Questões de Concurso Comentadas sobre denotação e conotação em português

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Q3509290 Português
Instrução: Leia atentamente o texto e responda à questão.


Discórdia em Concórdia

Um voo por entre os buracos das nuvens.


"Essa cerração estava bem fechada na serra, mas aqui em Ilhabela o céu estava cheio de buracos". Foi o que informou o dono do heliponto ao piloto do helicóptero no fatídico acidente que abriu o ano.

Esses buracos são espaços abertos entre as nuvens, o que, segundo ele, permitiria o pouso. Ao ler aqueles fatos na internet, na hora, recuei no tempo. Revivi o dia em que viajei para Concórdia, Santa Catarina, a bordo de um jatinho privado.

Fui orientado pela secretária do dono da aeronave a comparecer ao hangar de Congonhas às 16h30 para a importante reunião catarinense. No horário combinado, subi os estribos do Learjet rumo à avionada.

Decolamos com céu de brigadeiro. Era a primeira vez que tinha um aeroplano inteiro a meu dispor. Fui me sentindo uma celebridade até Curitiba. Naquele ponto, entretanto, o clima virou. A bem da verdade, capotou. Tudo nublou, não se via um milímetro de horizonte, e trovões rimbombavam a todo instante.

Não demorou para que o Lear passasse a sacudir mais do que coqueteleira em mão de barman. O chacoalhar era tamanho que a maleta do comandante, acomodada nos porta bagagens, desabou sobre o meu cocuruto. Ainda tonto, fui de gatinhas, pelo corredor, até a cabine.

Ali, notei que o copiloto dava pancadas no rádio.

"O que está acontecendo?", quis saber.

"Estamos sem comunicação, estou vendo se volta...", anunciou com aquela mansidão dos aeronautas.

Engoli em seco. A cerração continuava reinando, mas felizmente conseguiram contato com o aeroporto de Concórdia.

Apenas para que o leitor assimile o local onde seria nosso pouso, eu diria que se tratava de uma extensão de asfalto pouco maior do que uma pista de autorama no pico de uma alta montanha. Em volta, mata fechada.

Houve a primeira tentativa de aterrissagem, porém, não se divisava um palmo adiante do nariz do jatinho.

Quando arremetemos, se apresentou a voz do dono do avião no rádio, num forte sotaque gaúcho:

"Epa, peralá! Por que no descero, tchê?"

O piloto explicou:

"Visibilidade zero, doutor."

"Aqui tão dizeno que tem buraco. Encontra um aí, compadre, e mete o bicho nele que tem hora pra começá os trabalho!"

"Sim, senhor!", respondeu o piloto.

Eu já tinha me sentado mais ao fundo possível pois ouvira dizer que, em acidentes aéreos, o estrago é menor aos que se localizam na popa. "Acharo o buraco?", insistia o gaúcho.

"Localizamos um a estibordo, doutor, vamos tentar o procedimento", prometeu o comandante.

Dei início ao rosário apressado que aprendi com minha avó. Usava os dedos como as contas do terço. O jato mergulhou na pequena fenda da nuvem em direção à pistinha, as turbinas gritavam em dramática desaceleração.

Assaltou-me a inconveniente lembrança de que meu sobrenome é Castelo Branco e certo marechal, com o mesmo nome, morrera num famoso desastre de avião.

O solo veio se aproximando. Foquei na minha janela. Antes de atingirmos a cabeceira, o trem de pouso triscou o galho de uma araucária. Bah, tri legal!" - urrou o gaúcho no rádio ao presenciar a descida.

Saí bambo da aeronave e, feito João Paulo II, beijei o asfalto.

O chefão me deu as boas-vindas e comunicou:

"Reunião ficou pra amanhã. O bão é que dá tempo de nóis assar um costelão pra ti".


(CASTELO BRANCO, Carlos. Um voo por entre os buracos das nuvens. Estadão. 17/01/2024. Disponível em https://www.estadao.com.br/emais/cronica-por-quilo/discordia-em-concordia/. Acesso em 20 de março de 2024.)
No que trata dos aspectos gramaticais do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Aqui tão dizeno que tem buraco. Encontra um aí, compadre, e mete o bicho nele que tem hora pra começá os trabalho! – esse trecho demonstra uma variante linguística brasileira muito utilizada na oralidade.
( ) O vocábulo ‘avionada’ é formado pelo processo de composição por justaposição.
( ) O chacoalhar era tamanho que a maleta do comandante, acomodada nos porta bagagens, desabou sobre o meu cocuruto – pode-se observar nesse excerto uma relação de causa e consequência.
( ) O jato mergulhou na pequena fenda da nuvem em direção à pistinha, as turbinas gritavam em dramática desaceleração. – nesse trecho há linguagem denotativa.
( ) Em Visibilidade zero, doutor. e Estamos sem comunicação, estou vendo se volta..., – o uso da vírgula se justifica pela mesma razão: separar orações.

Assinale a sequência correta.
Alternativas
Q3466244 Português

Medo da eternidade 


Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.


Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.


Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:


– Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.


– Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.


– Não acaba nunca, e pronto.


Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.


– E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.


– Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


Perder a eternidade? Nunca.


O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.


– Acabou-se o docinho.E agora?


– Agora mastigue para sempre.


Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.


Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.


Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


– Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. – Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!


– Já lhe disse – repetiu minha irmã – que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.


Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


(LISPECTOR, Clarice – In: SANTOS, J. F. As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)

Conotação é o sentido que se dá a uma palavra ou expressão a partir de seu contexto. É a linguagem figurada, um estilo de falar ou escrever muito explorado poeticamente e também informalmente. Conotar é também dar novos significados, que saiam da linguagem formal e permitam mais entendimentos da língua. Há um exemplo de conotação em:
Alternativas
Q3457951 Português

Quanto mais difícil, melhor


    Assim como os historiadores, bibliotecários e arquivistas, vivo profissionalmente às voltas com livros centenários, documentos antigos e recortes amarelados. Isso significa coabitar com poeira, mofo e populações inteiras de fungos. O problema é que sou alérgico a bolor e sofro as consequências do manuseio dessas relíquias. Um amigo me perguntou se uso máscara para trabalhar. Respondi: “Não. Uso espirro. A cada espirro voam várias gerações de fungos”.


    A incompatibilidade entre certas condições físicas e a profissão de seus portadores pode ser dramática. Minha amiga, a feminista Rose Marie Muraro, nascida quase cega, precisava usar óculos muito grossos e lupa para conseguir ler. E qual era sua profissão? Leitora da Editora Vozes. Portinari, para muitos o maior pintor brasileiro, era alérgico a certas tintas. Morreu em 1962, envenenado por elas, depois de 40 anos de trabalho. E Garrincha, cujos dribles você sabe, tinha uma perna para dentro e outra para fora, como dois parênteses lado a lado: )).


    Beethoven era surdo, o que, pelo visto, não lhe fazia diferença. Django Reinhardt, imortal guitarrista do jazz, tinha dois dedos paralisados na mão esquerda. E a Harold Lloyd, um dos grandes da comédia no cinema mudo americano, faltavam dois na direita — e foi sem eles que escalou um edifício em Nova York em seu filme “O Homem-Mosca” (1923), fazendo ele próprio quase todas as cenas.
    John Wayne, Humphrey Bogart, James Stewart, Frank Sinatra, Bing Crosby, Fred Astaire, Gene Kelly, Henry Fonda e Sean Connery tinham algo em comum: eram carecas. Não que haja problema nisso (e eu mesmo já posso tecnicamente ser chamado de), mas, na velha Hollywood, Ava Gardner, Grace Kelly e Raquel Welch nunca poderiam ser beijadas por carecas, ainda que galãs. Sem problema — as perucas eram tão perfeitas que ninguém notava.
    

