Questões de Concurso
Sobre coesão e coerência em português
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Leia o trecho abaixo de um artigo sobre Mobilidade urbana e marque a alternativa que melhor complete o trecho com coesão e coerência:
“Entre as principais soluções para o problema da mobilidade urbana, na visão de muitos especialistas, seria o estímulo aos transportes coletivos públicos, através da melhoria de suas qualidades e eficiências e do desenvolvimento de um trânsito focado na circulação desses veículos.”
PENA, Rodolfo F. Alves. "Mobilidade urbana no Brasil"; Brasil Escola. Disponível em https://brasilescola.uol.com.br/geografia/ mobilidade-urbana-no-brasil.htm. Acesso em: 20.11.18.
Solidão Coletiva – uma crônica sobre o vazio de uma cidade grande
Se pararmos para pensar, a solidão nos persegue. Sempre estamos tão juntos e, ao mesmo tempo, tão sozinhos.
O simples fato de estarmos rodeados por dezenas, centenas ou milhares de pessoas, não nos garante que pertençamos ao grupo.
A cidade é um dos maiores exemplos. Trem, metrô, ônibus em horário de pico. Homens ou mulheres. Jovens ou velhos. Gordos ou magros. Trabalho ou estudo. Cada um do seu jeito, indo cuidar da sua própria vida. Não há conversa ou um sorriso amigável. Rostos sérios e cansados sem ao menos se preocupar em lhe desejar um bom dia. Parece que ninguém está tendo um bom dia.
Na rua, todos têm pressa. Mochila à frente do corpo, senão você é roubado. Olhar no chão para manter o ritmo do passo, ou logo à frente, como quem quer chegar logo sem ser importunado.
Um braço estendido me tira do devaneio. É alguém sentado no chão, com um cobertor fino, pedindo algumas moedas. Como boa integrante de uma multidão fria e apressada, ignoro e continuo meu caminho. Essa é uma visão tão rotineira que se torna banal e, assim como eu, ninguém ali observou aquele cidadão com olhos sinceros. Não me julgue, eu sei que você faz o mesmo. O calor humano não parece suficiente para aquecer corações.
É um mar de gente. Mas não me sinto como mais uma onda, que compõe a beleza do oceano. Sinto-me em um pequeno barco à vela, perdida em alto mar. Parada no meio da multidão, sinto sua tensão constante, como se a qualquer momento fosse chegar um tsunami. Sinto-me naufragando.
Você já pegou a estrada à noite? É ali que percebemos que a cidade nunca dorme por completo. Carros a perder de vista em qualquer horário, com luzes que compõem uma beleza única. Porém, esquecemos que em cada carro não existe somente uma pessoa ou outra, mas sim histórias.
Para onde cada um está indo é um mistério. Neste momento, percebo que, assim como eu enxergava alguns minutos atrás, ninguém ali me vê como ser humano. Veem-me como mais um carro, mais uma máquina que atrapalha o trânsito de um local tão movimentado. Só eu sei meu próprio caminho e para onde vou. Estou sozinha entre centenas de pessoas.
Mesmo assim, muitas dizem preferir a cidade ao campo. Morar no interior não é uma opção para a maior parte das multidões – elas dizem que lá não há nada de interessante acontecendo e o silêncio da natureza as faz sentir muito distantes do mundo.
Por Beatriz Gimenez Disponível em: https://falauniversidades.com.br/cronica-solidao-cidade-grande/
Texto 1

I. A declaração contida no primeiro parágrafo do texto refere-se exclusivamente aos trabalhadores de serviços gerais das empresas e das instituições públicas.
II. A produtividade dos trabalhadores nos locais de trabalho está relacionada à satisfação e ao envolvimento com suas funções, já que “as pessoas são mais produtivas quanto mais satisfeitas e envolvidas com o próprio trabalho”.
III. Quando se constata a satisfação dos servidores nas organizações e nas empresas, podem ser dispensadas pesquisas internas de avaliação e de opinião sobre as condições de trabalho nesses locais.
