nutrientes, e de sua forma de preparo, tendo outros fatores para serem levados em consideração de acordo com cada pessoa. A nutricionista explica que a alimentação saudável precisa ser humanizada, respeitando situações econômicas da família, tal como heranças familiares e comfort food dentro de um equilíbrio.

"Não faz sentido termos restrições que não nos fazem felizes. Se você tem uma receita que é herança da sua avó, por exemplo, e ela te tras felicidade e aconxego, este também pode ser considerado um alimento saudável dentro do contexto, pois os fatores emocionais também devem ser considerados dentro do equilíbrio alimentar para pessoas saudáveis", explica Larissa.

(https://receitas.band.uol.com.br/noticias/qual-e-o-alimento-mais-saudavel-do-mundo-nutricionistas-respondem-16461825 adaptado)
"Michele explica que todas as opções citadas não são insubstituíveis..."
Os verbos destacados estão no tempo e modo do: 
Alternativas
Q3336503 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Calor humano


Não, não fazia vermelho. Era quase de noite e estava ainda claro. Se pelo menos fosse vermelho à vista como o era intrinsecamente. Mas era um calor de luz sem cor, e parada. Não, a mulher não conseguia transpirar. Estava seca e límpida. E lá fora só voavam pássaros de penas empalhadas. Mas era um calor visível, se ela fechava os olhos para não ver o calor, então vinha a alucinação lenta simbolizando-o: via elefantes grossos se aproximarem, elefantes doces e pesados, de casca seca, embora molhados no interior da carne por uma ternura quente insuportável; eles eram difíceis de se carregarem a si próprios, o que os tornava lentos e pesados.

Ainda era cedo para acender as lâmpadas, o que pelo menos precipitaria uma noite. A noite que não vinha, não vinha, não vinha, que era impossível. E o seu amor que agora era impossível – que era seco como a febre de quem não transpira, era amor sem ópio nem morfina. E “eu te amo” era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé.

Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida, os dentes úmidos, mas duros – e sobretudo boca voraz de nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada. Seus olhos abertos e diamantes. Nos telhados os pardais secos. “Eu vos amo, pessoas”, era frase impossível. A humanidade lhe era como uma morte eterna que, no entanto, não tinha o alívio de enfim morrer. Nada, nada morria na tarde enxuta, nada apodrecia. E às seis horas da tarde fazia meio-dia. Fazia meiodia com um barulho atento de máquina de bomba de água, bomba que trabalhava há tanto tempo sem água e que virava ferro enferrujado. Há dois dias faltava água na cidade. Nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos diamantes, e de vibração parada. E Deus? Não. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito. 

Enquanto isso era verão. Verão largo como o pátio vazio nas férias da escola. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Só uma doçura pesada: como a da casca lenta dos elefantes de couro ressequido. A esqualidez límpida e quente. Pensar no seu homem? Não, farpa na parte coração dos pés. Filhos? Quinze filhos dependurados, sem se balançarem à ausência de vento. Ah, se as mãos começassem a se umedecer. Nem que houvesse água, por ódio não tomaria banho. Por ódio não havia água. Nada escorria. A dificuldade é uma coisa parada. É uma joia– diamante. A cigarra de garganta seca não parava de rosnar. E Deus se liquefez enfim em chuva? Não. Nem quero. Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada. Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade. Quero esta espera contínua como o canto avermelhado da cigarra, pois tudo isso é a morte parada, é a eternidade, é o cio sem desejo, os cães sem ladrar. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. Não é o perdão depois de um julgamento. É a ausência de juiz e de condenado. E a morte, que era para ser uma única boa vez, não: está sendo sem parar. E não chove, não chove. Não existe menstruação. Os ovários são duas pérolas secas. Vou vos dizer a verdade: por ódio enxuto, quero é isto mesmo, e que não chova.