        Este artigo deve me custar uns cinco espirros.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/ 2023/12/quanto-mais-dificilmelhor.shtml?pwgt=kye73frks3762ppiv3c8ms8a gtyutnr6i2zmqyam6pqtcz5u&utm_source=whats app&utm_medium=social&utm_campaign=comp wagift. Acesso em: 20 dez. 2023.Adaptado.
Identifica-se termo empregado em sentido figurado na seguinte passagem do texto: 
Alternativas
Q3444431 Português

Leia o texto II e responda à questão. 



Caso Marielle: relação com agentes públicos é alarmante, diz Anistia 



A participação de ex-agentes de segurança pública e agentes públicos no assassinato da vereadora Marielle Franco é alarmante, e as prisões deste domingo (24), apesar de representarem um avanço, ainda não significam justiça. Essas foram as considerações da Anistia Internacional Brasil sobre a operação que prendeu acusados de serem os mandantes do assassinato, cometido há seis anos, e de terem obstruído suas investigações.


"Informações já apuradas pelas autoridades sugerem que o crime poderia estar ligado aos interesses de expansão das milícias no Rio. Nesse sentido, é preciso lembrar que o surgimento e expansão de grupos paramilitares, resultam, entre outros fatores, da impunidade e da falha das autoridades do Estado em oferecerem respostas contundentes a desvios em suas estruturas", diz a organização, que acompanha o crime e dá suporte às famílias de Marielle e Anderson desde os primeiros momentos após o assassinato.


Na manhã deste domingo (24), a operação Murder Inc. cumpriu três mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), todos na cidade do Rio de Janeiro. De acordo com fontes ligadas à investigação, foram presos Domingos Brazão, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Rio, Chiquinho Brazão, deputado federal do Rio, e Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio.


A Anistia lembra que a responsabilidade do Estado sobre o surgimento e a expansão de grupos paramilitares "tem sido objeto de condenações emblemáticas na Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH)", que estabelece responsabilidades como o dever de prevenir violações de direitos, investigar de forma diligente, responsabilizar por violações e reparar as vítimas.


"As autoridades brasileiras têm falhado em todos esses deveres frente aos assassinatos de Marielle e Anderson", avalia a organização, que considera inaceitável a demora de seis anos para elucidação do crime. 


"Este grave crime foi preparado minuciosamente. Diversos atores estiveram envolvidos nesse processo e, após os assassinatos, assistimos, durante os últimos 6 anos, a inúmeras falhas e tentativas de obstrução das investigações, muitas delas protagonizadas por agentes públicos. Todos devem ser responsabilizados".


A Anistia Internacional conclui afirmando que renova sua cobrança pública por justiça e instando as autoridades brasileiras a garantir que todos os responsáveis pelo planejamento e execução do crime, bem como todos os responsáveis por eventuais desvios e obstruções das investigações, sejam levados à justiça em julgamentos justos que atendam aos padrões internacionais.


"O legado de Marielle só poderá florescer se o Brasil se tornar um espaço seguro para todas e todos que defendem direitos humanos". 


https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-03/caso-marielle-relacao-com-agentes-publicos-e-alarmante-diz-anistia

"O legado de Marielle só poderá florescer se o Brasil se tornar um espaço seguro para todas e todos que defendem direitos humanos". 



Assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q3414315 Português
6 raças de cães proibidas ao redor do mundo

        Recentemente, o Reino Unido baniu a raça de cães American Bully XL no país. A raça foi considerada um “perigo para a comunidade” após uma série de ataques nos últimos anos — incluindo dois fatais, contra um homem de 52 anos e uma criança de 10.
        Na terra do rei, seu cão pode ser apreendido pelo governo caso seja de uma das raças proibidas — mesmo que ele não apresente qualquer comportamento agressivo ou reclamação da vizinhança. O cão não é sacrificado de imediato, mas você deve passar por um julgamento e provar que seu animal de estimação não é uma ameaça. Depois, o bichinho precisa ser castrado e registrado como “permitido” no país — além de andar sempre de focinheira, coleira e com chip.
        O pit bull é banido ou possui restrições em cerca de 24 países, como Reino Unido, Espanha, Rússia, Argentina, Itália e Nova Zelândia. Outros países têm leis que regulam a adoção desses cães. É o caso dos Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Japão e Brasil — por aqui, eles precisam usar focinheira e devem ser castrados.
        A raça foi criada para ser um cão de guarda, por isso é comum que ele carregue o estereótipo agressivo. Eles são conhecidos pela sua força e robustez de sua mordida. Por causa de seu físico atlético e alta energia, é preciso passear bastante para mantê-lo saudável.
        O Doberman é banido em alguns países do leste europeu, além da Irlanda e de algumas partes dos EUA, que restringem a circulação da raça. Assim como o pit bull, ela foi criada como cão de guarda. Por causa de seus instintos protetores e pouca amistosidade com estranhos, eles costumam ser mal vistos. Sem o devido treinamento, seus instintos mais agressivos podem ser aflorados. Especialistas recomendam iniciar a socialização e convivência entre humanos logo quando filhote.
        A raça japonesa Tosa Inu é banida em 18 países, como Reino Unido, Dinamarca e França. Ela foi criada para ser utilizada em brigas de cães e, por isso, seu banimento também é uma forma de atrapalhar a prática ilegal. A raça de grande porte pode ser paciente e tranquila, mas apresenta comportamentos destrutivos se não for educada corretamente.
        No fim das contas, tudo vai depender da personalidade do bicho e da eficácia do adestramento. Independentemente da raça do cachorro, é preciso educá-lo da maneira correta.

(Fonte: Superinteressante — adaptado.)
Considerando-se os conceitos de denotação e conotação, numerar a 2ª coluna de acordo com a 1ª e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

(1) Denotação.
(2) Conotação.

( ) A mosca está batendo-se contra o vidro.
( ) Dizem que a gerente dessa loja é uma cobra.
( ) Nessa questão eu comi mosca, porque tinha estudado essa matéria. 
Alternativas
Q3382907 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Visão do Correio
Janeiro Branco dá a largada

Não basta apenas mobilizar a sociedade, mas sim sensibilizar as autoridades do país a respeito da importância de políticas públicas para a saúde mental
Correio Braziliense | 03/01/2024