De acordo com o texto:

( ) O e-mail pode integrar o conjunto de meios utilizados por uma escola para a comunicação interna entre seus pares, visto tratar-se de um canal eficiente e rápido para a troca de mensagens.
( ) Em termos de escrita, o e-mail agiliza a elaboração da mensagem, visto que o emissor pode valer-se de uma série de recursos nesse sentido, como o uso de abreviaturas, abreviações e reduções de palavras que, além de facilitarem a produção do texto, são reconhecíveis por parte do receptor.
( ) O e-mail, em uma organização como a escola, contribui para aproximar os professores, funcionários e alunos entre si, criando um clima de amizade e camaradagem, fator que permite que as mensagens, mesmo as com teor de trabalho, possam ser escritas em uma linguagem coloquial e de maneira informal.
( ) Como qualquer outra mensagem escrita, a mensagem eletrônica deve atender aos princípios de clareza e precisão textual, observando os aspectos de coerência e coesão textual.
( ) A praticidade do e-mail justifica a ideia de que quanto maior o número de palavras abreviadas melhor será o efeito da mensagem.

I. A diretora da E. E. Edvaldo Brandão Correia criou a Agenda do Diretor a fim de atender aos pedidos dos professores e funcionários da escola, que constantemente eram questionados sobre as atividades da diretora e considerando que, na maioria das instituições de ensino, não é comum a Direção divulgar sua agenda aos demais membros da escola.
II. “Dar um pouco mais de transparência à sua gestão” (linhas 4 e 5), por meio da Agenda do Diretor, intensificou de forma positiva a cultura de comunicação interna da E. E. Edvaldo Brandão Correia, que adotava como hábito a troca de informações “com o objetivo de valorizar o diálogo e fornecer o espírito de grupo” (linhas 8 e 9).
III. O conhecimento sobre as diversas atividades que acontecem na escola favorece a criação de um bom clima institucional e, para isso, é necessário que o fluxo das informações chegue a todas as pessoas envolvidas na escola, além dos professores, como os servidores administrativos e as merendeiras.
De acordo com o texto:
( ) O adjetivo climáticas (linha 2) está para graves alterações (linhas 1 e 2), assim como os adjetivos clara e cristalina (linha 3) estão para constatação (linha 3).
( ) O primeiro verbo do primeiro parágrafo e o primeiro verbo do último parágrafo estão flexionados, respectivamente, no pretérito perfeito e no tempo presente do modo indicativo.
( ) As três primeiras palavras do segundo parágrafo são, no contexto do texto, substantivo, substantivo e adjetivo.
( ) As palavras unânime, políticas e econômicos recebem o acento gráfico em atenção à regra que acentua todas as palavras paroxítonas.
( ) Se usarmos a palavra cidadão no plural, no fragmento: “O mais importante de tudo é educar e fazer com que o cidadão comum entenda que tudo o que ele faz ou fará gerará um impacto no meio ambiente”, todos os verbos e os substantivos que estiverem no singular deverão ser obrigatoriamente pluralizados a fim de atender à relação de concordância entre os termos.
( ) A palavra que inicia o quarto parágrafo do texto pode ser substituída, sem que haja alteração de sentido, pela expressão Dessa forma.
I. O percentual 31% corresponde ao número de pessoas que apresentaram apneia em 2017.
II. O percentual 9% faz referência às pessoas com apneia em estado moderado em 2007, enquanto o percentual 18% faz referência às pessoas em iguais condições em 2017.
III. Os percentuais 7% e 19% correspondem, respectivamente, ao número de pessoas com apneia em estado grave em 2007 e em 2017.
De acordo com o texto:
O emprego do vocábulo “Mas” permite concluir que, em livros do estilo de Factfulness, o tom de autoajuda pode ser considerado como indício de um texto

Instrução: As questões 01 a 05 referem-se ao texto abaixo.