E exatamente então ela ouve alguma coisa. É uma coisa também enxuta que a deixa ainda mais seca de atenção. É um rolar de trovão seco, sem nenhuma saliva, que rola mas onde? No céu absolutamente azul, nem uma nuvem de amor. Deve ser de muito longe o trovão. Mas ao mesmo tempo vem um cheiro adocicado de elefantes grandes, e de jasmim da casa ao lado. A Índia invadindo, com suas mulheres adocicadas. Um cheiro de cravos de cemitério. Irá tudo mudar tão de repente? Para quem não tinha nem noite nem chuva nem apodrecimento de madeira na água – para quem não tinha senão pérolas, vai vir a noite, vai vir madeira enfim apodrecendo, cravo vivo de chuva no cemitério, chuva que vem da Malásia? A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, que o tremor é seu, como não percebera que aquilo que a queimava não era o fim da tarde encalorada e sim o seu calor humano. Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda.


 

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p.33- 34.

O pretérito mais-que-perfeito aponta um tempo verbal que se refere a ações passadas que ocorreram antes de um determinado ponto no passado. É usado para expressar uma ação passada em relação a outra ação passada.


Marque a alternativa em que a frase do texto apresenta essa forma verbal. 

Alternativas
Q3320980 Português
Leia o Texto I e responda à questão.


Texto 1


O menino e o homem  


    Quando chovia, no meu tempo de menino, a casa virava um festival de goteiras. Eram pingos do teto ensopando o soalho de todas as salas e quartos. Seguia-se um corre-corre dos diabos, todo mundo levando e trazendo baldes, bacias, panelas, penicos e o que mais houvesse para aparar a água que caia e para que os vazamentos não se transformassem numa inundação. [...]  

    Naquele dia, assim que a chuva passou, fui como sempre brincar no quintal. Descalço, pouco me incomodando com a lama em que meus pés se afundavam, gostava de abrir regos para que as poças d'água, como pequeninos lagos, escorressem pelo declive do terreiro, formando o que para mim era um caudaloso rio. E me distraia fazendo descer por ele barquinhos de papel, que eram grandes caravelas de piratas. Desta vez, o que me distraiu a atenção foi uma fila de formigas a caminho do formigueiro, 14 perto do bambuzal, e que o rio aberto por mim havia interrompido. As formiguinhas iam até a margem e, atarantadas, ficavam por ali procurando um jeito de atravessar. Encostavam a cabeça umas nas outras, trocando ideias, iam e vinham, sem saber o que fazer. Algumas acabavam tão desorientadas com o imprevisto obstáculo à sua frente que recuavam caminho, atropelando as que vinham atrás e estabelecendo na fila a maior confusão.  

    Do outro lado, entre as que já haviam passado, reinava também certa confusão. Enquanto as que iam mais a frente prosseguiam a caminhada até o formigueiro, sem perceber o que acontecia a retaguarda, as ainda próximas do rio ficavam indecisas, indo e vindo por ali, junto à margem, pintando uma forma qualquer de ajudar as outras a atravessar.  

    Resolvi colaborar, apelando para os meus conhecimentos de engenharia. Em poucos instantes construí uma ponte com um pedaço de bambu aberto ao meio, e procurei orientar para ela, com um pauzinho, a fila de formigas. Estava empenhado nisso, quando senti que havia alguém em pé atras de mim. Uma voz de homem, que soou familiar aos meus ouvidos, perguntou: 

    — Que é que você está fazendo?

    Sem me voltar, tão entretido estava com as formigas, expliquei o que se passava. Logo consegui restabelecer o tráfego delas, recompondo a fila através da ponte. O homem se agachou a meu lado, dizendo que várias formigas seguiam por um caminho, uma na frente de duas, uma atrás de duas, uma no meio de duas. E perguntou: 

    — Quantas formigas eram?

    Pensei um pouco, fazendo cálculos. Naquele tempo eu achava que era bom em aritmética: uma na frente de duas faziam três; uma atrás de duas eram mais três; uma no meio de duas, mais três. 

    — Nove! - exclamei, triunfante.

