Questões de Concurso
Sobre análise sintática em português
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O texto a seguir servirá de base para as questões 09 e 10.
CARLOS CHEGA AO CÉU
E olhando aquele nuvenzal todo, comenta: Gente, não é que virei mesmo eterno?
Lá no céu, Cecília Meireles acorda cedinho. Mais cedo ainda do que de costume, que ela gosta de espiar os querubins tontinhos de sono. Mas hoje é dia especial. Cecília prende os cabelos, depois toma sua homeopatia (será Dulcamara? Daqui não dá pra ver - pode até ser Stramonium) e lava devagar o rosto na água do arco-íris. Bebe seu chazinho de pétalas de rosa branca - amarela não, que dá azia. Escova devagar as asas, pluma por pluma. Só depois de bem bonita é que bate de leve na porta da nuvem ao lado. Dentro, um resmungo mal-humorado.
É Vinícius de Moraes, que virou a noite com o arcanjo Gabriel, conhecendo as bocas da zona da Ursa Maior, aquela louca pirada. Mesmo de ressaca, o Poetinha acorda. "É hoje" - sussurra Cecília na janela que Vinícius se espreguiça: "Ô xará, não é que é mesmo hoje" E vai correndo se aprontar.
De braços dados, os dois vão bater à porta da nuvem de Manuel Bandeira. Mas nem era preciso. Manuel já está aceso, debruçado na janela, o nariz um pouco vermelho, fungando e tomando café quente que Irene acabou de preparar. "É hoje" - dizem Cecília e Vinícius. Manuel funga: "E eu não sei, gente? Daqui a pouquinho". Os três ficam em silêncio, o coração deles começa a bater no mesmo compasso (dodecassílabo? Daqui não dá para ouvir direito) então eles olham para baixo, em direção ao planeta Terra, que gira e gira, meio bobo de tão azul.
Aí uma nuvem dourada lá embaixo começa a ficar cada vez mais dourada, a chegar cada vez mais perto. Brilha tanto que os três quase se assustam, até reconheceram São Pedro na direção. Que pena, não dá mais tempo de chamar Pedro Nava. A nuvem aterrissa, São Pedro abre a porta. Um pouco encabulado, atrapalhado com as asas, cabeça baixa. Carlos Drummond de Andrade desce e põe os pés no céu. "Não é que virei mesmo eterno?" - comenta, olhando aquele nuvenzal todo. Então vê os três. Tanto tempo, pois é, tanto tempo, pensei que nem vinha mais. Cecília, você não mudou nada, e essa barriga, Poetinha? Não toma jeito, curou a tosse, Bandeira? Tá mais magro, Carlos, e a Dolores? Vai bem, mandou lembranças, qualquer dia chega por aqui. Irene traz mais café, bem preto, bem forte. Vinícius dá um jeitinho de virar no café uma talagada de uísque da garrafinha que carrega sempre, disfarçada sob a asa esquerda. Os quatro brindam, olhos molhados de saudade satisfeita.
Depois olham pro mundo aqui de baixo, que gira e gira, todo azul, assim de longe, e esperam um pouquinho, enquanto bebem o café, até conseguirem localizar, entre nuvens, a América do Sul. Custa um pouco para encontrarem, quase no extremo sul dessa América, um pontinho luminoso chamado Porto Alegre e, bem no centro do coração dessa cidade, um velhinho de cara sapeca, parado em frente a um porta-retratos com a foto da Bruna Lombardi. É o Mário Quintana - eles sabem - ou será o Anjo Malaquias? (isso nunca ninguém soube). Cecília, Vinícius, Manuel e Carlos sorriem mansinho, espiando Mário lá do céu, lá de cima.
Mas a Terra - tão azul assim, vista de longe, vista de cima - eles olham com pena. Sabem que pelo menos metade desse azul todo, depois que eles se foram, brota dali, do quartinho do Mário. Aí suspiram, tadinho, que barra! Um anjo torto vem pedir autógrafo de Carlos. "desguia" - avisa Vinícius. - "Um chato, maior aluguel". Carlos pergunta de Maria Julieta, Manuel diz que leva ele até lá. Cecília tem um almoço com Clarice e Ana Cristina. Vinícius não sabe se dorme mais um pouco ou se pega o Leon Eliachar para irem até a casa de Elis - será que já acordou, a diaba? - tá com samba novo na cabeça, precisa cruzar com a Clementina.
Cá embaixo, no centro do coração gelado do pontinho luminoso chamado Porto Alegre, pleno agosto, Mário Quintana abre a janela, olha para cima e dá uma piscadinha.
Danados, pensa, que danadinhos. O dia parece tão cinzento que não resiste à tentação de escrever um poema. Bem curtinho, bem feliz. Entre lá e cá, girando e girando sem parar, feito louca. A Terra também não resiste. De puro gosto, fica ainda mais azul - você viu?
(O Estado de São Paulo, 26/8/1987)
Caio Fernando de Abreu – Pequenas Epifanias
Considerado o excerto: “...que gira e gira, meio bobo de tão azul”, é correto afirmar que
Leia o texto abaixo transcrito e, em seguida, responda às questões a ele referentes:
A casa
Um casal amigo se separa e a mulher decide vender a casa. Vai morar com os filhos num apartamento novo. O homem também se instala em outro lugar, igualmente confortável. Ambos estão felizes e satisfeitos com a mudança. Ele já tem uma bonita namorada e ela muito em breve achará novo companheiro. Bem feitas as contas, o prejuízo foi meu, que perdi o terraço. Sim, era um pouco meu aquele pedaço da casa, onde passei bons momentos de férias, desfrutando a brisa atlântica e tomando uísque com água de coco.
