Questões de Concurso
Comentadas sobre denotação e conotação em português
Foram encontradas 1.519 questões
Leia o texto do médico hematologista e pesquisador Dimas Covas para responder à questão.
Vacinas: soberania nacional e o coletivo
Desde o final do século 18, quando o médico inglês Edward Jenner observou que mulheres que ordenhavam vacas não contraíam varíola, uma doença de altíssima letalidade, e descobriu que era a exposição aos animais infectados que conferia imunidade a elas, a vacinação evoluiu significativamente e se consolidou como uma das ferramentas mais poderosas da saúde pública. Graças às vacinas, a varíola foi erradicada e diversas doenças contagiosas foram controladas. Sua eficácia depende, porém, de dois pilares fundamentais: informação confiável e acesso garantido.
A disseminação de boatos e de teorias conspiratórias que põem em dúvida a segurança das vacinas ganhou visibilidade, sobretudo nos Estados Unidos, com os movimentos “antivacina”, que desencorajam a população de se proteger de doenças contagiosas e evitáveis. Em vez de incentivar a prevenção de doenças, prestam um desserviço à população, contrariando os esforços globais para evitar novas pandemias. Com isso, aumenta a hesitação vacinal, que tem contribuído para a volta de outras doenças antes controladas, como coqueluche, poliomielite e sarampo.
No caso do sarampo, que é uma doença altamente contagiosa, a situação é ainda mais preocupante. Recentemente, conforme notificou a Organização Pan-Americana da Saúde, foram registrados em dez países das Américas surtos da doença, que já havia sido eliminada em grande parte do continente. O Canadá e o México foram os países mais afetados, seguidos pelos Estados Unidos. No Texas e no Novo México, ocorreram três mortes, todas de pessoas não vacinadas.
Em muitos países, a escassez de vacinas e as dificuldades logísticas são o principal problema. A pandemia de covid19 escancarou essa vulnerabilidade: enquanto os países ricos monopolizavam as doses, os outros, dependentes da produção externa, tinham de esperar ações da diplomacia internacional. Foi nesse contexto que as vacinas se consolidaram como instrumentos de soft power: distribuir imunizantes e tecnologias tornou-se uma forma de construir prestígio e criar alianças.
O Brasil, onde existe um dos mais abrangentes programas públicos de vacinação do mundo, tem tradição e legitimidade nesse campo. Instituições como a Fiocruz e o Instituto Butantan ampliaram a capacidade de produção de vacinas. Em maio deste ano, o País firmou um acordo estratégico com a Gavi, a Vaccine Alliance, para fornecer vacinas a países de baixa e média renda da África e da América Latina.
Esse tipo de cooperação reforça o papel do Brasil como ator relevante na saúde global, em particular no eixo Sul-Sul, e transforma solidariedade em política externa.
O século 21 será marcado pela capacidade dos países de garantir inovação, prevenção e acesso à saúde. O Brasil tem a oportunidade de transformar sua tradição em vacinas num poderoso instrumento de soft power. O País pode e deve posicionar-se como líder de uma nova diplomacia em saúde, usando vacinas também como alicerce de uma política externa solidária, inovadora e estratégica.
(https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.11.2025. Adaptado)
A respeito dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a seguir.
No segundo período do segundo parágrafo, a oração “que são denominadas de „inteligência‟ artificial primitiva ou generativa” refere-se ao termo “tecnologias”.
Considerando a complexa interação entre o sentido literal (denotativo) e o sentido figurado (conotativo) no uso da língua, assinale a alternativa que descreve corretamente a aplicação desses conceitos.
Considerando a complexa interação entre o sentido literal (denotativo) e o sentido figurado (conotativo) no uso da língua, assinale a alternativa que descreve corretamente a aplicação desses conceitos.
Considerando a complexa interação entre o sentido literal (denotativo) e o sentido figurado (conotativo) no uso da língua, assinale a alternativa que descreve corretamente a aplicação desses conceitos.
Considerando a complexa interação entre o sentido literal (denotativo) e o sentido figurado (conotativo) no uso da língua, assinale a alternativa que descreve corretamente a aplicação desses conceitos.
Texto para o item.
Autobiografia sem fatos
A maioria dos homens vive com espontaneidade uma vida fictícia e alheia. “A maioria da gente é outra gente”, disse Oscar Wilde, e disse bem. Uns gastam a vida na busca de qualquer coisa que não querem; outros empregam-se na busca do que querem e lhes não serve; outros, ainda, se perdem.
Mas a maioria é feliz e goza a vida sem isso valer. Em geral, o homem chora pouco, e, quando se queixa, é a sua literatura. O pessimismo tem pouca viabilidade como fórmula democrática. Os que choram o mal do mundo são isolados — e se choram, é pelo próprio mal. Um Leopardi, um Antero não têm amado ou amante? O universo é um mal. Um Vigny é mal ou pouco amado? O mundo é um cárcere. Um Chateaubriand sonha mais que o possível? A vida humana é tédio. Um Jó é coberto de bolhas? A terra está coberta de bolhas. Pisam os calos do triste? Ai dos pés dos sóis e das estrelas.