Como se fosse a primeira vez
01. Aos 82 anos, o maestro Isaac Karabtchevsky
02. declarou que “um músico tem que trabalhar até o último
03. instante”, que é “nessa vivência que ele começa ____
04. redescobrir partituras que já regeu ou tocou ____ tantos
05. anos, experimentando-as de maneira totalmente
06. diferente, como se fosse a primeira vez”. Não estamos
07. falando aqui de trabalho, mas da vida, pois nunca é
08. tarde para encará-la com o frescor desse velho homem.
09. O passado não é recuperável, não há feitiço do tempo
10. que nos ajude a voltar atrás para desfazer perdas e
11. reparar falhas. Viver é uma comédia de erros e
12. ponto. Quanto maior a vida, os arrependimentos e as
13. saudades têm maiores oportunidades de comparecer.
14. O que levamos conosco corre o risco de virar um baú de
15. velharias que carregamos só para remoer. No entanto,
16. possuir uma memória fértil, honrar a própria história,
17. não nos obriga ____ andar de costas. No divã, as
18. memórias são sempre convocadas e falando delas
19. acabam ganhando novos sentidos. Não se trata de voltar
20. atrás para consertar, pois as lembranças ressurgem
21. quando estão a serviço do presente. Elas são revisadas
22. porque somos feitos delas, porque nossa identidade foi
23. construída a partir do que vivemos. “Como se fosse a
24. primeira vez” é apenas um modo lúdico de manter viva
25. ____ curiosidade. A amnésia não torna ninguém mais
26. jovem nem renova oportunidades. A boa notícia é que
27. somente para os músicos o tempo de uma vida pode
28. ser fértil até o fim. Ele pode assemelhar-se ____ das
29. viagens, no qual um dia leva vários para acabar. Por
30. que ocorre essa sensação de lactação temporal? Porque
31. viajando estamos abertos ____ novo, deixando-nos
32. surpreender a cada momento. Karabtchevsky nos lembra
33. que isso pode ocorrer até com as velhas sinfonias. Mesmo
34. que existam melodias repetidas, interprete-as como
35. se fosse a primeira vez.
Adaptado de: CORSO, Diana. Como se fosse a primeira vez.
Disponível em http://vidasimples.uol.com.r/canal/pensar/.
Acessado em 08 de janeiro de 2018.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 25, 28 e 31.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
A questão da leitura no Brasil
- Sabemos que ler traz muitos benefícios a quem o pratica de modo correto. A leitura
- desenvolve e aumenta o repertório geral, auxilia para que o indivíduo tenha senso crítico, amplia
- o vocabulário, estimula a criatividade e, finalmente, facilita a escrita. _________ carregue
- consigo grandes benefícios, é preciso tomar cuidado e selecionar bem o que se lê. Segundo Valdir
- Heitor Barzotto, professor da Faculdade de Educação da USP, “vivemos em um momento em que
- há excesso de material disponível, o que também pode ser prejudicial, pois uma pessoa pode ler
- coisas que não são, necessariamente, de uma fonte confiável. É uma novidade do tempo
- contemporâneo. Existe muito acesso ao texto, mas não ao conhecimento”. A grande quantidade
- de informação disponível foi propiciada, _________, pelo avanço da tecnologia, em especial o
- da internet.
- Além disso, outro grande problema do panorama da leitura e da escrita no País é a questão
- da interpretação. Alunos com 14 anos ainda têm dificuldades em identificar informações que
- estão tanto explícitas quanto implícitas em um texto. Este déficit transcende a disciplina de
- português e atinge matérias como matemática, no momento de interpretar enunciados-problema,
- e história, para compreender as relações entre os fatos. Nesse sentido, é importante
- lembrar o papel de uma educação de boa qualidade, pois é necessário, primeiramente,
- ultrapassar a barreira da dificuldade da leitura para que o poder de interpretação seja facilitado.