       Começar o ano cuidando do corpo é uma iniciativa mais que louvável diante de números crescentes de obesidade no Brasil e no mundo. Mas a saúde mental também precisa de atenção desde já. Não foi à toa que seus organizadores escolheram este mês para iniciar a campanha Janeiro Branco.
       A data foi estrategicamente pensada ________ o primeiro mês do ano costuma promover nas pessoas maior abertura para reflexões, novas resoluções e metas para o ano que se inicia. A cor branca representa as folhas ou telas em branco, em [que]1 uma pessoa pode desenhar, escrever ou reescrever o que desejar para si e para o mundo, simbolizando o horizonte aberto e criando o sentimento de potência ilimitada que cada início de ano possibilita à humanidade.
       Não há como negar [que]2 a disseminação do coronavírus seja uma espécie de divisor de águas, quando o assunto é saúde mental, ou melhor, doença mental. Foi a partir de 2020 que as pessoas foram afetadas com a pandemia da covid-19, responsável por provocar medos, incertezas e uma crise sem precedentes na saúde mental de grande parte dos brasileiros. Em praticamente três anos de pandemia, as pessoas deixaram de ser biopsicossociais para se isolarem em seus mundos, deixando as portas abertas à solidão, à intolerância, à introspecção e a tantos outros sentimentos negativos.
       Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram [que]3 já são mais de 350 milhões de pessoas, de todas as idades, que sofrem com a doença. O Brasil assumiu a liderança do ranking da ansiedade, com 18,6 milhões de pessoas ansiosas e 11,7 milhões deprimidas. Isso demonstra o que muitos especialistas afirmam: o Brasil está vivenciando a pandemia dos transtornos mentais.
       Criada em 2014, completando, portanto, 10 anos, a campanha Janeiro Branco, [que]4 já é Lei Federal (Lei 14.556/23), foi elaborada pelo psicólogo Leonardo Abrahão, presidente do Instituto Janeiro Branco, e relaciona a saúde mental às interações humanas. O tema deste ano é "Saúde mental enquanto há tempo. O que fazer agora?" e a ideia é chamar a atenção para a saúde mental como um aspecto vital para melhorar a qualidade de vida das pessoas, promover relações sociais mais saudáveis e transformações positivas nas instituições sociais no mundo inteiro.
       Prova da amplitude do movimento é que países como Angola, Colômbia, Japão, Estados Unidos, Portugal, Espanha e Cabo Verde abraçaram e adotaram os princípios da campanha, superdimensionando seu impacto e promovendo, durante todo o mês de janeiro, a conscientização sobre o tema em escala global. 
       Não basta apenas mobilizar a sociedade em torno das doenças mentais, mas sim sensibilizar as autoridades políticas a respeito da importância de políticas públicas para a saúde da mente. "Cuidados individuais, atitudes institucionais e políticas públicas", defendem os especialistas em saúde mental.
       Que 2024 seja mesmo o ano da colheita, do aprendizado, da evolução e da maturidade, como dizem os astrólogos de plantão. E que possamos cuidar da saúde mental uns dos outros.

JANEIRO Branco dá a largada. Correio Braziliense, 03 de janeiro de 2024.

Opinião. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/01/6779189-janeiro-branco-da-a-largada.html. Acesso em: 03 jan. 2024. Adaptado.
Em qual dos trechos abaixo se pode verificar o uso de uma linguagem conotativa? 
Alternativas
Q3381625 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Beleza

Acorda esse homem inesperada e injustificavelmente cedo, sem saber direito onde está, mas inteiramente certo de que aquela cama não é a sua. O despertar de quem dorme fora é sempre assim e a primeira sensação é uma desconfiança: terei sido raptado?

Aos poucos, as ideias se arrumam, a inconsciência do sono vai cedendo lugar à lucidez das coisas exatas e a realidade se comprova na cor da parede, no desenho dos móveis, no cheiro da fronha e dos lençóis, que é uma agradável novidade olfativa. Esse homem chega à simples conclusão de que é um hóspede. Tem um dia grande e vadio pela frente. Poderá, se quiser, continuar na cama, lendo, tramando, cochilando e, mais que tudo, gozando a perspectiva do tempo sem horários e sem tarefas. Mas decide levantar. Antes, faz sua reza íntima de todas as manhãs, a que diz: “Não te deixes tomar pelo pequeno êxito e não te eleves acima do conhecimento que tens da tua frequente fragilidade” etc.

Abre a janela. A bruma baixa desfigurou a silhueta dos montes. Vai chover e o dia terá um céu triste. Mas o vento frio da serra e as flores, que são tantas — amarelas, vermelhas, azuis — trazem uma alegria completa, uma impressão de salvamento, em que os cansaços e desgostos aparecem como penas já cumpridas.

Dali por diante, esse homem está quite com os castigos e lhe chegam — como nos domingos da meninice — as esperanças, o ânimo, a ideia tranquila de existência. Esse homem não sabe se está apaixonado por uma mulher ou simplesmente pela vida. Mas, em seu coração, há um amor indefinido, que por si, pelo bem que faz, poderá ficar sem alvo certo, sem reciprocidade. Basta-lhe a manhã de vento frio, o perfume das flores e o verde do capim viçoso.

Deve ser este um grande momento de sua vida, porque a sensação constante de saudade não está, pela primeira vez, entre os seus sentimentos.


Maria, A. Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. São Paulo: Todavia, 2021.
No excerto “A bruma baixa desfigurou a silhueta dos montes. Vai chover e o dia terá um céu triste.”, verifica-se o emprego de palavras com sentido figurado. Um exemplo é a palavra:
Alternativas
Q3379793 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Para que a ansiedade climática não seja paralisante

Por * Maurício Gonzalez

05/06/2024

    Chegamos ao mês de celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente atravessados pela urgência climática. Entre 2023 e 2024, só no Brasil, acompanhamos uma dura sequência de eventos impactantes pela proporção e devastação, além da alta frequência em ocorrências. Chuvas no litoral de São Paulo, seca no Amazonas, enchentes no Recife e, agora, a tragédia no Rio Grande do Sul. Todos representam o que cientistas sempre alertaram: eventos climáticos, cada vez de maiores proporções, serão ainda mais frequentes.
    Mesmo que tais avisos não sejam recentes, é inegável que estão se materializando para toda a sociedade. Especialmente, com o apoio dos meios de comunicação dispostos a noticiar o assunto com a atenção e cuidado que merece. [...] Se nos meios de comunicação o tema está em prioridade na pauta do dia, as análises de mercado também apontam para um mesmo caminho, sob o ponto de vista do consumidor. Uma pesquisa disponibilizada na Gente, plataforma de conhecimento e insights da Globo, aponta que a ansiedade climática figura em primeiro lugar dentre os temas capazes de impactar nas decisões de consumo e no comportamento da população em 2024. 
    Boa parte da percepção sobre esse tema no Brasil vem de experiências com ondas de calor, chuvas intensas e desastres naturais. Aproximadamente 79% dos brasileiros declararam que sentem os impactos severos de mudanças no clima onde vivem; e 85% acreditam que os efeitos das mudanças climáticas no país serão ainda piores nos próximos 10 anos. Este índice está bem acima da média global, que é de 71% e só foi superado pelos entrevistados na Coreia do Sul (88%). Essa angústia coletiva é plenamente justificada quando nos deparamos com a informação de que 2.797 municípios brasileiros decretaram estado de emergência ou de calamidade por causa de desastres naturais e fenômenos climáticos extremos no último ano, de acordo com a Defesa Civil Nacional.
    “A sensação de impotência e frustração surge com a ação insuficiente dos poderes e a falta de consciência em outros setores da população”, disse a psicoterapeuta britânica Caroline Hickman ao explicar a ansiedade climática ou ecoansiedade.
    Então fica uma provocação: nos falta consciência ou tal ansiedade tem gerado uma inércia limitante? Quando vamos ter um Dia Mundial do Meio Ambiente menos dramático e com avanços concretos nessa pauta? 
    Em tempos em que o Planeta Terra já fecha a conta no ‘cheque especial’ – a demanda da humanidade por recursos naturais supera a capacidade do planeta de produzir ou renovar esses recursos ao longo de um ano – há uma necessidade urgente de se encarar os riscos associados ao clima. Mas, acima de tudo, precisamos nos cobrar uma postura de resiliência que perpassará toda a sociedade, da iniciativa pública à privada, do individual ao coletivo.
     Entendo que é preciso redobrar a nossa capacidade de se antecipar e lidar com impactos causados pelas mudanças climáticas de maneira oportuna e eficiente. Precisamos construir estruturas e sistemas sustentáveis, flexíveis e duráveis, com a ajuda de colegas, parceiros e outras lideranças. E uma autoanálise, urgente e permanente, se estamos fazendo o suficiente para lidar com o que o aquecimento global representa.
    A ansiedade climática, aqui, é encarada como um motor para a transformação dessa realidade que assusta e acomete, principalmente, os mais vulneráveis. Cabe a nós, sociedade e empresas, estarmos dispostos a promover mudanças num movimento que chegue a todos, de forma democrática, justa e eficaz. E no timing da urgência que nos tem sido exposta, diariamente. 