Quando anunciaram o desenlace eu quis defender os meus interesses, mas deixei barato e permiti que seguissem o seu destino. Sou um sujeito compreensivo, abri mão do terraço. Fui mais longe em minha generosidade. Renunciei aos livros, discos, garrafas de boa bebida, quarto refrigerado. E abri mão principalmente, sufocando queixas, de uma cálida atmosfera humana, impossível de achar em qualquer hotel cinco estrelas e que o tempo vinha desgastando naquela casa finalmente desfeita, vendida, abandonada. Parece que esse é o destino inexorável de todas as casas. Acabam compradas, trocadas por apartamentos, invadidas por estranhos.
O desmonte foi lento e triste. Vi, nos preparativos da mudança, o descarte de coisas imprestáveis, com o vago sentimento de que também eu estava sendo descartado e deixado para trás como um guarda-chuva quebrado ou um velho objeto empoeirado e sem serventia. Dos moradores, somente minha mulher e eu, que éramos temporários, parecíamos ter saudades. Espiávamos, comovidos, aquelas caixas pardas que se iam fechando, levando um pouco de nós dois dentro delas. Ficava patente que estávamos vivendo o nosso último verão com aquelas pessoas tão queridas, para as quais, entretanto, pouco importava a proximidade do mar, a mangueira plena de frutos, o sudoeste soprando no fim das tardes, o cheiro de terra molhada pela “chuva de caju” nos ensolarados dezembros do Recife.
Tiramos uma fotografia do jardim. Contemplamos gravemente a paisagem líquida e verde que se descortinava no terraço. E vimos o quintal com os mesmos olhos saudosos que, na infância, reparavam os quintais pela última vez, a cada mudança.
Depois desse disfarçado ritual, abraços e beijos na família que nos hospedou. Já dentro do táxi para o aeroporto, arrisco um aceno discreto para a casa. Ela vai ficar ali, esperando novos e desconhecidos moradores. Guardando, em seu silêncio de pedra, noites alegres, festas, risadas, palavras amigas, e tudo mais que de repente se muda do tempo de agora para o cinzento do passado irrecorrível. Adeus, acabou.
FALCÃO, Aluízio. Crônicas da vida boêmia. Editora Ateliê Editorial. São Paulo: 1998.
Releia a passagem e responda: “Tiramos uma fotografia do jardim.” Classifique a sentença:
Atenção: Nesta prova, considera-se uso correta da Língua Portuguesa o que está de acordo com a norma padrão escrita.
Leia o texto a seguir para responder as questões sobre seu conteúdo.
IMPEACHMENT É O MESMO QUE IMPEDIMENTO?
Por Aldo Bizzocchi. Disponível em: http://revistalingua.com.br/textos/blog- abizzocchi/impeachment-e-omesmo- que- impedimento-338123-1.asp Acesso em 21 abr 2016.
Nestes dias em que, diante do mar de lama que ameaça soterrar o governo brasileiro, setores da sociedade já começam a clamar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, muitos cronistas têm empregado o termo vernáculo "impedimento" em substituição ao anglicismo impeachment, o que faz ressurgir a dúvida: impeachment e impedimento são a mesma coisa? Em outras palavras, é lícito traduzir o termo inglês pelo português? Mais ainda, é aconselhável fazer isso?
O impeachment é a figura jurídica surgida no mundo anglo-saxônico que permite ao parlamento cassar o mandato do chefe do Executivo diante de acusações comprovadas de improbidade no exercício do cargo. O substantivo inglês impeachment, assim como o verbo empeach, provêm do antigo francês empêcher, "impedir", e empêchement, "impedimento", por sua vez originários do baixo latim impedicare, derivado de pedica, "ferros que se prendem aos pés do prisioneiro para impedir seu movimento". Daí talvez a tendência de traduzir impeachment como "impedimento". No entanto, o próprio inglês distingue impeach, "fazer acusações contra, acusar de improbidade no exercício de mandato", de impede, "impedir, obstruir, impossibilitar". E a Constituição brasileira prevê o impedimento, temporário ou permanente, de um mandatário como justificativa para que seu suplente ocupe o cargo. Ou seja, uma doença ou viagem ao Exterior são motivos de impedimento do presidente, quando então o vice assume o posto. Esses impedimentos por razões corriqueiras nada têm a ver com o impeachment, que só se aplica em caso de acusação grave, que desautorize moralmente o presidente de permanecer no cargo. Nesse sentido, seria melhor traduzir impeachment por "cassação" do que por "impedimento".
Logo, a tradução de impeachment por "impedimento" é inadequada, embora favorecida por uma certa semelhança sonora e parentesco etimológico. Evidentemente, o presidente cassado por impeachment fica definitivamente impedido de exercer seu mandato, mas, se o impeachment é um caso particular de impedimento, a recíproca não é verdadeira: nem todo impedimento se dá por impeachment.
Aldo Bizzocchi é doutor em Linguística pela USP, com pós- doutorado pela UERJ, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa da USP, com pós- doutorado na UERJ. É autor de Léxico e Ideologia na Europa Ocidental (Annablume) e Anatomia da Cultura (Palas Athena). www.aldobizzocchi.com.br
Assinale a única alternativa correta.
Instrução: as questões de 01 a 08 referem-se ao texto ‘Pokemon Go’ não é destinado às crianças, de Rosely Sayão.
'POKEMON GO' NÃO É DESTINADO ÀS CRIANÇAS
Rosely Sayão
1 ______ Muitos pais se afetam tanto com os caprichos dos filhos. O capricho atual é jogar "Pokemon Go". Então vamos
2 enfrentar a fera, já que inúmeros pais querem saber se deixam o filho ter o jogo, qual a idade para começar, se pode
3 prejudicar, se pode beneficiar, qual o tempo que se deve permitir que a criança se dedique ao jogo, como fazer para ela
4 aceitar o limite de tempo etc.
5 _______Um pai pegou um táxi só para que o filho conseguisse caçar uma determinada criatura do jogo, outro deixou a filha
6 de 11 anos ir até um lugar que considera perigoso porque ela estava acompanhada de outras colegas e "precisava" muito
7 ganhar um ovo virtual. O pai ficou preocupado, mas permitiu. Assim fica difícil!