    Ele começou a rir e sacudiu a cabeça, dizendo que não: eram apenas três, pois formiga só anda em fila, uma atrás da outra.

    Então perguntei a ele o que é que cai em pé e corre deitado. 

    —Cobra? — ele arriscou, enrugando a testa, intrigado.

    Foi a minha vez de achar graça:

    — Que cobra que nada! É a chuva — e comecei a rir também. 

    — Você sabe o que é que caindo no chão não quebra e caindo n'água quebra?

    —Sei: papel. 

    Gostei daquele homem: ele sabia uma porção de coisas que eu também sabia. Ficamos conversando um tempão, sentados na beirada da caixa de areia, como dois amigos, embora ele fosse cinquenta anos mais velho do que eu, segundo me disse. Não parecia. Eu também lhe contei uma porção de coisas. [...] 

    — Fernando! — berrou o papagaio, imitando mamãe: — Vem pra dentro, menino! Olha o sereno! [...]

    O homem disse que tinha de ir embora — antes queria me ensinar uma coisa muito importante:

    — Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz para o resto da sua vida? 

    — Quero - respondi.

    O segredo se resumia em três palavras, que ele pronunciou com intensidade, mãos nos meus ombros e olhos nos meus olhos:

    — Pense nos outros. 

    Na hora achei esse segredo meio sem graça. Só bem mais tarde vim a entender o conselho que tantas vezes na vida deixei de cumprir. Mas que sempre deu certo quando me lembrei de segui-lo, fazendo-me feliz como um menino. 

    O homem se curvou para me beijar na testa, se despedindo:

    — Quem é você? — perguntei ainda.

    Ele se limitou a sorrir, depois disse adeus com um aceno e foi-se embora para sempre. 


SABINO, Fernando. O menino e o homem. Disponível em: https://ima-rs.com.br/wp-content/uploads/2018/11/70.-ano-O-Menino-no-Espelho-Fernando-Sabino.pdf. Acesso em: 22 mar. 2024, com adaptações. 
Na passagem “Ele se limitou a sorrir, depois disse adeus com um aceno", a conjugação verbal “limitou” e “disse" indica: 
Alternativas
Q3317132 Português
Texto 01

Óbito do Autor – Capítulo 1 (Memórias Póstumas de Brás Cubas).

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco. Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia - peneirava - uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa idéia no discurso que proferiu à beira de minha cova: -- "Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.”

Fonte: Assis, Machado de. Obra Completa. vol. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994
Conforme o termo “poria”, indique o tempo verbal correto. 
Alternativas
Q3297352 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O que é 'desconto hiperbólico', o viés psicológico que te faz tomar más decisões - e como evitá-lo


O desconto hiperbólico é a nossa inclinação para escolher recompensas imediatas em vez de recompensas futuras, mesmo quando as de curto prazo são inferiores.

 É um viés cognitivo que pode levar as pessoas a tomar decisões erradas porque incentiva a impulsividade em vez da visão de futuro, explicam especialistas que há décadas estudam o tema no campo da Economia Comportamental ou da Psicologia.

"Isso distorce a nossa percepção de valor", diz Vincent Berthet, professor da Universidade de Lorraine e pesquisador do Centro de Economia da Sorbonne, ambos na França, à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC).

Se o mais importante na tomada de decisão é que o benefício seja imediato, mesmo que esse benefício seja menor, então o desconto (a redução do lucro) se torna hiperbólico, ou seja, exagerado.

Embora com nomes diferentes, o desconto hiperbólico tem sido estudado há séculos, quando os comerciantes (e até os filósofos) procuravam compreender a lógica do valor do dinheiro, do retorno do capital ou dos juros associados a um empréstimo conforme o custo e a oportunidade.

Tentando compreender estes fenômenos, nas últimas décadas, especialistas mergulharam em cálculos matemáticos complexos para compreender e prever as forças que movem as finanças e a economia.

Por outro lado, vários psicólogos também pesquisaram o funcionamento do cérebro humano e os vieses cognitivos que atuam na tomada de decisões.