* Maurício Gonzalez é Diretor do Centro de Serviços Compartilhados da Globo (Adaptadohttps://umsoplaneta.globo.com) 
O emprego de linguagem figurada ou com sentido conotativo ocorre em: 
Alternativas
Q3377706 Português

Leia e responda a questão:


Rua, espada nua


Boia no céu imensa e amarela


Tão redonda a lua, como flutua


Vem navegando o azul do firmamento


E no silêncio lento


Um trovador, cheio de estrelas


Escuta agora a canção que eu fiz


Pra te esquecer, Luiza


Eu sou apenas um pobre amador


Apaixonado, um aprendiz do teu amor


Acorda, amor


Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração


Vem cá, Luiza, me dá a tua mão


O teu desejo é sempre o meu desejo


Vem, me exorciza


Me dá tua boca e a rosa louca


Vem me dar um beijo e um raio de sol


Nos teus cabelos


Como um brilhante que partindo a luz


Explode em sete cores


Revelando então os sete mil amores


Que eu guardei somente pra te dar, Luiza


Luiza, Luiza, Luiza



Sobre a letra da música Luiza, de Tom Jobim, pode-se afirmar que:


I. O verso “E no silêncio lento” é um exemplo de sinestesia.


II. Luiza, musa inspiradora do sujeito lírico, exerce no texto a função de vocativo.


III. O uso da primeira pessoa denota a predominância da função conativa. 

Alternativas
Q3372947 Português
Sobre a expressão “Caça à Palavra”, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3355568 Português
Texto 01:


Sinais de consentimento forçado


O esforço do geneticista e bioinformata Yves Moreau, da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, já levou à retratação de 30 artigos científicos desde 2019. Em comum, os estudos cancelados utilizavam dados genéticos ou biométricos de minorias étnicas e grupos populacionais vulneráveis da China, cuja coleta foi realizada em condições nebulosas. Em alguns casos, não foi possível assegurar que os sujeitos da pesquisa forneceram material biológico de forma voluntária ou que o estudo foi aprovado pelo comitê ético de alguma instituição científica reconhecida. Já outros papers estão lastreados por termos de consentimento informado, nos quais os participantes declaram que foram avisados sobre o escopo da pesquisa e que aceitaram participar dela, mas há a possibilidade de que a coleta de dados tenha sido forçada e os documentos de anuência obtidos sob coação, o que os tornaria inúteis. Essa suspeita se baseia no ambiente de repressão política em que as pesquisas foram feitas e na presença de agentes de segurança do Estado entre os coautores dos artigos.

Segundo Moreau, a polícia chinesa se vale de uma base de dados nacional de DNA, de informações biométricas e de métodos de vigilância − tais como câmeras de vídeo e reconhecimento facial − para monitorar a minoria muçulmana uigur na província de Xinjiang, no noroeste do país. A mesma estratégia vale para os habitantes das montanhas do Tibete, região controlada pela China desde a década de 1950. "Isso faz parte da arquitetura do controle social e é uma ferramenta de pressão psicológica eficaz", disse Moreau ao jornal The Washington Post.

Em fevereiro, a revista Molecular Genetics & Genomic Medicine anunciou a retratação de 18 artigos apontados como suspeitos por Moreau, reconhecendo "inconsistências entre a documentação de consentimento e a pesquisa relatada". Outra retratação recente envolveu um trabalho publicado em 2022 na revista PLOS ONE , em que pesquisadores chineses coletaram amostras de sangue de centenas de tibetanos e concluíram que marcadores genéticos de seus cromossomos X poderiam ser úteis para identificação forense e testes de paternidade. Moreau alertou os editores da PLOS ONE que forças de segurança chinesas podem ter participado da coleta de dados, uma vez que organizações de defesa dos direitos humanos haviam denunciado a existência de um programa de coleta compulsória de amostras de DNA de populações tibetanas. O pesquisador pediu que investigassem se houve mesmo o consentimento informado dos indivíduos que cederam amostras de sangue. O artigo foi retratado apenas três meses após o alerta. Segundo nota divulgada pelo periódico, documentos fornecidos pelos autores não foram suficientes para afastar dúvidas sobre  a autenticidade do consentimento informado e garantir que o estudo recebeu aprovação ética de comitê regularmente estabelecido.

A rapidez da PLOS ONE em analisar o caso não é um padrão entre as revistas científicas. Moreau e seu grupo fizeram alertas semelhantes sobre mais de uma centena de artigos e ao menos 70 deles seguem sendo investigados há mais de dois anos, sem que as publicações cheguem a uma conclusão sobre se devem ser retratados − o argumento é de que os casos são complexos. "A demora excessiva de editores em proferir decisões equivale à má conduta editorial", disse Moreau, em uma longa reportagem sobre seu trabalho publicada em janeiro na revista Nature.

Houve casos em que os editores consideraram a suspeita infundada e encerraram as investigações. A editora MDPI declarou não ter encontrado falhas éticas em sete artigos questionados por Moreau, publicados na revista Genes. Um dos artigos investigou as origens genéticas do povo Hui, outro grupo étnico muçulmano do norte da China. Vários autores trabalham para a Academia de Ciências Forenses de Xangai, que é parte do Ministério da Justiça da China. Em um outro artigo, autores eram afiliados ao Departamento de Investigação Criminal da província de Yunnan e ao Gabinete de Segurança Pública da cidade de Zibo, na China. "Não é incomum que a polícia ajude a facilitar a pesquisa forense de genética populacional", afirmou à Nature Dennis McNevin, da Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália, coautor de um artigo apontado como suspeito por Moreau. O trabalho em questão foi publicado em 2018 na revista Scientific Reports e se baseava na análise genética de 1.842 pessoas de quatro grupos étnicos da China. O artigo segue válido, mas em 2022 a editora Springer Nature fez uma correção removendo dados (anonimizados) de participantes que constavam nas informações suplementares do paper, porque não havia consentimento para divulgá-los.

O engajamento de Moreau no combate ao que ele chama de "vigilância genômica" de minorias étnicas começou em 2016, quando soube que o governo do Kuwait lançara um programa para coletar e catalogar perfis genéticos de seus cidadãos e de visitantes. Ele levou o caso à Sociedade Europeia de Genética Humana e pediu que se pronunciasse contra a medida. Com a repercussão negativa, o programa acabou revogado pelo Parlamento do país. No mesmo ano, foi informado de que um programa de catalogação de DNA estava sendo implantado como parte do processo de registro de passaporte em Xinjiang, onde os uigures têm sido alvo de vigilância e detenções em massa. Ele fez um levantamento da literatura científica e encontrou dezenas de artigos que descrevem o perfil genético de grupos étnicos minoritários na China. Também observou que mais de 20% das pesquisas publicadas sobre genética forense populacional na China entre 2011 e 2018 concentraram-se nos uigures, embora eles representem menos de 1% da população.

Retirado e adaptado de: MARQUES, Fabrício. Sinais de consentimento forçado. Revista Pesquisa FAPESP.


Disponível em:
https://revistapesquisa.fapesp.br/sinais-de-consentimento
-forcado/ Acesso em: 19 abr., 2024.