8 ______Meus caros pais, um jogo é um jogo, apenas isso. As características desse em particular revelam que ele não é
9 destinado às crianças. Quantas delas saem para o espaço público desacompanhadas de um adulto na "vida real"? Como
10 nossas crianças são jovens desde os primeiros anos de vida, porém, foram capturadas pela sensação do momento. Mas os
11 pais devem ter suas referências, e não abdicar delas só porque a atividade virou febre social.
12 _____O primeiro passo é conhecer o jogo: como funciona, quais as metas, o que o filho deve fazer para alcançá-las. Se,
13 para a família, ele não é inconveniente, não transgride os princípios priorizados, não apresenta imagens ou atos que ela não
14 aceite, ela pode permitir que o filho brinque. Não é preciso aprender a jogar ou apreciar, mas é necessário conhecer os
15 princípios básicos do aplicativo antes de permiti-lo.
16 _____O segundo passo é avaliar o tempo que o filho tem em seu cotidiano para ajudá-lo a administrar isso entre todas as
17 atividades e ainda ter tempo para ficar sem fazer nada. Como há crianças mais rápidas e outras que dedicam mais tempo a
18 cada atividade, não é possível determinar um tempo padrão. Aqueles que fazem tudo mais rapidamente não podem dedicar
19 tanto tempo ao jogo; os que fazem tudo mais tranquilamente, porém, podem brincar mais, por exemplo.
20 _____Uma coisa é certa: a criança e o jovem têm muito o que fazer e pensar, por isso não podem se limitar a uma
21 atividade específica. Caros pais, observem o tamanho e a complexidade do mundo que eles precisam conhecer!
22 ____+Quando uma criança ou jovem gosta muito de algo, seja por iniciativa pessoal ou por adesão do grupo, é fácil para
23 ele ficar horas e horas só naquilo, prejudicando todo o resto. Os pais não devem permitir. Para tanto, devem fazer valer sua
24 autoridade, dizendo "agora chega". Isso vale para tudo, porque os mais novos ainda não têm ou estão desenvolvendo seu
25 índice de saciedade. E o "agora chega" dos pais ajuda muito a estabelecer esse limite.
26 _____Os filhos vão reclamar, choramingar, brigar, implorar, insistir, tentar negociar, seduzir, propor trocas, chantagear.
27 São as estratégias que têm para alcançar o que querem. E são, portanto, legítimas.
28 _____Os pais precisam bancar tudo isso e firmar sua decisão, mesmo que seja para aguentar cara feia. Aliás, os filhos
29 sabem muito bem que isso costuma funcionar. Mas cara feia passa, lembram disso?
30 _____Por fim, é importante ensinar, nas entrelinhas, que não é bom se tornar escravo de um capricho, de um gosto, de
31 uma diversão. É muito melhor prepará-los para que sejam autônomos e livres, não é?.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/2016/08/1803351-pokemon-go-nao-e-destinado-as-criancas.shtml. Acessado em 24 setembro 2016.
Considere as seguintes propostas de alterações no texto.
I) Na frase Muitos pais se afetam tanto com os caprichos dos filhos (linha 01), substituir a palavra tanto por demais.
II) Substituir a vírgula da linha 05 por ponto-e-vírgula.
III) Retirar os dois-pontos da linha 12.
IV) Substituir a palavra saciedade (linha 25) por saturação.
Quais alterações não mudariam o sentido do texto?
AS QUESTÕES DE 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
Quando o sentido é subvertido
- O consumismo, isto é, a compra exagerada, a acumulação irrestrita e a substituição precoce
- dos bens de consumo é uma marca da nossa sociedade. A sedução e o efêmero orientam a frenética
- renovação do que existe e a criação de novas necessidades. Entre outros problemas, essa dinâmica
- gera a exploração predatória dos recursos naturais, o sofrimento dos animais não humanos, a
- naturalização do desperdício e a supressão da singularidade do indivíduo.
- Atualmente, a mentalidade consumidora infiltrou-se nos relacionamentos, na espiritualidade,
- na política e até na ordenação do tempo disponível. Assim, de modo geral, as pessoas têm suas vidas
- mercantilizadas, isto é, orientadas pelos princípios e lógica do mercado. Portanto não é de se
- estranhar que elas busquem nos bens de consumo, dentre outras coisas, a resposta às suas questões
- existenciais.
- Uma característica do ethos consumista atual é o que Gilles Lipovetsky denomina consumo
- experiência. Três dos seus aspectos são: 1) a busca por aventuras em locais que prometem o
- inesperado sem abrir mão do conforto e da segurança; 2) a procura por sensações novas nas
- mercadorias; e 3) a conquista da harmonia interior sem esforço e de modo imediato. Entretanto, os
- produtos e serviços que se enquadram nesse tipo de consumo, quando não esvaziam o sentido do que
- é vendido, o subvertem. Para mostrar isso, devemos pensar a razoabilidade destes para além do viés
- empreendedor-consumista. Vejamos alguns exemplos.
- Creio que todos já fizeram ou ouviram falar em piquenique. Pois bem, na cidade de São
- Paulo, um local vende a ideia dessa experiência sem inconvenientes e sem preocupações, que pode
- ser um ambiente com paredes decoradas, um teto feito com guarda-chuvas coloridos, algumas mesas
- de madeira postadas sobre uma grama artificial. A cesta de alimentos é fornecida pela própria casa.
- Mas será que este serviço entrega o que promete?
- Neste espaço, não precisamos planejar nada, não tomaremos uma eventual chuva, estaremos
- mais protegidos de um assalto e sequer nos preocuparemos com formigas que possam nos picar.
- Porém, é fato que isso subverte a experiência do piquenique, na medida em que a empobrece e a
- reduz enormemente. Ora, a graça do piquenique está nas descobertas que um ambiente não
- controlado proporciona, no planejamento do que levar, no pé na terra ou na grama real - enfim, é o
- contato com a natureza. Colocando de outra forma, esse tipo de serviço subverte a aventura real, pois
- o sentido dessa conflita com o que é controlado e seguro. Desse modo, esse piquenique não passa de
- um simulacro.