Um deles é Daniel Kahneman, pesquisador que analisou como tomamos decisões e como elas influenciam a economia comportamental, investigação pela qual recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 2002 (com Vernon Smith).

De forma simples, alguns autores explicam que o viés hiperbólico nos faz pensar que quanto mais próxima a recompensa estiver no tempo, mais atrativa ela parece.

São conhecidas as experiências feitas há décadas com crianças de 4 anos em que os pesquisadores ofereciam um marshmellow agora, ou dois marshmellows em 15 minutos. E, previsivelmente, menos crianças decidiam esperar porque seria muito difícil para elas adiar a gratificação.

Em qualquer caso, os resultados destas experiências variam substancialmente dependendo das características da amostra e da inclusão de variáveis como a origem socioeconômica dos sujeitos, a idade ou a capacidade cognitiva, entre muitas outras.

Mas, no final das contas, a impulsividade é uma força que pode trabalhar contra nós na infância ou na idade adulta.

Se eles lhe oferecessem R$ 100 agora ou R$ 120 em uma semana, o que você preferiria?

Quando a sua decisão opera sob viés cognitivo, é provável que você opte por ter menos dinheiro, mas mais cedo.

(https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy78mm8440vo adaptado)
Analise as afirmativas pospostas ao enunciado, em relação às classes de palavras:

"Por outro lado, vários psicólogos também pesquisaram o funcionamento do cérebro humano e os vieses cognitivos que atuam na tomada de decisões."

I.O vocábulo 'humano' é um adjetivo concordando com 'cérebro'.
II. 'vieses' é o plural de 'viés', da mesma forma, 'lápises' é o plural de 'lápis'.
III.O vocábulo 'cognitivos' tem a mesma classificação gramatical que 'engraçado' em "O engraçado da história é que todos os personagens são crianças".
IV.A forma verbal 'pesquisaram' está no pretérito perfeito do indicativo.

Estão corretas:
Alternativas
Q3285239 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância.

No período acima conjugou-se corretamente o verbo "pressupor". Assinale a alternativa em que isso igualmente tenha ocorrido.
Alternativas
Q3285066 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


MÃE DA MINHA MÃE


A mãe da minha mãe chegou sem se anunciar. Eu não a conhecia, embora soubesse da sua existência. Ela veio e foi bem recebida por mim. Como poderia ser diferente em se tratando da mãe daquela que me gerou durante nove meses, se maquiou e se perfumou na hora de ir à maternidade ganhar neném? E a neném era eu saindo de sua barriga e entrando no mundo indefesa e necessitada de proteção.


Como não oferecer hospitalidade, não dizer "entre, a casa é sua" para a mãe daquela que me banhou, trocou as minhas fraldas, me deu colo, me penteou os cabelos, olhou para mim como se eu fosse um milagre pelo qual ela havia esperado toda a vida?


Ainda que eu não tivesse convivido antes com a mãe da minha mãe, reconheci de imediato a disposição para o cuidar que passa de uma mãe a outra, em ininterrupta corrente geracional, pulsão de ancestralidade que não pede licença para dar palpites na alimentação, lembrar o horário dos remédios, recomendar sapatos mais confortáveis, conferir se as horas de sono foram suficientes e restauradoras.


A mãe da minha mãe me avisou que deve ouvir mais do que falar, pois ela veio para isso, para acompanhar a minha mãe nas recordações da infância, da juventude, do casamento, de quando eu e minha irmã éramos crianças, de quando adolescemos e viramos adultas.


A mãe da minha mãe me ensinou a importância dessa escuta, de afinar a sensibilidade para entender que a minha mãe, aos 91 anos, faz o balanço da vida e precisa de quem lhe ouça, chore e ria com ela, jogue luz nos momentos bons e, se preciso, trapaceie na contabilidade afetiva para mostrar que houve mais felicidade do que tristeza e que, no final das contas, o saldo de viver é positivo.