- Na busca pela melhoria do incentivo à leitura e à escrita no País, há três perspectivas para
- as quais devemos tornar os nossos olhares: o governo, a escola e o próprio lar. Esses três
- constituem os principais pilares e não acontecem separadamente. Do poder público é preciso
- cobrar uma melhor administração dos recursos destinados a levar as pessoas a ler. Para o
- professor Barzotto, isso se reflete, principalmente, nas bibliotecas escolares que, além de
- estarem bem aparelhadas, também devem contar com bons funcionários especializados em
- leitura. “O governo precisa garantir uma estrutura mínima em que seja possível ler”, afirma.
- No que diz respeito às funções da escola, é necessário que se construa uma autonomia
- dentro de cada uma. Hoje, muito do que é reproduzido em sala de aula parte de pesquisas
- advindas das universidades, como investigações sobre leitura, escrita e aprendizado. Cria-se
- então uma relação de dependência, quando, na verdade, a universidade deveria funcionar como
- uma parceira. “Por mais que saibamos que o Estado controla como se deve fazer, ele não está
- todos os dias na escola.”
- Em casa, o professor Barzotto diz que é indispensável que haja material de leitura
- disponível, mas ressalta que quantidade nem sempre é qualidade. O importante é que,
- primeiramente, não se force o hábito de leitura na família como uma obrigação, mas sim como
- um prazer. É muito mais produtivo que a família converse e discuta sobre o que leu.
(Fonte: http://www5.usp.br/84357/especialistas-comentam-desafios-para-a-pratica-da-leitura-no-brasil/ – Texto adaptado especialmente para esta prova.)
A fim de garantir a coesão e a coerência do texto, as lacunas das linhas 03 e 09 só NÃO podem ser preenchidas, respectivamente, por:
Leia o texto a seguir para responder às questões de números 06 a 12.
Estudo confirma o impacto das mudanças climáticas na saúde
1. Desde o início do século 19 , com a Revolução Industrial , o impacto das ações do homem sobre o clima já provocou um aquecimento médio de mais de 1 ºC na Terra . Embora o número ainda não seja suficiente para provocar um cataclisma , já prejudica a vida de milhões de pessoas ao redor do planeta e coloca em risco todos os avanços em saúde pública dos últimos 50 anos. É o que mostra um relatório publicado pela Lancet, uma prestigiada publicação científica de medicina .
2. Elaborado com a contribuição de 24 instituições acadêmicas e organizações intergovernamentais , o Lancet Countdown levanta dados de saúde em todos os continentes , contando com uma equipe que inclui ecologistas , cientistas , economistas , engenheiros e especialistas em comida , transporte, energia e saúde pública .
3 . De acordo com o relatório , uma das principais evidências do impacto da mudança climática são as ondas de calor , cada vez mais intensas e frequentes . Entre 2000 e 2016 , 125 milhões de adultos em situação de vulnerabilidade no mundo sofreram com elas. Com o clima mais quente , as pessoas têm menos resistência , ocasionando uma redução de 5,3% da força mundial de trabalho . Em 2016 , tirou mais de 920 mil pessoas em todo mundo da força de trabalho , com 418 mil delas somente na Índia.
4 . Os desastres relacionados ao clima também estão mais frequentes , com um crescimento de 46 % desde 2000. A economia também sofre , com crescentes perdas desde 1990 . Em 2016 a economia global perdeu US$ 12 9 bilhões com eventos relacionados ao clima . O relatório também aponta o aumento de 10 % no número de mosquitos da dengue desde 1950 como resultado do aquecimento global.
5 . Os estragos não param por aí , já que, somente em 2015 , mais de 803 .000 mortes prematuras e evitáveis aconteceram em 21 países asiáticos foram devido a poluição do ar . Mas é na comida o principal impacto. A mudança climática provocou um declínio de 6 % na produtividade global do trigo e um declínio de 10 % nas safras de arroz . Se tudo continuar assim , mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo enfrentarão a necessidade de migrar dentro dos próximos 90 anos devido ao aumento do nível do mar causado pelo colapso da plataforma de gelo .