- O segundo aspecto do consumo experiencial é refletido pela onda gourmetizadora, que
- chegou até à pipoca! A versão gourmet da pipoca tem diversos sabores, vem dentro de latas
- decoradas, é exposta em carrinhos bem acabados e custa, muitas vezes, muito mais que a
- convencional. Na página de uma das marcas desse produto (procure no Google por pipoca gourmet),
- a criadora diz que pensou em proporcionar ao freguês uma experiência diferenciada, não só através
- da pipoca, mas também por meio de uma embalagem que envolve e encanta o cliente.
- Embora especiarias tenham sido adicionadas e a apresentação da pipoca seja diferente, isso
- não é razoável. Primeiramente porque você vai consumir um produto frio e que não é fresco, pois não
- é feito na hora. Ao criar-se uma atmosfera mágica em torno da pipoca, vende-se algo que esta não
- pode entregar, pois os signos e imagens a ela associados excedem as suas qualidades efetivas. Mais
- que isso, a versão gourmet não é superior à convencional, ela é apenas diferente. Desse modo, como
- na maioria dos produtos gourmetizados, o conceito excede o produto.
- O mercado também atende àqueles que querem a solução dos seus conflitos e conforto
- psíquico de modo rápido e fácil. A proliferação dos livros de autoajuda nas livrarias, que lotam as
- prateleiras e têm um lugar de destaque, é um exemplo disso. Em geral, duas são as ideias implícitas
- nos livros de autoajuda: a) receitas de felicidade e sucesso podem ser compradas e; b) seguindo o
- ensinamento destes livros, o sujeito, por meio da sua vontade, vai saber lidar e solucionar os
- problemas que o atingem.
- Talvez os manuais de autoajuda sirvam como paliativos - mas, eles não podem entregar o
- que prometem, pois esquemas prontos não respondem à singularidade do indivíduo. Ao venderem a
- ideia de que a conquista da felicidade só depende do leitor, não se considera que o sujeito está imerso
- num contexto onde existem variáveis que atuam em sua vida e que podem não serem controladas.
- Em parte, o consumo experiencial explica-se como um sintoma de uma sociedade que
- almeja a euforia perpétua, legitima os simulacros publicitários, festeja toda e qualquer novidade
- mercadológica, quer saúde física e mental rapidamente e sem esforço... Enfim, que procura a razão
- do seu existir no mercado. Contudo, esses produtos e serviços não têm razoabilidade, tendo em vista
- que se apropriam de atividades e ideias e as subvertem, espetacularizam o banal, e vendem a falsa
- ideia que a felicidade pode ser comprada. Isso evidencia o empobrecimento subjetivo e a
- heteronomia do sujeito nestas relações mercantis.
Quando o sentido é subvertido, Daniel Borgon. FILOSOFIA, Ciência & Vida, Ano IX, nº 120, p.72.
Marque a alternativa cuja oração tenha o mesmo valor sintático de “variáveis” (L.52).
Considerando-se os termos da oração “Mas, nas cidades, as pessoas não veem quão ruim a poluição da água é.”, o sublinhado classifica-se sintaticamente de:
Levando-se em consideração a relação dialógica na leitura do enunciado “Ninguém fala como livro”, é possível afirmar:
( ) Não se fala sempre a linguagem padrão que predomina na escrita dos livros.
( ) Alinguagem oral (a fala) é um fenômeno linguístico social que só se realiza de modo informal.
( ) A variação linguística possibilita que as pessoas, em geral, falem de várias formas, diferentemente da linguagem padrão que se vê na escrita dos livros.
Analise as proposições, coloque (V) para verdadeiras e (F) para falsas e marque a alternativa que contém a sequência CORRETA.
Leia os parágrafos abaixo.
I. Mais um trecho da Avenida Siqueira Campos (Canal 4), em Santos, foi interditada _ nesta segunda-feira (7) para obras de pavimentação. Desta vez, na pista praia/porto, entre as avenidas Bartolomeu de Gusmão e Epitácio Pessoa. De acordo com a Prefeitura, é o último trecho da via, nesse sentido, a receber novo asfalto, como parte da obra de construção da ciclovia do Canal 4.
II. Nesta segunda-feira (7), operários começam a retirar o asfalto antigo e dos paralelepípedos que estão por baixo. Na sequência, será escavado 40 cm para preparação da ase que receberá a pavimentação.
III. Por conta da intervensão o trânsito fica bloqueado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), até as 18 horas do dia 16. Durante as obras, os motoristas podem utilizar como rota alternativa a Avenida Conselheiro Nébias.
Texto extraído do site de "A Tribuna.com.br", disponível em [http://www.atribuna.eom.br/noticias/noticias-detalhe/santos/novo-trecho-do-canal-4-e-interditado-para-pavimentacao/ ?cHash=c0a3c645df13b2632cdb1e9362dcbd25], consultado em 9/3/16.
Em cada um dos parágrafos do texto foi realizada uma alteração, de modo que, em cada um deles passou a constar um desajustamento no que tange ao padrão culto de nossa língua. Tais desvios foram corretamente apontados em qual alternativa?
O texto a seguir será utilizado para responder as questões 5 a 9.
São Paulo, de tão obscura, nasceu até escondida. O espaço onde se assentaria mantinha-se não só invisível, aos olhos dos que chegavam do mar, como protegido por essa muralha compacta, impressionante, que é a serra do Mar. Euclides da Cunha, em Os sertões, descreveu-a como "dilatado muro de arrimo, sustentando as formações sedimentárias do interior". Não se compreenderá a história de São Paulo sem antes atentar para a serra do Mar. Vista de baixo, ela como que veda o horizonte, ou tranca a paisagem. Põe um ponto final à terra, como a querer esconder algum outro mundo, protegê-lo, proibi-lo. Os paulistas estão hoje tão acostumados a ela que mal se importam com sua silhueta majestosa, guardiã entre o mar e a terra, degrau de acesso ao Planalto de onde se desenvolverão as lonjuras do interior do Brasil. Galgá-la, hoje, pelo menos quando não é fim de feriado, e retornar a São Paulo resulta nos maiores congestionamentos do Brasil, se não do Hemisfério Sul, é tão simples quanto subir o lance de escada de um sobrado para ganhar o andar de cima. Servem a esse propósito duas das melhores estradas brasileiras, as vias Anchieta e Imigrantes, significativamente apelidadas com nomes evocativos de dois momentos cruciais do fluxo entre os dois lados - o primitivo, da época dos primeiros povoamentos do Planalto, e aquele que, na passagem do século XIX para o XX, transformou a região num aglomerado de gente vinda de diferentes partes do mundo.
Trecho do livro "A Capital da Solidão", Roberto Pompeu de Toledo, Editora Objetiva.
" ... retornar a São Paulo resulta nos maiores congestionamentos do Brasil".
A regência do verbo sublinhado repete-se naquele presente no excerto de qual alternativa?
Leia o texto abaixo.
Guarda compartilhada dos filhos: utopia ou realidade?
1 Quando duas pessoas se casam, nunca pensam que um dia podem se separar. Primeiro, realizam sonhos
e, na maioria das vezes, têm filhos. Se o casamento não dá certo, a parte mais difícil da separação fica
sendo a guarda das crianças. Em geral, os filhos continuam morando com a mãe e o pai passa a vê-los em
regime de visitas.
5 Desde 2014, passou a ser adotada a lei da guarda compartilhada, que determina que todas as decisões
sobre a rotina da criança passam a ser tomadas em conjunto pelos pais – mesmo que a criança viva a
maior parte do tempo com apenas um deles.
Na guarda compartilhada, pai e mãe têm os mesmos deveres, as mesmas obrigações e também
oportunidade igual de convivência com os filhos. Antes disso, a guarda mais adotada era a unilateral,
10 aquela em que a criança mora com um dos pais (que detém a guarda e toma todas as decisões inerentes à
criação), enquanto o outro genitor passa a ter o direito de visitas regulamentadas pelo juiz. A pensão
alimentícia é fixada mediante acordo entre as partes (ou pelo poder judiciário) e passa a ser obrigação
daquele que detém o direito de visitas. [...]
(Disponível em: http://www.papodemae.com.br/ Acesso em: setembro de 2016.)
Sobre os períodos apresentados no texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Quando duas pessoas se casam, nunca pensam que um dia podem se separar (linha 1) é um período composto por subordinação, que expressa um relação temporal.
( ) Se o casamento não dá certo, a parte mais difícil da separação fica sendo a guarda das crianças (linhas 2 e 3) apresenta efeito de sentido de condição, marcado pela presença de uma conjunção subordinativa.
( ) Desde 2014, passou a ser adotada a lei da guarda compartilhada, que determina que todas as decisões sobre a rotina da criança passam a ser tomadas em conjunto pelos pais – mesmo que a criança viva a maior parte do tempo com apenas um deles. (linhas 5 a 7), é marcado por uma relação de sentido concessiva, introduzida pela presença do pronome relativo que.
( ) A pensão alimentícia é fixada mediante acordo entre as partes (ou pelo poder judiciário) e passa a ser obrigação daquele que detém o direito de visita (linhas 11 a 13) é um período composto por coordenação e expressa uma relação de sentido de adversidade.
Assinale a sequência correta.
Leia com atenção o texto abaixo e responda ao que se pede.
Adriane quer saber se o terno do seu futuro marido deve combinar com as flores do buquê, com os tons das toalhas da recepção ou se deve ser branco (ou bem claro) para ficar de acordo com o vestido dela.
Meu impulso foi o de ligar para o noivo e dizer que ainda estava em tempo de ele desistir, se mandar e arranjar outra noiva. Uma que não o visse como um acessório na sua vida!
Noivos não devem se fantasiar no dia de seu casamento: nada de roupinha de soldadinho de chumbo, ternos brancos de primeira comunhão, túnicas indianas. O dia do casamento é o momento em que um homem assume, perante a sociedade, seu compromisso com a masculinidade e com a vida adulta. Não é, portanto, hora para brincadeiras, roupinhas infantis ou bobagens fora de propósito. Se não, quem vai levar o casamento dele a sério? Ninguém. Nem a noiva.
Noivos, não comecem mal essa história que já não é fácil! Respeito e adequação são indispensáveis para um casamento dar certo. Festa de casamento não é baile de carnaval.
(KALIL, Glória. Alô, chics. São Paulo: Ediouro, 2008, p. 101)
Assinale a alternativa em que o termo grifado CORRESPONDE à função sintática dada entre parênteses.
Leia com atenção o texto abaixo e responda ao que se pede.
Adriane quer saber se o terno do seu futuro marido deve combinar com as flores do buquê, com os tons das toalhas da recepção ou se deve ser branco (ou bem claro) para ficar de acordo com o vestido dela.
Meu impulso foi o de ligar para o noivo e dizer que ainda estava em tempo de ele desistir, se mandar e arranjar outra noiva. Uma que não o visse como um acessório na sua vida!
Noivos não devem se fantasiar no dia de seu casamento: nada de roupinha de soldadinho de chumbo, ternos brancos de primeira comunhão, túnicas indianas. O dia do casamento é o momento em que um homem assume, perante a sociedade, seu compromisso com a masculinidade e com a vida adulta. Não é, portanto, hora para brincadeiras, roupinhas infantis ou bobagens fora de propósito. Se não, quem vai levar o casamento dele a sério? Ninguém. Nem a noiva.
Noivos, não comecem mal essa história que já não é fácil! Respeito e adequação são indispensáveis para um casamento dar certo. Festa de casamento não é baile de carnaval.