A essas alturas, quem abriu a porta para a mãe da sua mãe ou para o pai do seu pai ou para ambos entendeu tudo que está escrito neste texto e nem precisa ler as últimas palavras desta crônica para dizer — com certeza já disse — que a mãe da minha mãe não é a minha avó, sou eu.


Disponível em: https://mais.opovo.com.br/.

"Ainda que eu não tivesse convivido antes com a mãe da minha mãe [...]"
O tempo verbal composto ressaltado, no período anterior, encontra-se no
Alternativas
Q3284422 Português
Por que a mobilidade deve ser essencial na sua rotina de atividades físicas


           Antes do seu próximo treino físico, você pode fazer alguns alongamentos estáticos, achando que está preparando os músculos e as articulações. No entanto, embora esses alongamentos possam melhorar sua flexibilidade, talvez você precise fazer mais pela sua mobilidade.

          Ao contrário da flexibilidade, que diz respeito principalmente ao alongamento dos músculos, a mobilidade refere-se à movimentação eficiente das articulações em toda a amplitude de movimento. Por exemplo, se você pratica um esporte reativo, como basquete ou tênis, pode rapidamente alcançar uma bola ou mudar de direção caso tenha uma boa mobilidade.

        "Ter mobilidade nas articulações permitirá que você gire e se mova sem forçar os músculos ou irritar a articulação", explica Samantha Smith, professora assistente de ortopedia clínica e reabilitação na Yale School of Medicine, nos Estados Unidos.

        Em uma revisão sistemática de 2024 publicada no Journal of Sports Sciences, os pesquisadores examinaram 22 estudos sobre várias técnicas de mobilidade, incluindo as práticas de Yoga, Pilates, alongamento dinâmico e dança. A revisão constatou que 20 desses estudos relataram que a incorporação do trabalho de mobilidade pode melhorar significativamente o desempenho atlético.

        Mas o trabalho de mobilidade não é apenas para atletas. Ele desempenha um papel fundamental na saúde geral de uma pessoa, melhorando a eficiência e a agilidade dos movimentos e reduzindo o risco de lesões durante as atividades físicas.



Fonte: https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2024/09/por-que-a-mobilidade-deve-ser-essencial-na-sua-rotina-de-atividades-fisicas (adaptado).
Sobre o tempo verbal e a forma nominal, respectivamente, dos verbos no trecho "Ele desempenha um papel fundamental na saúde geral de uma pessoa, melhorando a eficiência e a agilidade dos movimentos", é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3275346 Português

Leia o poema “Guarda-chuvas” de Rosana Rios e responda a questão.


Guarda-chuvas


Rosana Rios


Tenho quatro guarda-chuvas

todos os quatro com defeito;

Um emperra quando abre,

outro não fecha direito.


Um deles vira ao contrário

seu eu abro sem ter cuidado.

Outro, então, solta as varetas

e fica todo amassado. 


O quarto é bem pequenino,

pra carregar por aí;

Porém, toda vez que chove,

eu descubro que esqueci … 


Por isso, não falha nunca:

se começa a trovejar,

nenhum dos quatro me vale –

eu sei que vou me molhar. 


Quem me dera um guarda-chuva

pequeno como uma luva

Que abrisse sem emperrar

ao ver a chuva chegar!


Tenho quatro guarda-chuvas

que não me servem de nada;

Quando chove de repente,

acabo toda encharcada.


E que fria cai a água

sobre a pele ressecada!

Ai… 

Em "Tenho quatro guarda-chuvas", o verbo "tenho" está no: 
Alternativas
Q3271857 Português
Considere a frase:
“Eles querem que vocês voltem cedo”.
Qual é o tempo e modo do verbo “voltem”? 
Alternativas
Q3271850 Português
No texto “Ele corre todos os dias no parque”, o verbo “corre” está em qual tempo verbal? 
Alternativas
Q3271336 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão


Seu Afredo


    Seu Afredo (ele sempre subtraía o “l” do nome, ao se apresentar com uma ligeira curvatura: “Afredo Paiva, um seu criado...”) tornou-se inesquecível à minha infância porque tratava-se muito mais de um linguista que de um encerador. Como encerador, não ia muito lá das pernas. Lembro-me que, sempre depois de seu trabalho, minha mãe ficava passeando pela sala com uma flanelinha debaixo de cada pé, para melhorar o lustro. Mas, como linguista, cultor do vernáculo e aplicador de sutilezas gramaticais, seu Alfredo estava sozinho.


    Tratava-se de um mulato quarentão, ultrarrespeitador, mas em quem a preocupação linguística perturbava às vezes a colocação pronominal. Um dia, numa fila de ônibus, minha mãe ficou ligeiramente ressabiada quando seu Afredo, casualmente de passagem, parou junto a ela e perguntou-lhe à queima-roupa, na segunda do singular:


    – Onde vais assim tão elegante?


    Nós lhe dávamos uma bruta corda. Ele falava horas a fio, no ritmo do trabalho, fazendo os mais deliciosos pedantismos que já me foi dado ouvir. Uma vez, minha mãe, em meio à lide caseira, queixou-se do fatigante ramerrão do trabalho doméstico. Seu Alfredo virou-se para ela e disse:


    – Dona Lídia, o que a senhora precisa fazer é ir a um médico e tomar a sua quilometragem. Diz que é muito bão.


    De outra feita, minha tia Graziela, recém-chegada de fora, cantarolava ao piano enquanto seu Afredo, acocorado perto dela, esfregava cera no soalho. Seu Alfredo nunca tinha visto minha tia mais gorda. Pois bem: chegou-se a ela e perguntou-lhe:


    – Cantas? Minha tia, meio surpresa, respondeu com um riso amarelo:


    – É, canto às vezes, de brincadeira…


    Mas, um tanto formalizada, foi queixar-se a minha mãe, que lhe explicou o temperamento do nosso encerador: –


    Não, ele é assim mesmo. Isso não é falta de respeito, não. É excesso de... gramática. Conta ela que seu Afredo, mal viu minha tia sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou:


    – Olhe aqui, dona Lídia, não leve a mal, mas essa menina, sua irmã, se ela pensa que pode cantar no rádio com essa voz, tá redondamente enganada. Nem em programa de calouro!


    E, a seguir, ponderou:


    – Agora, piano é diferente. Pianista ela é!


    E acrescentou:


    – Eximinista pianista!


MORAES, V. Seu Afredo. In: Para uma menina com uma flor. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 65-66.

Considere o seguinte excerto: “Seu Afredo nunca tinha visto minha tia mais gorda.” A locução verbal “tinha visto”, empregada no excerto dado, corresponde, em relação ao aspecto da ação expressa, à forma:
Alternativas
Q3269306 Português
Leia com atenção as afirmativas abaixo:

I.Eles fazem experiências em laboratório.
II.Ela apresentou um projeto inovador na feira de ciências.
III.Os alunos costumavam realizar experimentos de química nas aulas.
IV.Nós discutiremos os resultados da pesquisa na próxima reunião.
V.Assistirei a uma palestra sobre sustentabilidade.

Em quais das afirmativas lidas há o emprego do tempo pretérito?
Alternativas
Q3268758 Português
O futuro das vilas olímpicas: legado ou elefante branco? 


Internet:<www.brasildefato.com.br>  (com adaptações).
Em “Elas têm o potencial de transformar regiões inteiras, revitalizando áreas urbanas” (linhas 15 e 16), a forma verbal “têm” está na
Alternativas
Q3268346 Português
Na frase “Joana andou descalça.”, se o verbo "andou" fosse colocado no presente do indicativo, ele ficaria:
Alternativas
Q3255295 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A primeira cidade dos EUA com maioria árabe Dearborn se tornou a primeira cidade de maioria árabe dos Estados Unidos em 2023. Com cento e dez mil habitantes, ela abriga o Museu Nacional Árabe-Americano e a maior mesquita da América do Norte.