Texto 02:



Trecho da Resolução n.º 466, de 12 de dezembro de 2012


[...] II - DOS TERMOS E DEFINIÇÕES


A presente Resolução adota as seguintes definições:


II.2 - assentimento livre e esclarecido - anuência do participante da pesquisa, criança, adolescente ou legalmente incapaz, livre de vícios (simulação, fraude ou erro), dependência, subordinação ou intimidação. Tais participantes devem ser esclarecidos sobre a natureza da pesquisa, seus objetivos, métodos, benefícios previstos, potenciais riscos e o incômodo que esta possa lhes acarretar, na medida de sua compreensão e respeitados em suas singularidades [...];


II.5 - consentimento livre e esclarecido - anuência do participante da pesquisa e/ou de seu representante legal, livre de vícios (simulação, fraude ou erro), dependência, subordinação ou intimidação, após esclarecimento completo e pormenorizado sobre a natureza da pesquisa, seus objetivos, métodos, benefícios previstos, potenciais riscos e o incômodo que esta possa acarretar [...];


II.10 - participante da pesquisa - indivíduo que, de forma esclarecida e voluntária, ou sob o esclarecimento e autorização de seu(s) responsável(eis) legal(is), aceita ser pesquisado. A participação deve se dar de forma gratuita, ressalvadas as pesquisas clínicas de Fase I ou de bioequivalência [...];


II.12 - pesquisa - processo formal e sistemático que visa à produção, ao avanço do conhecimento e/ou à obtenção de respostas para problemas mediante emprego de método científico [...];


II.14 - pesquisa envolvendo seres humanos - pesquisa que, individual ou coletivamente, tenha como participante o ser humano, em sua totalidade ou partes dele, e o envolva de forma direta ou indireta, incluindo o manejo de seus dados, informações ou materiais biológicos [...];


II.23 - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE - documento no qual é explicitado o consentimento livre e esclarecido do participante e/ou de seu responsável legal, de forma escrita, devendo conter todas as informações necessárias, em linguagem clara e objetiva, de fácil entendimento, para o mais completo esclarecimento sobre a pesquisa a qual se propõe participar;


II.24 - Termo de Assentimento - documento elaborado em linguagem acessível para os menores ou para os legalmente incapazes, por meio do qual, após os participantes da pesquisa serem devidamente esclarecidos, explicitarão sua anuência em participar da pesquisa, sem prejuízo do consentimento de seus responsáveis legais.


II.25 - vulnerabilidade - estado de pessoas ou grupos que, por quaisquer razões ou motivos, tenham a sua capacidade de autodeterminação reduzida ou impedida, ou de qualquer forma estejam impedidos de opor resistência, sobretudo no que se refere ao consentimento livre e esclarecido.


Retirado e adaptado de: BRASIL. Ministério da Saúde. RESOLUÇÃO Nº 466, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2012.


Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2013/res0 466_12_12_2012.html Acesso em: 20 abr., 2024.

Texto 01:


Sinais de consentimento forçado


O esforço do geneticista e bioinformata Yves Moreau, da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, já levou à retratação de 30 artigos científicos desde 2019. Em comum, os estudos cancelados utilizavam dados genéticos ou biométricos de minorias étnicas e grupos populacionais vulneráveis da China, cuja coleta foi realizada em condições nebulosas. Em alguns casos, não foi possível assegurar que os sujeitos da pesquisa forneceram material biológico de forma voluntária ou que o estudo foi aprovado pelo comitê ético de alguma instituição científica reconhecida. Já outros papers estão lastreados por termos de consentimento informado, nos quais os participantes declaram que foram avisados sobre o escopo da pesquisa e que aceitaram participar dela, mas há a possibilidade de que a coleta de dados tenha sido forçada e os documentos de anuência obtidos sob coação, o que os tornaria inúteis. Essa suspeita se baseia no ambiente de repressão política em que as pesquisas foram feitas e na presença de agentes de segurança do Estado entre os coautores dos artigos.

Segundo Moreau, a polícia chinesa se vale de uma base de dados nacional de DNA, de informações biométricas e de métodos de vigilância − tais como câmeras de vídeo e reconhecimento facial − para monitorar a minoria muçulmana uigur na província de Xinjiang, no noroeste do país. A mesma estratégia vale para os habitantes das montanhas do Tibete, região controlada pela China desde a década de 1950. "Isso faz parte da arquitetura do controle social e é uma ferramenta de pressão psicológica eficaz", disse Moreau ao jornal The Washington Post.

Em fevereiro, a revista Molecular Genetics & Genomic Medicine anunciou a retratação de 18 artigos apontados como suspeitos por Moreau, reconhecendo "inconsistências entre a documentação de consentimento e a pesquisa relatada". Outra retratação recente envolveu um trabalho publicado em 2022 na revista PLOS ONE , em que pesquisadores chineses coletaram amostras de sangue de centenas de tibetanos e concluíram que marcadores genéticos de seus cromossomos X poderiam ser úteis para identificação forense e testes de paternidade. Moreau alertou os editores da PLOS ONE que forças de segurança chinesas podem ter participado da coleta de dados, uma vez que organizações de defesa dos direitos humanos haviam denunciado a existência de um programa de coleta compulsória de amostras de DNA de populações tibetanas. O pesquisador pediu que investigassem se houve mesmo o consentimento informado dos indivíduos que cederam amostras de sangue. O artigo foi retratado apenas três meses após o alerta. Segundo nota divulgada pelo periódico, documentos fornecidos pelos autores não foram suficientes para afastar dúvidas sobre  a autenticidade do consentimento informado e garantir que o estudo recebeu aprovação ética de comitê regularmente estabelecido.

A rapidez da PLOS ONE em analisar o caso não é um padrão entre as revistas científicas. Moreau e seu grupo fizeram alertas semelhantes sobre mais de uma centena de artigos e ao menos 70 deles seguem sendo investigados há mais de dois anos, sem que as publicações cheguem a uma conclusão sobre se devem ser retratados − o argumento é de que os casos são complexos. "A demora excessiva de editores em proferir decisões equivale à má conduta editorial", disse Moreau, em uma longa reportagem sobre seu trabalho publicada em janeiro na revista Nature.

Houve casos em que os editores consideraram a suspeita infundada e encerraram as investigações. A editora MDPI declarou não ter encontrado falhas éticas em sete artigos questionados por Moreau, publicados na revista Genes. Um dos artigos investigou as origens genéticas do povo Hui, outro grupo étnico muçulmano do norte da China. Vários autores trabalham para a Academia de Ciências Forenses de Xangai, que é parte do Ministério da Justiça da China. Em um outro artigo, autores eram afiliados ao Departamento de Investigação Criminal da província de Yunnan e ao Gabinete de Segurança Pública da cidade de Zibo, na China. "Não é incomum que a polícia ajude a facilitar a pesquisa forense de genética populacional", afirmou à Nature Dennis McNevin, da Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália, coautor de um artigo apontado como suspeito por Moreau. O trabalho em questão foi publicado em 2018 na revista Scientific Reports e se baseava na análise genética de 1.842 pessoas de quatro grupos étnicos da China. O artigo segue válido, mas em 2022 a editora Springer Nature fez uma correção removendo dados (anonimizados) de participantes que constavam nas informações suplementares do paper, porque não havia consentimento para divulgá-los.

O engajamento de Moreau no combate ao que ele chama de "vigilância genômica" de minorias étnicas começou em 2016, quando soube que o governo do Kuwait lançara um programa para coletar e catalogar perfis genéticos de seus cidadãos e de visitantes. Ele levou o caso à Sociedade Europeia de Genética Humana e pediu que se pronunciasse contra a medida. Com a repercussão negativa, o programa acabou revogado pelo Parlamento do país. No mesmo ano, foi informado de que um programa de catalogação de DNA estava sendo implantado como parte do processo de registro de passaporte em Xinjiang, onde os uigures têm sido alvo de vigilância e detenções em massa. Ele fez um levantamento da literatura científica e encontrou dezenas de artigos que descrevem o perfil genético de grupos étnicos minoritários na China. Também observou que mais de 20% das pesquisas publicadas sobre genética forense populacional na China entre 2011 e 2018 concentraram-se nos uigures, embora eles representem menos de 1% da população.

Retirado e adaptado de: MARQUES, Fabrício. Sinais de consentimento forçado. Revista Pesquisa FAPESP.