(KALIL, Glória. Alô, chics. São Paulo: Ediouro, 2008, p. 101)
Assinale a alternativa em que a regência verbal está INCORRETA.
Leia o texto a seguir para responder às questões de 8 a 13.
Texto 02
Por que, com o tempo, os pães endurecem e os biscoitos amolecem?
1-------Alguns alimentos têm as características modificadas quando entram em contato com o ar
2--porque ocorre uma troca de umidade. Os pães ficam duros porque têm muita água, e os biscoitos
3--amolecem devido ao fato de quase não levarem água.
4-------"Isso decorre da própria diferença na composição desses produtos", afirma a química Cláudia
5--Moraes de Rezende, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O biscoito que fica exposto
6--ao ar absorve a umidade e perde a crocância. Em comparação, o pão francês tende a perder água e
7--ficar duro. A quantidade de açúcar, existente na composição de pães e biscoitos, também faz
8--diferença. "Os biscoitos têm bastante, o que favorece a absorção de água. Já o pãozinho tem pouco
9--açúcar e bastante amido. Este último sofre modificações na sua organização estrutural, que
10--estimulam o endurecimento", diz. Para não perder o apetite na hora do lanche, nada melhor do que
11--devorar o pão francês bem quentinho, assim que ele chegar da padaria. Quanto aos biscoitos, a dica
12--é mantê-los guardados na embalagem, em pote de vidro ou dentro da geladeira à espera de serem
13--consumidos.
Galileu, São Paulo, n. 214, p. 30, maio 2009.
Em: “Aquantidade de açúcar, existente na composição de pães e biscoitos, também faz diferença.”
A palavra “também” denota:
Leia o texto a seguir para responder às questões de 8 a 13.
Texto 02
Por que, com o tempo, os pães endurecem e os biscoitos amolecem?
1-------Alguns alimentos têm as características modificadas quando entram em contato com o ar
2--porque ocorre uma troca de umidade. Os pães ficam duros porque têm muita água, e os biscoitos
3--amolecem devido ao fato de quase não levarem água.
4-------"Isso decorre da própria diferença na composição desses produtos", afirma a química Cláudia
5--Moraes de Rezende, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O biscoito que fica exposto
6--ao ar absorve a umidade e perde a crocância. Em comparação, o pão francês tende a perder água e
7--ficar duro. A quantidade de açúcar, existente na composição de pães e biscoitos, também faz
8--diferença. "Os biscoitos têm bastante, o que favorece a absorção de água. Já o pãozinho tem pouco
9--açúcar e bastante amido. Este último sofre modificações na sua organização estrutural, que
10--estimulam o endurecimento", diz. Para não perder o apetite na hora do lanche, nada melhor do que
11--devorar o pão francês bem quentinho, assim que ele chegar da padaria. Quanto aos biscoitos, a dica
12--é mantê-los guardados na embalagem, em pote de vidro ou dentro da geladeira à espera de serem
13--consumidos.
Galileu, São Paulo, n. 214, p. 30, maio 2009.
Leia estes trechos do texto, e marque (V) ou (F), conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmações a seguir.
Trecho 1
“Para não perder o apetite na hora do lanche, nada melhor do que devorar o pão francês bem quentinho, assim que ele chegar da padaria. (linhas 10-11)
Trecho 2
“Quanto aos biscoitos, a dica é mantê-los guardados na embalagem, em pote de vidro ou dentro da geladeira à espera de serem consumidos.” (linhas 11-13)
( ) “assim que ele chegar da padaria é uma oração adverbial que indica tempo. (trecho 1)
( ) No trecho 1, o enunciado revela um efeito de subjetividade em relação à maneira de comer o pão.
( ) No trecho 2, o conectivo “ou” revela uma exclusão: ou manter os biscoitos guardados na embalagem, em pote de vidro ou dentro da geladeira, ou seja, uma coisa ou outra.
Está CORRETA a alternativa que contém a sequência:
Leia o texto a seguir para responder às questões de 8 a 13.
Texto 02
Por que, com o tempo, os pães endurecem e os biscoitos amolecem?
1-------Alguns alimentos têm as características modificadas quando entram em contato com o ar
2--porque ocorre uma troca de umidade. Os pães ficam duros porque têm muita água, e os biscoitos
3--amolecem devido ao fato de quase não levarem água.
4-------"Isso decorre da própria diferença na composição desses produtos", afirma a química Cláudia
5--Moraes de Rezende, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O biscoito que fica exposto
6--ao ar absorve a umidade e perde a crocância. Em comparação, o pão francês tende a perder água e
7--ficar duro. A quantidade de açúcar, existente na composição de pães e biscoitos, também faz
8--diferença. "Os biscoitos têm bastante, o que favorece a absorção de água. Já o pãozinho tem pouco
9--açúcar e bastante amido. Este último sofre modificações na sua organização estrutural, que
10--estimulam o endurecimento", diz. Para não perder o apetite na hora do lanche, nada melhor do que
11--devorar o pão francês bem quentinho, assim que ele chegar da padaria. Quanto aos biscoitos, a dica
12--é mantê-los guardados na embalagem, em pote de vidro ou dentro da geladeira à espera de serem
13--consumidos.
Galileu, São Paulo, n. 214, p. 30, maio 2009.
Para articular as ideias do texto, utilizamos diferentes mecanismos de combinação oracional. Assim, podemos afirmar sobre as estruturas sintáticas que formam o texto que:
I - A estrutura “quando entram em contato com o ar....”, (linha 1) expressa uma relação de tempo, por isso é uma oração subordinada adverbial temporal.
II - A relação de sentido expressa entre a oração adverbial introduzida pelo conector “porque” e a oração principal, na estrutura “Os pães ficam duros porque têm muita água,” (linha 2) é de concessão.
III - “Para não perder o apetite na hora do lanche, nada melhor do que devorar o pão francês bem quentinho” (linhas 10 – 11). A palavra destacada expressa finalidade.
Está(ão) CORRETA(S):
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.