A cidade é governada por um dos poucos prefeitos árabes e muçulmanos dos Estados Unidos. Dearborn também foi a primeira cidade americana a transformar o fim do jejum do Ramadã em feriado oficial para os funcionários municipais e é um dos poucos lugares do país onde uma mesquita foi autorizada a transmitir a chamada para a prece islâmica pelos seus alto-falantes.

Por tudo isso, Dearborn oferece aos visitantes uma oportunidade tentadora de viajar ao Oriente Médio sem sair dos Estados Unidos, explorando como os árabes-americanos formaram a cidade e o país.

Segundo o curador do Museu Histórico de Dearborn, Jack Tate, a cidade era pouco mais que um terreno rural escassamente povoado até o início do século 20.

Mas tudo mudou nos anos 1920, quando o fabricante de carros e futuro magnata dos negócios Henry Ford transferiu a sede da sua companhia − a Ford − para Dearborn. 

"Naquela época, era uma comunidade pequena e monótona", explica Tate. "E, quando abriu a fábrica, pessoas vieram de todas as partes dos Estados Unidos, de todo o mundo, para trabalhar para a Ford. Foi o grande início da migração do Oriente Médio para cá."

Quando Ford criou seus famosos automóveis Modelo T, em 1908, ele precisava de pessoas para construí-los.

Ondas de trabalhadores de lugares que hoje pertencem ao Líbano, Síria, Iraque, Iêmen e aos Territórios Palestinos logo começaram a chegar à região de Detroit, em busca de novos empregos e altos salários.

No início dos anos 1920, a maior parte dos trabalhadores da linha de montagem do Modelo T da Ford era de origem árabe. E, quando Henry Ford mudou a fábrica para Dearborn, muitos dos seus funcionários o seguiram.

A mudança transformou o pacato vilarejo na sede da maior instalação industrial do mundo. E, mais do que isso, ela possibilitou que Dearborn passasse a abrigar a maior concentração de árabes-americanos dos Estados Unidos.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckr5d1k70ero.adaptado.
Naquela época, "era" uma comunidade pequena e monótona. E, quando "abriu" a fábrica, pessoas vieram de todas as partes dos Estados Unidos.
Os verbos destacados na frase encontram-se conjugados, respectivamente, no:
Alternativas
Q3252478 Português
A andorinha da torre


   Desde muito tempo que o serviço da torre da Igreja de X estava confiado ao velho Emílio...

   Era aquele homem de barbas longas e brancas, espécie dessas figuras com que se costuma fazer a imagem mítica dos grandes rios, era aquele velho que via-se de tarde, à janela da torre sob a cúpula enorme do sino grande, olhando vagamente para o espaço, sem dar atenção ao burburinho da cidade, que circulava nas ruas lá embaixo...

   Os mais antigos moradores do lugar lembravam-se de que Emílio fora sempre o mesmo homem de barbas longas e brancas, o mesmo, como a ruína consagrada pelo tempo, que nunca fica mais velha. Respeitava-se muito ao velho sineiro. Era o mais honrado dos homens e, além disso, era o avô da mais galante criança que se tem visto.

    Por aqueles cinco quarteirões em volta não havia quem não gostasse da andorinha da torre. Festejavam muito aquela criança, davam a ela doces e beijos que não havia mãos a medir; sentiam só que ela fugisse tanto a meter-se na torre com o avô e esquecesse pelos velhos amigos de bronze que moravam lá no alto as pessoas da cidade que tanto a queriam.

   Mas como havia de ser se ela amava perdidamente os seus sinos e o seu avô?... Achava os sinos frios demais e pachorrentos como uns homens de idade, mas, em compensação, admirava-os, quando vovô Emílio despertava-lhes a sanha e os fazia pularem, voltearem como clowns*, precipitarem-se no espaço como se fossem desabar e ressurgirem para o alto, com a boca largamente aberta, como um sorriso de gigante satisfeito.