Disponível em:
https://revistapesquisa.fapesp.br/sinais-de-consentimento
-forcado/ Acesso em: 19 abr., 2024.





Texto 02:



Trecho da Resolução n.º 466, de 12 de dezembro de 2012


[...] II - DOS TERMOS E DEFINIÇÕES


A presente Resolução adota as seguintes definições:


II.2 - assentimento livre e esclarecido - anuência do participante da pesquisa, criança, adolescente ou legalmente incapaz, livre de vícios (simulação, fraude ou erro), dependência, subordinação ou intimidação. Tais participantes devem ser esclarecidos sobre a natureza da pesquisa, seus objetivos, métodos, benefícios previstos, potenciais riscos e o incômodo que esta possa lhes acarretar, na medida de sua compreensão e respeitados em suas singularidades [...];


II.5 - consentimento livre e esclarecido - anuência do participante da pesquisa e/ou de seu representante legal, livre de vícios (simulação, fraude ou erro), dependência, subordinação ou intimidação, após esclarecimento completo e pormenorizado sobre a natureza da pesquisa, seus objetivos, métodos, benefícios previstos, potenciais riscos e o incômodo que esta possa acarretar [...];


II.10 - participante da pesquisa - indivíduo que, de forma esclarecida e voluntária, ou sob o esclarecimento e autorização de seu(s) responsável(eis) legal(is), aceita ser pesquisado. A participação deve se dar de forma gratuita, ressalvadas as pesquisas clínicas de Fase I ou de bioequivalência [...];


II.12 - pesquisa - processo formal e sistemático que visa à produção, ao avanço do conhecimento e/ou à obtenção de respostas para problemas mediante emprego de método científico [...];


II.14 - pesquisa envolvendo seres humanos - pesquisa que, individual ou coletivamente, tenha como participante o ser humano, em sua totalidade ou partes dele, e o envolva de forma direta ou indireta, incluindo o manejo de seus dados, informações ou materiais biológicos [...];


II.23 - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE - documento no qual é explicitado o consentimento livre e esclarecido do participante e/ou de seu responsável legal, de forma escrita, devendo conter todas as informações necessárias, em linguagem clara e objetiva, de fácil entendimento, para o mais completo esclarecimento sobre a pesquisa a qual se propõe participar;


II.24 - Termo de Assentimento - documento elaborado em linguagem acessível para os menores ou para os legalmente incapazes, por meio do qual, após os participantes da pesquisa serem devidamente esclarecidos, explicitarão sua anuência em participar da pesquisa, sem prejuízo do consentimento de seus responsáveis legais.


II.25 - vulnerabilidade - estado de pessoas ou grupos que, por quaisquer razões ou motivos, tenham a sua capacidade de autodeterminação reduzida ou impedida, ou de qualquer forma estejam impedidos de opor resistência, sobretudo no que se refere ao consentimento livre e esclarecido.


Retirado e adaptado de: BRASIL. Ministério da Saúde. RESOLUÇÃO Nº 466, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2012.


Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2013/res0 466_12_12_2012.html Acesso em: 20 abr., 2024.

Analise o seguinte trecho, retirado do Texto 01:

Em comum, os estudos cancelados utilizavam dados genéticos ou biométricos de minorias étnicas e grupos populacionais vulneráveis da China, cuja coleta foi realizada em condições nebulosas.
A respeito do sentido e significado da palavra em destaque, analise as afirmações a seguir:

I.A palavra foi empregada no sentido denotativo, visto que consiste em um processo de tornar sem efeitos os estudos.
II.A palavra foi empregada no sentido conotativo, como uma expressão que nasceu na Internet e diz respeito ao cancelamento de ações e pessoas consideradas inadequadas pelos usuários da Rede.
III.A acepção mais adequada para a palavra é a de "Suspender a realização de algo que se havia planejado" (MICHAELIS, online). 
IV.A acepção mais adequada à palavra é a de "reprovar e repudiar, boicotar e banir pessoas, eventos ou marcas que assumem comportamentos considerados incorretos ou que ferem os valores de um grupo de pessoas em redes sociais".
V.O significado dicionarizado da palavra é mais relacionado a "invalidar processo ou objeto em um determinado contexto".

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3354791 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


    Considerando-se a amofinação com a perda de peso, característica da sociedade contemporânea, podem-se explorar segmentos em que esta condição ganha contornos atinentes.


    O problema da obesidade turgesceu-se na sociedade ocidental, e de forma congênere, na brasileira, em que o arquétipo feminino está tácito em imagens de mulheres magras, esguias e sensuais. Observou a pesquisadora Joana Novaes do Núcleo de Doenças da Beleza, da PUC – Rio:


    “Os problemas com a má aparência e, certamente, a gordura figuram entre os piores tipos de incúrias com o corpo. São concebidos como uma quebra das regras e convenções estabelecidas pela sociedade em determinado contexto, traduzindo um modo inadequado de relacionamento com o corpo, no qual estão excluídos exercícios físicos regulares, esforço, disciplina, contumácia e autoestima. Aos poucos, a obesidade assume lugar de discriminação, chegando aos dias atuais como uma das mais radicais formas de exclusão que já não é mais descriminada [...]”.


Fonte: Adaptado de Rocha, A.; Ferreira, J. B.; Silva, J. F. Administração de marketing. São Paulo: Atlas, 2012.
A denotação refere-se ao sentido básico de uma palavra e não depende de um contexto. Já a conotação vai depender do contexto em que o termo é empregado. Em relação às figuras de linguagem, elas têm relação com a conotação, pois o sentido que elas expressam vai além do significado literal. Assim, releia o último período do texto, nele é possível encontrar uma figura de linguagem, destaque-a:
Alternativas
Q3322401 Português

Leia o texto abaixo para responder à questão.


    Voltou muito cansado. Os campos o levaram para longe. O caroço de tucumã o levara também, aquele caroço que soubera escolher entre muitos no tanque embaixo do chalé. Quando voltou já era bem tarde. A tarde sem chuva em Cachoeira lhe dá um desejo de se embrulhar na rede e ficar sossegado como quem está feliz por esperar a morte. Os campos não voltaram com ele, nem as nuvens nem os passarinhos e os desejos de Alfredo caíram pelo campo como borboletas mortas. Mais para longe já eram os campos queimados, a terra preta do fogo e os gaviões caçavam no ar os passarinhos tontos. E a tarde parecia inocente, diluída num sossego humilde e descia sobre os campos queimados como se os consolasse. Voltava donde começavam os campos escuros. Indagava por que os campos de Cachoeira não eram campos cheios de flores, como aqueles campos de uma fotografia de revista que seu pai guardava. Ouvira Major Alberto dizer à D. Amélia: campos da Holanda. Chama-se a isso prados.


    Alfredo estava cansado, mais cansado ainda talvez porque perdera o caroço de tucumã no princípio dos campos queimados. O caroço saltara da mão e se escondeu num buraco de terra. Então não podia compreender, nem mesmo fazia grande esforço para isso, porque era que voltava mais fatigado, como que trazendo nos ombros a própria noite para o chalé.


(JURANDIR, Dalcídio. Chove nos Campos de Cachoeira. Ciclo do Extremo-Norte, Romance I. 8 ed. Bragança: Pará.grafo Editora, 2019, p. 23)

Identifique a alternativa que melhor exemplifica o uso da linguagem denotativa.
Alternativas
Q3296408 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

'É marketing de enganação', diz professora da USP sobre 'vaporizador com vitaminas'

As redes sociais se agitaram com o anúncio de um cigarro eletrônico que alegadamente não tem nicotina e ainda faria bem para a saúde por conter vitaminas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que "não é possível a apresentação de vitaminas na forma de vaporizadores" e que "o produto não pode ser comercializado como suplemento alimentar".