Alheia a isto, e chorando só o preciso e no menos tempo que pode — quando lhe morre o filho que esquecerá pelos anos fora, salvo nos aniversários; quando perde dinheiro, e chora enquanto não arranja outro, ou se não adapta ao estado de perda —, a humanidade continua digerindo e amando. A vitalidade recupera e reanima. Os mortos ficam enterrados. As perdas ficam perdidas.
Quando vejo um gato ao sol lembra-me sempre do homem ao sol.
Fernando Pessoa. Livro do Desassossego. São Paulo: Companhia de Bolso, 2023 (com adaptações).
Considerando‑se os aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir.
No terceiro período do terceiro parágrafo, as palavras “frias”, “agressivas” e “excludentes” são usadas em seu sentido denotativo.
Quanto à estruturação linguística e gramatical do texto, julgue o item a seguir.
No texto, as expressões denotativas “cárie dentária” e “cariogênico” pertencem ao mesmo campo semântico e, portanto, têm significados idênticos.
Com base na estrutura linguística e no vocabulário empregados no texto, julgue o item seguinte.
A palavra “imaginário” , no período “O racista cria a raça no sentido sociológico, ou seja, a raça, no imaginário do racista, não remete exclusivamente a um grupo definido por seus traços físicos.”, foi empregada no texto com sentido denotativo.
Leia o texto a seguir para responder a questão
Bula do egoísmo gripal (1991)
Como se não bastassem as aflições que povoam a nossa rotina, anda aí agora, insidioso, o tal vibrião colérico. Cólera sugere datas do século 19. Já vai para quase dois anos que soou o alarme lá em cima na fronteira. Foi um corre-corre danado. Tudo fogo de palha. Agora recomeça o susto. Desembarcou no Rio um soldado colérico. Em São Paulo, uma freira pode estar com cólera.
O pior é que continuamos sitiados por toda sorte de mazelas. O Brasil é recordista mundial de chagásicos: cinco milhões. Leprosos? 500 mil, depois que a lepra foi praticamente extinta em todo o mundo. Doenças tropicais, como leishmaniose, se alastram por aí como chuchu.
Aqui no Rio nos ameaçam com a dengue hemorrágica. Só falta voltar a febre amarela, que era chamada de patriótica. Matava de preferência estrangeiros. Houve um surto que durou 50 anos. Chegou até o nosso século 20, mas Oswaldo Cruz liquidou com o flagelo. Isto num Brasil com muito menos recursos e quase sem comunicação. Quando eu nasci, Miguel Pereira já tinha morrido. Vivíssima, porém, estava a sua frase: “O Brasil é um vasto hospital”. Apenas seis palavras. Mas que força, que gênio – e que originalidade!
Uma vez caí na besteira de ler um trabalho sobre o bócio. Perdi o sono só de pensar. Se dormia, era um pesadelo na certa. Por mais que o brasileiro seja um coração compassivo e solidário, é difícil abrir espaço para tantas epidemias e tantos doentes. Hoje, por exemplo, só há lugar em mim para a gripe que obtura a minha sensibilidade. Doem-me todas as esquinas do meu ser. Enquanto não me livrar desta peste, não dou bola para o vasto hospital. Gripe é uma doencinha muito egoísta. Ainda mais no calor!
(Otto Lara Resende. Disponível em https://cronicabrasileira.org.br/ cronicas/6157/bula-do-egoismo-gripal. Acesso em 28.05.2025. Adaptado)
Em relação ao texto CB2A1, aos seus sentidos e às ideias nele veiculadas, julgue o item a seguir.
A forma verbal “gestou” (último período do quarto parágrafo) está empregada no texto em sentido conotativo, significando proceder à criação de algo.
Cultivar para florescer: como as plantas transformam o corpo e a mente
Cuidar de plantas vai muito além da estética: é um ato de bem-estar. Do toque na terra ao florescer das folhas, o
cultivo estimula os sentidos, fortalece o corpo e acalma a mente. Ao cultivar hortaliças, plantas ornamentais e medicinais
em casa, nos aproximamos da natureza e paramos de pensar nos problemas. A atividade é um cultivo de paciência,
criatividade e autodesenvolvimento. Vamos ter para nós que o cultivo de plantas em casa beneficia em três diferentes
planos: ambiental, físico e mental.