6 . O Brasil também sofre com as consequências : de acordo com o estudo , o volume médio de partículas finas em suspensão no ar é de 15 ug/m3 , enquanto a Organização Mundial de Saúde recomenda que o número não ultrapasse 1 O ug/m3 . A pior situação fica na pequena cidade de Santa Gertrudes , no interior de São Paulo , considerada a mais poluída do País . São 44 ug/m3 de partículas suspensas , principalmente devido a ação da indústria de cerâmica .
7 . Para o professor Anthony Costello, co-presidente da Lance! Countdown e um dos diretores da Organização Mundial da Saúde , a situação requer ação imediata . "A mudança climática está acontecendo e hoje é um problema de saúde para milhões em todo o mundo . A perspectiva é desafiadora , mas ainda temos a oportunidade de transformar uma emergência médica iminente no avanço mais significativo para a saúde pública neste século ", afirma . "Precisamos de medidas urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Os benefícios econômicos e de saúde oferecidos são enormes . O custo da inação será contado em perdas evitáveis de vidas em larga escala ".
Autor não é ide ntificado, Portal da R evista Galileu (03/11/20177) Te x to adap tado - Versão origin al, na íntegr a e sem alterações dispon/ve l em http s:l/re vistagaf ileu . globo.co m/ Ciencialnoticia/201 71 11 /estudo-confirma-o -im pacto-das-muda ncas-climaticas -n a-saude . htmf
O quinto parágrafo do texto, que a seguir reproduzimos, será utilizado na resolução da questão.
Os estragos não param por aí, já que, somente em 2015, mais de 803.000 mortes prematuras e evitáveis aconteceram em 21 países asiáticos foram devido a poluição do ar. Mas é na comida o principal impacto. A mudança climática provocou um declínio de 6% na produtividade global do trigo e um declínio de 10% nas safras de arroz. Se tudo continuar assim, mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo enfrentarão a necessidade de migrar dentro dos próximos 90 anos devido ao aumento do nível do mar causado pelo colapso da plataforma de gelo.
Em qual alternativa o trecho sublinhado foi reescrito de forma a dar melhor clareza à oração que inaugura o parágrafo?
O ZELADOR DO LABIRINTO
Tem também a história do zelador do labirinto. Todos os dias ele saía de casa cedo, com sua marmita, e entrava no labirinto. Seu trabalho era percorrer todo o labirinto, inspecionando as paredes e o chão, vendo onde precisava um retoque, talvez uma mão de tinta, etc.
Era um homem metódico. Pela manhã, fazia a ronda do labirinto, anotando tudo que havia para ser consertado, depois saía do labirinto, almoçava, descansava um pouquinho, e entrava de novo no labirinto, agora com o material que necessitaria para seu trabalho. Quando não havia nada para ser consertado, ele apenas varria todo o labirinto e, ao anoitecer, ia para casa. Um dia, enquanto fazia a sua ronda , o zelador encontrou um grupo de pessoas apavoradas. Queriam saber como sair dali. O zelador não entendeu bem.
- Como, sair?
- A saída! Onde fica a saída?
- É por ali - apontou o zelador, achando estranha a agitação do grupo.
Mais tarde, no mesmo dia, enquanto varria um dos corredores, o zelador encontrou o mesmo grupo. Não tinham encontrado a saída. Estavam ainda mais apavorados. Alguns choravam. Alguém precisava lhes mostrar a saída! Com uma certa impaciência, o zelador começou a dar a direção. Era fácil.
- Saiam por ali e virem à esquerda. Depois à direita, depois à esquerda outra vez, direita, direita, esquerda .... - Espere! - gritou alguém. - Ponha isso num papel.
Sacudindo a cabeça com divertida resignação, o zelador pegou seu caderno de notas e toco de lápis e começou a escrever.
- Deixa eu ver. Esquerda, direita, esquerda, esquerda ...
Hesitou.
- Não, direita. É isso. Direita, direita, esquerda ... Ou direita outra vez?
O zelador atirou o papel e o lápis no chão como se estivesse pegando fogo. Saiu correndo, com todo o grupo atrás. Também estava apavorado. Aquilo era terrível. Ele nunca tinha se dado conta de como aquilo era terrível. Corredores davam para corredores que davam para corredores que davam numa parede. Era preciso voltar pelos mesmos corredores, mas como saber se eram os mesmos corredores? A saída! Onde fica a saída?
A administração do labirinto teve que procurar um novo zelador, depois que o desaparecimento do outro completou um mês. Podia adivinhar o que tinha acontecido. O novo zelador não devia ter muita imaginação. Era preferível que nem soubesse ler e escrever. E em hipótese alguma devia falar com estranhos.
O Zelador do Labirinto. Revista lcaro, 230, RMC Editora, Setembro de 2003, p. 34.Questão 01
"Era um homem metódico. Pela manhã, fazia a ronda do labirinto, anotando tudo que havia para ser consertado, depois saía do labirinto, almoçava, descansava um pouquinho, e entrava de novo no labirinto, agora com o material que necessitaria para seu trabalho."
No trecho o autor faz uso de um recurso coesivo chamado:
Texto 1
- ESTRANGEIRO: – Pois bem: nas ciências teóricas
- nós começamos por distinguir uma parte diretiva, e
- nesta, uma divisão a que chamamos, por analogia,
- autodirigente. A criação dos animais foi, por sua vez,
- considerada como uma das divisões da ciência auto-
- diretiva, da qual é um gênero e certamente não o
- menor; a criação de animais nos deu a espécie da
- criação em rebanho, e a criação em rebanho, por
- sua vez, deu-nos a arte de criar os animais pedes-
- tres; e a seguir, esta arte de criar os animais pedes-
- tres nos deu, como seção principal, a arte que cria
- raça de animais sem chifres; e, ainda, esta raça de
- animais sem chifres inclui uma parte que só poderá
- ser compreendida por um único termo pela adição
- necessária de três nomes; ela se chamará: “a arte
- de criar raças que não se cruzam”. Por fim, a última
- subdivisão restante, nos rebanhos bípedes, será a
- arte de dirigir os homens. É precisamente o que pro-
- curamos; a arte que se honra por dois nomes: políti-
- ca e real.
PLATÃO. Diálogos – Fédon, Sofista, Político. Trad. Jorge Paleikat; João Cruz Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p. 177.
Releia o Texto 1 e leia o Texto 2 para responder às questões de 06 a 10.
Texto 2
Admirável gado novo
- Vocês que fazem parte dessa massa
- Que passa nos projetos do futuro
- É duro tanto ter que caminhar
- E dar muito mais do que receber
- E ter que demonstrar sua coragem
- À margem do que possa parecer
- E ver que toda essa engrenagem
- Já sente a ferrugem lhe comer
- Êh, ôô, vida de gado
- Povo marcado
- Êh, povo feliz!
- Lá fora faz um tempo confortável
- A vigilância cuida do normal
- Os automóveis ouvem a notícia
- Os homens a publicam no jornal
- E correm através da madrugada
- A única velhice que chegou
- Demoram-se na beira da estrada
- E passam a contar o que sobrou!
- Êh, ôô, vida de gado
- Povo marcado
- Êh, povo feliz!
- O povo foge da ignorância
- Apesar de viver tão perto dela
- E sonham com melhores tempos idos
- Contemplam esta vida numa cela
- Esperam nova possibilidade
- De verem esse mundo se acabar
- A arca de Noé, o dirigível,
- Não voam, nem se pode flutuar
- Êh, ôô, vida de gado
- Povo marcado
- Êh, povo feliz!
RAMALHO, Zé. Zé Ramalho da Paraíba. Discobertas. © Avohai Editora (EMI) BRSME9700721, 2008. Disponível em: <http://www.zeramalho.com.-br/sec_discografia_view.php?id=65>. Acesso em: 15 fev. 2018.
A articulação entre os enunciados, no refrão do Texto 2 ,“[...] vida de gado/ Povo marcado”, evoca o sentido de “criação de animais em rebanho” e de “criação de animais pedestres”, no Texto 1. Os mecanismos utilizados para a produção de sentidos, nesses enunciados, no Texto 2, é a