A BBC News Brasil também ouviu especialistas para entender se o aparelho realmente causa benefícios para a saúde.

A venda dele e de qualquer outro vaporizador do tipo é proibida em território nacional. Mesmo assim, um levantamento publicado em 2022 mostrou que quase um em cada cinco brasileiros de 18 a 24 anos usaram algum tipo de cigarro eletrônico pelo menos uma vez na vida.

Nas redes sociais, o aparelho fabricado pela IZ Health é apresentado por uma modelo em um vídeo no qual ela se exercita enquanto usa o vaporizador.

Na propaganda, ela afirma ainda que inalar a fumaça do "pod" garante que ela tenha mais energia, algo como um suplemento alimentar.

"Com o IX Power, você garante a energia necessária para realizar as mais variadas tarefas, sem danos à saúde, e com sabor de hortelã cítrica, o que deixa ainda mais gostoso. Os 'pods' IZ são concentrados vitamínicos elaborados para o dia a dia", afirma a mulher no vídeo enquanto faz exercícios.

A BBC News Brasil encontrou diversos sites que vendem o produto. O mais barato custa R$ 55 e o mais caro, R$ 75.

Livre docente da Faculdade de Medicina da USP e diretora do Programa de Tratamento ao Tabagismo do Incor, Jaqueline Scholz diz que a divulgação desse vaporizador "é puro marketing de enganação".

"O pulmão não é o trato digestivo para receber vitaminas. O pulmão foi feito para receber ar e, quanto mais puro, melhor. As micro e nano partículas podem causar um processo inflamatório e, nos casos mais graves, pode até precisar intubar o paciente", diz.

Na propaganda do vaporizador de essências vendido como saudável, a modelo diz que a absorção de nutrientes é feita pela mucosa durante a inalação do vapor produzido a baixas temperaturas.

O pneumologista do hospital Sírio-Libanês André Nathan disse que desconhece qualquer estudo que indique a absorção de vitaminas pelo sistema respiratório humano.

"Ele não foi desenhado para isso e não conheço nenhum estudo sobre essa essa via de absorção de vitamina", afirma à reportagem.

Após a grande repercussão do vídeo, a empresa IZ Health desativou todas as contas que tinha nas redes sociais. A reportagem tentou entrar em contato para ouví-los sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

A BBC News Brasil não encontrou nenhum indício de que a empresa IZ Health funcione no Brasil, como um CNPJ, site oficial ou canal para contato. Também não há informação se ela tem sede em outro país ou se os produtos oferecidos foram fabricados sob demanda a pedido de outra empresa ou pessoa física.

Procurada, a Anvisa informou que "a resolução RDC 46/2009 proíbe os dispositivos eletrônicos para fumar". Segundo o órgão, o texto "se aplica para quaisquer acessórios e refis destinados ao uso em qualquer dispositivo eletrônico para fumar".

A Anvisa informou ainda que "se desconhece o perfil de toxicidade das substâncias empregadas nos dispositivos em questão considerando a utilização por meio de vaporização".

De acordo com a agência, "as formas farmacêuticas que podem ser utilizadas em suplementos alimentares são aquelas destinadas à administração e ingestão oral, ou seja, pela boca".

Apenas ar'

Jaqueline Scholz, que é médica e pesquisadora do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que não é recomendada a ingestão de medicamentos ou suplementos por meio da inalação. Ela diz à reportagem que as exceções são pacientes com problemas respiratórios, como os asmáticos.

"O sistema respiratório serve para você receber apenas ar. Exceto em situações bem restritas e até desesperadoras, quando você não consegue um acesso periférico, por exemplo", afirma a médica da USP à BBC News Brasil.

Scholz afirma que, mesmo que seja retirada do ar, a propaganda já fez "estragos enormes" por convencer pessoas de que o produto pode causar benefícios à saúde.

Ela diz que é justamente o oposto e que a inalação por meio dos vaporizadores de essências pode ser ainda mais prejudicial que o cigarro.

"Em primeiro lugar porque não é vapor, é aerossol. Vapor é água apenas de água. E o aerossol contém micropartículas que atravessam os alvéolos. Elas agridem nossas membranas, que são ultrafinas, e podem causar graves inflamações. O cigarro eletrônico tem baterias que geram uma quantidade de nanopartículas muito maior do que o cigarro convencional", diz a médica.

Para ela, os responsáveis pela empresa devem ser identificados e responsabilizados, assim como as redes sociais que permitiram a veiculação do conteúdo.

Ela também defende que a veiculação de produtos falsos deveria ser combatida da mesma maneira que a disseminação das fake news nas redes sociais.

"Quando você inala algo que contém uma partícula ultra pequena, ela ganha a corrente sanguínea e pode infeccionar o pulmão, desencadeando um quadro de asma aguda. Não recomendo inalar nada. Você pode inalar metal pesado, níquel e cobre. Materiais cancerígenos que podem ser absorvidos pelo organismo."

Ela resume que o discurso do vaporizador de essências rotulado como saudável é "mais um artifício da indústria do cigarro eletrônico, junto com as cores e aromas, usado para atrair os mais jovens".

(https://www.bbc.com/portuguese/topics/cz74k71p8ynt)
O termo destacado que está empregado em sentido conotativo pertence à alternativa: 
Alternativas
Q3285246 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Humanizar a escrita: a nova tarefa dos robôs



Depois da chegada de nossos robôs auxiliares de escrita, que são capazes de resumir, de parafrasear e até mesmo de escrever por conta própria, vieram os programas de "humanização da escrita", também disponíveis na internet. Essas novas ferramentas, segundo seus fabricantes, servem para tornar indetectável o uso de inteligência artificial na produção de um texto, tornando-o mais semelhante a um texto escrito por um ser humano.



Dado que a inteligência artificial aprendeu com o material produzido por seres humanos, qual seria o elemento humano faltante aos textos escritos por ela? Em outras palavras, como fazer para que humanos não percebam que um texto foi produzido por uma máquina? Por curiosidade, fiz alguns testes, sem a menor pretensão de avaliar essas poderosas inteligências e seus criadores, e não cheguei a uma conclusão sobre o que seria a linguagem humanizada dos robôs.



Em um caso, o robô humanizado substituiu "pedido" por "request" num texto que, aliás, tinha sido escrito por um humano de carne e osso. Em outro, houve substituição de frases mais curtas e econômicas por períodos mais longos e redundantes; em outro, houve troca de "entre" por "dentre" (naturalmente, sem critério gramatical). Enfim, os seres humanos que criam esse tipo de ferramenta têm algum critério, seja ele qual for, para definir o que seria um estilo mais "humano". Qual será?



Em todo o caso, o termo "humanizado" vem aparecendo em muitos contextos, o que nos pode dar uma pista do que nós, afinal humanos, cremos ser "humano". Dia desses, uma discussão entre leitores de uma crônica na internet trouxe, talvez sem querer, uma questão curiosa. Um deles achou que o autor do texto tivesse cometido um erro de português (especificamente o uso de "câmara" no lugar de "câmera"). Outro explicou que as duas formas são corretas etc. etc., o que é verdade e qualquer bom dicionário pode atestar. Outros ainda consideraram inoportuno levantar esse tipo de questão, pois o texto era tão interessante e divertido etc. − tanta coisa a que prestar atenção e o sujeito vai logo reparar na grafia da palavra!



Até que outro acrescentou que qualquer um, autor ou revisor, pode errar (ora bolas!), a que se seguiu um comentário de assentimento: "Exatamente, compreensível. Essa é a forma humanizada da ortografia". Note-se que, a essa altura, o problema não era saber se as duas grafias eram corretas, muito menos se cogitava aproveitar o ensejo para discutir a variação ortográfica ou as acepções da palavra. Não. O problema mesmo foi o fato de alguém ter levantado a questão de supostamente haver um erro de grafia no texto do escritor.