   A pequena Rita admirava os sinos. Esta admiração transformava-se em amorosa simpatia. Estranhava no fundo do espírito aqueles monstros boquiabertos que sabiam ser igualmente a imobilidade e o turbilhão, o silêncio e a trovoada; ajudava o avô a tratá-los, limpar-lhes o bojo profundo e escuro, clarear-lhes os dourados de fora, esgravatar-lhes os interstícios dos relevos que os enfeitavam...

    Havia amor de família naquele pequeno mundo que vivia na torre.


(Raul Pompeia, A andorinha da torre. Em: https://www.biblio.com.br. Adaptado. Acesso em 12.09.2024)

* palhaços 
Predominam, no texto, as formas verbais do
Alternativas
Q3244912 Português

Leia o Texto II para responder à questão.


Texto II


    Porto Alegre está submersa. A maior parte do meu bairro, mergulhada em água de cor marrom avermelhada. Sexta-feira, 3 de maio, fazemos compras como se nos preparássemos para uma guerra: estocamos água, comida, lanternas, pilhas. Permaneceremos. No sábado, quando acordamos, a rua estava coberta de água. Chegam notícias alarmantes de outras áreas da cidade. Acaba a luz elétrica. Mas, imagine, o nosso prédio tem gerador. “Mas” − conjetura-se – “não haverá energia para as bombas abastecerem as caixas d’água”. Acaba o fornecimento municipal de água, não há água a ser bombeada, resta racionar a água que ainda temos na caixa d’água do prédio. No domingo, silenciosa e persistente, a água avança. Sobe. Se impõe, indiferente ao fato de que a chuva tenha parado e é um belo dia de sol. Impassível, como as águas que a tudo domina, assisto pelas janelas aquela cena. Estamos no décimo-primeiro andar, a água não chegará aqui. Imagine! Este é um prédio seguro, com todos os recursos, capaz de gerar sua própria energia, escadas pressurizadas, portaria virtual. Um luxo… Olho para baixo, um rapaz passa remando em uma canoa improvisada. Helicópteros, como ruidosos besouros metálicos, cortam os céus. Um caminhão do Exército oferece ajuda aos que querem deixar suas casas. Não é conosco. Isso não pode estar acontecendo. Um cheiro meio nauseabundo exala do rio marrom que passou a existir onde antes havia uma rua ladeada por amoreiras. Estaria eu culpando a água insalubre pela náusea que a ansiedade instaurara em meu corpo? Constata-se: a água continua a subir. Novo recorde para o nível do Guaíba, 5 metros e 33 centímetros. Mas a água não cai dos céus, a chuva dera uma trégua, a água surge dos bueiros aos borbotões acompanhada de ratos e baratas. Fala-se de cobras e lagartos. Jacarés? Contam que um jacaré passeia, digo, nada, pelo bairro. Não pode ser verdade. Segunda-feira, o gerador − que refrigerava nossa comida, recarregava nossos celulares e mantinha acesa alguma esperança de que resistiríamos e que a calamidade passaria longe de nossas confortáveis vidas – pifou pela sobrecarga.


    Incrédulos e anestesiados pegamos alguns pertences, documentos e computadores e conseguimos ainda sair do prédio com água até os joelhos e embarcarmos em nossa caminhonete, felizmente, alta. O assombro era imenso e a sensação era a de que não fazíamos parte daquele cenário, estávamos em outro lugar, apartados daquela realidade.


(Ondina Fachel Leal. 25.05.2024.

Disponível em: https://www.matinaljornalismo.com.br/.Adaptado)

No trecho “Estaria eu culpando a água insalubre pela náusea que a ansiedade instaurara em meu corpo?”, o verbo destacado pode ser substituído, mantendo-se o sentido original, por: 
Alternativas
Respostas
401: C
402: C
403: A
404: A
405: A
406: C
407: C
408: A
409: D
410: C
411: C
412: B
413: A
414: B
415: D
416: C
417: B
418: C
419: B
420: D