Texto 01
Baleia
1---------A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as
2--costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de
3--moscas. As chagas da boca e a inchação dos lábios dificultavam-lhe a comida e a bebida
4---------Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe
5--no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava
6--se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as
7--orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de moscas, semelhante a
8--uma cauda de cascavel.
9---------Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com
10--o saca-trapo e fez menção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.
11---------Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que adivinhavam
12--desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta:
13---------- Vão bulir com a Baleia?
14---------Tinham visto o chumbeiro e o polvarinho, os modos de Fabiano afligiam-nos, davam-lhes a
15--suspeita de que Baleia corria perigo.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 85. (Fragmento)
Sobre o Texto 01, pode-se afirmar:
I - É coerente, uma vez que as ideias estão articuladas em uma sequência lógica, que permite a compreensão do contexto de forma clara e completa.
II - É incoerente, uma vez que há ideias contraditórias: Fabiano, de início não quer matar a cachorra Baleia, em seguida, decide matá-la.
III - Na descrição da cachorra Baleia, no primeiro parágrafo, houve a supremacia quanto ao uso dos adjetivos, com o objetivo de mostrar o estado miserável em que o animal se encontrava.
IV - É predominantemente argumentativo, pois defende o ponto de vista do sofrimento de uma família com a morte da cachorra, animal de estimação.
Está(ão) CORRETA(S), apenas:
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.
Texto 01
Baleia
1---------A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as
2--costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de
3--moscas. As chagas da boca e a inchação dos lábios dificultavam-lhe a comida e a bebida
4---------Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe
5--no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava
6--se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as
7--orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de moscas, semelhante a
8--uma cauda de cascavel.
9---------Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com
10--o saca-trapo e fez menção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.
11---------Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que adivinhavam
12--desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta:
13---------- Vão bulir com a Baleia?
14---------Tinham visto o chumbeiro e o polvarinho, os modos de Fabiano afligiam-nos, davam-lhes a
15--suspeita de que Baleia corria perigo.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 85. (Fragmento)
As sequências linguísticas constituem um texto se houver, entre outros recursos, o emprego de conectores gramaticais adequados que estabelecem nexo entre elas ou remetem a certas palavras ou enunciados desse mesmo texto. Marque (V) ou (F), conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmações a seguir quanto aos nexos e referenciações do texto.
( ) No primeiro parágrafo, o pronome “lhe” (linha 1) é empregado duas vezes, tendo o mesmo referente, e ambos os registros representam elos coesivos referenciais.
( ) O pronome relativo “onde” (linha 2) estabelece uma relação semântica de tempo, por isso, não representa um elo de coesão.
( ) O pronome “se” (linha 6), em seus dois registros, equivale a “si mesma”, daí o sentido de reciprocidade.
( ) No segundo parágrafo o conector “mas” (linha 5) expressa uma oposição em relação ao que foi dito anteriormente.
( ) O terceiro parágrafo é iniciado com um conector sequencial e expressa uma relação de finalidade em relação ao parágrafo anterior.
Está CORRETA a alternativa que contém a sequência:
Releia o trecho abaixo para responder às questões 07 e 08
Medidas simples garantem mais segurança no trânsito
Em um clássico desenho da Disney, ao assumir a direção de um carro, o pacato e humilde senhor Andante se transforma
no terrível senhor Volante, modelo de arrogância e violência. Essa cena ilustra uma situação comum até hoje no trânsito, onde
os motoristas descarregam toda sorte de frustração.
Não por acaso, o fator humano é responsável pela maioria dos acidentes. Dirigir defensivamente é essencial para prevenir os
5 desastres ou pelo menos minimizar suas consequências. De acordo com o professor Adilson Lombardo, especialista em segurança
no trânsito, na direção defensiva “é preciso avaliar riscos, reduzir a velocidade perto de escolas, não fazer ultrapassagens
perigosas”. Na prática, são medidas simples, que podem ser resumidas em duas: respeito às normas e bom senso.
Lombardo frisa que não se deve confundir direção defensiva com técnicas de pilotagem, que também podem ajudar a
prevenir acidentes. “Os cursos de pilotagem ensinam a sair da aquaplanagem, a fazer uma frenagem segura e a desviar de
10 obstáculos”, explica. “As autoescolas não dão essa formação, que é essencial, por exemplo, para funcionários de empresas.”
Ele destaca ainda a função educativa da multa: “Todos sabemos que a cultura da impunidade é perigosa.”
Ari Silveira
Adaptado de gazetadopovo.com.br, 22/08/2009
Dirigir defensivamente é essencial para prevenir os desastres ou pelo menos minimizar suas consequências. (l. 4-5)
O trecho sublinhado indica ideia de:
Instrução: As questões 11 a 20 referem-se ao texto abaixo.
- _____Todo mundo teve ao menos uma namorada esquisita,
- comigo não foi diferente. Beber é trivial, bebe-se por
- prazer, para comemorar, para esquecer, para suportar
- a vida, mas beber para ficar de ressaca nunca tinha
- visto. Essa era Stela, ela bebia em busca do lado escuro
- do porre. Acreditava que precisava desse terremoto
- orgânico para seu reequilíbrio espiritual.
- _____Sua ressaca era diferente, não como a nossa, tingida
- de culpa pelo excesso. A dela era almejada, portanto
- com propriedades metafísicas. Nem por isso passava
- menos mal, sofria muito, o desconforto era visível,
- pungente. Tomava coisas que poucos profissionais
- do copo se arriscariam, destilados das marcas mais
- diabo. Ou então era revés de um vinho da Serra com
- nome de Papa, algo que nem ao menos rolha tinha,
- era de tampinha. Bebida que, com sua qualidade,
- desonrava, simultaneamente, os vinhos e o pontífice.
- _____Não era masoquismo. Acompanhando suas
- peregrinações etílicas, cheguei a outra conclusão: ela
- realmente precisava daquilo. Stela inventara uma
- religião do Santo Daime particular, caseira, sabia que
- era preciso passar pelo inferno para vislumbrar o céu.