A "forma humanizada da ortografia", ao que tudo indica, pressupõe um nível importante de tolerância. Sendo a ideia compreensível, para que essa "obsessão" pelo "correto"? Existe "o correto"? O curioso é que a ortografia, por ser convencionalmente estabelecida, é (ou era) a parte da gramática menos sujeita aos debates sobre variação da língua.



A humanização a que alude o comentário, porém, parece mais ligada a uma atitude ou posicionamento moral, que prescreve tolerância com a "diversidade ortográfica" como reflexo da tolerância com a pessoa que escreveu o texto. Corrigir ou assumir "tom professoral" é uma espécie de afronta à expressão alheia, uma atitude em si "intolerante". É preciso, afinal, respeitar o "diverso". O problema é que a língua precisa de elementos comuns para que seja eficaz em sua principal função, a da comunicação ("comunicar", na origem, é "pôr em comum").



Talvez essa postura humanizada explique o fato de hoje ser frequente encontrarmos erros gramaticais em livros caros, ilustrados, produzidos em ótimo papel, com capa dura etc. Afinal, como diziam nossas avós, errar é humano e, como já disse José Saramago, na sua "História do Cerco de Lisboa", ao explicar que o revisor nem sempre corrige, "primeiro mandamento do decálogo do revisor que aspire à santidade, aos autores deve-se evitar sempre o peso das vexações".



Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios. Certa vez, um tanto irritado pela cobrança de jornalistas, ele se saiu com um chiste, que acabou sendo levado a sério: disse que a magia de seus livros (responsável pelo milagre das vendas) poderia estar justamente nos erros gramaticais, de modo que não providenciaria revisão nas edições seguintes. E assim provavelmente foi. Mal sabia ele que antecipava uma tendência.



A tolerância às  falhas às − falhas, que, mágicas ou não, afinal, nos lembram que somos humanos parece ser − um valor nos dias de hoje. Talvez essa seja a dica de ouro para os humanizadores de texto. Vamos ensinar os robôs a errar.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br

Não faz assim tanto tempo que o nosso querido Paulo Coelho, um dos mais bem-sucedidos escritores brasileiros, era alvo de críticas na imprensa por causa das gralhas que se avolumavam nos seus livros, as quais, diga-se, nunca atrapalharam seus negócios.

A respeito da palavra destacada no período acima, é correto afirmar que
Alternativas
Q3271548 Português
Com relação a frase “Ela tem um coração de pedra”, assinale a alternativa que apresenta uma interpretação conotativa do termo “coração”.
Alternativas
Q3268120 Português
Leia com atenção as colunas abaixo:

Coluna 01:

(__)O desmatamento reduz a quantidade de árvores na floresta.
(__)A floresta é o pulmão do planeta, respirando vida para a Terra.
(__)A poluição do ar afeta a saúde das pessoas e dos animais.
(__)O plástico no oceano é uma ferida aberta que fere a beleza do mundo marinho.

Coluna 02:

I.Conotação;
II.Denotação.

Correlacione ambas as colunas de acordo com o tipo de sentido empregado nas sentenças da Coluna 01. Em seguida, assinale a alternativa com a sequência correta:
Alternativas
Q3267446 Português
Leia com atenção as afirmativas abaixo:

I.Cada árvore que cai é um lamento da natureza, clamando por proteção.
II.A biodiversidade é um tesouro escondido que devemos proteger para as futuras gerações.
III.A água é um recurso essencial para a sobrevivência de todos os seres vivos.
IV.O planeta é nossa casa, e cada ação positiva em prol da ecologia é uma pequena semente de esperança.
V.A reciclagem ajuda a diminuir a quantidade de resíduos nos aterros sanitários.

Em quais das afirmativas lidas há a presença de sentido conotativo?
Alternativas
Q3264901 Português
Focar numa pegada com resiliência (Ruy Castro)
Mas só se você 'subir o sarrafo', for 'assertivo' e tiver uma visão 'imersiva' da coisa 

        Já reparou que, a todo momento, lê-se ou se escuta que alguém "bateu o martelo"? Um desavisado achará que, pela quantidade de gente que "bate o martelo", vivemos sob uma sinfonia de marteladas. Mas é claro que, ao "bater o martelo", o sujeito apenas se decidiu por isto ou aquilo. É um martelo simbólico. E quando se diz que fulano "apostou todas as suas fichas" em alguma coisa? Significa somente que o cidadão botou suas esperanças nessa alguma coisa. Não é como no tempo dos cassinos, em que se garantia que eles tinham uma sala dos suicidas, um lugar discreto onde o jogador que perdera de verdade suas últimas fichas podia dar um tiro no ouvido sem ser incomodado. "Apostar as fichas" sem meter a mão no bolso é mole. 

        E "subir o sarrafo"? Até há pouco, usava-se "baixar o sarrafo" — ou seja, dar uma surra em alguém. O sarrafo podia ser um porrete, uma vara, um relho, quem sabe até uma cadeira. Hoje, ao contrário, o normal é "subir o sarrafo", ou seja, estabelecer uma meta mais difícil do que a que se vinha praticando. O curioso é que, quando se "sobe o sarrafo" numa prova de salto em altura, e o atleta não consegue saltá-lo, o sarrafo cai lá de cima e ninguém diz que ele "baixou o sarrafo". [...]

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2024/10/focar numa-pegada-com-resiliencia.shtml. Acesso em 09/10/2024) 
De acordo com o texto, ao considerar as expressões “subir o sarrafo” e “baixar o sarrafo” (2º§), nota-se que possuem sentidos:
Alternativas
Q3264900 Português
Focar numa pegada com resiliência (Ruy Castro)
Mas só se você 'subir o sarrafo', for 'assertivo' e tiver uma visão 'imersiva' da coisa 

        Já reparou que, a todo momento, lê-se ou se escuta que alguém "bateu o martelo"? Um desavisado achará que, pela quantidade de gente que "bate o martelo", vivemos sob uma sinfonia de marteladas. Mas é claro que, ao "bater o martelo", o sujeito apenas se decidiu por isto ou aquilo. É um martelo simbólico. E quando se diz que fulano "apostou todas as suas fichas" em alguma coisa? Significa somente que o cidadão botou suas esperanças nessa alguma coisa. Não é como no tempo dos cassinos, em que se garantia que eles tinham uma sala dos suicidas, um lugar discreto onde o jogador que perdera de verdade suas últimas fichas podia dar um tiro no ouvido sem ser incomodado. "Apostar as fichas" sem meter a mão no bolso é mole. 

        E "subir o sarrafo"? Até há pouco, usava-se "baixar o sarrafo" — ou seja, dar uma surra em alguém. O sarrafo podia ser um porrete, uma vara, um relho, quem sabe até uma cadeira. Hoje, ao contrário, o normal é "subir o sarrafo", ou seja, estabelecer uma meta mais difícil do que a que se vinha praticando. O curioso é que, quando se "sobe o sarrafo" numa prova de salto em altura, e o atleta não consegue saltá-lo, o sarrafo cai lá de cima e ninguém diz que ele "baixou o sarrafo". [...]

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2024/10/focar numa-pegada-com-resiliencia.shtml. Acesso em 09/10/2024) 
Assinale a alternativa que apresenta como o vocábulo “resiliência”, presente no título, deve ser entendido. 
Alternativas
Respostas
121: B
122: C
123: C
124: B
125: B
126: B
127: E
128: C
129: C
130: C
131: C
132: C
133: E
134: B
135: D
136: B
137: A
138: B
139: C
140: A