Questões de Concurso
Sobre coesão e coerência em português
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A coerência entre os argumentos apresentados no texto mostra que o pronome “seu” (l.3) refere-se a “universalismo” (l.2).
Na linha 4, para se evitar a repetição de “que”, seria adequado substituir o trecho “que classificar” (l.4-5) por ao classificar, preservando-se tanto a coerência textual quanto a correção gramatical do texto.
A inserção de termo como antes de “seres humanos” (l.4) preservaria a coerência entre os argumentos bem como a correção gramatical do texto.
Na linha 16, na concordância com “cada uma das ideologias”, a flexão de plural em “fundamentam” reforça a ideia de pluralidade de “ideologias”; mas estaria gramaticalmente correto e textualmente coerente enfatizar “cada uma”, empregando-se o referido verbo no singular.
A relação de significados que a oração introduzida por “ao adotar” (l.1) mantém com as demais orações do mesmo período sintático permite que se substitua essa oração por se adotasse, sem se prejudicar a coerência nem a correção gramatical do texto.
Mantém-se o respeito à coerência textual e às regras gramaticais ao se retirarem as aspas da citação final do texto, nas linhas de 19 a 21, reescrevendo-a do seguinte modo: Uma cientista que liderou estudo a esse respeito diz que não recomendaria gritar com o chefe, pois essa não é a melhor solução.
A substituição de “se têm” (l.1) por tem altera as relações entre os argumentos do texto, mas preserva sua coerência e correção gramatical.
No texto, o termo “Os profissionais” (l.14) retoma “pesquisadores” (l.1), “pessoas” (l.3) e “indivíduo” (l.6).
O desenvolvimento do texto mostra que as expressões “constante anseio de buscar novas perspectivas” (l.2-3), “ininterrupta e incansável luta pelo saber” (l.8-9) e “insaciável afã de descobrir, criar, conquistar” (l.11) referem-se à ideia expressa em “uma das mais significativas forças impulsoras da humanidade” (l.7-8).

Adaptado de Sergio Paulo Rouanet, Dilemas da moral ilumimsta In: NOVAES, Adauto (org.)
Etica. São Paulo: Companhia das LetraslSecretaria Mumcipal de Cultura, 1992. p. 149-151.
Para ele a moralidade não pode se fundar na natureza porque a natureza tem como base o determinismo e a moralidade supõe a existência da liberdade [...] (1. 32-33)
I. Substituição da segunda ocorrência de a natureza por ‘esta’ e da segunda ocorrência de a moralidade por ‘aquela’.
II. Supressão da segunda ocorrência de a natureza e substituição de e a moralidade pelo segmento ‘enquanto esta última, precedido de vírgula.
III. Substituição da segunda ocorrência de a natureza pelo pronome ‘ela’ e supressão da segunda ocorrência de a moralidade.
Quais das alterações sugeridas permitiriam evitar a repetição das palavras natureza e moralidade, sem incorrer em ambiguidade ou mudança de sentido?

Adaptado de Peter Gay, O século de Schnitzler: a formação da cultura de classe média —
1815-1914. Trad. de S. Duarte. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 158-159.
I. O segmento descobri-Ia (1. 08) poderia ser substituído por trazer-lhe à tona, mantendo o sentido e a correção do período.
II. O segmento cujas necessidades se manifestam por meio dessas formas distorcidas (1. 09-10) poderia ser substituído pelo segmento que manifesta suas necessidades por meio dessas formas distorcidas, mantendo o sentido e a correção do período.
III. A forma verbal desconcertaram (1. 10) poderia ser substituída por levaram ao desconcerto sem modificações adicionais no período, mantendo correção e sentido; mas, se substituída por resultaram no desconcerto, uma preposição adicional seria necessária.
Quais das afirmações são verdadeiras?

Adaptado de Peter Gay, O século de Schnitzler: a formação da cultura de classe média —
1815-1914. Trad. de S. Duarte. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 158-159.

Adaptado de Alexís de Tocqueville. Um comicío em Londres - 19 de agosto de 1933. In:
TOCQUEVILLE. A. Igualdade Social e Liberdade Política. São Paulo: Nerman. 1988. p. 27-29.
Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escrito quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olha de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou. Fugiu enquanto pôde do ____________ que o roía - e daquele tiro brutal.
Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente ________ o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mão não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta _______________. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estive uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bicho. E vemos? Não, não vemos.
Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos são opacos, se gastam no dia-a-dia. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.
Jornal Folha de S. Paulo, 23 fev. 1992.
Nas frases “Design ergonômico, que integra funcionalidade, tamanho e alta definição na palma de sua mão, como nunca.”; “Design bonito e recursos integrados para lhe oferecer mais comodidade.”, os termos destacados fazem, respectivamente, retomadas:
Tiririca, o candidato que não lê
Vários indícios sugerem que Tiririca não sabe ler nem escrever. A Constituição proíbe candidatos analfabetos
De acordo com a Constituição, os analfabetos são inelegíveis e, portanto, não podem se candidatar e receber votos. Por lei, os candidatos são obrigados a apresentar à Justiça Eleitoral um comprovante de escolaridade. Na ausência de comprovante devem demonstrar capacidade de ler e escrever. Para registrar sua candidatura a deputado federal, Tiririca apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo uma declaração em que ele afirma que sabe ler e escrever. Essa de claração, segundo as normas legais, deve ser escrita de próprio punho. Mas Tiririca, de fato, sabe ler e escrever? A suspeita é que não. Vários indícios permitem levantar essa de confiança.
Não há cidade que passe incólume por chuvas da intensidade das que desabaram sobre São Paulo neste início de ano. A pergunta que todos fazem é: Por que chove tanto em um único lugar?
A resposta mais curta é que existe uma conjunção excepcional de fatores meteorológicos, cada um deles contribuindo para a continuidade do aguaceiro. Já a devastação que as águas provocam, por meio de alagamentos e enxurradas, é também consequência do perfil geográfico da cidade e das características da urbanização conduzida através dos anos.
No que diz respeito à meteorologia, a chuva resultou de três fenômenos. O primeiro é o fluxo de ar úmido que todo ano segue da região amazônica em direção ao Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil. Esse fluxo é intensificado pela evaporação das águas do Oceano Pacífico na região equatorial e do Oceano Atlântico no Caribe. Pois bem. Neste verão, o efeito El Niño aqueceu as águas do Pacífico equatorial em 2 graus. As águas do Caribe, por sua vez, também estão 1 grau mais quentes. A maior temperatura aumentou ainda mais a intensidade da umidade vinda do Norte, tornando-a mais propensa a provocar chuvas fortes.
O segundo fator que concorreu para a formação de temporais em São Paulo e no Sudeste foi o aquecimento do Atlântico - em 1,5 grau - na sua porção próxima à costa do Sudeste brasileiro. Isso faz com que a brisa marinha que chega ao planalto paulista, onde se localiza a capital, favoreça a ocorrência de fortes pancadas de chuva, principalmente no fim da tarde.
O terceiro fator é o calor na cidade de São Paulo em janeiro. As temperaturas foram mais altas que a média do mês de janeiro nas últimas seis décadas. O calor favorece o aquecimento do solo, que por sua vez esquenta o ar. Este fica mais leve e sobe, formando nuvens carregadas. É um ciclo infernal de retroalimentação.
As chuvas fortes não causariam tantos problemas em São Paulo caso a cidade tivesse sido preparada para elas. Portanto, é preciso encontrar meios de minimizar os danos, evitar alagamentos prolongados e garantir que a tormenta atrapalhe o mínimo a vida dos habitantes.
(VEJA, 10 fev. 2010, adaptado.)