- Os porres eram uma provação cósmica, um ordálio
- voluntário, um encontro reverencial com o sagrado.
- _____Depois da devastação do pileque, ela ficava melhor.
- Uma lucidez calma a invadia, sua beleza readquiria os
- traços que a marcavam, seus olhos voltavam ao
- brilho que me encantara. Tinha mergulhado no poço
- da existência e reavaliado seus rumos. Durante dias a
- paz reinava entre nós e entre ela e o mundo.
- _____Mas bastava uma nova dúvida em sua vida, uma
- decisão a tomar, e ela requisitava mais um inferno para
- se repensar. A rotina era extenuante. Quem aguenta uma
- mulher que, em vez de falar sobre a vida, mergulha
- num porre xamânico? Mas o amor perdoa. Lá estava
- eu ajudando-a a levantar-se de mais uma triste
- manguaça. Fiquei expert em reidratar e reanimar mortos,
- em contornar enxaquecas siderais e em amparar dengues
- existenciais
- _____Amava Stela pela inusitada maneira de consultar o
- destino. Triste era o desencontro. Eu cansado por
- cuidá-la depois de uma noite mal dormida, servindo de
- enfermeiro, e ela radiante, prenha da energia que a
- purgação lhe rendera.
- _____Stela era irredutível no seu método terapêutico,
- dizia que só nesse estado se encontrava com o melhor
- de seu ser. Reiterava que era mais sábia durante o
- martírio. Insistia que, sóbria, em seu estado normal,
- sofria de um otimismo injustificado que lhe turvava a
- realidade. Seu lema era: “Só na ressaca enxergamos o
- mundo como ele é”.
- _____Um dia, sem muitas palavras, Stela foi embora.
- Alguma ressaca oracular deve ter lhe dito que eu não
- era bom para seu futuro. Não a culpo.
Adaptado de: CORSO, M. O valor da ressaca. Zero Hora, n. 18489,
02/04/2016. Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a5711255.xml&template=3916.dwt&edition=28691§ion=4572. Acessado em 02/04/2016.
Considere as afirmações a seguir a respeito do uso de expressões referenciais no texto.
I - A expressão o pontífice (l. 17) faz referência ao vinho que Stela costumava tomar.
II - O pronome pessoal a (l. 26) faz referência a Stela.
III - A expressão a purgação (l. 43-44) faz referência ao desencontro entre Stela e o namorado.
Quais estão corretas?
Instrução: As questões 06 a 10 referem-se ao texto abaixo
A língua do Brasil amanhã
- ____Ouvimos com frequência opiniões alarmantes a
- respeito do futuro da nossa língua. ___ vezes se diz
- que ela vai simplesmente desaparecer, em benefício de
- outras línguas supostamente expansionistas (em especial
- o inglês, atual candidato número um a língua universal);
- ou que vai se “misturar” com o espanhol, formando o
- “portunhol”; ou, simplesmente, que vai se corromper
- pelo uso da gíria e das formas populares de expressão
- (do tipo: o casaco que cê ia sair com ele tá rasgado).
- Aqui pretendo trazer uma opinião mais otimista: a
- nossa língua, estou convencido, não está em perigo de
- desaparecimento, muito menos de mistura. Por outro
- lado (e não é possível agradar a todos) acredito que
- nossa língua está mudando, e certamente não será a
- mesma dentro de vinte, cem ou trezentos anos.
- ____O que é que poderia ameaçar a integridade ou
- a existência da nossa língua? Um dos fatores,
- frequentemente citado, é a influência do inglês – o
- mundo de empréstimos que andamos fazendo para
- nos expressarmos sobre certos assuntos.
- ____Não se pode negar que o fenômeno existe; o que
- mais se faz hoje em dia é surfar, deletar ou tratar do
- marketing. Mas isso não significa o desaparecimento
- da língua portuguesa. Empréstimos são um fato da
- vida e sempre existiram. Hoje pouca gente sabe disso,
- mas avalanche, alfaiate, tenor e pingue-pongue
- são palavras de origem estrangeira; hoje já se
- naturalizaram, e certamente ninguém vê ameaça
- nelas. Afinal de contas, quando se começou a jogar
- aquela bolinha em cima da mesa, precisou-se de um
- nome; podíamos dizer tênis de mesa, e alguns tentaram,
- mas a palavra estrangeira venceu – só que virou
- portuguesa, hoje vive entre nós como uma imigrante já
- casada, com filhos brasileiros etc. Perdeu até o sotaque.
- ____Quero dizer que não há o menor sintoma de que os
- empréstimos estrangeiros estejam causando lesões na
- língua portuguesa; a maioria, aliás, desaparece em
- pouco tempo, e os que ficam se assimilam. Como toda
- língua, o português precisa crescer para dar conta das
- novidades sociais, tecnológicas, artísticas e culturais; e
- pode aceitar empréstimos – ravióli, ioga, chucrute,
- balé – e também pode (e com maior frequência)
- criar palavras a partir de seus próprios recursos –
- como computador, ecologia, poluição – ou então esten-
- der o uso de palavras antigas a novos significados –
- executivo ou celular, que significam coisas hoje que
- não significavam ___ vinte anos. Isso está acontecendo
- a todo o tempo com todas as línguas, e nunca levou
- nenhuma delas ___ extinção.
Adaptado de PERINI, M. A. A língua do Brasil amanhã
e outros mistérios. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.
Páginas 11-14.
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir sobre algumas das ideias do texto.
( ) Os empréstimos linguísticos são um fenômeno relativamente recente na língua, um reflexo de atividades modernas, como surfar, deletar e lidar com vocábulos da área do marketing.
( ) A língua portuguesa está mudando mais rapidamente hoje do que antigamente para que seu vocabulário possa abarcar novidades de ordem social, tecnológica, artística e cultural.
( ) Todas as línguas podem receber a influência de empréstimos linguísticos, não apenas a língua portuguesa.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é