No ambiental, não é novidade que as plantas têm um papel essencial na manutenção de ecossistemas. No físico, as atividades de plantar, podar, regar e colher ajudam nos sentidos, como visão, tato e olfato – além do constante exercício físico de baixo impacto. E, para a mente, o ato de cultivar estimula a concentração, promove a redução de estresse e incentiva aprendizado e criatividade. Cultivar também envolve decisões como escolha do local, do que e como plantar. Assim, a pessoa se sente fundamental no processo de execução, o que torna a atividade mais prazerosa e relaxante. Mas se o seu problema é espaço – ou a falta dele –, saiba que você não precisa ter um jardim enorme para sentir os efeitos positivos. Afinal, vale de tudo: hortaliças, plantas ornamentais e medicinais. Também não há restrições de idade para o cultivo, mas é importante adaptar a atividade de acordo com a faixa etária. A botânica Flávia Cartaxo Ramalho Vilar explica: “Crianças devem realizar o plantio em vasos ou jardineiras, enquanto jovens e adultos podem usar uma área maior e instalar hortas ou jardins. Já para os idosos, o melhor é realizar o cultivo em vasos instalados em uma altura adequada, de fácil acesso e corredores livres, para evitar quedas”. Especificamente para os idosos, Flávia aponta que a prática de jardinagem proporciona efeitos notáveis na saúde, que dão suporte para a coordenação motora e a motricidade fina (movimentos pequenos e precisos), além de auxiliar na distração de pensamentos relacionados à perda de vigor e saúde.
Os benefícios são tantos que o cultivo de plantas até é utilizado como prática de terapia ocupacional, chamada de hortoterapia, com foco no desenvolvimento físico e mental dos praticantes. Docente do IF Sertão Pernambuco, Flávia estudou os benefícios da prática e conta que “a formação de um ambiente de cultivo das plantas permite que a pessoa tenha um contato direto com a terra e o prazer de se sentir útil a si mesmo e às pessoas de seu convívio. A horta é um espaço de desenvolvimento, manifestação, criatividade, transformação, humanização, experimentação, interação social e convivência”, diz. Segundo ela, essa terapia, em conjunto com tratamento médico, pode estimular os sentidos e a mente, com resultados em questões sociais, cognitivas, físicas e psicológicas, auxiliando no alívio do estresse e agregando saberes.
Além de muitos benefícios físicos e mentais, as plantas podem nos ensinar sobre resiliência, cooperação e eficiência. [...]
Fonte: CUSTÓDIO, Júlia. Cultivar para florescer: como as plantas transformam o corpo e a mente. Disponível em: https://vidasimples.co/morar/cultivo-de-plantas-transformam-corpo-e-mente/. Acesso em: 15 abr. 2025. Adaptado.
I- citação direta.
II- citação indireta.
III- subjetividade.
IV- objetividade.
V- conotação.
Estão CORRETOS os itens
Leia o texto a seguir para responder a questão.
Trabalho infantil: crianças impedidas em nome da sobrevivência
O trabalho infantil expõe a desigualdade e a indiferença ao direito de ser criança. “O trabalho infantil impede que crianças desenvolvam, em toda potência, suas habilidades e capacidades em um contexto saudável. Consiste na violação à regra constitucional de prioridade absoluta à garantia dos direitos às crianças e aos adolescentes. As consequências geram efeitos para toda a vida, alimentando o ciclo de pobreza e exclusão social”, ressalta Mariana Zan, advogada do Instituto Alana.
Segundo relatórios, 160 milhões de crianças e adolescentes vivem atualmente em situação de trabalho infantil no mundo, sendo cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes no Brasil. Mais da metade tem entre 5 e 11 anos. Os números reforçam a cultura de que é normal crianças trabalharem para sobreviver. Vê-se que a sociedade ignora o direito à infância. No interior do Pará, encontramos o caso de Vilciney Silva. “Com nove anos, eu ia para a feira vender coxinha de manhã e pamonha à tarde. Nos fins de semana, eu vendia amendoim nas festas. Morava com meus avós e não tinha tempo para brincar nem estudar. A gente tinha que existir e se alimentar”, conta.
Hoje, pai de três meninos, faz questão de brincar quando estão juntos. Para ele, é o momento de alegria que descobriu já adulto. O trabalho durante a infância não era uma opção. Tinha que fazer. “Eu me questionava se ia conseguir as coisas sem a escola. Mas entre estudar e ter comida, a fome falava mais alto”, diz. Prestes a terminar o curso de licenciatura em Educação do Campo, ele quer seguir os estudos e fazer mestrado. Os sonhos do menino que trabalhava na feira foram adiados por muito tempo. “Percebi a necessidade de estudar e que, para o pobre, as dificuldades sempre acontecem, mas a gente não tem que desistir”, conclui.
(Célia Fernanda Lima. “Trabalho infantil: crianças impedidas em nome da sobrevivência”. Lunetas. 13.06.2022. Adaptado)
I- Em “é contagiante a alegria” (1 º parágrafo), o termo sublinhado é o predicativo do sujeito.
II- Em “as primeiras civilizações europeias já tinham festas específicas para celebrar tanto a chegada da primavera... quanto o solstício de verão” (2 º parágrafo), a preposição “para” tem o sentido de finalidade.
III- Em “com um sotaque próprio” (2 º parágrafo), a palavra em destaque foi usada com sentido conotativo.
IV- As palavras “até” e “mês” são acentuadas pela mesma regra.
Quais são as corretas: